Primavera dos sentimentos

1 Expresso dos sentimentos


Notas iniciais
Quem é vivo sempre aparece!

Naturalmente, gosto muito deste shipp ( que muitos consideram deveras problemático), mas nunca tive a devida coragem de começar a escrever. Mas o que a gente não faz para presentear uma amiga, não é? Esta one é dedicada completamente a @Ambre, que merece tudo de bom e do melhor!

Claro, não foi betado, por isso pode ocorrer de ter alguns erros, mas prometo que assim que possível, tentarei corrigí-los, certo?

Primavera dos sentimentos.

Aquilo que provamos quando estamos apaixonados talvez seja o nosso estado normal. O amor mostra ao homem como é que ele deveria ser sempre.

Anton Tchekhov

Querido, Midoriya.

Provavelmente você deve estar achando que esta carta é uma pegadinha; admito, que em seu lugar, pensaria o mesmo, em primeiro lugar. Mas não, é realmente Katsuki Bakugou que está escrevendo essa carta. Exatamente a última pessoa que você poderia pensar. Posso não demonstrar este meu lado para os outros, mas sempre detive de uma grande facilidade para escrever, principalmente passar sentimentos por meio delas. Pessoalmente, sou o tipo de pessoa rude, grosseira e sem escrúpulos. Aquele tipo de pessoa que sempre age completamente diferente do que afirma, isto é um fato irrefutável.

Sei que, mesmo aos poucos, estou mudando, em um longo processo de amadurecimento. Comparado ao que eu era antes da academia, podemos dizer que tive uma incrível melhora. Nunca que admitirei isso em voz alta, sou orgulhoso demais. Provavelmente, você deve estar pensando que estou escrevendo uma carta individualmente para todos próximos a mim, aos meus colegas e, principalmente, aos professores, mas não. Estou escrevendo unicamente esta carta para você, Midoriya. Pode taxar essa atitude estranha, curiosa e fora do normal. Ainda não sou capaz de escrever uma carta para outra pessoa, além de você, é um nível que ainda não cheguei e espero não tardar a chegar.

Antes de chegar no que eu realmente gostaria de dizer, por meio de palavras, por meio de um pedaço de papel – que felizmente, se puder reparar, passei um pouco de perfume e dei uma caprichada ao escolhê-lo. – e por meio de tudo que me envolve, tenho muita coisa a dizer. Felizmente, você é o ponto principal para esta mudança na minha vida. Não vou mentir, dizendo que você, Midoriya, é a razão para essa tentativa de mudar, melhorar; porque não é, nunca vai ser. Esta vontade surgiu a partir de diversas particularidades, claro, você tem um marco maior, entretanto, não posso desmerecer outros motivos que englobam esta mudança.

É estranho admitir isso, independente de ser por carta; mas eu agradeço muito a você. Nós conhecemos desde moleques e, mesmo que não queira admitir, te fiz passar por mal bocados, apenas por querer demonstrar poder diante dos mais fracos. Hoje em dia, percebo que minhas atitudes foram extremamente erradas, estúpidas, imaturas e infantis. E, acredite ou não, admiro-te. Admiro-lhe, Midoriya, pela sua capacidade de perdoar todos os meus erros e manter-se firme diante dos seus ideais.

Ok, pare de pensar que isso realmente é uma pegadinha ou que o Kirishima obrigou-me a escrever isso. Estou escrevendo por vontade própria.

Bem, você sabe como eu sou; um garoto difícil de se lidar. Muita das vezes, acabo perdendo o controle e digo coisas sem pensar. Vivo mal humorado pelos cantos e dificilmente enfio um sorriso na cara, porque para mim, é mais difícil do que parece. Tenho a mania de dizer palavras rudes e grossas, sempre dizendo que não faria tal ação, mas sem perceber, sou o primeiro a fazê-lo. Não demonstro facilmente sentimentos, porque considero uma fraqueza – e em todos esses meses na academia, entendi que sentimentos não são fraquezas –, mesmo sendo um dos mais transparentes da sala. Mais teimoso que uma mula, sempre tentando resolver as coisas na mão antes da conversa.

Mesmo assim, todos da sala me aceitaram; principalmente você. Izuku Midoriya, quem imaginaria que tornaríamos tão próximos? Sei que não fui uma das melhores pessoas do mundo e você tinha todas as razões do mundo para desistir de mim, simplesmente me esquecer, tratar-me mal e principalmente, espalhar para todos o que fiz você passar. Mas não, Deku. Você fez muito além disso, foi o primeiro capaz de ver através de mim, da casca dura e impenetrável. Admito, você é uma das pessoas mais fortes que já conheci e peço desculpas por não ter a devida coragem de dizer isso pessoalmente; sou tolo, estúpido e deveras imaturo quando o assunto é você.

Quando passou pela minha cabeça a possibilidade de entrar na academia, nunca pensei que poderia mudar tanto. Nunca pensei que conheceria pessoas maravilhosas, com personalidades tão distintas quanto aparências exóticas. Apenas pensei em tornar-me forte, mais forte até mesmo que do próprio All Might. Pensamentos idiotas, infantis, eu sei, aceito, entendo perfeitamente agora; mas na época, considerava-os a mais pura verdade. Entretanto, Deku, ser herói não é apenas ter força, muito menos ser uma pessoa extremamente carismática; é assim apenas nos livros, filmes. Aprendi com você, com os outros, com os professores, com os vilões, que para ser um herói, é preciso perseverança, confiança em si mesmo e nos próximos, união e o principal de todos, empatia. Arriscamos nossas vidas em prol das pessoas mais fracas, que não são capazes de defender-se sozinhas. Daqueles que diante de seres mais fortes, encontram apenas a mais fria e solitária morte.

Por isso existimos, para dar esperança, perseverança.

Tudo bem, você pode pensar que é estranho saber que sim, sou capaz de pensar desta forma, de enxergar as coisas com maior clareza; mas escrever sempre foi mais fácil para mim, do que demonstrar, falar. Talvez por querer passar a pose de durão, do herói sem fraquezas. Porém, Deku, eu sou recheado de defeitos, que são realçados pelas qualidades que os abraçam. Posso não ser capaz de enxergar todas as minhas qualidades, os defeitos sempre destacaram-se, mas… Agora, aos poucos, sou capaz de enxergar cada um deles. É horrível conseguir admitir isso apenas em uma carta, num pedaço de papel; que provavelmente venha a parar em suas mãos de algum jeito. Acredite, Deku, passei noites em claro, frente ao espelho, tentando, treinando diferentes formas de dizer isso tanto para você, quanto para os outros. Mas isso é um caminho meio andado, certo? De alguma forma, gosto de pensar que isso é um progresso, em vez de um grande retrocesso que até um tempo atrás, percorri.

Ainda tenho muito a que melhorar; não sou o melhor no quesito de cooperatividade, sou grosso e tendo a não me importar nem um pouco com o que as pessoas venham a pensar de mim.

Também não sou muito delicado nas palavras, sempre sendo direto no que quero e no que acho. Grosso sem medida e provavelmente o cara de expressão mais fechada da academia. Ok, ainda tenho em muito a que melhorar, não escondo isso de ninguém! Mas estou tentando, com tudo de mim. É um processo lento, demorado, nem eu entendo o porquê de ser um processo tão longo, árduo; mas nada na vida vem fácil, não foi você mesmo que disse? Tudo vem do mérito da pessoa, de sua capacidade, de seu esforço.

Tenho muito para te dizer, coisas que não caberiam apenas em uma carta, muito menos com apenas um curto e simples diálogo; mas por enquanto, esta é uma parte das coisas que eu desejo que saiba. Provavelmente deve estar chorando que nem um idiota, sensível do jeito que é. E quem sou eu para prever sua reação, não é mesmo? As chances de estar ao seu lado enquanto lê esta carta, são nulas. Sou um completo covarde quando se trata de você, Deku, mesmo que não queria admitir isto em voz alta ou para ninguém, nem mesmo para Kirishima, um dos meus amigos mais próximos.

Hm… Finalmente chegamos no ponto principal desta carta. Sendo sincero, a carta deveria ser muito mais curta do que isto; mas acabou que eu tinha muito mais para dizer do que o esperado. Sim, sou um completo covarde quando trata-se de você e é mais estranho que tudo que já escrevi, admitir isto. Deus, penso seriamente se é uma boa ideia entregar a carta.

Tudo bem, chega de enrolar! EU REALMENTE tenho que colocar para fora;

Eu te amo, Deku. Com todas as minhas forças admito isso, de uma vez. Amo-te tanto que sinto meu sangue ferver pelo mais simples contato. Meu corpo todo treme quando segura minha mão e sorri do jeitinho que só você é capaz. Por dentro, derreto todo quando me chama de Kacchan!, principalmente quando estamos apenas nós dois. Mesmo que você não veja – porque faço questão de virar o rosto – quando meu rosto fica extremamente vermelho, apenas por você fazer questão da minha presença, a coloração avermelhada está ali muito bem presente. Meu peito se aperta cada vez que você acaba ganhando mais um machucado, independente da situação. Sinto meu mundo desabar quando é levado para a enfermaria e quase tenho um treco, quando você inventa de fazer mais uma de suas loucuras – que acabam fazendo-me pensar o quão apaixonado eu sou por você e no quanto, estas atitudes fazem parte de sua essência.

‘’Você tinha tanta coisa que eu não tinha. Eu podia admirar o All Might de longe, mas você sempre esteve por perto. É por isso… que eu sempre…que eu sempre…. Te persegui!’’ fiquei chocado quando ouvi isso sair de sua boca. Meu estômago embrulhou e meus pensamentos voaram longe. Foi um choque de realidade, um choque tão grande… E mesmo que reste dúvidas dentro de você, Deku, eu senti, todo o meu corpo sentiu, cada poro, cada célula. Foi uma sensação estranha, esquisita de primeira. Perdi, mas uma derrota justa.

Um pouco depois, percebi que cada vez que Todoroki chegava perto de você, mais meu corpo incendiava. Mais mal humorado ficava, mais estressado. Tudo um pouco maior fora do habitual. De primeira, percebi que era ciúmes, mas continuo sendo o mesmo cabeça dura de sempre, correto? Enfiei na cabeça que era um ciúme relacionado a amizade, simplesmente isso. Como eu poderia começar a gostar de você? Parecia completamente impossível, uma miragem, ilusão. Porém, minhas reações começaram a ficar mais intensas e, após uma conversa com Kirishima, percebi que tratava-se de amor. Claro que o tapado não percebeu nada, sempre foi distraído, mas é uma das poucas pessoas que posso considerar realmente um amigo.

Sendo sincero, não vou ser que nem essas pessoas extremamente apaixonadas, que todo dia tem uma declaração de amor diferente para fazer. Todo dia tem algo fofo para fazer ou constantemente demonstra o tamanho do amor; não faz parte de mim e você sabe disso melhor do que ninguém. Mas, prometo, do fundo do meu coração, que serei aquele tipo de pessoa que demonstra muito mais com ações, do que palavras, expressões ou presentes. Prometo ser aquele tipo de pessoa que faria de tudo por aquele que ama, independente da situação. E você sabe disso melhor do que ninguém, Deku.

Amo-te e é tão libertador admitir isso! Finalmente revelar sentimentos acumulados, armazenados.

Por isso, independente da sua reação, se serei rejeitado ou não, obrigado, Deku. Obrigado por fazer-me amar-te, por fazer-me apreciar coisas que antes para mim não passariam de estorvos. Por simplesmente ganhar meu coração e fazer-me sentir uma grande mistura de sentimentos e sensações antes nunca experimentadas. Não, não tenho vergonha em assumir tudo isso. Pelo menos isto, tenho certeza que não tenho vergonha de admitir. Claro, caso me rejeite, vai ser difícil olhar todo dia para sua cara, conversar normalmente, mas estou disposto a fazer esse esforço.

Isso me faz lembrar que estamos no começo da primavera. Enquanto você está rindo e divertindo-se com os outros, estou aqui, neste canto mais afastado, debaixo de uma Sakura¹, escrevendo esta carta discretamente, para assim que puder, enfiá-la na sua mochila, para que leia assim que chegar em casa. Sabe o que mais acho engraçado, nesta situação toda? A forma que nas primeiras oportunidades olha para mim, tenta ser discreto, mas convenhamos que é péssimo nisto. Tenta descobrir o que diabos estou fazendo afastado de todos, encolhido, com os olhos grudados em um pedaço de papel, as mãos mexendo em um ritmo frenético, com precisão, certeza e firmeza. É, talvez este seu olhar seja um dos motivos do meu coração palpitar por você, justamente você. É fofo a forma como fica intrigado, sendo capaz até mesmo de esquecer completamente dos outros. Sinto, de alguma forma, que cederá a curiosidade e aproximar-se; mas quando este momento chegar, a carta estará terminada.

É, eu sei perfeitamente que é um péssimo momento para escrever uma carta; mas é que olhar para ti, enquanto as Sakuras florescem, encheu-me de uma inspiração tão grande, que sabia, senti; era minha única chance para demonstrar meus sentimentos.

Izuku Midoriya, para mim, você é como as estações do ano, tendo como foco principal, a primavera; és tão intenso e empolgado que nem o verão; simples e de olhares expressivos como o outono; recheado de abraços e sorrisos calorosos, como inverno; frágil, verdadeiro e praticamente perfeito – ao menos, nos meus olhos – como a primavera. Amado e apreciado como está estação. Mesmo que a primavera vá e venha, para mim, todos os dias, independente da época do ano, da data, da estação, você sempre será a junção de todas as estações, uma junção tão perfeita que eu custo a acreditar que alguém assim é capaz de realmente existir.

Não precisa dar-me uma resposta rápida, imediata – mas se quiser, eu SUPER ACEITO – como sei que é capaz e fazer. Tenha todo o tempo que precisar – só não MUITO TEMPO, pelo amor de Deus. – para pensar sobre e tomar uma decisão – se for ruim, MANDA UMA CARTA, não diz pessoalmente. Se quiser até uma mensagem, aceito numa boa. – que respeitarei – talvez não durma por uma semana. – e compreenderei.

Porque, Deku…. Você é como uma grande cerejeira que preenche a minha primavera.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!