Notas iniciais
Pra quem é novo no fandom ou apenas não sabe inglês, Pretty Setter significa "levantador bonito". Não traduzi porque ficaria estranho. Ok, vamos de fic.

É verão, está quente demais, tem gente demais e o sinal do Wi-Fi daqui é péssimo. Estes eram os pensamentos de Kenma, que ainda não sabia porque havia saído de casa. Ao seu lado, Akaashi parecia ter os mesmos pensamentos enquanto bebia seu suco de maracujá. Estavam sentados na mesa de uma lanchonete esperando os outros chegarem.

Sugawara foi o próximo a chegar. Ele os cumprimentou com um sorriso e sentou-se na cadeira vazia frente a Kenma. Trocaram algumas palavras, Suga falava pelos três, mas os jogadores de Tóquio não se importavam. Ficavam até contentes de ter alguém para preencher o silêncio.

Depois de vários minutos, Oikawa apareceu. “Celebridades sempre se atrasam” respondeu quando Suga perguntou o porquê de sua demora. Os três reviraram os olhos. Deveriam ter imaginado. Oikawa finalmente sentou-se e eles chamaram a garçonete, cada um fez seu pedido e esperaram que ela saísse. Oikawa limpou a garganta para chamar a atenção de seus colegas.

— Agora que estamos todos aqui dou início à primeira reunião dos pretty setters~ — bateu palmas esperando que o acompanhassem. Não o fizeram.

— Não acredito que você nos fez sair de casa no que parece ser o dia mais quente do ano para isso — resmungou Akaashi.

Oikawa cruzou os braços, fazendo biquinho.

— Eu tive muito trabalho para organizar tudo!

— Se por “muito trabalho” você quer dizer ficar mandando mensagem a madrugada toda até concordarmos, sim, você teve muito trabalho. Quer um biscoito? – falou Kenma sem desgrudar os olhos da tela do celular.

— Espera – Suga interrompeu, – se essa é a reunião dos levantadores onde está o Kageyama?

O levantador da Seijou soltou um muxoxo. Só aquele nome já lhe dava um nervoso.

— Ninguém liga. Ok, primeiro assunto a ser discutido nesta reunião: como paramos de ser gays pelos nossos capitães?

— Como assim ninguém liga? É do meu filho que estamos falando.

— Esse assunto já acabou, Suga. Águas passadas. Agora vamos falar de coisas sérias. Alguma ideia? Sim, Akaashi?

— Mas, Oikawa... você é o capitão do seu próprio time.

— E ele não é apaixonado por si mesmo? – indagou Kenma.

— Ooh, eu não deixava – Sugawara provocou.

— Ei! Eu estou aqui na humildade tentando ajudá-los e é assim que me agradecem. Não tenho culpa se não conseguem lidar com seus sentimentos como eu.

— Quer dizer que você não se ama? – perguntou Suga de maneira preocupada. – Você deveria se amar, Oikawa.

— Amor próprio é importante – concordou Kenma.

— Se você não consegue se amar, como amará outra pessoa? – disse Akaashi, sabiamente. Os outros dois aplaudiram, Suga limpou uma lágrima.

— Mas eu me amo! – retrucou Oikawa.

— Nossa, que narcisista – disse Suga, balançando a cabeça decepcionado.

— Juro que se você fizer mais um comentário eu acabo com você, Refrescante-kun.

— Aposto mil ienes que o Sugawara acaba com ele – disse Akaashi.

— Isso é jogar dinheiro fora. Aposto mil que ele acaba com o Oikawa em 30 segundos.

— Feito – apertaram as mãos. Nesse mesmo momento a garçonete surgiu trazendo seus pedidos, interrompendo a discussão. Eles agradeceram e cada um deu atenção a seu lanche. Suga esticou-se para pegar a caixinha de guardanapos na mesa ao lado, quando avistou alguém familiar a algumas mesas de distância.

— Aquele ali não é o Kageyama? – perguntou de repente, apontando para a mesa onde uma figura solitária estava sentada.

De fato, era Kageyama quem bebia um milk-shake com extrema violência. Suga já estava acostumado ao jeito que Kageyama maltratava suas bebidas, mas não entendia porque ele estava vestido daquela forma – calças de ginástica, moletom preto, óculos escuros e boné. Talvez fosse moda na Europa. Por sorte ele não era de julgar as pessoas por sua maneira de vestir, pois se assim fosse já teria inscrito Daichi no Esquadrão da Moda há muito tempo.

Ele acenou, chamando pelo kouhai. O “estranho” olhou para os lados, tentando disfarçar.

— Ei, Kageyama! Eu sei que é você. Venha cá.

— E-eu não conheço este tal Kageyama de quem fala, senhor – disse mexendo em sua franja e com um péssimo sotaque.

Sugawara revirou os olhos, levantou-se e andou até a mesa de Kageyama. O mais novo tentou escapar, mas o aperto de Suga em seu braço era muito forte. Forte demais. Seu braço poderia cair a qualquer instante. Sugawara puxou uma cadeira da mesa ao lado e fez Kageyama se sentar, e logo voltou ao seu lugar, satisfeito.

— Você pode sentar com a gente – disse Akaashi.

— Ei ei ei! Quem foi que te nomeou Regina George deste grupo?

— Todos a favor? – Suga disse e os outros levantaram as mãos, exceto Oikawa. – Akaashi é nosso líder agora.

— Vida longa ao Akaashi – disse Kenma, os outros dois repetiram. Akaashi acenou para seus súditos. Oikawa cruzou os braços.

— Ei! – tentou protestar, mas foi ignorado como de costume.

— Kageyama-san, fico feliz que tenha se juntado a nós, mas porque você está vestido assim? – perguntou Akaashi, confuso como todos nós.

De repente Kageyama ficou de pé sobre a cadeira, os braços estendidos ao lado do corpo como se estivesse pronto para começar uma roda de oração. Uma luz celestial desceu sobre ele. Se Ushijima estivesse morto estaria batendo palmas dentro do caixão naquele momento.

— Eu, Kageyama Tobio, estou aqui porque sou um pretty setter. Todos os dias dezenas de levantadores são ignorados pelo fandom em todo mundo. Como Semi, reserva do segundo melhor time da prefeitura, e que por algum motivo sempre é esquecido. Como Shirabu, o levantador titular do segundo melhor time da prefeitura. Como Yahaba, Moniwa, Kogangeawa e muitos outros. Todos os dias o fandom esquece que existimos. E por apenas uma doação ao mês você pode ajudar esses levantadores a serem notados pelo fandom. Ligue agora para—

— Cala a boca, Tobio-chan. Você nem devia estar aqui.

— Vai se ferrar, Oikawa.

— Kageyama é mais bonito que você, Oikawa.

— Não é não!

— É sim – disse Akaashi.

— Verdade – concordou Kenma.

Oikawa bateu as mãos na mesa e ficou de pé, enfurecido.

— Vocês são péssimos amigos e eu odeio vocês. Vou para a reunião dos capitães porque pelo menos lá vou ser bem tratado! – e assim foi embora, pisando duro e resmungando.

Alguns minutos se passaram até que a garçonete viesse pedir com gentileza que Kageyama descesse da cadeira e o rapaz voltou se sentar-se, trazendo para si o sundae de morango não terminado que Oikawa deixou para trás. Eles continuaram a comer em silêncio. Para a surpresa de geral foi Kageyama quem o quebrou com uma brilhante observação.

— Aposto dois mil que ele volta chorando em vinte minutos.

Notas finais
Fico muito triste quando não incluem o Kags nos pretty setters. Vamos subir #KageyamaIsPretty no twitter galera! (brincadeira) Quero deixar aqui claro que amo o Oikawa, mas ao mesmo tempo adoro zoá-lo. No hate~ Um dia desses faço uma fanfic séria, mas esse dia não é hoje.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!