Notas iniciais
PlayListMaroon 5 - Never Gonna Leave This BedPassenger - Let Her GoMario - How Do I BreatheBoys Like Girls - Two Is Better Than One

Eu estava apaixonada por Spencer Reid.

E, no fundo, eu tinha certeza de que ele me amava também.

Era uma constatação tão assustadora quanto inevitável. O simples pensamento de verbalizar isso me deixava paralisada. Talvez porque significasse admitir que ele poderia me quebrar. Ou pior: que eu poderia quebrá-lo.

— Algum problema? — ele perguntou, franzindo levemente as sobrancelhas.

— Não — respondi rápido demais.

Ele me estudou por um momento, como se pudesse enxergar além das minhas palavras. Desviei o olhar, focando na porta entreaberta atrás dele.

— Eu queria saber se você viu o Sérgio… Ele sumiu. E como ele adora ficar aqui…

Spencer inclinou a cabeça levemente, refletindo.

— Não sei… Se quiser, pode entrar e ver se ele está aqui.

Aceitei o convite sem hesitar, cruzando a soleira do apartamento dele.

Era exatamente como eu imaginava. Minimalista, com móveis sem personalidade, mas com um toque inegável de Reid: pilhas de livros organizadas em um sistema que só ele compreendia, papéis espalhados na mesa, rabiscos em anotações que provavelmente desvendavam algum crime.

E então, um barulho no corredor.

Ambos nos viramos ao mesmo tempo, e foi quando Sérgio apareceu, todo esguio e preguiçoso, como se estivesse apenas esperando o momento certo para fazer sua grande entrada.

— Sérgio! — sorri, abaixando-me para pegá-lo no colo. O gato ronronou em resposta, esfregando o rosto no meu pescoço.

Reid observava a cena com aquele meio sorriso de quem não está acostumado a demonstrar emoções abertamente. Caminhei até o sofá e me sentei, ainda com Sérgio aninhado em meus braços. Para minha surpresa, Spencer se acomodou ao meu lado e, hesitante, passou um braço ao redor dos meus ombros.

Normalmente, eu teria me afastado. Mas dessa vez, não o fiz.

Ele se inclinou levemente, repousando a cabeça contra mim. O silêncio entre nós não era incômodo, mas carregado de algo não dito.

Senti seus dedos deslizando suavemente pelo meu braço, traçando padrões invisíveis contra minha pele. Quando ergui o rosto, ele já me observava, olhos analisando cada detalhe, como se quisesse decifrar o que eu não dizia.

Foi então que aconteceu.

Spencer tocou minha cintura com uma das mãos e se inclinou, os lábios pressionando os meus com uma hesitação cuidadosa. Foi um beijo suave, quase experimental. Quando nos afastamos, sorrimos meio sem jeito. Nenhuma palavra foi dita. Nenhuma precisava ser.

Mas algo dentro de mim queria mais.

Sem pensar, me inclinei novamente, e dessa vez o beijo foi diferente. Mais intenso, mais decidido. Nossos corpos se moldaram um ao outro no sofá enquanto Sérgio, indignado, saltava para o chão, resmungando um miado contrariado.

Meus dedos percorreram o tecido fino da camisa de Spencer, sentindo os contornos de seus músculos sutis. Quando deslizei as mãos sob o tecido, ele estremeceu, a respiração entrecortada contra meus lábios.

Ele segurou meu rosto entre as mãos, beijando meu pescoço com uma lentidão torturante, arrancando de mim um suspiro abafado. Meu coração martelava contra as costelas, e um calor indescritível se espalhava por mim.

Foi quando ele me puxou para mais perto, nossas pernas entrelaçadas no sofá estreito. Meu corpo reagia a cada toque seu, como se ele fosse feito para se encaixar em mim.

Sem muita lógica ou sequência, fomos parar no quarto.

Minhas costas tocaram os lençóis macios enquanto Spencer pairava sobre mim, os olhos fixos nos meus, como se procurasse um último sinal de hesitação.

Não havia nenhum.

Ele deslizou as mãos pela minha cintura, o calor de seus dedos queimando um caminho sob minha roupa. Meus próprios dedos se embrenharam nos cabelos dele, puxando-o para outro beijo, este mais desesperado.

O tempo se diluiu. O mundo se reduziu àquele quarto, àquela cama, ao calor dos nossos corpos e ao som entrecortado da nossa respiração.

Quando finalmente nos deixamos cair no êxtase, minha pele ainda ardia sob suas mãos. O quarto estava impregnado com o cheiro dele, com o cheiro de nós.

E então, o cansaço nos venceu.

Não lembro exatamente quando dormimos, mas fui desperta pelo irritante som do despertador de Spencer.

Abri os olhos devagar, piscando contra a luz fraca que entrava pela janela. Ele ainda estava ali, ao meu lado, o braço jogado descuidadamente sobre minha cintura, o rosto sereno no travesseiro.

Por um instante, pensei no dia que nos esperava. Teríamos que estar no escritório cedo. As pessoas fariam perguntas. Nos olhariam de forma diferente.

Mas nada disso importava.

— Fica — a voz de Reid soou rouca contra minha pele.

Virei o rosto para encará-lo. Seus olhos estavam sonolentos, mas carregavam algo mais. Algo intenso.

— Promete que dessa vez você vai ficar? — sua voz era um sussurro carregado de significado. — Por favor, me diz que nunca mais vai embora.

Meus dedos deslizaram para os cabelos dele, acariciando levemente sua nuca.

— Eu nunca vou embora — murmurei. — Não de novo.

Ele sorriu, um daqueles raros e genuínos sorrisos que faziam meu coração parar por um segundo.

Me puxou para mais perto, os corpos se encaixando de novo sob os lençóis.

— Ótimo — ele disse, a voz carregada de alívio. — Porque eu também não pretendo deixar essa cama tão cedo.

Sorri.

E, pela primeira vez em muito tempo, senti que estava exatamente onde deveria estar.