Pretty Little Liars: Circus
6
Capítulo 6
— Companhia inesperada –
Notas iniciais
Ao virar seu rosto para cima conseguiu ver que alguém a encarava, mas ela não pode descobrir quem era pelo escuro e sua visão turva. Mas conseguiu ouvir alguns sons, entre eles passos e uma voz masculina que próximo ao seu ouvido disse algo que mais pareceu com desculpas.
HANNA
O dia havia amanhecido, mas não para Hanna, para ela o sol apenas havia demorado demais para aparecer, sentada no chão frio de sua cela decrépita onde parecia que cada rachadura nas paredes era uma veia próxima de estourar a qualquer momento e despejar sangue, perguntou-se em como essa Charlotte Blair, se esse seria mesmo o nome dela que para sua opinião era uma garota estranha e sagaz demais para falar seu verdadeiro nome, conhecia Aria e Alison, qual era a parte da história que faltava além desse detalhe que nem Ali e muito menos Aria tinha ao menos mencionado, e o fato de que ela sabia o que estava falando e que ela queria falar tudo aquilo, cada pensamento batia em sua cabeça o que a deixava mais dispersa, nesse ponto Hanna nem mesmo se lembrava de olhar ao seu redor e nem mesmo se lembrava do cheiro de morte que havia em sua cela, mas por um segundo Hanna percebeu que essa era a sua missão, descobrir essa parte da história, que as outras partes suas amigas iriam atrás. Ela iria confrontar Aria para saber disso, mas com toda cautela, é claro. Mas isso não significava que as suas principais suspeitas iriam desaparecer, ela simplesmente abriria mais espaço em sua lista. Mas ela tinha medo e isso era algo inegável.
— Hanna Marin? – perguntou um policial loiro com olhos de um tom azul-anil. Ele se parecia com ela.
— Sim, sou eu. – respondeu Hanna com um tom de sarcasmo.
— A senhorita tem visita. – disse ele abrindo sua cela e dando-a passagem. – Me acompanhe, por favor. – disse ele levando ela a virar-se. – Eu vou precisar por algemas em seus pulsos. – disse ele com uma voz doce e pacífica.
— Tudo bem, já me trataram de forma pior. – disse ela balançando o rosto para tirar uma mecha que estava por cima de seus olhos.
Hanna tentava durante parte do percurso, por uma mecha de seu cabelo loiro para trás, mas ela sentia dificuldade em fazer isso, pois ele sempre voltava no mesmo momento, mas em um segundo Hanna assustou-se ao sentir um toque em seu rosto, mas logo se sentiu de certa forma arrepiada com os dedos suaves que o policial usara para passar sua mecha para trás de sua orelha.
Os dois ficaram parados, com ela de costas para ele, mas logo ela recuperou sua sanidade e levantou sua cabeça e continuou a olhar para frente.
— Me perdoe. – disse o policial. – Eu quis apenas ajudar-lhe com seu...
— Tudo bem – disse ela o interrompendo –, Obrigada, policial... – Hanna parou para lembrar que ainda não sabia o nome dele, já que só o havia visto no dia em que foi presa. – Perdoe-me, mas qual seria seu nome? – perguntou ela começando a andar na intenção de fazê-lo repetir seus movimentos para poder guiá-la.
— Duval, policial Alec Duval. – disse ele começando a andar e guiá-la até a sala de visitas.
— Obrigada, oficial de policia Alec Duval. –repetiu ela, mas dessa vez repleta de certeza.
— Não seja por isso. – disse ele por educação.
Os dois haviam caminhado bastante até finamente chegarem a seu destino, a sala de visitas estava com sua porta fechada, mas pela janela de vidro com persianas, Hanna pode ver que a pessoa que a esperava era sua amiga Emily.
Ao entrar na sala, Hanna ouviu a porta se fechar atrás de suas costas, o que chamou sua atenção para olhar a porta, com esse movimento Hanna viu que o policial Duval havia ficado o lado de fora. O que era perfeito para por cartas na mesa com sua amiga Emily.
— Ele disse que possuímos apenas cinco minutos para conversar – disse sua amiga Emily com certa preocupação. –, Mas talvez seja mais que suficiente esse tempo. – disse Emily inclinando sua cabeça de lado com um pouco de desanimo.
— Como assim? – perguntou Hanna e sentando na cadeira a frente da mesa que as separava. Apenas uma luz permitia que as duas pudessem se olhar melhor. – O que aconteceu? – completou Hanna.
— Spencer está ferida. – disse Emily com nervosismo em sua voz. – Ele atacou Spence enquanto dormíamos.
— Mas como esse sociopata conseguiu fazer isso? – perguntou Hanna aterrorizada com a notícia. – O que ele fez? – perguntou ela esperando por uma resposta.
— Ele fez um corte na perna dela – indagou Emily. –, mas não foi só isso, ele escreveu um bilhete e o colocou no sapato dela. – completou Emily.
— O que dizia o bilhete? – perguntou Hanna curiosa.
— É melhor se você mesma ler. – disse sua amiga lhe entregando um pequeno papel dobrado.
Hanna pegou o pequeno papel e o abriu, mas logo o soltou em cima da mesa ao ver que nele havia sangue. Ela perguntou a si mesma se ela iria fazer o sacrifício de pegar um papel onde havia manchas de sangue, isso era mórbido, mas ela estava curiosa demais para tentar chegar a uma resposta sensata. Pegando o pequeno papel já aberto, Hanna, começou a ler as palavras escritas nele. “Acho que sua tão importante e amorosa amiga não lhe disse meus planos. Ninguém pode nem ao menos pensar em ir embora, mas eu sou boa demais para fazer-lhe algo de ruim, por isso lhe dei um pequeno aviso para ficar gravado na pele. Preparem-se vocês tem um show a fazer amanhã à noite. – A”.
— “A”? – questionou Hanna a assinatura do tal maníaco. – Ele, quer dizer. Ela quer que façam uma apresentação hoje à noite? – perguntou Hanna confusa.
— Exatamente. Ela disse que deveríamos fazer isso, então faremos. Não sei como já que precisamos de você, Courtney e a Aria, mas daremos um jeito. – disse Emily.
— Vocês não podem ceder às ameaças desse... Quer dizer, dessa maluca. – disse Hanna furiosa. – Ignorar ela seria a coisa que vocês podem fazer que pudesse trazer mais...
— Medo aos demais. – cortou Emily. – Hanna, ignorar a presença de A era a coisa que mais fazíamos, mas depois do que aconteceu com Spencer – Interrompendo a si mesma. –, todos nós ficamos com medo dela, e com a mensagem dela nó conseguimos entender que não é somente Alison que ela poderia matar. Ela não está para brincadeira.
— Emily, vocês precisam confiar uns nos outros para que assim possam lutar contra A, só assim poderão superar essa vadia. – disse Hanna tentando convencer Emily de que ela havia esperanças nisso, mas a verdade era que ela não tinha, ela apenas queria que alguém pudesse ter.
— Hanna, você não entendeu a situação. – disse Emily com um olhar hostil. – Ou fazemos o que ela manda, ou morremos, e acredite em mim quando eu digo que ninguém do circo quer morrer, e que eles faram de tudo para isso. – completou Emily decidida de sua opinião.
— Tudo bem! – disse Hanna chateada. – Depois não digam que eu não avisei. – disse cruzando os braços.
Nesse exato momento, o oficial de polícia Duval entrou na sala com toda a educação que havia ganhado de seus pais em casa.
— O tempo acabou, lamento, mas a senhorita Marin terá que se dirigir de volta à cela. – disse o policial em direção a Emily
— Tudo bem. Já encerramos nossa conversa. – disse Emily se virando para Hanna. – E você, cuide-se minha amiga para que não lhe ocorra nada de ruim. – Emily disse baixo para que apenas sua amiga conseguisse ouvir.
ARIA
Com sua cabeça doendo Aria despertou de um pesado sono que só ela poderia imaginar. Com os olhos ainda fechados por causa do brilho do sol, Aria pensou em onde e como ela teria passado sua noite. Ao lembrar-se de onde estaria Aria acordou por completo e com um salto levantou-se para começar a arranjar uma forma de escapar, mas para seu susto, ela não estava onde deveria estar e muito menos em sua cela, para seu susto Aria se encontrava no mesmo lugar onde vira Jenna ser atacada, deitada sobre a ponte, com outra roupa em seu corpo, não era a roupa que se encontrava na cela, nem a roupa que usava quando estava presa, era o vestido de tonalidade roxa que havia usado na noite em que o corpo de sua amiga Alison havia sido revelado a todos.
“Mas como?” Aria se perguntou sozinha. “O que está acontecendo aqui?” Aria começava a gritar, olhando em volta.
No canto da ponte, havia um objeto inconfundível, Aria sabia o que era e isso a assustava, lá estava sua cartola, a que mais gostava. Aria andou até o fim da ponte e olhou para a direção do circo, de longe ela conseguiu ver seus amigos em plena correria para arrumar as coisas do circo. Ao começar a andar para encontrá-los sentiu que estava andando sobre lama, uma lama escura e densa que sujava todo seu pé, a cada segundo a quantidade de lama aumentava, ficava mais fundo e assim que pode ver apenas de sua cintura para cima poderia ser visto ainda pra fora. A cada movimento de desespero ela afundava mais e seu coração ia de batimentos normais e tranquilos para acelerados e estressados. Seus olhos conseguiram ver que seus amigos estavam em uma distância não muito grande. Aria chamava por Ezra, por Emily e por Mona, os mais próximos, mas eles não a ouviam.
Quando Aria pensou que jamais seria vista ali e que seria seu fim. Tentou alcançar um galho de uma pequena árvore não tão distante. Mas na sua frente estava sua amiga Charlotte, e logo atrás dela se aproximando havia Ezra. Mas ela percebeu que nem um e outro a viam, eles encaravam outra pessoa, ao vira-se para trás tomou um susto ao ver a si mesma em pé, com o eu mais belo vestido e sua cartola favorita. Aria percebeu que diferente de seu noivo e sua amiga, sua cópia podia vê-la, e em sua direção começou a andar com um sorriso malicioso em seu rosto.
“O que você quer?” perguntou Aria em meio toda aquela lama que já cobria todo seu corpo, permitindo apenas que seus braços ficassem para fora, ainda.
“Você” respondeu sua cópia em pé a sua frente. “Eu quero você, morta” completou a cópia com ódio em sua voz.
“O que está a dizer?” questionou Aria assustada. Mas a garota que possuía seu rosto, a mesma que ainda estava a sua frente com uma raiva aparentemente visível, simplesmente decidiu entrar na lama e inclinar-se para frente para afundá-la na lama que estava densa e fria. Aria podia sentir a lama sobre sua cabeça e podia sentir entrar em sua boca por mais que ela tentasse fechá-la e o mais doloroso foi sentir o ar sair de seus pulmões e não entrar de volta. Então Aria acordou com um salto indo em direção o piso da sua cela, que até mesmo de dia ainda era frio.
Aria começava a arranhar o chão com suas unhas com tanta força que por um momento sentiu que sua unha havia começado a se soltar de seu dedo, seu peito doía como se houvesse uma faca sendo forçada contra ele dando abertura para que seu sangue despencasse, seu corpo parecia encolher-se, seus pulmões doíam, Aria estava quase a definhar em meio a um ataque de asma, sua boca aberta a procura de ar, mas parecia que o mesmo nem estava ao seu redor. Sua visão lhe permitia apenas ver imagens escuras e destorcidas, sua visão a enganava fazendo-lhe pensar que o que estava perto estava longe e o que estava longe poderia estar perto, mas ainda assim ela podia ver alguém se aproximar de sua cela, alguém grande e alto, ele parecia ser gordo em excesso.
JASON
Jason estava adentrando o camarim de sua amiga Spencer. O lugar até mesmo de dia era escuro e necessitava da ajuda de abajur para que fosse possível ver com atenção onde pisava.
No canto do camarim havia um sofá escuro, sua cor era irreconhecível pela luz que nem se quer entrava no ambiente, no sofá estava sua amiga sentada com uma de suas pernas apoiada por cima do sofá aparentemente confortável. Jason percebeu que Spencer havia notado sua presença e resolveu sentar-se ao lado da moça.
— Como está se sentindo? – perguntou Jason para sua amiga.
— Mal. – respondeu ela sem nem ao menos demostrar uma emoção sequer.
— Onde está Toby? – perguntou Jason olhando em volta para garantir que ele não se encontrava. – Ele não devia estar aqui com você? – perguntou sarcástico.
— Não sei onde ele se encontra nesse momento. Lembro-me de ter visto ele ontem à noite. Porém não o vi hoje e então me virei para vir para cá com minha perna... Ferida. – Jason percebeu que Spencer havia respondido sem se preocupar, mas nas suas últimas palavras ele sentiu que possuíam um tom de raiva. – Veio ver ele? – perguntou ela encarando Jason.
— Eu vim aqui. Já que estava pensando no que aconteceu com você e sobre o que viu naquela noite sobre a mão, o pequeno buraco e... – disse ele, o que acabou chamando a atenção de Spencer.
— Eu não falei nada Jason. – disse ela voltando sua atenção para seu amigo. – Eu dei minha palavra naquela noite. – completou Spencer.
— Eu sei. A polícia já estaria aqui se tivesse falado alguma coisa. – disse ele se aproximando dela.
— Então seja mais direto. – disse ela se pondo ereta com um pouco de dificuldade. – Se não tem haver com o fato de eu ter lhe pego escondendo aquela mão. Sobre o que veio falar? – perguntou Spencer curiosa.
— Nem eu e nem você sabemos quem é o assassino mascarado. Eu perdi minha irmã e outra está presa injustamente. E você teve sua perna cortada por ele. Temos uma vontade de vingança e podemos usar isso para tentar descobrir quem é o assassino e... – Jason deu uma pausa e olhou na direção por onde havia entrado para ver se ninguém se aproximava e logo notou que no lugar havia um odor forte misto de coisa velha e coisa morta.
— E? – perguntou ela curiosa para saber o final.
— Vamos nos vingar dele, ou dela. – completou Jason com maldade em seus olhos.
Normalmente Jason recorreria para a justiça, contudo ele sabia que não existiam possibilidades de se sentir vingado caso a polícia colocasse seu dedo nisso.
— Mas a polícia já está envolvida e é possível que eles descubram antes de nós dois. – disse Spencer.
— Lembre-se Spencer, ele está onde nós estamos. E a polícia acredita que prenderam o assassino. Mas ele ainda está ativo. Pode ser qualquer um daqui. Mona, Maya, Ezra, Noel, Lucas... Existem essas possibilidades. – disse Jason confiante.
— Então diga. De quem você suspeita? – perguntou sua amiga Spencer.
— Eu desconfio de Maya, Paige e Mona. Porém Jenna foi arrastada pelo pescoço. Teria que ser alguém forte, Lucas. Sabemos que Alison não gostava dele e ela fazia várias maldades com ele. O fato de Courtney e eu termos aceitado a entrada dele no circo fez ela se sentir contrariada por nós e aumentava mais a raiva que ela sentia por ele.
— Mas quem poderia matar ela daquela maneira? Quer dizer, a pessoa estava com ela e ela gostava o suficiente dessa pessoa para ela não negar de ter ido com ela para onde estavam. – questionou Spencer de maneira a levantar novas suspeitas em Jason.
— Mas as pessoas que ela gosta são apenas, você, eu, Hanna, Emily, Aria e Ezra. – ele ficou confuso em pensar nos nomes. – Mas nenhum desses nomes iria ter a coragem de mata-la e depois fazer isso tudo com você, eu e Jenna. – disse ele pensativo. – E o que eles ganhariam com isso?
— Bom... Ela talvez não precisasse gostar da pessoa, e sim talvez apenas medo da pessoa. – refletiu Spencer.
— Mas porque ela teria medo dessa pessoa? – perguntou Jason. – Ela sempre sabia como se defender de alguém.
— Talvez ela tivesse medo de algo que o assassino pudesse saber sobre ela. – disse para seu amigo. – Ela sempre tinha segredos.
— Mas qual seria esse segredo? – perguntou Jason. – Um segredo tão perigoso a ponto de ter arriscado a própria vida dela. – refletiu Jason para Spencer.
Por um momento Jason desejou ter uma irmã normal, uma que não pudesse estar na lista negra de alguém. Olhando para o canto mais escuro do camarim de Spencer, Jason conseguiu perceber que havia alguma coisa grande no chão, naquele canto mais escuro. Apontando o dedo para a forma que ele via no chão, Spencer se estremeceu e alongou-se mais para poder ver o que ele via.
— O que será aquilo no escuro? – ele parou de apontar e olhou em volta em um breve momento de reflexão pessoal. – Quer dizer. O lugar todo é escuro. Mas o que o que tem naquele canto escuro? – perguntou Jason mais uma vez, o que assustou mais Spencer.
“Esqueça isso, Spencer” Jason conseguiu ouvir Spencer falando para si mesma.
— Vou sair desse lugar agora, com minha perna ferida ou não. – Spencer tentou se levantar, mas ela acabou caindo nos braços de Jason que conseguiu pegá-la a tempo.
— Eu te mandaria ir embora, mas você não conseguiu. Então devemos esquecer essa possibilidade. – ele disse encarando Spencer e viu sua amiga revirar os olhos.
Jason levantou-se de onde estava sentado e começou a caminhar na direção do que estava escondido entre as sombras. Ao aproximar-se mais a cada segundo ele conseguiu notar que a seguinte forma era grande. Jason notou que a forma não se movia e virou-se para Spencer para garantir isso. Mas ao voltar sua visão para forma notou que havia tecido por cima. A luz fraca do ambiente criava formas em todo o camarim, formas que levavam a sua imaginação a vagar em uma longa estrada de jogo de sombras. A luz alcançava apenas até onde Jason se encontrava, e ele não iria prosseguir mais. Seus poros transpiravam medo, suas mãos suavam, seu coração batia rápido como se fosse um martelo querendo alcançar um prego, em sua cabeça havia uma fraca voz que dizia para ele ir embora do local e levar Spencer junto, mas ele tentava não escuta a voz.
— Deixe isso Jason. Vamos embora. – dizia Spencer aflita.
Jason começava a erguer a sua mão em direção à forma, sua mão seguia em direção àquela forma que tanto assustava a ele e sua amiga, ao tocar-lhe Jason notou que não tinha nada de perigoso, mas enganou-se ao puxar o que parecia ser um tecido e em sua direção caiu o corpo de Toby Cavanaugh, os gritos de Spencer foram fortes e doíam os ouvidos de quem pudesse ouvir. Em um curto tempo o choro de Spencer foi um misto de tristeza e pavor. O corpo de seu namorado estava estirado no chão a sua frente, Jason havia caído sentado na direção de Spencer ao perceber que alguma coisa ia cair.
— É o Toby? – perguntou Jason com seus olhos arregalados. Ele pensou por um momento se fosse outra pessoa, mas conseguiu perceber que era ele. – Spencer... – foi à única coisa que Jason conseguiu falar naquele pavoroso momento.
Spencer já não olhava para o corpo de seu namorado no chão, mas Jason ainda não conseguia parar de olhar. Aquela cena pavorosa agitava os nervos de Jason que explodiam por dentro de seu corpo. Ele então notou que o corpo de Toby possuía diversas torções, e o seu rosto quase não era o mesmo, a pele do seu rosto estava pálida em excesso e sua boca estava aberta, seu maxilar estava direcionado para o lado como se tivessem torcido a força com as próprias mãos, seus olhos estavam amarelados e revirados para cima como se ele tivesse agonizado antes de morrer.
— Me tira deste lugar... Por favor! – pediu Spencer tentando encontrar com a mão o corpo de Jason a sua frente. – Por favor, Jason! – implorou Spencer mais uma vez.
— Tudo bem. – Jason disse apenas isso e se levantou para ajudar sua amiga a levantar-se para ir embora.
Jason já em pé se virou para Spencer e viu que ela chorava com as duas mãos sobre a boca. Spencer olhava com tristeza para o corpo de seu namorado que ela tanto amava. Jason pegou as mãos da moça e a encarava para evitar contato com o cadáver, mas ele quebrou sua palavra ao ver que Spencer havia parado de chorar e olhava assustada para o corpo. Resolvendo virar-se para ver o porquê do pavor que estrava em sua amiga viu que a cabeça de Toby tinha virado para o lado.
— O que aconteceu? – perguntou ele para certificar-se de que aquilo poderia ter sido algo normal. – Diga-me Spencer. O que aconteceu? – perguntou ele se virando para jovem Hastings.
— Al-alguma coisa mexeu nele. – disse ela assustada e sem retirar o contato visual do corpo.
— O que? – perguntou Jason assustado com essa ideia que ele queria considerar tola.
— Meu Deus! – disse ela se aproximando de seu amigo e apertando seu braço. – Jason. Tem alguém ali. – falou chamando a atenção de Jason para o escuro.
Ao começar a dar seu primeiro passo uma bola de criança de várias cores rolou até os pés de Jason, pegando a bola no chão para poder vê-la melhor, Jason notou que havia sangue nela e no meio da mancha de sangue havia uma marca como se alguém tivesse passado o dedo e escrito uma letra “A”.
Jason ouviu o grito de Spencer e virou seu rosto para vê-la, mas ela estava tentando se encolher, sua reação foi olhar na direção da sombra, mas sentiu algo em suas costas, ao olhar para parte da frente de seu colete viu uma faca perfurar sua barriga e que em seu colete havia sangue, fraco Jason olhou para frente a tempo de ver o tão famoso e perigoso A, com sua roupa vermelha e sua máscara de palhaço, ela era torta, assim como o rosto de Toby estava.
Jason viu as coisas subirem e Spencer o encarar de cima, o palhaço o encarava com sua cabeça inclinada para direita, e de repente ele avistou “A” vindo em sua direção e mais uma vez sentiu uma dor em sua barriga, uma dor alucinante. Spencer gritava, mas ele mal conseguia ouvi-la gritar, a dor que ele sentia atrapalhava seus ouvidos.
— Fo-ge. – disse ele com dificuldade para Spencer. Mas o palhaço que estava sobre o corpo de Jason ouviu sua indicação e encarou Spencer que se encontrava vulnerável.
Jason com sua visão fraca e com breves apagões, que deviam ser piscadas de seus olhos fracos, viu Spencer cair no chão e começar a se arrastar usando apenas uma de suas pernas como apoio... O assassino estava saindo de cima de Jason... Spencer gritava... Mas com muito esforço já estando fraco acabou conseguindo segurar a perna do assassino e notou um sapado preto. Mas ao olhar para o assassino viu ele se abaixar e de repente a faca dele havia entrado mais uma vez seu corpo, mas dessa vez a última coisa que sentiu foi seu coração doer. Então seus olhos se fecharam.
ARIA
Sentindo um grande incomodo e uma pequena do em seu peito, Aria acordou e viu o brilho do sol bater em seu rosto. Ela estava deitada e começou a perceber que as paredes ao seu redor eram claras e que em grande parte delas havia prateleiras cheias de remédios.
— Bom dia. Como se sente, senhorita Montgomery? – disse para Aria um médico que adentrava a sala. Ele parou de andar assim que ele chegou perto de onde estava deitada e se inclinou em sua direção.
— Bom dia. – cumprimentou Aria ao ver que ele estava esperando por uma resposta.
— E? – perguntou ele iniciando uma pequena e breve conversa.
— “E” o que? – perguntou Aria confusa.
— Como se sente? – perguntou ele rindo. – Espero que essa confusãozinha pessoal seja algo naturalmente seu. – disse ele rindo.
— Eu me sinto melhor – disse ela começando a soltar seu belo sorriso. – É. Sou meio confusa por nascimento. – ela disse inclinando a cabeça para o lado em que podia ver o médico. Então ela percebeu o quanto ele era jovem e belo. Mas logo ela resolveu ignorar esse fato. – Qual é o seu nome? – perguntou ela curiosa.
— Meu nome é Diego Potter. – disse ele sorrindo para ela. Ele ficou em silêncio por um minuto, mas acabou quebrando o silêncio. – Porque foi presa? – perguntou ele.
Aria o encarou por um momento em silencio, o que o fez pensar se ela iria lhe contar.
— Sou suspeita de assassinato. – mentiu ela.
— Ah... Claro. – disse ele assustado com a resposta. – Mas. Somente porque é suspeita não quer dizer que tenha realmente assassinado alguém. – disse ele com um sorriso que por um minuto seduziu Aria. – Já pensou na possibilidade de sair daqui por encontrarem o verdadeiro assassino dessa pessoa misteriosa? – perguntou ele querendo prolongar o assunto.
— Sim. Pensei, mas... – Aria interrompeu a si mesma.
— Mas? – continuou Diego.
— Eu acho que não seria seguro para mim. – Pode ser impressão minha, mas eu sinto que coloco em perigo as pessoas que eu amo. – disse ela deixando escapar uma lágrima.
Antes que ela conseguisse alcançar a lágrima com sua mão, Diego a secou com seu dedo polegar. Aria resolveu se sentar assim ela se sentia mais confortável, mas ao sentar veio em sua cabeça a imagem do corpo de sua melhor amiga Alison e o acidente que teria tirado a vida de sua irmã Violett, que teria o condenando a se sentir como uma bomba atômica. Suas lágrimas quebraram os limites e começaram a escorrer, mas antes que ela pudesse secá-las ela sentiu uma mão macia secar seu rosto e uma mão que segurava seu queixo. Seus olhos se direcionaram para frente.
— Uma garota tão linda não deveria chorar dessa maneira... – disse Diego Potter. – E muito menos pensar e uma maneira tão triste. – completou o doutor Potter.
Aria conseguiu ver com seu rosto bem próximo do homem a sua frente que os olhos dele era o mais verde que ela já havia visto em sua vida, ambos penaram em coisas, mas para ela isso era insensato e na verdade era mesmo, mas antes que a jovem Montgomery conseguisse pensar direito sentiu os lábios dele pressionando os lábios dela. Logo Aria fechou seus olhos e se permitiu retribuir o beijo quente e intenso de Diego Potter.
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