Primeiras Palavras

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Repostando uma antiga história ShikaTemaDai que foi excluída quando mudei de perfil. Originalmente, "Primeiras Palavras" fazia parte de uma pequena surpresa de aniversário para a Akemihime, então essa história continuará sendo dedicada a ela. Alguns erros foram corrigidos e outras partes foram editadas/substituídas/adicionadas... espero que esteja uma leitura melhor e mais fluída do que anteriormente ^^'

Sabaku no Temari era uma mulher muito competitiva. Shikamaru soube disso antes mesmo de começar a se relacionar com ela. Era algo bastante difícil, assim como praticamente todos os traços de personalidade da mulher, mas, com o tempo e convivência, acabou por gostar daquele problema até um ponto em que não conseguiria mais viver sem aquela pessoa.

Por mais problemática que fosse aquela competitividade da mulher.

Quando um anel foi colocado em seu dedo e o sobrenome de Temari se transformou em Nara, a única coisa que mudou foi o endereço. Ela continuava tão competitiva e problemática quanto antes, trazendo muita dor de cabeça para o marido.

Não que ela sempre afetasse os nervos dele, longe disso. Geralmente, ele gostava de admirar esses pequenos problemas de personalidade da esposa. Quando a competitividade não estava direcionada à ele, Shikamaru se pegava observando-a com carinho e, por vezes, sorria.

Amava aquela mulher, afinal.

Quando a conheceu como a Temari ninja, já havia notado que ela era uma mulher competitiva e agressiva. De acordo com Kankuro e Gaara, a Temari filha e irmã também exibia esses traços. Então, não se surpreendeu quando a Temari namorada e, logo depois, a esposa também fosse assim. Porém, Shikamaru realmente acreditou que quando ela virasse mãe, isso mudasse.

Doce ilusão.

Quando Temari não estava no parque, no meio de todas as outras mães, contando vantagens sobre o filho — "Ah, Shikadai é tão calmo, dorme a noite inteira, diferente do Boruto.", "Sarada ainda chupa chupeta?! Meu Shikadai parou de usar em duas semanas." —, ela estava em casa contando vantagem... Para Shikamaru.

Pobre Shikamaru, maldito foi o dia que casou-se com aquela mulher. Em seus votos de casamento ela havia lhe prometido que nunca mais o deixaria em paz. Na época ele chegou a rir com a brincadeira da noiva, porém odiava admitir que nunca estivera mais enganado. O assunto Shikadai era a nova e melhor forma que ela havia encontrado para provocar o seu amado.

E Shikamaru havia lhe dado uma ótima oportunidade para irritá-lo, Temari percebeu, ao voltar para casa naquela tarde.

Havia deixado Shikadai com o pai por algumas horas enquanto ia para o mercado, aproveitando que o ninja havia saído mais cedo do trabalho com o Hokage a fim de ficar mais tempo com o filho. Infelizmente, parecia que a criança não sentia tantas saudades do homem, pois Temari encontrou um Shikadai esperneando no colo do marido, que estava muito atrapalhado para conseguir acalmá-lo.

— Você nem consegue fazer Shikadai parar de chorar! — acusou, praticamente arrancando o bebê das mãos de Shikamaru. A criança, por outro lado, não pareceu se incomodar com a abrupta troca de contato, parando de jogar e sorrindo assim que os olhos identificaram o rosto da mãe. — No meu colo ele fica tão calmo. — suspirou, embalando-o lentamente. Um pequeno repuxar de lábios foi o suficiente para que Shikamaru soubesse o que ela estava aprontando.

— Você é mãe — disse simplesmente, como se justificasse.

— E você é pai — retrucou, revirando os olhos. — A verdade é que Shikadai me ama muito mais.

Suspirou, não querendo mais continuar com aquele jogo. Voltou-se em direção a cozinha, a fim de esquentar um pouco de leite para o filho, que provavelmente estaria com fome. Podia não ter jeito algum para embalar o filho até acalmá-lo, mas era expert em outras coisas que Temari odiava fazer. Isso incluía preparar a alimentação. Temari o seguiu silenciosamente até o local, para logo depois acompanhar seus movimentos somente com os olhos.

Aquela havia se tornado frase constante na vida do casal. Sempre que Shikadai fazia algo que agradasse mais a mulher, ela sorriria, dizendo que o bebê a amava mais que qualquer outra pessoa. A verdade, pelo o que o Nara supunha, era que o filho era tão parecido com o pai que Temari precisava demonstrar que tinha alguma importância maior na vida do filho.

Ou era porque a loira era problemática demais.

Tinha a sensação que a segunda opção fosse a mais verdadeira.

— Ino me contou que Inojin disse sua primeira palavra por esses dias — comentou, como se fosse para puxar assunto. — Sabe qual foi?

— Hum... — resmungou, indicando que ela continuasse, enquanto se concentrava em esquentar o leite da criança no fogão.

— Ele disse "papai" — continuou, sentando-se no balcão.

— É mesmo? — exclamou, testando a temperatura do leite na palma de sua mão. — Sai deve ter ficado feliz. — Do jeito que era estranho, o ninja provavelmente não teria demonstrado nenhuma reação em seu rosto e teria feito algum comentário engraçado para a mulher, sua amiga, tão problemática quanto Temari. Apesar disso, Shikamaru conhecia o ninja muito bem para saber o quão feliz ele deveria ter ficado.

— Ela disse que é comum as primeiras palavras serem "papai", e que eu deveria me preparar para não me decepcionar. — continuou, em um tom de voz mais baixo. De canto de olho, Shikamaru viu o rosto desanimado da mulher e aproximou-se dela, para acariciar sua bochecha.

— Shikadai será diferente — garantiu, tentando alegrá-la — Ele é um Nara, afinal.

— Claro que será diferente, ele tem meu sangue! — sorriu, convencida. — Sua primeira palavra será "mamãe" e então eu poderei esfregar na cara de todas o quão diferente e inteligente ele é! — decidiu e Shikamaru suspirou de alívio ao notar o fogo nos olhos da mulher. — Consegue alimentá-lo? Ou não leva jeito pra isso também?!

Sabia que ela estava só queria o irritar, então somente esticou os braços, esperando que ela lhe entregasse o pequeno pacote que segurava com todo o cuidado.

— Tudo bem, só não vá chorar depois pedindo ajuda — alfinetou, enquanto entregava o filho para ele. — Bebê chorão — riu, saindo da cozinha para terminar o restante de suas responsabilidades. Deixando Shikamaru sozinho com seu próprio filho, o qual o encarava com aqueles brilhantes olhos verdes, idênticos aos da mãe.

— Seria bastante problemático se sua primeira palavra não fosse "mamãe", sabia? — comentou, pensando o quão comum era essa cena para ele agora, um homem adulto conversando com um bebê que provavelmente não entendia nada do que ele falava.

Suspirou, sentando-se em uma cadeira, tentando ficar mais confortável enquanto alimentava a criança.

E surpreendeu-se quando o ouviu resmungar.

— ...mmm-ico. — Em primeiro momento, achou que Shikadai estava soluçando, mas o som se repetiu — ...mm-aico. — Encarou o filho, esperançoso. As sobrancelhas do bebê curvaram-se de frustração com a própria dificuldade. — poi... — Alguns segundos de silêncio se passaram — POIMAICO! — gritou, e pareceu satisfeito.

Problemático.

Shikamaru entendeu. E sorriu, orgulhoso.

Aquele era mesmo o seu filho, afinal.

Com um último suspiro feliz, beijou a testa da criança.

— Vamos manter esse como nosso segredo, sim? — pediu, sorridente. — Dá próxima vez que falar, trate de dizer "mamãe". — A criança riu, feliz com a mamadeira que chegava próximo a sua boca.

Era claro que Shikamaru poderia usar aquilo como argumento para as próximas vezes que Temari o provocasse sobre o amor de seu filho, mas não achou que fosse necessário. Afinal, a próxima vez que Shikadai falou, Temari deu um sorriso tão largo, feliz e orgulhoso, que o ninja se pegou observando cada detalhe do rosto iluminado da mulher. Guardaria aquela expressão com todo cuidado em seu coração, pois era tudo o que Shikamaru precisava.

Era só isso que importava.

Notas finais
Ao terminar de ler, por favor, deixe seu feedback construtivo nos comentários. Até a próxima história!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!