Primeiro Encontro

1 Capítulo Único


O primeiro encontro

Capítulo Único


Darmmont, 24 de janeiro de 1910.


O quartel estava muito movimentado. Aquele seria um dia de demonstrações de tiro, luta e alquimia. Era um bom dia para chamar atenção dos altos.


O ponto alto da apresentação seria a demonstração do Dragão do Leste, o general-coronel Richard Augusto Hawkeye.


- E ai Mustang, Hughes... Preparados para as demonstrações?


- Vai ser interessante... Mas não melhor que isso.


O moreno aponta para o treinamento físico feminino.


- Mustang, larga de ser mulherengo, o General Hawkeye vai fazer uma apresentação... O cara é o cara! Esse foguinho que você faz... – dá uma risada – Não chega nem perto do que o cara faz!


- Roy não sabia de quem falavam – O Dragão do Leste, Roy, conseguir um estagio com ele é promoção certa! Fora que ser pupilo dele... Melhoraria muito sua vida, você passaria no teste fácil!


- E como eu faço para chegar nele? – sem tirar os olhos do treinamento –


- O General Grumman da cidade do Leste é sogro dele e pelo que sei o velho gosta de você. Pede para ser apresentado.


- Vou ver essa demonstração, depois vejo o que faço.


- E Maes, o general Hyuukay também estará ai, o cara é da inteligência, se você impressioná-lo, ele te põe no páreo.


- Mas e você Caio? Não está interessado em nada...


- Eu já estou feito. O que quero é ver a Marie, ela chega hoje do colégio na central.


- Marie? Colégio? Virou pedófilo?


- Olha o respeito Mustang, A Marie é a filha do General Hawkeye, eu a conheço a anos... Adoro falar com ela, fora que ela tem muitas amigas mais velhas!


- É bonita?


- Muito, mas só tem dezesseis... A garota é demais, não é filhinha de papai como poderia ser, é super cabeça.


- Uma pena, se tivesse mais dois aninhos...


- Ela não faz seu tipo. Caras como você, ela despacha aos montes.


- Você já foi um dos despachados?


- Não... Já ficamos, mas nada demais. Digamos que o pai dela é meio distante, mas se chegarem perto da cria... Não gostaria de ser a vitima do Dragão!


- Credo! Nem que ela fosse a mais... Não gosto de confusão.


-


-


Os militares estavam todos em volta do campo aberto. O general estava fazendo sua demonstração, todos estavam abismados com a habilidade do homem.


- E ai? Não falei que o cara mandava bem?


- Com certeza, eu tenho que conseguir um estágio com ele. Eu via que o cara era respeitado, mas eu não imaginava...


- Quem é a Pink? – Maes pergunta –


Os três olhares se dirigiram para uma senhorita de longos cabelos loiros, saia de pregas xadrez rosa até o meio da coxa, blusa de alças branca com uma jaquetinha por cima, meias pretas acima o joelho e sapatinho de boneca.


- Senhorita Elizabeth Marie Monteclaire Hawkeye. Ou Simplesmente Riza como ela prefere.


- Minha nossa, ela pode.


A loira vê o amigo e começa a caminhar em sua direção.


- Caio! – lhe dá um abraço –


- Quanto tempo garota. Anda sumida.


- Meu pai me prendeu no colégio interno... – faz uma cara de sapeca – Como se ficasse trancada mais de cinco dias sem dar uma escapadinha!


- Quem não te conhece, que te compre. Mas e ai, como anda a vida?


- Vim só para comunicar ao general que vou morar com meu avô, se ele não me quer por perto, paciência. Mas não vou ficar trancada dentro de um colégio por isso!


- Então vamos nos ver mais?


- Com certeza, quem são seus amigos?


- Roy Mustang e Maes Hughes. – apontando –


- Prazer, Elizabeth. – estende a mão –


- Prazer. – Roy e Maes retribuem o gesto –


- Isso parece que vai demorar, vamos dar uma voltinha?


- Se formos ao campo de tiro, aceito.


- Pra você me desmoralizar? Sei não.


- Querido, não tenho culpa se atira mal.


- Ou você bem demais.


- Sabe atirar? – Roy a olhava de cima abaixo –


- Melhor que muitos militares.


- Duvido.


- Cara, não aposte contra a pequena. Eu levei por tal burrice.


- Eu aposto que é só papo!


- Vamos fazer assim, se eu ganhar, o que é certo, você vai pagar um miquinho básico. Agora caso eu perca, o que é improvável... Eu faço meu pai te aceitar em um estágio.


- Garota, pode preparar a lábia!


Os quatro seguem para um dos campos de treinamento que estava vazio.


- Qual arma? – loira perguntou –


- Wenchester 45.


- Meio pesada, não?


- Eu acho, mas não imaginava que você achava.


Caio e Maes seguram o riso.


- Cinco tiros, a trinta metros, engraçadinha.


- A quanto tempo está no exercito?


- Vai fazer dois anos, por quê?


- Dois anos e só se garante à trinta metros? Eu fazia isso aos quatorze!


- Cem.


Maes e Caio quase morriam de rir da rixinha existente entre os dois.


E o resultado foi o esperado. Riza acertou os cinco tiros no centro e Roy nenhum, no centro, chegou perto... O suficiente para ganhar de um cadete... Mas da loirinha, nem de longe.


- Eu avisei, Cara. Ela manda muito bem.


- Eu faço o que posso. – dá um sorrisinho –


- Como? Como? Como eu perdi para uma pirralhinha!


- pega uma 9mm e aponta para a testa dele – Ninguém gosta de maus perdedores. E eu não suporto ataques de machismo.


- abaixa o braço da loira – Relaxa baby, tadinho você já o desmoralizou demais.


- Como se eu fosse gastar munição com ele, eu só queria ver a cara de susto dele.


- Você é muito irritante!


- E você medroso. Com medo de uma garotinha de dezesseis... Ok que eu atiro dez vezes melhor, mas fala sério.


- Argh!


- Sabe, nem o mico eu vou querer. Só esse showzinho já valeu a pena.


A garota ria com vontade. Era uma risada quase infantil e contagiante. Ela era muito diferente das filhas de generais que havia conhecido. Era bem marrenta, mas não era má.


- Senhorita Hawkeye, seu pai está a sua espera.


Um cabo chega para chamá-la.


O sorriso some dos lábios dela.


- Hai. Tchau rapazes, e quanto a você Mustang... Vou falar com meu avô, ele faz meu pai pensar no caso. Bye!


- Por que ela ficou daquele jeito?


- Roy, a esposa do general faleceu quando ela era muito novinha, ela que já era aficionado por alquimia, piorou. Ele despachou-a para um colégio na central, contra a vontade do avô... E a alguns anos ela e o pai tem uma relação difícil.


- Caramba.


-


-


- Bem, se é isso que você quer... Não vou impedi-la.


- Como se fizesse alguma diferença...


- Elizabeth...


- Não precisa de desculpas, você me despachou quando eu não tinha nem seis anos, o que muda agora é que quem não quer ficar perto, sou eu.


- Fale para seu avô que pode mandar as despesas para mim.


- Ele não quer.


- De qualquer jeito vou depositar uma boa quantia todo mês na sua conta.


- Tem um rapaz que quer estagiar com você, vê se dá uma olhada... Quem sabe ele não vira o filho que você tanto queria.


- Eu quis te ensinar, você é que não quis.


- Desculpe se eu não quis virar uma obsessiva pela alquimia que fez você deixar minha mãe depressiva. Adeus.


- Qual o nome do rapaz?


- ela estava parada na porta – Roy Mustang.


- Tenente Mustang, já ouvi falar. Vou ver se vale a pena.


- Tanto faz.


-


-


- Hi baby! Como foi?


- Ele não ligou, só disse que era para o meu avô mandar as despesas para ele pagar.


- Que isso Baby, não vale a pena ficar assim. Você é gata demais!


- Ei pessoas!


- Olá Maes! Cadê o Roy?


- Por ai.


- Fala pra ele que meu pai vai pensar no caso e como ele já havia ouvido falar dele... O medroso tem boas chances.


- Falando de mim?


- Se a carapuça serviu.


- Como é agradável... – irônico –


- Idem. Bem, eu já vou indo. Tenho que ir mandar encaixotar as coisa e despachar para a cidade do Leste.


- Então não vamos te ver mais.


- Se quiserem ir com o Caio quando ele for me visitar, sem problemas. Tchau rapazes.


- Tchau baby, logo vou te ver!


- Eu estarei no rancho. Você sabe onde é.


A loira deu as costas e foi embora. Roy não sabia ainda, mas aquela garota viraria seu mundo de cabeça para baixo.


Central, 24 de janeiro de 1920.


No campo de tiro, Roy atirava nos alvos com uma calibre 22. Apesar de ser um alquimista federal, era conveniente saber atirar.


- Dez anos e o senhor ainda atira muito mal. – Riza entrara no campo de treinamento com o intuito de treinar –


O moreno leva os olhos até a loira que entrava no recinto. Riza havia crescido, já não era mais aquela garota de dez anos atrás, mas mesmo assim não deixava de fasciná-lo.


- Nem todos têm tanto talento, tenente.


A loira parou atrás de Roy, colocou suas mãos nos ombros largos abaixando-os um pouco. Ergueu levemente o braço que dava apoio a arma.


- Dois olhos no alvo. Atire.


Dito e feito. Roy atirou e quase acertou o centro.


- Viu, não é só talento, também exige técnica.


- Atirar deve ser seu esporte favorito.


Roy colocou a arma de lado e encostou-se ao beiral que separava os alvos dos atiradores e cruzou os braços.


- O segundo. – a loira empunhou um rifle, começando uma serie de tiros perfeitos –


- E será que eu poderia saber qual é o primeiro? – O jovem coronel roçou as costas dos dedos na nuca desprotegida da tenente arrancando um arrepio –


- Quem sabe um dia eu não deixe você descubrir. – um meio sorriso ela fez antes de se retirar do recinto –


Aquela mulher, dez anos e aquela loira ainda o intrigava. Às vezes tão seria e austera, às vezes tão sugestiva e ambígua. Aquele primeiro encontro fora uma prova.


Mas agora... Qual é afinal o esporte favorito da jovem tenente?


Fim!


Gente, essa foi mais uma idéia sem-nação da sua queria autora Riizinha. Eu sei que ficou deveras sugestivo, mas isso fica a critério de cada um. Caso a curiosidade seja muita.... Pode sair uma continuação!


Kissus e quero reviews!


Gente, é tão bom deixar um coment. A autora fica feliz e vocês ganham continuações e próximos capítulos!



Você chegou ao fim do livro. Parabéns!