Pretérito Imperfeito

12 Capítulo XII - Everything Has Changed


Notas iniciais
**Esse capítulo contém links camuflados**

Damon tinha acabado de se despedir do irmão e da prima, estava na sala da pensão, pegando um copo do seu habitual whisky. Estava tentando não pensar em nada, dar uma trégua para sua mente que ultimamente andava tão confusa, deliciava-se com o ardor na garganta provocado pelo Bourbon quando a morena amiga de Juliana adentrou o cômodo.

– Ah, Oi! – Laiana disse notando-o, meio sem-graça.

– Oi. – Ele cumprimentou elevando seu copo ao ar.

– Cadê todo mundo? – Ela perguntou intimidada, nunca ficava bem na presença dele, muito menos a sós.

– Bom, Stefan e Giuliana saíram... Fernanda eu não sei... – Disse ele.

– Ah! Essa eu sei bem onde está, desde que descobriu seu príncipe encantando não sai da casa dos Lockwoods... – Ela disse revirando os olhos.

Damon moveu sua face em um “que seja!”.

– Pelo menos algum de nós está se divertindo... – O vampiro tomou mais uma golada.

Laiana ficou mais um instante parada em pé, sem ter nenhum assunto para falar, constrangida, até que Damon fez um sinal para que ela sentasse.

Ela hesitou, mas ele a convenceu.

– Eu não quero ficar sozinho...

– Okay... – A garota sentou-se na poltrona de frente a dele.

– Então... – Laiana puxou uma conversa para quebrar o silêncio intimidador. -... Como você e Juliana se conheceram?

Ouvir esse nome inesperadamente transtornou momentaneamente a face do vampiro, Laiana enxergou muita dor quando ele a olhou surpreso com a pergunta, mas disposto a responder. Ela era uma humana, sem dúvidas, mas ela tinha uma habilidade incomum, Laiana conseguia enxergar a alma das pessoas através dos olhos. Não era nada sobrenatural ou mágico, ela simplesmente conseguia ler um olhar.

– Me desculpe, não queria mexer em uma ferida... – Ela o interrompeu antes que ele respondesse a pergunta.

– Não mexeu... – Damon defendeu-se.

– Damon... Eu sei que mexi, mas está tudo bem... Se você quiser conversar pode se abrir. – Disse a garota.

Laiana também tinha isso em sua personalidade, ela era maternal, era sempre a pessoa que ouvia e que aconselhava seus amigos. Por ser uma menina sempre muito boa e ingênua acabava fazendo isso de graça, até para quem não conhecia direito. Ela viu dor em Damon e isso a fez sentir pena dele apesar de estar numa sala com um vampiro cujo prato principal era a espécie dela.

O vampiro zombou por um momento.

– E por que eu me abriria? – ele questionou.

– Porque dói guardar isso que você está sentindo só para você... Eu sei, todos estão tentando fazer Giuliana se sentir bem, mas ninguém notou que a presença dela está te consumindo, te magoando, te dividindo...

Damon arregalou os olhos com essas palavras.

– Quem disse isso a você? – Ele questionou novamente, mas sem a arrogância aplicada em sua voz, a humana o pegou desarmado.

– Você disse!... Na verdade, seus olhos disseram! – Ela disse orgulhoso por ter certeza de que seu dom mais uma vez tinha acertado.

– Pois você está enganada! – Ele disse com sua voz arrogante reconstruída.

– Não tenha certeza disso. – Ela continuou vitoriosa.

– Para seu governo, eu e Giuliana voltamos a nos dar bem, somos amigos novamente! – Ele apontava provas de que a teoria de Laiana estava equivocada.

– Isso é só por fora! Talvez você consiga enganar os outros, mas eu vejo que por dentro, vê-la o faz se martirizar... Agora por que você não me conta o motivo? – Laiana, com tom de psicóloga, tentava atravessar o muro arrogante dele.

– Ora, você quer ser muito sabichona, não é? Saiba que eu estou feliz dela ficar aqui por 1 mês, pelo menos posso me despedir dessa vez. E como? Como você tem tanta certeza do que acha que está se passando comigo? – Damon tentou reforçar seus argumentos, mas acabou intrigado.

– É simples, se não fosse verdade você não estaria tentando com mil e um motivos me fazer acreditar no contrário disso... – Laiana jogou sua cartada final destruindo toda e qualquer esperança de Damon se esquivar das perguntas dela.

Mas ele acabou sendo salvo pela chegada de Elena.

– Boa tarde, gente. Onde está o Stefan?

– Boa tarde. – Respondeu Laiana.

Laiana viu a arrogância e prepotência voltar aos olhos de Damon quando eles se viraram para observar Elena.

– Ele foi levar Giuliana para um piquenique romântico... – Ele disse cruelmente. – Você deveria apertar mais as rédeas com o meu irmãozinho, sabe Eleninha?!

Ele agiu dessa forma para que de alguma maneira Laiana entendesse que ele não era um coitadinho que necessitava da bondade e sábias palavras alheias.

– Que eu saiba Damon, o único cavalo da família que precisa ser selado é você. – Elena respondeu à altura a provocação dele e arrastou Laiana para fora da casa com ela. Não era bom nenhum humano ficar perto de Damon, muito menos com ele bebendo.

Agora, Damon sentia-se vitorioso, mas ele não faz ideia que nada do que ele falou impressionou Laiana. Ela tinha plena certeza de que ele estava magoado e ela com sua bondade não vão ficar quietas até conseguirem ajudá-lo, afinal de contas, alguém precisava fazê-lo e ninguém parecia enxergar isso além dela.

Stefan abriu a porta do seu carro e ajudou Giuliana a sair.

– Que lugar é esse? – Ela perguntou curiosa observando avidamente o local.

Eles estavam no meio do nada, parecia uma floresta, exceto pelas ruínas.

– Você não consegue reconhecer? – Ele disse.

– O que isso é?... Ou foi? – Ela disse vasculhando tudo com os olhos, não se contendo de tanto suspense.

– Era a antiga mansão Salvatore, achei que você gostaria de estar em algum lugar familiar... – Stefan acabou com a brincadeira de adivinhação.

Giuliana vasculhou novamente o local com os olhos.

– Bem, não está tecnicamente “familiar”. – Ela terminou a avaliação.

Stefan riu, a garota o devolveu em sorriso e de repente foi saltitante em direção das ruínas.

– Aqui era a sala de visitas... Eu acho! – Ela disse percorrendo todo o cômodo sem paredes como uma criança.

– Era sim! – Ela começou a segui-la.

– Aqui... O escritório do titio!... O que aconteceu com o titio? – Giuliana percorria o resto da casa distraída.

Stefan ficou um pouco desconfortável com essa pergunta.

– Morreu... – Foi tudo o que ele disse, mas ela estava tão entretida que nem quis interrogar mais.

Ela pulou, correu e brincou mais um pouco pelos domínios arruinados. Exausta, e agradecida pelo passeio correu até Stefan e o abraçou.

– O que houve? – Ele perguntou surpreso e receptivo ao abraço.

– Nada não, só queria agradecer... – Ainda abraçada ela levantou sua cabecinha infantilmente para olhar Stefan.

– De nada... – Ele afagou os cabelos dela.

Depois ela se soltou e inspirou fundo o ar, como se estivesse inalando felicidade. Por coincidência ela olhou para baixo e viu que pisava numa moitinha que continha flores amarelas, aquelas flores amarelas.

Ela agachou e coletou as que não foram destruídas por seus pés.

– Infelizmente, esse lugar não existe mais... – Disse Stefan encarando as três florzinhas que ela segurava.

– Não? – Ela indagou um pouco decepcionada.

– Damon tratou de destruí-lo assim que soube que você tinha morrido. – Stefan explicou.

Giuliana deu um breve riso.

– Não o julgo, ele sempre foi o mais explosivo. Você, Stef, sempre foi o mais ajuizado... –Ela sorriu para ele.

Stefan agiu como um espelho sorrindo de volta.

– Giuliana... – Disse ele depois de esconder o sorriso.

– Sim, Stef... – Ela olhou-o curiosamente.

– Por que você escolheu Damon a mim? – Interrogou ele.

– Oh não Stefan! Pensei que todos nós teríamos um tempo sem lágrimas, tristezas e dramas... Não comece tudo de novo, por favor! – Giuliana agiu sem resquícios de infantilidade em seu tom agora.

– Não! Não! Não estou querendo recomeçar com isso novamente... É que foi uma dúvida que carreguei comigo por muito tempo, sabe?... Katherine disse que preferia a mim, Elena prefere a mim... Por que você não me amou? – Ele se explicou e continuava a indagação.

– Ora... Eu te amei Stef, e muito! Só que não era o tipo de amor que você queria, não era o tipo de sentimento que você esperava... – Ela entendeu e o respondeu.

– O que tinha de errado comigo? – Stefan perguntou novamente, ainda insatisfeito.

– Não é difícil de compreender, apenas... Olhe para mim! Vamos! Diga-me o que o Stefan de 1864 via ao me olhar! – Giuliana se posicionou distante, porém diante dele.

– Ele via... – Stefan pensava e tentava escolher as palavras certas.

– Via...? – Ela arregalou seus olhos castanhos esperando uma resposta aproximando-se mais.

– Ele via em você uma donzela pura, angelical, e inocente... E gentil... E doce! Delicada como uma flor campestre... – Stefan se empolgava nos adjetivos quando foi interrompido pela prima.

– Está vendo aí! Stef, doce? Angelical?... Stefan, você gostava de uma pessoa que não existia você simplesmente me idealizava... Sério?! Angelical? Eu?... Stef eu sempre fui mimada, caprichosa e egoísta, mas doce? Nunca! Eu era imatura, teimosa, e tirânica... Delicada?! Eu gostava de brincar com os meninos!... Essa é a diferença básica de você e Damon, ele me conhecia de verdade, e ele lidava com os meus defeitos e minhas qualidades, assim como eu lidava com os dele... – Giuliana tentava fazê-lo entender.

– Acho que deve ser isso que se baseia o amor verdadeiro, amar até os comportamentos equivocados dos outros... Mas não pense que você tenha feito algo errado para eu não gostar de você da maneira que gosto do Damon, pelo contrário, vocês dois são ambos dignos do amor de qualquer garota! Mas eu e ele, nós temos OU tínhamos uma conexão especial, era diferente, e único... – Ela continuava falando, mas parou ao ver um sorriso brotar no rosto de Stefan.

– Eu e Elena, nós temos isso... – Ele falou.

– Parabéns, Stef, só quem sente sabe quão mágico é... – A garota avançou nele e o abraçou novamente com feições infantis. – Não faça como eu e Damon, não estrague isso!

– Não irei! – Eles se soltaram e ele sorriu para ela enquanto esta voltava para sua aventura nos destroços da casa.



Notas finais
até o próximo!