Notas iniciais
Oi gente, aqui é o Kikonsam. Sei que faz muito tempo que essa história não é atualizada (tipo, muito mesmo) então eu queria deixar ela finalizada, falei com a Maegi e ela concordou, então, para finalizar essa história, um capítulo da vilã mais icônica de toda a Disney, a Malévola! (Esse capítulo não leva em consideração o filme dela)

Das montanhas mais altas da Holanda, muito tempo atrás, uma tempestade caía. Chuva pesada e fria assombrava as montanhas holandesas naquela noite, mas não era por motivos climáticos que aquela água caía do céu aquela manhã. Dos pingos, no ponto mais alto da montanha, cresceram doze flores, lentamente, de forma gradual, até atingirem a altura de aproximadamente dois metros. As flores, então, desabrocharam, e de dentro de cada uma delas saíram moças. Doze moças para doze flores. Bonitas, com cabelos encharcados da chuva que caía e com seus corpos nus, elas levantaram seus rostos, revelando rostos belos. Dali, elas desceram dos troncos das flores lentamente, quase flutuando no ar, e pisaram na grama. Cada uma das mulheres andou em direção á uma árvore em um ponto um pouco abaixo de onde elas haviam nascido, e dela retiraram galhos. Cada galho soltou faíscas de suas pontas ao toque das mulheres. Então, ali, elas se entreolharam. E perceberam, finalmente, que haviam nascido.

— Olá. – falou a mulher de pele negra e corpo esbelto para suas outras irmãs. — Acho que agora nascemos, fadas.

— Acredito que sim. – Falou a outra mulher de pele branca e cabelos loiros – Todas já sabem as regras? Ou temos que passar?

— É bom reforçar, para todas confirmarem que o conhecimento que nasceram com é o mesmo para todas nós, 12 irmãs. – falou a moça de cabelos negros.

Mas, antes que qualquer uma das doze fadas pudesse falar, ao lado da árvore, nascia uma nova flor. Uma flor que rapidamente cresceu ao mesmo tamanho das outras que anteriormente haviam crescido, e dela viu-se uma nova mulher desabrochando. Uma mulher diferente das outras que haviam ali nascido. Ela tinha pele levemente esverdeada, e corpo relativamente mais magro do que das outras fadas que haviam nascido poucos minutos antes daquela nova.

A mulher abriu os olhos e levantou a cabeça, parecia atordoada, sem saber o que acontecera com ela, e caiu da flor que havia a pouco nascido, diretamente na grama encharcada da chuva que cessava lentamente logo após seu nascimento. Algumas das fadas foram ajuda-la a se levantar, enquanto a mesma continuava a olhar de forma atordoada tudo à sua volta, enquanto o céu voltava a aparecer.

— O que está acontecendo? — perguntou ela, quando quatro das fadas levantava-a do chão, assim, a mesma conseguindo ficar de pé. – Onde estou? Quem são vocês?

— Mas, você não sabe? – perguntou uma das fadas que a ajudou a se levantar. – Todas nascemos com essas informações já contidas em nossa memória.

— Não sei, sinto dizer. – diz a mulher, ainda olhando de forma assustada a todas.

— Não tem problema. – fala uma das fadas de cabelos ruivos ao fundo, próxima à árvore. – Já íamos repassar, mesmo. Por favor, irmã, pegue um galho desta árvore e junte-se a nós, pot favor.

A moça, atordoada, sem saber ao menos quem era, obedeceu, indo à árvore e procurando por um galho pequeno, assim como os que suas companheiras tinham em mãos. Procurara por vários minutos, mas aparentemente não sobrara mais galhos, apenas uma grande raíz solta da mesma árvore, que estava presa no chão. A fada puxara a raíz com força, conseguindo retirar. Um cajado de quase mesma altura da mulher se fez, saindo dele pequenas faíscas. Assim, a moça se moveu para junto de suas irmãs, onde se postou, aos olhares aturdidos de todas as outras doze fadas que olhavam de forma julgadora para a décima-terceira. Ali, ela olhou para a ruiva que estava postada na frente de todas.

— Bem, vamos repassar as instruções. – falara ela. – Somos todas fadas. Nascidas a partir dos deuses para apadrinhar as terras do reino em que nascemos, como em todos os reinos, doze nascem para auxiliar para que o reino prospere. Nesse caso, treze. – ela lança um olhar de repugnância à fada de pele esverdeada. — Nascemos sem nome, e apenas com instruções para pegarmos um pequeno galho da árvore que seria convertido em varinha mágica. – nesse momento, ela lança um olhar à fada de pele esverdeada que carregava um cajado feito de raíz ao invés de uma varinha. — Nossos nomes serão designados e empregados em nossa pele quando tornarmos a ter magia suficiente para isso. Nossas asas crescerão gradativamente, à medida que nossa mágica for avançando. E temos que treinar feitiços para isso acontecer, portanto, treinaremos como se não houvesse amanhã. O primeiro feitiço, então, será para termos roupas. Vamos, agitem suas varinhas, irmãs.

E, assim, com muita dificuldade, algumas demorando mais do que outras, as fadas conseguiram fazer vestidos que vestiram seus corpos, cada uma de uma cor diferente, como se fosse feita exclusivamente para elas. Menos a décima terceira fada. Ela, ali, não conseguira suas roupas, permanecendo despida, sem conseguir fazer crescer roupas para cobrir seu corpo.

Depois de inúmeras tentativas, somente à noite a fada conseguiria fazer crescer um longo vestido preto, que arrastava no chão, quando ela tentara, ao invés de balançar seu cajado, batê-lo com força no chão para fazer crescer roupas.

Assim, o tempo passou, as doze irmãs da décima-terceira fada conseguiam, com facilidade, realizar os feitiços que tentavam. Encolher, fazer crescer, embelezar, levitar, fazer nascer, e assim por diante. A décima-terceira fada não conseguiria nada disso, apenas tentando inutilmente e vendo suas outras irmãs conseguirem, enquanto ela não. Isso a frustrava. Achava que não valia a pena. Nenhum resquício de asas conseguia ser visto saindo de suas costas, enquanto a de suas outras irmãs conseguia-se ver claramente as asas crescendo, até fora necessário, para algumas, se fazer furos no fundo de seus vestidos para as asas conseguirem passar, asas transparentes e belas. Isso frustrava e muito a 13ª fada.

Em um belo dia, ouviu-se na floresta onde as treze fadas dormiam um grito de emoção. Todas correram para ver o que acontecera. Assim como a 13ª. Lá, a fada com vestido vermelho gritava com um sorriso no rosto e suas asas transparentes batendo freneticamente em suas costas, enquanto olhava para seu braço.

— Flora! – falou ela, mostrando seu braço tatuado com seu nome escrito, em tinta vermelho-claro. – Meu nome é flora! Eu consegui! Eu consegui!

Assim, Flora, de alegria, conseguira voar alto, e descobrira- ali, que a liberdade de voar limitava-se ao descobrimento do nome. Até o momento em que não se tivesse o nome, a fada apenas teria asas, e não conseguiria voar.

O tempo passou. Uma a uma, cada fada foi tendo seu nome. A azul chamava-se Primavera; a verde, Fauna; a amarela, Verão; a laranja, Outono; a roxa, Noite; e, assim, as doze fadas, ao fim do primeiro ano de treinamento, tinham seus nomes tatuados em seus braços.

A décima-terceira, que era como as suas irmãs a chamavam, estava mais aturdida que nunca. Uma fada sem nome, sem asas, sem saber voar, apenas estando ali, como uma inválida, vendo suas irmãs voarem pelo dia e planarem pelas nuvens. Tinha inveja. Queria estar ali. Queria poder fazer os inúmeros feitiços que todas suas irmãs haviam aprendido.

Assim, com um novo plano, a 13ª pegou seu cajado, agarrou um corvo que voava particularmente próximo ao chão naquela noite, e, assim, como nunca antes havia conseguido, bateu com seu cajado no chão, e conseguira possuir o corvo. Naquela forma, a 13ª conseguiu voar através do corvo. Bater suas asas no céu, andar de nuvem em nuvem, planando, se sentindo livre como antes nunca havia se sentido.

Isso repetiu-se todos os dias por um mês. Um mês de liberdade sem igual que a 13ª via. Porém, ao fim de seu décimo passeio aos olhos do corvo, a 13ª sentira algo estranho em sua cabeça, e estendeu a mão para sentir. Cifres. Nascendo em sua cabeça. Daquele jeito, desesperada, a 13ª tentou achar uma solução para aquele problema. Suas irmãs não poderiam saber. Assim, a 13ª colocara um gorro naquele fim de tarde, e fora para a clareira da floresta, onde, todos os dias, as treze fadas jantavam.

Durante o jantar, onde a 13ª sentara próxima à Fauna, Flora e Primavera, que, a essa altura, tornaram-se um trio de fadas auto-proclamadas “líderes”, já que, dentre as treze, foram as primeiras a serem nomeadas. O jantar correra normalmente, como todos os dias, e a maioria das fadas ignorando a presença da não-nomeada, até que a fada Verão, sentada próxima à 13ª, decidiu, de forma inusitada, perceber na estranha:

— 13ª? – perguntou ela, alto, chamando atenção de todas as fadas à mesa naquela clareira.

A não-nomeada levantou a cabeça lentamente, olhando com seus olhos amedrontados para Verão, que a olhava com um olhar desafiador.

— Sim, Verão? – perguntou ela, calmamente.

— Por que estás usando um capuz? – perguntou Verão, enquanto algumas das fadas no fim do lado oposto da mesa paravam para prestar atenção.

A não-nomeada ficou paralisada, não sabia o que responder, então falou a primeira coisa que lhe veio à cabeça:

— Estou com frio. – Falou ela. – Então providenciei esse capuz.

— Ah, posso dar um jeito nisso. – falou Verão, pegando sua varinha entre as vestes e agitando na direção da 13ª, que sentiu uma onda de calor em volta de seu corpo instantaneamente. – Melhorou?

— Sim. – falou a não-nomeada, dando um sorriso bobo, suando, enquanto se controlava para não abaixar o capuz, agindo, como se nada tivesse acontecido, voltando a tomar sua sopa.

— Tire o capuz, não tem necessidade mais dele agora. – falou Verão, inocentemente, olhando para a não-nomeada.

Ela levantou a cabeça lentamente, olhando para todas que tinham suas cabeças viradas para ela. Agora não havia mais escapatória. Tinha que se revelar. Tinha que se mostrar. Não tinha mais jeito.

A não-nomeada abaixou seu capuz, mostrando, ali, seus pequenos chifres, que saíam de forma leve porém chamativa para fora de seus cabelos castanho-escuros. As fadas ao redor se espantaram, algumas deram gritinhos de susto, de medo, sem saber o que havia ocorrido com a não-nomeada.

— O... o que é isso? – perguntou Verão, se afastando lentamente da mesa.

— Magia negra. – respondeu Fauna, lentamente, antes que a 13ª pudesse falar qualquer coisa.

— Não! Eu juro que não me envolvi com magia negra! – fala a 13ª, assustada, levantando-se da mesa. – Juro por tudo!

— Acreditamos em você, 13ª. – fala Primavera, levantando-se da mesa. – Mas você pode ter feito sem perceber. Sabe, de acordo com a mitologia, fadas somente criam chifres ao invés de asas se elas se envolverem com magia negra.

— Eu não me envolvi com magia negra! – gritou a não-nomeada. – Juro que não! Somente possuí um corvo para poder saber a sensação de voar, apenas isso! E foi a única magia que pude fazer, mas e daí? Qualquer uma de nós pode fazer isso.

As fadas soltaram gritos de susto, medo, e algumas se afastaram. A não-nomeada agarrou seu cajado naquele momento. Tinha sensação de que alguém fosse ataca-la.

— Não podemos, 13ª. – falou Flora, calmamente, levantando-se. – Não possuímos animais, isso é magia negra.

— Mas... mas eu não percebi! – gaguejou a não-nomeada, se afastando da mesa. – Como eu posso fazer uma magia sem perceber?

— Por que você é uma aberração da natureza! – gritou Verão, do outro lado da mesa, enquanto a contornava para se por de frente com a não-nomeada.

— Verão, não diga isso... – falou Fauna, calmamente, mas Verão a atropelou:

— Digo, Fauna! Nunca se perguntou por que ela não consegue fazer magia do bem? Por que o tom de pele dela é mais esverdeado? Ou... pelo amor de Deus, só o fato de ela estar aqui é perturbador. As leis dizem de doze fadas, não treze! E ela chama... isso, de varinha? – Verão apontou para o cajado da não-nomeada. – Isso não é uma varinha! Ela não é uma fada boa! É uma fada má! E nasceu para isso, é uma aberração da natureza que tentamos nos enganar pensando não ser, mas estávamos erradas! E a prova está aí, esses chifres horrendos saindo da cabeça dela!

A 13ª enfureceu-se. Nunca havia sentido-se assim antes. O que Verão falava a atingiu de forma forte em seu peito, a atacou, foi algo horrendo. Seus olhos, naquele momento, foram se tornando amarelados. Ela estava furiosa, não sabia controlar-se.

— Ah, é? – perguntou ela, rangendo os dentes, enquanto sentia os chifres crescendo lentamente em sua cabeça. – Então, que seja! Eu sou má!

Nesse momento, a não-nomeada inclinou seu cajado, e num jarro de luz verde que atingiu Verão, ela caiu na grama, estendida, morta. O grito de horror das outras fadas jamais chegou a ser ouvido com clareza pela 13ª. Dali, ela saiu lentamente, dando as costas para todas, entrando na floresta.

A não-nomeada caminharia por horas, possuindo o mesmo corvo para voar pelas colinas holandesas a procura de algum local para ela poder abrigar-se, e achou. As ruínas do castelo abandonado na montanha proibida. Ali, a não-nomeada sabia que encontraria um lar.

Longe de todas as outras fadas, sucumbiria a sua face má, e seus chifres cresceriam mais e mais, até, em certo ponto, aquela não-nomeada sentir uma ardência em seu braço, e finalmente ser nomeada: Malévola. Agora era oficial. Ela seria a deusa de todo mal, a rainha da maldade absoluta das colinas holandesas.

Possuiria porcos e águias para serem seus soldados, faria seu exército. O corvo seria seu servo, e ela espalharia a maldade por todo reino no qual ela fora rejeitada, tentando ao máximo fazer um inferno da vida das suas irmãs fadas. Aprenderia a mudar de forma a mesma, capaz de se tornar de pequenos escaravelhos a majestosos dragões assassinos em apenas poucos segundos.

E, assim, assumiria ira. Ira por todos que cruzassem seu caminho e ousassem se opor a ela. Sua ira chegaria ao ápice quando, alguns séculos mais tarde, Malévola não fosse convidada ao batizado da recém-nascida princesa Aurora, amaldiçoando aquela pequena bebê à morte.

Notas finais
Obrigado a todos os que acompanharam esse compilado de Ones, é muito gratificante saber que muita gente foi capz de vir aqui e ver nossas histórias, deixar que entremos um pouco na mente de vocês, e fazer com que as pessoas vejam esses vilões com outros olhos! Agradeço em nome de todos os autores ao dizer isso. Enfim, obrigado por tudo mesmo, adeus :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!