Pride and Joy

24 Capítulo 24


Notas iniciais
N/A: Bom, não consegui atualizar antes do Natal, mas atualizei poucas horas depois do Natal. Tá valendo né? xD Apenas recapitulando: Narrador (eu) sempre chama Itachi e Sasuke pelo nome de batismo, independente o personagem da cena saber a verdade ou não. Relembrando apenas por fazerem váááários capítulos que não me refiro a eles como Isumi e Hiro, apenas para não gerar duvidas.
*Suspiro* Ai que saudades de escrever um lemon pra essa fanfic... *Sacode a cabeça e retoma o foco* Ok, pelo bem do plot, lá vamos nós.
[N/A (15/04/2012): Capítulo corrigido/revisado]

PRIDE AND JOY


_ S-sakura... – Itachi tentou falar, mas som algum saiu de sua boca. Inspirou fundo, tossindo forte e colocando a mão em frente a boca para impedir ao máximo o sangue carmesim de escorrer por sua face. Era natural sentir o gosto metálico de sangue em sua boca, já havia se tornado uma rotina nos últimos dias, acreditava estar sofrendo de pneumonia avançada ou, quem sabe, um estágio de tuberculose.

Sakura, ainda direcionando o olhar para o moreno, mordeu o lábio, tremendo de leve enquanto tateava pelo do copo d'agua, colocando-o nos lábios de Itachi, que finalmente bebeu seu conteúdo com pequenos goles, respirando fundo logo em seguida. A garota segurou a mão suja de sangue de Itachi, limpando-a com um pano macio e cheirando a amaciante.

_ N-não fale. – Pigarreou, tentando recompor a voz tremula para algo mais firme. Itachi percebeu claramente as lágrimas brilhantes escorrerem pela face da garota – Eu sinto muito, muito... Itachi.

Ok, isso era algo novo. Havia escutado claramente Sakura chama-lo de Isumi há poucos segundos atrás. Seu cérebro, apesar dos maus tratos físicos, ainda funcionava em uma velocidade invejável. Em poucos segundos Itachi entendeu o que havia acontecido.

Por obvio, Fugaku era um bom jogador, mas grandes jogadores precisam, indiscutivelmente, de uma equipe. Para tanto, havia Orochimaru e outros prováveis comparsas. Mas nada seria útil se o Uchiha não soubesse por onde começar o seu trabalho de busca...

Recompondo uma ínfima parte de sua força física devido à intensa adrenalina em seu sangue, Itachi ergueu o olhar, não se importando em manter a expressão de indiferença ao olhar Sakura com ódio e desprezo. A garota estremeceu, cobrindo o rosto com as mãos e soluçando alto.

_ Eu... Eu sinto muito! – gritou, tentando se acalmar – Eu jamais imaginaria que a situação chegaria a esse ponto! Tudo que eu queria era dar uma lição em você e no Sasuke, para não me tratarem como uma qualquer! Itachi, por favor acredite em mim!

Mas ele não diminuiu a intensidade mortífera de seu olhar. Abaixando a cabeça evidentemente envergonhada com suas ações, Sakura começou a contar tudo nos mínimos detalhes, com a voz levemente falha, mas determinada a revelar tudo ao ex-namorado.


(***)


_ Você é linda... Meu deus você é a garota mais linda que eu já vi, e eu já te disse isso inúmeras vezes. — Naruto estendeu a mão para a blusa de Sakura, pegando-a de surpresa quando começou a reabotoar seus botões. Ela começou a chorar, se sentindo rejeitada mais uma vez. Ao terminar de ajeitar a roupa de Sakura, Naruto pegou a calcinha vermelha do chão e colocou em cima da pia para que ela a vestisse. Antes de se retirar do banheiro, disse olhando em seus olhos – Mas falta você perceber que não é só beleza física que interessa...

Saiu, fechando a porta com leveza. Sakura sentiu seus joelhos cederem, e caiu sentada no chão, seu choro sendo abafado pela música alta. Tentava, inutilmente, impedir que suas lágrimas borrassem sua maquiagem impecável, mas depois de falhas tentativas não ligou mais para nada, limitando-se a trancar a porta do banheiro e permanecer sentada no chão enquanto a dor e a fúria adentravam de maneira intensa em sua alma.

Encontrou uma garrafa de Stanheguer pela metade no canto da porta do banheiro, provavelmente esquecida por algum casal verdadeiramente interessado em se retirar para um lugar mais particular. Sem se preocupar com qualquer adulteração, bebeu grandes goles da bebida forte, tossindo devido ao protesto de sua garganta quanto ao conteúdo forte e ardente. Mas nada parecia amenizar a dor da rejeição, nem mesmo o álcool.

Não apenas fora rejeitada por Naruto, ele era apenas a gota d'água que fizera todo o balde transbordar. Sasuke e Itachi, com seu grande grau de indiferença, já haviam deixando claro que sequer se importavam com sua pessoa. A bebida em poucos minutos fez efeito, e devido à melancolia exacerbada e a tranquilidade do ambiente, a garota adormeceu.

Acordou horas depois com um barulho forte vindo do andar de baixo, em conjunto com gritos altos que pareciam ser de Naruto, apesar de ela não conseguir ouvir o que era dito com clareza. Abriu a porta com delicadeza para poder ouvir melhor.

_ Do que você está falando? – Essa, sem duvida, era a voz de Itachi, abafada mas ainda sim inconfundível. Barulho de movimentação e grunhidos de dor, a respiração de um dos ocupantes do andar de baixo pareceu se intensificar, e Sakura precisou ter muita força de vontade para não sair do banheiro e espiar pelo corredor o que estava acontecendo.

_ Naruto, acalme-se. – Itachi pediu com a voz imensamente mais baixa. Um barulho de algo maciço caindo no chão se sucedeu.

_ É disso que eu estou falando! – Naruto sibilou. Poucos segundos depois barulhos de passos foram ouvidos pela garota rosada, mas para o seu espanto muito mais próximo do banheiro do que a sala, aonde Naruto e Itachi preciam estar. Trancou a respiração, tentando ao máximo continuar despercebida.

_ Quem você pensa que é? Enganando o Hiro desse jeito! Enganando seu pai desse jeito! – Naruto gritava, parecendo não se preocupar se outra pessoa além de Itachi seria capaz de ouvir seu protesto — E tudo isso por causa de que hein? Pra foder teu próprio irmão? Literalmente né? Você é doente! Não sei o que você falou pro Hiro, ou seja lá como for o nome dele: a mim você não me engana Itachi-bastardo!

Quem era Itachi? Pois parecia haver apenas duas pessoas naquela sala de estar, sendo que ambas eram conhecidas por Sakura nos mínimos detalhes de suas vozes.

_ Naruto! – o olhar de Sakura se arregalou. Já estava imensamente confusa pelas acusações de Naruto à Itachi, e ouvir a voz de Sasuke adentrar a briga fez sua curiosidade triplicar. Uma pausa considerável se estendeu, a tensão do outro lado do corredor aumentando de tal maneira de Sakura conseguia, literalmente, sentir a gravidade da cena em sua própria pele.

_ Sasuke, suba e me espere no quarto. – Itachi falou, parecendo calmo e desprovido de qualquer emoção. Mas Sakura sabia o quanto esse tom era perigoso, afinal, ela mesma já havia presenciado diversas situações em que o Uchiha agia desta maneira em seu namoro. Alias, por que ele havia chamado Hiro de Sasuke?

_ Não. – o companheiro de apartamento respondeu em tom firme – Naruto, eu percebi que você descobriu a verdade – verdade? – mas entenda que...

_ Não! Hiro, não! – Naruto exclamou, e barulho de passos rápidos se sucederam – Você precisa saber, você tem que ter sua escolha!

_ Do que vo... – Mas o moreno não foi capaz de finalizar sua pergunta. A voz de Sasuke parou de soar, Sakura se sentindo cada vez mais confusa com as ações dos rapazes e o teor de suas conversas.

_ Você mentiu a vida toda pra ele e agora vai bater nele? – Naruto gritou, horrorizado. Um grande barulho de briga corporal de sucedeu, e por óbvio alguém havia perdido. O som de corpo sendo empurrado era evidente, ou Naruto ou Itachi havia desmaiado, e pelo pouco conhecimento que a rosada obtivera dos dois em sua vida não era difícil saber quem estava inconsciente naquele exato momento. Esperou, curiosa, para uma nova reação, preparando-se para fingir estar adormecida caso a porta do banheiro fosse escancarada dentro de alguns minutos.

Mais ou menos quinze minutos se passaram, mas ninguém encontrou o esconderijo de Sakura. Finalmente, as vozes voltaram a soar na sala, e a garota apurou ainda mais o ouvido, pois elas pareciam consideravelmente mais contidas dessa vez.

_ Eu aprendi ninjutsu minha vida toda, Naruto. Nada do que você tentasse fazer seria muito eficiente, sinto muito. Tentei ao máximo não te ferir no processo, espero que não esteja sentindo dor. – a voz de Itachi soava tranquila, sem grandes traços de emoções. Barulhos de paginas sendo viradas encheram o ambiente, e após um leve baque seco de algo sendo fechado, o som das vozes voltaram a ecoar – Agora, Naruto-kun, nos vamos conversar.

_ O que te faz acreditar que quero ouvir qualquer merda que você tem a dizer Itachi? – Naruto sibilou em voz baixa, deixando Sakura confusa.

_ Você esta amarrado e sobre o meu controle pelos próximos minutos. Sugiro que seja prudente e utilize-os com cautela e sabedoria. – A voz do mais velho soou ironicamente, a garota percebia que seu ex-namorado não parecia nada contente – Realmente, aquilo que lera no diário é a mais pura verdade. Nós somos irmãos de sangue e alma, somos muito mais do que meros amantes ou companheiros de apartamento. E por mais que eu esteja falando por ele neste momento, posso garantir sem medo de errar que ele, assim como eu, não se envergonha de nossa condição.

Pela segunda vez aquela noite, os olhos esmeralda de Sakura se arregalaram: irmãos? Mas que brincadeira sem graça era essa?

_ Seu nome é Itachi Uchiha, não foi difícil descobrir que sua mãe falava de você no diário, mas confesso que a fotografia ajudou bastante. Qual o nome dele? – Naruto perguntou, e a rosada sabia claramente identificar o esforço que o loiro fazia para manter a voz calma.

_ Sasuke Uchiha, filho de Mikoto Uchiha e Izuna Uchiha.

Uchiha... O sobrenome lhe era familiar... Forçando a mente, Sakura relembrou dos anúncios de desaparecimento dos herdeiros Uchiha na televisão. Lembrava-se claramente de ser Fugaku Uchiha o nome do dono do império da Kekkei Genkai Inc.

Oh. Oh... Bom, agora as coisas estavam começando a fazer sentido.

_ Pelo menos você teve a decência de dar o nome que sua mãe pretendia dar. Duvido que Fugaku sabia deste desejo de Mikoto, então deve ter sido você que deu a pequena... Vamos dizer... Sugestão.

_ Pare de falar com tanto desprezo comigo. Você não sabe metade da história, certamente não estaria me tratando desta maneira se soubesse.

Naruto calou-se pelos poucos minutos, e Sakura apenas podia supor o que acontecia com o loiro no outro cômodo da casa. Ouvia a voz de Itachi, mas essa soava tão baixa que Sakura não conseguia identificar mais do que palavras esparsas em sem nexo. Era como se, subitamente, Itachi temesse que alguém, provavelmente Sasuke, ouvisse a explicação que concedia ao loiro. Depois de longos minutos de grande frustração para a garota, Itachi calou-se.

_ Bom... – Naruto falou, em tom de voz fraco – é obvio que você vem de uma família bem ferrada, Uchiha.

_ Você não faz ideia o quanto. Ganhar a confiança de Sasuke nunca foi uma tarefa fácil. Mas agora que a tenho, sei que é tão forte quanto à confiança por ele em retorno. Sei o quanto foi difícil e o quanto é valioso, Naruto-kun. – Sakura ouviu um barulho de pano sendo cortado – Falar tudo para ele agora apenas iria causar ódio e desconfiança, e ele buscaria vingança. Eu entendo muito bem como a mente do meu irmão funciona... Confie em mim, ainda existem algumas coisas que precisam ser feitas. Tudo será dito no momento oportuno.

_ E o que te faz pensar que eu não vou contar nada?

_ Se você chegasse ao ponto de ter de escolher entre salvar a verdade e salvar o Sasuke de si mesmo, o que você escolheria?

Uma longa pausa se sucedeu, mas Sakura sabia com certeza o que o loiro responderia, e não foi surpreendida.

_ Eu escolheria os dois.

_ É por isso que eu confio em você. Tenha prudência, e a verdade virá, assim como Sasuke não vai nos abandonar. – Passos, passos extremamente próximos do banheiro. Desesperada, Sakura se escondeu no boxe de banho, mas Itachi parecia ter tomado, novamente, a porta do quarto.

Naruto demorou a se mover, mas alguns minutos depois a rosada pode supor que o loiro havia se retirado, pelo barulho de maçaneta na porta da frente.

Sentou-se no chão, emocionalmente cansada e sentindo efeitos físicos devido a forte bebida que previamente havia ingerido. Que loucura sem cabimento era aquela? Entendera que os dois se tratavam dos herdeiros Uchiha, que tinham um caso que seria muito mal visto pela sociedade caso fosse à tona e que estavam enganando o pai, tanto com o desaparecimento e as falsas identidades, quanto pela paternidade de Sasuke Uchiha.

Aquela noite, a raiva de Sakura pelos dois anfitriões aumentou consideravelmente. Não apenas desprezaram-na, mas agiam como se fossem pessoas puritanas e perfeitas, enquanto ela seria a suja e sem moral da questão. Irritada e determinada a dar uma lição nos dois, saiu correndo do apartamento.


(***)


_ Agi por impulso – ela falava com a voz fraca – Encontrei o telefone comercial de Fugaku na mesma noite, liguei ainda de madrugada. Fugaku pediu para me encontrar pessoalmente, dizia que sua linha telefônica poderia estar grampeada, e eu fui... Ele pagou tudo, a passagem, a hospedagem – soluçou de leve, escondendo novamente a face como se sentisse vergonha de seus atos – Ele me parecia realmente a vitima de tudo isso.

Itachi suspirou, sentindo sua raiva por Sakura diminuir um pouco. Ele sabia que a garota havia sido uma tola por agir daquela maneira sem qualquer cabimento, mas também sabia o quão persuasivo Fugaku poderia ser.

_ Ele... ele... Ele me prometeu tudo. – ela praticamente sussurrou, sua voz saindo fraca e envolta de vergonha – Ele dizia me admirar, dizia que eu tinha força e caráter. Ele me fez realmente achar que eu estava sendo desejada. Ele disse tudo que eu estava querendo há tempos ouvir da sua boca ou da boca de Sasuke.

_ Não me diga que... – a voz de Itachi soou rouca pela falta de uso, mas em um tom consideravelmente audível. As lágrimas de Sakura agora escorriam entre seus dedos, molhando o chão da cela escura.

_ Eu prefiro não dizer, mas você deve conhecer muito bem o seu pai...

Itachi sentiu a raiva por Fugaku aumentar ainda mais. Sakura não era uma garota burra, poderia ser leviana e volúvel em diversos aspectos, mas se havia cedido aos caprichos de Fugaku e realmente acreditado em um interesse romântico partindo dele, ele deve ter agido de maneira muito fria e calculista. Um verdadeiro Uchiha, pois Itachi nunca seria tão calculista a esse ponto, como o próprio progenitor costumava pontuar.

_ Sakura, me alimente, por favor. – Itachi sussurrou, ainda incapaz de se mover devido a fraqueza física, e Sakura prontamente começou a alimenta-lo com poucas porções no talher. Itachi havia, finalmente, readquirido uma nova força de vontade para continuara lutar. Independente dele ou de Sasuke, um homem tão nojento como Fugaku deveria perecer, e ele faria tudo que estivesse em seu alcance para admirar sua derrota.

_ Eu mencionei a amizade de vocês com Gaara e Naruto. – ela continuou a falar, parando de chorar e realizando com zelo a tarefa que o moreno lhe havia incumbido – Fugaku não pareceu se importar muito com Naruto, dizia que ele era tolo demais para ajudar vocês com qualquer coisa. Mas começou a vigiar Gaara, que eu descobri logo em seguida trabalhar com Fugaku na empresa... Deve ter grampeado alguns telefones dele, não sei ao certo. Sei que alguns dias depois Orochimaru passou a visita-lo no escritório, e logo depois você foi capturado...

Itachi mastigava de forma fraca a comida fria, engolido com dificuldade e sentindo dor em sua garganta, mas não reclamando. Precisava de força o suficiente para bolar um plano com a quantidade de informações que a rosada estava lhe oferecendo.

_ Na noite que você veio, descobri os planos de Fugaku. Ele sempre agiu como se pretendesse encontra-los, castiga-los, mas que jamais chegaria a esse ponto. Dizia abertamente que aceitaria Sasuke como filho e jamais tocaria no assunto de Izuna Uchiha, e eu cai como uma tola nesse conto de fadas e na figura do pai benevolente. Mas quando você chegou... Eu o vi conversando com Orochimaru e espiei atrás da porta, discutindo qual seria seu tratamento e que Sasuke seria o pagamento daquela cobra terrível.

Itachi, não aguentando comer mais, virou o rosto e encarou o chão. Sakura depositou o prato novamente no chão, puxando o rosto de Itachi para próximo de si, encarando-o nos olhos.

_ Eu me identifiquei pra eles Itachi, simplesmente abri a porta e entrei na conversa. Eu pensei em fugir, desaparecer e limpar meu nome dessa confusão, mas eu senti que eu deveria ajuda-los a sair o mais ilesos quanto podiam de tudo isso. Declarei em alto e bom som que desejava o pior dos destinos para Sasuke, e que sua morte seria pouco perto do que você merecia, que você deveria sofrer. Eu... Inclusive... Disse... Arg... Disse que amava Fugaku, para que ele confiasse em mim – ela falou com expressão de repulsa no olhar – Me ofereci para cuidar de você e prolongar sua dor, mas na verdade eu queria mantê-lo vivo o quanto eu pudesse pra que eu conseguisse pensar em algo a fazer. Ao ouvir a conversa que Fugaku teve contigo, cheguei ao ápice do meu sentimento de culpa. Muito mais do que já estava me sentindo, pois percebi que o monstro que Fugaku era ia muito além do que eu havia imaginado, além de ter percebido o quanto ele me usara.

Inesperadamente, Sakura inclinou o corpo e beijou a testa de Itachi com ternura, acariciando seu rosto em seguida. Evidentemente surpreso pelo gesto, o moreno a encarou assim que ela se afastou, enquanto esta passava as mãos nos seus cabelos bagunçados, tentando penteá-los com os dedos e ajeitá-los da melhor maneira possível.

_ Me perdoe Itachi. Sei que o que fiz é imperdoável, mas pelo tanto que aprendi de você nesses últimos dias percebi que você não é uma pessoa qualquer. Por muito menos, eu já teria matado Fugaku, independente de ser meu pai. Mas aprendi que seu coração é imenso, e uma pessoa que possui tanto amor pode ser capaz de perdoar um lixo de pessoa com eu. Tudo que eu quero agora é te ajudar a sair dessa... Por favor, me perdoe e me diga o que fazer, pois eu nunca estive tão perdida em minha vida inteira.

Sakura esperou ansiosamente por uma resposta do moreno, mas quando este abriu a boca para falar não foi as palavras que ela desejava ouvir que soaram dos lábios do Uchiha.

_ Onde estamos? – ele perguntou, em um tom severo que demonstrava claramente que aquilo não se tratava de um questionamento, e sim de uma ordem a ser respondida prontamente. Sakura piscou, sentindo o coração ainda mais pesado, mas respondeu.

_ Eu não sei exatamente. Estamos em uma casa de Fugaku no norte do país. A cela é um cômodo do porão, do lado de fora do quarto está todos os equipamentos de vigilância da casa. Câmeras estão instaladas em todos os cômodos da casa. Eu demorei para vir conversar contigo pois, assim como você, eu também estava sendo vigiada. Pensei em ligar para a polícia, mas como faria isso com todas essas câmeras me vigiando em todos os lugares aonde eu ia? Não há pontos cegos nas câmeras, Fugaku nunca escondeu os equipamentos telefônicos de meus olhos e eu sempre soube que estava sendo vigiada 24hrs. E desde que cheguei nessa casa, não pude mais sair. Apenas ele sai por algumas horas para trabalhar e comprar mantimentos, mas logo volta. Eventualmente Orochimaru aparece por aqui, mas nunca fica por muito tempo e nunca conversa em minha presença...

_ E como... – Itachi tossiu novamente, e Sakura apertou seu ombro para demonstrar apoio emocional. Assim que se controlou, respirou fundo e recomeçou – E como você esta aqui falando comigo?

Sakura sorriu, evidentemente orgulhosa de algo que havia feito.

_ Bom Itachi, sei que você pensaria nisso mais rápido do que eu, mas eu sou uma mera garota. Eu causei um curto-circuito no banho, derrubei o secador propositalmente na banheira e a chave de energia caiu e desligou todo o circuito da casa, consequentemente as câmeras... Ninguém vai estar aqui nas próximas horas, e quando aparecerem eu vou afirmar que não sei nada de engenharia elétrica e não sabia como agir com a queda de energia. Lamento ter demorado tanto tempo pra ter essa ideia.

Foi a vez de Itachi sorrir, de maneira suave e comedida.

_ Se serve de consolo, eu acho que não teria pensado nisso.

Sakura sorriu mais abertamente, trazendo o copo de agua novamente para os lábios de Itachi, e ele bebeu sem protestar.

_ Mas eu ainda não consegui criar um plano pra te tirar daqui. Eu pensei em ligar pra polícia agora, mas estou sem acesso a telefones no momento, apesar de que quando Fugaku esta em casa ele carrega um telefone celular, mas não me deixa chegar perto. Tentei sair da casa antes de vir aqui pra usar um telefone publico, mas estou trancada aqui. Se eu forçar as fechaduras Fugaku vai perceber que eu tentei sair.

Itachi ficou em silencio por alguns instantes, e Sakura o analisava atentamente, esperando um plano genial.

_ Sasuke...?

_ Não faço ideia Itachi, mas Fugaku não tem noticias de Sasuke a dias. Pelo que sei, ele e Orochimaru estão atrás de Sasuke, mas não o encontram de maneira alguma.

Um novo período de silêncio se sucedeu, Itachi piscou varias vezes analisando a situação, adquirindo um novo ímpeto para lutar. Se fosse questionado, não conseguiria pôr em palavras o alívio que acabara de sentir por saber que Sasuke ainda estava salvo.

_ Alguém deve ter retirado meus pertences do quarto de hotel onde eu estava hospedado.

_ Sim...

_ Você verificou o conteúdo das malas?

_ Não, elas estão da mesma maneira que chegaram, no segundo andar.

_ Por favor, traga-as pra mim e me mostre o conteúdo.

Sakura se levantou, saindo e voltando à cela com velocidade. Percebeu que Fugaku havia pego a mala tanto de Itachi quanto de Sasuke, o que indicava que seu irmão, pelo menos aparentemente, não havia voltado para retomar seus pertences após a briga que tiveram no quarto de hotel. Quando a rosada lhe mostrou os pertences de Sasuke, a cela foi inundada pelo cheiro característico de seu Otouto. O coração do Uchiha ardia em seu peito de tanta ânsia de estar perto do garoto, ao menos para vê-lo. Sakura percebeu sua reação, olhando-o com pena. Itachi fez um aceno de cabeça indicando que ela deveria mostrar o conteúdo de sua mala.

O diário e a joia não estavam entre seus pertences.

_ Quem pegou minhas coisas?

_ Eu.

Itachi analisou Sakura atentamente, e tomou a decisão do que faria.

_ Sakura, peço que escute atentamente.

A rosada se afastou do Uchiha, sentando de pernas cruzadas à sua frente, ouvindo tudo atentamente. Itachi respirou fundo, sabendo que doeria falar o tanto que ele precisava falar, mas que seria necessário.

_ Eu estou doente, como pode ver. Devo estar com gripe, pneumonia, algo assim. – mais um acesso de tosse se sucedeu, Sakura o encarava com ar de seriedade, mas com as feições preocupadas – Eu preciso que você consiga remédio pra mim, se não de nada vai adiantar o plano que eu fiz... Diga para Fugaku que esta doente e peça antibióticos e demais medicações. Ele dificilmente vai te levar no médico para conferir sua versão, então vai comprar pra você o que você pedir.

_ Certo.

_ Vou voltar a comer diariamente. Ponha os comprimidos junto com a comida, tente aumentar o numero de refeições sem causar grandes suspeitas, porções maiores, etc. Eu estou muito fraco e preciso adquirir um pouco da minha força pra tudo dar certo.

_ Vai ser difícil Itachi, Fugaku não me deixa te alimentar o tanto que eu gostaria.

_ Apenas tente... Vou fingir estar mais fraco do que realmente estou, diga que eu estou fraco demais e preciso me alimentar mais se não vou morrer. Fugaku não quer que eu morra antes dele encontrar Sasuke.

Sakura concordou com a cabeça. Itachi teve mais um acesso de tosse e ela limpou seus lábios com delicadeza com o pano que trouxera. Ele suspirou, recomeçando.

_ Afrouxe os elos da corrente, um a um, poucos milímetros.

Ela piscou, levemente atordoada.

_ Quê?

_ Apenas faça, hoje de preferência, pra aproveitar a ausência de câmeras.

_ Ok...

_ Por último e mais importante, me mande informações coladas abaixo dos copos de água, de maneira que eu consiga ler no fundo enquanto bebo a água, pois minha movimentação é limitada devido as câmeras. A iluminação é pequena, mas eu estou há tanto tempo aqui que tenho certeza que consigo ler mesmo nessa escuridão. Informações importantes, como se há noticias de Sasuke ou qualquer movimentação anormal de Fugaku e Orochimaru. Escreva os bilhetes durante a noite, quando estiver dormindo com Fugaku. Se existe uma coisa que Fugaku não gosta é de exibicionismo, nunca gostou – a rosada corou – ele vai desligar as câmeras após deitar com você se pretender fazer alguma coisa, para não registrar nada em vídeo, até porque você é de menor e registrar tais atos poderia causar-lhe problemas se chegasse em mãos erradas...

_ Como você sabe da discricionariedade de Fugaku na cama?

Itachi se limitou apenas a sorrir um sorriso amarelo, Sakura fez uma expressão horrorizada, levando as mãos a boca.

_ Monstro... – sussurrou entre seus dedos. Itachi apenas gesticulou com a cabeça para deixar o assunto morrer.

_ De qualquer forma, sempre tenha o copo de água próximo a si, aproveite para colar no fundo do copo nessas ocasiões. Não deixe Fugaku perceber a importância do copo, apenas haja como se fosse um habito seu beber água durante a noite. — Sakura piscou três vezes, processando a informação. Itachi levantou uma sobrancelha de maneira duvidosa – O que? Achei que daria pra fazer isso, achei que você cuidava da alimentação.

_ E dá. Eu só estou surpresa do quão genial você é.

Um silêncio levemente incomodo se sucedeu. Sakura tomou as mãos de Itachi com as suas, apertando-as firmemente.

_ Mais uma vez, peço seu perdão. – seus olhos voltaram a brilhar em lágrimas. Itachi esperou um pouco para responder.

_ Sakura, meus planos poderiam me fazer levar a me vingar de você. É uma característica dos Uchiha a sede por vingança, mas eu consegui me libertar disso depois de muita coisa errada que fiz na minha vida. Eu perdoo você. E por isso te digo: no dia eu cruzar os talheres após comer, fuja, desapareça. Não se preocupe em parecer sutil, apenas desapareça na primeira oportunidade que tiver.

_ Itachi...

_ Apenas confie em mim.

Sakura se levantou e caminhou para fora da cela, deixando Itachi sozinho por alguns instantes. Voltou com uma ferramenta com sistema de alavanca, forte o suficiente para afrouxar os elos da corrente como Itachi havia instruído.

_ Sinto que você esta simplesmente esta esperando um milagre...

Itachi a encarou firmemente com o olhar.

_ Obvio que não. Estou esperando Sasuke.

Sakura parou de afrouxar os elos, encarando Itachi de olhos arregalados.

_ Você realmente acha que Sasuke vai vir? Estamos falando de Fugaku e Orochimaru, Sasuke não seria tão suicida...

_ Se você me acha genial, você ainda não viu meu irmão em ação. Sasuke é o meu legado, sua mente é infinitamente mais brilhante que a minha. E eu tenho absoluta certeza que ele virá.

Sakura voltou a trabalhar nas algemas. Após minutos, sussurrou em voz baixa e tristonha.

_ Espero que não venha para se vingar de você Itachi...

O moreno sorriu para ninguém em particular, olhando para seus pés enquanto a rosada trabalhava.

_ As vezes apenas correndo riscos conseguimos o que queremos. As vezes o que pra muitos pode parecer uma jogada desesperada é na verdade uma jogada muito bem planejada.

Sakura nada respondeu, suspirando fundo e rezando mentalmente pra todos os anjos do céu pelo que ela considerava uma causa perdida.


(10 dias depois)


_ Você desejava me ver, Sasuke-kun.

Os olhos furiosos do Uchiha caçula encararam o rosto debochado de Orochimaru, e o mais velho poderia jurar que vira um tom avermelhado no olhar ônix do rapaz. Estava sentado, de braços cruzados, em um dos quartos da mansão de Orochimaru.

_ Estou cansado de esperar.

_ Paciência é uma virtude. Você deveria estar usando seu tempo construtivamente e prestar mais atenção nas aulas de Kabuto sobre a economia da empresa. – Orochimaru respondeu, analisando suas unhas distraidamente.

_ Eu estou pronto, o que vocês estão esperando? Não é por minha causa que estão atrasando tanto essa negociação.

Orochimaru sorriu abertamente.

_ Certamente você é um legitimo Uchiha. Estamos procurando Gaara, precisamos elimina-lo, assim como seu pai. Quando encontrarmos o moleque, vamos coloca-los juntos e simular um acidente.

Sasuke se levantou e caminhou para perto do homem de cabelos compridos, aproximando-se até permanecer poucos centímetros próximo do rosto de Orochimaru. Este não parecia nem um pouco incomodado com a aproximação, sorrindo de canto de boca e esperando que o Uchiha desse mais um passo.

_ Quero que você prenda Fugaku. Hoje. Não consigo imaginar mais nenhum segundo que aquele imundo esteja solto por aí. – sussurrou.

E a cobra sorriu.

_ Me de um bom motivo. – aproximou-se ainda mais do jovem, seu corpo ansiava por uma reação.

As feições de Sasuke se tornaram completamente indecifráveis quando esse colou seus lábios aos lábios do homem a frente. O beijo nada mais foi que uma mera união de lábios, rápido e suave. Sasuke deu-lhe as costas em seguida, caminhando até a cama e deitando ainda de costas para Orochimaru, olhando a janela aberta que mostrava as grossas gotas de chuva batendo ruidosamente no vidro.

O homem sorriu maliciosamente, abrindo a porta do quarto e encontrando seu fiel escudeiro prontamente parado para instruções.

_ Kabuto.

_ Orochimaru-sama. – o homem cumprimentou, fazendo uma leve reverencia de leve com a cabeça.

_ Prenda Fugaku Uchiha no local combinado.

_ Certo.

_ E não me incomode até o amanhecer.

Kabuto, entendendo o recado de Orochimaru, apenas sorriu de maneira igualmente maliciosa.

_ Naturalmente. – respondeu enquanto o homem mais velho retornava ao quarto de Sasuke, fechando a porta e trancando-a com um girar de chaves. Kabuto riu de leve, ajeitando os óculos antes de caminhar para fora da mansão e cumprir seus afazeres.

Seria uma longa noite...


... continua ...