Pride and Joy

16 Capítulo 16


Notas iniciais
N/A: Muitos acontecimentos em poucas palavras... o que a falta de tempo não faz com uma fic-writer. Bem, é isso por hoje! Agradeço todas as pessoas que adicionaram Pride and Joy nos favoritos, as PMs e as reviews! Eu gostaria que quem tivesse conta no fanfiction por favor logasse na hora de fazer a review para que eu possa responder. Aqueles que não tem, podem fazer do mesmo jeito! Eu leio e adoro saber a opinião de todos, mesmo que eu não possa dar um reply hehehe. Em breve trago mais uma atualização, espero que gostem do capítulo. ^^
[N/A (13/04/2012): Capítulo corrigido/revisado]

PRIDE AND JOY


Estavam na festa do Naruto, casa dos Uchiha. Gaara não tinha a mínima intenção de vir, Naruto insistiu veementemente porém ele não pretendia ceder. Mas Itachi ligou algumas horas antes da festa, dizendo para ele acompanhar Naruto, pois possuia assuntos a tratar com o ruivo e essa seria a oportunidade perfeita para conversarem sem chamar atenção. Ainda um pouco relutante, mas sabendo que finalmente tinha a desculpa que precisava para poder acompanhar o amigo que tanto queria próximo, foi para a festa.

Gaara poderia jurar que o olhar que Sasuke lançou contra si congelou pelo menos metade de seu sangue. Sentiu-se deveras desconfortável e uma chama de raiva ascendeu sobre seu peito; a rivalidade de sempre, ainda mais forte por causa de Naruto. Tanto Gaara quanto Sasuke sabiam que a rivalidade não se tratava mais da empresa ou qualquer assunto dos Uchiha, e sim de quem iria ocupar cargo de melhor amigo do loiro. Tinham consciência da infantilidade deste anseio, mas a vontade de brigar falava mais alto. Fingindo ignorar sua presença, Sasuke voltou a beber, esticando a mão para Itachi.

O Uchiha mais velho olhou de canto de olho para a mão estendida em sua direção, mas ignorou o convite silencioso, sabendo que Sasuke apenas pretendia irritar Gaara ao clamar sua atenção apenas para si. Deixando Sasuke para trás, se dirigiu a Naruto e Gaara, cumprimentando o loiro com o olhar e o ruivo com um aperto de mãos. Sasuke tinha absoluta certeza que seu olhar estava em chamas naquele exato momento.

Gaara sorriu para o Uchiha melhor, feliz em irritá-lo, e cumprimentou Itachi de maneira educada. Naruto inclinou de leve a cabeça, evidentemente surpreso.

_ Vocês se conhecem? — perguntou para os rapazes. Gaara abriu a boca para responder, mas o Uchiha foi mais rápido.

_ Gaara e eu fizemos alguns cursos juntos há alguns anos atrás, mas Hiro não o conhece. — completou em voz alta, deixando claro que não queria que Sasuke e Gaara arranjassem motivos para começar uma nova briga. Sasuke, com o rosto irritado e o olhar em chamas, aproximou-se dos garotos, puxando Naruto pelo braço.

_ Venha arrumar as coisas pra festa Usuratonkachi. — sibilou, puxando um Naruto extremamente confuso para dentro da cozinha, deixando Gaara e Itachi sozinhos no hall.

_ Fale o que tem pra falar Uchiha, não pretendo ficar muito tempo na sua presença. — Gaara falou quando teve certeza que os dois garotos não poderiam ouvir a conversa. Itachi indicou a porta com o olhar, andando ate ela e sendo seguido pelo ruivo.

_ Sasuke pediu para que eu fosse comprar algumas bebidas, mas eu já comprei mais cedo, estão na garagem do prédio, esperando para serem levadas pra cima. Vamos conversar no salão de jogos, está vazio e não tem câmeras. Depois, subimos com as bebidas e falamos que fomos comprar.

_ O que você está escondendo do Sasuke, Uchiha? — Gaara respondeu franzindo o cenho. Itachi apenas o olhou com aquela mascara de frieza, abrindo a porta do elevador. Só depois quando desceram no térreo respondeu em voz baixa, e Gaara teve a nítida sensação que foi mais uma resposta para si mesmo do que para quem havia feito a pergunta:

_ Já escondo coisa muito pior...


(***)


_ O que foi isso no hall Teme?

_ Eu não gosto do seu amigo Naruto. — Sasuke respondeu, sem tentar esconder todo o ressentimento de sua voz. Itachi o havia rejeitado, claro, Sasuke sabia muito bem o motivo. Gaara sempre teve uma raiva quando via que os irmãos Uchiha se davam bem, e constantemente Sasuke aproximava-se mais de Itachi apenas para irritar o ruivo. Não entendia muito bem o que Gaara sentia, talvez fosse inveja pois ele e os irmãos não se davam tão bem, talvez fosse inveja por saber que ambos os irmãos tinham sentimento de amor correspondido... talvez fosse os dois.

Naruto pareceu nitidamente mais confuso, coçando a cabeça com o indicador.

_ Mas por quê? Você nem o conhece.

_ Não... Mas Isumi já me falou dele. Não gosto e pronto. — respondeu o moreno, sem se importar de parecer infantil, pegando no armário os recipientes que estava procurando. Naruto riu do outro lado da cozinha, chamando novamente a atenção de Sasuke — O que foi Dobe?

_ Você está com ciúmes. — Naruto respondeu, tentando controlar a risada. Sasuke se irritou ainda mais, chegando perto de Naruto de forma predatória, pretendendo dar um soco na sua cara risonha. Os dois estavam prontos para brigarem, mas o celular de Naruto tocou uma melodia extremamente irritante aos ouvidos do moreno. Naruto sorriu de orelha a orelha, procurando o aparelho em seus bolsos freneticamente, esquecendo qualquer ameaça silenciosa que seu amigo havia feito. Atendeu rapidamente e colocou no ouvido, gritando em voz alta em seguida – SAKURA-CHAN!

_ Isso explica a música irritante... — Sasuke murmurou, voltando sua atenção novamente para o armário.

_ Mas é claro que posso!... Sem problemas!... Ah... — Naruto olhou levemente duvidoso para Sasuke, o moreno apenas questionou um 'o que?' com os lábios – Bem... Acho que não tem problema não Sakura-chan... Hehe... Passo ai em meia hora, ok? Tchau!

_ Naruto, não me diga que você fez o que eu estou pensando que fez... — sibilou o moreno, chegando perto de Naruto lentamente, enquanto este dava passos para traz, olhando ao redor a procura de uma escapatória...

_ Bom, se você pensa que eu chamei a Sakura-chan pra festa... em... he he, pois é. — Naruto virou de costas, correndo a todo vapor para fugir do moreno... Ouviu os passos de Sasuke atrás de si e os gritos de 'eu vou te matar Usuratonkachi!' mas não parou de correr, se trancando no primeiro quarto que viu a frente.

Sasuke batia na porta, ordenando que Naruto saísse do quarto, mas o loiro ignorava. Ascendendo a luz pelo interruptor, prendeu a respiração ao perceber que estava no quarto de Itachi.

Porque era, sem duvidas, o quarto de Itachi: as prateleiras de livro de Direito, a cama de casal impecavelmente feita, o armário de madeira, provavelmente trancado e um baú com um ar aristocrático que apenas Itachi seria capaz de possuir. Havia algumas outras coisas, porém, não foi nada disso que deixou Naruto curioso, foram, sem sobra de duvidas, as fotos.

Haviam vários porta-retratos pelo lugar, algumas fotos eram de amigos que o loiro não conhecia, outras pareciam ter sido tiradas na faculdade. Não havia foto dos pais, ou de familiares... Mas havia muitas fotos de Sasuke, criança, com Itachi.

Será que eles se conheciam a tanto tempo assim?

Chegava a ser curioso: Itachi sorrindo, tomando sorvete com Sasuke. Itachi andando de mãos dadas com a criança. Céus, tinha até foto de Itachi tentando ensinar Sasuke a andar!

_ Isumi... isso é muito estranho. — o loiro sussurrou para si, pegando o porta-retrato mais próximo para examinar. Mas Naruto, pelo simples fato de ser o Naruto, derrubou com o cotovelo um dos livros empilhados na escrivaninha, que caiu aberto aos seus pés.

Abaixou-se para pegar o livro e colocá-lo de volta no local, mas mudou de planos a sim que leu, no topo da página, um manuscrito elegante, com muitos floreios.

_ Um... diário? — o rapaz analisou mais as linhas escritas e a capa vermelho sangue: era mesmo um diário. Leu as últimas linhas escritas, afinal, a curiosidade é algo extremamente peculiar do herdeiro Uzumaki:

"Itachi ainda não sabe, não tenho certeza se vou contar... Sinto que Sasuke não poderá ter o mesmo luxo que Itachi, e me dói pensar nisso. Mas tenho certeza de que tomei a decisão certa, partiremos logo após o nascimento..."

Naruto franziu o cenho. "Itachi"? Então este diário podia responder as suas perguntas sobre quem seria essa pessoa com quem seu amigo estava falando no telefone aquele dia. Guardou o livro com cuidado nas vestes, pretendendo lê-lo e devolvê-lo em breve, ou pelo menos antes que qualquer um notasse a sua ausência. Destrancou a porta, pronto para encarar a fúria de Sasuke.


(***)


_ Absolutamente não. — Gaara falava, cruzando os braços em protesto. Observava o olhar do Uchiha a sua frente estreitar ainda mais, sua paciência cada vez mais rala. A música eletrônica do apartamento ecoava no ouvido de ambos, deixando os dois mais irritados do que o normal. Itachi recobrou a consciência de sua expressão facial, piscando de leve e tornando a se mantar calmo e compassivo. Tomou dois goles de seu uísque, deixando o copo, agora vazio, bater com impaciência na mesinha de centro.

_ Você, mais do que ninguém, quer que eu desapareça, não quer? — perguntou, sentindo a ardência da bebida ainda latejar em sua garganta. Gaara nada bebia, apenas conversavam com Itachi ignorando todas as pessoas ao redor. — falamos disso no salão de jogos, não me faça repetir.

_ Eu já disse, é minha decisão final. — Gaara respondeu, levantando do sofá e caminhando até Naruto que conversava com alguns amigos, rindo e derrubando o conteúdo de seu copo levemente no chão – em um estado alcoólico considerável. Itachi suspirou, deixando seu corpo relaxar ainda mais no sofá, ignorando o som irritante e as risadas tediosas. Em poucas horas estaria em silêncio novamente. Talvez Gaara reconsiderasse, talvez no silêncio da casa de Naruto as ideias fluíssem de forma melhor em sua mente...Apenasrelaxe, nem tudo está perdido.

_ Nii-san... — Itachi abriu os olhos sentindo que alguém sentava no sofá ao seu lado, jogando o contra o seu em um abraço forte. Sasuke exalava um cheiro forte de vodca, mas Itachi não se importou, se sentindo extremamente contente com a conexão corporal dos dois.

_ Não me chame assim na frente dos outros – Itachi alertou em voz baixa, por mais que soubesse que ninguém havia ouvido Sasuke falar, nunca era demais recordá-lo do disfarce. Sasuke riu, algo que sempre acontecia quando ele estava bêbado, e lambeu a entrada dos lábios de Itachi, pedindo passagem. Itachi, porém, não cedeu de cara, empurrando o irmão para longe de si e segurando em seus braços – entendeu Hiro?

Sasuke sorriu um sorriso torto e sacana, se soltando da pegada de Itachi. Segurou com as duas mãos a face do irmão mais velho, puxando-o para próximo de si novamente, de maneira que os lábios do menor roçavam nos lábios do primogênito enquanto esse falava:

_ Entendi... I-s-u-m-i. — falou pausadamente, não foi preciso pedir outro beijo: Itachi já o beijava, comandando a ação enquanto puxava o corpo de Sasuke para que este se sentasse em seu colo. As virilhas dos irmãos Uchiha se encostaram com a forma que estavam sentados, e os dois gemeram de leve no beijo, sem se importar se estavam sendo assistidos ou não. O beijo se prolongou por mais alguns instantes, ate que Sasuke quebrou o contato dos lábios, respirando de forma descompassada – Vamos pro quarto?

Foi a vez de Itachi dar o sorriso torto e sacana, mordendo o pescoço de seu irmãozinho enquanto sussurrava a resposta para que apenas ele conseguisse ouvir:

_ Me lembre de fazer você beber mais vezes... — Sasuke riu, algo que só poderia ser visto em público devido o álcool em seu sangue. Saiu de cima do corpo de Itachi, esticando a mão para ajudar o mais velho a se levantar. Itachi aceitou a mão do moreno mais novo, e ambos caminharam até o quarto do moreno mais velho e, sempre com as mãos entrelaçadas, fecharam a porta atrás de si.

Sakura observava a porta recém-fechada com os olhos arregalados. Não acreditava no que via, estavam Sasuke e Itachi juntos? Mas... Como? Fechou os punhos, sentindo a raiva da rejeição subir seu sangue. Então era por isso que Itachi fez questão de terminar o namoro pessoalmente, deixando claro que não queria vê-la perto de Sasuke? E ela achava que era ciúmes, que a causa do termino foi a suposta traição. Grande engano...

Fora de si de tanta raiva, marchou até a sala, determinada a provar para si mesma que ela valia alguma coisa, que ela conseguia ser desejada por alguém, que Sasuke e Itachi não passavam de duas bichas idiotas. Agarrou o primeiro braço masculino que viu a sua frente, fazendo com que o homem se virasse para encará-la. Os olhos verdes de Sakura encontraram os azuis de Naruto.

_ S...Sakura-chan? — Naruto perguntou incerto, mas nunca foi respondido. Sakura começou a beijá-lo, de uma forma que podia ser até considerada bruta, espantando ainda mais o loiro. Havia tentado se aproximar da garota diversas vezes na festa, mas ela sempre dava um jeito de recusá-lo. E agora ela estava ali, beijando-o lascivamente. As mãos da garota percorriam suas costas, em seguida seu peitoral, descendo até a região de sua virilha. Naruto finalizou o beijo, afastando levemente seu corpo do dela, sendo pego de surpresa pela intimidade da aproximação.

Ela sorriu maliciosamente, aproximando-se do rapaz novamente e sussurrando em seu ouvido de forma sensual:

_ Vamos pra um lugar mais reservado Naruto... — mordeu a base de sua orelha e voltou a olhar os grandes orbes azuis. Naruto parecia assustado, respirando rapidamente. Seus lábios estavam avermelhados pelo beijo e sua pupila estava dilatada, Sakura adorou o efeito que nele causou. Cansou de esperar uma reação do loiro, puxando-o para o corredor pela mão.

Naruto acompanhou mecanicamente, ignorando completamente os assobios e palmas de aprovação enquanto andava, voltando a si quando ouviu o barulho de porta fechando e chave sendo girada. Estava no banheiro, Sakura o olhava de cima a baixo, abaixando sua calcinha sem retirar a saia que usava, e jogando-a para Naruto, que apanhou a calcinha vermelha abobalhado.

_ Saku...

_ Shii, não estraga o momento. — Ela beijou de leve seus lábios, ajoelhando-se em seguida, ficando de frente à fivela do cinto de Naruto. Sem maiores delongas, esticou as duas mãos para desprender a calça do loiro, mas este segurou seus pulsos impedindo ela de realizar mais um movimento.

_ O que diabos você tá fazendo? — Naruto perguntou, ainda segurando as mãos de Sakura, puxando-o para que a garota se levantasse. Ela o fez, soltando-se da pegada do loiro e cruzando os braços de forma questionadora.

_ Você é tão burro que não consegue entender? — ela respondeu, abrindo os botões de sua blusa, revelando o sutiã vermelho que usava. A boca de Naruto se abriu com a surpresa, seus olhos não desgrudavam dos seios da garota, mas ele tentava se controlar. Suas mãos tremiam em protesto, ordenando silenciosamente para que ele enchesse-as com aquilo que estava diante de seus olhos. Naruto engoliu em seco, parando de fitar o par de seios e se esforçando para cruzar seu olhar com o de Sakura.

Desta vez, talvez somente desta vez, Naruto compreendeu bem aquilo que um olhar poderia transmitir. Sakura estava irritada, se sentindo rejeitada. Não havia escolhido Naruto por gostar dele, mas sim por ser a primeira opção que apareceu. Percebeu a falta de autoestima da garota, o quanto ela se humilharia apenas para se sentir desejada. Naruto sentiu uma dor no peito, tanto de pena quanto de desapontamento...

_ Eu achei que você fosse melhor que isso... — ele sussurrou, rezando para todos os deuses que Sakura fechasse aquela blusa: ele não queria acabar se tornando tão baixo quanto ela. Não queria se aproveitar da falta de autoestima de uma pessoa. Afinal, seria tão egoísta quanto ela se fizesse isso.

_ O quê? Você me acha feia? — Ela perguntou, com lágrimas recém-formadas nos olhos, cobrindo os seios com as mãos. Naruto se aproximou dela, colocando os fios de cabelo que estavam à frente de seu rosto atrás das orelhas da garota, acariciando de leve seu maxilar.

_ Você é linda... Meu deus você é a garota mais linda que eu já vi, e eu já te disse isso inúmeras vezes. — Naruto estendeu a mão para a blusa de Sakura, pegando-a de surpresa quando começou a reabotoar seus botões. Ela começou a chorar, se sentindo rejeitada mais uma vez. Ao terminar de ajeitar a roupa de Sakura, Naruto pegou a calcinha vermelha do chão e colocou em cima da pia para que ela a vestisse. Antes de se retirar do banheiro, disse olhando em seus olhos – Mas falta você perceber que não é só beleza física que interessa...

Saiu, fechando a porta com leveza. A rosada sentiu seus joelhos cederem, e caiu sentada no chão, seu choro sendo abafado pela música alta.


(***)


_ Gaara vamos embora. — Naruto disse de maneira séria quando voltou pra sala. Gaara estava sentado no sofá sozinho, e não olhou nos olhos de Naruto quando se levantou. O loiro percebeu que havia algo errado, mas queria sair daquele lugar o quanto antes. A festa era dele, mas ele não ia conseguir aquilo que queria naquele lugar: afinal, acabara de perceber que tipo de pessoa Sakura era. Precisava voltar para casa e esquecer aquele dia horrível.

A viagem de volta para casa foi quieta, muito mais quieta do que o normal de qualquer viagem no carro de Naruto. Céus, até sozinho Naruto fazia mais barulho. Depois de 10 minutos de silêncio, o loiro não mais pode se segurar:

_ O que há de errado com você? — perguntou ao ruivo. Este apenas se mexeu no assento, levemente desconfortável. Naruto esperou mais alguns minutos por uma resposta, pois Gaara era o tipo de pessoa que demorava a responder quando estava irado. Mas quando percebeu que não ganharia uma, tornou a falar – Estou falando com você!

_ Naruto, apenas me deixe quieto, ok? — Gaara sussurrou levemente, algo que não era de sua personalidade fazer. Isso fez o loiro perceber que havia algo de muito errado com o amigo, mas que não seria hoje q ele conseguiria arrancar o motivo dele.

Quando chegaram em casa, Gaara simplesmente se dirigiu ao quarto de hospedes sem dar maiores explicações, fechando a porta com um ruído alto e trancando-a em seguida. Naruto suspirou, havia sido uma noite cheia de revelações, poderia lidar com Gaara no amanhecer e descobrir o que tinha acontecido nos poucos minutos de sua ausência.

Foi para o seu quarto, tirando os sapatos e deitando com a própria roupa que vestia na cama, intencionando dormir até o amanhecer. Virando de lado na cama, sentiu algo duro na altura de seu peito, e retirou do bolso interno do casaco o diário que encontrara no quarto de Itachi.

É uma boa forma de se distrair, não é?Pensou, abrindo a primeira página do caderno, lendo os dias que julgava mais interessante. Aparentemente era o diário de uma mulher, apesar de em nenhum momento ser citado o nome desta. Ao começo do caderno, ela escrevia periodicamente, anotando os seus medos de mãe de primeira viagem. Escrevia uma vez ao mês, e logo a criança nasceu. Esta criança era Itachi... Naruto se sentou para ler melhor, interessando em descobrir, afinal, quem era essa pessoa.

Mas a mulher, aparentemente, ficou mais ocupada e escreveu muito pouco, apenas relatando sobre a grande inteligência do filho e a capacidade deste de aprender as coisas com grande facilidade.

"Itachi se sente muito só, consigo ver isso em seu olhar. Fugaku exige muito dele. A pouco tempo Fugaku decidiu que seria melhor se tivéssemos outro filho para acompanhar Itachi, assim os dois poderiam progredir juntos de modo que seria muito melhor um irmão do que um amigo, afinal, teríamos controle sempre sobre o que os dois estariam fazendo.

Eu, particularmente, discordo de meu marido. Itachi é uma criança brilhante, e tudo que falta para ele é contato com outras crianças. Tentei varias vezes falar com Fugaku sobre o assunto, mas ele foi irredutível.

Por outro lado, um irmãozinho não faria mal. E, devo confessar, estou desejando muito outro filho ultimamente. Sinto falta de um bebê, me sinto só varias vezes. Fugaku e eu nunca tivemos um casamento muito próximo, e eu achava que Itachi poderia ocupar esse buraco em minha vida. Mas meu filho é tão independente que às vezes acho que eu o trago para baixo ao invés de ajudá-lo a evoluir. Fugaku diz que eu o mimo demais, Itachi apenas sorri e diz que me ama."

Um grande imbecil esse tal de Fugaku. Naruto pensou, folheando as páginas para um dia mais interessante. A história seguiu com anos de tentativa do casal para que tivessem outra criança, Naruto pegando cada vez mais ódio do tal Fugaku. Muitos dias a mulher apenas escrevia o quanto ela odiava seu casamento, quantas vezes por semana o marido verbalizava que a odiava, que ela era terrível na cama, inútil como esposa, mulher e mãe. Por outro lado, dizia o quanto ela sabia que Itachi merecia uma família unida e tentava, mais uma vez, agradar o marido e fazer o casamento funcionar, desejando cada vez mais o segundo filho do casal. A mulher depositava todas as esperanças em uma criança que sequer possuía existência no mundo, e Naruto não pode negar que sentia pena dela. Folheou as páginas mais rapidamente, e percebeu que algo havia caído de dentro do diário, diretamente para o chão.

Apanhou o papel, percebendo se tratar de uma foto. Leu a parte de trás da foto, onde estava escrita uma espécie de legenda: "Mikoto Uchiha e Itachi Uchiha". Virou a foto para descobrir como o tal Itachi era, quase se engasgando com o que seus olhos observaram:

Havia uma mulher bela de longos cabelos negros, sorrindo contente e segurando uma criança de mais ou menos quatro anos no colo. A criança parecia apática, mas seu olhar brilhava e ela não olhava para a câmera, e sim para o rosto de sua mãe. Não era difícil saber quem era aquela criança, muito menos depois de ter visto a mesma criança um pouco mais velha em diversas fotos naquela mesma noite. Era Isumi.

Naruto voou para fora da cama, sentando-se na escrivaninha e ascendendo a luz de leitura. Iria devorar esse diário, iria entender o que estava acontecendo, ou não se chamava Naruto Uzumaki.


(***)


_ Eu acho que a festa acabou... — Itachi falou, enquanto ainda acariciava o rosto do irmão, beijando os dedos de sua mão direita com ternura. O efeito do álcool já havia passado, Sasuke apenas apreciava o irmão e todo amor que este podia lhe oferecer. O sexo havia sido magnifico, mas Sasuke cada vez amava mais e mais os momentos dos dois deitados daquela maneira, conversando sobre amenidades e trocando caricias.

_ Acabou. Espero que não tenha ninguém dormindo na sala... Vou jogar todo mundo à pontapés pra fora. — Itachi riu de leve com o comentário, beijando os lábios de Sasuke antes de se levantar – Onde vai?

_ Vou jogar os "restos" pra fora a pontapés ué... O que? Você achou que eu deixaria você ter toda a diversão? — Sasuke fez bico, Itachi riu de novo – Não deve ter ninguém lá embaixo Otouto, só vou trancar a porta.

_ Ok... Mas não demora, quero dormir, tá muito tarde. — Itachi acenou positivamente com a cabeça, vestindo a calça e a camisa apenas por precaução se tiver alguém fora do quarto. Saiu do quarto fechando a porta levemente, indo em direção a sala.

Foi surpreendido com um soco no meio do rosto. Sentia o sangue quente escorrer do seu nariz até o queixo enquanto piscava para focalizar quem o havia atacado.

_ Pensou que ia esconder isso de mim pra sempre? Itachi-bastardo! — Itachi conseguiu focalizar um Naruto extremamente irritado, com a face avermelhada de ódio e os orbes contraídos com instinto assassino — Hein?

_ Do que você está falando? — Itachi perguntou, colocando a mão no rosto na tentativa de analisar o estrago. Havia ouvido claramente Naruto chamá-lo de Itachi, mas isso não o assustava. Sabia muito bem que esse tipo de reação era esperada, mas confiava no que Gaara havia dito: Naruto poderia não aceitar, mas não diria nada a ninguém.

O loiro não conseguiria mais acertá-lo, apenas o havia feito por tê-lo pego desprevenido, e isso ficou claro quando tentou, pela segunda vez, acertar Itachi com outro soco. O moreno segurou sua mão e girou o corpo do menor, imobilizando seu braço direito.

_ Naruto, acalme-se. — ele pediu, ao pé do ouvido do loiro. Naruto alcançou com a outra mão o diário, jogando-o no chão poucos metros a frente de onde se encontravam.

_ É disso que eu estou falando! — O mais velho sentiu seu sangue gelar, seu coração parar de bater, e soltou Naruto, que se afastou dele respirando forte, olhando firmemente para os olhos escuros do Uchiha. Não era apenas a sua verdadeira identidade que Naruto havia descoberto, ou a relação incestuosa entre os irmãos.

Era absolutamente tudo, tudo aquilo que ninguém podia saber.


continua...