Era véspera de Natal.

Ajoelhada no tapete, com uma enorme caixa enfeitada, ela dispunha algumas bolas intensamente vermelhas em um gracioso pinheiro no canto da sala.

Alguns laços prateados e outros enfeites. Nada muito exagerado … meias em feltro e minúsculas caixinhas imitando presentes.

_Ficou lindo !

Um sorrido gigante surgiu de seus lábios.

Sua primeira árvore de Natal !

Há tempos atrás jamais imaginava viver aquela cena. Bem … na verdade … até já havia sonhado com um natal diferente, onde estaria brindando com alguém especial, uma deliciosa taça de vinho à espera da meia noite !

Mas não havia no sonho algo tão gracioso, nem tampouco imaginara passar momentos maravilhosos para conseguirem aquela árvore.

…...

Alguns dias atrás ...

_Sara … eu queria te pedir uma coisa …

Com seu jeito tímido, os olhos atentos às ruas, ele dirigia sua Denali para casa, com ela ao lado, sob as desculpas de que lhe daria uma carona.

Todos estavam eufóricos com a resolução de uma caso, onde encontraram uma criança desaparecida ainda viva, o que raramente acontecia !

_O que foi …. Gris ?

Ele apertou os lábios, como sempre fazia quando precisava dizer algo que o deixava desconcertado.

_É que …. é o nosso … primeiro Natal … juntos e … — ele pigarreou, depois desviou rapidamente de um motociclista que lhe cortou à frente . Se não estivesse atento, algo pior poderia ter acontecido ! _ Que sujeito maluco, você viu ?

_Você teve um bom reflexo … mas ….... continue … o que estava dizendo ?

_Acha que … poderíamos ter uma árvore ?

Ela sorriu e o olhou com mais atenção. Não conseguiu saber o que seus olhos diziam …. ele ainda mantinha a atenção no trânsito !

Imaginou uma pequena árvore, disposta discretamente em cima de algum móvel, apenas para lembrar que era Natal, ou para suprir a necessidade de uma velha tradição, que por muitas vezes achou idiota ! Mas ela estava mudando, ele a estava mudando … e aquela pergunta acendeu algo doce em seu coração.

_Nunca …. tive uma !

E nunca tivera mesmo … pelo menos não que se lembrasse.

Em uma rara tentativa de sua mãe em fazer um Natal diferente, ela comprara uma peça de tamanho médio, que nem mesmo chegou a ser montada, seu pai chegara bêbado e a despedaçara em dezenas de partes, a sujeira de galhos artificiais espalhados por toda a sala, seu irmão chorando e sua mãe, tremendo, nervosa ! E ela ali, no canto, com seu sonho destruído !

No lar adotivo em que viveu, eles também nunca fizeram questão de ter uma.

_Podemos ter sim … uma pequena … bem discreta.

Ele parou no sinal, coçou sua barba e se virou para ela.

_Pequena ? Hum … você nunca teve mesmo uma árvore ?

_Não ! — Ela respondeu rapidamente.

_Então acho que podemos …. caprichar mais … quem sabe … uma natural. Seria interessante.

_Gris ! E onde acha que conseguiríamos ? — O que era aquela alegria ? Por que seu coração estava tão feliz ?

_Eu … acho que conheço um lugar … é fora da cidade e … bem … você poderia ir comigo ?

_Claro … — A ideia era uma delícia. Quase não saíam, quase não faziam coisas juntos.

_Podemos aproveitar nossa folga.

_Combinado.

......

Ela desceu para a rua, ajeitando seu casaco escuro, entrou dentro da suv e ajeitou o cinto.

Ele ficou olhando para ela à espera de um carinho, talvez um beijo.

_Olá ! — Aquele sorriso raro lhe derreteu o coração, teve vontade de pular em seu colo e lhe beijar o rosto corado e a boca vermelha.

Impulsos que precisavam de controle, mas com surpresa ele soltou seu cinto e se aproximou dela com cuidado, parecia bem humorado e muito cheiroso, roçou seus lábios nos dela e lhe deu outro sorriso encantador.

_Preparada ?

_Sim … — sua mão tomou vontade própria e descansou em sua barba bem aparada, depois abriu a boca e lhe deu um beijo de verdade, tão profundo que o deixou ofegante.

Enquanto dirigia para fora da cidade, Sara conversava intimamente consigo mesma, era ela que estava diferente ou era ela quem estava mais apaixonada ?

Talvez os dois, ficar com ele estava sendo delicioso.

Intenso e gentil, mas profundamente calado, ela passava longos momentos admirando–o.

Enquanto dormia ou enquanto tirava o casaco sem desviar seus olhos dela, ou então quando a puxava para seus braços em silêncio, depois de ouvi – lo gemer em mais uma sessão tórrida de amor.

Com cuidado, eles estavam construindo um relacionamento. Tudo era novidade.

A camisa xadrez em verde e cinza de mangas longas, dobradas no meio de seus antebraços, expondo a musculatura firme, a calça jeans clara e as botas pretas estavam deixando -a excitada, talvez até pelo clima de intimidade que estava havendo entre eles.

_Não está com frio ?

_Minha jaqueta está no banco de trás.

_Onde estamos indo ?

_Perto de Saint Petterson, há uma vila simpática … diferente … vai gostar de conhecer.

_Como sabe deste lugar ?

_Indo para Jackpot … parei para comer alguma coisa.

_Hum …

Quase duas horas depois eles estacionavam em frente a uma casa de madeira com um simpático cão deitado displicentemente na varanda.

_É uma loja ?

_Sim … eles mantém um galpão nos fundos, e você encontra o que imaginar.

_Até mesmo uma árvore ?

_Até mesmo um árvore … e das grandes !

Eles passaram pelo cão com cuidado, mas ele nem sequer se mexeu.

_Deve ser bem velhinho !

_Ou pode ser apenas preguiçoso.

Ele tocou a cabeça do cão que lhe abanou o enorme rabo, fungando.

Para a surpresa dela ele segurou em sua mão e empurrou a enorme porta de madeira com vidros quadriculados.

Um senhor bem simpático os recebeu.

_Olá ! Sejam bem vindos. O que desejam ?

_Nós procuramos uma árvore, senhor …

_Claro … venham até aqui !

Eles atravessaram a loja, era mesmo muito abastecida, e se encaminharam para o galpão.

Assim que outra porta foi aberta os olhos dela se arregalaram.

Havia uma infinidade de pinheiros, de todos os tamanhos possíveis, desde apenas um palmo, até outros bem maiores de pelo menos dois metros e meio. Ela estava maravilhada.

Alguns funcionários ajeitando o espaço para que as pessoas pudessem transitar livremente.

_Acabamos de receber uma remessa especial. Acho que vão gostar. Qual o tamanho, senhor ?

_O que você acha, “querida” ?

Querida ???”

Era a primeira que ele pronunciava aquela palavra depois que estavam juntos. Foi lindo, tão íntimo.

Sua mão ainda estava entrelaçada na dela e a sensação não poderia ser melhor.

_Não sei … talvez um metro e meio … algo que possa entrar no carro, “querido” !

Ele levantou suas sobrancelhas de uma maneira que ela amava, depois lhe sorriu, pela terceira vez aquela manhã.

_Não se preocupe com isso … podemos entregar.

_É que “moramos” em um apartamento, talvez fosse complicado

Moramos ???”

_Entendo.

Eles andaram por entre os corredores e pararam em frente a uma árvore que parecia perfeita.

_É esta, Gris !

O bom senhor os olhou com carinho, chamou um funcionário e pediu para prepará la.

Eles escolheram juntos alguns enfeites, Sara estava completamente encantada.

Depois de tudo ajeitado e de se despedirem do simpático senhor, ele se virou para ela.

_Vamos almoçar ?

Ele apontou para um restaurante simpático e bem movimentado do outro lado da rua.

Havia uma vila ao final da rua com casas enfileiradas todas em madeira. Onde estavam parecia ser um pequeno centro de compras. Tudo muito simpático.

Talvez aquele pequeno pedaço abastecesse a micro região montanhosa, ciclistas, pescadores, turistas que gostavam de viver entre a natureza.

Delicado, ele puxou uma cadeira para ela e logo foram servidos.

A comida era ótima e ele estava se saindo mais que perfeito.

Tinha sido uma manhã totalmente diferente e deliciosa.

Mas foram interrompidos por uma emergência. Ossos do ofício.

...

Ela ouviu a porta sendo aberta e sua visão foi presentada pelo homem mais lindo que já havia passado pela sua vida.

Os olhos azuis brilhantes.

_Sara … você está linda.

Seu vestido vermelho delicado, os cabelos soltos e lisos lhe enfeitando o rosto e aquele sorriso que o deixava cada dia mais apaixonado.

Era um homem de sorte.

Ela havia pedido sua chave para que pudesse terminar de enfeitar a árvore. Ele havia saído algumas horas antes para terminar a revisão de alguns relatórios.

_Gostou ?

Grissom nem sequer havia reparado na árvore.

_Se gostei ?

Ela notou que ele olhava apenas para ela.

_Gris … a árvore ?

_Ah … a árvore ? Hum … sim … está linda … ficou perfeita ! Você fez um bom trabalho, querida !

Ele se aproximou com cuidado segurando suas mãos.

_Você está feliz ?

_Muito … feliz como nunca !

Bem mais tarde, naquela mesma noite, eles brindavam em frente à arvore divinamente iluminada.

_Feliz Natal … meu amor !

_Feliz Natal para nós dois !

Eles se beijaram profundamente, apaixonadamente.

_Sara … eu te amo !

Era a primeira vez que ela ouvia aquelas palavras, tinha sonhado com elas tantas vezes.

Aquele estava sendo o Natal mais feliz de sua vida !

FIM

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