Pride and Joy
23 Capítulo 23
Notas iniciais
[N/A (15/04/2012): Capítulo corrigido/revisado]
PRIDE AND JOY
A chave, incrivelmente, ainda se encontrava embaixo do capacho da porta, local que os Uchiha sempre combinavam de esconder o objeto. Sorriu ao perceber sua sorte, analisando como o objeto de metal parecia levemente enferrujado. Colocou-o na fechadura, mas precisou forçar a porta para burlar a oxidação e adentrar no recinto.
A casa estava vazia, o cheiro de mofo evidente. Por obvio Fugaku Uchiha não botava os pés na residência há tempos. O moreno inspecionou o hall com cuidado, olhando para canto do cômodo, a mão firmemente segurava o objeto dentro de seu bolso interno enquanto ele caminhava sorrateiramente.
Algo estava errado. Tinha a completa certeza de que Fugaku deixaria alguém para recepcioná-lo caso ele decidisse voltar por vingança. Em nenhum momento achou que encontraria o homem despreparado, tomando um simples chá da tarde, mas isso estava longe de ser o que ele esperava.
Não havia nada ali. A não ser pelas cortinas que bloqueavam a iluminação da janela, nenhum outro indício de que naquela casa havia habitado um ser humano era evidenciado. Piscou atordoado e, sem abaixar a guarda, subiu as escadas lentamente, indo em direção aos quartos.
O primeiro quarto era o que costumava dividir com seu irmão. A porta rangeu sonoramente quando foi aberta, assim como o andar de baixo, o cômodo estava vazio e inabitável há meses... Irritado, o Uchiha se virou para sair da casa e bolar um novo plano, quando uma voz atrás de si o fez parar de se mover.
_ Bom dia, Sasuke-kun.
Imediatamente Sasuke sacou a arma, apontando-a para a figura recém-chegada. Tratava-se de um homem que aparentava ter mesma idade que seu irmão, mas com estranhos cabelos completamente acinzentados, os quais o faziam parecer levemente mais velho do que realmente era. Encarava o moreno, isto era óbvio, porém era impossível ver seus olhos devido ao reflexo da fraca iluminação em seus óculos. Sorria, aparentemente satisfeito com o encontro.
_ Humm, a joia... Duvido que tenham dado pra você.
_ Quem é você. — não era uma pergunta, era uma ordem a ser cumprida. Suas palavras soaram como um rosnar, mas o homem não pareceu intimidado. Pelo contrário, soltou uma risadinha baixa, empurrando os óculos com seu indicador, permitindo que Sasuke observasse seus olhos negros confiantes. Encararam-se por alguns segundos, até que o grisalho puxou um papel de seu bolso interno rapidamente, antes que Sasuke pudesse ser capaz de imaginar se tratar de uma ameaça.
_ Kabuto Yakushi, ao seu dispor. — Esticou o papel, não fazendo maiores movimentos até que o Uchiha mais novo caminhasse lentamente ao seu encontro, arrancando o bilhete com brutalidade de suas mãos. Continuou a encará-lo em posição ereta, como se esperasse que o garoto lesse o conteúdo da carta. Sasuke abaixou seus olhos para o texto, espiando Kabuto ora sim ora não, receando movimentação brusca.
"Sasuke Uchiha,
Tenho uma proposta a fazer. Se quer ser grande e cumprir seus objetivos, não será andando a esmo para locais inabitáveis e improváveis de se conseguir uma vingança que terá sucesso.
Quer encontrar Fugaku Uchiha? Juntos podemos fazê-lo implorar para jamais ter nascido.
Entre em contato com Kabuto, ele saberá aonde me encontrar.
Orochimaru."
Sasuke terminou de ler o bilhete, virando-o e vendo que no verso havia o telefone de Kabuto.
_ Não esperava encontrá-lo neste exato momento, pretendia apenas deixar a carta e receber sua ligação em breve. — Kabuto esperou que Sasuke fizesse algum pronunciamento, mas este apenas amassou o papel e jogou para trás por cima de seu ombro – Não está interessado em saber o que Orochimaru-sama deseja te propor?
_ Conseguirei o que quero sozinho, não preciso de ajuda. — Sasuke disse, abaixando a arma e saindo do cômodo sem olhar para trás. Não necessitava manter a guarda alta, seja lá o que esse tal de Kabuto e Orochimaru desejassem, não o desejavam morto.
_ Orochimaru-sama está em posse de Itachi Uchiha.
O moreno parou de andar, apurando o ouvido para escutar mais. Kabuto sorriu satisfeito, mesmo que o rapaz ainda estivesse de costas para si, ele havia conseguido, de fato, prender sua atenção.
_ Orochimaru-sama foi contratado por Fugaku para encontrar você e seu irmão por vingança particular. Orochimaru propôs o preço dele e Fugaku aceitou prontamente. Mas isso não passa de uma fachada para esconder os reais interesses. Talvez você queira saber mais a respeito do... — Kabuto calou-se: Sasuke esticou novamente a arma em direção à sua testa.
_ Me leve para o tal Orochimaru, se tentar alguma coisa explodo seus miolos. — Disse com um tom de voz perigoso, engatilhando a arma reluzente.
(***)
O ruivo acordou sonolento, sentindo a maciez abaixo de si e o contato humano, não desejando abrir os olhos e se afastar da fonte de calor. Aos poucos, foi percebendo que alguém acariciava seus cabelos, fazendo-o reagir finalmente. Empurrou seu corpo para trás, caindo da cadeira de encontro ao chão. Ouviu uma risada, aquela que tão facilmente aquecia seu coração, e abriu os olhos para encontrar as safiras encarando-o envoltas por feições divertidas.
_ Naruto!
_ Oi. — Respondeu timidamente. Gaara arregalava os olhos como se estivesse vendo um fantasma, se pondo em pé com apenas um pulo. Agarrou as mãos de Naruto às suas e sorriu. Literalmente sorriu, sendo assim a vez do loiro parecer surpreso.
_ Eu achei... Eu temia que...
_ Nah, relaxe. Precisa muito mais do que isso pra me fazer não acordar mais. — o loiro respondeu com confiança, sorrindo em retorno.
E então o ruivo não se conteve mais.
Todos os dias, todos os infindáveis quinze dias, haviam sido demais para o pobre coração de Gaara. Ver Naruto finalmente acordado, com os mesmos olhos brilhantes de sempre, sendo que à pouco tempo estava desprovido da permissão para observá-los, fez qualquer promessa interna de se manter longe parecer inútil e desnecessária. Ele queria, ele desejava, não podia deixar que o loiro fosse arrancado de sua vida novamente sem que tivesse ao menos tentado conseguir o que queria.
Abaixou sua cabeça, encarando os olhos arregalados de Naruto. Sabia que expressavam receio, mas o dono dos olhos não vocalizou um pedido de afastamento, o que o encorajou ainda mais. Os lábios se tocaram brevemente, o beijo foi rápido, como um selinho. No mesmo instante que sentira o gosto doce da pele de Naruto, Gaara se arrependeu de tomar atitudes tão desmedidas e movidas por impulso, apartando o contato e trazendo seu corpo de volta para trás.
Porém, foi surpreendido quando o braço bom de Naruto envolveu seu pescoço, puxando-o novamente para perto de si e selando os lábios aos do ruivo. O beijo recomeçou, agora mais ardente e com a reciprocidade nunca antes vista. Gaara não conseguia entender o que acontecia, mas tampouco desejava pensar nisso naquele momento. Suas mãos foram envoltas pelos cachos loiros e despenteados do objeto de afeição à sua frente, enquanto o beijo se aprofundava, Naruto no comando e parecendo não se arrepender do que fazia, retirando o braço do pescoço de Gaara e puxando sua gola para mais perto de si. O ruivo cogitava a possibilidade de subir na cama de hospital para um maior contato físico, mas o medo de machucar mais ainda o loiro o impediu de fazê-lo.
Apartaram o contato poucos segundos depois (ou seriam décadas?) quando ouviram o som da porta do quarto de hospital ser aberta.
_ Ahm... Eu não queria interromper, me desculpe Gaara-san, mas Naruto precisa fazer alguns testes. — a enfermeira falou timidamente, se aproximando da cama. O ruivo se afastou, ouvindo um suspiro atrás de si.
_ Que pena que você chegou, a coisa estava começando a ficar interessante. – falou a voz de Kakashi atrás de si, fazendo-o virar e encarar o grisalho com um olhar assassino.
_ KAKASHI! Seu pervertido! Você estava aqui o tempo todo! — Naruto gritou horrorizado, apontando o dedo de forma acusadora para o homem. Gaara parecia pronto a matar Kakashi apenas com o olhar, mas este não pareceu minimamente preocupado com sua vida.
_ Eu não lembro de ter dito que ia me retirar. Não tenho culpa se vocês estavam se comendo e não perceberam que eu ainda estava aqui. — Gaara começou, lentamente, a avançar para cima do grisalho.
_ Já chega, senhor Kakashi e Gaara, por favor queiram deixar eu examinar o paciente. — a enfermeira, mais do que rapidamente, puxou os dois pelo braço, levando-os em direção a porta. Em questão de segundos esta bateu às costas dos dois, e Kakashi, agindo como se nada houvesse ocorrido, voltou a inspecionar o seu livro, sentando-se na cadeira do corredor.
_ Me de um motivo pra eu não te matar agora mesmo. — Gaara rosnou, cruzando os braços na frente do grisalho. Este sequer ergueu os olhos para o garoto mais jovem, apenas folheando o livrinho enquanto respondia.
_ Sasuke foi para casa dele, como havíamos suposto, atrás de Fugaku. A câmera que eu instalei no jardim filmou ele e outro homem saindo da casa e entrando em um veículo sem placas.
_ Quem é o homem? — O ruivo perguntou, esquecendo-se completamente das ameaças de morte.
_ Não foi difícil reconhecer, nem precisei de programa de comparação de imagens. É Kabuto Yakushi.
_ Kabuto? — Gaara falou, sentindo uma onda de ira invadir seu corpo – Meu gerente administrativo?
_ Tecnicamente o gerente do seu pai, já que você ainda não...
_ Cale-se.
Gaara sentou ao lado de Kakashi, analisando cautelosamente a parede branca à frente enquanto pensava. Kabuto foi contratado há cinco anos pela empresa e desenvolvia um bom trabalho no que a ele era conferido atuar. Sempre sorridente e motivado, o ruivo jamais suspeitaria dele. Era improvável imaginar que Fugaku houvesse conferido justamente a este homem um lugar em seu plano de vingança, visto que o moreno parecia odiá-lo profundamente toda vez que se encontravam nos corredores.
_ Kabuto não estava lá a mando de Fugaku. — o ruivo falou, mais para si mesmo do que para Kakashi, antes de se levantar e fazer menção de entrar novamente no quarto de Naruto. O grisalho segurou seu pulso a tempo, o impedindo de entrar.
_ Gaara, você me contratou para investigar, quer saber o que eu descobri ou vai agir por impulso de novo?
Virou-se e encarou Kakashi. Este retirava algumas folhas de papel do bolso interno, entregando-as para serem observadas. Os olhos de Gaara percorriam uma a uma, ao mesmo tempo que o homem mais velho explicava brevemente.
_ Devido a minha antiga profissão, tenho alguns bons contatos. Há poucas horas recebi essa papelada por e-mail, e imprimi antes mesmo de Naruto acordar. Kabuto Yakushi, aparentemente, não é seu único nome: o homem aparece com diversas identidades em vários estados do país, cometendo pequenos crimes, mas nunca foi preso por insuficiência de provas. Aparentemente são crimes leves, pelo menos àqueles descobertos, e por isso as forças secretas não o eliminaram até agora, deixando a encargo da policia comum e o judiciário.
_ Qual divisão da Interpol você trabalhava mesmo? — Gaara perguntou, folheando mais uma vez a papelada. Kakashi sorriu por de trás da mascara, relembrando os velhos tempos em poucos segundos.
_ Artilharia Náutica-Bélica Univesal.¹
_ Então, basicamente, era um esquadrão de armamento?
_ Mais ou menos. Não posso dar grandes informações, mas era sim ligado ao armamento, mais voltado pro armamento marítimo.
_ Sabe identificar esta arma?
Kakashi ergueu uma das sobrancelhas.
_ Não seria.. hum... evidente que você pudesse identificá-la?
_ Trato apenas das questões comercias, a parte da mercadoria fica a encargo de Fugaku.
Kakashi abaixou o olhar para a foto que o ruivo lhe apontava, onde Sasuke segurava uma arma apontada para a cabeça de Kabuto.
_ Não precisa ser especialista pra identificar. É uma Pistola Colt .45 ACP.
_ E o que isso tá fazendo nas mãos do Sasuke? — Gaara perguntou.
_ A Colt .45 é fácil de conseguir. Não é uma arma incomum Gaara, apesar de que... pelo brilho da foto... suspeito que seja a famosa joia. — Kakashi falou, puxando a foto para mais perto de si, a fim de analisá-la melhor. Era uma foto preta e branca, mas definitivamente a arma brilhava bem mais do que o normal.
_ Joia?
_ Joia, sim. Este é o nome dela. Fugaku Uchiha, quando ainda era casado com Mikoto, antes de Sasuke ou você pensarem em nascer, realizou um ato heroico em um dos comícios do governador à época. O governador estava fazendo um discurso importante, acusando o rival de alguns desvios de dinheiro, quando um tiro se ouviu. Foi a primeira grande aparição da empresa Kekkei Genkai Inc.², que estava fazendo a segurança pessoal do governador. O homem que morreu foi abatido por Fugaku Uchiha, pois a empresa ainda não tinha muitos funcionários para trabalho nas ruas, e, aparentemente, iria atirar no Governador. — Gaara franziu o cenho, duvidoso – Muita gente teve suas duvidas, pois o homem não estava apontando a arma para governador, apesar de estar sim armado e ser do partido político rival. Para abafar a duvida da nação e gerar um sentimento de orgulho pelo heroísmo, o governador do Estado fez uma homenagem à Kekkei Genkai Inc., fornecendo como um "troféu" a Colt .45 banhada a ouro. Ela, além de banhada, possui peças de outro maciço e diamante, e o próprio governador nomeou-a "joia" em seu discurso. Talvez tudo tenha sido um combinado, nunca vamos saber, mas o fato é que este governador cresceu imensamente na política, ficando famoso por esse episódio, enquanto a Kekkei Genkai Inc. disparou no mercado. Poucos meses depois seu pai comprou metade do capital da empresa, e foi ai que vocês entraram nesse mercado.
_ Como sabe de tudo isso?
Kakashi riu de leve por debaixo da gola alta.
_ Você não tinha nascido, mas eu tinha ué. E desde pequeno tive esse fascínio por armas, ver uma arma de ouro reluzente na televisão não é algo que se esquece facilmente.
_ Hn.
_ Gaara, escute, há mais. — Kakashi abaixou um pouco o tom de voz quando um grupo de médicos passou por eles e entrou no quarto de Naruto – Alguns crimes de Kabuto foram realizado em co-autoria com um homem chamado Orochimaru. A respeito deste homem, a Interpol possui uma grande ficha técnica. — Kakashi esticou mais um maço de folhas para Gaara, que percorria os olhos avidamente – Consegue perceber a ligação?
_ Orochimaru é um traficante internacional...
_ Tráfico sexual, tráfico de órgãos e tráfico de armas. Orochimaru não é peixe pequeno... é um dos maiores traficantes de todo o mundo, talvez não haja um país sequer que não tenha uma ficha dele em seus cadastros policiais. Mas como você pode ver na ficha, ele estava preso em um presidio de segurança máxima por anos, ate que morreu e foi enterrado no seu país de origem.
_ E você acredita que Orochimaru não tenha morrido?
_ Eu tenho quase certeza que ele está bem vivo, que "comprou" sua morte e tem planos para a Kekkei Genkai Inc. Afinal, não foi no começo do ano que a empresa adquiriu o título de...
_ Maior fabricante de armas do continente. — Gaara completou, olhando assustado para Kakashi – isso está saindo completamente do controle.
(***)
_ Sente-se, Sasuke-kun.
O moreno não fazia a mínima menção de se mover, apontando a arma para o homem pálido de longos cabelos que estava sentado à sua frente em uma mesa de reuniões. Kabuto andara calmamente ao lado deste, tomando a cadeira a sua esquerda e encarando Sasuke por de trás dos óculos redondos. O rapaz ainda estava com a arma em mãos, ora apontado para Kabuto, ora para Orochimaru. O mais velho do cômodo, fazendo Sasuke se arrepiar de medo, gargalhou – Não seja ridículo, como se uma arminha como esta pudesse fazer algum estrago.
Estalou os dedos. Imediatamente barulho de armamento pesado sendo movido ecoou pela sala, e pouco a pouco uma grande quantidade de rifles foi apontada para Sasuke de locais estratégicos na sala. Tampouco havia percebido que não estavam sozinhos, quem dirá que haveria uma segurança tão intensa no local. Mortificado, Sasuke deixou sua arma cair no chão, sentindo as pernas tremerem de leve.
_ Não se sinta acuado, vamos, pegue seu brinquedinho e sente-se. — Orochimaru, formalmente, indicou uma cadeira a sua frente com as mãos. O jovem, talvez pelo instinto de sobrevivência, recolheu sua arma e guardou-a no bolso interno, enquanto se sentou de maneira ereta na cadeira a ele destinada. Sem grandes delongas, o homem começou a falar com a voz rouca e em alto som – Meu nome é Orochimaru. Pode e deve se referir a mim como Orochimaru-sama. Possuo negócios específicos no mundo todo, e ultimamente Kekkei Genkai Inc. está atrapalhando meu mercado. A concorrência é grande, por assim dizer.
Um grande silêncio desconfortável, pelo menos para o Uchiha, se instalou. Sasuke piscou atordoado, não entendendo muito bem onde esta conversa o levaria.
_ Você e Itachi Uchiha são legítimos herdeiros da empresa, sendo que a família Uchiha é dona das quotas majoritárias das ações. Itachi não tem o mínimo interesse na minha proposta, pelo que já averiguei em... conversas passadas... — Orochimaru observou cautelosamente a expressão do Uchiha mais novo ao tocar no assunto referente ao irmão, mas este não pareceu sofrer nenhuma alteração emocional — Como eu sou uma figura publicamente conhecida por todos os governos deste miserável mundo, preciso que alguém seja o meu "corpo" diante da mídia. Por esse motivo, não posso comprar a empresa, pois por mais que utilizasse um nome falso cedo ou tarde descobririam minha real identidade, até porque a compra da Kekkei Genkai Inc. seria capa de revista. Da mesma maneira, Kabuto, que é a única pessoa que confio pra fazer isso, não possui capital para tal translação, o que evidenciaria ação de laranja e deixaria a polícia em alerta. Assim sendo, se aceitar minha proposta, estaria no comando da empresa sobre a minha supervisão, fazendo o que eu mandar, até encaminhá-la a ruína, recebendo um pagamento gordo ao fim.
_ E o que você me daria em troca? Pois dinheiro está longe de ser algo que eu quero.
Orochimaru sorriu sadicamente.
_ Fugaku Uchiha. Ao seu bem dispor, da maneira que desejar. Se desejar arruinar sua vida, fazendo-o assistir de camarote o fim de sua amada empresa, a traição de seu filho, bem como de qualquer outra forma desejar, terá meu total apoio. Se apenas desejar extinguir a vida do miserável, me sentiria honrado em lhe oferecer qualquer instrumento de tortura necessário.
_ Isso é pouco. — Sasuke falou com a voz firme, sabendo que por precisar de sua figura física Orochimaru não possuía a mínima intenção de matá-lo – Quero Fugaku e Itachi.
_ Como eu disse, Itachi não concorda com os meus e os seus ideias, o que é o mesmo que dizer que ele estará fora de circulação em pouc...
_ Itachi prejudicou minha vida imensamente – Sasuke o interrompeu em alto e bom som, com os olhos ferozes, surpreendendo Kabuto e Orochimaru – se existe alguém aqui que tem que tratar de tornar a vida dele miserável sou eu, e não você ou Fugaku.
_ Oh... — Orochimaru, novamente, sorriu perigosamente, inclinando o corpo para frente evidentemente interessado pela mudança de comportamento do Uchiha – não sei de onde Fugaku está tirando as informações dele, pois lembro-me claramente de ter sido informado de que você e Itachi eram amantes.
_ Eramos. Falou corretamente. — Sasuke sibilou, apertando os dedos em punhos firmes. Orochimaru gargalhou alto.
_ Nunca vi um irmãozinho mais novo tão irritado com seu irmão mais velho. O que houve? Ele foi rude na cama? — Sasuke olhou com seu olhar assassino para o homem, mas este apenas pareceu se divertir ainda mais – Negocio feito. Fugaku e Itachi, manterei ambos vivos até sua missão ser completada. Kabuto irá supervisioná-lo até a declaração de falência. Pode parecer coincidência, mas ele está mais a par do assunto do que você imagina.
(***)
_ Ufa, é você! Achei que os médicos tinham voltado pra me importunar mais. — Naruto sorria, mas seu sorriso foi perdendo a força ao ver a expressão facial de Gaara – O que foi?
Gaara suspirou profundamente, caminhando até a cama de Naruto e sentando aos seus pés.
_ É sobre Sasuke não é? — o loiro perguntou urgentemente, Gaara nada respondeu. Trincou os dentes, irritado – É melhor você me falar, se não vou atrás daquele pervertido e obrigar ele a me...
_ A situação tá mais complicada agora Naruto. Não acho que nem eu nem você possamos encontrar Sasuke. E mesmo se encontrarmos, duvido que possamos chegar perto dele... — o ruivo o interrompeu, voltando a encarar os olhos de Naruto.
_ O que aconteceu? — perguntou, novamente, com a voz fraca. Gaara se aproximou do loiro, segurando em as mãos destes nas suas e sentindo raiva dos Uchiha por entrarem em suas vidas e atrapalharem tudo. Respirando fundo, resumiu a maioria da história, e Naruto apenas o encarava com feições sérias enquanto este falava.
_ Ok. E?
_ Como assim "e"? Nós estamos em um patamar muito maior do que enfrentar apenas Fugaku Uchiha. Não prestou atenção em nada do que eu falei?
_ Você que não tá avaliando as coisas corretamente. — Naruto disse simplesmente, tentando se aconchegar mais na cama – Você tem um membro do FBI...
_ Interpol, Baka, e é ex-membro.
_ … Atrás daquela porta, esperando você apenas dar ordens do que fazer.
Gaara sabia que Naruto estava pensando corretamente. Apesar de não terem provas palpáveis de Orochimaru, o objetivo não seria capturá-lo, e sim conseguir provas para que a Interpol novamente tomasse conta do caso, o que Kakashi era prontamente capaz de fazer.
_ Sem falar – o loiro recomeçou – que agora não se trata mais dos irmãos Uchiha. Sua empresa está em jogo, você não sabe o que esse Orochimaru vai fazer, mas certamente não é coisa boa.
_ Não me interessa. A empresa, nada disso. Não me interessa mais, eu quase perdi você Naruto. – Gaara falou, olhando para as mãos enlaçadas – Eu não vou arriscar mais nada por causa de dinheiro ou daqueles dois. Você é muito mais importante do que isso pra mim.
_ Heh. — Naruto riu, levantando o queixo de Gaara, este sendo obrigado a encará-lo – Eu estou aqui, sabe Deus por mais quantos dias vou ficar nesse hospital. Nada vai acontecer.
_ Mas...
Naruto puxou a gola de Gaara, aproximando ambos os lábios em um beijo rápido, terminando com um estralo e uma mordida leve no lábio inferior. Gaara estava corado, e Naruto apenas sorriu.
_ Por mim? — perguntou, tentando manter as feições o mais pidonas possível. Gaara piscou atordoado duas vezes, até fechar a cara e cruzar os braços.
_ Isso é chantagem emocional. Você tá parecendo uma garota.
_ EI! Quem você tá chamando de garota? — Naruto tentou dar um soco em no ruivo com o braço bom, mas este desviou com rapidez. Rindo, Gaara prendeu ambos os braços do loiro na cama, voltando a beijá-lo, de maneira mais intensa e profunda, mantendo sempre o comando. Depois de alguns segundos, apartou o beijo, encarando as safiras irritadas com divertimento.
_ Uma garota frágil e indefesa. — Naruto tentou se livrar novamente, irritado e envergonhado pela submissão de estar doente em uma cama de hospital e não poder se defender direito, o que realmente o fazia parecer frágil e indefeso... Mas nunca, nunca, uma garota. Gaara foi mais forte, e ainda mantendo-o preso contra a cama, riu.
O mundo de Naruto parou de girar.
Gaara riu!
Olhou surpreso, boquiaberto, para o ruivo. Em seguida, o acompanhou na risada, sentindo seu coração ficar mais quente ao ver tamanho gesto vindo da pessoa a sua frente. Decidiu perdoá-lo pela audácia, pois ouvir a risada de Gaara soava como uma melodia aos ouvidos de Naruto, uma melodia que ele não imaginava que algum dia seria composta.
_ O que te fez mudar de ideia? — O ruivo perguntou, ainda sorrindo, soltando os pulsos de Naruto e acariciando os cabelos loiros bagunçados. Foi a vez de Naruto corar, olhando para o criado mudo enquanto respondia.
_ Quando Sasuke me deu o primeiro tiro, tudo que consegui pensar era que iria morrer. E ao pensar nisso, eu me arrependi.
_ Arrependeu do que?
_De não ter te dado uma chance, pois era você quem eu queria ao meu lado no fim da minha vida, bom, pelo menos naquele momento, e não a Sakura.
Naruto estava mais envergonhado ainda. Gaara, não se contendo mais, repetiu os movimentos do loiro, fazendo este o encarar ao levantar seu queixo.
_ Isso foi bem gay. — sussurrou, sorrindo.
_ Idiota! Olha quem tá chamando o outro de ga... — Gaara o silenciou com o polegar em seus lábios, mantendo o sorriso como se Naruto não estivesse acabado de xingá-lo.
_ Eu te amo, Baka.
Naruto manteve os lábios selados. Amor... era uma palavra muito forte para ele repetir. Pelo menos não ainda. Girou a cabeça, fazendo o dedo escapar de seus lábios.
_ Se me ama mesmo, faça o certo. Não adianta ficar o resto da vida se perguntando o que aquela cobra vai fazer ou deixar de fazer. Faça isso pelos Uchiha, por mim, mas principalmente de você. Você e seu pai ralaram muito pra aparecer um idiota qualquer e estragar suas vidas e seu patrimônio.
_ Ah Naruto... — Gaara acariciou novamente os cabelos deste, deixando a mão escorregar pela pele macia até quebrar o completo contato – Minha vida só esta começando agora que tenho você.
Decidindo que observar seu loiro ficar envergonhado e corado era a melhor visão que já tivera em toda sua vida, Gaara se levantou, saindo do quarto e fazendo Kakashi levantar o olhar do livro pornográfico.
Encararam-se por alguns segundos, e o grisalho interpretou a determinação no olhar do rapaz, sorrindo por de trás da gola enquanto colocava os braços atrás da cabeça, de maneira relaxada respirando fundo para começar a falar.
_ Tenho um plano.
(***)
Itachi não mais tentava se manter em pé. No mesmo dia que acordara, talvez algumas horas depois, Orochimaru apareceu com duas injeções: uma antitetânica e uma anestésica. No dia seguinte, Itachi acordou vestido em novas roupas, com os punhos cortados envoltos por espessos curativos, apesar de ainda se encontrarem circundados pela corrente enferrujada, só que esta não mais rompia sua pele.
Sentira-se limpo e, por algum tempo, mais forte. Com o tempo, no entanto, essas duas condições se reverteram: ninguém veio checá-lo pelo que pareceu uma eternidade. Estava sujo novamente, por ser obrigado a se manter na mesma posição sempre, até nos momentos fisiológicos, e com fome. Mas nada se comparava a sede, imensurável, desmedida, que corroía seus pensamentos.
Se antes tudo no que pensava era Sasuke, dois dias depois de ter acordado pela segunda vez tudo o que pensava era em água.
O torturaram por longos dias. Quando desmaiava de fome e sede, acordava novamente limpo, com correntes mais longas que o permitiam esticar os braços para comer e beber pequenas quantidades que eram postas aos seus pés. Não sabia quem o alimentava ou ajudava em sua higiene, tampouco se importava. Assim que acabava de comer e beber, as correntes eram puxadas por algum mecanismo atrás da parede, e ele novamente se via de pé com os braços esticados para cima.
Por algumas vezes aceitou o alimento e a água. Mas agora não se importava mais.
Já fazia três dias que Itachi não tocava na comida e água colocada a sua frente, e as correntes não eram mais puxadas. O moreno jazia no chão, incapaz de se mover ou se levantar, tamanha fraqueza que sentia. Não desejava continuar, parecia em vão, tudo que queria era morrer.
Havia perdido a conta de quantos dias estava naquela situação, certamente a falta de janelas para visualizar o dia e a noite e os constantes desmaios o impediam de medir o tempo corretamente. Chutaria em torno de 15 dias, apesar de parecerem anos.
Estava sentado, ainda limpo por não ingerir grandes quantidades de alimento e água a dias, quem dirá nos últimos três dias. Seus cabelos estavam descuidados e bagunçados, caindo em forma de cascata sobre seu rosto, o impedindo de ver qualquer coisa a sua frente. Seus olhos estavam fechados, em busca do sono eterno e paz. Tudo que ele queria era a paz, tudo que ele queria era não acordar mais.
_ Por favor Isumi... Por favor... Coma... — uma voz reconhecida falou a sua frente. Itachi tentou abrir os olhos, em vão, para se certificar de que não estaria alucinando, mas a vontade de mantê-los fechado era forte demais.
Alguém levantou sua cabeça, afastando os cabelos da face. O cheiro característico de rosas invadiu suas narinas, e Itachi conseguiu encontrar forças para abrir os olhos.
Olhos inchados e avermelhados resultantes de traços de lágrimas salgadas o encaravam. E, acariciando seus cabelos de maneira afetuosa, soluçando de leve e com os dedos extremamente trêmulos, Sakura Haruno ajoelhava-se a sua frente.
… continua …
Notas finais
² - Escolhi o nome Kekkei Genkai Inc. para a empresa por um motivo óbvio: por significar "linhagem sanguínea avançada" seria uma analogia ao poder da raça pura, avançada e superior, diante dos impuros e inferiores. Um pensamento completamente Nazista, exatamente como Fugaku pensa ao exigir a superioridade tanto de Sasuke como de Itachi, frisando sempre que eles são Uchiha e por isso devem ser superiores em tudo. Talvez não seja tão obvio pra vocês como foi pra mim... mas enfim, essa é minha explicação.
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