Pride and Joy
6 Capítulo 6
Notas iniciais
PRIDE AND JOY
_ Hiro-kun!
Sasuke suspirou pesadamente, irritado com os altos decibéis daquela voz. Virou-se e se arrependeu no momento seguinte, quando a irritante Sakura tropeçou caindo em seu colo. Ele a segurou, talvez pelo susto, mas soltou seus pulsos em seguida, talvez pelo nojo, fazendo com que ela caísse no chão, causando um estrondo considerável.
_ Perdão. – ela disse, corando envergonhada e parecendo não perceber que Sasuke havia deixado-a cair de propósito. Ele girou os olhos de tediosamente em resposta.
_ O que você quer?
Se arrependeu no mesmo momento por ter feito a pergunta, sabia que deva ter virado as costas e ido embora, mas não, ele quis ser educado. Imbecil.
Sakura sorriu achando que a pergunta expressava interesse e não descontentamento e tédio como fora a intenção do rapaz. Levantou-se e encarou Sasuke, percebendo como seus olhos pareciam se estreitar devido a algum sentimento por ela desconhecido.
_ Bom, acho que você sabe nossa proximidade indireta não é? – perguntou, sorrindo e massageando o cotovelo dolorido. Sasuke ficou surpreso, isso indicava que Itachi havia mencionado que eles dividiam apartamento... Bom, isso não era necessariamente algo bom, mas significava que ele achava importante que ela soubesse da existência do "amigo". Respondeu a garota com um aceno de cabeça afirmativo, o que a fez sorrir ainda mais – Então, estive pensando, nós podiamos passar um tempo junto, para nos conhecermos melhor e tudo mais...
Ele demorou um pouco para responder. Naruto disse que ele deveria aproveitar as oportunidades para... hum... Conhecer o inimigo, não é? Fazia sentido. Não que ele tivesse alguma chance com Itachi, mas a aproximação com a garota poderia ajudar a tirar o irmão de uma fria: estava na cara que essa moça não valia dois centavos.
Sasuke podia ser virgem, ingênuo e tudo mais, mas não era burro. Já tinha visto essa garota jogar charme para vários garotos de seu ano e mais até mesmo os mais velhos, mesmo tendo namorado. Apesar de Naruto afirmar que não era o que ele imaginava, garantindo que ela era apenas uma pessoa extremamente simpática, ele não conseguia engolir. Se não fosse pelo fato de ela saber que Itachi e Sasuke moravam juntos, ele suspeitaria que ela estaria dando em cima dele nesse momento.
Sorrindo o sorriso menos falso que meus músculos faciais conseguiram proporcionar observou o brilho dos olhos esmeralda de Sakura intensificarem. Ela mostrou os dentes em um sorriso verdadeiro e largo, e o Uchiha teve que conter seu punho para não ir de encontro aos brancos dentes da garota rosa.
_ Ótimo! O que acha de ir jantar comigo mais tarde?
_ Claro. – respondeu com a voz rouca, ainda mantendo o sorriso amarelo. Ou essa garota era muito tola ou agia como uma tapada de marca maior, pois não percebia absolutamente nada da expressão corporal dele. Contente, ela segurou sua mão, retirando uma caneta do bolso e escrevendo na pele trêmula da palma de Sasuke.
_ Este é meu telefone. – ela disse ao escrever o ultimo número, o moreno analisou o número de celular escrito em sua palma com uma sobrancelha erguida, ainda tentando aceitar a audácia da garota de tocar em si sem seu consentimento – Me ligue mais tarde, vou esperar hein? – e, dando uma risadinha sufocada, beijou de leve a bochecha de Sasuke antes de retornar pelo caminho de onde veio.
O Uchiha permaneceu estático, ainda analisando a palma da mão. Ok, se aquela era uma tentativa dela de causar uma boa primeira impressão, ela havia falhado miseravelmente. Abaixou o braço e observou enquanto ela voltava para a escola balançando os quadris de uma forma que, na melhor das hipóteses, ela julgaria ser sexy.
_ O que ele viu nessa garota? — Sasuke perguntou em voz alta para si mesmo, tentando entender a cabeça de Itachi.
_ Você é gay, não entenderia. — Naruto respondeu, fazendo com que Sasuke pulasse de susto. O loiro riu da reação do amigo, dando dois tapinhas no ombro de Sasuke para acalmá-lo enquanto controlava a risada. — Desculpe se sou ágil e silencioso como uma raposa.
_ Esta mais pra uma alma penada Dobe. – Sasuke respondeu, tornando a respirar com normalidade. O sorriso largo de Naruto não diminuiu nem um milímetro – Você ouviu a conversa?
_ Ouvi – Naruto retirou o próprio celular do bolso e pegou a mão de Sasuke. O que tinha com essas pessoas e a mão dele hoje? — e acho que essa é a oportunidade perfeita. Não esqueça de falar de mim Teme! — Naruto copiou o número na memoria do celular e guardou o aparelho no bolso da calça, soltando a mão de Sasuke em seguida – O que foi?
_ Não toque na minha mão, odeio isso. – Sasuke respondeu, tornando a seguir o caminho de sua moradia.
_ Por quê? Tá com medo de se apaixonar por mim também? — Naruto respondeu com uma risada rápida.
_ Nem se eu fosse gay como você diz Naruto, eu gostaria de alguém como você.
_ Poupe o veneno, sou imune. – Naruto seguia Sasuke com os braços atrás da cabeça, acelerando o passo ate ficar ao lado do moreno e caminhar com ele para a mesma direção – O que pretende fazer?
_ Sobre...?
_ Sakura-chan oras!
_ Ouvir o que ela quer falar ué. — Sasuke respondeu, cada minuto mais entediado. Será que as pessoas não podiam perceber quando ele não estava nem um pouco a fim de conversar?
_ Mas você tem que criar um plano! Tem que pensar quando vai mencionar o magnifico Naruto Uzumaki, a alma gêmea de Sakura Haruno, e...
_ Naruto.
_ Oi.
_ Cala a boca.
(***)
Itachi chegou em casa depois de mais um dia de trabalho, exausto. O emprego que havia conseguido pagava bem, mas era praticamente uma escravidão remunerada. Ele era a pessoa que mais trabalhava naquele escritório, com toda a certeza. Se ele tivesse decidido continuar morando só poderia manter o antigo emprego, que era consideravelmente mais calmo e menos estressante.
As coisas que ele fazia por Sasuke, se o mais novo apenas soubesse metade delas...
Jogou as chaves e o celular na mesinha de centro e deixou seu corpo cair na poltrona mais próxima, sentindo o ar sair pesadamente de deus pulmões com o impacto. Demorou alguns segundos para perceber que não estava só: Sasuke estava deitado, adormecido, no sofá de três lugares ao lado da poltrona onde Itachi havia se sentado.
Ele sorriu, ainda adormecido. Itachi também.
Sasuke sempre sorriu muito pouco. Dava para contar nos dedos as vezes que tinha visto seu irmãozinho sorrir. Esses sorrisos raros diminuíram consideravelmente quando Itachi saiu da casa do pai para estudar fora e estavam bem mais raros desde que os irmãos haviam brigado a dois meses atrás, se é que ainda eram existentes.
Mas Sasuke sonhava, e parecia ser um bom sonho, já que o fazia sorrir de uma forma tão... única. Isso deixava Itachi feliz. Não existia absolutamente nada no planeta que ele desejasse mais do que a felicidade do irmão. Estendeu a mão de maneira involuntária, seguindo o magnetismo que os cabelos de Sasuke causavam ao seu braço. Mas antes que seus dedos pudessem tocar as negras mechas de cabelo que caiam sobre a face do menor, o olhar de Itachi pousou na palma da mão aberta sobre o peito de Sasuke.
E seu mundo desmoronou.
Sasuke tinha um telefone escrito na pele. Itachi sabia que eventualmente seu irmão caçula um dia teria alguma vida amorosa e sofria noites e noites pensando no que faria quando esse dia chegasse. Mas o número não era um número qualquer, o que tornou a coisa ainda mais insuportável: Era o celular de Sakura.
Não resistindo ao impulso que tomou conta de seu corpo, Itachi agarrou com força o pulso de Sasuke e puxou a mão para perto de seus olhos, não acreditando em seus olhos. Isso, obviamente, acordou abruptamente o Uchiha mais novo.
_ Itachi! — Sasuke gritou assustado, enquanto seu corpo era puxado para fora do sofá — O que você tá fazendo?
Sasuke olhou para sua mão a centímetros do rosto de Itachi, depois para a expressão assustada do irmão. Itachi havia deixado a mascara de frieza cair, isso não era nada bom — não era normal. Engoliu seco, lembrando o que havia de tão intrigante na palma de sua mão.
_ I-itachi, nii-s-san — antes que pudesse formular uma desculpa, o Uchiha mais velho soltou o pulso de Sasuke, fazendo com que ele fosse obrigado a apoiar seu braço no chão para não cair de encontro a superfície dura. Sasuke olhou novamente pra cima, percebendo que o irmão levantou com rapidez e praticamente corria para seu quarto — ESPERA! — gritou, mas foi ignorando ao ouvir o *bam* da porta batendo e o barulho de chave sendo girada.
O que vou fazer? O que vou fazer? Sasuke estava entrando em desespero. Era obvio o que aquilo pareceu: Itachi achava que ele havia convidado sua namorada para sair, e se sentia traído. Quem podia culpá-lo? Imagine a decepção de saber que seu irmãozinho estava dando em cima de sua mulher? E quem poderia culpá-lo por não saber a verdade?
Levantou-se e correu atrás do irmão, socando a porta com força enquanto chamava o nome do mais velho em meio a expressões "eu posso explicar!", "quero conversar com você" e "por favor!". Mas não ouvia sequer um murmúrio em resposta. Droga, DROGA!
_ Abre a porta, se não eu vou... — e então a porta magicamente se abriu. Itachi estava novamente usando a máscara da indiferença e não direcionou o olhar pro irmão, passou por ele como se ele sequer estivesse presente e andou com passos firmes em direção a saída do apartamento – Espera! — Sasuke, desta vez, conseguiu alcançar o irmão, entrelaçando com força os dedos na manga do casaco de Itachi, que parou de andar.
_ Me solta. – ordenou, sem olhar para trás. Sasuke conhecia bem aquele tom, era o tom que Itachi usava quando Fugaku ameaçava fazer algo com um dos dois filhos. Sasuke engoliu seco.
_ S-só escute o que eu tenho pr...
_ Não tenho tempo, nem interesse. — e puxou o braço, fazendo com que o tecido escapulisse dos dedos de Sasuke. Ele tornou a tentar agarrar novamente o irmão, mas sua tentativa foi infrutífera. Viu quando o mais velho saiu batendo a porta da frente, sem se incomodar em tranca-la.
Sua vista começou a ficar turva, seu corpo começou a tremer e seu coração tornou a ser apertado pela mão invisível da angustia. A paz não reinava antes desse acontecimento, ousava dizer que o relacionamento com o seu irmão piorando consideravelmente nos últimos tempos, mas definitivamente agora ele tinha estragado tudo. Tudo!
Merda! Sua mente gritava em protesto. Vai atrás dele seu covarde! Liga pra ele!
Pegou o celular do bolso com pressa, demorando a encontrar o numero do irmão na agenda por causa do nervosismo. Apertou no botão de discagem e esperou... esperou... ouviu uma musica na sala. Música? Olhando para procurar a fonte do barulho, encontrou o celular de Itachi em cima da mesa, tocando em resposta de sua ligação.
Sentiu as lágrimas escorrerem. Itachi tinha comprado uma moto há quinze dias, já deveria estar longe e Sasuke sequer suspeitava aonde seu irmão iria, não havia como alcançá-lo. Desligou o telefone e deixou seu corpo escorregar de encontro ao chão.
O que eu vou fazer?
O telefone de Itachi voltou a tocar e Sasuke olhou para o visor. Era Deidara. Sem pensar duas vezes, atendeu o telefone procurando um milagre.
_ Alô? — Deidara disse, quando percebeu que alguém havia atendido o telefone mas nada falava. Esperou por alguns segundos, mas não obteve resposta – Essa é a sua caixa de mensagens Isumi? Tão silenciosa quanto o dono – deu uma risada sem graça – Só tô ligando pra dizer que já peguei a joia, a... hum... joalheria ligou pra mim porque você não atendia e a reforma tá feita da maneira que você exigiu. Vem buscar porque não me responsabilizo se o Kakuzu decidir vende-la pra pagar dividas. — Sasuke deixou o telefone escorregar de sua mão, desligando a ligação quando tocou o chão.
Joia, Joia? Itachi não pretendia, ele não ia... não!
O QUE EU VOU FAZER?
… continua...
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