Notas iniciais
Em algum lugar desse Brasil, já é domingo por isso estou postando! ♥ kkk Olha, eu sei que devia ter avisado, mas essa semana que se passou foi a Semana da Matemática [acho até que nunca comentei aqui que faço faculdade de licenciatura em matemática], então eu tava tendo palestras, oficinas e mini-cursos bem cansativos. Coisa bem importante agora. LEIAM: PCA já está finalizada no meu word. Ao total teremos 43 capítulos! Sendo que o 40 está na betagem [pra ficar perfeito pra vocês porque ele é bem especial]. Digo isso apenas pra anunciar que as postagens voltarão a ser um capítulo só! Lembram da meta que eu queria cumprir? Então, ela já está completamente feita, por isso não vi necessidade de postar dois por dia. MAAAAAAAS, como pra mim ainda é sabádo [fuso-horário], amanhã [ no caso domingo] tem outro capítulo... UHUSAHUSAHSUA Pra compensar o de quarta que se extraviou pelo caminho na postagem e.e USHAUSSUA P.S.: ESTE CAPÍTULO SE PASSA DEPOIS DO BEIJO DE WILL E DREW, MAS ANTES DO ACAMPAMENTO! Ocorre no dia 14/02.

— Matt

Will não estava nada bem. E isso era um fato, não apenas especulação.

O pior era que ele não queria conversar comigo sobre o motivo do seu desânimo e noites mal dormidas! Eu já havia perguntado diretamente para ele, jogado indiretas e até mesmo perguntado para o pessoal se algum deles sabia o que estava acontecendo.

Óbvio que ninguém nem sequer me respondeu quando escutaram o nome dele... Eles ainda estavam bem chateados com a atitude de meu amigo, eu também havia ficado, ora essa! Nico por mais ranzinza que fosse, fazia meu amigo feliz! Eu achava bonito o jeito como o Will voltava para casa, depois de quase um dia inteiro com Nico, um sorriso luminoso sempre dançava em seus lábios e seus olhos brilhavam em felicidade.

De fato meu amigo estava amando pela primeira vez.

Ouvir sobre suas histórias envolvendo Nico já estava quase em nossa rotina diária. Eu sempre escutava calado e meneava a cabeça em concordância, mesmo quase nunca prestando a devida atenção nos monólogos dele. Tente passar uma tarde inteira escutando sobre o quanto “Nico ficava fofo fazendo os deveres de matemática”.

Ninguém aguentaria...!

Até o dia 4 de janeiro. Claro que Will já havia me contado o que havia acontecido no dia primeiro e eu havia dito que ‘ele estava pressionando Nico’, mas como ele consegue entender esse menino?! O pouco tempo que passei ao lado dele me fizeram quase cavar um buraco no chão e me esconder nele, tão grande foi o silêncio constrangedor que se instalou!

Temperamental, ranzinza, mal-humorado e de humor ácido. Juro que estou até hoje tentando entender o que Will viu nesse moleque.

Mas mesmo sendo tudo isso, meu amigo não precisava traí-lo na frente da turma inteira! Ainda mais com Drew! Fiquei chocado e irritado com ele. Will fez justamente o oposto do que eu havia dito e agora, tendo uma leve noção de como Nico era ele teria que penar para conseguir a confiança do moreno de volta.

E tudo isso por ter beijado Drew... Sempre ela... Essa menina parece até uma constante irritante em minha vida. Até hoje não contei para Will minha história complicada com Drew e talvez eu nunca vá contar, porque ainda sinto resquícios de mágoa e ressentimento com tudo o que ela fez comigo.

Conheci Drew quando tinha 13 anos. Meu avô e eu havíamos viajado para outra cidade, uma vizinha a Malibu, para aproveitar as férias. Eu havia terminado meu oitavo ano no ensino fundamental e estava feliz por não ter ficado de recuperação. Tudo estava bem, até que eu a conheci.

Naquela época, Drew já era uma menina muito bonita. Era um ano mais velha que eu e já tinha um corpo esbelto, mesmo para uma menina de 14 anos na época. Éramos vizinhos e logo de cara já começamos uma estranha amizade. Drew era meiga, delicada e simples. Foi me conquistando aos poucos, com seus risos fáceis e gestos sinceros e eu, todo encantado e ingênuo, fui caindo feito bobo em suas mãos.

Confesso que aquelas férias ficaram registradas em minha memória como um dos momentos mais felizes de minha vida. Eu já gostava de Carol naquela época, mas depois de conhecer Drew e me apaixonar por ela, eu cheguei a pensar que ficaríamos juntos para sempre.

Que aquele mundinho que ela criou para nós dois fosse ser eterno.

Pena que eu só tinha 13 anos e estava descobrindo a vida ainda...

Não gosto de relembrar a dor que senti no dia em que ela quebrou meu coração em mil pedacinhos impossíveis de serem colados novamente. Só digo que naquele dia eu chorei tanto e fiquei tão arrasado que até meu avô ficou preocupado com o motivo de eu estar tão mal. Claro que não contei nada a ele...

Qual não foi minha surpresa quando, no início do ano letivo do meu nono ano, eu vi Drew em minha escola?

Aposto que Will acha que essa minha raiva por Drew é apenas birra de ambas as partes, creio até que seja bom ele nunca souber sobre nós dois, porque o conhecendo como conheço, ele ficaria chateado comigo por ter escondido isso por tanto tempo e chateado consigo mesmo por ter namorado ela.

Mas antes de tudo isso, antes mesmo de termos começado aquele relacionamento fracassado, nós havíamos sido amigos. E isso foi o que mais me doeu também porque além de saber que a garota que eu estava apaixonado não sentia nem 1% do que eu sentia por ela, eu sabia que estava perdendo uma grande amiga.

Entretanto, por mais estranho que pareça, eu sentia que entre xingamentos e tapas, nós fomos reafirmando aquela amizade meio torta e bagunçada. Ainda nos xingavamos aos montes e saíamos aos socos, mas eu gostava. Como não gostar de Drew? A minha Drew? A menina doce, meiga, carinhosa que eu havia conhecido nas férias?

Eu sabia que aquela era a verdadeira Drew, e que essa menina de sorriso falso, roupas curtas e reputação falada era apenas fachada para esconder uma menininha insegura com o mundo.

Ou quem sabe todas essas minhas divagações fossem por culpa de um coração ainda ressentido, mesmo depois de anos.

E é por conta disso que estou acordado em plena madrugada de dia dos namorados, dirigindo o carro de Will que peguei ‘emprestado’ e procurando a boate em que Drew estava. Por mais que demonstrássemos ódio mútuo, ela sempre ligava para mim quando se metia em problemas e me fazia promoter não contar isso a ninguém, não que eu realmente quisesse contar a alguém.

— Achei! — suspirei aliviado quando vi a boate movimentada.

Liguei de novo para o celular da menina e revirei os olhos quando caiu na caixa postal. Eu teria de descer e ir buscar a menina dentro da boate. Tranquei o carro e paguei o ingresso, já procurando na entrada alguém sinal da asiática. O cheiro de álcool, suor e sei lá mais o que, impregnava minhas narinas e dificultava minha respiração. Procurei-a na pista de dança, perto do bar, até tentei perguntar ao barman se ele a tinha visto, mas desisti assim que cheguei ao balcão. Aquele lugar estava lotado, ele com certeza não ia lembrar-se dela se a tivesse visto.

Foi então que resolvi procurar perto dos banheiros. Logo na porta do toalete feminino, mesmo com a música alta, eu consegui escutar um choro abafado. Entrei hesitante e quando vi Drew sentada no chão sujo daquele local, com a maquiagem borrada, cabelo bagunçado, roupas meio rasgadas e se abraçando numa tentativa de se proteger, eu soube que algo estava errado.

— Drew? — chamei me agachado em sua frente e encostando minha mão em seu ombro. A menina tremia e o choro borrava mais ainda a maquiagem que mais cedo devia estar bonita.

— Matt! — balbuciou e se jogou em minha direção, me desequilibrando e fazendo com que quase caíssemos no chão.

— O que foi? — perguntei alarmado. Eu quase nunca via Drew chorando.

— Foi horrível! Ele me agarrou e... e... — gaguejou chorando — Disse que eu queria... Que minhas roupas eram curtas demais... M-me chamou de puta...

E a cada frase dita, Drew chorava mais e me abraçava mais forte. Suspirei inconformado e passei a sussurrar palavras de conforto para ela. Eu já tinha uma leve noção do que havia acontecido com Drew e estava aliviado que ela tenha conseguido fugir do molestador e que tenha me ligado para ir buscá-la daqui.

— Já passou — sussurrei me levantando e puxando a menina para que ela viesse comigo — Vamos embora.

Tirei meu casaco e dei a Drew, para que ela pudesse se cobrir um pouco, visto que sua blusa foi rasgada. Levei-a até o carro e durante todo o caminho, ela apenas soluçava baixinho e tinha um olhar vidrado.

— Ele te machucou? — perguntei quando já estávamos dentro do carro, a caminho da casa dela.

—Não... — sussurrou.

Ficamos num silêncio desagradável até que a menina resolveu quebrá-lo.

— Obrigado... — falou num fio de voz — Por tudo sabe... Mesmo depois de tudo o que fiz contigo, você sempre me ajudou quando eu precisei...

— Não me pergunte o motivo... — falei cansado — Nem eu sei por que faço isso.

— Mesmo assim eu agradeço — sorriu triste — Você é um bom amigo, Matt. Me desculpa ter feito o que fiz no passado.

Não respondi e me foquei no caminho. Mesmo sendo madrugada, Nova Iorque ainda era bem movimentada.

— Você me acha mesmo vadia? — me assustei com a pergunta repentina — Quer dizer, eu sei que você me acha vadia, mas me acha muito vadia?

— Eu não te acho vadia — falei erguendo uma sobrancelha — Quem sou eu pra dar palpite na tua vida?

Drew me olhou surpresa.

— Posso até falar aquelas coisas de você quando estou estressado contigo, o que você consegue me deixar com frequencia, mas a vida é sua Drew. Você pode dormir com quem quiser que ninguém pode reclamar. Seu corpo, suas regras.

Escutei ela abafar um soluço e se inclinou para tentar me abraçar.

— Obrigado — sussurrou.

O resto do caminho foi feito em silêncio, mas não era mais aquele silêncio desagradável. Estávamos imersos em pensamentos sobre o passado, sobre nosso tempo juntos quando éramos apenas dois pré-adolescentes se divertindo juntos. Depois de um tempo, finalmente deixei Drew sã e salva em sua casa e dirigi até a casa de Apolo.

Me assustei quando, assim que entrei, vi Will sentado no sofá com um xícara em mãos.

— Onde foi? — perguntou com desinteresse. Era visível o cansaço em sua voz, as noites mal dormidas e insônias estavam acabando com meu amigo.

— Insônia de novo? — perguntei realmente preocupado.

Will deu de ombros e tomou o conteúdo da xícara. Levantou do sofá, já completamente esquecido do fato de eu estar chegando da rua em plena madrugada, e subiu as escadas até seu quarto. Quando vi meu amigo sumir pelo corredor, pude soltar o ar que prendia nos pulmões. Eu não podia mais ficar fazendo isso com Drew, tinha que por um fim nisso antes que ela realmente achasse que poderia depender de mim para tudo.

Com um único pensamento em mente, escrevi a mensagem para a garota:

Essa foi a última. Não posso mais ficar fazendo isso. Temos que acabar com esse ciclo vicioso que criamos... Se cuida.

Reli o sms mais uma vez e deitei na cama. Essa seria a última vez que eu ajudaria Drew Tanaka. Eu tinha que me afastar dela se não quisesse que minha vida voltasse a ser uma bagunça.

Não agora que finalmente estou dando um rumo certo nela.

Notas finais
E então? Eu peguei partes dos capítulos de quando Matt disse que só amou duas mulheres em toda sua vida e também sobre a parte onde Will conhece Drew (oitava série, nono ano) e Matt e ela "desenvolvem ódio mútuo". Fiz apenas para explicar um pouco sobre o relacionamento deles, já que quis 'escrever isso nas entrelinhas', mas muita gente achou que a segunda pessoa (depois da Carol) que Matt amou era o Will... ¬.¬' Mas enfim, deixei vocês ainda mais confusos sobre com quem shippar o Matt ou não?! >.< ♥