Pride and Joy
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Tenho alguns avisos para esse capitulo. É um capitulo basicamente de flashback, sei que tem gente que sequer lê os flashbacks, mas este é importante para a trama. No capítulo anterior terminei a abertura de todos os plots da história, e agora começarei a desenvolvê-los... o flashback é importante para entender os próximos acontecimentos.
AVISO IMPORTANTE: O segundo e ultimo aviso é que, na metade do capítulo, há um indício de estupro que fica em aberto. Eu escrevi sim essa cena, mas eu achei que ficou deveras pesada e não havia necessidade tornar a historia tão explicita e perigar ser deletada do site ou perder os leitores mais conservadores. Eu mesma fiquei muito deprimida no dia que escrevi essa cena, que ficou extremamente cruel, fato esse que gerou meu bloqueio de escritora e alguns questionamentos (resumindo, me senti horrível por ter conseguido escrever o que eu escrevi e comecei a achar que tinha algum desvio de personalidade... acho que era TPM hehe). Se alguém fizer questão de lê-la (o que eu não recomendo) me mandem uma review com o seu e-mail que eu mando a cena para vocês... mas não irei publicá-la. Estou apenas esclarecendo porque alguém poderia achar que eu diria se foi ou não um estupro nos capítulos posteriores, mas isso não vai acontecer. E, sim, foi um estupro.
Boa leitura a todos!
[N/A (11/04/2012): Capítulo corrigido/revisado]
PRIDE AND JOY
Era um livro de suspense bem água com açúcar, daquele tipo que você sabe o final, mas mesmo assim continua a ler na esperança de que ele o surpreenda em algum momento – afinal, não é possível que algo tão previsível se torne um best seller. O autor parecia fazer plágio de tramas de filmes hollywoodanos que há muito tempo fizeram sucesso mas permaneceram no esquecimento geral... Itachi fechou o livro com força, desistindo da leitura maçante e desinteressante.
Era obrigado, por assim dizer, a fazer varias atividades que não eram de seu interesse. Uma delas era ler esses livros estúpidos para se manter no clube de literatura do colégio. Fugaku, seu pai, exigia de Itachi a perfeição, e devido a isso ele frequentava todos os clubes da escola, além de manter as notas impecáveis no boletim. Não que isso fosse algum tipo de sacrifício, longe disso, Itachi considerava tudo isso relativamente fácil, porém extremamente entediante.
Quantas vezes se pegava pensando em Sasuke em meio a um campeonato de xadrez... Ele podia estar com o irmãozinho naquele momento, brincando ou ajudando-o com o dever de casa... E movia uma peça no tabuleiro, ninguém nunca percebendo a sua desconcentração momentânea.
Não era por se tratar de uma pessoa extremamente disciplinada sem qualquer resquício de mente avoada – Itachi nunca foi assim. Era bom em tudo que fazia, um verdadeiro gênio, mas como toda criança tinha seus momentos de devaneios. E como toda criança, esses momentos de devaneio geravam escorregões.
O moreno se lembrava bem de um dia que estava estudando matemática para uma prova relativamente fácil, apenas para seu pai não importuná-lo por não estar com a cara nos livros. Por saber que a prova seria um sucesso, Itachi começou a sonhar acordado com seu cotidiano utópico, o que um dia esperava ter em sua vida. Adormeceu sem perceber algum tempo depois e acordou com os gritos desesperados de Sasuke – Fugaku estava castigando o irmão.
Era sempre assim: Itachi não apanhava, ouvia palavras de desaprovação no máximo, Fugaku castigava sempre o mais novo pelos deslizes do primogênito, dizendo ser culpa do menor que o distraia, e o castigava fisicamente na maioria das vezes. Sasuke não entendia, passava muito tempo pensando no que deveria fazer para agradar seu pai e isso cortava o coração de Itachi. E foi por isso que Itachi decidiu ser o melhor em tudo, não possuir deslizes, não demonstrar suas emoções ou sonhar acordado, se privar de amizades e ações recreativas: assim Sasuke teria paz, ou o tanto de paz que Fugaku fosse capaz de dar aos filhos.
É, o diabo é conjurado só com o pensamento – Pensou o moreno, ao ver Fugaku de frente a porta aberta de seu quarto, procurando pelo filho mais velho.
_ Itachi. — Fugaku falou – Onde estava?
_ Na sala, lendo. — o filho ergueu o livro que segurava na mão esquerda, o pai analisou a capa e balançou a cabeça levemente como se aprovasse a ação.
_ Bom. — foi tudo que disse, virando de costas e indo em direção a sua suíte – Sasuke adormeceu na sua cama de novo, retire-o de lá e o ensine que ele tem que dormir na própria cama, é por isso que existem duas. Não estou com saco para aguentar as paspalhices do seu irmão agora.
A porta fechou com um clique suave, Itachi suspirou. Era sempre assim, "seu irmão" — ele nunca havia escutado seu pai chamar Sasuke de “filho”, nem quando se referia a ele, nem quando conversava com o garoto.
Itachi entrou no quarto e viu que seu Otouto estava realmente dormindo em sua cama, abraçando seu travesseiro. Permitiu suas feições se contraíssem em um sorriso – apenas Sasuke o via sorrir, apenas naquele quarto eles tinham algum tipo de liberdade.
_ Otouto... — disse, se aproximando e sentando na borda da cama, afagando os cabelos revoltos da criança a sua frente – Você sabe que Fugaku não fica feliz em ver você dormindo na minha cama.
_ Ele que se dane. – Sasuke respondeu com voz sonolenta, sem abrir os olhos ou dar qualquer indício de que estaria acordado, mas Itachi sabia pela diferença da respiração do menor que ele havia, de fato, despertado.
_ Esse é o espírito. — Itachi riu de leve, afastando as cobertas da cama e entrando embaixo do edredom previamente aquecido pelo corpo de Sasuke. Abraçou-o fortemente junto ao seu peito, inalando o cheiro de criança nova que o menor ainda possuía. Sasuke já estava com oito anos, mas ainda possuía aquele cheiro característico de bebê que Itachi tanto adorava.
Nada falaram, em poucos minutos o Uchiha mais velho percebeu que seu irmãozinho já estava em sono profundo e recomeçou a afagar o cabelo do menor, entrelaçando-o em seus dedos os fios sedosos que escorriam como água em cascata com o movimento.
_ Sasuke... — Itachi sussurrou, para ter certeza que o pequeno dormia. Sasuke apenas ronronou em seu sonho, estava completamente imerso na noite. Itachi sorriu novamente, puxando ainda mais o corpo de Sasuke para si. Sempre dormiam juntos, a rotina era basicamente a mesma: Sasuke e Itachi geralmente subiam para o quarto juntos, o mais novo tomava banho primeiro e Itachi logo depois, e quando retornava ao quarto o menor já estava em sua cama o esperando. Fugaku pegou esse tipo de comportamento apenas uma vez tirando a presente ocasião, e foi pelo mesmo motivo: os dois não haviam subido juntos e Fugaku procurava o mais velho. Itachi tinha mesmo que parar de fazer isso.
Logo após que Sasuke adormecia, Itachi iniciava a sua adoração ao menor. Não se lembrava ao certo quando foi que os dois começaram a dormir juntos, talvez o fizessem desde que Sasuke ainda era um bebê, visto que Fugaku não foi muito paternal na primeira infância do filho caçula (nem em qualquer outro momento) e o caçula sempre procurava um carinho fraternal de seu adorado Aniki. Mas Itachi se lembrava muito bem quando o momento de "adoração" havia começado.
Fora a pouco mais de um ano... Estavam dormindo juntos, como de costume, e Itachi involuntariamente abraçou o irmão durante o sono, o que, àquela época, não era muito comum. Acordou pela manhã escutando um gemido abafado, percebendo pouco depois ter advindo de suas próprias cordas vocais. Abriu os olhos assustado.
Estava tendo uma ereção. Isso era comum pela idade em que se encontrava, costumava acordar praticamente todas as manhãs desta forma, e por ser sempre o primeiro a despertar não tinha grandes problemas com Sasuke. Saia do quarto, ou simplesmente esperava que ela dissipasse. Não era advinda de sonhos nem de pensamentos sexuais, era apenas uma resposta do organismo de Itachi a sua demanda hormonal da adolescência, ele convivia bem com isso.
Mas naquela ocasião inédita a coisa foi levemente diferente: Estava com uma ereção, isso era fato, mas Sasuke também parecia estar... O mais novo nunca havia amanhecido assim, pelo menos Itachi nunca havia visto ou... bem... sentido.
Pois sim, estava sentindo. Sasuke o abraçava em retorno, seu rosto enfiado na dobra do pescoço do irmão mais velho, suas bochechas estavam quentes, provavelmente corava. Ainda adormecido, sonhava com algo e friccionava de leve sua virilha coberta na virilha de Itachi, e fora esse o motivo do som.
Itachi pensou em se afastar, mas antes que pudesse realizar esse ato ouviu um gemido assustadoramente parecido com o que ele próprio havia proferido à poucos segundos escapar da boca de seu irmão. Isso foi o suficiente, seu corpo se arrepiou, sua excitação aumentou, ele não quis mais sair de perto. Começou ele mesmo a aumentar a fricção das duas intimidades, Sasuke fazendo barulhos magníficos em seu sonho. A velocidade foi aumentando aos poucos, os gemidos abafados também, até que Sasuke falou:
_ Itachi... — isso foi o suficiente, Itachi chegou ao ápice ao ouvir seu irmão brandar seu nome em um sonho erótico. Sabia que o mais novo ainda estava dormindo – as vezes se perguntava quando adquirira essa capacidade de saber se o menor estava acordado ou não – e por ele ter dito isso sem saber da real situação em que se encontravam tornava a coisa ainda melhor. Percebeu pela mudança de respiração que Sasuke também havia gozado e que seu sonho estava se direcionando para outro caminho menos erótico.
As noites que sucederam essa foram terríveis. Itachi proibiu Sasuke de dormir com ele, o menor protestou veemente e acabavam dormindo separados e brigados por semanas. Itachi começou a sonhar com Sasuke, e a acordar no meio da noite com ereções pecaminosas ou com as cuecas sujas pela manhã. Mas Sasuke nunca soube – nem do que estava acontecendo com o primogênito, nem o que havia acontecido com ele próprio.
Algumas vezes Sasuke sonhava novamente com Itachi e suspirava seu nome em voz embriagada de sono e prazer. Essas noites eram as piores: Itachi ouvia a voz e a respiração do irmão na cama ao lado, os sons incríveis novamente saindo de sua boca... Era incapaz de se segurar. Tentou diversas vezes apenas ignorar, ate que na terceira ou quarta vez cedeu e iniciou a melhor masturbação até então de sua vida.
Quando percebeu, já estava tudo corrompido. Sabia que isso era errado, mas sabia que não conseguiria mais continuar na negação. Aceitou Sasuke de volta a sua cama sem nunca ter dito o porquê das semanas de separação. Sasuke nada questionou, feliz em voltar a dormir com o irmão querido.
E assim as noites de adoração começaram. Às vezes Itachi apenas acariciava o menor, mas se esse se mostrasse receptivo a fricção recomeçava. Quase todas as noites Itachi beijava os lábios selados de Sasuke e sua pele macia e acariciava sua cintura. Por muitas noites sequer dormiu, apenas admirando cada milímetro do corpo coberto de Sasuke. Apesar de nunca revelar as partes cobertas, se sentia culpado todo dia pela manhã, e tentava se redimir enfiando a cara nos livros para se distrair, mas nada impedia o que aconteceria na noite seguinte. Era um ciclo vicioso e doentio.
Nesta noite, o processo de adoração foi mais delicado. Sasuke não parecia estar no clima para sonhos eróticos, Itachi apenas roçava a ponta do seu próprio nariz com a do nariz do irmão. Sua mão percorria a coxa de Sasuke de forma suave e delicada, fazendo um trajeto ate as madeixas morenas deste.
_ Eu te amo... — sussurrou, dando um selinho nos lábios de Sasuke.
Naquele momento sua paz se dissipou. Itachi sentiu seu colarinho enforcando seu pescoço e seu corpo foi atirado contra a parede oposta do quarto. Caiu sentado e posicionou as mãos na garganta na tentativa de recuperar o fôlego e amenizar causada dor pela força de quem o puxou.
Fugaku olhava para Sasuke com os olhos levemente avermelhados, o olhar assassino de sempre, porém muito mais intensos.
_ Pai. — foi uma medida drástica, Itachi nunca chamava Fugaku de pai. Sasuke ainda dormia, incrivelmente não havia acordado com o barulho do corpo de Itachi batendo contra parede ou com a respiração descompassada de Fugaku. O progenitor fechava e abria os punhos, seus braços tremiam e seu olhar estreitava perigosamente, não havia percebido que seu filho mais velho o chamava. Itachi estava a um passo para entrar em pânico – Pai, por favor, não é o que você está pensando.
Em um movimento brusco, Fugaku agarrou Sasuke pelos cabelos, jogando o menor em sua própria cama que há muito tempo não era usada. Sasuke sequer gritou, sabia que estava ferrado demais dessa vez, se limitou apenas a olhar desesperado para Itachi no outro lado do cômodo, entendendo que foram descobertos dormindo juntos. Sentia seu couro cabeludo arder e seu braço latejar por ter caído por cima dele, mas ainda sim tentou se explicar.
_ Papai eu... — não pode terminar qualquer tipo de explicação que fosse dar, foi incapaz. Fugaku o golpeou com um soco no rosto, fazendo o gosto de sangue adentrar sua boca. Novamente, Sasuke não gritou, estava desesperado demais para emitir qualquer som com a voz. Seu corpo começou a tremer e o sangue a acumular em sua boca até escorrer em seus lábios: havia perdido um dente, de leite, mas ainda sim um dente.
_ Eu nunca esperei muito de você Sasuke, você sempre foi o bosta dessa família, o viadinho chorão. Mas eu nunca, na minha vida, achei que você fosse virar a putinha do Itachi. — Fugaku falou, terminando o discurso com um tapa no outro lado do rosto de Sasuke, fazendo o sangue escorrer e sujar a cama e sua cabeceira.
Itachi agiu. Não era a primeira vez que tinha que usar a força física pra separar Fugaku de seu irmão, mas sabia que essa situação seria diferente. Ele não se importava se Fugaku contasse pra Sasuke o que estavam fazendo, não mesmo. Foda-se se o irmão nunca mais olhar na sua cara, Itachi só estava preocupado com a vida de Sasuke. Fugaku estava, pela primeira vez em anos e anos de castigo corporal, fora de si. Nas outras vezes, ele batia, castigava, gerava hematomas, mas parava por aí. Desta vez, ele mataria Sasuke – podia ver isso em seus olhos.
Correu para perto de Fugaku, tentando agarrá-lo pelos braços e tirá-lo de perto de Sasuke. Itachi já estava quase com o tamanho do pai, mas o frenesi de Fugaku o fez parecer uma formiga perto de um leão. Foi atirado novamente pelo ar, caindo em cima da escrivaninha do quarto e derrubando todos os livros e canetas que ali se encontravam. Sentiu que torcera seu pulso, a dor pouco importando no momento. Sasuke, era tudo que importava.
Itachi correu novamente, dessa vez acertando um soco com o braço bom no estomago de Fugaku, e este sentiu intensa dor. Olhou por milésimos de segundos o olhar assustado do irmão, não tinha lágrimas formadas nos olhos como de costume – estava em choque, mal se mexia.
Este pequeno momento de distração foi o suficiente: Fugaku agarrou o rabo de cavalo de Itachi, puxando seu pescoço para trás e fazendo com que esse fosse obrigado a se ajoelhar aos pés do Uchiha mais velho para não ter seus fios arrancados de forma dolorosa.
_ Você se deixou corromper pela vadia, foi?
_ Me larga! – Itachi exclamou, respirando forte e descompassadamente, seu olhar pulava de Sasuke para Fugaku, desespero e insanidade. Ele não sabia o que fazer, poderia se esquivar, acertar mais um soco no pai para que assim esse soltasse seu cabelo e ele pudesse fugir. Mas não conseguia ver, em nenhum momento, o que fazer para afastar Fugaku de Sasuke.
_ Então quer dizer que você gosta de putinhas é? Sabe o que eu penso de gente assim, filho meu? — Fugaku falou com um tom perigosamente suave. Então Itachi entendeu, percebeu o que deveria ser feito. A inversão dos papeis: desta vez ele deveria tomar a punição, desta vez seu corpo seria castigado. Fugaku só deixaria de descontar a ira em Sasuke se o fizesse com outro alguém, e este alguém estava ali, sob sua pele.
_ Sasuke saia daqui. — Itachi falou com uma voz firme, Fugaku estava delirando tanto que sequer percebeu. O caçula piscou atordoado – SAI DAQUI!
_ NÃO! — gritou o Uchiha mais novo em resposta, Fugaku pareceu finalmente perceber a discussão. Agarrou seu filho mais jovem pela manga do pijama e o jogou em direção a porta. Sasuke tentou cair de pé e torceu seu tornozelo, lacrimejando de dor. Em questão de segundos Itachi sentiu que seus cabelos foram soltos e Fugaku agarrava os cabelos curtos de Sasuke, empurrando-o para porta à fora.
_ Você devia ouvir seu irmão sempre Sasuke, não só quando ele manda você chupar o saco dele. — falou ao pé do ouvido de Sasuke antes de derrubá-lo com brutalidade no chão do corredor. Sasuke se levantou e tentou voltar para o quarto, mas a porta bateu em suas fuças, o barulho de chave girando e móveis sendo arrastados.
_ ITACHI! ITACHI! — gritava desesperado, socando a porta, tentando arrombá-la. Quando perdeu o folego e a força, quando a dor dos machucados aumentaram e ele foi incapaz de se manter em pé, Sasuke caiu de joelhos, chorando baixo o suficiente para ouvir a voz do pai no cômodo atras da porta.
_ Eu acho, filho meu, que caras como você tem que se tornar a putinha... e aprender uma lição.
(***)
Sasuke acordou aquela manha sentindo-se agradavelmente quente. Alguém o abraçava por trás, gerando uma imensa onda de calor humano às suas costas. Sorriu, não precisava pensar muito para lembrar-se de quem se tratava – e definitivamente não existia maneira melhor de começar o dia.
Tentou se mexer, estava com o braço levemente dormente, mas Itachi não facilitou as coisas, apertando ainda mais o abraço. Sasuke se virou bruscamente, na tentativa de amenizar a dormência e observar seu irmão adormecido, mas este acordou com a movimentação.
Os dois irmãos Uchiha se encararam ainda abraçados por alguns instantes, suas feições reciprocamente preocupadas. Sasuke piscava impaciente enquanto esperava uma reação de seu irmão, mas esse apenas o observava. A expectativa de quem iria falar ou se movimentar primeiro se manteve por alguns segundos, até que o caçula, cansado de esperar, aconchegou seu rosto na dobra do pescoço de Itachi, agora sem medo de dar os primeiros passos.
Itachi expirou aliviado e abraçou Sasuke com mais força, passando a acariciar os cabelos do moreno.
_ Não está arrependido então?
_ Eu preciso mesmo responder essa pergunta? — Sasuke respondeu ao pé do pescoço de Itachi e sentiu a pele do mais velho arrepiar com a vibração de sua voz, e ele gostou disso, definitivamente podia conviver com esse tipo de reação.
Itachi nada respondeu, continuou apenas a acariciar as madeixas do seu irmãozinho, se sentindo feliz e culpado. Sabia que quando disse na noite anterior que o irmão iria se arrepender estava com medo dele próprio se arrepender. E isso era terrível, como iria dizer para Sasuke que se arrependeu do que houve na noite anterior, que era errado, depois de tudo que aconteceu?
_ Eu acho que quem devia responder a sua pergunta é você mesmo. — Sasuke sussurrou, se sentindo novamente sonolento, sem pensar na veracidade da acusação que fazia. Antes que qualquer um dos dois pudesse falar algo, o telefone da mesa de cabeceira do quarto de hotel tocou e Itachi esticou o braço para atender a ligação.
Respondeu com simples "sim" e "não" as perguntas feitas pela telefonista até por o telefone de volta no gancho, aproveitando para soltar o irmão e se sentar na borda da cama.
_ Nosso tempo no quarto acabou, a chuva passou e acho que você já dormiu o suficiente... — Itachi falou, analisando a parede oposta como se fosse a coisa mais interessante naquele local. Sasuke se aproximou, colocando as mãos nos ombros do irmão.
_ O que houve? — perguntou apreensivo, como se não quisesse saber verdadeiramente a resposta. Itachi mordeu o lábio inferior, tendo a plena consciência de que Sasuke não observava sua expressão facial. Engoliu em seco antes de responder.
_ Eu não dormi direito, só isso... Vamos? — levantou da cama e passou a juntar as peças de roupa que estavam próximas do aquecedor.
_ Itachi... Olhe pra mim. — Sasuke falou com firmeza, surpreendendo o irmão. Raramente Sasuke tinha a coragem de enfrentar o irmão ou qualquer outra pessoa, mas desta se levantou e pegou o rosto do moreno mais velho com as duas mãos, olhando em seus olhos – Eu só tenho você, mais ninguém. Se isso te incomoda tanto, por favor, seja sincero e vamos parar por aqui. Não quero que você se afaste de mim.
Itachi beijou Sasuke de surpresa, o mais novo fechou os olhos e entrelaçou os braços no pescoço do homem mais alto, sentindo seus joelhos derreterem. Parecia que a intensidade de cada beijo dos dois se tornava mais forte a cada vez.
_ Ontem... Eu não te machuquei, machuquei? — Itachi perguntou, liberando os lábios de Sasuke.
_ Não, mas eu adoraria repetir o que fizemos mais violentamente. – Sasuke falou sorrindo de canto de boca, Itachi olhou profundamente nos olhos do menor, deixando claro não ter achado a menor graça no comentário. Sasuke estalou a língua nos dentes – Cadê seu senso de humor hein?
_ Me desculpe. – sussurrou o primogênito, pigarreando para responder a pergunta que o menor havia feito antes do beijo – eu seria incapaz de abandonar você... Só tenho que me acostumar. Passei anos dizendo para mim mesmo o quanto isso era errado, é difícil mudar a forma de pensar de uma hora para outra.
_ Não seja complicado demais. As coisas são tão simples... — Sasuke tentou dar mais um beijo em Itachi, mas este segurou seus ombros e olhou profundamente em seus olhos.
_ Não diga coisas que você não sabe... Você não sabe o que eu passei...
_ Então comece a me contar, oras. — Sasuke franziu o cenho, mas Itachi manteve o olhar firme, sorrindo de leve por fim antes de dar um selinho nos lábios opostos.
_ Tenha paciência, ainda não é a hora. — soltou Sasuke, que ainda o olhava com olhos desafiadores – Não seja um aborrescente agora, temos que sair. Vou fazer o seu favorito para o almoço quando chegarmos em casa, então se apresse.
Sasuke observava Itachi rondar de um canto do quarto para o outro, pegando os pertences dos dois. Vestiu sua roupa distraidamente, e assim que viu a mão de seu Aniki esticada para que ele se levantasse da borda da cama, Sasuke foi incapaz de segurar sua pergunta.
_ E nós? Nós somos o que? — Sasuke não se conteve em perguntar, olhando para a palma esticada a sua frente. Itachi demorou alguns instantes para agir, mas por fim se ajoelhou entre as pernas do menor, segurando as mãos de seu Otouto às suas. Sasuke olhou para seu irmão, observando o sorriso que tão raramente iluminava seus dias e que era destinado a ele e somente ele.
_ Eu não sei o que eu sou pra você, mas pra mim você é minha vida.
(***)
Sasuke acordou com o barulho da porta sendo aberta. Observou seu pai sair do quarto que dividia com seu irmão fechando o cinto, Itachi devia ter apanhado de cinta. Mordendo o lábio e tentando transparecer ainda estar dormindo, viu através dos olhos semicerrados seu pai se aproximar de si.
Fugaku ficou alguns instantes olhando o filho mais jovem, Sasuke fez o maior esforço de sua vida para tentar controlar sua respiração, temia que seu pai pudesse ouvir seu coração batendo forte. Mas, inexplicavelmente, o progenitor se retirou em passos firmes, adentrando a porta de seu quarto e fechando-a ruidosamente. No momento seguinte, ignorando a dor e o cansaço emocional, Sasuke voou para dentro do quarto dos irmãos.
Itachi estava deitado em sua cama, seu corpo coberto por um edredom ensanguentado – sangue este que não era de Sasuke, e este mordeu o lábio sentindo-se apreensivo.
_ Nii-san... — Chamou, deixando as lágrimas correrem livremente em sua face. Aproximou-se da cama, mas Itachi não se mexeu. Seu olhar estava congelado, ele parecia olhar através de Sasuke, parecia estar vendo um fantasma – Por favor, fale comigo.
Sasuke aproximou as mãos à cabeça do irmão para acariciar os seus cabelos bagunçados, percebendo que tufos de cabelos longos e negros encontravam-se no chão e pela cama... Itachi ainda observava através de Sasuke com olhar assustado, seu rosto estava arranhado e um indício de hematoma no olho esquerdo se formava.
A mão de Sasuke alcançou os cabelos de Itachi, este deu um pulo para trás respirando desesperado.
_ I-Itachi... S-sou eu...
_ SAI DAQUI! SAI DAQUIIIIIIIII! — Itachi gritou em plenos pulmões, se sentando na cama e agarrando seus cabelos com as mãos trêmulas. Sasuke percebeu que não era apenas o rosto de Itachi que estava judiado, todo seu corpo parecia ferido e ele estava nu; Fugaku deve ter-lhe tirado as roupas para que doesse mais, já havia feito isso consigo uma vez. O primogênito repetia o mantra, gritando cada vez mais alto até que começou a soluçar e chorar.
Novamente Sasuke se sentiu chocado: Nunca havia visto Itachi chorar, muito menos daquela maneira.
_ A-aniki... — tentou recomeçar, Itachi apenas tremia cada vez mais e os soluços aumentavam sua recorrência, o choro tão intenso que cortaria o coração de qualquer um. Sasuke sentiu suas próprias lágrimas triplicarem em quantidade, se desesperado mas ainda tentando acalmar o irmão.
Falou algumas coisas que sequer se recordava e Itachi, alguns segundos depois, ficou quieto. Sem prévio aviso, se levantou e saiu do quarto, deixando Sasuke cada vez mais confuso para traz. O caçula ouviu o barulho de água correndo, Itachi tomando banho? Àquela hora?
Um grito alto de frustração, um barulho de vidro quebrando e de algo sendo batido na parede: Itachi estava destruindo o banheiro. Sasuke caminhou para perto da porta, batendo timidamente e tentando chamar Itachi.
_ ME DEIXA EM PAZ! — ele gritou em plenos pulmões, sua voz ecoou pelo corredor. Sasuke sentou-se novamente próximo a porta, aquela noite não dormiria. Imaginava que Itachi devesse ter recebido a pior surra de sua vida e tudo que queria era tentar acalmar seu irmão.
Mas Sasuke, por mais que tivesse sofrido nas mãos de Fugaku, jamais chegaria sequer perto em supor o que verdadeiramente aconteceu.
… continua...
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