Pretty little liars
23 23. A Islandesa Aria consegue o que quer
— Finlândia! Procurei você por todo lado!
Uma hora se passara e Aria estava saindo da cabine de fotos. Noel Kahn parou na frente dela, nu, exceto pelas cuecas Calvin Klein, que estavam molhadas e pegajosas. Ele segurava um copo amarelo de plástico e a tira com as fotos dela. Noel chacoalhou o cabelo, espirrando água na minissaia APC dela.
— Por que você está todo molhado? — perguntou Aria.
— Nós estávamos jogando polo aquático.
Aria deu uma olhada para o lago. Os meninos estavam batendo na cabeça uns dos outros com boias cor-de-rosa. À margem, garotas usando vestidos Alberta Ferrari quase idênticos estavam juntas, fofocando. Para além das cercas vivas, não muito longe dali, ela viu seu irmão, Mike. Ele estava com uma garota pequena que vestia uma sainha e usava saltos plataforma.
Noel seguiu os olhos dela.
— É uma daquelas meninas do colégio quaker só de garotas — murmurou ele. — Elas são umas doidas.
Mike olhou para cima e viu Aria e Noel juntos. Ele lançou a Aria um aceno aprovador com a cabeça.
Noel apontou para as fotos dela.
— Essas fotos estão incríveis.
Aria deu uma olhada. Entediada, ela havia passado os últimos vinte minutos tirando fotos de si mesma. Na última vez, ela fizera caras sexy, provocantes.
Ai, ai. Ela viera à festa pensando que Ezra, enciumado e cheio de desejo, também viria para procurá-la. Mas, dãããã, ele era um professor e professores não frequentavam festas de alunos.
— Noel! —James Freed chamou do outro lado do gramado. — O barril está vazio! — Droga — Noel xingou. Ele deu um beijo molhado no rosto de Aria. — Essa cerveja é para você. Não vá embora.
— Hã-rã — concordou Aria com bom humor, vendo-o afastar-se, com a cueca escorregando e deixando à mostra seu bumbum branco e bem-definido.
— Ele gosta mesmo de você, sabe.
Aria se virou. Lá estava Mona Vanderwaal, sentada no chão, a poucos metros. O cabelo louro formava círculos em volta de seu rosto e seus enormes óculos escuros de aros dourados ti-nham escorregado pelo nariz. O irmão de Noel, Eric, estava com a cabeça em seu colo.
Mona piscou devagar.
— Noel é incrível. Ele seria um ótimo namorado.
Eric teve um ataque de riso.
— O que foi? — Mona se inclinou. — O que é tão engraçado? — Ela tá doidona — disse Eric para Aria.
Enquanto Aria esquadrinhava seu cérebro procurando alguma coisa para dizer, seu celular Treo tocou. Ela o alcançou em sua bolsa e olhou o número para ver quem estava chamando. Ezra. Ah meu Deus, ah meu Deus!
— Hum, alô. — Ela atendeu, falando baixinho.
— Oi. Hum... Aria?
—Ah, oi! E aí? — ela tentou parecer o mais controlada e tranquila possível. — Estou em casa, bebendo um uísque e pensando em você.
Aria ficou muda, fechou os olhos e foi invadida por uma onda de felicidade.
— É mesmo?
— É.Você está naquela grande festa?
— Hã-rã.
— Está de saco cheio?
Ela riu.
— Um pouco.
— Quer vir até aqui?
— Tudo bem. — Ezra começou a ensinar como chegar lá, mas Aria já sabia onde era. Ela havia procurado o endereço dele no MapQuest e no Google Earth, mas ela não podia contar isso a ele.
— Legal — disse ela. —Vejo você daqui a pouco.
Aria enfiou o telefone de volta na bolsa o mais tranquilamente que pôde e depois deu um pulo, batendo as solas de borracha de suas botas uma na outra. Beleza!!!
— Ei, eu sei de onde conheço você.
Aria olhou. O irmão de Noel, Eric, estava olhando para ela, enquanto Mona beijava seu pescoço.
—Você é amiga daquela garota que desapareceu, não é?
Aria olhou para ele e tirou o cabelo dos olhos.
— Eu não sei do que você está falando — disse, e se afastou.
Boa parte de Rosewood era formada por propriedades particulares e haras restaurados de cinquenta acres, mas perto do colégio havia uma porção de ruas irregulares, de pedra, cheias de casas vitorianas caindo aos pedaços. As casas em Old Hollis eram pintadas de cores malucas como roxo, rosa-pink e verde-azulado, e geralmente eram divididas em apartamentos e alugadas para estudantes. A família de Aria havia vivido em uma casa em Old Hollis até ela completar cinco anos, e o pai dela conseguir seu primeiro emprego dando aulas na faculdade.
Enquanto dirigia devagar para a casa de Ezra, Aria notou uma casa com letras gregas na fachadas. Havia papel higiênico pendurado nas árvores diante dela. Outra casa tinha uma pintura semiterminada em uma moldura no jardim.
Ela parou na frente da casa de Ezra. Depois de estacionar, subiu os degraus da frente da casa e tocou a campainha. A porta da frente se abriu e lá estava ele.
— Uau — disse ele. — Oi. — Ele deu um sorrisinho.
— Oi — respondeu Aria, sorrindo de volta do mesmo jeito que ele.
Ezra riu.
— Eu... hum, você está aqui. Uau.
—Você já disse uau — provocou Aria.
Eles entraram no vestíbulo. À frente, uma escada com carpete em diferentes estados de conservação a cada degrau levava para o andar superior. À direita, a porta estava aberta.
— Esse é o meu apartamento.
Aria entrou e viu uma banheira de pezinhos bem no meio da sala. Ela apontou.
— É pesada demais para movê-la — explicou ele, envergonhado. — Então eu guardo livros nela.
— Legal — Aria olhou ao redor, reparando na bay window enorme, nas prateleiras embutidas cheias de pó e no sofá amarelo todo detonado. Tinha um leve cheiro de macarrão com queijo, mas havia um lustre de cristal pendurado no teto, um lindo mosaico de cerâmica em
volta da lareira e madeira de verdade dentro dela. Fazia muito mais o estilo de Aria do que a casa dos Kahn, de um milhão de dólares, com o lago e seus vinte e sete cômodos.
— Eu superadoraria viver aqui — declarou Aria.
— Eu não consigo parar de pensar em você — disse Ezra ao mesmo tempo.
Aria olhou por cima dos ombros.
— É mesmo?
Ezra veio por trás dela e colocou as mãos em sua cintura. Aria se encostou nele. Eles ficaram assim por alguns instantes e então Aria se virou. Ela olhou para o rosto recém-barbeado dele, para a protuberância na ponta de seu nariz, para seus olhos salpicados de verde. Ela tocou num sinal no lóbulo de sua orelha e sentiu que ele estremeceu.
— Eu simplesmente... não conseguia ignorar você na aula — sussurrou ele. — Foi uma tortura. Quando você estava fazendo aquele relatório...
—Você tocou na minha mão hoje — provocou Aria. —Você estava olhando meu caderno.
—Você beijou o Noel — retrucou Ezra. — Eu fiquei com tanto ciúme.
— Então funcionou — sussurrou Aria.
Ezra suspirou e passou os braços em volta dela. Aria procurou a boca dele e eles se beijaram ardentemente, as mãos percorrendo as costas um do outro. Recuaram por um instante, olhando-se nos olhos sem fôlego.
— Chega de falar sobre as aulas.
— Combinado.
Ele a levou até um quarto pequeno, com roupas espalhadas pelo chão e um saco de batata frita Lay's aberto em cima do criado-mudo. Eles se sentaram na cama. O colchão estava cheio de farelo de batata frita e Aria nunca sentira nada tão perfeito em toda a sua vida.
Aria ainda estava na cama, olhando uma rachadura no teto. A luz da rua que entrava pela janela criava sombras que atravessavam o quarto, dando um esquisito tom cor-de-rosa a sua pele nua. Uma brisa forte e gelada que vinha da janela aberta apagou a vela de sândalo perto da cama. Ela ouviu Ezra abrir a torneira no banheiro.
Uau. Uau uau uau!
Ela se sentia viva. Ela e Ezra estiveram perto de fazer sexo... mas depois, exatamente ao mesmo tempo, eles concordaram que deveriam esperar. Então eles se aninharam nus nos braços um do outro e começaram a conversar. Ezra contou a ela sobre quando tinha seis anos e esculpiu um esquilo de barro vermelho, só para o seu irmão estragar. Como ele costumava fumar maconha depois que seus pais se divorciaram. Sobre a vez em que ele teve que levar a fox-terrier da família ao veterinário para que ela fosse sacrificada. Aria contou a ele que quando era pequena tinha uma lata de sopa de ervilha chamada Pee que dizia ser seu bichinho de estimação e chorava quando a mãe queria cozinhar Pee para o jantar. Ela contou a ele sobre seu hábito de tricotar furiosamente e prometeu fazer um suéter para ele.
Era fácil falar com Ezra — tão fácil que ela podia se imaginar fazendo isso para sempre. Eles poderiam viajar juntos para lugares distantes. O Brasil seria incrível... eles poderiam dormir em árvores sem comer nada além de frutas e escrever peças de teatro para o resto de suas vidas...
Seu Treo tocou. Eca! Devia ser Noel querendo saber o que acontecera com ela. Aria puxou um dos travesseiros de Ezra para perto dela — hummm, tinha o cheiro dele — e esperou que ele saísse do banheiro e a beijasse mais um pouquinho.
Então seu celular tocou de novo. E de novo, e de novo.
— Cruzes — reclamou ela, inclinando seu corpo nu para fora da cama e tirando o telefone de dentro da bolsa. Sete novas mensagens. E mais estavam chegando.
Quando abriu a caixa postal, Aria franziu o cenho. Todas as mensagens tinham o mesmo título: REUNIÃO ENTRE PROFESSOR E ALUNA! Seu estômago revirava enquanto ela abria a primeira mensagem.
Aria,
Isso é o que eu chamo de conseguir pontos extras.
Com amor, — A
P.S. Imagine o que sua mãe iria achar se descobrisse sobre a, ahn, companheira de estudos de seu pai... e que você sabia disso!
Aria leu a mensagem seguinte e a outra e a outra. Todas as mensagens diziam a mesma coisa. Ela jogou o Treo no chão. Precisava sentar.
Não. Ela tinha que sair dali.
— Ezra? — Aria espiava frenética pelas janelas de Ezra. Será que ela a estava observando exatamente nesse segundo? ? que é que ela queria? Era mesmo ela? — Ezra, eu tenho que ir. E uma emergência.
— O quê? — perguntou Ezra por trás da porta do banheiro. —Você está indo embora?
Aria também não conseguia acreditar. Ela começou a vestir a saia.
— Eu te ligo, pode ser? Mas agora eu tenho que ir fazer uma coisa.
— Espera. O que é? — perguntou ele, abrindo a porta do banheiro.
Aria agarrou sua bolsa e disparou pela porta, atravessando o jardim. Ela precisava sair dali. Imediatamente.
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