Primavera

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Espero que gostem!

"Flores são flores
Vivas num jardim
Pessoas são boas
Já nascem assim
Flores são flores
Colhidas sem dó
Por alguém que ama
E não quer ficar só" — Cazuza

POV Felicity

A primavera enfim tinha chegada e com ela havia trazido uma infinidade de flores e cores por todos os jardins do país. Eu como florista almejava e amava essa época do ano, não só porque era nesse período que minha floricultura era mais visitada, mas também por eu ser apaixonada pro flores desde pequena.

Sou Felicity Smoak e tenho uma floricultura chamada Felicity Flores que está vivendo a sua melhor época de comércio. Eu amava estar rodeada de flores durante o dia e quando eu conseguir abrir minha própria floricultura foi uma grande realização.

Por essa ser minha estação favorita, eu costumava toda segunda entregar uma flor a todas as pessoas que passassem pelo parque que ficava na frente da minha loja pela noite. Todo o mundo sabe que segundas nunca são fáceis, então eu tento sempre deixa ela um pouco mais agradáveis. Durante três anos eu já consegui arrancar vários sorrisos e agradecimentos de pessoas que não estavam tento um bom dia.

— Bom dia Felicity — Diz Sra. Clark entrando na loja

Mirian Clark é um senhora que toda semana vem comprar flores aqui na loja, foi uma das minhas primeiras clientes e é ainda hoje permanece sendo uma das mais fies.

— Bom dia — Digo sorrindo — Barry ajude a Senhora Clark com as flores.

Barry Allen é meu irmão. Seu pai é casado com a minha mãe desde que eu tenho 7 anos e o Barry 9, crescemos juntos e sempre fomos muito ligados. Quando decidir abrir a floricultura Barry me apoiou de primeira. Ele não trabalha aqui, pelo menos não realmente, porém hoje Roy, meu ajudante e amigo, não pode vir então ele veio me dar uma força.

Depois de um dia corrido com muitas entregas, alguns eventos agendados e muitas visitas para comprar flores, enfim é o momento mais esperado por mim durante todo dia. Hoje é segunda, dia de entregar flores no parque da cidade.

Ajeito tudo na floricultura e me despeço de Barry que já está indo embora. Vou nos fundos da loja e pego flores de todos os tipos. Cada flor tem sua característica própria, seu cheiro único, seu significado e isso sempre me encantou em relação as elas.

Depois de conferir os alarmes da loja e se tudo estava no lugar eu pego minha cesta de flores e vou para o parque. Assim que chego começo a rodar pelo local e observo o movimento das pessoas. Alguns casais andam de mãos dadas, algumas crianças ainda brincam no parque sobre o atento de seus familiares ou babás.

— Quais flores nós temos hoje tia Felicity? — Diz Lily uma garotinha que sempre está no parque enquanto eu entrego flores

— Hum... Vamos ver o temos o que temo hoje para você — Digo sorrindo enquanto observo minha cesta. — Que tal uma Áster?

— E o que ela significa tia? — Diz ela com os olhos brilhando e já com a flor na mão

— Ela representa lealdade, sabedoria e luz — Digo sorrindo

Lily agradece pela flor e sai correndo pelo parque para mostrar a mais nova flor que ganhou para sua mãe. Continuo a caminhar pelo local e entregando as flores. Sempre achei que tenho um tipo de intuição para entrega-las. Na maior parte das vezes eu acerto o tipo de flor que a pessoa está precisando.

Andando pelo parque encontro casais apaixonados e entrego um cravo branco para o amor puro; encontro idosos e entrego iris pela sabedoria e valor; encontro poetas e pintores e entrego um bromélia para transmitir inspiração; cruzo com pessoas tristes e entrego gerânio como significado de ultrapassar as dificuldades.

E como de costume, depois de dar várias voltas pelo parque e ver sorrisos e receber agradecimentos eu vou sentar no meu habitual banco. Já eram por volta das 19:20 da noite e eu via as pessoas saindo aos poucos em direção as suas casas. Sinto um brisa leve balançar meus cabelos soltos quando noto alguém sentado do meu lado.

Um homem que aparentava ter máximo seus 30 anos, trajando um terno muito elegante, cabelos loiros e olhos zuis preocupados. Ele possuía um expressão de cansaço e posso até arriscar dizer seu olhar trazia um pouco de tristeza.

Abri minha boca para falar algo mas fecho logo em seguida. Um lado meu queria ti falar algo, porém o outro lado mais racional me deixava com um pé atrás. Se ele veio ao parque é porque queria ficar um tempo sozinho, quem era eu para interromper os devaneios de um mente conturbada? "A pessoa que entrega flores até para os pássaros!" gritou a minha consciência. Mas antes que eu pudesse falar alguma coisa o estranho exclamou me causando um pequeno susto.

— Por que uma hora está ruim e em menos de 12 horas tudo vira de cabeça para baixo e fica ainda pior? — Falou suspirando

— Como? — Pergunto meio sem jeito

— Desculpe. — Ele suspira mais uma vez — Acho que te assustei, eu só... deixe pra lá. Desculpe mais uma vez.

— Não precisa se desculpar tanto — Falo sorrindo levemente — Todos nos temos dias ruins. Dizem que desabafar com um amigo pode deixar a vida mais leve — Falo sugestiva.

— Não quero ser arrogante, mas nem ao menos nos conhecemos — Ele fala me olhando no olhos

— Não seja por isso — Falo me virando completamente para ele — Meu nome é Felicity Smoak, nasci em Vegas, tenho 27 anos e tenho uma floricultura aqui do outro lado da rua e você?

Ele me observa por alguns segundos com aqueles olhos azuis brilhantes e penetrantes, por fim ele sorri para mim e começa.

— Eu sou Oliver Queen, tenho 28 anos, sou daqui mesmo e dirijo a empresa da minha família.

— Temos aqui um homem de negócios? — Falo fazendo graça

— Sim, porém também temos um mulher de negócios aqui — Ele fala entrando na brincadeira

— Podemos dizer que sim — Falo orgulhosa me lembrando da minha floricultura.

— E senhora Smoak não tem medo de passar informações sobre si mesma em um parque a noite para um estranho? — Ele pergunta curioso

— Pensei que a gente não era mais estranhos

— Você entendeu o que eu quis dizer — Ele solta um mínima risada

— Digamos que não seja uma coisa que eu faça com frequência, porém seus olhos estavam praticamente implorando para me conhecer. — Falo brincando

Quando termino minha frase vejo Oliver solta uma deliciosa gargalhada, que me faz rir também. Pra quem estiver vendo de fora deve ser uma cena um tanto engraçada, duas pessoas rindo como se não houvesse amanhã em um banco de praça. Devem pensar que somos dois bêbados. Quando acabamos nossa cômica cena ficamos em silencio sem saber o que falar, quando enfim eu me lembro o que nos levou de início a começar uma coversa.

— Então Mr Queen me diga o que tanto te afligia em uma noite de segunda? — Digo puxando a atenção dele para mim

— Não por favor, Mr Queen é o meu pai — Ele fala fazendo um careta engraçado — Oliver apenas Oliver.

— Ok então, Oliver apenas Oliver, responda minha pergunta — Falo mais me arrependo momentos depois quando eu vejo a expressão dele mudar drasticamente

— Não foi um dia fácil — Ele az um pausa — Minha irmã mais nova sofreu um acidente de carro hoje, e esses meses tem sido uma loucura na minha empresa, os acionistas estão me pressionando, meus pais decidiram viajar para um segunda lua de mel e eu não sei o que fazer com essa irresponsabilidade de Thea.

— Thea é sua irmã mais nova? — Pergunto suavemente

— É sim — Fala ele baixo — Minha inconsequente e mimada irmã mais nova.

— E ela está bem? — Pergunto

— Esta, a batida não foi tão grave mais poderia ter sido. Apesar disso ela está com alguns arranhões e um braço quebrado. Alguma dica de como lidar com uma garota que mal saiu da adolescência e já acha que o mundo todo está aos pés dela?

— Bom, um choque de realidade as vezes é bom — Digo balançando os ombros — E afinal, todos tivemos um época meio rebelde. Eu mesmo pintei meus cabelos de preto e coloquei piercing.

— Sério isso? — Ele ri um pouco aliviando a tensão dos seus ombros

— Bom digamos que foi uma época um pouco dark da minha vida — Falo rindo — Mas passou e ficaram lembranças, umas boas outras nem tanto, porém me fizeram ser quem eu sou hoje e eu me orgulho disso.

— É, vendo por esse lado minhas maluquices também mudaram meu jeito de ver o mundo — Ele fala olhando nos meus olhos — Só espero que a Thea caia na real antes de causar um estrago maior.

— Converse com ela, talvez tenha alguma coisa a afligindo — Falo tocando seu ombro — E lembre-se, sempre existirão momentos difíceis durante nossa vida, tente tirar o melhor deles.

— Obrigado pela dica Felicity — Fala olhando nos meus olhos intensamente

Seu olhar dentro do meu olhar me deixa um tanto quanto nervosa, meu coração acelera e sinto minha boca ficar meio seca.

— Me fale você agora o que te trouxe a esse parque em uma noite de segunda? — Fala restaurando minha sanidade

— Bom — Respiro fundo acalmando as batidas do meu coração — Como você já sabe eu tenho uma floricultura, e todas as segundas vejo no parque entregar flores para as pessoas.

— Pessoas aleatórias? — Fala ele curioso

— Digamos que sim. Eu sempre gostei muito de flores e adoro os seus significados, então eu venho toda semana e entrego para pessoas que cruzam comigo para fazer o dia delas um pouco mais leve e com um pequeno toque floral.

— A cada minuto que passamos aqui nesse parque você me surpreende mais. Felicity Smoak você sem dúvidas, é uma pessoal notável.

— Obrigada por notar — Falo sem jeito com a bochechas adquirindo um tom avermelhado

Abaixo uma pouco a cabeça tentando esconder a sensação de timidez que cresce no estomago e é denunciada no meu rosto, mas sinto a mão de Oliver segurar meu queixo trazendo meu rosto para cima e me obrigando a encarar seus lindos olhos.

— Foi um prazer indescritível te conhecer Felicity — Ele diz alisando de leve meu rosto

— Digo mesmo Oliver — Falo baixinho

— Se me permite — Ele fala e eu concordo com a cabeça e como uma despedida ele da uma beijo da bochecha

E nesse momento o relógio que fica no meio do parque toca anunciando que já são 20:00h. Nos levantamos, trocamos um leve olhar de despedida e ele segue na direção oposta a minha.

Nesse momento eu olho pra cesta na minha mão e uma ideia brilhante surge na minha cabeça e eu não consigo me controlar.

— Oliver — Grito fazendo ele se virar para mim — Tenho uma coisa para você

Ele olha curioso e se aproxima, eu sorrio timidamente e retiro da minha cesta dois tipos diferente de flores e entrego a ele.

— A brancas são flores de amendoeira elas representão esperança e despertar, é para sua irmã. Para você eu ofereço a flor do amor-eterno — Falo meio sem jeito pelo seu olhar sugestivo — Ela representa o recordar, para você não esquecer da moça estranha que entrega flores no parque.

Ele balança a cabeça negativamente com o sorriso mais brilhante que eu vi a noite toda.

— Nem se eu quisesse Felicity, e leve em consideração que eu não quero, eu conseguiria esquecer de você. — Ele fala sinceramente

— Adeus Oliver — Falo sentindo todo meu corpo reagir ao seu sorriso

— Até logo Felicity.

Com isso cada um segue seu caminho, e eu repasso toda a noite em minha cabeça enquanto eu dirijo até minha casa. Depois de comer um pedaço de pizza que tinha na minha geladeira, eu tomo um banho e escovo os dentes e enfim deito na cama. Meu último pensamento da noite termina sendo um estranho, que agora não é tão estranho assim.

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Passadas duas segundas eu não tinha visto mais Oliver. Tudo estava normal e mesmo tendo passado tão pouco tempo com meu estranho favorito, eu sentia uma imensa falta dele.

Era uma quinta e Roy estava atendendo um homem que estava comprando algumas flores para sua esposa. Eu estava de costas para a entrada da loja arrumando alguns buques que foram encomendados quando eu ouço a porta entrada abrindo e alguns sussurros.

— Vai falar com ela — Ouço uma voz feminina

— Você precisa manter a calma Thea — Fala uma voz conhecida

Mesmo estando um pouco curiosa para saber se era mesmo que eu pensava eu precisava terminar o laço daquele bique antes de me virar. No momento em que eu o finalizo ouço a voz que tanto quis escutar novamente durante essas duas semanas e faz toda minha pele se arrepiar.

— Felicity Smoak — Me viro imediatamente — Oi, eu sou Oliver Queen.

— Olá estanho — Falo me aproximando da bancada

— Pensei que a gente não mais estranhos — Ele fala me fazendo lembrar do nosso encontro no parque semana passada

Sorrimos cúmplices um para o outro e ficamos nos olhando. Pelo canto do olho consigo ver Roy e Thea nos observando. Eu contei pra Roy sobre ter conhecido Oliver no parque, e pelo visto ele se acertou com a irmã que contou para ela também.

— Então Felicity — Ele fala — Estou querendo chamar um garota para sair comigo, mas o problema é que ela é especialista em flores, ela sabe nome, significado, tudo, então eu preciso de uma flor que signifique um pouco da nossa pequena, mas marcante história.

Sinto todo meu corpo se aquecer quando noto que ele fala de mim.

— Me conte um pouco sobre vocês — Falo sentindo minha voz querendo falhar pela pequena emoção.

— Eu a conheci no parque algumas semanas, e ela foi a primeira pessoa em meses a conseguir arrancar um sorriso verdadeiro de mim, ela é loira e possui os olho azuis mais lindos que eu já em toda minha vida e ela sabe como ninguém, da um conselho.

— Lírios laranja talvez, eles representam atração, fascínio. Pelo que você disse não foi um sentimento planejado mas foi arrebatador

— Você não sabe como

— Pode ter certeza, eu sei sim.

Pego um bom punhado de lírios e os embalo. Entrego nas mão do Oliver e ele paga em seguida. Soltando um dos seus lindos sorrisos ele se despede com um até logo e sai da loja. Abaixo a cabeça tentando controlar minha respiração mas falho miseravelmente.

— Felicity certo? — Fala Thea chegando na minha frente e eu aceno um sim a cabeça incapaz de falar — Ele está te esperando no parque.

Agradeço e retiro meu avental com um rapidez de da inveja. Olho rapidamente para Roy que sorri para mim. Saio da loja como um raio e corro para o parque. De longe eu o reconheço sentado no mesmo banco.

— Felicity — Ele sorri e se levanta vindo em minha direção — Que prazer te encontrar, eu estava mesmo planejando ir atrás de você.

— Estava é? — Falo entrando na brincadeira — E posso saber o motivo?

— É claro. Preciso te fazer um pergunta

— Faça — Digo tentando controlar minha emoção na voz

— A duas semanas eu te conheci aqui nesse mesmo lugar, você com toda sua delicadeza disse que mesmo em momentos difíceis era importante tirar o melhor deles. Eu estava vivendo um época terrível Felicity e você apareceu com toda sua luz e me fez enxergar que tudo na vida tem solução. Pode parecer um pouco dramático e fora de contexto por nos conhecermos a tão pouco tempo, mas eu precisa deixar claro para você como eu me sinto.

— Enfim Felicity, eu queria saber se você gostaria de sair comigo?

Percebo no seu olhar um pequeno toque de apreensão, ele parecia ter ensaiado muito isso e ao mesmo tempo ter improvisado sendo levado pelo sentimento. Era um pergunta rápida, mas que poderia mudar toda minha vida dependendo da resposta. Tantas possibilidades e vertentes cercam essa pergunta. Meu corpo todo formiga e meu sorriso mal cabe no rosto e então eu enfim me jogo nesse penhasco de possibilidades.

— Sim, eu adoraria sair com ver.

Notas finais
Então o que acharam?
Comentem e me digam a opinião de vocês!
Beijos e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!