Primeiros Erros...
1 Capítulo 1
Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
Primeiro, quero dizer que tudo que vou dizer é verdade, pelo menos até o momento em que se possa provar o contrario. Porque, o que podemos chamar de verdade se não aquilo que acreditamos? Então se eu acredito nessa historia ela é verdadeira, pelo menos para mim, e cabe a você leitor, querer ou não acreditar, e a mim, escritor, te convencer desta verdade.
Aviso que isso não é uma historia de amor, nem de vingança, amizade ou semelhante. É só uma historia. Não me compromisso com a realidade, mas somente com a verdade. Se espera diálogos entre vários personagens, saia. Diálogos serão poucos se depender de mim. Qualquer semelhança a alguma historia que já ouviu, não é mera coincidência.
Minha historia não tem tempo, mas tem um lugar, uma cidade do interior do Brasil. Qual estado? Não sei. Eu simplesmente ouvi essa historia de um amigo meu. É sobre uma garota, ela não tinha muitos amigos, era de uma família privilegiada, tinha tudo o que queria, mas era boa de coração. Me contaram que ela tinha cabelos negros, longos e cacheados. Uma pele branca como a luz e olhos negros que refletiam a imagem que quem os olhasse. Uma garota gentil, que todos elogiavam.
Ela era invejada e cobiçada por muitos. O que era estranho, pois ela vivia sozinha. As pessoas chegavam perto dela, conversavam, mas ela nunca teve um amigo, tirando sua vizinha. Ela era a única amiga dela, uma garota simples, normal. Ela era sua única amiga.
Numa manhã de terça, toda a cidade foi acordada por sirenes de ambulância e policia. A garota estava morta. Tinha pulado do telhado da casa que vivia. A família chorava, a garota era filha única.
No enterro todos os conhecidos foram para lá. Faziam dos mais diversos comentários. Alguns falavam coisas más, comentando o porquê dela ter se matado sendo que ela tinha tudo. A vizinha dela chegou por ultimo no enterro. Chegou humilde, com uma calça jeans e uma blusa preta. Os olhos estavam vermelhos e tinha nas mãos uma folha de papel amassada. O caixão foi enterrado, os pais da jovem choravam, mas a jovem vizinha de nome Vivian não derramou uma lagrima. A vizinha pediu um minuto de silencio de todos.
— Minha amiga, ontem me entregou essa carta – mostrou o pedaço de papel amassado nas mãos – Ela disse que era algo que eu tinha que ler, mas que era para eu ler somente hoje, ela me fez prometer que eu só leria hoje. Eu cumpri. A carta era curta, dizia como ela ficou feliz quando viramos amigas e outras coisas, mas o que eu quero ler para vocês é o ultimo parágrafo.
“Sabe Vivian, eu to sofrendo. Dói, porque sempre que eu olho para os meus pais, para tudo que eu tenho eu só consigo pensar o como eu sou decepcionante. Minhas notas não são boas, não sou realmente boa em nenhum esporte, não tenho muitos amigos, não sou nada. Mas sabe, com toda essa dor eu descobri que sou uma boa atriz, pois ninguém notou o que eu sentia. Não se sinta culpada, só queria me abrir. Essa dor ficou muito forte, por isso essa noite eu vou me matar, se você descumprir sua promessa, por favor, não me impeça, ta? Eu só queria que você soubesse que eu não fiz isso antes por você, você e só você. Me faça um favor, seja forte, por todos e seja grade, vire alguém que jamais eu poderia ser.”
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove
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