Primeiro Amor
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Primeiro Amor
“Alguns de nós são pálidos, outros brilhantes e outros são coloridos. Mas de vez em quando encontramos alguém que é irradiante, e quando encontramos não a nada que se compare”.
O Primeiro Amor
O primeiro amor é puro e único. Não há como esquecer ou ignorar sua existência, porque ainda que se venham diversos outros amores, o seu primeiro amor continuará marcado para sempre como aquele que te fez conhecer os prazeres e as dores de se amar uma pessoa. E comigo não foi diferente. Como um simples bater de asas de uma borboleta pode se torna um grande tufão, ela foi capaz de tornar uma brisa suave de curiosidade em meu caótico e irresistível primeiro amor.
Ela era brilhante. Radiante. Envolvida pela áurea tímida, ela se isolava na penúltima cadeira da primeira fileira, ao lado da janela, e observava o mundo a sua volta, sem nem perceber que meus olhos se encontravam fixados em cada gesto daquela tímida e solitária garota.
Eu não sabia explicar muito bem, mas algo em seus olhos castanhos brilhantes me encantava. Seu sorriso era raro, no entanto, não havia nada que pudesse ser comparado a essa beleza. Era único e precioso. Sua voz calma e baixa era dificilmente ouvida pelas pessoas ao seu redor, mas era como uma delicada melodia aos meus ouvidos. Havia algo de misterioso e magnético em si, que me atraia da mesma forma que uma abelha é atraída pelas flores.
Eu passei meses apenas admirando a aluna transferida, tentando encontrar coragem para falar com ela. Mesmo sendo conhecido por ser comunicativo, o badboy da escola, eu simplesmente travava quando o assunto era os olhos cor de chocolate amargo, meu tipo de chocolate preferido. E foi quando o destino, ou como era chamado na escola, o professor de história, fez surgir a oportunidade de me aproximar dela.
Segunda Guerra Mundial. Lembro-me com detalhes do tema escolhido e a forma como a turma havia se revoltado contra o professor, quando ele decidiu dividir a turma em duplas por meio de sorteios. Meu coração se encheu de alegria quando nossos nomes foram ditos e, ao mesmo tempo, senti-me um pouco decepcionado ao ver que o sentimento não era reciproco.
Eu não a culpava, afinal. Nossas personalidades eram completamente diferentes. A sua timidez e bondade não se assemelhavam em nada a minha impaciência e frieza para meus colegas de escola. A primeira reação da garota ao assimilar que faria dupla comigo foi me olhar assustada e desesperada. Sua melhor e única amiga tentou acalmá-la, mas era nítido que ela não estava animada com a ideia de fazer o trabalho com o aluno mais encrenqueiro da turma.
As minhas notas não eram ruins, ainda que eu não fosse o aluno destaque da turma. O grande problema era que eu não tinha muita paciência para lidar com as pessoas. Sempre preferi me manter longe da inquietude dos animais que me cercavam naquela escola. Eles eram barulhentos, fúteis e mal educados, sem qualquer senso comum. No entanto, não poderia se esperar muito de uma escola pública no bairro mais perigoso da cidade. Assim, para me defender da criminalidade que cercava a mim e ao meu irmão, aprendi a me defender e me tornei um dos caras mais temidos da escola.
O trabalho com certeza havia a pego de surpresa. E pela primeira vez desde que havia entrado em nossa classe, ela olhou em meus olhos. Confesso que fiquei nervoso com a maneira como era analisado e mais ainda por não saber o que se passava em sua cabeça. Seus misteriosos olhos, naquela época, não me davam dica alguma e talvez fosse isso que mais me atraia nela. Apesar de me portar como uma pessoa má, a verdade é que eu nunca soube lidar bem com as garotas.
A pedido de nosso professor, nós nos sentamos juntos. Durante alguns minutos, nada foi dito entre nós. Ela parecia perdida em seu mundo e eu ainda estava tentando criar coragem para falar com ela. Algo em minha mente parou de funcionar no instante em que senti que estávamos próximos de fato. Eu temia assustá-la com a minha personalidade intimidante, mas sabia que não poderia perder a oportunidade que havia sido dada para me aproximar dela.
Quando dez minutos se passaram e ainda não havíamos trocado nenhuma palavra, eu me senti na obrigação de ser o primeiro a tomar a iniciativa. Aquela foi a melhor ideia que tive em minha vida. A minha falta de jeito em iniciar uma conversa fez a garota me encarar e ri de meu desastre. Seu sorriso ainda tímido, mas divertido, direcionado a mim, foi como uma luz que iluminou a escuridão de que me cercava.
Ao conseguir quebrar o gelo que havia entre nós, começamos a conversar sobre o trabalho e a forma como deveríamos apresentar. O que ninguém sabia é que por detrás da garota tímida havia alguém dona de inteligência invejável, de ideias fabulosas e de coração puro e gentil. Era de sua natureza ser desconfiada do mundo. A maturidade precoce, com a morte do pai, havia feito aquela garota entender o quão cruel a sociedade pode ser com todos. E de maneira surpreendente, nós nos entendíamos. Enquanto eu me escondia por detrás de uma máscara de vilão, ela se escondia atrás de um muro de ferro que construiu em torno de si.
O trabalho foi um sucesso. Tiramos nota máxima e ninguém conseguia acreditar que a invisível e o badboy da classe haviam se tornado amigos. A cada dia que eu passava ao seu lado, mais encantado eu ficava. Não demorou muito para que fossemos capazes de nos comunicar por meio de olhares e gestos discretos. Era o nosso próprio mundo.
E após meses de amizade, nós saímos pela primeira vez para um lugar que não fosse nossas casas ou a biblioteca da escola. Eu me diverti como nunca. Uma simples ida ao cinema para assistirmos a um filme que estávamos loucos para assistir – nós tínhamos os mesmos gostos para séries, filmes e músicas -, tornou-se o melhor dia de minha vida.
A partir daquele dia, era impossível ir dormir sem desejar boa noite a ela. O dia não seria bom se eu não fosse acordado por uma ligação dela, porque não queria que eu me atrasasse para a aula. Toda sexta-feira era dia de maratona de filmes e séries em sua casa, pois a mãe dela ficava de plantão no hospital em que trabalhava e ela não queria ficar sozinha. Não havia sábado que não virássemos a madrugada conversando pelas redes sociais. Era tudo tão único e intenso, que nem mesmo sei o porquê de ter demorado tanto tempo para perceber que eu estava apaixonado por ela.
Eu sabia cada mania e medo dela. Até mesmo era capaz de saber pela maneira como piscava, quando ela estava feliz, animada, irritada, triste ou mentindo. Eu a conhecia melhor do que ela própria. E eu me sentia muito bem por ter conseguido desvendar os mistérios daqueles olhos cor de chocolate amargo. Eu me sentia orgulhoso por saber que a mãe dela me amava e que já era considerado parte da família pelos seus tios e primos irritantes.
Eu fui a primeira pessoa para quem ela contou sobre o seu sonho de ser atriz. Foi para mim que ela ligou quando ganhou o papel de Julieta na peça mais importante da escola e foi aceita em uma peça musical na Broadway. Eu era quem a abraçava quando assistíamos a filmes de terror ou ria de sua sensibilidade para filmes de drama. Foi comigo que ela bebeu seu primeiro gole de álcool e descobriu a sensação de se estar bêbada. Fui eu quem cuidou dela quando ela experimentou a dolorosa manhã de resseca pela primeira vez.
Todos afirmavam que éramos um casal e nós continuávamos a negar, com nossa evidente timidez. Eu queria ser seu namorado, mas temia tanto a rejeição. Essa era a primeira vez que eu me sentia tão indefeso e entregue a alguém. Nunca havia sentido algo tão intenso como eu sentia por ela. Uma mistura de borboletas no estomago com uma pitada de felicidade, pavor e encanto.
Com seu jeito único, ela conquistou o espaço que nunca havia sido preenchido por ninguém. Aos poucos, ela se tornou a minha pessoa especial. Aquela que sempre ouvi minha avó contar quando era criança e que eu nunca havia acreditado até o momento em que ela apareceu em minha vida.
E com um pouco de coragem – e um copo de vodca pura -, eu me declarei para ela em nossa festa de formatura do ensino médio. Éramos amigos a três anos e eu não aguentava mais esconder meus sentimentos. Minha família sabia que eu a amava e, ainda que não tivesse o apoio total de meus pais, eles sabiam que aquela garota tímida havia me enfeitiçado por completo. A família dela também parecia torcer para que ficássemos juntos. Então, por que continuar a fingir que eu a via somente como minha melhor amiga?
Ela, com sua típica desconfiança, apenas riu e acreditou não passar de uma brincadeira de minha parte, afinal, eu estava um pouco bêbado. Mas, quando eu a beijei... Ah, seus doces e fartos lábios. Eles eram tão viciantes e adoráveis. Por quantas noites eu fantasiei o dia em que eu os sentiria? Quantas vezes fui desperto por seus gritos, por me perder naquela boca tão rosada quando ela falava comigo?
Não sei dizer por quanto tempo nosso beijo durou. Ela me correspondeu. Meio desajeitada, meio incerta, mas repleta de sentimentos. Suas mãos tímidas foram de encontro ao meu pescoço ao mesmo tempo em que seu corpo se aproximava do meu. Uma música qualquer tocava ao fundo, a madrugada era iluminada pelas infinitas estrelas no céu e, naquele momento, eu não poderia desejar estar em outro lugar que não fosse nos braços da bela garota de olhos chocolate amargo.
Depois daquela noite, nós nunca mais fomos os mesmos. Em um passe de mágica, aquela garota tímida e misteriosa que se sentava na penúltima cadeira da primeira fileira ao lado da janela se tornou muito mais que minha melhor amiga. Sem que ela percebesse, aquela jovem, que se tornou uma linda e brilhante mulher, reivindicou seu lugar como meu primeiro amor, minha primeira namorada. Aquela que independente do que acontecesse, jamais perderia sua soberania sobre meu coração.
E hoje, enquanto encaro a sua entrada ao palco do teatro ao som de Singing In The Rain, vejo a felicidade em seus olhos e o sorriso mais encantador da noite. Ao meu lado, nosso pequeno John, nome dado em homenagem ao pai de minha esposa, admirava a mãe e comentava sobre o quão divertido havia sido a releitura de “Cantando na Chuva”. Em meus braços, nossa linda princesinha, Louise, dormia tranquila e docemente, com duas feições tão semelhantes a da mãe.
Eu havia encontrado o amor naquela mulher de personalidade forte, sonhos grandiosos e um coração amável. Assim como no dia em que nossos olhos se encontraram pela primeira vez, sinto o mesmo frio na barriga e o coração acelerado. Ela estava radiante e eu somente conseguia sentir orgulho de minha esposa, de nossa família.
Elena Gillbert. O mais belo e doce dos nomes. O sorriso presente em seus lábios é a razão pela qual consigo nos imaginar envelhecendo juntos. Aquela noite havia sido mais uma realização de seus sonhos. Elena acenava e parecia se segurar para não chorar diante de tanta emoção. Protagonizar uma peça no Sydney Opera House havia sido por anos o maior desejo profissional de minha esposa. E seu sonho se tornou ainda maior ao conseguir que o seu dramaturgo favorito, John Waters, dirigisse a peça.
Naquele instante, Elena não se assemelhava em nada a mulher de horas antes do início do espetáculo. A ansiedade e o medo de cometer erros em frente ao público de mais de duas mil pessoas já não estava mais presente diante das ovações da plateia. E eu não poderia estar mais feliz pela minha esposa como naquele momento. Por ter acompanhado as suas batalhas diariamente, sabia o quanto Elena merecia o sucesso e a admiração que estava recebendo.
Louise começa a se mexer em meus braços, incomodada com o barulho do local. Assim como eu, minha filha detestava gritos e histerias. Acaricio os cabelos escuros de minha caçula e ajeito melhor em meu braço para pegar na mãozinha de John, que segurava um buquê grande de flores para entregar a mãe. O show havia acabado, enfim, e eu sabia o quanto Elena estava ansiosa para abraçar os filhos.
Com John segurando minha mão esquerda e Louise em meu colo, ando com tranquilidade em meio ao público que saia aos poucos do teatro. Carregando sorrisos satisfeitos em seus rostos, todos comentavam sobre os personagens que mais gostaram ou como haviam ficado surpresos positivamente com a releitura do clássico cinematográfico.
Após me identificar com o segurança, adentro o camarim repleto de atores. A estrela principal da noite estava rodeada de pessoas a parabenizando pelo excelente desempenho. Ela sorria envergonhada, mas era nítido o brilho de dever cumprido e de orgulho contida em seus olhos.
— Mamãe! – John grita e corre em direção a Elena, levando com dificuldade o buquê de rosas. – Olha o que o papai, eu e a Louise compramos para você.
— Oi filho. Que lindo! – Afirma a mulher, abaixando-se na altura de nosso filho mais velho. Ela olha com doçura para o buquê e sorri singela. Após depositar um beijo na testa de John e colocar o buquê sobre a mesa ao seu lado, ela o pego no colo e o abraça com força. – Eu senti a sua falta, meu amor.
— Mas a gente se viu antes da peça, mamãe. – Resmunga John, sendo apertado contra Elena. – Ai, mamãe. Está apertando.
— Isso não me faz sentir menos saudades. – Responde minha esposa, rindo da falta de sensibilidade do filho.
Louise começa a ficar inquieta vendo o irmão mais velho receber toda a atenção de Elena. A garotinha de quase 3 anos resmunga sonolenta e ameaça chorar quando a mãe não a escuta. Divirto-me com a cena.
— Alguém aqui está precisando de atenção. — Comento, divertido e vejo minha esposa alargar ainda mais o seu lindo sorriso.
— Não acha que você está velho demais para exigir atenção? – Brinca Elena, enquanto coloca John no chão e estende seus braços para pegar Louise. – Oi minha princesa...
A garotinha ciumenta sorri animada e abraça a mãe com força. Diferente do irmão, Louise ama contato físico. John se coloca ao meu lado e abraça minha perna, uma mania que adquiriu desde que aprendeu a ficar de pé.
— Muita merda para você.¹ – Digo, dando um rápido beijo nos lábios de minha esposa em seguida. Elena sorri e revira os olhos diante da brincadeira.
— Você está um pouco atrasado, querido. – Responde, abraçando-me de forma desajeitada.
— Você foi magnífica no palco. Eu e as crianças estamos muito orgulhosos de você. — Afirmo, pegando Louise de volta, quando a pequena estende seus braços. – Você foi a melhor atriz dessa noite.
— Você sempre diz isso. – Fala Elena, sorrindo discreta. Ela estava cansada e eu compreendia o motivo. Devido o nível de perfeccionismo do diretor, minha esposa havia passado noites a fim ensaiando e repassando todas as falas. – Obrigada por ter vindo e trago as crianças. Se não fosse por vocês, eu provavelmente não conseguiria apresentar.
Não havia sido tarefa fácil conseguir férias no escritório de advocacia para viajar dos Estados Unidos à Austrália com as crianças para assistir a sua noite de estreia. A viagem foi cansativa e não é fácil lidar com uma criança de quase três anos e outra de seis anos sozinho, no entanto, o brilho e a felicidade evidente na face de minha esposa era a minha maior recompensa.
— Feliz aniversário de casamento. — Digo, pegando uma caixinha de dentro de meu paletó. Entrego-a e vejo Elena olhar com doçura para o colar com o pingente de um menino e uma menina, representando nossos filhos. – Lamento não ter comprado um presente melhor. Esses dias sem você foram bastante agitados em casa e no trabalho.
—Ele é lindo. — Afirma, retirando o colar da caixa. Ela o encara pensativa e sorri sugestiva por alguns instantes. Encaro-a, confuso, tentando entender o que se passava na mente de minha esposa. – Obrigada. — Agradece, colocando-o em si mesma. – Eu amei, ainda que tenhamos que fazer mudanças nele.
— O que quer dizer com isso? — Questiono, observando minha esposa mexer em sua bolsa. Nossos filhos, surpreendentemente, permaneciam quietos, atentos a nossa conversa.
— Eu também não tive tempo para comprar um presente, mas acho que o que tenho irá te surpreender. – O mistério e a ansiedade presentes nas palavras de Elena me fazem ficar apreensivo. Ela me pede para colocar Louise no chão e me entrega um envelope vermelho. – Eu realmente espero que goste.
Encaro o envelope por um tempo, ponderando o que poderia ser o misterioso presente de aniversário do nosso décimo quinto ano de casados. Com John e Louise ao seu lado, Elena me encarava com expectativa, ansiosa para ver a minha reação. De repente, sinto os olhos de todos os atores que estavam no camarim sobre mim. Os colegas de elenco da peça, provavelmente, já sabiam o conteúdo presente naquele envelope.
Por fim, ainda desconfiado, abro o envelope escarlate e retiro o papel dobrado que havia dentro. O silêncio toma conta do camarim e o ar se torna mais pesado. Devagar, leio cada palavra do papel. Meu coração se acelera e eu não sei como reagir diante da novidade. Desvio os olhos do exame médico e encaro minha esposa, questionando se o resultado do exame de gravidez era verdadeiro.
— Isso... Isso é... – Eu nem mesmo conseguia falar nada. Eu estava atônito e não conseguia esconder a felicidade em meu rosto.
— Parabéns, Damon, você será papai pela terceira vez. – Responde Elena, sorrindo, enquanto acaricia a barriga.
Levado pelas emoções, corro até minha esposa e a abraço, enquanto a rodopio. Os atores batem palmas e gritam demonstrando o quanto estavam felizes pelo crescimento de nossa família. Elena ri e corresponde ao abraço. Eu a beijo e não sei bem o que dizer a ela. Parecia que todas as palavras da minha cabeça haviam desaparecido. Desde criança, eu sempre sonhei em ter uma grande família e graças a Elena, esse sonho estava sendo realizado aos poucos.
Ainda que soubesse do trabalho e da loucura que seria para cuidar de três crianças, lidar com o meu emprego e ainda ter o dever de colocar um pouco de juízo na cabeça teimosa de minha esposa, que parece não conhecer os limites que seu corpo pode aguentar por estresse, essa era a vida que eu queria.
Não havia sido uma tarefa fácil conquistarmos tudo o que temos hoje. Meus pais não haviam facilitado a nossa vida, nosso pequeno John foi o nosso maior presente após anos de tentativa para termos nosso primeiro filho. Cada dia era uma luta diferente para vencermos nossos próprios fantasmas. Mas, finalmente, esse era o início de nosso final feliz.
Uma história de amor que se iniciou na escola, com a tímida estudante transferida que se sentava na penúltima cadeira da primeira fileira ao lado da janela e um badboy sem nenhuma perspectiva do mundo. Elena entrou em minha vida como o meu primeiro amor e hoje é a mulher que me deu uma família e me tornou o homem que eu sou hoje.
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