Primeira Briga, Faz Parte

1 Briguinha de casal faz parte


Notas iniciais
Faz muito tempo que escrevi essa história e achei aqui, tão fofa haha. Peguei o Nakamura, criado pela Nyuu_d porque eles dois juntos é uma coisa fofa.

Tezuka saiu do banheiro e foi para o quarto, teve aquela sensação de que já passara por aquela situação antes. Ah! E era verdade. Ele passava por aquilo todos os dias.

Pegou a toalha molhada de cima da cama de casal, do quarto que dividia com Akihiko, levou até a área de serviço e a estendeu no varal, indo para a cozinha preparar um café. Ele estava atrasado para a faculdade, e dormiu pouco aquela noite, por conta de um trabalho que precisava ser finalizado. Não era relapso com os deveres da faculdade, mas Nakamura as vezes roubava-lhe um tempo precioso. Que no fundo era culpa dele mesmo, por ser tão fraco e não resistir. Mas o importante é que o trabalho estava pronto, e ele só precisava entregar, fazer mais algumas atividades e logo estaria livre para o final de semana. Havia marcado uma pescaria com seu avô e Fuji, mas esse teve que cancelar porque Kori deve ter tido alguma crise, que não é da conta de Tezuka.

O café já estava na mesa, e Tezuka não teria tempo de aguardar Nakamura retornar com os pães e o rocambole que disse que ia comprar, porque tinha sonhado com um e queria porque queria saciar sua vontade. E quando Nakamura falava assim, Tezuka nunca duvidava.

Arrumou as coisas dentro da bolsa e pegou um suéter do guarda roupa. Fazia apenas quatro meses que estavam testando essa novidade de morarem juntos. Claro que não foi fácil a decisão, mas era inevitável, como dizia o sensei, ou melhor, ex-sensei. Se bem que Akihiko ainda era o fisioterapeuta de Tezuka, que apensar de estar no último ano da faculdade, ainda jogava. Ele não queria deixar de estudar. Era mesmo um rapaz exemplar, dando conta de todo o trabalho que era viajar e voltar a tempo para estudar e se sair bem em uma prova.

Nakamura sentia-se orgulhoso, apaixonado, e mais bobo do que nunca.
Falando nele, assim que Tezuka pegou a chave para trancar o apartamento, a porta foi aberta. O moreno entrou com algumas sacolas nas mãos, cantarolando uma música. Ele passou por Tezuka e foi para a cozinha, voltando logo em seguida, já com os braços abertos para lhe dar um belo beijo de bom dia. O terceiro do dia.

— Eu preciso ir, senão me atraso para a aula, é importante. Preciso aproveitar que os treinos para o próximo torneio só irão se intensificar no mês que vem.

— Não, eu quero tomar café com você. Te levo de carro depois. – Nakamura insistiu e começou a arrumar as coisas na mesa de dois lugares. – Sobre o treino, podemos começar agora com algumas massagens e atividades leves, assim você não se machuca quando pegar pesado.

— Está bem. – Tezuka sentou, mas só porque sabia que se não o fizesse Nakamura iria agir de forma ardilosa e fazê-lo perder toda a manhã. – Ah! Deixou novamente a toalha em cima da cama.

— Ops. Esqueci. – Ele sempre se esquecia. Mas Tezuka não iria querer que aquele habito fosse alimentado com o tempo. – Vou estender depois.

— Eu já estendi.

— Obrigado. Você é maravilhoso. – Nakamura piscou o olho, e deu um daqueles sorrisos que só ele sabia dar. – Vou no supermercado mais tarde. Quer alguma coisa? Posso por na lista. – Ele perguntou enquanto passava geleia por cima do rocambole de damasco. Tezuka não iria comentar sobre os gostos estranhos dele.

— Compre algo para o jantar, mas dessa vez nada daquelas comidas enlatadas ou congeladas. – Tezuka não queria magoar Akihiko, mas esse tinha um péssimo hábito alimentar, que estava sendo corrigido agora que moravam juntos. – Na verdade, eu precisava passar em algum lugar para comprar um presente.

Nakamura mordeu um generoso pedaço do rocambole, ele falava sério quando disse que estava com vontade de comer. Comprou três de uma vez. Claro que ele ia dividir um com Tezuka.

— Presente? Para quem?

Tezuka se mexeu na cadeira, um pouco desconfortável, ele conhecia muito bem o temperamento de Akihiko, era ciumento, mesmo que não houvesse fundamentos para sentir ciumes. Porém, já vacinado contra essa doença que era a possessividade de Nakamura, ele achou melhor não estender o assunto.

— Aniversário de uma das minhas colegas de sala. Combinamos que eu compraria o presente, e todos assinariam o cartão, depois eles me pagam. – Disse por fim, para ver se aquela explicação era o suficiente. Claro que nunca era.

— E então? Vai ter alguma comemoração depois da aula? – Nakamura terminou de comer o primeiro rocambole, partindo para o segundo. Ele parecia tranquilo, e estava mesmo.

— Sim, mas eu não vou. Prefiro ficar em casa.

— Ora essa, Tezuka. – Ele limpou a boca com o guardanapo de papel e bebeu o café quente, quase de uma vez. – Esta sempre indo de casa para o treino ou para a faculdade, ou viajando para torneios. Pode ter um tempo para os amigos também.

Suspeito. Tezuka achou estranho.

— É apenas um almoço que vão fazer num restaurante la perto mesmo.

— Perfeito. – Nakamura terminou de tomar café, e levou a louça suja para a pia. – Posso te encontrar lá, só deixar o endereço que vou. Não tenho muitos pacientes para hoje.

E agora? Como é que Tezuka ia falar que Nakamura não havia sido convidado?

O mais jovem mexeu no óculos, e procurou qualquer ponto da cozinha para olha, que não fosse os olhos verdes de Akihiko. Que naquele momento estavam fixos em Tezuka.

Ele arregaçou a manga da camisa, e começou a lavar a louça em silêncio.

— Akihiko, eu... – Pensou em como falar, mas não havia outra forma, senão falar de uma vez por todas. As vezes Kunimitsu não media suas palavras e acabava magoando Nakamura, o que fazia ele também ficar triste.

— Tudo bem, acho que entendi. – ele disse com uma voz de derrota. Tezuka sentiu-se culpado. Pôs a mão no ombro de Akihiko e depois se aproximou, até apoiar o queixo na curva do pescoço de Nakamura, que estava um pouco curvado na pia. Tezuka o abraçou, entrelaçando os dedos na frente do corpo de Nakamura, que estava já com a camisa molhada, como sempre ficava quando lavava a louça. Parecia uma criança.

— Me desculpe. Eu não quero mais ir nesse almoço, prefiro ir com você naquele restaurante perto da estação de trem. Lembra?

Era o restaurante que eles costumavam almoçar quando dava, depois das aulas, na época em que Tezuka ainda frequentava a Seishun Gakuen. Aquele lugar passou a ser especial para os dois. Era onde ficavam bastante tempo conversando, se conhecendo melhor, mesmo depois que Tezuka saiu do colégio. Sempre que dava, iam la. E já fazia alguns meses que não davam as caras pelo restaurante. A última vez, foi quando Tezuka decidiu aceitar a proposta de Nakamura, em se mudar para o apartamento.

— Você que ir lá? – Perguntou Akihiko com uma voz manhosa.

— Sim, nos encontramos na estação. – Tezuka beijou o pescoço de Nakamura, deixando-o todo animado. Não foi exatamente de propósito, era para o beijo ser no rosto, mas Nakamura ainda era um pouco mais alto e se mexeu na hora. – Akihiko, eu tenho que ir.

Tezuka afastou as mãos molhadas de Nakamura, e saiu, antes que fosse tarde demais.

Como disse, precisava comprar o presente. Não era muito bom nessas coisas, mas achou que uma caixa de chocolates era o mais adequado no momento. Naturalmente a colega de sala dele ficou muito agradecida, mais até do que o próprio Tezuka imaginava ser. No final da aula, Kaede aproximou-se de Tezuka, um pouco constrangida. Ela queria saber porque ele não iria em seu almoço de aniversário.

Tezuka pouco, ou quase nunca, falava sobre sua vida pessoal. Ele sempre foi muito discreto e não era depois de mais velho, e morando com alguém, que essa situação iria mudar. Resumindo, Kaede não estava por dentro da vida pessoal de Tezuka. Ela era mais uma das tantas garotas que o conhecia e se apaixonava, mas que não passava dessas paixonites platônicas.

Geralmente sequer haviam declarações, e se alguma mais corajosa tentava é claro que Nakamura estava la para defender seu território.

Sem entrar em detalhes, Tezuka disse apenas que tinha alguns trabalhos extras para fazer e também iniciar seu trabalho final. Kaede ficou triste, mas anotou o número de seu telefone numa folha do caderno, rasgando-o depois e entregando para Tezuka, em seguida, deu-lhe um beijo no rosto e saiu rapidamente.

É, sempre tinham as abusadas. Tezuka dobrou o papel e colocou dentro da calça, ele ajeitou a mochila nas costas e olhou a hora, estava em cima da hora marcada com Nakamura, mas não ia precisar ir muito longe para encontrar com ele. Assim que atravessou a rua, reconheceu o carro estacionado.

— Achei que fossemos nos encontrar na estação.

— Sim. Mas eu pensei que você fosse gostar de uma surpresa. – Nakamura saiu do carro, com uma cara nada agradável. – Só que eu não sabia que você estava ocupado.

Tezuka olhou na direção em que havia conversado com Kaede, ela já não estava mais la, óbvio, e nem imaginava que estava sendo vigiado. E também tinha essa desconfiança toda. Tezuka sentia-se totalmente ofendido.

Ele não assumiu o amor que sente por Akihiko, para toda a família e amigos próximos, para simplesmente jogar tudo para o alto por causa de uma outra pessoa. Não seria justo com seus sentimentos, com os de Nakamura. Não fazia sentido. Só tinha algum sentido na cabeça doente de Akihiko.

— Porque estava me vigiando?

— Não estava vigiando você. Só cheguei na hora certa.

— Hora certa de que? – Tezuka arqueou a sobrancelha. – Eu não tenho nada a esconder.

— Tem certeza? E quanto a mim? Aquela garota sabe que você mora comigo? – Nakamura ficou um pouquinho descontrolado, ou bastante. Ele tinha medo de perder Tezuka, mas era mesmo um medo bobo, porque Kunimitsu o amava de verdade.

— Akihiko eu não vou ficar aqui na rua falando sobre um assunto particular, que não tem qualquer motivo concreto. Eu vou para casa. – Tezuka caminhou na direção da estação de metrô, ignorando os pedidos de Nakamura para voltar.

Eles nunca haviam brigado, nada muito sério. Apenas bobagens de casal, como a toalha molhada em cima da cama, o tubo de pasta de dente sem tampa escorrendo no suporte para escovas, cabelo no ralo. Aliás, muitos cabelos, e eram longos e negros. Ou seja, de Tezuka que não era.

Tezuka não era esse tipo de pessoa que discutia em voz alta, ou que brigava. Ele preferia conversar, e se visse que essa alternativa não fosse surtir efeito, como agora, Kunimitsu preferia ficar quieto, sozinho.

Foi dar uma volta na cidade e acabou encontrando-se com Kaidoh. Eles conversaram um pouco e isso acabou numa partida de tênis. Quando olhou as horas, já era mais de sete. Costumava estar esse horário em casa para jantar com Akihiko, mas, espera. Eles estavam brigados, então não precisava ir correndo para casa. Não é?

Ele ainda ficou enrolando um pouco na frente da porta do apartamento, até entrar de uma vez. Não sabia o que esperar, porque não sabia mesmo como Akihiko iria reagir. Talvez estivesse ainda zangado. Tezuka não queria brigar, mas durante o caminho de volta para casa, ensaiou varias vezes algumas frases para poder usar, e também, como a imaginação das pessoas voa longe, ele foi um pouco mais dramático e achou que Nakamura irritado deve ter saído para beber com os amigos, que Tezuka já havia sentido muito ciumes antes.

É. Nessas horas nossa cabeça acaba sendo o pior vilão.

Só que ao contrário disso tudo, Tezuka encontrou o apartamento bem arrumado. O sofá organizado com as almofadas que ele comprou, a mesa posta para um jantar, que pelas velas, parecia ter sido bem caprichado. E além de outros detalhes bobos que ele foi reparando conforme ia para a cozinha. O lugar não era muito grande, mas as revistas e os objetos de Nakamura espalhados por todo canto, deixava-o ainda menor.

Nakamura estava na cozinha, vestido com um avental, e experimentando um molho para o macarrão que preparou. Nada de congelados.

— Chegou bem na hora. – ele deixou a colher de pau sobre a panela, e limpou a mão no avental. – Vou abrir um vinho. Vai beber comigo não é? Já que não vai jogar.

Nakamura pegou o vinho da pequena adega que ficava no cantinho da cozinha, era pequena mesmo porque só tinha espaço para quatro garrafas. Ele rodopiou a garrafa na mão, que quase caiu no chão. Tezuka achou graça, e Nakamura passou a mão nos cabelos bem amarrados para não cai nenhum fio de cabelo na comida.

— Precisamos conversar. – Disse Tezuka, deixando Akihiko todo travado. Esse tipo de afirmação congela as pessoas.

— Eu sei, eu sei. – Ele respondeu, o que não era uma pergunta. – Vamos jantar primeiro? Fiz tudo do jeito que você gosta.

— Acho melhor conversar antes. – Tezuka parecia bem certo do que queria, e Nakamura aceitou isso.

— Tudo bem. Vou tirar meu uniforme de cozinheiro, se quiser beber algo, me fala.

— Eu vou tomar um banho, porque joguei tênis, depois conversamos. – Tezuka foi para o quarto e guardou suas coisas no armário, percebeu que o ambiente estava bem arrumado também, não havia toalha em cima da cama, e como sentiu o cheiro de shampoo vindo dos cabelos de Nakamura, ele tinha tomado um banho recentemente. A cama estava bem feita e o banheiro impecável. Tezuka ficou feliz por ele parecer se importar com esses detalhes, era um sinal de que estava querendo melhorar. Não queria mudá-lo, porque o amava da forma que era. Mas não da para conviver com alguém assim tão diferente de você. Se bem que, Tezuka era uma exceção a regra. Ele era muito organizado, num nível extremo.

Após o banho, a roupa dele estava arrumada sobre a cama. Tezuka se vestiu e penteou os cabelos. O cheirinho bom que vinha da cozinha despertou a fome que ele nem estava sentindo antes. A barriga roncou, mas precisava ser firme e continuar com o que havia combinado.

Nakamura estava sentado no sofá, com uma taça de vinho na mão, ele pediu desculpas por começar sozinho, porque estava ansioso. Levantou-se e abaixou o volume do aparelho de som que tocava um CD da banda Owl City, banda que Tezuka já conhecia muito bem, por ser uma das favoritas do fisioterapeuta.

— Então? Vamos conversar. – ele pousou a taça de vinho sobre a mesa de jantar. Tezuka deu uma olhada, e depois o cheiro do macarrão invadiu suas narinas, deixando-o ainda mais faminto.

Nakamura estava com os cabelos negros soltos, e o avental foi bem dobrado e posto sobre a pia da cozinha, que foi limpa no tempo em que Tezuka tomava banho.

— Eu pensei bastante enquanto jogava essa tarde.

— Também pensei bastante. – Akihiko começou a falar, e logo ficou quieto imitando fechar a boca com uma chave e jogando-a fora. Assim deixando Kunimitsu falar o que pretendia.

— Akihiko, eu estou sendo muito feliz aqui com você, é uma mudança e tanto na minha vida. Mas tem coisas que eu não sei lidar muito bem ainda. Não tenho experiência de outros relacionamentos como você deve ter.

Nakamura tencionou em dizer alguma coisa, mas lembrou-se que tinha trancado a boca e jogado a chave fora, ele mexeu as mãos e continuou ouvindo. Tezuka girou os olhos, porque ele podia falar, só faltava ter que caçar a chave pela sala.

— Eu também sinto ciúmes de você, e sei que as vezes o ciúmes nos deixa um pouco descontrolados. – Akihiko fez uma careta, dando uma risadinha espertinha e sarcástica. Tezuka não conseguia distinguir qual era. – Ok, ok. Eu não me descontrolo. Mas também sinto ciúmes.

Nakamura afirmou com a cabeça.

— Pode falar também. – Tezuka pediu, mas Nakamura apontou para a boca. – O que? – Novamente, apontou para a boca e para o chão. – Tá de brincadeira, não é? Eu não vou ajudar você a procurar a chave. Ela nem existe.

Akihiko suplicou juntando as mãos, e Tezuka girou os olhos, não acreditando que ia mesmo fingir procurar uma chave que sequer existia. Mas eles se abaixaram na sala, e depois de brincar de caçar a chave, Nakamura mostrou para ele a chave imaginaria, abrindo a boca trancada.

— Uffa. Achei que não ia mais poder falar. – ele disse aliviado.

— Claro. – Tezuka se levantou, sentindo-se bobo por aquela cena, enquanto Nakamura se divertia.

— Me desculpe por ter sido tão idiota essa tarde. Eu fiquei doido quando vi aquela garota te dar um beijo daqueles.

— Não exagera. Foi um beijo no rosto, eu mal senti.

— Mas do carro parecia que ela estava te atacando. – Akihiko deu um passo a frente, ficando bem perto de Tezuka. – Eu não quero nunca mais brigar com você, Tezuka-kun. – Ele sorriu, abraçando o mais jovem. – Passei a tarde apavorado, achando que você ia entrar por aquela porta pedindo a separação. Ou fosse ficar la com aquela garota sem graça.

Tezuka achou as duas possibilidades horríveis, e muito difíceis de ocorrer. Mas ficou feliz por saber que Nakamura pensava da mesma forma que ele. Aquele medo por dentro. De perder quem se ama, e a cabeça inventar mil e uma armadilha.

Eles se beijaram longamente, e Nakamura o abraçou até tirá-lo do chão, apertando sua cintura, beijando o pescoço de Tezuka e mordiscando a orelha.

— Essa foi oficialmente nossa primeira briga. – O fisioterapeuta sussurrou ao pé do ouvido de Tezuka. – Sabe o que isso significa?

— Que nunca mais vamos brigar?

Nakamura riu, jogando a cabeça para trás e depois voltando, até encostar a ponta do nariz no de Tezuka.

— Não, seu bobo. Nós temos que fazer as pazes.

— Achei que essa conversa serviu para isso.

Nakamura respirou fundo, relaxando os ombros. – Tezuka, não estraga o clima.

— Desculpa.

— Não pede desculpas também.

Tezuka ia abrir a boca para pedir desculpas, mas ficou quieto. Estava com fome ainda, ouviu outro ronco, e dessa vez Nakamura também ouviu.

— Vamos ter que adiar o ritual de fazer as pazes para jantar? – ele estava até pensando em levar Tezuka pelos braços até a cama, mas não conseguia ser malvado com o rapaz. Tinha um coração mole mesmo. – Vamos jantar então. Temos bastante tempo para as pazes.

— Eu acho que vou aceitar agora aquele vinho. – Tezuka sentou a mesa, aguardando a refeição que Nakamura estava trazendo.

— Oba! Ainda bem, porque assim eu não preciso usar meus dotes especiais para fazer você beber um pouquinho.

— Só vou acompanhá-lo, não quer dizer muita coisa. Não crie expectativas.

— Tarde demais, eu já estou pensando longe.

— E o que está pensando? – Tezuka bebeu um pouco do vinho, só para experimentar.

— Quer mesmo que eu conte, na mesa do jantar? – Akihiko deu um sorriso safado e Tezuka pediu para ele não continuar.

— Se estamos bebendo hoje, bem que você podia me fazer um agrado. – Nakamura puxou mais a cadeira para perto de Tezuka, ficando do lado dele, assim podia falar bem pertinho do ouvido.

— Depende do agrado, o que seria?

— Você sabe. Aquilo que eu gosto de ouvir. – ele piscou os olhos devagar, bebendo o vinho e depois passou a taça para Tezuka que também bebeu.

— Não é hora para isso.

— Poxa, só um pouquinho, vai?

Tezuka olhou bem para os olhos de Nakamura, era impossível mesmo resistir a ele?

— Sensei para, com isso. – Tezuka sentiu o rosto arder de vergonha, com o olhar que recebeu, ao fazer a vontade de Nakamura, e chamá-lo de sensei. As vezes era constrangedor, mas as vezes saía automaticamente da sua boca, em certas ocasiões.

— Tezuka-kun, vamos jantar de uma vez, por favor. Akihiko encheu o prato dos dois e Tezuka estava começando a achar que não era bem fome que ele sentia no momento.

Notas finais
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