Pretérito Imperfeito

29 Capítulo XXIX - You're An Asshole But I Love You


Notas iniciais
**Esse capítulo contém links camuflados**

Juliana estava trancada sozinha em seu quarto, com sua roupa íntima coberta por um roupão felpudo rosa, bobs por todo o seu cabelo e uma maquiagem um pouco mais pesada que de costume enfeitava seu rosto.

O carro de Damon estava parado na porta da casa. Juliana observava tudo da janela, ela o viu entrar, viu Jeremy sair mais cedo para pegar Bonnie acompanhado de Jenna e Alaric. E agora via Elena e seu vestido de festa entrar no carro de Stefan.

A garota no quarto começou a dançar de felicidade imaginando a tortura que estava proporcionando ao Damon que deveria estar morrendo de ansiedade na sala de estar esperando-a.

Ela não estava ligando em chegar à festa de Bonnie atrasada, contanto que Damon estivesse sozinho no primeiro andar da casa super nervoso para encontrá-la pela primeira vez desde que houve todo o incidente.

Juliana achou maligno seu plano de fazê-lo esperar. Ela começou a tirar vagarosamente cada bob de seu cabelo ainda dançando para que o processo se tornasse mais longo ainda.

Depois de colocar todo o seu cabelo no lugar, a garota pegou e vestiu seu vestido preto e suas luvas, sem nenhuma pressa também. Finalmente chegou aos sapatos igualmente negros, após colocá-los retocou um pouco mais seu batom vinho escuro. E pronto!

Ela se olhou no espelho e se admirou um pouco, Juliana queria parecer má, queria parecer uma Princesa das Trevas e havia conseguido.

[...]

Damon estava realmente ansioso na sala de estar, já estava andando de um lado para o outro, mas depois raciocinou um pouco e percebeu exatamente o que ela estava fazendo.

Ele conhecia a amada que tinha, de algum modo sabia que toda aquela espera era proposital para irritá-lo. Ah! Damon estragaria os planos dela.

Ele foi para o pé da escada e ficou aguardando, uma hora ou outra Juliana ia acabar aparecendo.

O vampiro esperou por alguns minutos e um leve pigarro chamou a atenção dele no topo da escada; era ela.

Primeiro ele contemplou a beleza e não conseguiu resistir a um comentário.

– Você está linda. – Ele elogiou sua Princesa das Trevas.

Juliana observou-o tentando não demonstrar muito caso, ele estava maravilhosamente lindo e impecável como sempre em smoking e gravata borboleta, recostado em uma parede.

– Você não está feio... – Ela disse descendo as escadas.

Quando ela chegou ao piso, Damon ofereceu seu braço e não pode perder a oportunidade de estragar aos planos dela.

– Não precisava demorar tanto se produzindo para mim. – Ele falou verbalizou seus falsos pensamentos enquanto atravessava a porta com ela.

Juliana tentou se defender, o plano de Damon em arruinar o dela deu certo.

– Eu não estava me produzindo para você! – Ela exclamou.

Ele riu por dentro, tinha ela exatamente onde queria.

– Repita isso até que consiga convencer a si mesma. – O vampiro sussurrou.

E a garota pirou como ele esperava.

– Urgh! Você não se olha no espelho não? – Ela ficou vermelha de raiva.

– Você é que deveria se olhar no espelho agora... Seu rosto enraivado te deixa irritadoramente mais bonita! – Ele abriu a porta do carro para ela.

Os dois seguiram o caminho trocando mais farpas. A verdade é que agora finalmente juntos depois de um tempo separados, nenhum dos dois conseguia se lembrar do motivo de estarem separados. Tudo o que Juliana lembrava era que tinha de ficar irritada com Damon, e ele só conseguia pensar em fazê-la se irritar com as próprias palavras que ela usava contra ele.

[...]

Eles chegaram à entrada da festa, que era no ginásio do Mystic Falls High School, com a falsidade de seus braços dados. Muitos olhares da festa se viraram para o casal.

– Olha! Estão todos admirando seu belo acompanhante. – Comentou Damon.

– Agora eu não ganho credito algum... – Sibilou Juliana exausta da discussão e provocações infinitas.

– Ah é... Quarenta por cento está bem para você? – Damon provocou.

A garota não respondeu nada apenas revirou os olhos e deu graças a Deus quando finalmente pode se separar de Damon e ir até Caroline que a chamava enquanto ele foi até Alaric e Jenna.

– Urgh, Damon hoje acordou querendo me irritar! – Juliana resmungou.

– Que canalha! Mesmo depois de tudo o que ele te fez... – Disse Caroline.

“O que ele me fez?” Juliana forçava sua memória tentando recordar. Não demorou muito e ela se lembrou de tudo, “a traição”, ela se respondeu.

...

– Juliana hoje está tentando ser o mais intragável possível... – Damon ria enquanto comentava com Alaric.

– Também... Depois do que você fez a ela, era o mínimo que ela podia fazer... – Disse Ric.

“O que eu fiz a ela?” Damon demorou um pouco para lembrar, mas logo seu sorriso foi desfeito,“a traição”.

[...]

Depois de alguns minutos separados, e agora relembrados dos últimos acontecimentos, cada um dos dois refletia da sua maneira.

Praticamente todos dançavam na pista, apenas os dois estavam parados e sentados longe um do outro, em mesas distintas.

Damon se aproximou da garota solitária.

– Seria uma pena vir tão bonita para uma festa e não dançar em nenhum momento. – Ele disse em pé diante dela.

Quando ela tirou seu olhar do chão e levantou-se para olhá-lo, o vampiro estendeu uma mão convidando-a para a pista.

Juliana encarava a mão e o rosto de Damon intercaladamente, estava quase pronta para negar.

– Vamos... É só uma dança! – Damon insistiu com aqueles olhos azuis capazes de derreter qualquer um.

Juliana inspirou, como se no fundo estivesse dizendo a si mesma que ia se arrepender, mas pegou a mão e foi com ele até a pista.

Segurando a mão dela, Damon a fez rodopiar de uma forma gentil e calma, mas a puxou bruscamente causando impacto entre os tórax, para susto da garota.

Ele lançou Juliana como um ioiô e a fez voltar para o peito dele enrolada em seu próprio braço e no do vampiro.

Em seguida, ele pôs seu braço por baixo da axila esquerda dela e a segurou pelas costas apertando seu peito contra o dela; segurou a mão direita da garota e caminhou em troca de pés por uns segundos como se fosse um passo de tango.

Damon a fez rodopiar novamente e a puxou bruscamente causando outro impacto entre os tórax, mas desta vez ela não foi pega de surpresa.

Ele colocou as mãos na cintura dela e fez movimentos ondulatórios com o corpo da garota, enquanto a pressionava contra o corpo dele mesmo.

– Você sabe que não vai me odiar para sempre... – Ele sussurrou no ouvido da menina quando a fez ficar de costas para ele, continuando com a mão na cintura dela e com os movimentos de onda.

Juliana sentiu suas pernas ficarem bambas e implorarem para ceder ao chão quando o sussurro quente de Damon atravessou o cabelo dela fazendo os pelos de sua nuca se eriçarem.

– Não! – Ela disse recobrando a consciência e empurrando ele. -... Não quero mais dançar, obrigada! – Juliana disse ainda meio zonza. – Eu vou voltar para a minha mesa, e não se preocupe, vou voltar para casa com Stefan e Elena.

Damon contraiu sua mandíbula e derrotado não fez nenhum protesto para a garota que se afastava dele como se este tivesse alguma doença contagiosa.

[...]

Juliana já estava em casa sã e salva de Damon. Tirou toda a sua produção, tomou um banho e vestiu um baby-doll confortável para poder descansar. Sentiu um pouco de sede antes de ir dormir e resolveu descer até a cozinha, não corria o risco de encontrar ninguém já que todos já estavam dormindo.

Ela pegou um copo e o colocou para encher na torneirinha da porta da geladeira e distraída relembrando da noite que se passou quase deixou a água derramar.

Bebeu o copo cheio olhando para o escuro de uma das portas da cozinha e voltou a refletir sobre a festa. Ela se sentia muito tola por tudo, o plano de irritar Damon, as provocações bobas, mas principalmente o fato de por um momento ter esquecido as coisas que ele fez a ela.

Juliana teve o pressentimento de que se arrependeria de aceitar dançar com ele, ela ignorou seu instinto e estava até agora remoendo e se arrependendo.

Ela continuava olhando o escuro e quase cuspiu o último gole de água que estava em sua boca quando viu Damon atravessar a porta.

– O que você quer aqui? – Ela interrogou com uma voz engasgada ainda se recuperando do susto.

– Eu queria te agradecer pela noite de hoje... – Damon disse parado perto da porta a uns três metros de distância de Juliana.

– Agradecer, o que? Por quê? – Ela disse confusa e tentando forçar um falso desprezo.

– Até hoje eu estava desesperado, inseguro e com medo. – Ele confessou.

– Realmente não sei do que você está falando, mas você confessar ter medo é intrigante... Medo de quê? – Juliana ainda tentava manter uma máscara de desprezo com um toque de ironia.

– Medo de você me odiar, medo de perder você... Medo de perder o seu amor. – Ele deu um passo para frente.

– Mas você perdeu. – Ela disse secamente.

Os olhos de Damon brilharam de felicidade enquanto ele deu mais um passo.

– Não, não perdi, e foi graças a você que eu pude enxergar isso. – Ele sorriu.

–Você está louco. – Ela disse.

– Não estou... Você não vê? – Ele deu outro passo. – Quando estamos juntos, eu não me sinto como um idiota cheio de defeitos, e você não consegue nem lembrar o motivo de sentir raiva de mim, você nem sente raiva de verdade...

Juliana deu um passo para trás digerindo as palavras dele.

– Você também vê! Só quer fingir que não... – Damon deu outro passo. – Eu vou te salvar, vou arrancar seu sofrimento, e vou merecer respirar o mesmo ar que você! Nós vamos ficar juntos de novo...

– Você bebeu?... Que tal ir dormir com outra amiga minha e me deixar em paz?! – Juliana tentava atingi-lo.

– Não bebi uma gota... – Ele disse e ignorou a provocação dela. – E o que falo é sério, eu vou lutar por nós! Vou me redimir de algum jeito! Farei o impossível...

– Para com isso Damon! – Juliana berrou. – Não quero suas promessas, porque não existe nenhum NÓS! Nunca mais ficaremos juntos! E eu me esforçarei ao máximo para te odiar enquanto eu respirar...

– Você é incapaz disso. – Ele constatou.

– Não tenha pouca fé em mim... – Ela zombou.

– Não tenho pouca fé, eu tenho fé e muita! No nosso amor... – Ele deu mais um passo em frente.

– Não existe mais NOSSO amor... – Juliana disse quase exausta e sem paciência. – VOCÊ matou ele...

– Eu e Você. Nós... Estamos escritos nas estrelas, nas linhas do destino, karma, ou o que for que acredite... Um sentimento assim não morre tão rápido... – Damon se aproximou um pouco mais.

Juliana se calou, mas não porque concordava e sim porque já estava cansada da discussão.

– Eu serei digno de você, nunca me senti antes, mesmo antes de tudo isso, mas eu vou me tornar. – Damon estendeu uma mão e tocou de leve o rosto dela.

– Tudo isso o QUE?... Diga em voz alta o que você me fez. – A garota empurrou a mão dele.

– Eu apunhalei pelas costas a única pessoa que nunca quis magoar desde o momento que vi pela primeira vez... Mas uma pessoa muito querida me convenceu que eu tenho que lutar para minha luz não se apagar, eu não deixarei VOCÊ se apagar dentro de mim!... Por mais que você diga que me odeia, que me xingue, que berre comigo, que me expulse... Não vou me afastar de você. – Ele disse.

Juliana bufou uma risada.

– Você enlouqueceu mesmo... Deve ser remorso, se é que você é capaz disso. – Ela falou.

– Não, não é remorso e nem uma promessa, é a declaração de um voto. Um voto que eu nunca irei romper... Eu sou seu e você é minha, ninguém vai me impedir de restaurar meus erros, nem mesmo você. – Damon afirmou com um olhar frio.

A garota riu zombeteiramente.

– Então você vai me obrigar a te perdoar... É isso mesmo o que entendi?! – Ela ainda ria.

– Eu não vou te obrigar a me perdoar... Eu vou te obrigar a conviver com esse fato de que eu nunca vou desistir. – Ele voltou a olhá-la amorosamente. – Eu nasci para você de todas as maneiras possíveis... Meu sangue permitiu te trazer a vida quando aquela mãe desesperada implorou que a transformasse para lhe der uma chance... Nunca, nunca ia passar na minha cabeça que estava salvando o futuro amor da minha vida...

– Mas outra idiotice que você fez quando estava bêbado! – Juliana tentava ignorar todas as palavras doces.

Damon agarrou o braço da menina e a apertou com olhos irritadiços.

– Nunca mais ouse falar ou até mesmo pensar que o que eu fiz transformando sua mãe para te salvar foi uma idiotice ou coisa parecida, entendeu? – A garota olhou para ele assustada e disse que “sim” com um movimento positivo com a cabeça, por um momento desviou seu olhar dos olhos azuis e irritados dele para seu braço esquerdo que ardia pelo aperto que ele não afrouxava.

Damon notou que a estava machucando, mesmo sem ela fazer qualquer reclamação. Então ele diminuiu o aperto, mas não soltou, pelo contrário, segurou o outro braço dela com sua mão livre.

Agora o vampiro apertava os dois braços, mas sem provocar dor. Os olhos dele, que ainda não tinham se desviado dos dela, foram se tornando mais brandos e ternos.

– Entenda que você é tudo para mim... E que se não fosse por você nada me impediria de tirar meu anel na praça principal em pleno meio dia. – Damon ainda a apertava, mas sem provocar dor. – Você é minha esperança, não vou desperdiçar a minha última chance de ser feliz...

Juliana tremia por dentro com essas palavras que ela sabia que eram sinceras, mas lutava para se convencer que eram somente parte de mais um joguinho dele.

Damon contemplou um pouco mais aquela face que agora tinha se calado e não parecia tentar mais combatê-lo com palavras agressivas. Ele parou os olhos nos lábios rosados daquele rosto que amava tanto e quando deu por si já estava pressionando o corpo dela contra o dele e a beijava apaixonadamente.

Juliana, apesar de tudo, foi pega de surpresa. Não conseguia lutar como desejava por causa dos braços dele que a imobilizavam, em alguns momentos ela quase se entregava ao desejo, mas não o fez.

Quando ele finalmente a soltou para que respirassem, Damon sentiu o estalar de um tapa bem dado na lateral direita de sua cara, que na verdade provocou uma dor mais intensa na mão da remetente do que na face do vampiro.

– Não se atreva mais a fazer isso! – Juliana quase gritou de raiva ainda ignorando a sua palma da mão formigando de dor.

Damon usou sua força novamente contra a garota, imobilizando-a pelos braços mais uma vez e a beijou.

Juliana tentou lutar mais do que na primeira vez, mas quanto mais ela tentava se debater mais Damon a apertava e impossibilitava seus movimentos contra ele. Depois que finalmente a soltou o vampiro disse:

– Não se atreva você a pensar que eu não vou fazer isso outras vezes.

A garota deu dois passos para trás e fez uma cara que parecia ser premonição de choro. Damon a olhava parado e não sabia distinguir o motivo, se era pela conversa toda, por raiva ou ódio, pela mão dela que deveria estar ardendo como se estivesse em chamas, pelos beijos, ou talvez a mistura de tudo.

Juliana o olhava sem se dar ao luxo de começar a chorar, a verdade é que ela nunca havia sido beijada a força em toda a sua vida, e agora ela sentia uma sensação nada boa.

– Me desculpe... Passei dos limites, sei que era muito cedo para ter feito isso... – Um arrependimento diferente crescia em Damon enquanto observava a reação dela.

– Vai embora daqui!... – A voz de Juliana parecia ecoar o fel que ela sentia ter engolido.

Compreensivo e um pouco arrependido, Damon se permitiu ser tragado pela escuridão da noite e desapareceu.

Notas finais
Até o próximo!