OBITO ESTAVA MUITO CONFUSO. Quando chegou em casa ele passou pela porta, seguiu para o quarto e não deitou na cama. Pelo contrário, sentou-se numa cadeira próxima. A cama ainda estava amarrotada no exato ponto onde Naomy caiu, e ele não queria desfazer aquilo. Não naquele momento.

A cabeça estava em turbilhão. Passava cenas dele com Naomy enquanto crianças, na adolescência, todos os momentos que passaram juntos. Depois cortava para esses mesmos momentos com Rin e Kakashi, e todo o sentimento que ele tinha, a rivalidade com o melhor amigo. Depois voltava para ela, quando ela passava os dias na casa da avó dele.

Na verdade, as manhãs de domingo e as primaveras de sábado. Era sempre a mesma coisa. A avó de Obito, a senhora Kyoko, preparava mochis. Naomy a ajudava. Depois a Uchiha trançava o cabelo dela e ambas perturbavam Obito. Era uma relação ótima.

Na época, nenhum dos dois sabia que os pais permitiam que estivessem juntos, fosse na casa da Sarutobi ou na casa da avó de Obito, justamente para criar laços devido ao acordo de casamento. A ideia foi da mãe de Naomy. Ela não queria simplesmente esperar que a filha alcançasse dezoito anos para conhecer o Uchiha, nem que eles se conhecessem apenas como colegas de escola e, no fim, tivessem que se casar. Já bastava ser um casamento arranjado — não precisava ser desconfortável.

Ela realmente tentou fazer valer a pena. Deu a eles, ainda jovens, a oportunidade de se apaixonarem e de se conhecerem melhor. Tentou dar a ambos a chance de escolher, ainda que dentro de limites impostos. Tentou tornar o inevitável menos cruel.

E por um tempo, funcionou.

Mas, infelizmente, o destino não saiu como todos queriam, e Obito jogou parte disso no lixo quando tomou aquela decisão impulsiva de acabar com o noivado de forma tão abrupta.

Agora que ele estava ali, olhando para aquela cama, finalmente podia reconhecer: sentia muita falta dela. Era diferente do sentimento que possuía por Rin. Naomy era, de fato, sua amiga, e ele nunca soube que ela o amava.

Eles eram bons amigos. Faziam coisas de amigos juntos, passavam por situações caóticas e cômicas lado a lado, e as missões ao lado dela — quando eram obrigados a se separar, quando ele era obrigado a se afastar de Rin — também eram muito boas. Então, quando tudo isso se perdeu, era claro que ele sentiria falta. Ele se fechou bastante.

Mas agora encarava toda a situação e pensava que, talvez, lá no fundo — bem lá no fundo — ele estivesse sentindo mais por Naomy naquela época do que jamais admitira. Talvez não fosse apenas a amizade que ele imaginava ter.

Mas Obito, jovem e orgulhoso demais, não soube reconhecer o que tinha nas mãos.

Talvez, lá no fundo, ele tivesse sentido demais naquela época. E, incapaz de compreender a profundidade dos próprios sentimentos, preferiu chamar de amizade, porque amizade parecia segura, controlável, isenta de riscos. Amar, de verdade, exigia enfrentar coisas que ele ainda não estava pronto.

Com o tempo e mais maturidade, Obito entendeu que crescer não é apagar o que foi, nem tampouco os erros cometidos, mas finalmente encará-los sem pressa ou desculpas. Algumas escolhas não se desfazem; elas apenas aguardam o momento em que teremos maturidade suficiente para compreender o que realmente perdemos quando acreditamos estar nos libertando.


…


Naomy encarou a porta por mais alguns minutos. Não conseguia parar de pensar em Obito, nem em como tudo havia acontecido rápido demais. Aquilo era loucura — não podia ser possível.

Obito a tinha humilhado publicamente ao encerrar o noivado de forma abrupta. Agora, estavam casados. E, para completar o absurdo, ela não conseguia parar de pensar nas sensações: os dedos quentes dele em sua pele, a força com que a abraçava, mantendo-a tão junto a si que ainda conseguia sentir o cheiro dele impregnado em seus sentidos.

“Meu Rikudou, eu preciso esquecer isso. Não tem como reviver memórias de um sentimento unilateral. Eu não vou ser feita de palhaça de novo!” Pensou antes de massagear as têmporas, um pouco irritada com a própria fragilidade. Ainda assim, bastava estar nos braços dele para que toda aquela sensação cruel e triste fosse empurrada para o fundo da alma — trancada lá, como algo que jamais deveria vir à tona.

“Não é possível que eu ainda goste tanto dele. Não. Não. Não!” Naomy se recriminava enquanto caminhava de volta para o jardim. Arrumava o vestido, ajeitava a aparência repetidas vezes, temendo que as amigas ou qualquer outra pessoa percebessem seu estado. Não queria se dar a esse trabalho. Não queria que Obito Uchiha significasse algo além de um simples casamento arranjado.


Naomy continuava quieta. Não conseguia entender como sua vida havia dado uma reviravolta tão grande em tão pouco tempo. Em sua cabeça, não entrava o fato de que os próprios sentimentos ainda estavam ali, vivos, gritando na pele. E, para completar, havia os olhares de Rin e de Hanna, que diziam exatamente isso — mesmo sem palavras.

Hanna foi a primeira a se aproximar. Abraçou-a e sorriu, como se deixasse claro que sabia exatamente com quem ela estivera no momento em que desapareceu.

— E então? Me saí bem coordenando o evento? Pode falar que eu me saí muito bem enquanto você estava fora.

Naomy agradeceu mentalmente pela discrição da amiga e por ela ter entendido que talvez não quisesse falar sobre nada; que talvez só precisasse esquecer aquele momento ao lado dele. Assim, apenas sorriu antes de responder:

— Você mandou muito bem. Da próxima vez, já sei que posso ficar despreocupada… e até mesmo te contratar.

Foi então que olhou para os pés de Rin e percebeu que o sapatinho não estava mais ali. Fez um leve beicinho.

— Eu perdi o desafio do sapato.

Dessa vez, foi Rin quem respondeu:

— Se quiser, eu posso repor e recomeçamos.

— Não — Naomy negou suavemente. — Vamos para as próximas brincadeiras. Afinal, esse é o seu dia. Vocês preferem a sessão de perguntas e respostas para a noiva ou o acerte e ganhe para as convidadas?

Ela desviou o olhar para as duas cestas dispostas no jardim: uma com os presentes da noiva, que não seriam tocados, e a outra com os presentes das convidadas — aquela, sim, prometia diversão. A maioria das mulheres se empolgou, ficando dividida. Fizeram uma pequena votação para decidir como as brincadeiras continuariam.

Naomy agradeceu em silêncio. Aquele chá de noivado estava conseguindo afastar as lembranças de Obito — pelo menos por enquanto. E, naquele momento, isso era suficiente para que não ficasse pensando nele… nem em seu calor.

A tarde passou rápido, quando começou a escurecer, a noiva e as madrinhas se retiraram para a sala de descanso para receber massagens enquanto o jardim era arrumado e limpo para a parte final da comemoração.

Elas teriam uma hora para descansar e se aprontar. Naomy ria com as besterias que Hanna comentava e ficava envergonhada quando o assunto partia para o lado mais íntimo. Não é que fosse completamente nula nesse quesito, mas não tinha o costume de falar sobre isso com ninguém.

— Pode falar Rin, não sairá daqui. — Hanna afirmou e a Nohara riu mais um pouco.

— Nós nunca… Você sabe, estamos esperando o casamento e como está tão pertinho não vimos problema nisso. — Deu de ombros.

— E se você não gostar? — Dessa vez a pergunta veio de Izumi e isso fez com que Naomy e Hanna rissem. — O que foi?

— Fala sério né Izumi, é o Kakashi, é impossível ela não gostar, principalmente sendo apaixonada por ele desde novinha! — Hanna afirmou e Rin desviou o olhar, as bochechas corando de leve. A paixão antiga sempre fora óbvia demais para ser negada, e ela nunca se incomodara verdadeiramente com isso.

Naomy, que até então apenas observava, levou o copo de suco aos lábios antes de falar.

— Acho que tem algo muito mais importante do que relações sexuais. — O comentário chamou a atenção de todas. Olhares curiosos se voltaram para ela, esperando o complemento.

— Ela finalmente vai vê-lo sem a máscara todos os dias — completou, com simplicidade.

Houve reações diversas. Algumas arfaram, descrentes. Outras reviraram os olhos, fingindo desdém. Rin, porém, sorriu — um sorriso cheio, orgulhoso — e assentiu. Amava o rosto do futuro marido, mas tinha de admitir: acordar todos os dias com ele ali, sem barreiras, seria algo precioso demais para ser comparado a qualquer outra coisa.


De repente Hanna se virou para a Naomy e sorriu de forma sacana.

— Já que estamos falando de casamentos… e você, Naomy? E o Obito?

— Nem pensar! — Naomy reagiu rápido demais, quase se levantando. — Hoje é o dia da Rin!

As risadas explodiram pela sala, leves, despretensiosas. Naomy tentou se esconder atrás do próprio copo, enquanto Hanna insistia, Izumi se divertia e Rin observava tudo com um sorriso curioso demais para ser inocente.

Quando faltavam exatos quinze minutos, todas se retiraram para se vestir, as cores honrariam o sobrenome de Rin em homenagem a seu casamento, então todas estariam de trajes roxos exceto a própria noiva e claro, que apesar dos trajes, as madrinhas que tivesse restrições de clã usariam o símbolo estampado no vestido, algo que tinha sido feito há muito tempo.

O vestido de Naomy era uma beldade, roxo profundo sem decote na frente e de gola, o vestido descia justo até a cintura, onde a saia começava e ia se abrindo até o chão, havia uma fenda nas costas e o símbolo do clã estava bordado por todo o vestido em uma padronagem bem discreta mas representativa o suficiente para que ninguém questionasse era bonito e não roubaria a atenção da noiva.

Rin, por sua vez, parecia deslocada de qualquer preocupação terrena. Vestia branco com naturalidade absoluta. Escolhera um corte simples, de decote leve, quase tímido, e o tecido possuía um brilho suave que captava a luz sem esforço. As alças finas traziam detalhes que remetiam ao próprio sobrenome, e as costas eram cruzadas por tiras delicadas até a base do vestido. Os cabelos estavam soltos, lisos, divididos ao meio, caindo até a altura do quadril. Os lábios tingidos de vermelho contrastavam com a pele clara, e o sorriso — aquele sorriso — parecia iluminar tudo ao redor. A Nohara estava feliz de um jeito raro, inteiro, sem frestas.

Já pronta, ela perguntou a uma das ajudantes onde Naomy estava. Foi conduzida até o quarto reservado à madrinha, mas, ao se aproximar, diminuiu o passo. A porta entreaberta deixava escapar vozes. Não pretendia ouvir. Mas ouviu.

— Você vai mesmo se casar com o homem que te humilhou? — a voz feminina, carregada de incredulidade, cortou o ar. — Eu não acredito nisso, Naomy.

— Mãe… — a resposta veio baixa, cansada.

— Vai se casar, não. Melhor dizendo, já se casou! — continuou a mulher, sem dar espaço. — Você enlouqueceu? Eu havia falado com o Raikage. Tínhamos planos. Ele me apresentou uma opção tão interessante…

— Parece que a senhora e o papai não conversaram direito — interrompeu Naomy, a voz agora mais firme. — Ele disse que estava extremamente satisfeito.

Houve uma gargalhada seca.

— Seu pai é um velho imbecil em certos momentos. Paz comprada com reputação manchada, é isso que ele te deu. Se fosse ao menos alguém sem clã, ainda vá lá… mas um Uchiha? Você realmente acredita que, depois de conseguir o que quer, ele vai manter esse acordo? Quer saber? Eu vou encontrar uma brecha. Vou desfazer isso.

— Mãe… — Naomy tentou, mas a frase morreu antes de nascer.

A porta se abriu abruptamente, e a mulher saiu, decidida, sem olhar para trás. Foi então que Naomy, ao segui-la por impulso, deu de cara com Rin parada no corredor. O sangue lhe subiu ao rosto de imediato.

— Naomy… — Rin falou primeiro, constrangida. — Me desculpa. Eu não devia ter ouvido. Você… você precisa de alguma coisa?

Naomy não respondeu com palavras. Apenas a abraçou com força, Rin retribuiu sem hesitar, envolvendo-a com cuidado, como sempre fizera.

Sem dizer mais nada, puxou Naomy para dentro do quarto e fechou a porta atrás de si.

Ali, pelo menos, poderiam falar sem serem ouvidas.

— Se não quiser conversar tudo bem... — Rin afirmou e Naomy apenas respirou fundo se afastando.

— Tudo o que você ouviu é verdade, aconteceu no escritório do meu pai. Mas por favor mantenha isso entre nós eu sei que uma hora ou outra o Obito conversará com você e com o Kakashi afinal são os melhores amigos dele, ele só é um idiota cabeça dura.

Rin assentiu achando doído o fato dela se preocupar com Obito e aguentar aquela carga emocional sozinha por isso colocou a mão sobre a dela e a olhou nos olhos.

— E você Naomy como está com tudo isso?

— Bom. Agora vão parar de me infernizar e voltarei para as minhas missões logo após o seu casamento. Então... estou bem.

As palavras soaram organizadas e quase convincentes. Quase. Rin assentiu outra vez, embora percebesse com clareza o desvio, a tentativa de encerrar o assunto antes que ele ganhasse profundidade. Havia momentos em que insistir não ajudava — apenas expunha feridas que ainda não estavam prontas para cicatrizar.

Ela apertou de leve a mão de Naomy, num gesto silencioso de compreensão, e sorriu com suavidade se por hora a amiga precisava fugir então ela somente apoiaria suas escolhas.



…


Obito se encarava no espelho irritado, estava sendo tudo demais, a roupa o cabelo tudo. Respirou fundo lendo mais uma vez a carta: traje social esportivo. No fim se convenceu a ir de calça social, uma blusa branca com dois botões e um blazer. Ele estava pensando em tudo, nervoso por ver Rin e Kakashi juntos, fora Naomy que agora era sua esposa.

Pensava em Rin. Pensava em Kakashi. Pensava na imagem dos dois juntos, finalmente alinhados num destino que ele próprio acreditara no passado ser possível um dia para si ao lado da Nohara. Depois retornava para Naomy e o cheiro dela que aprecia entranhado em suas vias nasais assim como o toque reconfortante.

Foi aí que se deu conta, ela não tinha um anel, não era comum em seu clã dar anéis de casamento, mas pensou que Naomy gostaria de ter algo para esfregar na cara daqueles idiotas que tanto a perturbaram, na hora a tal aliança de chocolate que ela falou na adolescência veio a mente e por um instante ele pensou que mais tarde daria um jeito nisso. Depois encarou novamente a própria mão e pensou se seria confortável usar uma aliança, Obito sabia que não.

A nuca coçava com as ideias mirabolantes e a cabeça não parava de funcionar, foi aí que uma cena do passado escorregou por sua mente.

Naomy vestida tradicionalmente para uma das festas em sua casa, ela estava tão linda, Obito lembrava de ter ficado com a garganta seca e os olhos presos nela e na gentileza que ela demonstrou ao ajudar todos.


Foi aí que ele sacudiu a cabeça mais uma vez saindo da memória e lembrando que tipo de joia ela carregava consigo. Essa seria fácil de arranjar talvez ele só se atrasasse um pouco.



A festa tinha começado há mais de uma hora. Brindes tinham sido feitos e Kakashi era cumprimentado por todos, no fundo Naomy sabia porque o clã concordou tão rápido com a ideia dela. Kakashi estava cotado para ser o próximo hokage e para os anciãos do clã nada melhor do que demonstrar que os Sarutobi fazem parte do seio político e são amigos pessoais do próximo futuro hokage, Naomy achava aquilo ridículo e sinceramente não ligava, ela quis dar a festa e a sugeriu porque era amiga de Rin e se sentia feliz por poder proporcionar algo assim para uma amiga próxima mesmo que o conselho visse por outro ângulo.

As conversas estavam cada vez melhores, o ritmo que se seguia deixava claro que o evento foi um sucesso e Naomy não conseguiu não procurar por ele, ela olhava para os lados a procura dele, se perguntava se Obito realmente viria ou não, mas no fim tudo o que recebeu foi a certeza de que ele não apareceria no noivado dos seus melhores amigos.

— Quando nos casarmos quero te contratar pra cuidar do meu evento, mas teremos cachorros por perto. — Hanna piscou e Naomy sorriu com aquela ironia, já Yamato estava vermelho, ele e Hanna não tinham conversado sobre isso ainda.

— Quando ela se casar — Rin inclinou a cabeça na direção da Sarutobi — Eu quero retribuir esse favor. — Sorriu. Mesmo sabendo que a amiga já estava casada, duvidava que Naomy aceitaria uma pequena união com Obito, sem que tivessem a chance de subir no altar, mesmo que a castanha dissesse que não ligava, Rin sabia o quanto ela era uma romântica incorrigível e Naomy não disse nada.

O grupo seguiu festejando até que chegou a hora de partir, a maioria dos convidado já havia ido embora, restavam agora Hanna, Rin, Kakashi e Tenzo, eles seguiam pela rua principal do distrito com a intenção de irem embora, foi quando ela tinha se despedido dos amigos que uma presença chamou atenção.

Os olhos percorreram pelo corpo da castanha sem pudor algum e ela sentiu a pele queimar ao ser observada daquela forma.

— Parece que teremos companhia. — Hanna sussurrou, enquanto Obito se aproximava.

A primeira coisa que o moreno fez foi olhar para os amigos, ele já tinha os visto de longe horas antes, quando chegou. Tinha desejado estar no lugar de Kakashi e sentir aquela felicidade, mas quando vislumbrou Naomy sendo cortejada por alguém da casa Hyüga horas antes se sentiu o mesmo tolo de sempre. Por isso decidiu que quando fosse até eles não portaria esse mesmo pensamento, olharia para ela que era sua esposa e, não para Rin que parecia ainda ter o seu coração.

— Parabéns pelo noivado. —Apesar do tom seco, Rin e Kakashi sentiram alívio. Se sentiam incompletos sem ele.

— Obrigada. — A Nohara respondeu sorrindo enquanto ele parava ao lado de Kakashi.

— Chegou atrasado como sempre. — O Hatake afirmou.

— Vocês que são muito apressados. — A resposta fez Kakashi rir calmamente e por um instante pareceu que nada mudou.

— A despedida será daqui a dois dias, vê se não se atrasa e cheque a correspondência. — Kakashi afirmou. Rin já mais descontraída se apoiou nele e ambos encararam Obito com resiliência e carinho.

— Ele sempre teve problemas com a correspondência. — Rin ironizou.

— Sempre — Naomy sorriu e Obito aproveitou a deixa para parar bem perto dela.

— Parece que se uniram todos contra mim. — Ele comentou arrancando um risinho geral e aproveitou a falta de olhares para deslizar um dos polegares sorrateiros pelas costas nuas da esposa que tremeu inteira sem demonstrar.

— Bom, vamos indo. — anunciou Hanna.

Ela e Yamato se despediram primeiro, acenos rápidos, palavras leves. Em seguida, Rin e Kakashi se aproximaram de Naomy, que os abraçou com cuidado, demorando um segundo a mais do que o habitual.

— Por favor, se cuidem — pediu ela. — Quero muito participar dessa despedida, então nada de missão extra.

Piscou, num gesto meio sério, meio brincalhão. Eles assentiram, concordando sem resistência.

Naomy os acompanhou até a porta de entrada do clã. Observou-os se afastarem pela rua iluminada, até que as vozes se dissolvessem na distância.

Quando se virou, percebeu.

Estava sozinha com Obito e ele nem disfarçava mais. O olhar a percorria sem pressa, atento demais aos detalhes: o corte do vestido, a pele ainda quente sob o tecido, a postura firme que escondia o turbilhão interno.

— Vai continuar me olhando assim? — ela perguntou, por fim, quebrando o silêncio. O sorriso dele veio lento e malicioso ela soube na hora que a resposta a desconcertaria.

— Estou só confirmando uma coisa.

— O quê?

— Que você continua exatamente tão difícil de ignorar quanto sempre foi.

O ar entre os dois pareceu ficar mais denso enquanto Naomy tinha plena certeza de que os batimentos do seu coração provavelmente saltariam se ela continuasse sentindo tanto.