Pride and Joy

22 Capítulo 22


Notas iniciais
N/A: Bom. Aqui está. Não me odeiem pelas atitudes do Sasuke. Todos nos sabemos o quanto ele é afetado pela raiva no mangá, e é isso que eu quero retratar. Eu sei o quanto vocês gostam dele, mas entendam que tudo tem um propósito nessa fanfic. Quero que vocês tenham em mente que eu não tenho a mínima intenção de transformar nenhum personagem como um ser perfeito, nem mesmo o Itachi ou o Naruto. São todos extremamente humanos, passíveis de fraquezas e limitações.
Apenas para constatar...
[N/A (15/04/2012): Capítulo corrigido/revisado]

PRIDE AND JOY


_ Sasuke!

O moreno virou para trás abruptamente ao ouvir um derrapar de pneus e seu nome ser chamado em alto e bom som. De um carro esportivo, provavelmente de edição limitada de colecionador, saia o loiro barulhento. Ele sorria, seus olhos brilhavam e, inegavelmente, estava muito satisfeito e sentindo que estaria cumprindo um objetivo.

_ Sasuke! — ele tornou a repetir, correndo para mais próximo do amigo. Sasuke estava parado, olhando com as feições frias e indecifráveis para o loiro, mas este não parecia perceber a mudança brusca de comportamento do amigo, estava feliz demais em tê-lo encontrado para se prender à pormenores.

_ Não chegue perto. — ordenou em um tom de voz que fez o loiro parar, deixando o sorriso sumir de sua face. Reparou, finalmente, nas diferenças do Sasuke de uma semana atrás para este agora à sua frente. Estava tudo muito claro, qualquer tolo que soubesse o conteúdo do diário saberia interpretar as atitudes do moreno àquele momento.

_ Então... Você já sabe de tudo. — Naruto respondeu sério, encarando Sasuke de maneira firme. Os olhos do moreno se estreitarem de leve, mas nada mais demonstrou a raiva iminente do moreno além do seu tom de voz encoberto de rispidez.

_ Você já sabia e nunca me contou. — constatou, cuspindo veneno em cada sílaba. Naruto mordeu o lábio inferior, pensando alguns segundos em uma resposta para dar. Mas antes que pudesse falar algo, Sasuke caminhava em sua direção com as mãos fechadas em punhos ao lado do corpo, que tremiam levemente.

_ O... Que...? — Naruto respondeu, sentindo medo do moreno pela primeira vez. Aquele não parecia o Sasuke de sempre, o seu melhor amigo. Parecia uma versão tenebrosa do mesmo, como se todas as coisas boas que o moreno possuía anteriormente houvessem sido sugadas de seu corpo, remanescendo apenas as ruins. Piscou varias vezes, tentando recobrar a compostura antes de pigarrear e falar em tom alto, Sasuke nunca parando de caminhar – Sasuke, eu soube pouco antes de você e eu ia contar mas Itachi...

_ Não. Ouse. Pronunciar. Esse. Nome. — o moreno sibilou, chegando próximo o suficiente do loiro para puxá-lo pela gola da camisa, levantando-o a sua altura, fazendo com que Naruto tivesse que se apoiar na ponta dos pés para manter contato com o chão. Assustou-se, os olhos arregalaram-se ainda mais, fechou e abriu a boca diversas vezes na tentativa de formular alguma palavra, qualquer coisa, que fizesse Sasuke voltar a si. A boca do Uchiha caçula se contorceu em um sorriso de canto de boca sádico, não provocador como geralmente o era quando direcionado a Itachi, mas sim extremamente perigoso. Naruto engoliu em seco – Vocês achavam que eu ia ouvir toda aquela merda e ficar quieto? Não! Ou melhor: Que eu iria abraçá-los e agradecer por tudo?

_ Nós só esperávamos um pouco de bom senso Sasuke... — Naruto se arrependeu de suas simples palavras assim que sentiu o impacto em seu estomago. Incapaz de emitir sequer um som de dor, caiu de joelhos assim que Sasuke soltou sua gola, abraçando o abdômen dolorido e sentindo extrema dificuldade em respirar.

_ Não sei qual dos dois é mais patético: O idiota do meu irmão, por chorar esperando minha condolência, ou você, por sorrir esperando que isso amenizasse a minha raiva. — Sasuke emergiu a mão direita nos cachos loiros de Naruto, puxando a cabeça deste para que o encarasse nos olhos. O medo evidente nos olhos azuis só o fez se sentir mais satisfeito ainda – O que foi? Está com medo de mim Usuratonkachi?

Naruto não respondeu prontamente, endurecendo um pouco suas feições. Não deveria ter medo do amigo, nunca, estava ali para criar bom senso na cabeça de Sasuke, e era isso que iria fazer. Respirou profundamente, antes de responder com a voz firme.

_ Meu objetivo aqui é te ajudar, não ter medo de você. Mas se eu tiver que ser um pouco mais brusco pra você me ouvir, serei sem nenhum problema. — Sasuke gargalhou. O som nada comum fez os cabelos da nuca de Naruto se arrepiarem, mas ele manteve o olhar firme. Eventualmente o moreno se viu obrigado a soltar os cachos loiros e posicionar os dois braços na altura do abdômen, contorcendo-se na tentativa de controlar a risada. O loiro ainda o encarava, sem se mover, esperando a cena perturbadora chegar ao fim.

Após alguns minutos, Sasuke se controlou, ainda rindo de leve enquanto falava, mas com uma expressão nada divertida no rosto.

_ Chega de piadas por hoje, estou com pressa. — Antes que Sasuke pudesse tomar alguma atitude, foi atingido na lateral do rosto pelo punho fechado de Naruto, virando a cabeça devido o impacto. Cuspiu no chão o sangue que acumulava em sua boca, o olhou com raiva para o amigo loiro, que agora se colocava em pé.

_ Eu achei que poderíamos um dia nos entender de outra forma, mas contigo tudo funciona na linguagem dos punhos Sasuke. – o loiro falou, sorrindo novamente, enquanto empurrava o corpo do Uchiha contra o chão, prendendo seus braços e pernas com os próprios membros – E se isso for preciso pra criar um pouco de bom senso na sua cabeça, é isso que farei.

O olhar do Uchiha caçula exibia um semblante avermelhado, um tom na íris que Naruto nunca havia sequer notado nos olhos do amigo. Sasuke, pegando o loiro de surpresa, liberou a perna esquerda, dando uma joelhada nas partes inferiores do corpo acima de si, fazendo o loiro choramingar de dor e rolar para o lado. Cansado desta brincadeira sem graça, enfiou a mão dentro da jaqueta, retirando com velocidade o objeto do embrulho de camurça.

Naruto ainda se retorcia de dor no chão, quando uma sensação nova em sua pele o fez parar de se mover. Algo metálico e gelado encostava-se a sua nuca, empurrando sua cabeça para baixo e impedindo-a se mover, arrepiando todo seu corpo. Qualquer um poderia supor o que se tratava o objeto, sem medo de errar. Era assustadoramente... reconhecível.

_ Sasuke... — sussurrou. Sasuke empurrou ainda mais a arma, fazendo o impacto da pele bronzeada com o cano da pistola tornar-se ainda mais próximo, esquentando a arma outrora gelada.

_ Você quer ser útil, não é Naruto? — Sasuke estava ajoelhado ao seu lado, ele podia sentir o calor do Uchiha próximo ao seu corpo. Na posição em que estava, seria praticamente impossível fugir sem se ferir perigosamente. Ouviu um click de engatilhamento e a voz de Sasuke voltou a ecoar ameaçadoramente – Então me diga qual é a senha do carro.¹

_ Você não ousaria... — Naruto suspirou aliviado quando sentiu a arma se deslocar para longe de sua nuca, apenas para gritar de dor quando sentiu a bala quente perfurou sua coxa, fazendo qualquer som de protesto emitido por sua boca se tornar incoerente. Sasuke girou o corpo do loiro, encarando seus olhos lacrimejantes e colocando o cano da arma extremamente quente na têmpora de Naruto.

_ Eu vou me repetir Uzumaki. Qual é a senha?

O telefone de Naruto começou a tocar, Sasuke tateou o bolso da calça do loiro a procura do aparelho. Encontrando-o, analisou o visor. Era de um numero que o garoto não possuía na agenda, mas o moreno atendeu o telefone assim mesmo.

_ Naruto? Naruto! - a voz de Gaara, levemente ofegante, falava na outra linha. Sasuke sorriu.

_ Olá Gaara, quanto tempo.

_ Sasuke? - Gaara sentiu um arrepio percorrer o corpo ao ouvir a voz arrastada de Sasuke, num tom nada comum. Sasuke, se divertindo com a situação, apertou alguns botões do aparelho telefônico, colocando a ligação no viva voz – Sasuke, onde está o Naruto?

_ Gaara... — Naruto choramingou, ao ouvir a voz do ruivo. Sasuke sorriu mecanicamente com o silêncio advindo do outro lado da linha, um silêncio de compreensão e desespero.

_ Eu ficaria extremamente grato se você colocasse um pouco de bom senso na cabeça da sua putinha, já que obviamente ele acha que possui bom senso de sobra para me emprestar, veja a audácia.

_ Naruto, me escute. — Gaara falava, apertando o aparelho celular de Kakashi em suas mãos com força, quase o destruindo – Fale para Sasuke o que ele quer saber. - tampando o receptor do telefone com a mão, o ruivo virou para Kakashi e moveu os lábios sem emitir som algum: "rastreie a ligação".

Kakashi acenou positivamente com o indicador, abrindo o notebook e digitando com velocidade assim que o programa operacional se iniciou.

_ Eu... eu não posso... argh! — Sasuke deu mais um tiro, desta vez no ombro do loiro, tornando a posicionar o cano da arma na cabeça do rapaz.

_ NARUTO! — Gaara exclamou, ao ouvir o barulho de tiro do outro lado da linha. Kakashi olhou para o ruivo assustado, voltando a digitar assim que ouviu novamente o choramingar do loiro, indicando que ainda não seria tarde.

_ Você sabe o que dizem, não sabe? A terceira tentativa sempre é pra valer Dobe... — Sasuke sussurrou no ouvido do rapaz que chorava tentando não emitir nenhum som, Naruto engolia em seco, mas a dor dos dois tiros e a perda de sangue o faziam ser incapaz de pensar de maneira coerente – Agora me diga, qual é a senha?

_ Naruto! Diga a senha pra ele! — ouviu Gaara gritar do outro lado da linha, desesperado.

_ Mas...

_ DIGA A SENHA! EU ESTOU MANDANDO! — o ruivo voltou a gritar, tentando conter a tremedeira que o fazia quase derrubar o aparelho no chão.

_ Acho que quem tá precisando de bom senso é você... — Sasuke falou, sorrindo de forma cruel e balançando o telefone na frente do rosto de Naruto – Ouça a voz da razão.

_ NARUTO!

_ A... senha... a senha é 54986. — Sasuke sorriu, depositando o telefone no chão ao lado do corpo ensanguentado do loiro, tateando os bolsos deste a procura da chave, que foi encontrada em poucos segundos.

_ E então Gaara! Vamos ver se você é rápido o suficiente? — Sasuke exclamou em tom de divertimento, sorrindo com toda a situação.

_ Naruto onde você está? — Gaara esbravejou tão rapidamente que mal sabia se poderiam identificar no outro lado da linha o que tentava dizer.

_ Eu... — mas o loiro nunca terminou a frase, com um baque de impacto bruto, Gaara soube o que o moreno havia feito. Naruto fora desacordado pelo impacto da base da arma em sua nuca, deitando sobre o próprio sangue e não movendo mais um centímetro.

_ Tsk Tsk tsk... Isso é roubar Gaara. Veja só, você já tem a vantagem da ligação! Ainda quer perguntar pro Naruto? Poxa, assim não brinco mais. — Sasuke gargalhou, se levantando e andando em direção ao carro, colocando a senha e abrindo a porta sem grandes dificuldades.

_ SEU FILHO DA PUTA!

Foi tudo que ouviu do telefone ainda ligado ao lado do corpo inconsciente de Naruto, antes de fechar a porta e acelerar para longe.


(***)


Os olhos pesados de Itachi se recusavam a abrir e enxergar algo dentro daquela escuridão. Respirava ofegantemente e ondas de enjoo invadiam seu interior. Tentou conter a ânsia de vômito, se concentrando nas demais partes de seu corpo.

Seus punhos estavam presos em correntes acima da cabeça, seus pés praticamente não tocavam o chão, estava pendurado em algum local cujas paredes eram frias e cheiravam fortemente a mofo e infiltração. Esforçando-se ao máximo para abrir os olhos, nada enxergou por alguns instantes devido a intensa escuridão. A onda de náuseas o fez fechar os olhos novamente para que tentasse se controlar. O processo foi se repetindo algumas vezes, ate que, acostumados com o escuro, seus olhos focalizaram a porta da cela.

Pois era assim que este local poderia ser descrito: Uma cela.

A porta da cela aparentava ser frágil e de madeira, uma luz considerável emanava de sua fresta, que era grande o suficiente para passar uma mão espalmada. Era irônico uma porta sem qualquer ensejo de segurança, mas depois que o Uchiha ergueu o olhar para analisar suas correntes entendeu o porquê da falta de segurança da porta: era desnecessária.

As correntes eram espessas, grossas com aros soldados e praticamente indestrutíveis, atracadas a uma parede de pedra levemente úmida e encoberta de musgo. Seus punhos sangravam aonde as algemas enferrujadas o prendiam pendurado, devido ao peso da gravidade. O sangue escorria braço a baixo, sujando suas vestes, mas ele não podia se importar mais.

Ainda ofegante, analisava cada centímetro da cela, procurando desesperadamente por uma saída.

_ Eu não me esforçaria tanto procurando uma saída se fosse você, Itachi Uchiha. — uma voz arrastada e sibilante falou do canto do quarto, o olhar do primogênito se direcionou para ele o quanto antes. Era um homem por ele nunca antes visto, possuía uma pele pálida ao ponto de parecer acinzentada, e refletia a pouca luz do ambiente. Seus cabelos eram longos, quase na base da cintura, e encontravam-se soltos. O mais perturbador de toda aparência do indivíduo, porém, eram seus olhos: amarelos e cintilantes. Seriam belos olhos, se não fossem emoldurados pelo rosto de um perfeito predador, o tipo de pessoa que você evitaria ao máximo estar por perto.

O homem estava sentado em uma confortável cadeira de balanço, e inclinava seu corpo para frente e para trás. Segurava uma taça de vinho na mão esquerda e beberricava ora sim, ora não, sem nunca quebrar o contato de olhar com Itachi. Sorria sinistramente.

_ Não vai perguntar quem sou eu? Ou melhor, exigir que seja liberto? — Itachi não respondeu, se controlando novamente para não vomitar. O homem parecia ter percebido as tentativas de retomar o controle de Itachi, pois falou em seguida – Seu enjoo é efeito da ingestão de clorofórmio contido na garrafa de uísque. Fugaku não queria apenas dopá-lo, gostaria que você lembrasse da dor assim que acordasse. Clorofórmio é venenoso se ingerido em grandes quantidades... Mas na quantidade que você tomou, Uchiha, o máximo que pode se causar é queimaduras internas e enjoo.

O homem parou de falar, esperando alguma pergunta, mas Itachi não demonstrava sinal de que desejava falar. Contudo, o homem não parecia se fazer de rogado com a falta de palavras do primogênito, caminhando em sua direção com a taça de vinho ainda em mãos.

_ Meu nome é Orochimaru. Fui contratado por Fugaku Uchiha pra capturá-lo, em troca receberei um pagamento extremamente recompensador... Apesar de que – Orochimaru o olhou dos pés a cabeça, sorrindo ao se aproximar ainda mais do rapaz – eu estou tentando a quase reconsiderar minha oferta e trocar a forma de pagamento.

_ Afaste-se dele Orochimaru. — a voz de Fugaku Uchiha ecoou pela cela, ao mesmo tempo que a porta foi aberta com um baque. Itachi ergueu os olhos para encarar seu pai, encontrando as mesmas feições desprovidas de emoção de sempre. Sentiu o coração bater mais forte devido ao medo e adrenalina: Será que haviam encontrado Sasuke?

_ Uchiha, estive pensando. Esse daqui já passou um pouco da época, mas eu não me incomodaria em levá-lo pro meu acervo pessoal... Não quer você ficar com o Sasuke?

A voz de Orochimaru fez Itachi despertar, encarando os dois homens desesperado. Haviam encontrado Sasuke? Ele precisava sair dali! Precisava salvar seu irmão o quanto antes.

_ Eu vou fingir que não ouvi esse absurdo. Retire-se, preciso conversar a sós com Itachi.

O homem chamado Orochimaru encarou Itachi mais uma vez, antes de sorrir e se retirar rapidamente, levando consigo a taça de vinho e batendo a porta da cela com delicadeza. Itachi, com a cabeça a mil por hora, encarou novamente seu pai. Encontrou um semblante decepcionado no olhar de Fugaku, assim como uma considerável pitada de falta de paciência e ódio.

Sasuke podia ter um dom para interpretar o olhar de Itachi sempre que precisasse, e Itachi possuía o determinado dom quando se tratava de seu progenitor. Era uma questão de... sobrevivência.

_ Devo considerar com seu comportamento passado que recordou do que aconteceu quando era uma criança inútil, não é meu filho?

Silêncio.

Fugaku caminhou lentamente, chegando aos poucos mais próximo de Itachi, enquanto este não se movia, sequer respirava. Encarava-o nos olhos, nenhum dos Uchiha ousando demonstrar fraqueza ao abaixar o olhar. Ficou a centímetros do rosto de seu filho, os olhos estreitando de maneira raivosa, não se incomodando em deixar nebulosa suas emoções para terceiros.

_ Quando?

_ Desde aquela noite, mas no meu intimo eu sempre soube o quão asqueroso você era. — Itachi respondeu rispidamente, controlando a vontade de utilizar a distancia a seu favor e cuspir no rosto de Fugaku. O Uchiha mais velho sorriu.

_ A noite que você choramingou como uma menininha? Ah... Sim... Já faz um bom tempo não faz?

_ Não ouse tocar em mim.

_ Não tenho a mínima vontade de tocar em você, não considerando a existência de Sasuke.

Mencionaram o nome de Sasuke novamente. O cérebro de Itachi voltou a funcionar com pressa: precisava sair de lá, precisava salvar seu irmão!

Itachi sempre soube, desde quando recordou de sua memória, quais eram os reais planos de Fugaku. Assombrar a mente de Sasuke de todas as maneiras possíveis, fazendo o rapaz desejar desesperadamente por uma atenção paterna, por contentar seu pai. Nunca teve certeza se no esse era o plano original, ou se passou a ser com o decorrer do tempo, pois acreditava que Fugaku iria, quando Sasuke estivesse grande o suficiente, tomá-lo para si. O caçula ficaria grato em compelir seu desejo, sobre a vontade extrema de sentir-se, finalmente, útil ao olhar do pai.

Era doentio, mas o plano de Fugaku funcionaria perfeitamente se Itachi não houvesse intervindo, retirando o garoto de seu convívio. Itachi levou Sasuke para longe para salvá-lo, não na esperança de adquirir um relacionamento com ele. Estava disposto a sofrer pelo amor pecaminoso calado, sobre a verdadeira intenção de proteger o sangue de seu sangue. As coisas mudaram decorrente do acaso e da reciprocidade.

_ Onde está Sasuke? — Itachi exigiu, com a voz firme, tentando fazer com que suas pernas não tremessem de receio na expectativa de qual resposta que ouviria. Fugaku se afastou de seu filho, sentando na cadeira de balanço previamente ocupada por Orochimaru.

_ Sasuke está sendo um pouco mais difícil de encontrar do que você. Mas não se preocupe, não vou torturá-lo para que me diga onde ele está... Orochimaru é muito capaz de fazer isso sozinho, tendo em vista que ele precisa encontrar o pagamento dele. — o olhar de Itachi se arregalou, não acreditando no que ouvia. Fugaku sorriu maliciosamente novamente – Ao contrario, filho meu, te deixarei a par de todos os meus planos... Pois depois que você destruiu minha vida, aprendi que a dor física jamais causa os estragos comparados a dor psicológica.

Uma pausa se sucedeu, a respiração de Itachi voltando a se tornar descompassada, as náuseas retornando com força dobrada. Foi obrigado a quebrar o olhar, fechando os olhos com força enquanto gemia de dor em seu estômago. Fugaku recomeçou a falar, ignorando os sons advindos do filho.

_ No fundo, eu sempre soube que Sasuke era filho de Izuna. Não precisava do ridículo sangue que você deixou no desfiladeiro pra confirmar isso. A aparência demonstrava claramente... Os mesmos olhos, os mesmos cabelos rebeldes, pele clara e estatura baixa. A aparência, quanto mais se assemelhava a Madara e Izuna, mais demonstrava o quanto Deus havia sido justo comigo. Extremamente justo. Pois eu não tenho duvidas de que no momento que você matou Madara, Deus destinou que a alma dele se reencontrasse comigo novamente.

_ O que você... — Itachi tentou perguntar, perplexo, mas Fugaku o interrompeu.

_ As atitudes de Sasuke não são semelhantes as atitudes de Izuna. Sasuke pode se parecer com os dois, mas possui o gênio e o talento de Madara. Percebi perfeitamente conforme a criança crescia. O coloquei em diversas situações de testes, e ele sempre mostrou tomar as mesmas decisões que Madara tomaria. Contatei os fatos logo no início da adolescência do garoto, mas preferi não intervir por ora, afinal, descobri quase que conjuntamente a rivalidade que você apresentava. Tentei educá-lo aquela noite, e durante um bom tempo achei que você tinha tomado jeito, se dedicado mais aos estudos e largado essa sua paixão pela alma destinada a mim... Mas você conseguiu me enganar direitinho. Um verdadeiro Uchiha, você realmente é.

Itachi não conseguia acreditar no que ouvia. Fugaku estava louco, mais louco do que ele imaginara. Quem, em sã consciência, criaria um absurdo deste em sua mente?

_ Quando você se foi, Sasuke declinou consideravelmente seu desenvolvimento e começou a agir diferente da natureza de sua verdadeira alma, por desejar acompanhar você. Estávamos tendo problemas, mas nada que não fosse resolvido com o tempo. Infelizmente você retornou, trazendo consigo todo esse... incômodo. — inspirou profundamente algumas vezes, tentando manter a calma e continuar a falar. Itachi estava pasmo a um ponto que sequer sentia mais a dor física — Orochimaru pediu Sasuke como pagamento. A cobra possui uma grande rede de tráfico sexual, exporta pra toda a Europa. Depois de ver uma foto de Sasuke e acreditar que eu o odiava, fez a proposta e eu aceitei, assim ele trabalharia com mais afinco. Dizia que Sasuke valeria milhões, e eu acho que preço nenhum pagaria o que ele significa pra mim. Orochimaru estará morto assim que Sasuke adentrar a cela, naturalmente.

Fugaku andou novamente, chegando próximo de seu filho e forçando-o a olhá-lo nos olhos novamente, levantando seu rosto com o dedo indicador.

_ Me surpreende Orochimaru ter considerado refazer a oferta, levando você ao invés de Sasuke, tendo em vista o lixo que você se torna ao parecer cada vez mais com Mikoto.

Itachi, não mais conseguindo conter sua raiva, cuspiu com força no rosto de Fugaku, recebendo um soco forte no estômago, fazendo-o cuspir sangue, agora em direção ao seus pés, o trajeto do sangue fez sua garganta arder em brasa. Fugaku recomeçou a falar como se nada houvesse acontecido.

_ Não consigo compreender como meu próprio filho pode ter causado tanto problema, mas isso não mais importa. Sasuke logo estará aqui, e o plano recomeçará. Em pouco tempo trarei senso na cabeça do rapaz, não importa o quanto você a tenha corrompido.

_ Nunca... — Itachi falou para seus pés em voz fraca e baixa, tentando respirar forte e fazer a dor diminuir.

_ O que disse? — perguntou levemente interessado, erguendo o queixo de Itachi novamente com o indicador.

_ Sasuke... Nunca cairá neste plano lunático.

Fugaku gargalhou alto, demorando uns bons instantes para se controlar novamente. A risada ainda ecoava na câmara escura quando ele recomeçou a falar, um tom de chacota evidente em seu tom.

_ Ora, é mesmo? Por quê? Porque ele te ama? Não seja ridículo! Onde ele estava quando você foi capturado? Eu sei muito bem que vocês estavam... juntos... nos últimos tempos, tive o infortúnio de adquirir essa informação. Mas sei que isso não basta do desespero da alma de Madara procurando a minha, encontrando em você vestígios do meu talento. Mas não importa Itachi, não importa o quanto você se esforce, você nunca será melhor que eu.

_ Você... é doente.

Fugaku caminhou em direção a porta, andando sem pressa alguma, respiração descompassada de Itachi que ainda ecoava pelo recinto.

_ Você permanecerá vivo até que Sasuke chegue ao bom senso. Você verá de camarote minha volta gloriosa, e Sasuke estará presente ao meu lado neste dia. E, se este assim desejar, poderá ser ele quem irá retirar sua vida... Seria extremamente apropriado.

Com suas últimas palavras, Fugaku bateu a porta ruidosamente, deixando Itachi e seus pensamentos para traz, jamais observando as lágrimas de fúria molharem o piso frio da cela.


(***)


Seus olhos abriram subitamente, cintilando a luz da lua que iluminava o quarto de hospital. A primeira coisa que avistou foram desconhecidos cabelos esbranquiçados, um homem o olhava de maneira cautelosa, percebendo que este havia acordado. Apesar da gola extremamente alta da blusa de lã impedir qualquer observação de sua boca, Naruto soube que o homem sorria pela visão dos olhos do mesmo.

_ Yo!

_ Argh!

O loiro tentou empurrar o estranho para longe de si, mas foi imobilizado pelos braços ao se debater. O homem, soltando um dos braços de Naruto e colocando um dos dedos à altura da boca, pedindo silêncio, direcionou o olhar para o colo do rapaz, e pela primeira vez Naruto criou consciência o suficiente para perceber onde estava, e na companhia de quem.

Os sons ambiente, familiares, ecoavam no cômodo de paredes brancas. Uma agulha espetava-lhe a pele, e soro era introduzido em suas veias. Seu corpo estava dolorido ao extremo e envolto de grossas faixas curativas que o impediam, mesmo se conseguisse nas condições de dor em que se encontrava, de se mover. Acompanhou o olhar do estranho, e percebeu que na altura de sua barriga estava deitado uma pessoa conhecida.

Gaara estava parcialmente sentado em uma cadeira próxima a cama de hospital de Naruto, porém aparentava ter caído no sono em algum momento da noite, seu corpo debruçado sobre a barriga do amigo. Ressonava em paz, e abraçava o corpo do loiro inconscientemente.

_ Ele dormiu faz apenas meia hora. Não faça barulho para acordá-lo, passou muito estresse nesses últimos tempos. — o estranho falou em voz baixa, soltando completamente Naruto. O loiro demorou mais alguns instantes analisando a paz que Gaara exalava ao dormir, sentia a lateral de sua boca se contorcer num pequeno sorriso e seu coração, a tempos tão cheio de receios, esquentar-se e aconchegar-se com a cena. Piscou, voltando a si e relembrando da companhia desconhecida, encarando o homem grisalho nos olhos.

_ Quem é você? — sua voz soou embriagada e ríspida, provavelmente pela falta de uso.

_ Kakashi Hatake. Sou contratado de Gaara para ajudá-lo a encontrar os Uchiha.

Naruto ficou em silêncio, não sabendo o que responder. Não tinha como adquirir certeza da veracidade do que Kakashi falava, sequer poderia confirmar ser real o nome mencionado. Kakashi, evidentemente entediado, afastou-se da cama de Naruto, sentando no sofá do acompanhante e pegando um pequeno livro que se encontrava na cabeceira, folheando as primeiras páginas com interesse. Recomeçou a falar, aparentemente ler e conversar eram atos que ele poderia realizar ao mesmo tempo sem nenhum problema.

_ Você tem sorte moleque. Dois tiros, um no ombro e outro na coxa, e não acertaram nenhuma artéria ou veia vital, muito menos órgãos. A extração da bala do ombro demorou pouco mais de meia hora, enquanto o tiro na coxa foi apenas de raspão. Ou Sasuke não tem o mínimo de pratica pra atirar, ou ele não quis te ferir gravemente.

_ Onde Sasuke está? — Naruto perguntou, fazendo menção de se sentar na cama, arrependendo-se do movimento com a fisgada de dor em seu ombro. Permaneceu parado, esperando a resposta de Kakashi.

_ Fugiu, com seu carro. Ele já foi recuperado, Sasuke o abandonou algumas horas depois em uma cidade mais a frente, não sabemos o que fez em seguida — Kakashi e Naruto ficaram alguns instantes em silêncio – Itachi Uchiha... Não manteve mais contato. Vim para a cidade com Gaara a fim de encontrar a localização de Itachi e questioná-lo sobre o comportamento de Sasuke, algo que pra mim não seria difícil. Eu mantinha os olhos abertos para o paradeiro de todos os Uchiha. Mas Itachi... sumiu.

Naruto voltou a olhar para Gaara, os olhos tristes e distantes. Não imaginou que a situação chegaria nesse ponto, em nenhum de seus pesadelos. Tinha plena convicção de que seria capaz de parar Sasuke se fosse necessário, e provavelmente o conseguiria se este não estivesse armado. Agora, não poderia dizer ao certo onde estavam os irmãos, Sasuke se tornando uma ameaça assim como Fugaku.

_ Vim, também, para acompanhar Gaara. Ele estava em pânico, não sei se conseguiria chegar aqui intacto se eu não estivesse junto. Não dormiu nos dias de viagem sequer um momento, não se alimenta de sólidos desde que partimos. Gaara parece realmente se importar com você Naruto.

O loiro, esticando a mão do ombro intacto, depositou seus dedos com cuidado nos cabelos avermelhados de Gaara, acariciando e sentindo a maciez dos fios.

_ Eu faria o mesmo por ele. — sussurrou para si, não sabendo dizer ao certo se Kakashi havia ouvido ou não. Continuou a acariciar os cabelos ruivos, não se importando com a companhia do grisalho no mesmo cômodo, e sequer dando a mínima se fosse pego por Gaara em um gesto tão íntimo. O ruivo se moveu minimamente, parecendo aconchegar-se ainda mais no colo de Naruto – A quanto tempo estou no hospital? — falou em um tom de voz suficientemente alto para ser ouvido por Kakashi.

_ Por incrível que pareça, e por mais descomplicados que as cirurgias tenham sido, a pancada que Sasuke deu em sua cabeça gerou um estado mais complicado do que parecia inicialmente. Você entrou em coma por alguns dias devido ao trauma cerebral, mas, evidentemente, acabou de reverter esse quadro. Daqui uns cinco minutos virá uma enfermeira checar seu estado, então não vejo pressa em alertá-los de que você acordou.

_ Quanto tempo Kakashi? — Naruto se repetiu em voz alta, fazendo Gaara estremecer em seu sono. Ouviu o grisalho suspirar, provavelmente chateado por ser aquele que daria tais informações.

_ Duas semanas Naruto.

Duas semanas...

Tudo, absolutamente TUDO, podia ter acontecido com os Uchiha em duas semanas.


continua...


Notas finais
¹ Em carros caros, geralmente há uma senha na porta do carro para abri-la, não apenas a chave ou o alarme. Por isso Sasuke pedia a senha.