Pride and Joy

13 Capítulo 13


Notas iniciais
[N/A (12/04/2012): Capítulo corrigido/revisado]

PRIDE AND JOY

Após aquela noite, Itachi não parecia mais a pessoa de antes. Ignorou o menor quando saiu do banheiro horas depois, dirigindo para o quarto para se vestir. Sasuke protestava ao pé de seu ouvido, evidentemente apavorado.

_ Nii-san, por favor, me conte o que aconteceu! – mas Itachi nada respondia. Vestiu as primeiras peças de roupas que encontrou pela frente e demorou alguns minutos para encontrar a carteira. Sasuke assistia tudo suplicando por atenção, as lágrimas voltando a correr livremente por sua face... Itachi estava deixando-o.

Itachi caminhou em passos largos até a porta, sentiu Sasuke agarrar suas pernas, o forçando a parar de andar. Os soluços de Sasuke encheram o quarto, e quando ele conseguiu se acalmar o suficiente para proferir palavras, falou com a voz embriagada de dor:

_ Por favor Itachi, por favor, não me deixe só.

Os dedos do Uchiha mais velho se fecharam em punhos, machucando a pele da palma da mão com as unhas. Seus braços tremiam, ele estava perdido. Não sabia o que fazer, como agir. Não sabia se estava fazendo a escolha certa, mas sabia que do jeito que as coisas estavam não poderiam mais permanecer.

_ Sasuke. – ao ouvir seu nome soar da boca do irmão, os soluços cessaram. Sasuke limpou os olhos molhados com a manga da camisa, sentando no chão ainda aos pés do irmão para ouvir o que este tinha a dizer – Levante-se.

Fez o que lhe foi comandado, pondo-se de pé e ficando, ainda sim, muito abaixo da altura do irmão mais velho. O Itachi se ajoelhou na tentativa de ficar a mesma altura do irmão, para falarem de igual para igual. Sasuke tinha olheiras abaixo dos olhos e estavam inchados de tanto chorar, e isso cortou ainda mais o coração de Itachi.

A intensidade do olhar de Itachi fez Sasuke voltar a soluçar, tentando inutilmente controlar seu choro a cada soluço audível. Itachi estreitou o olhar da melhor maneira que pode, da melhor forma que seus anos de atuação conseguiam proporcionar. Os olhos do mais novo se arregalaram, surpresos demais ao perceber que seu irmão estava lhe direcionando o olhar impaciente e irritado que sempre usava para fitar Fugaku.

_ A..ani...

_ Cresça, irmãozinho tolo. – Sasuke parou de soluçar, sua expressão facial se contorceu em extrema dor e um choro silencioso foi iniciado. Itachi se levantou de seus joelhos e foi em direção para a porta com passos firmes, sentindo que não aguentaria segurar suas próprias lagrimas por muito tempo. Deus queira que tivesse feito a escolha certa.


(***)


Sasuke comia em silêncio, recordando a noite do ataque de seu pai à Itachi. Aquela noite, sem sombra de duvidas, havia sido a pior noite de sua vida. Ate hoje, muitos anos depois, ele se encontrava extremamente perdido: não sabia por que Itachi havia sido castigado, afinal, quem estava na cama alheira era ele, Sasuke. Tampouco sabia por que Itachi havia começado a trata-lo mal durante os tempos que seguiram, ou o porquê da nova mudança de comportamento depois da saída do mais velho da casa do pai.

_ Itachi... – Sasuke quebrou o silêncio, e o irmão apenas acenou com a cabeça para que este prosseguisse, ainda mastigando sua ultima garfada. Sasuke respirou fundo, sabendo que iniciaria mais uma conversa tabu – Por que você se afastou de mim... Àquela época?

Itachi engoliu e olhou Sasuke antes de tomar alguma atitude. Sabia que desde a hora que haviam chegado ao apartamento o garoto não estava normal, mas era natural que ele estivesse questionando os sentimentos que Itachi tinha por si. Andou até ficar próximo ao seu Otouto, repetindo o gesto de anos atrás ao se ajoelhar para permanecer na mesma altura que Sasuke estava por estar sentado. O olhar de Sasuke estremeceu, recordando a cena que mais lembrava um deja vù.

_ Sasuke, eu quero que você entenda algumas coisas. – e então ele enfiou a mão por dentro da gola de sua própria camisa, puxando uma corrente que continha uma chave como pingente. Retirou por cima da cabeça, entregando a chave a Sasuke.

_ O que é isso?

_ É a chave do meu baú. – Itachi se levantou, segurando a mão de Sasuke, guiando-o pelos corredores até chegar ao seu quarto. O coração de Sasuke batia forte, finalmente ele saberia o que Itachi escondia de tão secreto, estava ansioso. Quando finalmente adentraram o quarto do primogênito, Sasuke respirou profundamente assim que Itachi soltou sua mão, ficando ao seu lado, contemplando o baú – Vamos, abra.

_ Você tem certeza disso? – perguntou, recebendo um aceno afirmativo em resposta.

Sasuke avançou, analisando o belo baú talhado a mão. Colocou a chave na fechadura, e este se abriu com um click, a tampa foi levantada e um rangido encheu os ouvidos dos presentes no cômodo.

Sasuke se ajoelhou, surpreso com o interior.

O baú continha vários livros sem titulo na capa, mas não foi isso que surpreendeu Sasuke. No canto esquerdo, havia roupas de criança, objetos infantis, álbuns de fotografia... No canto direito, uma pasta negra com uma etiqueta que intitulava "Documentos", no centro um livro grosso, cor de carmesim. O ultimo livro possuía tranca de cadeado violada, e um laço fechava seu conteúdo de forma delicada e cuidadosa.

_ Mas... O que? – Sasuke falou surpreso, demorando o olhar sobre os brinquedos e o livro avermelhado.

_ Você pode mexer em tudo, menos na pasta de documentos e no livro enlaçado.

Com os braços tremendo, Sasuke pegou o objeto mais próximo, um chocalho infantil.

_ Itachi o que é isso?

_ É um chocalho, achei que saberia.

_ Eu sei. – ele respondeu, levemente irritado – Mas por que você guarda isso?

_ Isso é seu. – Itachi disse com simplicidade, dando de ombros.

_ Meu? – Sasuke analisou o objeto mais de perto, não o reconhecendo. Itachi retirou-o de suas mãos com delicadeza, olhando para o brinquedo com um ar nostálgico, antes de responder enquanto guardava o mesmo como se fosse uma joia preciosa.

_ Você estava com ele quando disse meu nome pela primeira vez...

Sasuke nada disse, sentindo um estranho arrepio percorrer sua pele. Itachi guardava brinquedos infantis seu? E ainda por cima, tratava-os como se fossem tesouros? Itachi percebeu o olhar questionador que o garoto dava aos objetos e colocou a mão em seus ombros antes de começar a explicar.

_ Eu guardei coisas suas e minhas que me lembram de momentos especiais que tivemos juntos. Ali – Itachi apontou para a pilha de álbuns de fotos – estão as fotos da nossa infância juntos. Fotos que tiramos na casa de amigos e conhecidos, pois Fugaku nunca se importou em registrar esses momentos. Toda vez que tirávamos fotos, eu pedia o negativo pra pessoa e revelava, e depois guardava aqui.

Sasuke pegou o álbum mais próximo, folheando-o. Havia fotos de varias ocasiões, a maioria ele sequer recordava. Na maioria, Itachi sorria. Sasuke sorriu sem perceber, seu peito parecia mais quente em ver os momentos que os dois vivenciaram juntos quando crianças.

_ Mas por que você mantém isso escondido? – questionou, devolvendo o álbum para o irmão, que passou a folheá-lo com um estranho brilho no olhar. Itachi demorou alguns segundos para responder, debatendo se deveria responder essa pergunta ou não.

_ Fugaku... me... um... fez acreditar que isso tudo não passava de uma obsessão perigosa, que eu deveria me livrar disso. Que isso não era... aceitável.

_ Ele fez o que? — Sasuke falou, visivelmente irritado. Itachi suspirou fundo, tentando colocar as coisas de uma maneira que o irmão fosse entender.

_ Ele, de algum jeito, percebeu meus sentimentos por você. Ele nunca disse com todas as letras o que vou te dizer, mas ele fez algo que deixou claro pra mim que o que eu sentia por ti era doentio e repulsivo. Eu muitas vezes tentei queimar tudo isso, cheguei a jogar álcool uma vez... Mas nunca consegui acender o fósforo. E então escondi tudo, tanto dele, quanto de você, mas principalmente de mim... Eu guardei tudo na gaveta, depois fui colocando em outros lugares, sempre preocupado com a possibilidade de ser descoberto por você ou por ele. O baú eu já possuía a tempos, ficava no sótão, e nos últimos anos tudo isso estava guardado ai dentro.

_ O que você sente por mim não é doentio e repulsivo. – Sasuke disse fazendo bico de birra. Itachi riu de leve, pegando a mão direita de Sasuke com as duas mãos, beijando os dedos de leve enquanto encarava o irmão, que agora estava calado.

_ Eu dificilmente estaria com você agora se já não tivesse percebido isso Otouto. – Itachi soltou as mãos do menor, deixando que caíssem de volta ao seu colo – Mas, na época, eu não pensava assim. Eu me escondi de tudo isso de tal forma que cheguei a achar que tinha superado. Mas para fazer isso, tive que me afastar de você. Eu temia por mim e por você. Temia que Fugaku castigasse você se você continuasse sempre ao meu lado.

_ Foi por isso que ele bateu em você? Não foi só por que a gente estava dormindo na mesma cama?

_ Não foi só por isso... Como eu disse, ele descobriu meus sentimentos. E eu não queria que isso acontecesse contigo.

Sasuke sentiu seu sangue ferver. Como seu pai podia ser uma criatura tão desprezível? Óbvio, para a sociedade isso poderia parecer algo repulsivo e isso ele não questionava, mas era tão difícil para Fugaku, apenas uma única vez, sentar e conversar a respeito disso com os filhos ao invés de partir pra porrada? Se Itachi, que era o perfeitinho, havia levado uma surra daquelas, imagina se fosse Sasuke quem tivesse sido descoberto. Ele estremeceu só de imaginar.

_ Você me entende agora?

_ Sim.

_ Você me perdoa?

_ Não tem o que perdoar. – Sasuke sussurrou, chegando mais perto de Itachi e abraçando o irmão. O Uchiha mais velho acariciava os cabelos do irmão como comumente fazia, brincando com as madeixas revoltas – Eu ainda não entendo o que te fez voltar a se aproximar de mim.

_ Quando eu estava perto de me formar no ensino médio, eu tive uma namorada.

Sasuke soltou Itachi, empurrando para longe de si. Que besteira era essa de falar sobre isso agora?

_ Não seja ciumento, você perguntou então escute minha resposta. – Itachi falou com a voz severa, olhando profundamente nos olhos negros de Sasuke. O caçula, irritado, cruzou os braços, encarando Itachi com um olhar que semelhava muito ao olhar do mais velho – Eu comecei a namorar, não importa com quem. O fato é que por eu namorar com uma pessoa, seja lá quem fosse, me fez achar que eu tinha esquecido o que sentia por você, ou pelo menos voltado a amar você apenas como meu irmão. Achei que eu tinha me... curado.

_ E então, por isso, você voltou a passar tempo comigo?

_ Sim... mas ai eu percebi que estava errado, porque quanto mais eu me aproximava de você menos eu queria mais ficar com ela. E então eu terminei, pouco antes de me mudar pra essa cidade.

Sasuke se levantou, extremamente irritado, e tentou sair do quarto de Itachi. Antes de chegar à porta, no entanto, Itachi segurou seu pulso, impedindo este de sair.

_ Ei, o que foi? – Itachi perguntou, levemente confuso. Sasuke tentou puxar seu braço, mas Itachi apertou mais forte – Sasuke!

_ O que você quer Itachi? Ficar falando de ex-namoradas e pondo a culpa delas serem ex em mim? E outra, você chegou aqui e começou a namorar com a Sakura!

Itachi puxou seu irmão com força, Sasuke perdeu o equilíbrio e caiu abraçado no peito do irmão para não cair de cara no chão. Itachi se controlou pra não rir, enquanto abraçava o menor.

_ Isso é ciúmes?

_ Você é um idiota. – Sasuke falou em tom baixo, porem não se esforçou para soltar do abraço. Itachi não mais aguentou e riu.

_ E você é um chorão. Passado é passado Otouto, só estou contando o que você queria saber.

_ Acontece que eu nunca tive ninguém, eu gostei de você e só de você. É horrível pensar que você já teve outras pessoas... E o pior de tudo: garotas. – falou com a voz ríspida, novamente tentando se soltar. Itachi o segurou como se fosse uma folha de papel e o colocou deitado na cama de casal, subindo por cima da figura menor e a surpresa com a súbita movimentação.

_ Não seja tolo. Não precisa mentir pra mim, eu jamais ia pensar menos de você.

_ Eu não estou mentindo! E me solta! – o mais novo falava, enquanto tentava se libertar. Itachi sorria, mas diante da expressão raivosa de Sasuke suas feições ficaram mais sérias.

_ Você... É verdade? – Sasuke virou o rosto, Itachi tentava olhar em seus olhos. Não vou ceder, ele está sendo um imbecil. – Sasuke.

Mas ainda sim ele não virou o rosto. Itachi olhava para o pescoço exposto de Sasuke e, não mais se controlando diante de tal revelação, beijou com delicadeza a pálida pele quente, apenas com os lábios.

_ Você, realmente... – falou, antes de beijar o queixo de Sasuke, este ainda tentando se libertar, em vão. Antes de beija-lo mais uma vez, Itachi conseguiu olhar nos olhos de seu irmãozinho: estavam extremamente sentidos, enciumados por demasia. Itachi beijou-lhe as pálpebras, e Sasuke fechou os olhos com a delicadeza do toque, suspirando ao se acalmar.

_ Sim... É verdade. Foi apenas você, minha vida toda. – Ele falou em voz baixa, mais para si mesmo do que para Itachi. Itachi sentia o desejo invadir sua corrente sanguínea com grande velocidade. Nunca imaginou que Sasuke fosse virgem, nem mesmo na noite anterior quando fizeram amor pela primeira vez. Sasuke sempre estivera tão rodeado de garotas e, inclusive, alguns rapazes, ele achava prepotência de sua parte acreditar que havia sido o primeiro. Ademais, ele considerou que Sasuke teve um desempenho esplêndido para ser alguém tão inexperiente.

_ Quando eu imagino que não da pra ficar melhor, simplesmente fica. – Foi tudo que Itachi disse antes de atacar o pescoço de Sasuke, dando mordidas de paixão. Sasuke suspirou fundo, gemendo, esquecendo completamente da raiva que estava sentindo de Itachi. Por que estava com raiva mesmo?

_ Nii-san... – suspirou entre os gemidos, Itachi continuava a morder sua pele, descendo os lábios para os mamilos de Sasuke, ainda mordendo de leve. O Uchiha mais jovem gemia cada vez mais alto, Itachi sentia sua calça se tornar mais e mais apertada.

Somente um verdadeiro Uchiha encontraria uma utilidade para o inútil do Sasuke... e, ainda sim, duvido que ele seja bom nisso.

A voz de Fugaku ecoou na mente de Itachi, lembranças de tempos que ele preferira ter esquecido. Fechou os olhos com força, tentando fazer a mente não mais pregar esse tipo de peça, pelo menos não justamente naquele momento.

_ Mas sabe como é... A utilidade que você deu para Sasuke não me agrada. Não quero que meu filho querido se torne um veado, incestuoso por cima das contas.

_ NÃO! — Itachi gritou em voz alta, saindo de cima do corpo do Uchiha menor e se sentando na borda da cama, segurando a cabeça com as mãos. Sentia que sua cabeça explodiria em mil pedaços.

_ Itachi?

Fugaku falou, escalando a cama e sentando em cima das coxas de Itachi, fazendo-o estremecer de dor. Fugaku encheu as duas mãos com os cabelos de Itachi, arrancando-lhe o prendedor antes de puxar a cabeça do menor para si, fazendo com que ele fosse obrigado a trazê-la para perto do pai, estalando sua coluna com a posição nada natural.

_ Porque, vou te dizer... — Fugaku aproximou a boca do ouvido de seu filho, a respiração de Itachi soava como música em seus ouvidos — … isso vicia.

Itachi praticamente pulou da cama, se mantendo o mais longe possível de Sasuke, atravessando o quarto cambaleando, ainda segurando fortemente a cabeça. Não deixe isso dominar você, já estava no passado. Por que esta trazendo isso à tona justo agora?

_ Itachi...? — Sasuke saiu da cama com cautela, a respiração de Itachi estava acelerada e ele conseguia ouvir sua intensidade de longe. Novamente confuso, se aproximou com cuidado, tentando não assustar o irmão com sua presença.

_ Isso criança, chore por mim... Chore, chore como sua mãe chorava... — Fugaku disse ao pé de sua orelha entre gemidos de prazer. Itachi apertou ainda mais as pálpebras tentando impedir as lágrimas de brotarem novamente em seus olhos.

_ NÃO FALE DELA!

_ ITACHI! — Sasuke segurou a cabeça de Itachi com força, fazendo com que este o olhasse assustado. O primogênito piscou, saindo de seu transe momentâneo – Que merda é essa?

_ Sasuke, eu...

_ O que MAIS você tá me escondendo Itachi? Hein? — Sasuke falou com raiva, soltando a cabeça do irmão que nem por isso parou de encará-lo. Sasuke deu um murro na parede próxima, estava ficando cada vez mais furioso por Itachi mantê-lo sempre no escuro – Qual é meu problema hein? Por que você não pode ser franco comigo? Eu não sou de cristal Itachi!

Itachi apenas observou enquanto Sasuke explodia, evidentemente frustrado. Seu irmãozinho era inteligente, lógico que não podia negar e dizer que não era nada. Qualquer burro do planeta sabia que havia algo de muito errado com Itachi Uchiha, e não era apenas sua paixão pelo irmão mais novo... Sasuke cansou de esbravejar, sentando novamente na cama de Itachi e olhando o irmão com raiva, sua respiração ainda fora de controle.

_ Sasuke... — Itachi se levantou do chão e caminhou ate Sasuke, este não recusou quando Itachi o fez deitar novamente na cama de lado. Itachi deitou ao seu lado, ficando cara a cara com o destinatário de todo seu amor. Acariciou o rosto de Sasuke, percebendo que sua mão ainda estava levemente trêmula. Sasuke nada disse, ainda estava irritado para cooperar com as carícias – Existem coisas que são minhas e apenas minhas... Não há necessidade de eu compartilhar contigo, e se um dia eu compartilhar, não trará nada de bom. Nem pra mim, muito menos pra você.

_ O que você fez?

_ Eu não fiz nada. São apenas traumas meus Sasuke. Por favor, deixe isso morrer. As coisas vão se ajeitar, você vai ver.

Sasuke encarou Itachi por mais alguns segundos até suspirar, derrotado. Itachi abriu os braços e o caçula se aninhou em seu colo, os dois permanecendo juntos enquanto o sono vinha lentamente. Não era hora de dormir, mas nenhum dos dois parecia ligar para esse tipo de problema. Que se dane o trabalho, que se dane a faculdade e escola. Hoje era o dia dos irmãos Uchiha se entenderem, começarem a relação com o pé direito, seja lá o que fosse necessário para tal.

Itachi suspeitava que Sasuke já estava adormecido, mas este surpreendeu quando este, entrecortando o silêncio cálido do quarto aonde estavam, sussurrou em voz baixa, provavelmente segundos antes de verdadeiramente adormecer:

_ Você sabe que não vai esconder isso de mim por muito tempo...

Itachi esperou por mais, mas Sasuke nada disse. Suspirou fundo ao perceber que o pequeno havia realmente adormecido. Beijou os cabelos despenteados de Sasuke e sua testa, antes de fechar seus olhos e preparar-se para o sono.

_ Eu sei Otouto, eu sei...


(***)


_ Naruto quero ir pra casa...

_ Ah, Sakura-chan! Só mais uns minutos, o voou atrasou!

Naruto e Sakura estavam no aeroporto e esse definitivamente não era o lugar que Sakura mais almejava estar no momento. Quando o loiro ligou para a rosada aquela manhã e disse: "Me acompanha pra buscar meu amigo no aeroporto?", Sakura esteve crente que se tratava de Sasuke, afinal, o rapaz não aparecia na escola a quase uma semana, era mais do que natural imaginar que ele houvesse viajado, seja lá por qual motivo. Mas foi apenas depois de trinta minutos de espera que descobriu a verdadeira identidade do 'amigo'. Era Gaara, o criador de caso do ensino fundamental e Sakura amaldiçoou Naruto até sua quinta geração.

_ Naruto... — ela falou pacientemente, na tentativa de criar bom senso na cabeça oca do loiro — Ele não disse que ia pra uma entrevista direto do aeroporto? Qual é, afinal, o objetivo da gente esperar ele se ele não vai voltar conosco?

_ Oras, é só uma surpresa. Você não ia gostar se eu e o Gaara fossemos receber você depois de meses sem se ver?

Eu preferiria que fosse o Sasuke. Pensou a garota, suspirando derrotada. Tinha que avaliar as possibilidades: ou voltava para casa de ônibus ou esperava até Naruto cansar de ser imbecil... bom, Sakura Haruno, andar de ônibus... Não, isso estava fora de cogitação.

Sentou-se novamente na cadeira de espera que ficava a frente do painel de aterrisagem e decolagem, olhando os números mudarem a cada 20 ou 30 segundos. Cansada e entediada, resolveu iniciar uma conversa com Naruto, que era levemente mais interessante do que o painel.

_ Onde anda Hiro? Nunca mais foi a escola... — perguntou, fingindo desinteresse enquanto analisava suas unhas. Naruto, que ainda acreditava na inocência da menina, nada perceberia de qualquer forma. Ele sorriu, contente por ela ter iniciado uma conversa.

_ Ele teve uns problemas com o colega de apartamento e ficou uns dias na minha casa. E vou te dizer, ele vira um emo ao extremo quando tem problemas... Não queria nem sair pra comprar pão. Mas ontem ele foi embora.

Vários minutos se passaram, a conversa estava se tornando um monólogo aonde apenas Naruto falava. Foi quando o loiro, finalmente, enxergou a pessoa que a tanto tempo estava esperando.

_ Gaara! – Naruto acenava animadamente para o aglomerado de pessoas no desembarque – Aqui, aqui!

O ruivo de olhos verdes com rosto pouco animado encontrou o olhar do loiro e sorriu levemente, feliz em reencontrar o amigo que a muito tempo não via. Empurrava o carrinho de malas em direção à Naruto, mudando sua trajetória inicial.

_ Imaginei que você fosse ser tonto o suficiente para vir ao aeroporto. – disse, estendendo a mão para Naruto. O sorriso do rapaz apenas alargou ainda mais, e este puxou a mão de Gaara e transformou um simples aperto de mão em um abraço forte e inesperado.

_ Senti sua falta. – Naruto disse em tom sério, apertando ainda mais o abraço. Gaara se sentia desconfortável com a súbita aproximação, e findou o abraço caloroso, mantendo distância segura – Sakura-chan e eu ficamos quase duas horas esperando seu avião chegar!

Se recompondo do momento embaraçoso, Gaara percebeu, para seu descontentamento, a figura rosada ao lado de Naruto. Sakura parecia entediada, tinha uma mancha na bochecha esquerda, o que indicava que estaria apoiando a cabeça na mão por muito tempo. Seus olhos estavam sonolentos e ela parecia visivelmente irritada. De resto, estava bela como sempre foi, e tão esnobe como nunca.

_ Sakura.

_ Gaara.

Isso foi tudo que os dois falaram enquanto se encaravam de forma desafiadora. Naruto ainda sorria, completamente ignorante à troca de hostilidade de seus dois amigos. Animado, passou os braços por cima dos ombros das duas figuras.

_ Vamos para casa, né?

_ Ainda tenho aquela entrevista de emprego Naruto. – Gaara falou, retirando o braço do amigo de cima de seu ombro.

_ Ahn? – perguntou o loiro, confuso – Achei que por causa do atraso no aeroporto você tinha perdido a entrevista.

_ Eles foram informados do atraso, estão me esperando agora.

_ Bom, então deixe eu te levar até lá, estou de carro. – falou o loiro, mostrando a chave do carro que tanto sofreu para comprar como se fosse um troféu. Gaara quase sorriu novamente, mas um sorriso por dia já estava de bom tamanho.

_ Não será necessário, eles mandaram um motorista me buscar no aeroporto, ele deve estar me esperando na saída.

_ Mas...

_ Naruto, preciso ir pra casa. – Sakura falou impaciente, tentando deixar claro que não havia mais o que discutir a respeito.

_ Então está decidido. Leve a Sakura, vou para a entrevista e te encontro em algumas horas na sua casa, ok? – Gaara perguntou, estendendo o carrinho de malas para Naruto – Aqui, leva minha bagagem, vai facilitar muito se você leva-la pra mim.

Naruto fez uma cara emburrada por ter sido vencido no argumento, tomando o carrinho com as duas mãos. Gaara botou a mão no ombro esquerdo do loiro como forma de despedida, antes de virar as costas e andar em direção aos carros de aluguel. Não se importou de perder seu tempo se despedindo de Sakura.

_ Gaara! – Naruto gritou, Gaara apenas parou de andar, mas não virou a cabeça para analisar o amigo. Fechou os olhos, podia ver claramente em sua mente o amigo acenando freneticamente, exibindo aquele sorriso que apenas Naruto conseguia dar – Eu vou torcer por você!

Gaara riu de leve, sentindo seu coração ficar mais quente. Recomeçou a andar, ansioso para terminar seus deveres o quanto antes. Desejava mesmo desfrutar da companhia do amigo, mais do que qualquer coisa.


(***)


O Uchiha mais velho acordou com o barulho da campainha soando em seus ouvidos. Itachi sempre teve o sono mais leve comparado com Sasuke, que apenas se remexeu no sono, abraçando o irmão com mais força.

_ Sasuke, campainha.

_ Mnn... – gemeu Sasuke, enterrando a cabeça no peito de seu amante. Itachi retirou de leve os braços do menor que estavam impossibilitando sua movimentação, e Sasuke girou o corpo abraçando o travesseiro mais próximo. Itachi aproveitou a deixa e saiu da cama com cautela ao mesmo tempo que a campainha ressonava mais uma vez. Pensando ser provavelmente algum aviso do porteiro sobre a moto estar atrapalhando a passagem dos carros mais uma vez, caminhou pelo corredor em direção a entrada do apartamento sem se preocupar em analisar sua aparência e abriu a porta bocejando.

_ Itachi Uchiha.

Os olhos de Itachi triplicaram de tamanho ao ouvir seu nome real sair da boca da figura à sua frente. Tudo estava acabado, haviam sido descobertos.


... continua ...