Notas iniciais
Eu gostaria de agradecer a minha amiga, que aqui tem o nome de Annalise pela grande ajuda, principalmente na lida que deu e nas dicas e a sua amiga Uchiha Sawako por ter feito minha capa. Enfim é isso, nessa fic tentei ser o mais fofa possível, embora o que amo mesmo é o sofrimento. Tenho que parar de falar tanto, por fim boa leitura.


Sasuke Uchiha estava de volta à vila, ou melhor, logo estaria e mesmo que fosse por poucos dias, Sakura sentiu-se feliz ao saber, já fazia um longo período desde que ele partiu em outra viagem, fazia tanto tempo que quando percebeu que os dias somados pela sua ausência passavam de três dígitos, simplesmente parou de contar.
Entretanto na manhã anterior viu quando o falcão de Sasuke se aproximou de sua janela e logo pousou sobre o parapeito da varanda, na pata do animal tinha um recado que nunca passou de algumas linhas, dizia que o Uchiha logo voltaria para casa e pelas suas contas, no dia seguinte estaria em Konoha, já que estava pelas redondezas da vila, tinha boas coisas para dizer sobre sua viagem e o mais importante é que gostaria de vê-la a noite, logo após a Haruno sair do seu turno no hospital, no final havia três pontinhos e posteriormente escrito “a sós”.
Sakura apesar de não gostar, de início não levou muito a sério tudo aquilo, para ela aquele recado, que naquele momento era muito mais parecido com uma carta, era como todos os outros que Sasuke lhe mandara, tinha que avisar ao Naruto, pois o amigo estava de volta e era costumeiro todos se encontrarem no portão da vila para esperá-lo, todavia a noite ele gostaria de vê-la a sós…
Interrompeu seus pensamentos, pois tinha que se arrumar para ir ao trabalho e naquela manhã ao chegar ao hospital, após cuidar de seus costumeiros pacientes foi tratar de falar com Ino, sabia que ela seria sincera e se por acaso estivesse devaneando, diria isso com toda a certeza.
Quando Sakura mostrou o recado/carta logo que a amiga começou a lê-lo, imediatamente sorriu, a Haruno mesmo que intimamente temeu que em breve viria uma zombaria e isso, levando em conta o quão cheia de expectativas estava ficando, poderia lhe deixar um pouco chateada.
— É claro que ele está te chamando para sair! — Ino falou e ainda exibia um sorriso, realmente parecia extremamente feliz pela amiga.
— Mentira. — Sakura disse como se estivesse discordando, mas acreditava também naquilo, no mesmo momento Ino a abraçará.
— Não existe outro motivo para isso. — Yamanaka falava alto e ainda estava abraçada a ela.
— Eu…
— Qual o problema, testuda? — Perguntou Ino se afastando pela primeira vez. — Sempre esteve a espera do Sasuke-kun e agora que parece que algo está dando certo para você, é assim que age? — Sakura sorriu, imaginando que talvez estivesse sendo temerosa e insegura sem necessidade.
— Às coisas darão certo agora, não é?
— Claro que sim e você será muito feliz. — Sakura e Ino sorriram uma para a outra, quase que involuntariamente na cabeça de Ino passou o passado das duas juntas e apaixonadas por Sasuke Uchiha, mas diferente dela o amor da Haruno era verdadeiro, por isso a amiga merecia toda a felicidade e amor que lutou muito para conquistar.
Quando Ino ia dizer algo para relembrar o passado, uma enfermeira bateu à porta do cômodo onde a loira trabalhava, chamou Sakura e começou dizer algo, a médica franziu o cenho e suspirou.
— Problemas? — Ino perguntou, logo que a enfermeira saiu.
— Apenas um paciente que se recusa a tomar os remédios. — Ela tornou a suspirar e sorriu — Vou vê-lo, até mais. — Sakura abriu a porta, colocou as mãos para dentro do bolso do jaleco e foi embora.
“Sakura fica tão legal vestida assim”, Ino pensou, mas logo dispersou tais pensamentos, pois tinha também que voltar ao trabalho.

***

Era 7 e meia da manhã, a rosada olhou para o relógio e notou que faltava algumas horas para o despertador tocar, entretanto alguém batia à porta, imediatamente soube que não era a mãe, pois ela sabia que Sakura trabalhava muito e volta e meia chegava tarde em casa, por isso sempre a deixava dormir até onde desse, vendo que as batidas não paravam, a mulher mal-humorada levantou-se e ao abri-la deu de cara com Ino, ela sorria e ignorava totalmente a expressão irritada da amiga à sua frente, sobre seu ombro tinha uma mochila preta ao qual Sakura quis limitar seus pensamentos e não cogitar o que tinha ali dentro.
Antes mesmo de Sakura conseguir abrir a boca, Ino falou alguma coisa e foi simplesmente entrando, a Haruno não via ou ouvia absolutamente nada, por isso foi carregada em estado de sonolência pela mão, deixando a amiga colocá-la diante do espelho que tinha em seu quarto e ficar mexendo em seu guarda roupa, tentando formar boas combinações das peças que tinha ali.
— Ino… — Sakura começou após um tempo tentando segurar um bocejo.- Ontem eu tive um plantão enorme e eu agora me encontro imensamente cansada… — Ela observou Ino ir ao seu armário novamente e sussurrar alguma coisa, aproveitou que a amiga não prestava atenção e sentou-se na cama de frente para o espelho. — O que diabos está fazendo aqui?
— Vim te ajudar a se arrumar para seu encontro com o Sasuke-kun. — Explicou, se enfiando ainda mais dentro do guarda roupa. — Tem que ir linda para arrasar...- Fez uma pausa, tirou uma blusa bege do guarda roupa, fez cara feia, como se não soubesse o que era aquilo e a jogou em cima da cama — ...E conhecendo você como conheço, provavelmente não iria se arrumar bem. — Ino se enfiou tão fundo que quase pareceu se perder lá dentro. — Aha! — Ela exclamou, fazendo Sakura que quase cochilava ser acordada pelo susto.
— Mas que diabos…?
— Eu sabia que você tinha algo do tipo guardado! — Sakura olhou para o vestido vermelho e meio amassado com certo desinteresse, não sabia bem o que dizer então apenas coçou os olhos procurando se livrar do sono.
— Eu tenho ele há muito tempo-
— E nunca o usou. — Ino a interrompeu. — Você ganhou? — Sakura fez que sim.
— Da minha mãe, quando comecei a trabalhar no hospital, ela me disse para eu usar em algum momento especial.
— Ele é muito bonito.
Sakura observou um pouco mais o vestido, enquanto Ino o segurava diante de si, ele tinha um decote V não muito fundo, era de renda e voltado a um vermelho escuro, seu comprimento era até os joelhos e tinha uma fita preta que marcava a cintura, provavelmente na pele de Sakura ficaria bonito, pois faria contraste com sua pele branca, ela estranhou e se perguntou porquê de nunca o ter usado antes.
Ah, era verdade, não tinha onde ou com quem usar.
— Sua mãe tem um bom gosto. — Tornou Ino a falar, colocando-o em cima da cama ao lado de Sakura e observando-a assentir com a cabeça. — E acertou em cheio no momento especial, pois você vai usar hoje no seu encontro!
— É sério que você me acordou tão cedo apenas para vir me arrumar?
— É claro que sim. — Ino puxou Sakura pelo braço e a empurrou em direção ao banheiro delicadamente. — Agora vai tomar banho.
— Sim, sim. Estou indo, chefia.
— Você tem outros sapatos? — Sakura apontou para um lado do armário que ainda se encontrava fechado.
— A chave está na gaveta ao lado da cama. — Ino rapidamente pegou a chave e antes de entrar no banheiro a ouviu reclamar de algo.

Sakura tratou de sair do banho rápido e já com o vestido no corpo, apesar de saber que se tornará adulta era impossível não se animar com tudo aquilo, estava se sentindo animada e feliz.
— Ino, não nego que agora estou me sentindo bem... — Começou Sakura, enquanto secava o cabelo com uma toalha, estranhou o silêncio e pousou os olhos onde deixará a amiga pela última vez, mas ela não estava em lugar algum, logo notou que alguém subia as escadas correndo e viu Ino abrindo a porta de seu quarto, tão rapidamente rumando para a janela fechada. — O que foi? — Perguntou Sakura, curiosa.
— Acho que é o gavião do Sasuke-kun que está voando sobre sua casa. — Sakura abriu a janela e rumou até a pequena sacada, soltou um assobio, o gavião logo desceu e se colocou delicadamente sobre seu braço. Haruno Sakura pegou o papel na pata dele e o colocou sobre o parapeito de cor cinza, o animal continuou esperando, como se aguardasse uma resposta.
— Será que ele dirá que não poderá mais vir? — Sakura perguntou a Ino ao entrar no quarto novamente. — Ou será que aconteceu algum imprevisto? Afinal, isso acontece, não é?
— Abra o recado e saberá.
Não tinha coragem, pois temia que lá dentro em pequenas frases tivesse escrito absurdos que nunca imaginaria, afinal não eram impossíveis, as coisas sempre davam errado para ela no final de tudo.
Enquanto pensava, Ino pegou o papel da sua mão, abriu e leu, mas conforme lia não demonstrava nenhuma reação e Sakura sentia-se nervosa, como se estivesse prestes a vomitar o café da manhã que ainda não tinha ingerido.
— E aí? — Ela perguntou por fim.
— Sasuke-kun irá te encontrar no novo restaurante, o Grande Uzumaki, ele disse que foi o Naruto quem indicou. — Ino riu — É bem a cara do Naruto indicar uma coisa dessas, mandar os amigos ir jantar em um lugar que é em homenagem a ele, mas eu ouvi dizer que lá é muito bonito.
Sakura sabia a história do restaurante e infelizmente na data de abertura não pode ir, embora boa parte da vila estivesse lá para prestigiar Naruto, os dois melhores amigos dele não estavam.
Será que Sasuke sabia disso? Que por muitos dias Sakura se sentiu mal por não ter comparecido e agora de alguma forma tentava agradar ao Naruto e a ela?
— Só tinha isso escrito? — Ela perguntou sentindo-se aliviada.
— Sim, como sempre Sasuke-kun sendo rápido e prático. — Sakura riu.
— Que horas será?
— Às 19, então terá por volta de uma hora para se arrumar. Acha que consegue sair mais cedo? — Fez que não com a cabeça.
— Nunca consegui. Sempre acontece algo, não tem como prever. — Ino assentiu, entendia muito bem isso. — Mas eu tentarei. — Falou com convicção.
— É isso mesmo, garota! — Concordou a outra se animando — E de qualquer forma, vamos arrumá-la e então será meio caminho andado. — Ino desviou o olhar para o parapeito da janela — E o gavião dele ainda está esperando.
Sakura foi até a mesinha, escreveu um “combinado” e amarrou na pata da ave, que logo saiu voando de encontro ao seu dono.

Após algumas horas se viu em frente ao espelho com o vestido vermelho e os sapatos da mesma cor, Ino escovou seus cabelos e pintou os lábios também de vermelho, a cor da pele e os olhos pareciam mais realçados, ela sabia que estava linda, mas também tinha a sensação de não está sendo verdadeira e Sasuke ao vê-la daquela forma, certamente pensaria o mesmo.
— Ino, eu não posso ir para o trabalho assim.
— Por que não?
— Eu preciso andar muito para tratar os pacientes e com esse saltos é impossível, o vestido e o batom são inapropriados para um hospital, não acha? — Ino enfim pareceu voltar a realidade.
— Foram horas perdidas... — Ela sussurrou e Sakura deu uma risadinha, junto a alguns tapas afáveis nas costas da amiga.
— Mas foi legal passar por tudo isso.
— Droga, eu fiz toda uma produção para tirar a atenção dos peitos que você não tem e isso acontece.
— O que disse, Ino porca?! — A outra por fim pareceu irritar-se — Você vem de manhã, me acorda, me faz passar por tudo isso e ainda me insulta? — Sakura apertou as bochechas de Ino com certa gentileza.
— É brincadeira, você tem peitões sim! Todos os rapazes da vila olham para eles, enquanto vocês os mantém guardado na bolsa. — Os olhos de Ino se iluminaram. — Eu tive uma ideia. — Começou Yamanaka se soltando — Você pode levar as coisas dentro da bolsa e quando for para o encontro se arrumar no próprio hospital! — Sakura sorriu.
— Boa ideia, porca. Por essa não esperava. — Sakura denotou ironia, mas Ino moveu-se rapidamente jogando todas as coisas ao qual achou que a amiga precisaria dentro de uma mochila.
— Coube direitinho. — Ela sorriu e a mochila parecia prestes a explodir.

***

Mais tarde Sakura se encaminhava em direção à clínica correndo, pois se encontrava alguns minutos atrasada, ela sendo uma das maiores médicas que ficava em plantão, não se permitia isso e o pior de tudo é que naquele dia sua mestra Tsunade disse que iria vê-la, não gostava de cometer erros, mesmo que fosse poucos minutos de atraso.
Ao chegar à porta do hospital começou a andar normalmente, todos os enfermeiros e médicos que passavam por ela a cumprimentavam, alguns acenando com a cabeça e outros com sorrisos. Rapidamente foi ao trocador, jogou sua mochila dentro do armário com tudo, então se lembrou que havia coisas que poderia quebrar, tão imediatamente vestiu seu jaleco a mesma enfermeira veio chamá-la.
— Sakura-sensei… — Ela disse amuada.
— O mesmo paciente?
— O mesmo paciente. — Confirmou a garota.
A médica suspirou pesadamente rumando para a saída, atravessou alguns corredores e parou em frente a uma porta sem graça, bateu de leve algumas vezes e entrou, a enfermeira ainda estava em seu enlaço. Sakura às vezes tinha vontade de dize-lhe para ter mais pulso firme com os pacientes, mas no fundo se via incapaz e por isso todo o santo dia era a mesma rotina de sempre e embora tivesse coisas para fazer, se via tendo que atravessar os corredores para fazer um único paciente tomar seus remédios.
— Bom dia, Sakura-sensei! — Exclamou o garoto, ele tinha a perna sobre um travesseiro de cor branca.
— Bom dia, como está? — Sakura aproximou-se da cama, o menino que não passava dos 11 anos abriu ainda mais um sorriso.
— Bem, quase não sinto mais dor na perna. — Informou — E está muito linda hoje. Está maquiada? — Sakura ficou vermelha, não sabia que ainda tinha alguns resíduos de maquiagem no rosto.
— Um pouco. — Apesar de ter ficado sem jeito, tentou se recompor — Mas ouvi dizer que não quer tomar os remédios novamente.
— Eu me sinto muito melhor. — Informou novamente o garoto.
— Já conversamos sobre isso ontem, não é? Passou por uma cirurgia, sua perna pode infeccionar caso não tome os remédios.
— Eu sei, sensei. — Respondeu o rapaz sem muito interesse na conversa.
— Então por que… -
— Porque eu queria vê-la. — Ele aumentou o tom de voz e Sakura arqueou a sobrancelha, fazendo uma pergunta silenciosa. — Porque... Eu gosto de você, Sakura-sensei. E eu gostaria de vê-la todo dia.
Sakura sorriu de forma gentil e compreensiva, era talvez a quinta criança que se declarava para ela ao longo do mês, muitos deles eram órfãos e pela médica ser gentil e atenciosa com todos eles, acabavam sempre confundido os sentimentos.
— Eu fico muito feliz com isso. — Ela respondeu rapidamente. — E juro que tentarei vir vê-lo todo dia. — O menino abriu um sorriso — Mas só se me prometer tomar sempre os remédios.
— Eu prometo! Você é muito gentil, sensei! — Falou ele ruborizando.
— Obrigada, mas você irá tomá-los sempre, não é? — Ele assentiu a encarando — É uma promessa?
— Claro que sim. — Sakura se aproximou e passou a mão sobre o cabelo castanho escuro dele.
— É um ótimo garoto.
— Eu já sou um homem! E um dia me casarei com você! — Exclamou e Sakura por um momento lembrou-se do afoito e animado Naruto, não teve escolha, senão cair na risada.

Ela conseguiu cuidar de seus pacientes como de costume, muitos deles eram vítimas da guerra que tinha sequelas e Sakura tentava ao máximo diminui-las. A médica fez seus costumeiros relatórios sobre a melhora dos pacientes e notou que as horas demoravam a passar, pareciam demasiadamente lentas, às vezes tentava se distrair, mas ao olhar para o relógio parecia estar no mesmo minuto ao qual se encontrava antes. O hospital pela primeira vez pareceu sufocante e chato, ela queria sair dali, não é que odiasse seu trabalho, pelo contrário, o amava com toda a paixão, mas queria ver Sasuke logo e fazia tanto tempo que não o via que às vezes tinha vontade de sair correndo e o encontrar onde quer que estivesse.
Quando custosamente chegou próximo das cinco, Sakura percebeu que sua mestra não apareceria por aquele dia, intimamente agradeceu, pois sempre que Tsunade estava por lá, ficava até mais tarde no hospital.
As coisas se encontravam calmas e pensou que daria realmente para sair mais cedo naquele dia, mas logo ela recebeu a mensagem de que havia acontecido um pequeno acidente de trabalho: um andaime havia se partido e machucado cerca de 3 operários, um deles estava em estado crítico e quando as macas chegaram, Sakura rapidamente foi examinar o mais grave, notou que uma de suas costelas havia se quebrado e perfurado o fígado, o homem parecia estar sofrendo uma hemorragia.
— Transfusão de sangue! — Sakura gritou, os enfermeiros em torno de si começaram a correr — E preparem a sala de cirurgia imediatamente. — Sabia que se não fosse para uma sala de cirurgia rapidamente o homem morreria e antes de correr para a saleta, olhou para o relógio por um momento, Sasuke Uchiha teria que esperar.
Depois de quase duas horas, Sakura saiu da sala, tirou a máscara que tinha sobre o rosto e sentou-se em um banco duro, ela se sentia um pouco fraca por ter usado muito de seu chakra, mas conseguiu salvar o homem. Ouviu falar que os outros pacientes também se encontravam estabilizados, não fazia a mínima ideia de que horas eram, mas sabia que estava atrasada.
Será que Sasuke ainda estava a esperando?
Fechou os olhos por um momento e teve vontade de dormir, mas rapidamente levantou-se e deu uma pequena corrida até seu armário, tomou um banho rápido e pegou o vestido, sabia que não tinha como se maquiar e muito menos colocar aquele salto alto vermelho, colocou seu costumeiro sapato, o batom rosa claro que Ino a emprestou, olhou para o espelho, estava bom, ou melhor, razoavelmente bom, mas isso não lhe incomodou muito, pois ela só queria ver Sasuke, a forma como estava vestida era o que menos importava.
Ao passar pela recepção do hospital olhou para o grande relógio que havia acima do balcão da recepcionista, estava quase uma hora atrasada.
“Será que Sasuke ainda esperava?”, era o pensamento que passava por sua cabeça, repetido muitas vezes involuntariamente.
Quando chegou à rua, Sakura começou a correr mais rápido e apesar de parecer que o mundo estivesse prestes a cair ao seus pés, não se importou; correu e correu, mesmo que muitas vezes suas pernas chegaram a falhar e sua mente vacilar, dizendo-lhe para desistir, pois Sasuke já havia indo embora, afinal ele não tinha motivos para esperá-la tanto tempo. Ainda assim Sakura continuou, pois queria ir até lá e ver com seus próprios olhos a mesa vazia que não sabia qual era, imaginá-lo a esperando, contando os minutos e ela não aparecer.
Era seu primeiro encontro e ela foi capaz de estragá-lo, mas não era só seu primeiro encontro na vida e sim dos dois juntos, desde que Sasuke decidiu parar de afastá-la e aceitar todo o seu amor, contudo tudo havia sido arruinado. E o que se podia fazer?
Sabia que não tinha culpa, portanto buscava se culpar por isso, apenas para se aliviar e se sentir melhor, pois desde criança veio se imaginando em um encontro com Sasuke Uchiha, mas era perfeito e não aquele caos ao qual tinha se tornado.
Sakura virou a esquina, sabia que o restaurante se encontrava no final da rua, estava tão próximo!
A mulher de vermelho correu, nos pulmões já faltava o ar, então sentiu pequenos e gélidos pingos de chuva caindo por seu rosto e logo por todo seu corpo, ela queria ser mais rápida, entretanto as pernas, os braços e o corpo a traíra completamente e mesmo assim não desistiu, correu o quanto podia, mas escorregou e ralou o joelho, levantou-se rapidamente e continuou desesperadamente. Achava que havia caído em algum genjutsu, pois via-se se aproximando do restaurante, mas ele ainda parecia tão distante, estava encharcada, chovia torrencialmente e Sakura havia desistido.
Entendeu que o Uchiha não estaria mais lá, então faltando dois edifícios para chegar, começou a andar lentamente e quando enfim chegou ao local, parou na primeira janela, olhou seu reflexo e era lamentável, seus olhos se encheram de lágrimas.
Naquela hora já estava protegida pela chuva por um toldo, mas já era tarde demais.
Sakura continuou parada, não queria se mover dali, de fora notou que lá dentro soava uma música baixa, um homem alto e bonito se encontrava no balcão provavelmente para recepcionar os clientes e um outro limpava alguns copos do bar atrás dele, havia mesas distribuídas e o local parecia quase vazio com alguns casais ali e acolá, era um lugar calmo e bonito, alguns garçons levavam pratos até seus clientes, um passou diante da janela em que Sakura estava e sua barriga roncou, pois estava com fome e tudo aquilo parecia apetitoso, acima do recepcionista viu um relógio; estava uma hora e meia atrasada.
Ele não está lá, constou e mesmo assim foi andando mancando até a primeira janela ao lado da porta, buscando ver todo o restaurante melhor, a chuva parecia está mais forte, portanto o toldo a protegia.
Novamente passou os olhos novamente pelo local, daquela janela dava para ver melhor as mesas da frente e entre uma e outra seu coração disparou. Sasuke ainda a esperava! Estava sentado na cadeira em frente ao homem bonito, olhava distraidamente para o relógio que havia parado próximo das oito e meia. Ele vestia uma camisa branca simples, sobre os ombros tinha um casaco longo e preto. Sakura notou que depois de certo tempo o Uchiha começou a andar sempre com algo sobre os ombros, quando estava na vila e andar com capa de viagem seria visto como algo estranho (apesar de Sasuke não se importar muito com isso), ele apenas colocava um casaco e parecia muito confortável com eles. Ela achava que as capas lhe caiam muito bem, o deixava muito mais atraente do que era.
Sakura pensou e decidiu tentar chamar a atenção do recepcionista para que pudesse passar o recado ao Uchiha, dizendo que não poderia entrar, mas não foi necessário, porque quando ela passou o olhar do recepcionista para ele, Sasuke a olhava, com os cabelos negros tampando um dos olhos, a encarava e não parecia que estava bravo, era o mesmo Sasuke de cara fechada de sempre, ela fez um sinal chamando-o com a mão e prontamente ele a obedeceu.
Cogitou no que ia dizer as milhões, ou melhor, trilhões de desculpas por deixá-lo esperando por tanto tempo, mas quando Sasuke se colocou de frente a ela, as palavras desapareceram, evaporaram e a traiu, então Sakura simplesmente abaixou a cabeça, estava envergonhada e encharcada.
— Sakura. — O Uchiha falou, o tom de voz neutro. Ela demorou um pouco e começou:
— Desculpe, Sasuke-kun, mas não poderei entrar… — Sakura foi abaixando a voz — Eu queria muito, mas eu estou nesse estado desprezível e se entrar irei te fazer passar vergonha. — Seus olhos se encontravam cheios de lágrimas, quando era algo relacionado ao Sasuke, ela sempre se tornava emotiva.- Faz tanto tempo que não te vejo e queria que as coisas corressem bem…
Por fim, calou-se e quando viu que ele não respondia, decidiu olhá-lo esperando algum olhar frio ou de indiferença, todavia diferentemente do que esperava, Sasuke sorria, levantou o dedo indicador e médio e gentilmente tocou sua testa; e assim como a primeira vez ela inesperadamente ruborizou. Os sorrisos e aquele toque do Uchiha sempre a surpreendia de tal maneira que se sentia desestabilizada, pois sabia que ele não fazia aquilo para qualquer um e vê-lo sorrindo e a tocando daquele jeito a enchia da mais verdadeira alegria.
— Sakura. — Sasuke tirou o casaco de cima do ombros e colocou sobre os dela, arrumando-o delicadamente. — Eu queria apenas vê-la e você está aqui, não é? — Ela assentiu, limpando os olhos e o encarando. — Então já é o suficiente.- Completou, Sakura sorriu aliviada e sabia que nada mais precisava ser dito.
Ele fez um gesto com os olhos para que começassem a caminhar, afinal maltrapilha como se encontrava Sakura não poderia entrar. Então lentamente os dois começaram a andar um ao lado do outro e logo emendaram uma conversa, embora ainda chovesse um pouco, não se importaram com isso.
— Acho que deveríamos ir ao Ichiraku. — Falou Sasuke.
— Acha que nos deixariam entrar?
— Huh,claro que sim.

Esse foi o primeiro encontro quase perfeito de Sakura Haruno e com certeza, viriam muitos outros.

Notas finais
Obrigada por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!