Pretty little liars
25 25. Como esses jovens dirigem hoje em dia!
O queixo de Mona caiu quando ela virou a esquina em direção ao gramado de Noel.
— Merda.
Hanna desceu o vidro da janela do BMW do pai de Sean e sorriu para ela.
— Gostou?
Os olhos de Mona brilharam.
— Estou sem palavras.
Hanna sorriu graciosamente e tomou um gole da garrafa de Ketel One que ela roubara da mesa de bebidas. Há dois minutos ela havia enviado uma mensagem para Mona, com a foto do BMW e o seguinte texto: Eu estou pronta e em ponto de bala. Venha dar uma volta comigo. Mona abriu a porta do carona, que era bem pesada, e escorregou para o banco. Ela se ajeitou e encarou a insígnia da BMW no volante.
— É tão lindo... — ela seguiu os pequenos triângulos azuis e brancos com o dedinho.
Hanna tirou a mão dela dali.
—Você está doidona?
Mona ergueu o queixo e deu uma boa olhada no cabelo sujo de Hanna, seu vestido todo torcido em seu corpo e seu rosto marcado de lágrimas.
— As coisas não foram bem com Sean?
Hanna olhou para baixo e virou a chave na ignição.
Mona tentou abraçá-la.
— Ah, Han, sinto muito... o que foi que aconteceu?
— Nada. Deixa pra lá.
Hanna recuou e colocou os óculos de sol — o que atrapalhava um pouco a visão, mas quem é que se importava? — e olhou para o carro. O BMW tinha entrado em ação, com todas as luzes do painel piscando.
— Que lindo! — gritou Mona. — São como as luzes do Club Shampoo!
Hanna engatou a ré e os pneus se moveram pela grama encharcada. Então ela aprumou o volante e lá foram elas. Hanna estava nervosa demais para se preocupar com o fato de que as faixas duplas na estrada estavam quadruplicadas em sua visão.
— Uhul!! — Mona comemorou. Ela abaixou o vidro do seu lado e deixou seu cabelo louro e comprido voar atrás dela. Hanna acendeu um Parliament e foi mudando as estações no dial do rádio via satélite Sirius até encontrar uma emissora de raps retrô que tocava "Baby Got Back". Ela aumentou o volume e o carro todo vibrava. Claro que aquele era o melhor som que o dinheiro podia comprar.
— É melhor do que o que estava tocando antes — disse Mona.
— Com certeza — respondeu Hanna.
Conforme fazia a curva com tudo, um pouco rápido demais, algo no fundo de sua cabeça martelava.
E não me parece que esta pessoa vai ser você.
Ai.
Nem o papai ama você mais que tudo!
Duplo ai.
Bem, foda-se. Hanna pisou fundo no acelerador e quase acertou uma caixa de correio em formato de cachorro.
— Nós temos que ir a algum lugar exibir essa gracinha.
Mona apoiou seus saltos altos Miu Miu no painel, espalhando grama e terra nele.
— E por que não no Wawa? Eu queria um bolinho Tastykake.
Hanna riu e tomou outro gole de sua Ketel One.
—Você deve estar muito drogada.
— Não estou só drogada, estou megadrogada.
Elas pararam de qualquer jeito no estacionamento do Wawa e cantaram "I like big BUTTS an I cannot lie!" enquanto entravam na loja. Dois entregadores sujos, segurando copos enormes de café, se inclinaram para fora de seus caminhões, olhando para elas de boca aberta.
— Posso pegar seu boné? — perguntou Mona para o mais magrinho dos dois, apontando para o boné dele, que dizia FAZENDAS WAWA. Sem dizer uma palavra, ele deu o boné para ela.
— Eca — sussurrou Hanna. — Esse negócio está cheio de germes.
Mas Mona já tinha colocado o boné na cabeça.
Na loja, ela comprou dezesseis Tastykake Butterschotch Krimpets, uma US Weekly e uma garrafa enorme de Tahitian Treat; Hanna comprou uma Tootsie Pop por dez centavos. Quando Mona não estava olhando, ela enfiou um Snickers e um pacote de M&M's na bolsa. — Eu posso ouvir o carro — disse Mona com voz sonhadora enquanto pagava. — Ele está gritando.
Era verdade. Em sua confusão de bêbada, Hanna havia ativado o alarme com o dispositivo do chaveiro.
— Opa! — ela riu.
Morrendo de rir, elas correram de volta para o carro e entraram. Pararam no sinal vermelho, sacudindo as cabeças. A galeria cheia de lojas, à esquerda delas, estava vazia, exceto por alguns carrinhos de compras. As placas em neon das lojas brilhavam despreocupadamente, e até o Outback estava vazio.
— As pessoas em Rosewood são umas perdedoras — Hanna gesticulou para a escuridão.
A estrada também estava completamente vazia, então Hanna deixou escapar um"Epaaa!" quando um carro vindo do nada, apareceu na pista ao lado dela. Era um Porsche prateado e de capô afilado, com janelas escuras e aqueles faróis azuis esquisitos.
— Olha só — disse Mona, com pedaços de bolinho caindo de sua boca.
Quando elas encararam o motorista, ele acelerou o carro.
— Ele quer disputar uma corrida — cochichou Mona.
— Isso é loucura. — Hanna não conseguia ver quem estava dentro do outro carro, apenas o brilho vermelho da brasa de um cigarro. Ela foi tomada por uma sensação incômoda. O carro acelerou de novo, de forma impaciente, dessa vez, e ela finalmente pode ver uma silhueta vaga no banco no motorista. Ele acelerou mais uma vez.
Hanna ergueu a sobrancelha para Mona, se sentindo bêbada, sensacional e completamente invencível.
—Vai lá — sussurrou Mona, abaixando o boné de leiteiro do Wawa.
Hanna engoliu em seco. O sinal abriu e ela pisou no acelerador, o carro avançou rapidamente. O Porsche rosnava na frente dela.
— Sua molenga, não deixe que ele vença você! — gritou Mona.
Hanna enfiou o pé no acelerador e o motor roncou. Ela emparelhou com o Porsche. Elas estavam a cento e trinta, depois a cento e cinquenta e logo a cento e sessenta. Dirigir rápido assim era ainda melhor que roubar.
— Acaba com ele! — berrou Mona.
Com o coração acelerado, Hanna encostou o pedal do acelerador no chão. Ela mal podia ouvir o que Mona estava dizendo por causa do barulho do motor. Ao fazerem uma curva, um cervo entrou bem na frente delas. Ele veio do nada.
— Merda! — gritou Hanna. O cervo ficou ali parado. Ela agarrou o volante, pisou no freio e desviou para a direita, e o cervo pulou para fora do caminho. Rapidamente, ela endireitou o volante, mas o carro começou a derrapar. Os pneus começaram a rodar em uma trilha de cascalhos no acostamento e, de repente, elas estavam dando um cavalo de pau.
O carro girou, girou e girou, até que atingiu alguma coisa. Tudo ao mesmo tempo: batida, vidro estilhaçando e... escuridão.
Menos de um segundo depois, o único barulho ouvido no carro era um horrível zumbido que vinha do capô.
Devagar, Hanna apalpou o rosto. Estava tudo bem, nada havia batido nela. E ela podia mover as pernas. Ela tentou se livrar de um monte de tecido inflado e macio — o air bag. Che-cou Mona. Suas pernas longas se debatiam por detrás do air bag.
Hanna limpou as lágrimas dos cantos dos olhos.
—Você está bem?
— Tira essa coisa de cima de mim!
Hanna saiu do carro e puxou Mona para fora. Elas ficaram no acostamento, respirando com dificuldade. Do outro lado da estrada havia placas da SEPTA, a companhia de trânsito da Pensilvânia, e a estação escura de Rosewood. Elas podiam ver um bom pedaço da avenida. Nenhum vestígio do Porsche — ou do cervo de que haviam desviado. Diante delas, o sinal piscou, mudando de amarelo para vermelho.
— Isso foi uma aventura — disse Mona com a voz trêmula.
Hanna concordou.
— Tem certeza de que você está bem? — Ela olhou para o carro.
Toda a frente fora enfiada em um poste. O para-choque ficou pendurado, arrastando no chão. Um dos faróis tinha entortado num ângulo esquisito, o outro acendia e apagava insanamente. Uma nuvem malcheirosa vinha da floresta.
— Você não acha que isso vai dar problema, né? — perguntou Mona.
Hanna deu uma risadinha. Isso não deveria ser engraçado, mas era.
— O que devemos fazer?
—Temos que sumir daqui — respondeu Mona — Podemos ir andando para casa.
Hanna deus mais risinhos.
— Ah, meu Deus. Sean vai ficar puto.
As duas meninas começaram a rir. Soluçando, Hanna se virou para a estrada vazia e abriu os braços. Ficar no meio de uma estrada de quatro pistas completamente vazia dava uma sensação de poder. Ela se sentiu a dona de Rosewood. Também se sentiu completamente tonta, mas talvez fosse porque ainda estava bêbada. Ela jogou o chaveiro perto do carro. Ele caiu no pavimento e o alarme disparou de novo.
Hanna se abaixou rápido e apertou o botão do chaveiro. O alarme parou.
— Esse negócio precisa tocar tão alto? — reclamou.
— Pois é. — Mona colocou os óculos escuros de novo. — O pai de Sean realmente deveria mandar arrumar esse treco.
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