Primeiro Encontro
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O coração de Jane palpitava ansiosamente com expectativa. Suas mãos não doíam, mas o hábito de esfregá-las persistia. “Respira fundo sua idiota, é só a Maura” Jane repetia como um mantra em sua cabeça, mas assim que lembrava do nome da legista as borboletas em seu estomago batiam suas asas furiosamente.
Essa não era uma noite atípica, as duas já haviam jantado juntas diversas vezes, mas certamente havia uma novidade no aprofundamento da relação que até então era vista como platônica. No dia anterior Maura lutou contra seus medos e convidou Jane para o encontro que acontecia no momento e a lembrança trazia um sorriso largo para o rosto da detetive que esperava pacientemente do lado de fora de um dos restaurantes favoritos das duas. Mas o sorriso logo se fez ausente quando seus olhos identificaram a figura loira que se aproximava majestosamente. Em suas cabeças ambas tinham os mesmos pensamentos que mudavam de “uau” para “tente não estragar isso” e a noite estava ao seu favor contemplando um céu limpo e estrelado e um clima agradável para um outono que despia lentamente as arvores frondosas decorando o chão com folhas coloridas.
— Oi...
— Oi... – elas se cumprimentam sem jeito e o silencio cai entre as duas até que Jane se pronuncia – Você está-
— Obrigada, você também – Maura a corta nervosamente.
Ignorando a tensão entre as duas, Jane estica seu braço que a loira aceita prontamente e é direcionada para dentro do restaurante. Era possível sentir de longe o cheiro da comida italiana que preenchia o restaurante aconchegante, a mesa reservada para as duas estava em um local afastado e discreto, e em cima dela já lhes aguardava uma garrafa de vinho favorita por Maura.
— Estão doendo? – a loira pergunta ao ver Jane esfregando as cicatrizes que carregava.
— Ah... Não, não estão... Isso é só nervosismo – ela responde escondendo as mãos por debaixo da mesa.
Ambas estavam agitadas e tensas sobre como a noite iria desenrolar, e mesmo apesar dos anos de amizade e de toda a aproximação que tinham, tudo havia mudado e agora cada movimento parecia precisar de uma segunda analise antes. Com hesitação Maura estica suas mãos sobre a mesa e Jane entende o que ela quis dizer pelo olhar amoroso, sem precisar de palavras a morena lhe entrega as suas mãos. Maura analisa cada detalhe que já conhecia, as cicatrizes, os nós dos dedos, os sinais... e ela amava todos esses detalhes, cada parte de Jane ela considerava inacreditavelmente magnifica, e cada parte constituía o ser perfeito que ela intitulava Jane. O coração das duas diminuem o ritmo quando sentem a familiaridade dos toques e do carinho que eles carregavam.
— Eu sei que isso tudo é novo, mas eu estou muito feliz que estamos fazendo isso.
Jane sorri e concorda com a cabeça.
— Então como combinamos, não vamos falar sobre polícia nem assassinatos.
— Geralmente como acontece em encontros – Jane brinca – O que você quer saber sobre mim?
Elas sorriem e toda a tensão do ar se dissipa, elas conversam animadamente compartilhando algumas das histórias e conhecimentos que ainda não sabiam sobre uma da outra, e ali ficou claro o porque de todos os encontros anteriores com pessoas diferentes acabavam dando errado, era como se elas fossem duas partes de algo maior que elas mesmas, elas se entendiam e se apreciavam de um jeito que jamais sentiram antes com outro alguém. Maura enrubesceu quando percebeu o rosto atento e curioso de Jane enquanto ela lhe contava algumas curiosidades sobre a história da culinária italiana, geralmente em encontros Maura sentia a necessidade de esconder essa parte de si e agora ela finalmente sentia que estava sendo ela mesma e pela primeira vez encontrou alguém com quem ela sentia que lhe amava por inteiro, e alguém com quem ela não precisava esconder nenhuma parte de si.
— O que foi? – Jane pergunta apontando para o sorriso bobo no rosto da loira.
— Estou verdadeiramente feliz.
— Eu também – ela sorri segurando a mão da outra.
Após dividirem uma sobremesa as duas caminhavam lado a lado em direção ao estacionamento, e em um silencio confortável Jane se atreveu enlaçando seus dedos com os de Maura que ao sentir o toque sorri e o corresponde. A loira deita suas costas na porta de seu carro ouvindo Jane falar sobre como queria um dia tentar refazer os pratos que comeram, e ao perceber que chagaram ao fim do encontro a morena percebe o quão próxima estava da loira e dá um passo para trás interrompendo sua fala, mas Maura ainda segurava sua mão e a trouxe mais pra perto.
— Eu me diverti muito hoje – Maura diz.
— Eu também... Pena que chegamos no final.
Maura sorri de lado e puxa Jane pela mão novamente com a intenção de fechar o espaço que tinha entre elas, mas o movimento súbito fez com que a morena se embasbacasse e acabou pisando no pé da legista e batendo suas testas juntas. Dois gritos de desconforto soaram, mas logo seguidos por risadas incansáveis.
— Me desculpe – a legista diz entre risadas enquanto esfregava o local de impacto na sua testa.
— Tudo bem, deixa eu ver como ficou – Jane afasta a mão de Maura e analisa o vermelho em sua testa – Acho que vai nascer um galo.
Maura arfa em desespero e se vira para olhar seu reflexo no vidro do carro, ela choraminga em reclamação enquanto tenta esconder o vermelhidão com seu cabelo.
— Vem cá – Jane solta uma risada virando a loira para si e lhe ajudando com a tarefa de disfarce enquanto olhos verdes lhe encarava atentamente numa mistura de carinho e desejo. Encontrando o olhar da outra, Jane ajeita o cabelo loiro e se aproxima lentamente finalmente encostando os seus lábios juntos. Segundos antes do beijo, na cabeça das duas ecoavam gritos de animação que se calaram junto com o mundo quando sentiram o toque que tanto ansiavam e almejavam, e o beijo foi muito melhor do que elas imaginaram mesmo com todo o nervosismo e todas as expectativas. Mãos tímidas faziam seu percurso para cinturas e nucas se aventurando nesses novos territórios que ainda que pouco significavam muito.
Quando se separaram foi como se o mundo tivesse em pause, mas quando seus olhos se encontraram novamente tudo voltou ao normal, e os barulhos do mundo se tornaram novamente audíveis.
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