Primeiros erros

5 A primeira vez que dissemos "te amo"


Notas iniciais
Aquela vergonha alheia do seu personagem porque ele nunca se declarou pro namorado... Mikaru, quando a gente pensa que você não presta, você vai lá e prova que é verdade da pior maneira possível XDD Boa leitura!

O silêncio se instalou de tal forma que, dessa vez, foi Mikaru quem ergueu o olhar para confirmar se o namorado ainda estava acordado.

— Não conseguiu pensar em nada ou está chateado pela resposta de antes?

— Ah, não. Não fiquei chateado. Na verdade é bom saber que você pode responder depois se eu quiser mesmo saber. Eu não me importo de esperar até que se sinta à vontade.

— Hmm… então não quer saber mais nada? – Mikaru questionou enquanto voltava a se deitar.

— Quero… mas tenho medo de ser pessoal demais.

— Se for inconveniente eu não vou responder, mas isso não tira seu direito de perguntar. Vá em frente.

Katsuya ainda encarou-o por um tempo, passando a língua pelos lábios secos de nervosismo. Aquilo era algo que ele tinha vontade de saber e mais ainda de ouvir. Ele podia saber o que Mikaru pensava a respeito devido às atitudes dele, mas ouvir de sua boca seria novidade e acalmaria suas expectativas. Só precisava perguntar da forma certa para tentar obter uma resposta satisfatória.

— Mikaru… você já se declarou pra alguém?

— Pensei que as perguntas seriam sobre as primeiras vezes.

Katsuya não soube o que dizer após a resposta evasiva. Mikaru estava certo, eles começaram a brincadeira perguntando sobre alguns primeiros momentos entre eles. Aquilo fugia à regra. Contudo, se tivesse questionado para quem foi a primeira declaração que o namorado fez, caso ela existisse, ele já tinha noção de quem seria a pessoa que recebeu a confissão e aquilo o incomodava. Saber que existiu uma primeira declaração não seria agradável, mas talvez lhe desse um pouco de esperança de que um dia ele ouviria uma também.

— Você está certo. – Katsuya respondeu por fim, desistindo de conseguir uma resposta – Eu perdi no meu próprio jogo. – e virando-se um pouco de lado, de modo a não ficar totalmente de costas para Mikaru, ele suspirou baixinho – Melhor a gente dormir… está ficando tarde.

— Uma vez você me disse que eu era fácil de ler… depois que a gente começou a sair, passei a te observar mais e hoje posso dizer o mesmo a seu respeito. – Mikaru comentou baixinho, se aproximando do corpo do namorado, abraçando-o por trás – Acha mesmo que eu não sei qual era a sua intenção quando fez essa pergunta?

— Era só curiosidade… – Katsuya murmurou de volta, virando de frente e se aconchegando no abraço. Ele sabia que era correspondido. Mikaru deixava isso claro com atitudes como aquela; com abraços, beijos, sorrisos. Mas ele queria mais. Será que estava exigindo muito ao desejar ouvir aquelas palavras?

— Certeza? Me impediu de comprar algo pro jantar porque queria que cozinhássemos juntos pela primeira vez. Agora faz uma pergunta aleatória e quer me convencer que não esperava obter uma nova primeira vez?

— E se for isso? Não é errado tentar… – fechou os olhos com força, envergonhado de ouvi-lo falar daquela forma. Sentia como se estivesse levando um sermão, mesmo que fosse uma conversa casual entre eles.

— Não é… mas também não é certo jogar suas expectativas pra cima de mim.

— Eu sei. Não precisa encarar assim. Foi só uma pergunta. – uma pergunta idiota, Katsuya completou em pensamento. Não costumava se arrepender do que fazia, mas aquela pergunta ia remoer muito tempo em sua mente.

— Uma pergunta que você quer a resposta.

— Eu não espero uma, realmente. Você mesmo comentou antes que não responderia se ficasse desconfortável e esse parece ser o caso.

— Eu não estou desconfortável. Só não sei o que mudaria com essa resposta. – mas ele estava e muito. Uma confissão não era algo que se fazia assim, tão levianamente.

— Não mudaria nada. – Katsuya confirmou com um suspiro fundo, muito arrependido por ter feito aquela pergunta – Vamos dormir.

Katsuya se afastou do abraço, acomodando melhor em seu lugar na cama. Não ia dormir tão fácil depois daquela conversa, mas não queria ficar por perto também. Mikaru podia ter razão, talvez nada fosse mudar.

— Vai aceitar isso sem tentar insistir?

— Mikaru… eu já vi o que acontece quando tentam te forçar a fazer algo. Eu não quero te afastar e por isso não vou pressionar.

— Mesmo sendo algo que você quer saber muito?

— Você realmente quer cutucar a ferida? – Katsuya sentou-se no colchão, encarando Mikaru mesmo na penumbra. Não conseguia distinguir bem seus traços para saber se ele falava sério ou se queria apenas zombar consigo.

— Não. Só quero manter a conversa como estava antes. – Mikaru sentou-se também, mas desviou o olhar para outro ponto do quarto – É realmente importante pra você saber?

— Eu não vou te pressionar. Se você não quer responder agora, eu vou respeitar isso e esperar. Se algum dia quiser, ótimo. Se não, paciência.

— Os seus amigos costumam fazer isso com frequência? Por isso você quer também?

— Não é sempre… bom, Izumi-san sim, mas não é só por eles. Não é pra fazer igual. Eu só queria saber se já aconteceu.

— Não. – Mikaru respondeu por fim, deixando Katsuya um pouco confuso com a negativa.

— Não?

— Isso, nunca confessei… Pelo menos não da maneira como acho que você está imaginando. Afinal eu já disse que gosto de você, mas imagino que queira algo mais… hmm… dramático e totalmente entregue.

Katsuya sentiu o coração acelerar uma batida, um sorriso surgindo sem que conseguisse contê-lo. Então Mikaru não havia feito nenhum tipo de declaração de amor, nem para Takeo? Ele podia ter a oportunidade de ser o primeiro se merecesse?

— Algum motivo pra nunca ter confessado? – pegou a mão do empresário na sua, entrelaçando os dedos com cuidado.

— Não sei… acho que não teve um momento apropriado… ou não foi necessário…

— Mas você gostava muito dele, não é? Do seu ex… E mesmo assim…

— Katsuya, você sabe o que eu sinto por você? De verdade?

— Bom, acho que sim. Você já disse que gosta de mim e eu acredito nisso. Você demonstra do seu jeito.

— E não é o suficiente? Se não tiver uma confissão, você não acredita nas atitudes?

Katsuya pensou um instante, ambas as respostas sendo positivas. Sim, era o suficiente. Ele não precisava deixar Mikaru desconfortável para ter sua confissão. Namoravam fazia alguns poucos anos e só fato de estarem juntos já significava muito. Conversarem tão abertamente, tranquilos na presença um do outro, os problemas que enfrentaram. Tudo aquilo era uma confirmação para sua dúvida. Claro que seria bom ouvir as palavras, mas ele sabia que o sentimento existia e aquilo bastava.

— O que não entendo é o motivo… – Katsuya murmurou mais para si mesmo do que para o namorado – Não é como se precisasse de um momento especial para transformar a situação em algo marcante. – e voltando o olhar para Mikaru, ele perguntou algo que passou por sua mente, mais uma vez correndo o risco de se arrepender por colocar em palavras – Você tem medo do que pode acontecer depois de se confessar? Acha que eu vou rir de você e então sair correndo como se não fosse nada?

— Como eu te falei antes, apenas não achei que fosse necessário. Não é como se eu tivesse gostado de muitas pessoas até hoje. Takeo nunca me falou algo do tipo, nunca se declarou pra mim também e eu era muito novo na época. Os outros casos que vieram depois não foram sérios. E você… bom, não é como se você falasse a respeito com muita frequência e sempre entendeu muito do que acontecia sem que eu precisasse explicar. Podia ser o caso…

— Ah… então parte da culpa pode ser minha…

— Katsuya, não estamos falando sobre nada que precise apontar culpados. Eu sei o que você sente e parece que você sabe o que eu sinto. Se quiser falar algo a respeito, eu vou ouvir. Só não acho que estou preparado para responder da mesma forma. Pode ser medo sim, de você rir de mim, de não acreditar ou pensar que é só porque você pediu, mas não estou pronto pra isso.

— Eu entendi. Não vou te forçar a fazer isso. – Katsuya não podia afirmar que aquilo não era uma declaração de amor, afinal nunca ouviu uma, exceto em filmes, mas tudo o que Mikaru lhe disse fazia sentido e o deixava feliz. Ele entendia onde o namorado queria chegar e o ponto de vista dele. Estendeu os braços, se aproximando e puxando-o para perto, envolvendo-o num abraço – Saber que você gosta de mim e o modo que demonstra são suficientes.

— Fico feliz em saber disso… – Mikaru correspondeu ao abraço, sentindo-se mais tranquilo por saber que não seria obrigado a falar sobre sentimentos que não se sentia à vontade – E queria te pedir para não comparar nosso namoro com o do Shiro e do Izumi. Nenhum de nós dois se parece com eles, então não tem como nosso namoro ser igual.

— Eu sei… aqueles dois se entendem de um jeito muito estranho. – Katsuya riu baixinho, puxando Mikaru para se deitarem novamente – Eu gosto de como levamos nosso namoro, do nosso jeito, no nosso ritmo.

— Eu também gosto. Sem pressa e aproveitando cada etapa.

Katsuya suspirou satisfeito, pensando em como uma brincadeira simples os levou àquela conversa. Teve um momento em que acreditou que Mikaru ia brigar consigo, por insistir em ter um resposta, mas ele logo voltou ao tom gentil de antes. O namorado mesmo tomou a iniciativa em tentar manter uma conversa tranquila. Se fosse alguns anos atrás, nunca imaginaria Mikaru conversando daquela forma, se expondo, questionando coisas íntimas, falando a respeito de qualquer tema que perguntasse. Ambos haviam mudado e para melhor.

Olhou de relance para o empresário, notando que ele havia relaxado em seus braços. Seria desconfortável dormir daquela forma, mas não queria acordá-lo. Algum momento durante a noite Mikaru iria se mover, então não custava esperar um pouco. Puxou o cobertor para cima de seus corpos, depositando um beijo em sua fronte.

— Eu amo você… – Katsuya sussurrou baixinho, com medo que aquilo fosse o suficiente para acordá-lo.

Se fosse sincero consigo mesmo, também assumiria que tinha um pouco de medo de vê-lo rir de sua confissão. Já havia dito uma vez, mas Mikaru ficou envergonhado demais na época e talvez não o tivesse levado a sério, levando em conta o pouco tempo que estavam juntos. Mas agora era diferente. Ele tinha certeza do que sentia.

Fechou os olhos para esperar o sono vir, ouvindo um ‘eu também’ sussurrado, mas os olhos permaneceram fechados, sem querer confirmar se era um sonho ou se ainda se encontrava acordado.

Notas finais
Eu consegui manter as cenas fofas até o final! Aeeeeeee o Mereço um docinho, não é? Me aguardem com tretas novas nas outras histórias u.u
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!