Preto é a Cor do Amor

7 Verdade ou Desafio


Notas iniciais
~Enjoy

– Will

Acordei no dia seguinte com uma dor de cabeça monstruosa. Andei devagar até o banheiro, abri o armário de remédios, peguei a cartela de comprimidos para dor de cabeça e voltei para o quarto. Olhei Nico dormindo todo enrolado no cobertor com a cabeça enfiada em meu travesseiro e ri ao me lembrar do estado do moreno na noite anterior.

— Acho melhor não falar o que ele fez... — falei baixinho.

Peguei uma toalha e resolvi tomar banho para espantar a moleza, a dor de cabeça e o cheiro de álcool do meu corpo. A água gelada bateu em meu corpo e me arrepiei inteiro, fiquei dez minutos debaixo d’água sem pensar em nada mesmo, apenas deixando que a água levasse embora minha ressaca. Vesti uma calça de moletom amarela bem clarinha, calcei meu chinelo e fui até a cozinha.

— Bom dia... — falei me arrastando e abrindo a geladeira.

— Bom dia? Sabe que horas são? — meu pai me perguntou sentado na mesa e lendo um jornal.

Olhei o relógio de cozinha e vi que eram três horas da tarde.

— Boa tarde? — falei e Apolo riu.

— Seu almoço está no forno — falou e eu andei até o fogão — Pedi a Martha fazer um prato de comida ao seu amigo também.

Peguei os dois pratos de comida do forno e olhei confuso para Apolo. Ele se levantou, se espreguiçou e andou até a porta da cozinha.

— Não precisa esconder nada de mim, Will — comentou me olhando — Eu vi vocês entrando — riu e saiu da cozinha, me deixando sozinho no local.

Andei até meu quarto e quando abri a porta encontrei Nico todo encolhido na cama e gemendo de dor. Deixei os pratos na mesa do computador, andei até a cortina abrindo-as e ri quando o moreno tampo o rosto, por conta da claridade.

— Levanta Nico — falei calmo e Nico tremeu.

— Não... Grite... — escutei sua voz sussurrada e revirei os olhos.

Andei até o pé da cama e puxei a coberta. Encontrei Nico encolhido, abraçando o travesseiro, com a cara toda amassada e os cabelos parecendo um ninho de ratos. Seus olhos estavam semi abertos e vermelhos de sono, quando abriu a boca sua voz não passava de um sussurro.

— Will? — perguntou.

E só ai percebeu que não estava em seu quarto. Olhou ao redor e analisou todo meu quarto, desde as paredes até a decoração, muito mais clara que seu quarto, por fim pousou seus olhos negros em cima de mim e sentou na cama. Colocando a mão na cabeça logo em seguida.

— Ai... — resmungou — Porque to aqui? — perguntou se levantando da cama e cambaleando um pouco. Tive a certeza que ele não era acostumado a beber, do jeito que bebeu ontem.

Eu apenas observava a cena com um sorriso na cara, a roupa de Nico estava toda amarrotada, e ele tentou inutilmente alisar o máximo que dava. Parecia estar levemente desconfortável. Levante e peguei uma toalha branca e fofa de dentro do armário. Nico levantou uma sobrancelha e depois olhou para as roupas em cima da cama.

— Tome um banho gelado, vai te ajudar na ressaca — falei dando a ele a toalha e o monte de roupas.

Nico pegou ainda meio confuso e eu o guiei até o banheiro. Mostrei onde tudo ficava e depois fechei a porta do mesmo, deixando Nico sozinho lá no cômodo. Sentei-me à mesa do computador e comecei a comer a deliciosa comida de Martha, como eu já estava acostumado com a bebedeira exagerada, meu organismo já não estranhava tanto o álcool e por isso a temida ressaca já não fazia tanto efeito. Escutei o barulho do chuveiro parar, terminei de comer e ajeitei a cama. Cerca de dez minutos depois Nico abriu vagarosamente a porta do banheiro, apenas seu rosto, agora desamassado, estava para fora do cômodo. Ele parecia querer esconder o corpo.

— Não tem uma roupa um pouco menor? — perguntou baixo. Neguei e ele suspirou derrotado.

Assim que Nico saiu, eu não pude conter o riso. A bermuda não estava tão larga e dava para enganar enquanto ele não fosse para sua casa, o problema era a blusa azul clara que estava um pouco grande em seu corpo franzino. Dois dele caberiam nela sem problema algum. Nico inflou as bochechas, em sinal de irritação, e só então analisou minha roupa. Uma calça de moletom amarela clara e chinelos, meu peitoral estava nu e vi que Nico olhou cada milímetro dele. Por fim corou, balançou a cabeça e olhou para a janela.

— Trouxe o almoço pra você... — comentei tentando quebrar o clima tenso que ficou.

Nico pareceu despertar de seus pensamentos e andou lentamente até mim. Olhou para o prato e sorriu ao sentir o cheiro da comida. Mas de repente o moreno correu para o banheiro e eu só escutei o barulho dele vomitando no vaso sanitário. Andei até ele e encontrei Nico de joelhos em frente ao vaso, enquanto vomitava tudo o que tinha em seu estômago. Me agachei e afaguei seus costas curvadas. Senti o moreno ficar tenso e se pudesse ele me afastaria na hora, mas no momento ele estava muito ocupado vomitando até a alma.

Fiquei ao lado dele o tempo todo e sempre afagando suas costas. Nico gemia de dor a cada minuto e respirava rápido. Depois de meia hora vomitando ele fechou a tampa, deu descarga e sentou em cima do vaso. Tentou normalizar a respiração e quando levantou quase caiu de tão fraco que ele estava.

— Calma cara — falei segurando-o — Vem, vou te deixar na cama.

Peguei Nico no colo estilo noiva e o moreno, por estar tonto, se agarrou em meu pescoço. Andei calmamente até minha cama e depositei Nico nela, ele me olhou desconfiado e suspirou cansado. Sentei na cadeira do computador e me virei até ficar a sua frente.

— Porque está fazendo tudo isso? — perguntou direto e desconfiado — Nós mal nos falamos...

Cocei meu cabelo loiro ondulado e ri baixinho.

— Porque eu quero ser seu amigo Nico — falei e o moreno pareceu surpreso com essa resposta.

Ele abriu e fechou a boca umas três vezes e depois de pensar bem, me olhou e sorriu envergonhado.

— Estou com fome... — disse baixinho e eu ri com aquilo.

— Vamos fazer alguma coisa pra você comer — falei levantando da cadeira e esperei Nico levantar da cama.

Andamos num silencio desconfortável até a cozinha, Martha estava de folga hoje por ser sábado, meu pai estava trabalhando e os outros empregados também haviam recebido folga. Todos os sábados e domingos eu ficaria sozinho em casa já que eles receberiam folga. Montei um sanduíche natural para Nico, que me observava sentado no balcão em silencio, peguei um suco de laranja que estava na geladeira e coloquei tudo na frente do moreno.

— Aproveite a especialidade do chef — brinquei e Nico riu.

Nico sorriu agradecido e pegou o sanduíche, sorrindo logo na primeira mordida.

— Está bom... — falou com a boca cheia.

Agradeci e tomei um gole do suco de laranja, ouvi meu celular tocar e lembrei que ele estava na mesinha da sala, junto com minha carteira. A noite anterior havia sido tão louca que meu celular ficou esquecido na sala, liguei a tela e vi mais de cem mensagens do whatsapp. A maioria do pessoal em Malibu e algumas do pessoal daqui. Abri a conversa com Percy e sorri quando terminei de ler.

— Ei Nico! — chamei, logo depois o moreno apareceu na sala com o copo de suco na mão e um sobrancelha erguida. Ri quando vi o canto da boca dele sujo de farelo de pão — Limpa o canto da boca, está sujo.

Nico corou levemente e limpou rapidamente o farelo.

— O que foi? — ele perguntou me olhando. Terminei de falar com o pessoal e olhei para ele.

— Corre lá na sua casa, pegue algumas roupas suas e me encontre aqui em cinco minutos — falei — Percy está nos chamando para uma ‘pequena’ festa na casa dele, me falou que chamou todo o pessoal.

Nico suspirou, terminou de beber o suco e depois suspirou de novo.

— Essas festas que ele faz, quase nunca terminam bem... — comentou andando até a cozinha.

— E é isso que deixa tudo mais divertido — ri.

Me despedi de Nico e corri até meu quarto, abri meu armário, peguei duas mudas de roupas para mim, coloquei meus pertences higiênicos e mandei uma mensagem avisando meu pai que passaria a noite na casa de um amigo. Andei calmamente até a garagem e, finalmente, abri a porta do meu carro.

O cheiro de novo invadiu minhas narinas e eu sorri animado, o ronco do motor era como música para meus ouvidos. Parei na frente de casa de Nico e buzinei chamando-o, pouco mais de dois minutos depois vi o moreno trancando a porta de casa, um sorriso discreto se fazia presente em seu rosto e a mochila preta não parecia muito cheia.

— Onde fica a casa dele? — perguntei assim que ele entrou no carro.

— Duas quadras depois do colégio, vai indo que no caminho te explico melhor — falou colocando o cinto.

O caminho para a casa de Percy foi calmo, não era muito longe de casa e com Nico me explicando foi fácil de achar. Estacionei na vaga a frente da casa dele e olhei as horas. 19:30 p.m. Nico andou despreocupadamente até a porta e a abriu na maior naturalidade.

— Como assim você sai abrindo a porta da casa dos outros? — perguntei surpreso, mas entrando na casa.

— Não é ‘os outros’ — Nico falou — É o Percy, sou quase da família para ele.

Dei de ombros e comecei a seguir o moreno pela casa de Percy. Ela estava estranhamente vazia, sem nenhum empregado ou movimento se quer, e eu estava começando a estranhar tanto silencio. Nico passou pela sala de estar, e começou a subir a enorme escada que dava ao segundo andar. Foi então que começamos a escutar o barulho de musica abafado, vozes falando um pouco alto e risos exagerados. No final da escada se encontrava uma bifurcação, uma levando ao corredor da esquerda e outra levando ao corredor da direita. A casa inteira estava escura, mas no corredor da esquerda o último quarto, sendo que no corredor havia apenas dois, saia uma luz da fresta da porta.

Andamos até a última porta e eu a abri cautelosamente. A luz forte me cegou momentaneamente e fechei os olhos por pouco segundos, escutei vozes conhecidas rindo e entrei no quarto, com Nico me seguindo de perto. Reconheci no quarto, que era enorme, Percy, obviamente ele estaria ali já que era dele o quarto, Annabeth, Leo, Piper, Jason, Frank, Hazel e mais alguns rostos familiares da escola.

Cumprimentamos a todos e Nico beijou a testa de Hazel num gesto meigo. Isso era uma coisa que eu já havia notado que ele sempre fazia, então por ser curiosamente curioso perguntei a Jason por que ele fazia isso e a resposta foi mais ou menos assim: “Não posso falar, se quer saber pergunte a Nico, não a mim.” E depois dessa resposta eu já nem queria saber o motivo. Talvez, quem sabe, eu vá perguntar ao Nico o motivo, mas isso agora não.

Percy sorriu animado para mim e gesticulou com a mão para que eu me aproximasse. Nico já conversava com Hazel e Frank.

— Oe Will!! — falou sorrindo e Annabeth riu divertida, notei que o dedo mindinho de Percy estava enfaixado e ergui uma sobrancelha, curioso.

— O que aconteceu? — perguntei apontando para o dedinho da mão.

— Ah isso... — sorri envergonhado — Não foi nada...

Annabeth revirou os olhos rindo e suspirou.

— Ontem na boate, quando eu fui retocar a maquiagem escutei um barulho estranho vindo da janela de fora, que dava para o beco atrás da boate, fui até o barulho e vi que era um filhote de rottweiler... — começou a contar.

— Ei Percy! — Jason gritou e o moreno correu até ele. Annabeth o acompanhou com o olhar.

— Eu falei que queria mostrar uma coisa a ele, mas Percy já estava um pouco alto pela bebida. Avisei que não era pra ele colocar o dedo na caixa do cachorro, mas ele colocou então o filhote o mordeu. Só que por estar bêbado, ele fez um escândalo falando que a caixa estava prendendo o dedo dele — terminou de contar rindo.

Percy conversava com Jason, mas olhava para nossa direção fingindo estar ofendido por ela ter contado seu vexame. Ri com a cena que imaginei e resolvi ir conversar com o resto do povo. Vi Leo pegar um banquinho e uma folha de papel para fazer de megafone e comecei a prestar atenção no que ele estava querendo fazer.

— Ei gente! — ninguém prestou atenção, por culpa do som alto — HAZEL DESLIGA O SOM! — gritou e a morena desligou, assustada pelo grito repentino.

— O que foi Leo? — Piper perguntou.

— Que tal a gente fazer uma brincadeirinha? — falou sorrindo maliciosamente — Verdade ou desafio!

Um coro de aprovação se fez presente e o sorriso de Leo aumentou ainda mais. Ele pediu para fazermos uma rodinha e colocou cinco garrafas de vodkas no centro. Olhei surpreso para ele e todos também pareceram surpresos com as bebidas.

— Vai ser assim: a ponta da garrafa determina quem pergunta, será verdade, apenas a verdade, ou desafio — explicou.

— E esse desafio é qualquer coisa? — Percy perguntou animado.

— Sim, é tudo liberado pra animar essa festinha do pijama — Leo respondeu e todos assentiram, quer dizer quase todos. Nico parecia não querer participar da brincadeira, mas estava na roda e balançava a cabeça concordando com as regras. Quem está na chuva é pra se molhar.

— E quem não quiser responder ou fazer o desafio? O que acontece? — perguntei.

— Vai ter que virar um copo de vodka — Leo respondeu sem tirar o sorriso do rosto.

— Justo — Jason falou e pegou garrafa de vodka, ainda cheia para girar — Eu começo.

O jogo começou até leve, perguntas não muito constrangedora foram feitas e desafios engraçados foram executados. Leo perguntou se eu ainda era virgem e ninguém se surpreendeu com a resposta, logo depois Percy deve que fingir como o gemido de Annabeth seria na hora H e ele preferiu beber um copo de vodka. A loira corou violentamente. Hazel foi desafiada a sentar no colo de Frank por uma rodada e a menina, extremamente vermelha de vergonha, fez. Leo teve que falar que já beijou a prima cinco anos mais velha que ele, e assim por diante. Cada situação mais engraçada que a outra.

Já estávamos na metade da terceira garrafa, Percy havia sido desafiado a beijar Jason e Annabeth só faltou matar Leo por isso, mas o menino beijou o loiro. Piper teve que beijar Leo... A maioria ali já estava um pouco bêbados e nem ligavam para nada. Nico era o único que só havia bebido um copo, ou seja, era o mais sóbrio entre nós.

— Leo pergunta pra Will — Frank falou.

— Verdade ou desafio? — Leo me olhou e eu sorri.

— Desafio — falei confiante, mas assim que acompanhei o olhar de Leo, me arrependi na hora de ter escolhido desafio.

— Eu desafio você a beijar o Nico — falou sorrindo inocente.

Olhei em direção a Nico e encontrei o moreno branco como papel e com os olhos regalados em nervosismo, sorri divertido.

— Tudo bem — falei indo em direção a Nico.

Notas finais
P.S.: O cachorro que Annie achou é a futura Sra. O'Leary. Eu não fazia ideia que raça colocar pra ela, então foi aquela mesmo... kkkk Espero comentários! xD