Prig Stígur- A Atrevida
10 Refúgio?
Notas iniciais

A casa de Breu não deveria ser chamada de casa para começo de história afinal estamos no começo dessa parte da história (N/A: *cof cof* piada infame *cof cof*), o lugar parecia irradiar uma escuridão própria, uma aura melancólica e ao mesmo tempo voraz inundava o local, deixando Prig mais solta do que o normal, era quase uma droga, um ar de liberdade pairava, mas nenhum raio de luz existia, exceto por algumas velas ou luminárias escassas pelo local.
Lá não tinha cozinha, então a morena ia todos os dias para a padaria, nada como começar o dia com um assalto matinal, além da comida que sempre pegava ela ainda agarrava um copo de café amargo e algumas rosquinhas para seu anfitrião já que ele nunca respondia a pergunta clássica da ladra "o que quer que eu roube?", ele se limitava a continuar estudando o globo e sacudir a cabeça.
Ah sim, o globo, uma respresentação do planeta, só que cinza e sem contorno nos oceanos, só os continentes eram mostrados, neles vários pontos luminosos brlhavam, Prig achava aquilo uma luz agradável, ela lia com aquela luz, não tinha mais nada pra fazer, só roubar de manhã e ler o resto do dia...
A morena havia acabado de chegar da padaria, empilhava as sacolas e cestas, hoje ela jantaria algo bom e composto de algo mais do que pão e alguma coisa, não, ela queria comida de verdade, deixou tudo em uma mesinha de canto que não ficava no canto, a "casa" estava uma bagunça, livros espalhados, restos de refeições nas mesinhas e anotações voando por conta da brisa que entrava sorrateira, a moça suspirou e deixou toda a comida nova organizada em uma tentativa de mesa de jantar, se adiantou à guardar os livros, subia escadas, escorregava, se esticava, arrumava o cabelo e agitava uma cauda intrometida que insistia em aparecer vez ou outra.
Posso ter esquecido de mencionar que ela estava em sua influência de gato Bombain, e com a forma vinha a roupa, o vestido preto rendado, as luvas também rendadas, botas delicadas da mesma cor e uma fita preta no pescoço, na ponta da fita um rubi se posicionava com sua coloração de sangue fresco, as orelhas pequnas e pretas se agitavam em qualquer movimentação e a fina cauda sustentava um laço na ponta e se agitava ocasionalmente, Prig não ligou, nunca ligava para suas transformações, simplesmente terminou de guardar os livros.
Em um piscar de olhos estava empilhando pratos para um canto (ela precisava realmente roubar um lava louças), depois pulava e girava, corria e virava, perseguia as anotações voadoras freneticamente, em um momento não prestou atenção no que estava à sua frente e trombou com Breu, acabando por derrubá-lo e caindo por cima, ela corou violentamente e tentou se levantar enquanto ele se limitava a sorrir e observar as tentativas envergonhadas de sua hóspede:
–Você realmente anda atrapalhada- Breu observou sorrindo, ela pareceu corar ainda mais
–Não sou atrapalhada, só azarada- Ela falou não o olhando nos olhos
–Essa forma sempre foi minha favorita- Ele disse quando ela finalmente levantou
–Por que?- Ela perguntou colocando a mão displicente na cintura enquanto ele também levantava
–Sinto muito, nada de explicações- Ele respondeu sorrindo e voltando a estudar o globo, Prig bufou e o abraçou por trás
–Você só fica olhando esse maldito globo- Ela falou em um tom entendiado- Eu fico escanteada com os livros
–Hum- Breu murmurou sem prestar a mínima atenção na moça que o largou e se afastou praguejando
–Veja! Jack Frost está atacando!- Ela gritou fingindo desespero, o mestre dos pesadelos permaneceu imóvel fazendo a morena urrar de raiva- Zumbis estão invadindo, os guardiões descobriram o plano- Ela falava entediada enquanto desabava em uma poltrona e balançava as pernas- Modelos de biquíni?- Ela tentou novamente sem sucesso, soltou um longo arquejo e fechou os olhos
Formas geométricas dançavam em sua cabeça, ela ouviu um farfalhar e entreabriu os olhos quase morrendo de susto em seguida, Breu a encarava perto o suficiente para sentir sua respiração bater contra seu rosto, ela arregalou ainda mais os olhos:
–Você está lou..- Ela começou, mas ele a interrompeu sem cerimônia
–O que você disse antes de eu te assustar?
–... Modelos de biquíni?- Ela perguntou erguendo uma sobrancelha não acreditando
–Não- Ele falou contendo uma gargalhada- Antes disso
–Hum... Os guardiões descobriram o plano- Ela falou coçando o queixo
–Você é um gênio Prig!- Breu disse a puxando para um abraço, ela permaneceu estática enquanto era sacudida como uma boneca de pano
–Oi? Eu perdi uma parte, tenho certeza
–Ah sim, os guardiões vão concluir que você está comigo quando virem sua casa vazia e ouvirem Jack falar alguma coisa idiota, fora que nenhum deles é seu fã- Ele completou arqueando uma sobrancelha
–Ha ha, muito engraçado Breu- Ela falou se afastando e cruzando os braços- E o que propõe?
–Você vai ser meu fantoche- Ele falou como se fosse óbvio- Vai enganá-los e...- Ele parou ao perceber finalmente que Prig o deixaria se seguisse o plano
–E?- Ela perguntou bocejando e se esticando, até sua cauda sacudiu violentamente enquanto se espriguiçava
–Você vai ter que ficar do lado deles- Ele falou desviando o olhar e mantendo o foco nas palavras
–Mas a parte divertida vai ficar só pra você
–Não é pra sempre
–Hunf- Ela falou empinando o nariz de forma infantil e cruzando os braços
–Só até eles caírem direitinho na isca- Ele falou mansamente e se aproximou da moça que suspirou
–Tudo bem, mas só porquê vai ser engraçado ver a cara deles- Ela falou virando e encarando o mestre dos pesadelos- Mas fora isso não vejo vantagem
–Eu também não gosto desse plano, de abrir mão de você...- Ele falou a beijando rapidamente
–Eu não sou uma posse para você abrir mão- Ela exclamou falsamente ofendida
A conversa poderia ter sido maior, com maiores floreios e gracejos, mas nada impediria o que se seguiu, Breu puxou sua interlocutora e a beijou longamente, não foi doce ou delicado, foi voraz como a escuridão que os cercava, foi violento como a queda de Prig anteriormente, os dois se separaram o suficiente para tomar fôlego, Breu abaixou uma das mangas do vestido da morena e sorriu como um psicopata, ela piscou e agarrou as barras do sobretudo de seu amante, Breu ficou sem seu sobretudo em um piscar de olhos, o vestido de Prig demorou um pouco mais por conta da renda que o cobria, ela já não estava mais de luvas ou de sapatos.
O mestre dos pesadelos atacou o pescoço da moça que sorriu e enterrou os dedos nos cabelos negros de seu "agressor", ela o empurrou em um dos sofás espalhados pela sala e sentou em se colo, ele beijou o vale dos seios daquela, literalmente, felina que pareceu ronronar em seus braços nada mansos. O sutiã era de paradeiro desconhecido, algum lugar entre os livros, certamente. A calça do homem sumiu em vapor negro e ele sorriu com ferocidade para ela que retirava sua última peça:
–Prig Stígur, você é uma ladra cheia de truques- Ele falou em um sussurro em seu ouvido
–Sem preocupações- Ela disse dando de ombros- Tenho sempre tempo para novos truques- Ela completou balançando lentamente a cauda
–Onde está sua ética mocinha?- Ele perguntou a empurrando no chão depois de ter ficado nu
–No mesmo lugar da minha fertilidade- Ela respondeu alterando o tom de voz enquanto era penetrada, soltou um gemido de dor, mas um dor prazerozamente destrutiva- Na terra do nunca
–Tenho certeza que Peter vai cuidar das duas- Breu disse encerrando o assunto enquanto se movimentava já de forma agressiva
Era de fato irônico, uma ladra e um mestre dos pesadelos deitados em uma orgia conjunta, em meio aos livros e à comida já fria, sem esquecer de citar os gemidos altos que ecoavam no silêncio profundo, ou o suor que escorria dos corpos já em êxtase, um frenesi não apaixonado, mas viciante, ao ápice, nenhum dos dois gritou, ela gemeu longamente (na verdade pareceu um miado, mas não fui eu quem falou isso) e ele se limitou a estalar seus dedos para ter sua roupa de volta, enquanto ela tinha que levantar trêmula como uma bêbada pra procurar e vestir cada peça de roupa:
–Você viu meu...- Ela parou ao ver que ele já estava de volta ao estudo do globo, a morena soltou um suspiro, pegou seu vestido e o colocou sem cerimônia- Realmente não vai ser novidade eu ser um fantoche...
–Fantoche- O eco respondeu depressivamente
Prig andou calmamente até a mesa com comida e a virou no chão, toda a comida espatifou no chão provocando uma sujeira imensa, toda a comida... Menos, é claro, o pedaço de bolo de prestígio que a morena havia colocado em outra mesa, ela o agarrou e começou a devorá-lo enquanto rumava para a saída.
Ela caminhou apressada depois de terminar a fatia, o sol começava a nascer no horizonte, ela parou ao ver sua casa no topo das árvores, devia ter fechado a janela, pássaros tomavam o espaço e não eram só gansos, palha e gravetos estavam espalhados pelo chão de madeira, ela bufou, ia matar aqueles pássaros estúpidos, só os gansos podiam partilhar aquela casa com ela. Pelo menos lá não era silencioso, o piar, grasnar e cantar do resto de habitantes era uma confusão bem vinda aos ouvidos da ladra que sorria quando o ar gelado penetrou o cômodo, ela virou-se e abriu ainda mais o sorriso:
–Ora, a quem devo a honra de ser irritada logo de manhã?- Perguntou divertida em um tom sarcástico
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