Preto é a Cor do Amor
29 Festa e fantasia e...
Notas iniciais
— Will
Passei o resto do dia trancado em meu quarto, por vezes eu ouvia meu pai ou até mesmo Matt me chamando do outro lado, mas fingia não ouvi-los. Nora pediu para conversarmos para tentar resolver esse desentendimento e de novo eu a ignorei.
Já eram oito horas da noite e os convidados de meu pai para a ceia de Natal já estavam chegando. Eu me encontrava já vestido e sentado no parapeito da janela, olhando o céu estrelado; O vento frio balançava as copas das árvores, levantava folhas do chão e bagunçava meus cabelos. Ao fundo eu podia escutar a música de ambiente que tocava na sala de estar, onde provavelmente todos estariam, e as luzes dos pisca-piscas das casas da vizinhança pareciam brilhar mais fortes.
Escutei baterem na porta e dirigi meus olhos até a porta de madeira polida. Me remexi no parapeito e arrumei a blusa desalinhada.
— Já falei que não vou abrir Matt – resmunguei revirando os olhos.
— É o Nico – escutei a voz de o moreno soar calma do outro lado.
Mordi levemente meu lábio inferior pensando se deveria ou não abrir a porta para ele. Escutei Nico bater de novo na porta e resolvi deixá-lo entrar.
— Oi – falei baixinho quando abri e dei passagem para ele entrar.
Nico me olhou reprovador e se sentou na ponta da minha cama.
— Matt me contou tudo o que aconteceu – começou calmo – E eu estou realmente desapontado com você.
— Você não entende! – falei acusador.
— Solace! Lembra do dia em que conversamos sobre isso? – perguntou e continuou a falar sem me deixar ter tempo para retrucar – Você disse que sabia que era o certo perdoar sua mãe e agora que ela está aqui você faz isso?
— Mas...
— Mas nada. Tem ideia do quão infantil essa sua reação foi? Tem ideia de como Nora está? Você já não é mais criança, William – acusou-me olhando fixamente em meus olhos.
— Desculpa – falei baixinho. Nico estalou a língua e negou num balançar de cabeça. Se levantou da cama e ajeitou a roupa.
— Não é a mim que você deve desculpas – comentou parando já na porta do quarto – Então você vai descer agora comigo, vai colocar um sorriso nesse rosto e vai pedir perdão para a sua mãe por esses cinco meses de negligência.
Olhei Nico e vi que o moreno mantinha uma expressão séria no rosto. Seus cabelos negros estavam meio rebeldes, vestia uma calça jeans azul escura (que milagrosamente não estava rasgada), tênis All Stars preto e uma blusa de manga longa de cor azul claro.
Sorri para o moreno e abracei o corpo pequeno. O perfume amadeirado dele impregnou meu olfato e meu corpo relaxou instintivamente quando Nico retribuiu, mesmo que ainda um pouco desajeitado, a demonstração de carinho.
— Você fica lindo com cores claras – comentei rente ao seu ouvido.
Fomos andando lado a lado até a sala de estar e a primeira pessoa que veio falar conosco assim que chegamos foi meu pai.
— Obrigado Nico, por fazê-lo descer – sorriu agradecido para meu namorado. Nico apenas sorriu pequeno e foi conversar com Matt, uma coisa que me fez levantar as sobrancelhas.
Escutei calado o sermão que meu pai resolveu me dar ali no canto da sala e procurei por Nora, não a achando no processo. Vi que Ártemis conversava com Deméter, minha tia estava simplesmente linda, e Perséfone ria de alguma coisa que Hades havia falado.
— Onde ela está? – perguntei cortando sem querer o monólogo de meu pai.
— Disse que ia ao jardim respirar um pouco de ar fresco – respondeu olhando na direção do jardim.
Suspirei e andei até os fundos da casa. Nora estava sentada num dos bancos de madeira que ficavam entre as flores, a neve caia vagarosamente e o vento deixava a noite ainda mais fria. Era uma visão bonita do jardim todo salpicado com a neve branca, os banquinhos de madeira sendo uma das poucas coisas com cor naquela imensidão branca.
Ela estava muito elegante sentada observando a lua amarelada no céu escuro. Seus cabelos loiros estavam soltos e penteados, usava uma maquiagem que ressaltava seus olhos verdes e um batom rosa claro.
— Pensei que não desceria – escutei sua voz calma soar e seus olhos pousaram em mim.
Sorri meio encabulado e cocei a nuca, rindo sem graça e desviando os olhos da mulher a minha frente.
— Me desculpa... – pedi baixinho. Senti meu rosto corar e meu coração acelerar em nervosismo, parecia até que eu havia voltado a ter sete anos de idade e que tinha feito algo errado.
— Senta aqui comigo filho – sua voz estava calma.
Olhei minha mãe e vi que ela mantinha um sorriso nos lábios. Sorri inconscientemente e me sentei ao seu lado.
— Eu te conheço desde que você era um bebezinho dentro de mim – começou alisando meus cabelos e sorrindo terno – Eu sabia que você estava bravo, nervoso... Me magoou quando recusou meu abraço mais cedo, mas eu sabia que corria o risco disso acontecer.
— Eu não estava preparado...
— Eu sei. A ideia de vir para cá surgiu quando você não me ligou no feriado de Ação de Graças... Na verdade fiquei bem surpresa quando Matt me ligou em seu nome – riu baixo e acariciou minha bochecha, num gesto que ela sempre fazia quando eu era pequeno.
— Ele fez isso? – perguntei envergonhado e vi Nora concordar.
— Fico feliz que tenha superado seu orgulho e tenha me perdoado pelo modo como te mandei para seu pai – comentou cessando a carícia terna em minha bochecha – Ele não é aquela pessoa horrível que você achou que fosse.
— Agora eu sei... Tenho que te agradecer mãe – me levantei e puxei a mulher para um abraço.
— Por quê? – perguntou confusa.
— Porque aqui eu finalmente encontrei alguém que gosto – falei – Acho até que posso amar essa pessoa.
Nora gargalhou e me olhou claramente animada com minha declaração.
— E posso conhecer a menina? – perguntou sorrindo de orelha a orelha.
— Er... Então... – ri sem graça e me afastei um pouco dela – Você já conheceu mãe...
— Ahn? Como assim?
— É o Nico... Ele é meu namorado – revelei meio temeroso e observei atentamente as reações de minha mãe.
Nora me olhou sorrindo e assim que assimilou minha frase seus olhos se arregalaram. Ela me analisou de cima a baixo e voltou a se sentar no banco. Sua expressão era de incredulidade.
— Você é gay? – perguntou num fio de voz – Mas não... Não pode ser... Você vivia com meninas...
— Mãe – tentei chamá-la suavemente, mas ela parecia em estado de choque. Até que eu vi lágrimas descerem por seu rosto – Mãe...?
Ela olhou para mim e depois percebeu que chorava. Secou as lágrimas e respirou fundo; Seus olhos ainda estavam úmidos e sua voz estava tremida.
— Tem certeza disso? – perguntou num fio de voz – Quer dizer, isso pode ser apenas uma curiosidade adolescente...
— Eu tenho certeza, mãe – afirmei convicto – Eu estou completamente apaixonado por Nico.
Nora resmungou chorosa e eu apenas fiquei calado enquanto a mulher dizia lamúrias sobre ter achado Nico um menino adorável antes de descobrir que ele havia convertido seu “filho querido”. Ainda chorava deprimida.
— Você não me aceita? Não aceita Nico? – perguntei direto ao escutar as lamúrias de minha mãe.
Nora me olhou desolada e levantou do banquinho de madeira. Ainda triste ela arrumou a roupa no corpo, tentou limpar o excesso de lágrimas no rosto e endireitou o corpo.
— Não posso dizer que concordo com essa relação ou que gosto – disse firme, mas eu podia ver a tristeza em seu olhar – Mas por respeito a você, meu filho, vou suportar... Só peço que não fiquem muito juntos na minha frente...
Soltei o ar que prendia em meus pulmões e abracei minha mãe.
— Obrigado por não surtar – agradeci – Pode não gostar, mas vai ver que Nico é uma boa pessoa.
Puxei a mulher de volta para a sala de estar, onde todos se encontravam, e comecei a interagir com todos os presentes. Nico havia me perguntado o que tinha acontecido e eu expliquei resumidamente minha conversa com ela.
O jantar, depois de minha conversa esclarecedora com minha mãe, ocorreu pacífico. Por vezes eu notava que Nora observava discretamente minha interação com Nico e nossas mãos dadas; Ela não conseguia esconder a clara decepção ao nos ver juntos e até tentou saber um pouco mais do moreno, mesmo tentando disfarçar o desconforto quando eu os apresentei oficialmente.
Ártemis não ficou muito tempo conosco, apenas apareceu para parabenizar Perséfone e Deméter e também, o que me surpreendeu muito, parabenizou minha mãe com um longo abraço e um simples “saudades das nossas conversas”.
— Nico – chamei o moreno que estava parado numa janela observando a chuva fina – Vem comigo.
O moreno arqueou uma sobrancelha e me seguiu até meu quarto. O jantar já havia acabado; Os adultos estavam sentados na sala jogando conversa fora e Matt estava em seu quarto conversando com algumas pessoas de Malibu.
Fechei a porta e esperei que Nico sentasse na cama para então sorrir e pegar um embrulho debaixo do travesseiro.
— Pra você – sorri entregando o embrulho para Nico. O moreno olhou surpreso para mim e depois para o pequeno pacote a sua frente e sorrindo pegou o presente de minha mão.
Eu olhava ansioso Nico abrir o pacote e sorri largo quando o moreno arregalou os olhos quando viu a caixinha vermelha.
— Não vai me pedir em casamento, vai? – perguntou arqueando as sobrancelhas.
Gargalhei do rosto surpreso de Nico e me agachei para ficar cara a cara com ele.
— Não – beijei de leve seus lábios – Abra pra ver o que é.
Nico revirou os olhos e quando abriu a caixinha, sorriu pequeno.
— Eu mandei fazer na medida pra você – tirei o anel de prata com uma caveira desenhada e milimetricamente detalhada – Vai ficar perfeita no seu dedo, então você não vai precisar usar aquela coisa velha do Pietro— sorri colocando delicadamente o anel no dedo fino de Nico.
— Como você é ciumento – escutei Nico murmurar e logo depois beijei seus lábios num gesto carinhoso – Obrigado.
Ficamos mais algum tempo sozinhos em meu quarto, apenas deitados na cama conversando sobre banalidades e o que fazer no futuro. Eu sorria a cada constatação de que Nico, conforme os dias passavam, ia se soltando mais comigo e sendo mais o “ele do passado”.
~*~
Depois do Natal, Nora queria passar mais tempo comigo sobre o pretexto de que queria saber minhas novidades durante esses cinco meses aqui em Nova Iorque (inicialmente eu pensei que era apenas uma tática dela para eu não passar tanto tempo com Nico com ela por perto). Levei minha mãe para todos os lugares que eu conhecia daquela cidade, incluindo o Central Park, e ri divertido quando via o olhar sonhador de Nora ao observar cada mínimo cantinho da cidade.
Eu por vezes trocava mensagens com Nico, perguntando como ele estava e mantinha nossas típicas conversas agora virtual e fingia não ver o desgosto contido de minha mãe. Um dia depois do Natal, Ártemis voltou para a cidade onde morava (ela não entrou em detalhes sobre sua vida) e naquele dia mesmo eu pedi para meu pai me contar o motivo do problema dele com a irmã gêmea, até porque foi claro a tensão entre os dois.
Apolo mesmo relutante me contou que na época (alguns meses antes dele conhecer minha mãe) Ártemis havia se apaixonado por seu até então melhor amigo, Órion. O único problema era que meu pai era extremamente ciumento se tratando da irmã, então ele foi totalmente contra o namoro dela mesmo os pais (agora falecidos) tendo aprovado o romance.
Por conta do ciúme excessivo, Apolo acabou armando um plano (o qual meu pai não quis entrar em detalhes e se envergonha profundamente de tê-lo feito) para afastar Órion de Ártemis. Infelizmente por um descuido dele o plano deu totalmente errado e Órion acabou falecendo.
Meu pai depois do fatídico dia, contou para minha tia que tinha sido ele a armar o plano, mas que a intenção jamais tinha sido matar Órion. Ela, obviamente, ficou revoltada por ter perdido o homem que amava pelo ciúme excessivo do irmão e depois de uma discussão cheia de gritos, choros e agressões (pela parte dela), Ártemis decidiu sair de casa e nunca perdoou o irmão.
Quando meu pai me contou isso, no dia eu havia ficado horrorizado com as atitudes dele. O ciúme pela irmã não justificava os atos dele e muito menos a atitude tomada. Ártemis tinha até um pouco de razão ao ficar magoada com ele, mas dezoito anos já haviam se passado e esse tempo já deveria ter sido o suficiente para ela ter perdoado Apolo pelas atitudes impensadas e imaturas dele.
— Ei, ta pensando no que? – Nico perguntou entrando em meu quarto segurando um copo de suco natural de laranja pela metade e me tirando de meus pensamentos sobre minha conversar reveladora com meu pai.
— Em nada em particular – sorri para o moreno.
Nico colocou o copo na escrivaninha ao lado da cama e voltou a se acomodar na cama junto comigo. Puxei o corpo do moreno para perto de mim e abracei a cintura fina do rapaz.
— Qual sua fantasia pra festa de hoje? – escutei a voz dele e aspirei ao aroma de camomila de seu xampu.
— Se-gre-do – sussurrei enterrando meu nariz em suas mechas negras.
— Hum – murmurou se acomodando melhor na cama – Estou ficando como sono...
— Dorme um pouco – falei – Ainda são dez horas da manhã. Te chamo na hora do almoço.
Escutei Nico murmurar um ‘não esquece’ e depois sua respiração ficou calma e ritmada. Ele havia adormecido. Hoje era dia 31 de dezembro, último dia do ano e era a primeira vez que eu conseguia ficar sozinho com Nico desde o Natal.
Me surpreendi quando em plena oito horas da manhã (enquanto eu jogava vídeo-game com Matt no meu quarto) Nico apareceu na porta da minha casa dizendo que queria ficar um pouco com seu namorado. Para nossa sorte, meu pai e Nora haviam passado a noite anterior conversando até tarde relembrando os “velhos tempos” e ainda estava dormindo.
Nora ainda não conseguia fingir completamente gostar de me encontrar junto a Nico.
Nesse meio tempo nós ficamos conversando, nos beijando e deitados na cama, apenas abraçados. Eu sorria ao observar o peito de Nico subir e descer num ritmo calmo, suave. O vento frio que entrava pela janela refrescava o quarto e fazia os cabelos de Nico balançar levemente; O cheiro de camomila inebriava meus sentidos e me deixava extasiado com a sensação reconfortante que eu sentia toda vez que tinha Nico em meus braços.
Fechei os olhos no que pareceu para mim apenas alguns poucos minutos, mas quando vi já era meio dia e Matt nos chamava para o almoço.
— Acorda, Nico – chamei o moreno dando leves tapinhas em seu braço – O almoço já está pronto.
Nico abriu lentamente os olhos e se espreguiçou na cama. Suas roupas tipicamente pretas estavam amassadas, metade de seu cabelo parecia ter levado um choque e seu rosto tinha as marcas dos lençóis. Sorri com aquilo.
— Vai se ajeitar no banheiro – falei levantando da cama e arrumando minhas roupas amarrotadas.
...
— Olá meninos— Nora falou assim que nos viu entrar na cozinha.
Ela, Apolo e Matt já se encontravam sentados na mesa e mantinham uma conversa amigável, pelo menos até nós chegarmos e Nora forçar um sorriso para meu namorado. Apertei de leve a mão do moreno e andamos até nossos respectivos lugares.
— Então quer dizer que seu pai tem uma funerária? – escutei minha mãe tentar puxar assunto com Nico durante o almoço. Olhei para a mulher tentando entender o que ela pretendia com tudo aquilo e ela apenas sorriu para mim.
— Sim senhora – o moreno respondeu com seu típico tom neutro.
— Mas isso é tão estranho! – Nora exclamou – Will nunca gostou de preto, ou funerárias, ou qualquer outra coisa desse tipo!
— As coisas mudam Nora— retruquei fulminando minha mãe com os olhos – O que importa é que eu gosto do Nico e nada vai me fazer mudar de ideia.
— Que pena...
Nora suspirou derrotada e vi Nico sorrindo pequeno para mim. Meu pai e Matt se mantiveram calados durante todo o resto do almoço, enquanto que Nora terminou rapidamente sua refeição e se retirou do local.
— Dê um tempo pra ela Will... Isso é muito novo e recente, ela precisa de tempo para se acostumar com essa ideia – meu pai disse assim que escutamos a porta do quarto de hóspedes, onde Nora estava, bater.
— Eu só espero que um dia ela aceite – sorri fraco e apertei a mão de Nico.
— Ela vai – o moreno disse me reconfortando.
Depois do almoço, Nico disse que precisava ir para sua casa terminar alguns assuntos e se despedindo disse que nos encontraríamos na festa do Pollux.
~*~
— Já está pronto Matt? – gritei para meu amigo enquanto eu terminava de arrumar a roupa em meu corpo.
Minha fantasia de policial além de ser clichê e bem simples me deixava com um ar sexy. Consistia em uma calça preta, blusa regata também preta e um colete preto com as palavras SWAT em branco nas costas (desde que comecei a namora Nico, passei a tolerar a cor preta). Uma algema de brinquedo estava presa na calça junto com um cassetete de plástico. Antes de sair do quarto, arrumei o boné (que também tinha as letras SWAT em branco) em meus cabelos e andei até o quarto de meu amigo.
— Uau – assobiei assim que vi meu amigo numa mistura estranha entre lobo e homem – Era pra ser um lobisomem?
— Está mais pra lobo mau – sorriu encabulado – Tinha até pensado em ir com uma calça jeans e dizer que eu era um dos lobos de Crepúsculo, mas eu não tenho o físico do Jacob.
Revirei os olhos e ri com meu amigo.
— Vamos logo... Já são dez e meia – apressei o baixinho.
— Vamos – Matt sorriu para o próprio reflexo e desceu as escadas junto comigo.
— Estamos indo, provavelmente vamos chegar tarde! – anuncie para meu pai que estava na sala assistindo um filme qualquer junto de Nora – Isso se voltarmos— sussurrei divertido.
— Boa festa meninos! Usem camisinha! – escutei meu pai responder e ri com a cara de pau dele.
...
Foi uma verdadeira aventura para eu e Matt acharmos o local da festa de Pollux. Era numa NightClub chama Pacha NYC localizada no bairro Meatpacking District. Foi apenas quando (depois de descobrirmos vários cantos dos bairros de Nova Iorque e nos estressarmos com o GPS) recebemos uma mensagem de Nico nos explicando detalhadamente como chegar à NightClub que conseguimos chegar sem maiores problemas.
Já era onze e quinze da noite.
A fachada do local era simples e elegante, estava escrito em letras garrafadas Pacho NYC e uma fila enorme se estendia da entrada da boate. Logo na entrada, um pouco perto do segurança de terno, encontrei meus amigos conversando animados.
— Finalmente chegaram! – Percy exclamou com os braços levantados e um sorriso de orelha a orelha. Sua fantasia era uma roupa collant com a parte de baixo verde e a de cima, laranja, e segurava um tridente de brinquedo. Estava fantasiado de Aquaman.
— Ele não iria chamar apenas o pessoal da escola? – perguntei para eles.
— Entenda Will – Jason sorriu, estava fantasiado de Superman – Pollux, mesmo ainda tendo dezessete anos, faz as melhores festas de Nova Iorque desde os quinze, coisa de família! As pessoas ficam ansiosas para ir a uma festa dele! O avô fazia, o pai fazia e agora é a vez dele de fazer as melhores festas de NYC.
— Nós recebemos ingressos Vips, porque somos “amigos” – Piper fez aspas com as mãos. Usava um vestido marrom que marcava bem suas curvas, era Pocahontas – As outras pessoas pagam sessenta e cinco dólares pelo ingresso.
Escutei atentamente o que eles falavam e comecei a analisar as pessoas que esperavam pacientes na fila enorme. Todas devidamente fantasiadas animadas.
— Não é a toa que ele aluga os NightClubs mais badalados toda vez que faz uma festa – Percy riu – Hoje a noite é open bar, lá dentro tem quatro ambientes diferentes, todos com características diferentes!
— Já veio aqui Percy? – perguntei e vi o moreno assentir.
Analisei o restante do pessoal e vi que as fantasias eram até bem elaboradas. Annie usava um vestido azul claro, seus cabelos loiros estavam presos numa trança lateral, representava lindamente a Elsa; Hazel me lembrava a cigana Esmeralda com sua saia lilás e jóias espalhas pelos braços; Frank havia optado por uma simples fantasia de exército americano (que ficou ótima para seu porte) e então meus olhos pararam em Nico. Revirei os olhos e ri divertido quando vi o moreno vestindo terno, gravata borboleta e segurando uma bengala.
— Charlie Chaplin? – perguntei risonho. Nico deu de ombros e sorriu pequeno.
— Pessoal! Boa festa pra vocês, já que eu sei que vamos nos separar ao entrar nessa boate – Annie riu e então entramos na festa.
O local era simplesmente enorme. A música eletrônica tocava alta no ambiente, jogos de luzes pirotécnicas presas no teto piscavam iluminando o local, fumaça de gelo seco envolvia toda a pista de dança, o bar tomava todo um canto reservado da boate, barmans faziam malabarismos com os coquetéis, num palco largo o DJ fazia um mix de músicas do momento enquanto animava a galera da pista.
Tudo isso em apenas um andar do NightClub.
Puxei Nico pela mão até o bar e pedi dois shots de Vodka para abrir a noite. Quando a bebida chegou, eu entornei tudo e logo pedi por mais outra. O moreno bebeu aquele shot e depois pediu algo mais fraco para o barman.
Avisei Nico de que iria para a pista de dança e sai sem ao menos esperar resposta do moreno, que bebia calmamente seu drink. Meu corpo se remexia ao ritmo da música, meus olhos se fechavam para aproveitar a sensação quente que o álcool me causava (embora eu estivesse muito longe de me considerar bêbado). Senti quando mãos ousadas alisaram descaradamente meu corpo e me virei encontrando Drew fantasiada de enfermeira sexy.
— Como que você conseguiu me achar?! – gritei tentando fazer com que a menina me escutasse.
— Foi fácil encontrar o policial mais gostoso da festa – falou e eu pude sentir o cheiro característico do álcool.
Dei de ombros, achando que ela não poderia fazer nada, e comecei a dançar com a menina. Drew se insinuava despudoradamente durante a dança quando empinava e esfregava sua nádega em minha pélvis. A menina fazia a cara mais pervertida que ela poderia fazer e mordia sensualmente o lábio inferior.
Quando eu me preparava para me afastar e ir procurar Nico pelos arredores do bar, senti duas mãos agarrarem minha blusa e lábios quentes pressionaram os meus. Imediatamente empurrei a pessoa e constatei ser Nico, com as bochechas coradas e cara emburrada.
— Tiro os olhos um minuto e você já se esfrega com uma vadia qualquer? – arqueei a sobrancelha com o comentário ciumento de Nico e puxei o moreno pela cintura.
Ignorando completamente a existência de Drew naquele momento, começamos um beijo intenso, o gosto de batidinha de frutas que Nico havia bebido dominava o sabor do beijo. Nossas línguas faziam uma massagem mútua e eu por vezes sugava com empenho a carne úmida de Nico.
— Atenção galera! Contagem regressiva para o Ano-Novo!— o DJ falou animado no microfone.
A boate gritou animada e a contagem deu início com um telão imenso logo atrás do DJ.
— Feliz Ano-Novo, Nico! – falei no ouvido do moreno quando os fogos de artifícios foram escutados do lado de fora e o pessoal gritava ‘Feliz 2016’.
— Feliz Ano-Novo, Will! – o moreno sorriu pequeno. Abracei o corpo pequeno do moreno e beijei seus lábios finos de forma carinhosa.
Logo depois da uma da madrugada, a festa ainda estava em seu auge. Nós já havíamos esbarrado em Percy e Annie (os dois já se encontravam bem alegres), Leo e Calypso que haviam combinado as fantasias de mamãe Noel e elfo, Rachel Dare devidamente vestida como Merida e até os Irmãos Stolls que se fantasiaram de Mario e Luigi.
Nico e eu estávamos no meio da pista de dança, o moreno já havia perdido o casaco do terno, o bigodinho e a bengala de Charlie Chaplin, seus cabelos grudavam na testa pelo suor e sorria travesso para mim. Senti quando suas mãos seguraram firma minha cintura e moreno passou a dançar sensualmente olhando fixamente em meus olhos.
Seu corpo fino se esfregava propositalmente no meu e suas mãos continuavam segurando firme em minha cintura. Numa determinada hora, o moreno se virou de costas e colou nossos corpos e, ainda dançando eroticamente, encaixou sua nádega em minha pélvis.
Arfei satisfeito e passei a friccionar minha pélvis, num movimento de vai e vem.
Virei Nico de frente para mim e pressionei nossos lábios, num beijo lascivo. Nossas línguas se esfregavam libidinosas, minha mão direita segurou sua nuca intensificando mais ainda o beijo enquanto que a esquerda apertava com vontade a bunda redondinha de Nico.
— Vamos sair daqui – sussurrei no ouvido do moreno assim que terminei o beijo mordendo o lábio inferior dele e escutei-o gemer satisfeito.
Nico apenas sorriu pequeno e me deixou guiá-lo para fora da boate lotada. Durante o caminho, imprensei Nico na parede num canto escuro e voltei a beijar-lhe com volúpia. Minhas mãos seguravam firme a cintura do moreno, enquanto que as suas pararam propositalmente em minha bunda.
— Vamos logo – Nico disse afoito quando terminamos o beijo.
Depois de algum tempo, sempre parando para nos agarramos despudoradamente, nós chegamos a meu carro. Durante o percurso Nico olhava pela janela com um sorriso de canto nos lábios finos, eu apenas procurava o primeiro motel que aparecesse.
— Você não se importa de ir num motel, né? – perguntei assim que avistei com letras em neon os dizeres Motel Fantasy.
— É até melhor... Na minha casa tem meu pai e na sua tem sua mãe – riu baixinho.
Depois de uma rápida conversa com o balconista do motel, sobre o preço do pernoite, acabei alugando uma suíte luxo com garagem privativa. No quarto tinha uma enorme cama redonda com lençóis vermelhos, espelho no teto, uma pequena mesinha com duas cadeiras num canto junto do cardápio de aperitivos que poderíamos pedir; Painel de controle de luz, som e TV, ar condicionado e um catálogo dizendo os produtos eróticos que poderíamos comprar no decorrer da noite.
Assim que tranquei a porta do quarto, pressionei Nico na porta e selei nossos lábios num beijo libidinoso. Minhas mãos apertaram com gosto as coxas finas do moreno, Nico sorria entre a troca de salivas e suas mãos puxavam meus fios dourados. Dei impulso para que Nico envolvesse suas pernas em minha cintura e, assim que o moreno o fez, pude sentir a semi-ereção dele.
Finalizei o beijo lambendo os lábios avermelhados de Nico e estourei os botões da blusa social dele, a fim de analisar seu peitoral. Passei a distribuir beijos e chupões por toda a extensão do pescoço pálido e Nico começou a tirar meu colete. Segurando o corpo dele, que ainda mantinha as pernas envolta de minha cintura e rebolava provocando um roçar gostoso entre as ereções andei até a cama redonda e deitei Nico nela.
Nico tinha as bochechas coradas e lábios vermelhos, seu peitoral magro e pálido continha apenas algumas poucas pintas negras espalhadas; Seu cabelo curto e negro estava bagunçado e a íris escura dos seus olhos se confundiam com as pupilas dilatas. Tirei minha blusa preta da fantasia e joguei em um canto qualquer do quarto, Nico arfou quando viu meu peitoral definido e bronzeado.
— Sei que sou gostoso – ri olhando Nico revirar os olhos. Me debrucei sobre o corpo dele e beijei os lábios finos e avermelhados dele.
Olhei os botões rosados de Nico em pensei: “Se mulheres gostam quando tem os mamilos mamados, os homens devem sentir prazer nisso também, né?”. Fui, então, descendo os beijos até o peitoral dele e lambi seu mamilo rosado, Nico arfou surpreso e apoiou suas mãos em meu ombro. Sorrindo satisfeito pela descoberta, suguei o mamilo dele e mordisquei levemente.
Depois de sugar com empenho cada um dos mamilos eriçados do moreno, passei friccionar nossas ereções. Nico gemia contido e eu fechava os olhos em deleite. Puxei a calça preta do moreno e sorri quando vi a cueca preta com caveirinhas espalhadas.
— Tão gostoso... – comentei analisando a ereção dentro da cueca boxer dele.
Me levantei, a fim de retirar minha calça que já incomodava, e vi Nico também tirar afobado sua última peça de roupa. Estávamos nós dois nus, sentados na cama e Nico me beijava com empenho. Nossas línguas se acariciavam luxuriosas e nossas mãos percorriam por toda a extensão de nossos corpos.
Terminei o beijo e dei uma rápida olhada para a pequena mesinha ao lado da cama, me levantei rapidamente e abri a gaveta. Dentro havia alguns pacotes de variadas camisinhas, escovas de dente descartáveis, um sabonetinho, sache de xampu e condicionador e um tubinho pequeno de lubrificante.
— Isso deve ajudar na hora, né? – perguntei mostrando o tubinho de lubrificante para Nico, que assentiu.
Eu jamais iria confessar que estava nervoso com nossa primeira vez. Até porque Nico era virgem e eu nunca havia feito sexo anal com ninguém. Peguei um pacote com camisinha extra lubrificada e mais o lubrificante (prevenção para não acabar machucando o moreno nunca é demais!) e voltei para a cama.
Beijei Nico rapidamente e vesti a proteção em meu pênis, Nico tentou disfarçar, mas eu pude ver que o moreno se sentiu extremamente excitado a me ver vestir a camisinha. Me acomodei na cabeceira da cama e chamei Nico para que se acomodasse melhor em meu colo.
— Assim vai ser melhor, já que é sua primeira vez – comentei e vi Nico corar envergonhado – Só se mexa quando se acostumar, okay?
Nico assentiu mudo e antes que ele pudesse se sentar em meu pênis, eu espalhei ao redor de seu ânus um pouco de lubrificante. Encaixei a glande do meu órgão na entrada de Nico e vi o moreno forçar para entrar.
— Puta que pariu! – escutei o moreno exclamar fechando os olhos e sentando aos poucos – Dói pra caralho!
Alheio a dor de Nico, eu me controlava ao máximo para não estocar com força o moreno. A sensação de seu ânus apertando meu pênis, os músculos quentes do orifício massageando meu pau conforme ele escorregava para dentro daquele buraco rosado e enrugado. Minhas mãos seguravam firme a cintura de Nico, meus olhos estavam fechados e eu mantinha uma expressão de prazer no rosto, meter em Nico era uma sensação sem igual.
Vi que Nico mantinha os olhos fechados com força, seu maxilar estava tenso e suas unhas pequenas estavam cravadas em meus ombros. Toquei meus lábios nos dele e o moreno demorou um pouco para ceder ao beijo intenso. Nico havia sentado por completo em meu pênis, mas qualquer leve movimento que eu fazia parecia causar extrema dor no moreno. Ele estava tenso demais.
Numa forma de relaxá-lo, passei a masturbá-lo. Minha mão envolveu o pênis rosado do moreno, numa pegada firma, e passei a descer e subir num ritmo lento; Nico gemeu baixinho e aos poucos foi relaxando, ele agora que olhava nos olhos, seus lábios estavam entreabertos e faziam sons totalmente eróticos. Juntei nossos lábios e passei a aumentar o ritmo da masturbação, Nico gemia entre o beijo e involuntariamente rebolava gemendo mais ainda.
Quebrei o beijo para gemer e um fino fio de saliva ainda unia nossas bocas. Parei de masturbar Nico (que fez um muxoxo) e segurei sua bunda, separando suas nádegas, e ajudando Nico na cavalgada lenta que ele passou a fazer. Eu gemia em completo êxtase ao sentir meu pau sendo engolido pelo ânus apertado do moreno, o ritmo lento e as reboladas sensuais que Nico proporcionava apenas me deixava mais inebriado com a sensação única.
Nico cavalgava com empenho, suas mãos apertavam meus ombros, por vezes ele jogava a cabeça para trás em puro deleite; Suas bochechas estavam coradas, seus lábios vermelhos sorriam sexy e seus olhos transbordavam luxúria e desejo. Depois de vários minutos de Nico cavalgando em mim, eu parei o moreno e pedi para que ele ficasse de quatro para mim.
Se possível, eu poderia gozar apenas com a visão de Nico de quatro para mim, empinando sugestivamente sua bunda e ainda me olhando desejoso. Alisei sua bunda pálida e redondinha e vi seu ânus vermelho e totalmente alargado. Sorri massageando meu pau e penetrando apenas até a metade, apenas para apreciar a visão de meu pênis sumindo no cu de Nico.
Nico gemia e enterrava o rosto no travesseiro. Eu segurei sua cintura e passei a estocar com força, mas lento, dentro de Nico; O moreno arfava satisfeito e apertava o lençol da cama, seus gemidos roucos me incitavam a ir mais fundo a cada estocada. Acelerei o ritmo e Nico arqueou as costas, empinando a bunda e sorrindo excitado.
Puxei os cabelos negros dele e juntei nossos lábios, tentando beijá-lo. Nossas línguas se esfregavam perdidas (não tínhamos concentração nenhuma para um beijo descente), salivas escorriam do canto de nossas bocas e gemidos luxuriosos se mesclavam no som do quarto.
Gemidos, beijos eróticos e pele batendo em pele. Só esses sons eram escutados no quarto do motel.
O característico cheiro de sexo se espalhava pelo ar. Virei Nico para se deitar de frente para mim (papai e mamãe) e vi que o suor escorria da testa do moreno, seus cabelos estavam úmidos e grudando em seu rosto, seus olhos já não conseguiam focar em nada por muito tempo e seus lábios entreabertos apenas emitiam gemidos roucos e sensuais.
Eu ainda estava rápido e forte, Nico elevava um pouco o tom de voz todas as vezes que eu atingia sua próstata. Minha visão estava nublada de tanto prazer, eu não conseguia formular frases completas, minhas mãos estavam apoiadas uma em cada lado da cabeça Nico, e o moreno arranhavam toda a extensão das minhas costas.
Beijei os lábios de Nico e passei a chupar o pescoço do moreno. Chupões fortes e que faziam Nico arfar em deleite.
— Eu vou... Ah! – Nico tentava falar enquanto gemia prazeroso.
Senti os músculos do ânus de Nico apertarem mais ainda meu pênis e um líquido viscoso e esbranquiçado sujou nossos abdomens. O moreno gemia languidamente aproveitando a adrenalina pós-gozo e eu continuei estocando até que gozei num gemido longo.
Ainda continuei com os movimentos, agora mais lentos, apenas para aproveitar a sensação prazerosa da adrenalina em minhas veias. Nico arfava rápido, seu peito subia e descia desesperado e seus olhos brilhavam. Me levantei da cama, andando até o banheiro, descartei a camisinha e limpei meu membro e abdômen lambuzados.
Andei até o quarto e vi que Nico já tinha limpado seu abdômen e me olhava curioso. Me deitei na cama e puxei o corpo pequeno de encontro ao meu.
— Nunca pensei que sexo fosse tão bom – escutei ele dizer baixinho e sonolento.
Soltei uma risada e acariciei seus cabelos úmidos.
— Eu vou adorar te ensinar sobre sexo na prática – comentei divertido e senti o peito de Nico tremer, ele estava rindo.
— Espero ansioso – revelou se acomodando melhor na cama junto a mim.
Para uma primeira noite de sexo, até que havia sido muito bom. Sorri quando nos vi abraçadinhos no espelho do teto e adormeci relaxado e, depois de muito tempo, aliviado sexualmente.
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