Primeiras vezes
1 Capítulo único
Já fazia muitos meses que se aventuravam juntos ao grupo de aventureiros. Hyperion se sentia cada vez mais próximo de seus colegas, mas não conseguia realmente conversar com eles. Nix e Ika eram os que mais se aproximavam de amigos, que compreendiam a personalidade um tanto retraída do mago, e mesmo com pensamentos praticamente opostos, se entendiam de forma melhor do que os outros. Claro, havia também Faelivrin, que era o único elfo além de si mesmo, e aquilo fazia com que eles se aproximassem, mas ainda assim era difícil lidar com uma pessoa que mentia o tempo todo. Com o tempo, cresceu de forma a respeitar William e Mogbur, mas ainda era muito difícil lidar com a personalidade explosiva do centauro. Com Mogbur estava se tornando gradativamente mais fácil conversar, mas ainda existiam algumas divergências de opinião.
Aquilo não importava muito, na verdade. Começara a confiar em seus companheiros, protegê-los e saber que precisava deles para continuar vivo. Não havia nada que ele pudesse fazer, de qualquer forma. Hyperion não tinha casa, não tinha um lar. Seu irmão participava de poucas missões ao seu lado, principalmente porque tinha firmado seu lar em Valkaria. O mago se sentia cada vez mais perdido, e sua mente voltava-se para a única pessoa que ele pensava em desabafar, mas depois expulsava os pensamentos de sua mente.
Wulfric.
Ele era um bárbaro, vindo de uma terra tão destruída como a sua. O homem era fascinante, ao menos aos olhos do elfo. Cabelos negros, olhos tão escuros quanto eles, uma pele morena de sol e um ar bruto. Até mesmo suas palavras saiam como xingamentos de seus lábios, e Hyperion não conseguia evitar de achar aquilo incrível. Ele não entendia os sentimentos dentro de si, muito menos as sensações que o bárbaro o causava, mas pensava que era fruto da relação que formaram durante o tempo em que trabalharam juntos. Wulfric foi a primeira pessoa que o agradeceu de forma sincera. Ele o protegeu e salvou sua vida quando tudo o que ele pensava era em morrer. Lembrava-se muito bem desse dia.
A arena era enorme, e eles estavam ali para entrar em batalha. Ele achava aquilo inútil e desnecessário, e qual foi sua surpresa quando olhou para seus inimigos e viu seu irmão ali, pronto para fazer um show para seus fãs derrotando aquele grupo, do qual seu gêmeo fazia parte?
Ele não conseguiu evitar de correr até Asterion e chamar sua atenção. Culpava-se até hoje. William, furioso, virou seu martelo naquele mesmo instante, matando o homem que Hyperion tinha procurado por toda a vida antes mesmo que ele tivesse oportunidade de falar qualquer coisa com ele. Naquele momento, sua visão ficou negra, as vozes em sua mente gritaram tão alto que ele não conseguia pensar em nada além de matar e morrer. Lançou magias a esmo, e sabia que estava perdendo a consciência, e teria feito mais se Wulfric não o tivesse segurado pelos braços e impedido que ele fizesse mais loucuras. Esperneou, gritou e chorou, até que o calor do corpo do bárbaro finalmente o acalmou, fazendo com que ele conseguisse pensar mais claramente naquele ambiente hostil.
A partir desse dia percebeu que as vozes em sua mente se silenciavam na presença de Wulfric. A maioria delas, pelo menos. Aquelas que o diziam para fazer coisas perigosas, que falavam coisas horríveis para ele. Outras ficavam no lugar, no entanto, fazendo-o desejar tocar o corpo do outro, estar perto... Abraçá-lo. Hyperion nunca sentiu vontade de abraçar ninguém, muito menos um homem. Ele nunca sentira vontade de estar próximo de ninguém, de ser acalentado ou cuidado, exceto quando via o bárbaro. Era um sentimento confuso e deixava-o nervoso, e cada vez mais silencioso. Ele não queria dar vazão àqueles sentimentos esquisitos, principalmente porque a parte consciente de sua mente dizia que ele só estava querendo aquilo porque Wulfric tinha sido um bom amigo.
Isso. Exatamente isso. Um bom amigo.
Aquela era uma noite calma. Eles tinham acabado de voltar de missão e estavam descansando da longa viagem na Taverna do Texugo Torto. Nix já havia se retirado para seus aposentos e Hyperion a seguiu, decidido a tomar um banho e dormir. Lua tinha saído para explorar o ambiente, como gostava de fazer à noite, e ele ficou sozinho no quarto. Estava um pouco nervoso, mas satisfeito. Antigamente, não conseguia dormir, preocupado com possíveis inimigos, esperando ataques que nunca chegavam. As vozes nunca se calavam, mas ele já estava acostumado com elas. A tensão ainda estava ali, mas o medo tinha ido embora aos poucos, restando apenas a sensação incomoda das lembranças.
Lembranças... Elas eram as piores. Eram o que mantinha Hyperion acordado à noite, o que o fazia ficar acordado, pensando, pensando, pensando... Tirou os sapatos e as meias, deixando que seus pés pálidos encostassem ao chão relativamente frio. Moveu-os lentamente para livrá-los da sensação incomoda do aperto. Pensava em seu passado, nas coisas que sentira em sua infância, sem perceber que sua túnica já estava no chão, e a sua camisa seguia junto aos cintos. Os cabelos caiam como água por seus ombros pálidos, e ele se abraçou, arregalando os olhos ao sentir com horror que havia uma marca ali que não havia antes. Conjurou um espelho na parede ao lado, puxando os cabelos e virando-se de costas, virando o rosto o máximo que podia para conseguir ver alguma coisa. Grandes cicatrizes marcavam suas costas como grandes e esquisitas camadas de pele. Elas eram sua vergonha, algo que ele achava pecaminoso em sua pele branca como leite, e agora havia uma a mais, enorme, cortando suas costas de um lado a outro. Ele praguejou, desfazendo a magia e seguindo para o banheiro.
Tomou um banho longo, pensando que estava ali em cima sozinho, reclamando e pensando consigo mesmo, enquanto seus colegas estavam lá embaixo, na taverna, comendo e bebendo, se divertindo e gastando os espólios de batalha. Terminado o banho, voltou a se vestir, pensativo, e de seus dedos saíram raios quando ouviu batidas na porta e ela abrindo.
– Hyperion? – Aquela voz era mais do que conhecida, e o mago se virou, olhando o homem na porta do quarto olhando para ele. Somente quando os olhos negros vasculharam todo o seu corpo foi que o mago percebeu que estava vestindo apenas uma calça. Sentiu sua garganta travar e seu coração palpitar com muita força dentro do peito. Além de William, Hyperion era o único que entendia o idioma do bárbaro e portanto era natural que ele falasse com o mago. Mesmo assim, o mago branco sentia-se tão nervoso na presença dele. – Está tudo bem?
– hm... E por que não estaria? – O elfo perguntou, olhando para o outro que entrou no quarto, fechando a porta como se pertencesse ali. Notou que os cabelos do bárbaro estavam molhados, e ele não estava usando a túnica negra que normalmente usava, apenas uma camisa e a calça marrom junto com as botas.
– Eu ouvi você falando. Achei que estava com alguém. – Wulfric disse, cruzando os braços e olhando ao redor, como se estivesse analisando o estado do quarto. Hyperion sentiu suas orelhas esquentarem. Provavelmente estava falando sozinho e o quarto do moreno era do lado do seu. Mordeu o canto interno da boca, dando de ombros.
– Eu... Eu tenho um costume de...
– Falar sozinho. Eu sei. Já vi você fazendo antes. – O bárbaro deu um sorriso de lado, e Hyperion precisou se apoiar na mesa que estava ao seu lado, perto da parede. Wulfric não era bonito. Era bruto, com uma barba escura marcando o rosto, sobrancelhas grossas e uma expressão fechada, mas havia algo naqueles olhos, na postura, no jeito de falar que deixava os joelhos do mago amolecidos, suas mãos trêmulas. Havia algo na própria presença dele que deixava seus lábios secos, e seus pensamentos mais embaralhados do que já eram. – Hyperion... Está tudo bem?
Aquela pergunta não era sobre o momento atual. Era sobre tudo. O mago apoiou as duas mãos na mesa, olhando para a tigela de água sobre ela e mordendo o lábio inferior, sentindo frio. Fechou os olhos ao sentir a presença do outro ao seu lado, e uma mão quente e calejada tocar suas costas. Aquilo o arrepiou por completo, e ele se afastou, olhando assustado para o homem.
– O que foi isso? Nas suas costas? – Wulfric perguntou, os olhos negros parecendo pegar fogo, e estavam queimando a pele do mago do mesmo jeito.
– Eu... Eu já nasci assim. – Hyperion falou, e cobriu o peito com os braços. De uma hora para outra sentiu-se tão exposto, tão vulnerável, e o bárbaro nem estava com sua arma. Ergueu os olhos, mirando o moreno e notando que ele era mais alto que si, um efeito raro, e que ele estava muito... Muito próximo. Conseguia sentir seu hálito quente contra seu rosto, um cheiro de canela e álcool, e mal notou quando ele se inclinou, e o mago sentiu a barba negra pinicando em seu queixo, os lábios molhados contra os seus, as mãos quentes segurando sua cintura e apertando.
Não notou que tinha fechado os olhos, nem que estava sendo prensado contra a mesa, ou como os lábios moviam-se contra os seus. Ele tentou respirar e abriu a boca, dando uma brecha para que o outro enfiasse a língua e a encontrasse com a sua. Um beijo... Um beijo de verdade. Hyperion nunca tinha sido beijado e aquilo era algo que fazia todo o seu corpo tremer. Ele sentia tantas coisas ao mesmo tempo que ficou sem reação, passivo em tudo aquilo, até que teve forças para afastar a cabeça de perto de Wulfric.
– O que você está fazendo? – Perguntou, a voz arfante e as mãos trêmulas. O bárbaro não respondeu, apenas inclinou a cabeça e atacou seu pescoço, lambendo a extensão de um músculo delicado e mordendo-o com força, fazendo o mago soltar um gemido involuntário, cravando as unhas no ombro do maior. Depois vieram os beijos, cada vez mais ansiosos. Hyperion podia sentir a ereção do bárbaro contra a sua perna, o corpo movendo-se contra o seu como se estivesse prestes a possuí-lo naquele instante.
Aquilo o acordou, fazendo com que ele empurrasse o homem com toda a força que tinha, afastando-se com medo daquelas reações.
– Vá embora. Por favor. Vá embora. – Falou, encolhendo-se ao lado da mesa, tentando se esconder. Wulfric ainda deu um passo para a frente, mas algo no olhar do mago o fez recuar, os ombros tensos. Ele passou uma mão pelos cabelos negros e saiu do quarto, batendo a porta e fazendo Hyperion apertar os olhos com o barulho.
Ele abaixou as mãos para entre suas pernas. Podia sentir entre seus dedos que aquilo que sentira sob os toques do outro era desejo e prazer, algo que jamais compreendera. Não era virgem, mas nunca sentira prazer no sexo. Sempre pensou que era algo unilateral e que somente um dos lados conseguia achar aquilo prazeroso. Depois que fugiu, nunca mais quis experimentar aquilo. Não queria fazer outra pessoa sofrer só para que pudesse sentir um prazer artificial, mas aparentemente ele sabia pouco sobre o assunto e, mais uma vez, Wulfric era quem lhe mostrava aquilo.
Pensou por muito tempo por que o tinha expulsado. Porque estava com medo. Porque estava assustado com as sensações, com as memórias, com a perspectiva do que aquilo podia levar. Ao mesmo tempo, sentia vontade de continuar. Seu corpo desejava aquilo, e ele sabia que poderia confiar no bárbaro. Já confiara nele várias vezes e jamais foi decepcionado.
Ele é um louco.
Ele vai esperar o momento certo pra te matar.
Ele vai te machucar.
Hyperion apertou os olhos, tentando ignorar aquelas vozes. Estava com medo, estava tão nervoso que sua magia parecia sair do controle. A mesinha tremia, a cama estava se afastando do lugar, e ele estava respirando cada vez mais pesado. Sua mão tremia contra seu joelho e ele respirava fundo, tentando se acalmar, tentando respirar e se controlar o máximo que podia. Mordeu o lábio inferior, erguendo a cabeça e tomando uma resolução.
Iria enfrentar seu medo, iria até o fim daquilo. Não deixaria suas lembranças e suas dores do passado o controlarem. Ao menos não hoje.
Ergueu-se do chão, respirou fundo e saiu do quarto, e entrou na porta imediatamente ao lado da dele, dando um passo para trás quando viu Ika soltando uma baforada de fogo no meio do quarto. O meio-dragão parou, olhou-o de forma curiosa e perguntou:
– Senhor...? – Então Hyperion fechou a porta, envergonhado e perdendo metade de sua coragem. Engoliu em seco, indo para a porta do outro lado de seu quarto e abrindo-a, encontrando Wulfric deitado na cama. O bárbaro ergueu a cabeça, olhando o elfo, que entrou no quarto e fechou a porta.
Não pensou duas vezes. Andou com passos decididos até o homem e sentou em seu colo, abrindo a boca para pedir desculpas, mas os dedos calejados do moreno cobriram seus lábios.
– Não fale. – Foi o que o bárbaro disse, antes de segurá-lo de forma possessiva pela cintura e, mais uma vez, clamar seus lábios como dele, a outra mão enfiando-se nos cabelos platinados e puxando-os na base da nuca, fazendo o mago, involuntariamente, abrir mais a boca.
Os toques eram brutos, indelicados, quase violentos, mas Hyperion só conseguiu abraçá-lo pelo pescoço e tentar aproximar ainda mais seu corpo do dele. Sua barriga reta contraía-se, e a ereção que antes havia sumido voltara com toda força, assim como a que ele sentia embaixo de suas nádegas. Realmente, não havia lugar para palavras, apenas para toques, sensações e grunhidos de prazer.
Não demorou para que Hyperion fosse lançado contra a parede, o peito nu encostando na pedra fria enquanto suas roupas eram atiradas para longe de seu corpo. Em seguida sentiu o corpo nu do bárbaro contra o seu, e se arrepiou inteiro com o contato quente da pele do outro. Suas mãos eram tão grandes que os dedos quase se uniam à frente de seu corpo quando o homem segurava sua cintura fina, e o mago só reagia instintivamente a essas mãos. Um gemido lamurioso saiu de seus lábios quando sentiu o hálito quente dele contra sua coluna, depois seus lábios descendo... Descendo... Descendo até que sentiu as mãos fortes segurando suas nádegas e as abrindo, apertando os músculos com força antes que uma sensação quente e úmida tocasse seu ponto mais íntimo.
Os olhos cinzentos se arregalaram e ele pularia se o bárbaro não o estivesse segurando com tanta força. Seu corpo se tornou uma massa trêmula de prazer, e ele se contorcia cada vez mais, batendo na parede com os punhos fechados, apertando os olhos e movendo seus quadris de encontro à língua voraz que parecia querer domá-lo de qualquer jeito. Aquilo era mais do que imaginara em toda sua vida. Nunca tinha sentido algo tão intenso, tão prazeroso, tão incrível.
Queria que tivesse durado para sempre, mas não durou. Ao invés disso, o homem atrás de si se ergueu, e demorou alguns segundos antes de tocá-lo mais uma vez. Então veio uma leve dor, um incomodo estranho entre suas nádegas, e ele arranhou a parede, inconscientemente expondo-se para ter mais conforto. Wulfric enfiava dois dedos empapados de saliva dentro de si, e apesar do desconforto, não era ruim. Não era nada como lembrava-se, nada como uma vez sentira. Era algo que ele queria, algo que ele tinha vontade de fazer, e só por ser desejado aquilo era melhor do que qualquer outra sensação que já tivera.
Depois de um tempo os movimentos começaram a se tornar mais rápidos, frenéticos. Hyperion sentia-se devorado por aqueles dedos, assim como a boca que mordia, beijava e lambia seu pescoço e seus ombros, a outra mantendo-o firme no lugar. Era tanta força que sabia que seus quadris ficariam roxos, mas aquilo era a ultima coisa na qual estava pensando. Da ponta de seu pênis gotejava pré-gozo, escorrendo devagar pela extensão ereta, e ele sentia que estava no máximo que aguentava. Não sabia o que viria depois, mas tinha certeza que se continuasse, ele iria explodir em vários pedacinhos. Gemeu de decepção quando os dedos foram tirados abruptamente de si, e ele foi virado e praticamente jogado de joelhos. Arregalou os olhos ao ver o sexo duro do homem à sua frente, a centímetros do seu rosto.
– A partir daqui, não serei mais bonzinho. Agora abre a boca e chupa. – Wulfric disse, e enfiou o membro teso na boca pequena do mago, quase até a metade, depois voltando. Deu alguns segundos para que o elfo se recuperasse antes de enfiar novamente, agora mantendo um ritmo quase selvagem, que o menor tentava acompanhar quase sem sucesso. Era grande e ele mal esperava que o mago respirasse, enfiando tudo até a garganta. Lágrimas de esforço escorriam pelas bochechas do elfo, e ele segurava as coxas do outro para ter alguma estabilidade e empurrá-lo quando não aguentasse mais. Aquilo era estranho. Apesar da ardência em sua garganta, do esforço que precisava fazer para não passar mal, aquilo era estranhamente excitante, porque conseguia ouvir os gemidos guturais de prazer do humano, e quando erguia seus olhos e arrastava a língua por toda a extensão, ele revirava os olhos e seu corpo inteiro tremia. Era bom saber que sua boca dava aquelas reações, que era ele que fazia o bárbaro tremer, e aquilo era mais do que suficiente de incentivo para continuar.
Não durou sempre, no entanto. Wulfric se afastou e sentou na cama, puxando o mago com ele e fazendo Hyperion sentar em seu colo. Os braços apertaram-no pelos quadris e cintura, erguendo-o antes que uma mão sumisse entre os corpos. O elfo abaixou o rosto, vendo-o segurar a base do próprio pênis e guiá-lo para sua entrada preparada de forma bruta, pressionando para cima e penetrando-o de forma dolorida. O mago tentou sair, mas o braço do homem-lobo segurava-o com força no lugar, puxando-o para baixo. Hyperion apertou os dentes e pressionou as pálpebras, sentindo certo medo. Aquela dor... Não queria sentir aquele tipo de dor novamente, e isso ficou óbvio. Todo o seu corpo parou de responder aos estímulos, e mesmo que antes estivesse completamente excitado, agora não estava nenhum pouco receptivo. No entanto, o homem parou apenas quando já estava enterrado fundo dentro de seu corpo, e afastou-se levemente para olhar o menor, vendo as lágrimas nas bochechas dele e a expressão dolorida. Mais uma vez, o bárbaro nada falou, mas segurou-o pelo queixo e lhe deu um beijo nos lábios, ainda segurando-o pelos quadris, e aquilo foi de alguma forma reconfortante para o elfo, que abraçou-o mais firme e moveu-se levemente sobre seu colo, tentando alcançar algum conforto.
Aquilo foi o suficiente para que o moreno achasse que ele já estava confortável o suficiente e movesse os próprios quadris, movendo os lábios para o pescoço do mago e novamente mordendo e beijando a pele tenra, movendo-se para cima e para baixo e estimulando-o a fazer o movimento contrário com as mãos. Hyperion estava se concentrando nos beijos em seu pescoço, que lhe davam mais prazer do que a penetração dolorida, mas depois de um tempo, as sensações estavam tomando conta de todo o seu corpo, as mãos que o seguravam faziam pequenas correntes elétricas passarem por toda sua pele, arranhando-o levemente com os calos. O pênis dentro de si não saia muito, mas causava uma sensação prazerosa quando o fazia e, lentamente, Hyperion começou a buscar essa sensação, fechando os olhos e concentrando-se em todos os estímulos em seu corpo, no pescoço, na cintura, nos quadris, entre suas pernas... Era assombroso ver que seu corpo estava querendo mais velocidade, mais força, e inconscientemente ele obedecia, seus joelhos o impulsionando para cima com mais vontade e seu corpo descendo em direção ao sexo duro. Num dado momento ele abriu os olhos para ver as orbes cor de ônix mirando-o com uma quase fascinação, e aquilo jogou uma onda de prazer pelo corpo dele inteiro, fazendo-o soltar um gemido alto, lascivo, de puro gozo. Abraçou-o pelo pescoço, inclinando-se para ficar mais próximo, e quando desceu seu corpo mais uma vez, foi acertado em algum lugar dentro de si que o fez gritar de prazer, um gemido que quase parecia um choro. Cravou as unhas nas costas largas, movendo-se mais rápido, agoniado para sentir aquilo de novo. Seu pênis já estava novamente ereto, e a fricção entre os abdomens estava lhe dando um prazer adicional incrível. Ouvia-o gemer também, um gemido rouco e grave, que reverberava pelo seu peito e fazia o elfo querer ouvi-lo mais vezes. A mão do bárbaro subiu, puxando seus cabelos e fazendo-o inclinar a cabeça com violência, forçando-o a quase deitar o corpo para trás. A boca do bárbaro beijou suas clavículas, lambendo a pele e capturando um dos mamilos com a boca, mordendo-o e sugando, dando a onda de prazer final necessária para que todo o corpo do elfo se descontrolasse, fazendo um prazer nascer em seu ventre e crescer por seu corpo inteiro.
“É agora... É agora que vou explodir”, ele pensou, percebendo que não conseguia mais controlar o próprio corpo. Os dedos dos pés se apertavam, seu corpo se contraía, os olhos se apertavam, os lábios estavam entreabertos e ele sentiu uma das sensações mais maravilhosas que já tinha sentido da vida, que durou longos segundos e fez com que ele esquecesse qualquer outra coisa que não fosse aquele momento de magnitude, único e voraz, que tomava todo o seu corpo e levava-o para um limbo onde só havia o prazer.
Quando recobrou a consciência, pode ver o bárbaro de olhos fechados, uma mão segurando possessivamente em sua perna, a outra apoiando seu peso na cama. Hyperion sorriu com a visão, pensando que talvez ele também tivesse explodido. Olhou a si mesmo, vendo que estava coberto por uma substância viscosa e quase transparente. Tocou e olhou por algum tempo, antes de se levantar dali.
Seu corpo estava dolorido e ardido. Quando se levantou, sentiu uma sensação esquisita, de algo escorrendo, e tocou o meio de suas pernas, vendo a mesma substância transparente. Olhou para o outro, que estava rindo e observando-o.
– O que foi? Você nunca gozou? – A voz rouca do bárbaro perguntou, e Hyperion negou com a cabeça. Aquilo era realmente algo muito estranho. O moreno também achou aquilo estranho, porque no momento seguinte o mago estava deitado na cama com as pernas abertas e o bárbaro estava entre elas com um sorriso que Hyperion nunca tinha visto no rosto dele antes. – Vamos recompensar isso fazendo você gozar mais algumas vezes, o que acha?
–-x—
Quando acordou no outro dia, Hyperion estava em seu próprio quarto. Todo o seu corpo doía, e uma rápida conjuração de um espelho mostrou que estava todo marcado, principalmente no pescoço e quadris. Naquela noite ele descobriu que gostava de certa dose de violência, e que apanhar nem sempre era ruim. Sua bunda ainda ardia um pouco, mas aquela ardência levava um sorriso aos seus lábios. Ergueu os olhos, notando que o sol já estava alto, e Lua estava sentado na mesinha de canto, lambendo uma das patas.
– Eles já estão se preparando para sair. – O gato disse, e Hyperion piscou os olhos. Sentou-se na cama, fazendo com que uma onda de dor passasse por todo o seu corpo, e ele soltou um gemido baixo. Ergueu-se, indo até o banheiro e conjurando uma chuva de água quente. A água relaxava seus músculos e acalmava as dores, fazendo-o ficar ali por longos minutos antes de finalmente desfazer a magia e colocar suas roupas. Estava prendendo o cinto por cima da túnica quando alguém bateu na porta.
– Hype? Está pronto? – Era a voz de Nix, que enfiou a cabeça pela porta aberta e lhe deu um sorriso, antes de entrar no quarto. A mulher era linda, ele tinha que admitir, e se não fosse de uma raça diferente, talvez pudessem ser irmãos. Ela tinha longos cabelos platinados, roupas de uma coloração clara e um colar com uma grande lua na frente do peito, como todas as clérigas de Lena possuíam.
– Sim. Só vou guardar meus pertences. – Ele falou, e tentou sorrir de volta, conseguindo lhe dar um sorriso desajeitado. Ela se aproximou, tocando-o no ombro e sorrindo de leve.
– Vamos, todos estão te esperando. – Nix disse, e o mago sentiu todo o seu corpo relaxar de uma vez só. Olhou para ela com surpresa, e a clériga tinha um sorriso nos lábios. Imediatamente ele levou as mãos ao pescoço, e não sentia mais nenhuma ardência ou dor no lugar, nem mesmo quando se mexia. – E, ah... Não se preocupe com as piadinhas. Depois de um tempo eles vão conseguir lidar com isso.
– Como...? – Ele tentou perguntar, e a anjo riu, balançando a cabeça.
– Acho que a taverna inteira escutou. – Ela bateu no ombro dele, saindo do quarto, e Hyperion voltou a se encolher ao lado da mesinha, o rosto completamente vermelho. Nunca mais queria sair dali. Morreria ali mesmo, naquela posição, só para não ter que ver o rosto dos colegas e ouvir as piadas que provavelmente fariam. A única coisa que o fez sorrir e levantar-se foi o pensamento de que provavelmente fariam as mesmas piadas com Wulfric e ele teria o maior prazer do mundo em traduzir todas elas.
fin
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