Pretérito Imperfeito

16 Capítulo XVI - Trying Not To Love You


Notas iniciais
**Esse capítulo contém links camuflados**

– Então você falava sério quando disse que o que importa é aproveitar os pequenos momentos... – Damon dirigia com Giuliana ao seu lado para a festa no Mystic Grill. – Se divertir e...

A garota se retraiu no banco do carona esperando a próxima oração.

–... E tudo mais?! – Damon completou e Giuliana relaxou no banco, agradecida por ele ter omitido as palavras que ela mesma havia dito. Ele estacionou

– Sim, falava. – Ela confirmou.

Já se podia ouvir a música alta que vinha de dentro do local.

– Tem certeza que você quer fazer isso? – Damon apontava com o olhar para a entrada do Mystic Grill.

– Sem dúvida. – Giuliana disse confiante e apressada saiu do automóvel sem nem esperar Damon abrir a porta para ela.

Giuliana deu mais uma de suas inspiradas fundas, foi até a porta. Damon seguiu atrás dela como uma sombra.

– Pronta? – Ele indagou pousando uma mão no ombro dela. Ambos estavam diante da porta fechada do Grill, que por hoje seria uma boate para a festa de encerramento do Encontro das Senhoritas de Mystic Falls.

Giuliana não respondeu com palavras, apenas tocou com uma mão a mão do vampiro que tocava seu ombro. Ele então fez as honras e abriu a porta.

E ela descobriu um novo mundo.

As meninas haviam a obrigado a assistir uma tonelada de filmes sobre como era o nosso século, e com certeza havia festas como essa nos enredos, mas nada se comparava a emoção em 4D... As cores... Os sons... As luzes... Os movimentos, ainda estranho para ela... As pessoas... Era tudo muito... Mágico!

Damon a pegou pela mão e a guiou pelo meio da multidão. Giuliana passou um pouco retraída pelo aglomerado de gente, algumas vezes ela tinha medo de receber golpes das pessoas que estavam dançando ao redor da passagem deles.

Em uma das passagens, Giuliana se deparou com a cena de um casal se beijando de uma maneira nada sutil, ela não sabia se nessa fração de segundos arregalava os olhos ou ficava mais vermelha que um tomate.

O Grill estava totalmente diferente, no meio, nada de cadeiras, nada de mesas nem divisórias, era mesmo outro ambiente.

E finalmente eles chegaram ao destino que Damon pretendia, era Stefan. Ele estava acompanhado de Jeremy, Matt e Alaric.

– Pensei que vocês não viriam... – Berrou Stefan para que os humanos pudessem ouvi-lo.

– Eu também, mas sua prima estava louca para vir... – Damon também berrou.

Giuliana acenou para os marmanjos e em seguida se distraiu com as pessoas se divertindo na festa.

[...]

Minutos depois, Giuliana que não era exemplo nenhum de inércia começou a se entediar.

Stefan, Alaric, Jeremy eram um bando entediante, eles apenas bebiam e ficavam escorados nas paredes e nas pilastras. Damon não era muito diferente, ele se mexia algumas vezes com os sons das músicas, mas parecia que ele estava na festa com a missão de guarda-costas garantindo a segurança de Giuliana.

– Onde estão as meninas? – Giuliana perguntou berrante a Stefan.

– Estão do outro lado dançando. – Ele respondeu.

– Damon, me leva para lá. – Disse ela.

– O que? – Berrou Damon.

– EU quero ir até as MENINAS! – Berrou Giuliana.

– O que? – Continuou ele.

– Quero ficar com as MENIIINAS! – Giuliana falou outra vez.

– Hãm?... O que?... – Damon fingiu continuar não escutando. Stefan deu uma risadinha e a garota entendeu que ele não “queria” ouvir.

– Ah! Por mim... Eu vou sozinha! – Giuliana deu meia volta e adentrou na multidão abandonando aquele nada-divertido bando.

Damon riu da prima birrenta e a seguiu no mar de pessoas.

Giuliana esbarrou no mínimo numas três pessoas e quase foi atropelada por uma garçonete que passava com uma bandeja servindo bebidas, que hoje era por conta da casa.

Por um momento, Damon quase a perdeu de vista, mas não haviam muitas baixinhas invocadas tentando chegar ao outro lado da festa.

Ele a alcançou no exato momento que ela chegou às meninas. Elena, Bonnie, Caroline, Fernanda e Laiana, mas Tyler estava no meio dançando com Caroline.

– Oi gente! – Berrou Giuliana querendo se entrosar com as garotas.

Todos a cumprimentaram de volta.

– Você veio! – Disse Bonnie balançando com sua faixa de Honorável Senhorita de Mystic Falls.

– Achei que ia ser divertido... – Disse Giuliana.

– Por quê? Não está sendo? – Perguntou Laiana se aproximando dela.

– Até que estaria se estivesse fazendo alguma coisa, mas só fico parada olhando e esse poste me segue aonde eu for... – Giuliana apontou para Damon.

– Ah! Manda ele ir pastar e vem se divertir com a gente! – Disse Fernanda.

– Foi isso o que você fez com o seu Príncipe? – Elena perguntou a Fernanda.

– Olha quem fala! Você e a Bonnie também abandonaram seus namorados e estão aqui... – Nanda retrucou.

– Se balança menina! – Disse Laiana.

– O que? Como? O que eu faço? – Giuliana pareceu um pouco perdida.

– É só imitar os que os outros fazem e improvisar um pouco com o toque da música. – Disse Bonnie.

Giuliana balançou de um lado para o outro e bateu palminhas, um pouco constrangida. Uma risada veio atrás dela.

– Você é um desastre. – Ele continuava rindo.

– Damon, você não ajuda em nada sabia? – Disse Giuliana se sentindo humilhada olhando para ele.

– Vem cá! Eu te ajudo... – Disse Laiana puxando-a e ensinando alguns passos.

Giuliana começou a imitar e estava se saindo bem.

Uma garçonete passou com uma bandeja e Fernanda pegou um copo.

– É disso que você precisa! – Fernanda estendeu o copo, era um drinque alcoólico. – Vai te ajudar a se soltar.

Giuliana estava pronta para recusar, mas...

– Ela não deve! Acho melhor não. Não é uma boa ideia. – Protestou Damon.

A garota então levantou uma sobrancelha para ele e o enviou um sorriso sádico e cínico.

– Eu aceito. – Giuliana disse tomando o copo de Fernanda.

Damon deu de ombros.

– Ele vai ficar realmente que nem um poste aqui? – Indagou Caroline largando um pouco Tyler.

– É, Damon. Você vai? – Giuliana o questionou.

– OKAY, sei quando minha presença não agrada. – E Damon saiu de perto deles, deixando a prima.

Um fato é que a bebida realmente ajudou Giuliana a se soltar, só que ela não parou só em um copo.

[...]

Giuliana aprende rápido, então facilmente conseguiu aprender como se dançava naquele ambiente.

Ela estava alegrinha e começou a dar um bom show de dança. Não demorou muito e ela começou a ser convidada para dançar por rapazes, o primeiro ela hesitou um pouco, mas depois de mais um drinque e o incentivo das amigas ela começou a se divertir também com desconhecidos.

Damon fingia não se importar, mas ele estava dançando com outras mulheres na festa e ainda assim continuava vigiando a prima de longe.

Com algumas horas de festa passadas e alguns drinques ingeridos, ela já tinha dançado e conseguido a atenção dos rapazes mais desejados da festa. Giuliana estava em puro êxtase de diversão.

Quando se cansou dos desconhecidos, ela mesma resolveu buscar seus parceiros de dança.

Foi até o lado da festa do bando entediante. Alaric não estava mais lá, devia ter ido embora.

Giuliana tentou arrastar Stefan para a pista de dança, mas ele deu uma desculpa que tinha alguma coisa a ver com Elena, e ela estava fora de si demais para ligar para qualquer coisa que ele dissesse.

Então ela avançou em Jeremy, e ele não conseguiu fugir da pista de dança. Tempos depois já era Matt.

Parecia mais que ela tinha bebido energético ao invés de bebida alcoólica. Matt conseguiu fugir e retornar para sua parede quando ela parou de dançar e tentava pegar um drinque de uma bandeja.

Foi aí que Damon, o vigilante fiel das primas “animadinhas”, viu um rapaz se aproximar de Giuliana, só que esse garoto já tinha passado pelo radar do vigilante, a festa inteira esse dito-cujo tentava drogar as meninas.

O ‘drogador’ puxou conversa com ela e conseguiu derramar um comprimido na bebida dela.

– Com licença, mas você não vai negar uma dança ao cara mais interessante da festa? – Disse Damon se aproximando.

Damon! – Giuliana animadinha quase gritou de felicidade ao vê-lo, como se não o visse há anos.

Ela ia tomar um gole da bebida, mas antes que esta chegasse aos seus lábios, Vigilante Damon tomou a bebida e entregou ao moleque que a tentava drogar.

Confusa, ela olhou para ele como uma criancinha dócil e ingênua.

– Vamos dançar, baby! – Ele disse.

Giuliana quase saltitante o puxou para o meio da pista.

Coincidentemente ou não, o estilo de música mudou quando eles iam começar a dançar.

Muitos casais ou grupos ficaram confusos e demoraram um pouco a se adaptar, Damon apenas se balançava vagarosamente, sozinho, enquanto Giuliana se transformou completamente.

Ela começou a rodeá-lo, algumas vezes o alisava. Quando passava pela frente, seus olhos incitavam coisas que Damon nunca sonharia em escutar da boca dela.

Ele ficou surpreendido, Giuliana não estava mais alterada pela bebida, estava mesmo Transformada.

Ela parou de costas para o tórax de Damon e se recostou. Se recostou e depois deslizou até chegar no chão, ele começou a enlouquecer e a essa altura, TOOODA a boate já estava olhando paraEles.

No chão ela dançou um pouco, ainda nos pés de Damon, ela se virou e estendeu a mão para que ele cedesse à dele. Ele em pé cedeu, Giuliana pegou impulso e se levantou usando a força de Damon contra ele.

Ela ficou em pé num puxão e seu tórax se chocou violentamente contra o peito dele. Giuliana abandonou a mão dele e o deixou plantado, puxou dois meninos que estavam assistindo a coreografia dela e os usou para provocar mais ainda Damon, que agora não dançava, apenas assistia babando como quase todos os homens da festa. Ela tinha conseguido a atenção da boate inteira.

Em poucos segundos abandonou os dois meninos e começou a convencer algumas meninas a aderirem à coreografia dela.

Algumas hesitavam, mas ela conquistava uma, duas, três, quatro, cinco... E de repente era um High School Musical para maiores de 18 anos.

As meninas da festa se transformaram no ritmo da música também, enquanto os garotos abobalhados, apenas assistiam, muitos não acreditavam, pensavam que estavam muito bêbados, mas nada de esfregar os olhos para acordar desse sonho! Uns acham que tinham atingido o Nirvana.

Em pouco tempo Giuliana se cansou das parceiras e resolveu subir no balcão do Mystic Grill e começou a dançar ali.

Ela rebolava sensualmente e se inclinava para trás como se deitasse no ar, imitando de longe as dançarinas do ventre.

No meio daquele flash mob libidinoso, Damon não raciocinava direito, mas mesmo assim ele tinha a sensação de que aqueles movimentos, aquela provocação toda, aqueles olhares lascivos tinham algo de familiar, só não conseguia recordar a quem.

Quando a música acabou, Giuliana bêbada, que estava inclinada para trás como a dançarina dos sete véus se jogou livremente e caiu deitada no balcão. A boate em massa, meninos e meninas, gritavam “uhuuulll...!”, a fantasia de agitar uma boate daquele jeito era o sonho de cada um ali presente.

Ainda deitada Giuliana olhava o teto e começou a rir desenfreada e as outras pessoas começavam a voltar a dançar normalmente.

Damon que estava paralisado no meio da pista de dança conseguiu se mover e foi até ela. A prima ainda ria e ria como uma criança dócil, porém não mais tão ingênua. Ela o notou se aproximando e apontou para o teto.

– Já passou da hora de irmos para casa. – Damon disse.

Por que eu não consigo ver as estrelinhas? – Ela ainda apontava. – Eu não quero ir para casa!

Damon a ajudou a se sentar e a ajudava a sair de cima do balcão.

– Você tem que ir sim! As estrelinhas estão lá em casa. – Ele tapeou.

Estão?... Jura?

– Juro, juro sim... – Ele a ajudava a caminhar. Ela estava tão fora de suas coordenações que nem parecia que tinha acabado de fazer um show.

Eu gosto de estrelinhas, das grandes principalmente... Tipo o Sol – Ela continuava conversando enquanto Damon praticamente a carregava para o carro. – E você gosta de estrelinhas grandes? Gosta Damon?

– Ah... Das grandes não, só se eu estiver usando esse anel aqui... – Damon mostrou seu anel de lápis-lazúli.

Ah é! Tem esse negócio de vampiro ainda... – Giuliana disse encolhendo seus lábios para mostrar seus caninos, tentando simular uma vampira mostrando as presas. – Damon...

– Oi. – Disse ele segurando-a com um braço e abrindo a porta do carro com outra.

Me morde! – Ela fez um pedido que mais parecia uma ordem e tombou a cabeça para trás expondo seu pescoço.

– O que? NÃOOO...! Entra no carro! – Ele disse a obrigando a se acomodar.

[...]

Giuliana estava sendo guiada por Damon até o quarto que ela ocupava na casa e parou na frente da porta.

Obrigado Damon, bom você comigo é quer muito quando!

– De nada, mas o QUE você disse? – Perguntou ele.

Ela fez força para organizar a frase corretamente em sua mente.

Você é muito bom comigo quando quer!

– Ah sim! É eu sou... – Ele sorriu.

Eu te amo – Ela disse.

– Eu também te amo... – Damon alisou de leve a “testa” da mão dela.

Você não entende!... Você não sabe... O que eu daria... para trocar de lugar com essa Juliana.– Giuliana expelia com um pouco de dificuldade. – Eu seria capaz de matar...

– Você está bêbada, não sabe o que está dizendo. – Damon abriu a porta e ia empurrar com cuidado Giuliana para dentro quando ela segurou firme, os antebraços dele, e fitou segura de si.

Posso não estar completamente consciente... Mas eu ainda sim sei quais são as coisas que eu quero, e elas se resumem a Você. – Ela fitava-o sem se abalar.

– Vamos entrar... – Damon insistia tentando fugir dos olhos dela.

Damon, beije-me. – Giuliana falou solidamente.

Ele então paralisou novamente. “Oh, não! Ela não podia fazer isso, é golpe baixo, por favor, pare! Não me olhe com esses olhos! Pare, por favor!” Damon implorava mentalmente enquanto ela se apoiava nos braços dele e na ponta dos próprios pés e se aproximava vagarosamente.

Mas de repente ela voltou para o chão e ofegou olhando para baixo.

– Está sentindo alguma coisa? – Damon perguntou preocupado.

Acho que... eu vou... vomitar. – Ela disse e Damon a pegou e levou com sua velocidade vampiresca para dentro do banheiro do quarto.

Enquanto ele segurava seu cabelo para evitar sujeira desnecessária e apoiava sua cabeça, ela colocava tudo o que deveria para fora. E nesse momento Damon refletia consigo mesmo, ele seria mesmo capaz de beijá-la ou se deixar beijar... Ele só tinha certeza que NUNCA, NUNCA magoaria Juliana conscientemente, mas ele não podia negar os sentimentos adormecidos que Giuliana trouxe de volta à tona.

[...]

Damon a colocou no chuveiro para tomar um banho geladíssimo, ela, claro! Ficou de roupa íntima, mas não tinha consciência de vergonha pela quase nudez devido ao álcool ainda mexendo com sua cabeça.

Depois que ela estava mais esperta depois do banho, ele saiu do quarto para preparar alguma coisa e a deixou vestir algo quente sozinha, ela já estava recuperando a consciência.

Giuliana estava entre cobertas quando ele retornou.

– Toma, beba! – Ele ordenou dando uma caneca. – É café, vai ajudar na ressaca.

Ela assoprou um pouco e bebericou.

– Está se sentindo melhor? – Ele perguntou.

– Anhãm... Só estou com um pouco de dor de cabeça. – Ela disse tomando outro gole.

Damon se sentou na beirada da cama.

– É normal... – Ele disse apertando o pé esquerdo dela por cima do cobertor para provocá-la, provocações bobas de primos.

Ela encolheu as pernas e se sentou, deixando os pés longe dele.

– Obrigada Damon.

– De nada. – Disse ele sorrindo ternamente. — Acho que meu trabalho, terminou... – Pretendendo se levantar.

– Não! Fica... Até eu dormir?! – Ela pediu.

– Hum... Está bem, mas você não vai querer que eu cante nenhuma cantiga de ninar não, né? – Damon disse.

– Cantiga de ninar? Não. Mas uma história, talvez. – Giuliana riu.

– Ah sim, claro! Que tal a da “Cinderela Bêbada Que Dança Como Uma Odalisca”? – Damon brincou.

– Não, não... Essa eu passo... – Brincou ela.

– Ah! Já sei... Vou contar uma que você vai amar! Chama-se: “O Vampiro Devorador De Esquilos” – Damon riu zombeteiramente.

– Por acaso isso não me daria medo, daria? – Giuliana indagou fingindo medo.

– Só se você se chamasse Simon, Theodore ou Alvin, como não é o caso... – Damon explicou.

– Então está bem... – Consentiu Giuliana.

Damon começou a tirar sarro com a vida de Stefan até a prima adormecer.

– Era uma vez, não tão longe, na Terra dos Chatos de Galocha, um moleque bobo que se meteu com a vampira vadia do irmão mais velho...

Notas finais
até o próximo!