Naquela noite Elisabeta fez questão de ir para o seu quarto antes que as irmãs pudessem fazer qualquer pergunta. Recolheu-se mais cedo do que Jane, evitando assim que qualquer uma delas pudesse conversar sobre Darcy. Mas as Benedito tinham muito em comum, por isso Elisabeta não ficou surpresa ao encontrar três de suas irmãs em seu quarto, tão logo acordou.

— Conte-nos tudo. – Mariana pediu, com um sorriso, sentando ao pé da cama da irmã.

— Por favor! – Jane suplicou.

— Queremos saber tudo! – Cecília juntou-se a elas.

— Não há nada para saber. – Elisabeta revirou os olhos. – Não sei do que estão falando.

— De Darcy. – Mariana bufou.

— Lorde inglês, dois metros de altura. – Cecília sorriu.

— Olhos claros, sorriso charmoso. – Jane suspirou.

— E que não tirava os olhos de você. – Mariana completou.

— Ora, que bobagem. Eu e Darcy somos... moramos na mesma casa, ele é meu chefe.

— E é por isso que implicam um com o outro o tempo todo? – gargalhou Cecília.

— Ou que ficou tão furiosa ao nos ver bajular Darcy? – Mariana ergueu a sobrancelha.

— Parem de completar as frases uma da outra. – Elisabeta irritou-se, levantando da cama. – Não há nada entre nós.

— É claro que há! – Jane a seguiu pelo pequeno quarto. – Nunca a vimos assim, Elisa.

— Não estou de jeito nenhum. – negou.

— Está apaixonada por Darcy. – Mariana perdeu a paciência. – E pelo que vimos naquela sala, as coisas vão mal. Ou vão bem?

— Não é nada disso, Mariana. – Elisabeta bufou. – Nós apenas nos beijamos algumas vezes, não foi nada demais.

— Eu sabia! – Cecília vibrou. – Nos conte!

— Não há mais o que contar. – Elisabeta sentou-se na cama de Jane. – Darcy e eu nos odiamos quase todo o tempo.

— Pelo visto não é exatamente ódio. – Jane bateu palmas. – Talvez devessem se beijar mais.

— Como é beijar um homem como Darcy? – Mariana perguntou, curiosa. – Ele parece experiente.

— Bom, é... – Elisabeta encarou as próprias mãos. – É assustador.

— Assustador? – Jane perguntou confusa.

— Sim, é... intenso. Parece que tudo a minha volta está em chamas, e que nada mais faz sentido.

— Isso é amor, Elisa. – Cecília suspirou.

— Não! Cecília, pare. Não é nada demais, nós nunca conversamos sobre isso.

— Mas me parece que precisam conversar. – Mariana se aproximou de Elisabeta, a puxando para um abraço. – Eu sei que você não gosta de falar sobre seus sentimentos, mas ontem nos pareceu que você precisa falar.

— Eu não posso falar sobre algo que não entendo. – Elisabeta sorriu, triste. – As coisas com Darcy são complicadas...

— O importante é você saber que estaremos aqui quando você quiser conversar. – Jane também se aproximou, abraçando a irmã.

— E não se preocupe, tudo dará certo. – Cecília foi a última a ser incluída no abraço.

Elisabeta abraçou as irmãs, sem dizer nada. A verdade é que todos aqueles sentimentos a assustavam, mas estava feliz de finalmente não carregá-los sozinha. Era bom saber que poderia conversar sobre Darcy com suas irmãs, quando estivesse pronta.

##

Os dias passaram rapidamente no Vale do Café. Elisabeta recebia visitas diariamente, e quando ia ao centro da cidade encontrava ainda mais conhecidos. Estava genuinamente feliz de estar novamente em sua terra natal. Adorava sua vida em São Paulo, mas ansiava pelo ar puro, simpatia das pessoas, pelo cheiro de sua terra natal.

Vira Darcy em poucas oportunidades naquela semana, sempre de forma muito breve. Ele estava de saída quando Elisabeta visitara Lorde Williamson dias antes, e não passara mais do que o tempo de um café quando estivera na casa dos Benedito para buscar Charlotte.

Sentia a falta dele. Darcy dominava seus pensamentos e agora entrava em seus sonhos, sem aviso prévio. Acostumara-se à presença dele, aos beijos, ao corpo dele aquecendo o seu durante algumas madrugadas. E encontra-lo parecia tornar tudo ainda mais real, expor ainda mais a necessidade que tinha.

Pensava nisso agora, ao vê-lo entrar na Casa de Chá. O terno alinhado, a gravata impecavelmente no lugar, seus cabelos penteados. Mas o olhar dele escureceu ao vê-la, fazendo com que Elisabeta sentisse seu corpo responder à presença dele.

Não demorou para que Darcy notasse que Elisabeta não estava sozinha. Tomava um café com Edmundo, Rômulo e Cecília. O encontro havia sido ao acaso, e não demorou para que Elisabeta percebesse o interesse de Cecília e Rômulo um no outro. Por isso sugerira que sentassem no estabelecimento de Dona Ágatha

Darcy se aproximou em passos lentos, com um sorriso enigmático no rosto. Elisabeta respirou fundo ao vê-lo parar ao lado dela, o perfume dele tomando conta do ambiente, fazendo com que ela precisasse se conter para não levantar-se e jogar-se em seus braços, esquecendo de todos à volta deles.

— Boa tarde. – ele os cumprimentou, seu olhar passeando pela mesa e voltando à Elisabeta.

— Darcy! – Cecília sorriu. – Que bom vê-lo. O que faz por aqui?

— Cecília. – Darcy também sorriu. – Estou fazendo hora para uma reunião. Senhores, acredito que não os conheça.

— Ora, que cabeça a minha. – Elisabeta finalmente voltou a si, tirando os olhos de Darcy. – Darcy, estes são Edmundo e Rômulo. Rapazes, este é Darcy, filho do Lorde Williamson.

Darcy a encarou curioso, antes de cumprimentar os dois homens, claramente mais jovens que ele. Propositalmente apertou um pouco mais forte a mão de Edmundo, fazendo o rapaz estranhar.

— Já ouvi falar muito de seu pai. – Edmundo disse. – É um bom homem, apesar de levar nossa Elisabeta para longe. – fez uma careta, fazendo Elisabeta rir.

— Foi uma escolha minha, Edmundo. – ela piscou, voltando a atenção para Darcy, que a observava com atenção.

— Bom, vou deixá-los a sós. – Darcy disse, um pouco contrariado, apesar do sorriso impecável. – Acredito que tem muitos assuntos para colocar em dia. Com licença.

Ele trocou um último olhar com Elisabeta, sem dizer nada. Respirou fundo ao virar as costas para a mesa, procurando um lugar para sentar. De preferência um lugar onde não pudesse observar a interação de Elisabeta e Edmundo. Sabia que não fazia sentido ficar incomodado com aquilo, mas tudo nela o incomodava nos últimos dias.

Não faria uma cena de ciúmes. Não tenha esse direito e nem tinha motivos. Elisabeta tinha amigos. Era normal que tivesse. Mas era a incerteza daquela relação que o incomodava. Não sabia o que era para ela, ou o que ela era para ele. E nos últimos dias, em meio ao Vale do Café, sentia-se sufocado por Elisabeta.

Cada centímetro daquele lugar remetia à ela. O vento, o sol, as pessoas. Cada um que encontrava na rua falava sobre Elisabeta, contava histórias a respeito dela. Falavam sobre a alegria da oportunidade que seu pai oferecera. Do quanto Elisabeta sempre fora muito maior do que o Vale do Café. E os moradores da região tinham orgulho de quem ela se tornara.

Era comum que falassem sobre suas colunas, sobre seu crescimento, sobre a mulher que se tornara. E aos poucos Darcy percebia quem ela era de verdade. O quanto estivera equivocado ao pensar que ela fosse capaz de se aproximar de seu pai por qualquer motivo que não fosse genuíno.

Mas ali ela também não era dele. Era de sua família, dos momentos em que passava com as pessoas de sua infância. Não havia tempo para ele, não havia espaço. E era o que o fazia questionar se não estavam fadados aos momentos roubados, à loucura esporádica.

Por isso controlou-se ao sentar-se perto da janela. Poderia observar Elisabeta e Edmundo, se quisesse. Mas não queria. Não queria correr o risco de vislumbrar aquela Elisabeta que não poderia ter. De perceber que ali era incapaz de ter sua atenção. De que no Vale do Café não havia espaço para ele, apenas para Edmundos ou Rômulos.

Mas evitar olhar não tornou seus ouvidos fechados, e a cada vez que ouvia a risada de Elisabeta, sentia-se um pouco mais vazio.

##

O dia seguinte veio com um novo jantar na casa dos Williamson. E não levou mais do que alguns segundos para Elisabeta notar a estranheza de Darcy. Ele permanecia educado, participando de todas as conversas, mas parecia fechado. Não era hostil com nenhum de seus familiares, muito menos com ela, mas também não era o seu normal.

E foi o suficiente para que ela o observasse mais do que o costume. Buscasse seu olhar, dirigisse a ele alguns comentários sarcásticos, algumas alfinetadas, sem maiores resultados. A cada tentativa sua, Darcy a encarava com uma nuvem nos olhos, sorria de lado, sem realmente sorrir.

Elisabeta estava perdida. Aos poucos sentiu o coração ficar mais apertado, mais pesado, e não havia nada que desejasse mais do que ficar sozinha com Darcy. Queria conversar com ele, perguntar o que havia acontecido. Seria possível que aquela fosse uma reação à vê-la com Edmundo?

Mas Darcy não deu a ela a oportunidade de questionar. Tão logo o jantar terminou, despediu-se de todos, contente pela presença de Camilo Bittencourt no Vale do Café, e partiu para encontrar o amigo. E todo o resto do jantar de repente pareceu sem propósito.

##

Era uma rotina para as irmãs Benedito as conversas até a madrugada. Reuniam-se em algum dos quartos depois que Felisberto e Ofélia recolhiam-se, e dividiam seus sonhos, histórias, amores. Quase sempre levavam os colchões e cobertas para o chão e muitas vezes dormiam todas juntas.

Mas naquela noite Elisabeta queria ficar sozinha. Podia ouvir os risos abafados das quatro irmãs, mas os papeis eram seus companheiros naquela noite. Precisava pensar, e não fazia isso de forma melhor do que quando escrevia seus pensamentos, ou qualquer coisa que viesse à sua mente.

E sem que percebesse iniciou uma coluna sobre o Vale do Café, seus habitantes e histórias. Seus olhos já estavam cansados e a pouca luz do quarto já incomodava sua visão, e o avançado da hora já se fazia notar. Ao menos até que uma batida na janela a tirou de seus pensamentos, assustando-a.

Mas não ficou menos assustada ao ver Darcy Williamson de pé, a encarando com olhos confusos.

— O que está fazendo acordada? – ele disse, em voz baixa.

— O que? – Elisabeta levantou-se, andando em direção à janela. – Eu é que pergunto! O que está fazendo aqui?

Darcy não deixou que Elisabeta se aproximasse mais, tomando impulso e passando pela janela com certa dificuldade.

— Você está louco? – Elisabeta bufou.

— Pensei em passar aqui e ver você dormir. – ele coçou a cabeça. – Pareceu uma boa ideia.

— Foi uma péssima ideia!

Elisabeta de repente notou os olhos mais vermelhos dele, o hálito um pouco mais alcoolico.

— Você está bêbado? – cruzou os braços.

— É claro que não! – ele negou, revirando os olhos. – Só bebi um pouco com Camilo.

— O que é que você está fazendo aqui? – Elisabeta questionou novamente.

— Eu já disse, queria ver você. Não achei que estaria acordada.

— É muito estranho observar alguém dormir. – ela reclamou.

— Não seria a primeira vez. – Darcy deu de ombros.

— Você poderia ter me observado durante o jantar. Mas apenas me ignorou. – Elisabeta ergueu a sobrancelha.

— Eu não ignorei você. Só não tinha o que dizer. – ele desviou o olhar.

— E agora tem?

— Não. – Darcy abriu um sorriso de lado. – Já disse, não achei que estaria acordada.

Os dois ficaram em silêncio por alguns instantes, seus olhos em qualquer lugar, menos nos do outro.

— Onde está Jane? Achei que dividiam o quarto. – ele perguntou, em voz baixa.

— Está no quarto de Cecília e Mariana. – respondeu, simplesmente.

Mas naquele momento o olhar dela encontrou o dele, e foi como se a energia mudasse de repente. Darcy finalmente notou os cabelos completamente soltos, sem qualquer penteado, a camisola fina. Elisabeta sorriu ao ver o desalinho dele, a gravata frouxa, camisa aberta.

Deixaram as palavras de lado quando ela se aproximou em passos rápidos e jogou-se nos braços dele, como quisera fazer por tantos dias. O cheiro da colônia misturado com qualquer bebida cara, os braços fortes de Darcy passando em volta de seu corpo e a puxando para ele.

Seus lábios se encontraram de súbito, as bocas abertas, ansiosas. Darcy a dominou por completo, tomando a boca de Elisabeta em um beijo apaixonado, saudoso. Os braços dela passaram pelo pescoço dele, agarrando-se, deixando que fosse dele a tarefa de mantê-la em pé.

Ele segurou os cabelos dela com força, expondo seu pescoço, a boca buscando aquela curva que tanto gostava. Foi com dentes e língua, sugando a pele sensível, fazendo com que Elisabeta precisasse esconder seu rosto no pescoço dele, evitando qualquer som mais alto do que o ambiente permitia.

Darcy puxou a alça da camisola de Elisabeta para baixo, expondo seu colo. As mãos rapidamente buscaram os botões da vestimenta, desalinhando-a por completo. Voltou a beijá-la, enquanto Elisabeta retirava sua gravata, terminava de desabotoar a camisa branca. Os dias separados faziam deles urgentes, incapazes de ter calma.

Mas Elisabeta o empurrou de repente, para desespero de Darcy. Sua camisa já estava completamente aberta, a camisola dela já deixava quase escapar um dos seios. Grunhiu frustrado ao vê-la se afastar, procurando forças para deixa-la. Respirou aliviado, porém, ao ouvir o som da chave girando na porta.

Elisabeta encostou-se na porta, o encarando com expressão travessa. E Darcy não precisou de nenhum estímulo a mais para encurralar Elisabeta naquele espaço. Suas mãos ansiosas despindo-a rapidamente, a boca já procurando um dos seios. Em poucos segundos ele a ergueu, apoiando-a na porta, sugando a pele, enquanto ela puxava seus cabelos.

Sua camisa foi ao chão, e Darcy a segurou com uma mão apenas, a outra desabotoando rapidamente suas calças, despindo-se sem jeito ou capricho. Mas tão logo estava livre sua boca voltou à dela, os sapatos retirados de qualquer maneira, engolindo o riso de Elisabeta em beijos.

Afundou-se nela rapidamente, causando um suspiro de alívio nos dois. Mas cada movimento contra a porta fazia a madeira ranger, fazendo os dois rirem, impedindo o que queriam. De qualquer jeito Darcy caminhou até a cama, deitando-se por cima dela, escondendo-se na curva do pescoço de Elisabeta ao notar que era ainda mais barulhento.

E não podia arriscar, a realidade de estar na casa dos pais de Elisabeta, com eles e suas irmãs a poucos metros de distância assustando-os e ao mesmo tempo aumentando a adrenalina. Seus corpos precisavam um do outro, e não havia mais volta. E por isso ele não deu escolha à Elisabeta quando a puxou novamente, e deitou-a no pequeno tapete ao lado da cama.

Sorriram aos primeiros movimentos, quando finalmente tudo era silêncio, a não ser suas respirações descompassadas, o barulho de seus próprios corpos. E então Darcy a beijou, e a amou com a intensidade que precisavam, que mereciam. Era finalmente parte da vida dela no Vale do Café. Era finalmente dela.

E os dois fingiram não notar quando algumas palavras começaram a escapar. Quando ele a chamou de linda, ou ela o chamou de meu. Quando em meio ao amor Elisabeta confessou que sentia a falta dele, e Darcy pediu para que ela não ficasse longe.

Mas engoliram novamente as palavras que imploravam para sair. E antes que o sol pudesse brilhar, Darcy estava novamente na Fazenda dos Williamson.

Notas finais
Oi, gente! Não costumo fazer notas aos finais dos capítulos, mas notei que quase nunca respondo aos comentários, e queria aproveitar para agradecer à todas as pessoas que acompanham essa história. Pride é o meu xodózinho, e fico imensamente feliz com cada nova visualização, cada elogio, cada vez que vocês se envolvem com essa história e vibram com esses personagens. Fico sempre surpresa com as proporções que Pride vem tomando, com os novos leitores que chegam, com o crescimento dos números, e nada disso seria possível sem vocês. Quero deixar um agradecimento especial para o Squad, que palpita, participa, lê as coisas em primeira mão. E nesse capítulo em especial quero agradecer à Mi, que foi mentora da invasão do quarto. Muito obrigada, gente. Sigam acompanhando, ainda tem bastante Pride and Passion por vir!