Primeiro Beijo - CIP
1 Capítulo Único - Primeiro Beijo
Gonzalito estava ali, escondido entre as árvores do acampamento, observando Valéria se preparar para descer na tirolesa. A garota estava obviamente assustada e nem sabia o que o homem havia armado para ela.
Tudo pronto, Valéria respirou fundo, fez sinal positivo para Alan e desceu. O coração acelerando conforme a velocidade da descida aumentava. Gonzalito acompanhava o cabo ceder mais e mais, faltava apenas fio e... Ela chegou à terra firme em segurança sem dar tempo para o cabo arrebentar.
O capanga saiu dali praguejando intensamente pelo caminho de volta àquela droga de trailer. Gonzalez com certeza acabaria com a sua raça.
Todo o time roxo partiu para cima de Valéria em um abraço coletivo em meio a gritos de comemoração. Quando a bagunça se dispersou, Davi foi parabenizar a namorada, e quando a garota se virou para dar uma resposta mal educada, pode ver a cena que se passava atrás do judeu; Carmen e Daniel conversando e trocando aqueles olhares tímidos e melosos.
“Como eu sou boba. Fiquei brava com o MEU Davizinho por causa de uma coisa que o Jorge Cavalieri disse. Logo esse menino que adora plantar a sementinha da discórdia.”. Pensou olhando apaixonadamente para seu namorado.
— Obrigada, Davizinho. — Valéria abraçou o garoto com força. — Você não tem noção de como eu tava com medo, mas a sensação foi incrível. Não que eu vá fazer isso de novo. Por que eu não vou. Nunca mais mesmo.
— Ainda bem que você tá bem. — Ele retribuiu o abraço.
O senhor Campos oficializou o empate e mandou todos tomarem banho, naquela noite haveria uma fogueira.
À noite, Valéria estava de mãos dadas com Davi enquanto cantavam uma canção com seus amigos em volta da fogueira.
— Nossa, eu to super ansiosa pra mais tarde. — Valéria murmurou para o namorado.
— Por quê? — O judeu perguntou inocentemente.
— Por causa da surpresa de aniversário de namoro que você me preparou, bobinho. Eu to bem curiosa pra saber o que é. — Davi arregalou os olhos e engoliu em seco. — Você não esqueceu, né?
— Valéria, eu...
Antes que o garoto pudesse continuar, Valéria o empurrou e saiu pisando duro. Estava tão concentrada em estar brava que não prestou atenção que o caminho que estava seguindo era o da cabana dos meninos e muito menos que de lá vinha alguém, então os dois acabaram se topando.
— Ai! O que diabos você tá fazendo aqui?! — Valéria exclamou irritadíssima.
— Eu esqueci a minha touca. Não que isso seja da sua conta. — Paulo respondeu com seu jeitão de bad-boy. — E o que você faz aqui? A cabana das meninas é pra lá.
— Não que isso seja da sua conta. Mas... — droga, tantas pessoas melhores com quem poderia desabafar e foi topar logo com Paulo Guerra. — O idiota do Davi se esqueceu do nosso aniversário de namoro. Logo agora que a gente ia dar o primeiro beijo.
— Primeiro beijo? — O garoto ergueu uma sobrancelha.
— É.
— Uo, uo, uo. Pera aê. — Paulo gesticulou enfaticamente. — Tá me falando que você e o cachinhos nunca se beijaram?
— Se esse ia é ser o primeiro, é óbvio que nunca, né? — O bad-boy caiu na gargalhada, fazendo Valéria semicerrar os olhos e cruzar os braços frente ao peito. — Olha aqui, garoto irritante, tem muita gente bv nesse mundo, tá?
— Ok, mas com tanto tempo de namoro é sacanagem. — Paulo continuava a rir.
— É que a gente começou a namorar muito cedo, de um jeitinho infantil e inocente. E só... Não notamos muito o tempo passar.
— Ainda acho o Davi um idiota.
— Também to achando.
A risada de Paulo cessou, mas ele continuou sorrindo enquanto olhava para Valéria.
Ela não soube exatamente de onde tirara a ideia de fazer aquela loucura, mas quando percebeu suas mãos já estavam segurando firme o tecido preto da camisa do bad-boy e seus lábios unidos aos dele.
No instante em que se separaram, Valéria estava de olhos arregalados e Paulo pura e genuinamente perplexo.
— Não conta pro Davi. — Murmurou Valéria virando-se e começando a correr.
— E você vê se não conta pra ninguém, tá me ouvindo? Pra ninguém! — Paulo gritou com a expressão fechada. — Eu hein, que garota louca.
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