Notas iniciais
Demorei, mas voltei. E dessa vez com um capítulo bem grandinho e com o primeiro momento fofo do casal. Espero que gostem!

Capítulo 3

POV Tracey

É sábado, 20h40, e Luke disse que passaria pra me buscar às 21h em ponto. Estou parada em frente ao espelho, decidindo se uso ou não batom, enquanto sinto meu coração acelerar toda a vez que me lembro para onde vamos. Um lual na casa de praia da Georgina. Volto a me perguntar onde eu estava com a cabeça quando deixei a situação chegar a esse ponto, o que eu estava pensando quando achei que essa ideia absurda de Luke poderia dar certo. Não estou acostumada a frequentar essas festas, não sei me comportar e nem tenho intimidade com essas pessoas, sei que vou me sentir um peixe fora d’água. Sinto um arrepio só de imaginar.

Para me distrair, volto a repassar as regras de nosso plano em minha cabeça pela milésima vez: vamos fingir estar namorando por algum tempo, ninguém pode saber a verdade, nem mesmo Mollie e Mason, nossos melhores amigos, para não corrermos riscos. Enquanto estivermos supostamente juntos, eu tenho que ajudá-lo a mostrar para Georgina que ele não sente falta dela, enquanto ele me ajuda a chamar a atenção de Jake do jeito certo. Isso tudo, claro, sem deixar transparecer que é uma farsa, por isso, tenho que me aproximar de Jake com cautela, para não expor Luke. Fico triste por não poder dividir isso com Mollie, sei que seria mais fácil se pudesse falar com alguém, afinal, Luke é uma pessoa segura, confiante, mas eu estou morrendo de medo das consequências disso, porém, sei que é melhor não envolver mais ninguém nessa confusão.

Por falar em Mollie, ela está aqui bem agora, sentada em minha cama com as pernas esticadas e os braços cruzados me observando enquanto me arrumo.

– Explique de novo como isso aconteceu – Mollie começa a falar, estreitando os olhos e eu sei que terei de ser bem convincente com ela. – Como você passou de “não me importo o suficiente com Luke” para “eu e Luke estamos saindo juntos”?

– Acha que devo ir de batom?

– Use só o hidratante labial.

– Bom, eu só percebi que talvez Luke não seja tão ruim assim. Resolvi dar uma chance a ele.

– Dar uma chance? Luke Crawford te pediu uma chance?

Me sinto ofendida com a pergunta de Mollie. Do jeito que ela fala é como se fosse impossível Luke estar interessado em mim de verdade, mas como ele realmente não está, resolvo deixar pra lá.

– Não foi bem assim. Ah, Mollie, não é nada demais, nós só conversamos ao invés de ficarmos discutindo o tempo todo e até que nos demos bem. Luke está solteiro agora, e eu estou solteira desde sempre. Ele me chamou para ir ao lual com ele, eu aceitei, qual o problema? – Todos.

– Um lual na casa de Georgina Vadia Harper?

– Não estou indo pela Georgina, estou indo pelo Luke. – isso soa tão estranho quando sai da minha boca que trato de consertar – e para me divertir. Nunca fui a uma festa dessas, quero saber como é. Você deveria vir com a gente.

– Nem pensar. Nada me faz ter vontade de olhar para cara da Georgina e suas amigas. – Mollie tem razão, Georgina e suas seguidoras são tão antipáticas, espero conseguir ficar o mais longe possível delas, mas algo me diz que esse é um sonho impossível. – E além do mais, não quero segurar vela pra você e Luke.

– Não seja boba, Mollie. – tenho vontade de dizer que ela não vai precisar segurar vela nenhuma, mas se eu disser, com certeza Mollie desconfiará de algo.

– Tracey, e o Jake?

– O que tem ele?

– Não sente mais nada por ele?

– Isso não importa, Mollie. – gostaria de poder contar que é por ele que estou fazendo isso, mas outra vez, não posso. – Ele não sente nada por mim, e é isso que conta.

– Bom, acho que você está certa.

Termino de me arrumar, mas não consigo parar de me olhar no espelho. Não consigo me sentir confortável. Isso porque sei que as pessoas vão reparar em mim. O tipo de gente que vai estar lá já tem por hábito reparar nas pessoas, quando eu chegar acompanhada de Luke, vou ficar ainda mais exposta. Só de pensar já tenho vontade de vestir meus pijamas e me esconder debaixo das cobertas, embora esteja calor. O comentário de Luke quando disse que iríamos ao lual não ajudou em nada para me acalmar.

FLASH BACK ON

– Georgina vai dar uma festa em sua casa na praia amanhã. – Luke fala baixo, bem perto de mim enquanto andamos pelo corredor do terceiro ano. Posso sentir alguns olhares em nós, e sei que são por causa dos boatos que Luke disse que iriam começar a correr.

– Eu sei. Ouvi ela e as amigas conversando sobre isso no vestiário feminino.

– Ok, nós vamos.

– O que? Por quê?

– Porque sim. Por que não iríamos?

– Pensei que não fosse querer ir. Você sabe, ela vai estar com o namorado novo.

– Eles não estão namorando. – Luke retruca imediatamente, e eu rio.

– Está com ciúmes?

– Não é ciúmes. Estou com raiva, só isso.

– Tá bom, se você diz.

– O que importa é que nós vamos ao lual amanhã, Tracey.

– Ah, não Luke, por favor. Eu não sei me comportar nesses lugares, nunca fui a essas festas, não podemos fazer isso dar certo só aqui na escola? Por que faz tanta questão de ir?

– Porque se eu não for, todos vão achar que eu estou em casa me lamentando por Georgina ter terminado. Além disso, todos os meus amigos estarão lá, vai ser legal.

– Pra quem?

– Encare isso como a chance de fazer algo novo. É divertido, você vai ver. E eu aposto que Jake estará lá também. – sei que Luke só está dizendo isso para me convencer, mas eu me animo um pouco.

– Tudo bem, você venceu.

– Eu sempre venço.

Nós chegamos na porta da sala onde terei minha aula de história e Luke se prepara para se despedir, mas então ele parece se lembrar de algo.

– Escuta, Tracey. Sem querer ofender, mas tente se arrumar melhor para a festa. – fico tão chocada com a frase de Luke que não respondo, só deixo que ele continue. – Não estou dizendo que você anda desarrumada. Mas tente parecer mais com a idade que tem, e não com uma garotinha. Passo pra te pegar às 21h, esteja pronta.

Ele dá um beijo no meu rosto e vai embora, desaparecendo pelo corredor. Noto algumas garotas me encarando e estou com tanta raiva agora que não consigo me controlar.

– O que foi? Nunca me viram?

Elas fazem uma careta e saem, e eu entro para assistir a aula, ainda pensando no que Luke acabou de me dizer.

FLASH BACK OFF

– Como eu estou? – pergunto a Mollie, tentando fazer com que ela não perceba o quanto estou insegura.

– Você está linda, Tracey. Faz tempo que não te via tão bonita assim.

A resposta de Mollie me acalma um pouco, mas quando ouço a campainha tocando, a mesma sensação de nervosismo me inunda de novo.

POV Luke

Olho no relógio logo após tocar a campainha, são 21h em ponto. Espero que dessa vez Tracey aja como uma pessoa normal e não reclame porque cheguei na hora. Eu nem costumo fazer isso com muita frequência. Aguardo por alguns minutos na porta e de repente escuto passos vindos da escada. Então a porta se abre.

– Oi. – Tracey está sorrindo para mim do lado de dentro da sala, e eu não sei direito o que dizer, porque não esperava vê-la assim.

– Tracey, você está... – Tracey está tão linda. Não está bonita, está linda. Para falar a verdade, nunca achei que Tracey fosse feia, muito pelo contrário, ela só é diferente das outras garotas. O que disse a ela ontem não foi uma crítica, acontece que, se quero impressionar Georgina e ela a Jake, Tracey não pode mais parecer uma menina de 13 anos. Mas agora, vendo-a assim, percebo que ela entendeu perfeitamente o recado. Tracey está usando um vestido branco de alcinhas que vai até a metade de suas coxas e tem um corte que deixa suas costelas a mostra, fazendo o contraste perfeito com sua pele levemente bronzeada pelo verão. Seus cabelos ondulados estão soltos, mas ela usa uma tiara fina com algumas flores vermelhas, perfeitas para um lual. Pra mim, ela continua diferente das outras, isso porque sei que não está tentando chamar a atenção de ninguém, muito pelo contrário, está tão simples, e ao mesmo tempo, posso apostar que será a garota mais linda de todas. Tracey continua me encarando e sorrindo, embora agora esteja tímida, esperando que eu termine a frase. Tenho vontade de dizer o que estou pensando, que ela está linda, mas sei que não tenho permissão pra externar esse pensamento. – você está muito bonita.

– Obrigada. – ela agradece e nós nos encaramos por um tempo. Então, uma coisa estranha acontece: eu não sei o que fazer agora.

– Bom, eu já vou indo – Mollie aparece fazendo barulho nas escadas. – Tchau, amiga. Oi, Luke, tchau, Luke. – ela passa por nós dois na porta, sem nos dar muita importância.

– Até mais, Mollie, obrigada pela ajuda.

– Hey, Mollie, não quer uma carona? Podemos te deixar em casa. – ofereço por educação, mas torço pra que ela não aceite.

– Não, tudo bem, eu moro aqui perto, e estou de bicicleta. – ela então monta em sua bicicleta que estava amarrada ali perto e eu mal tinha percebido, e desaparece na rua escura.

– Então, vamos?

– Já que não tem outro jeito.

Nós caminhamos até o carro e eu abro a porta para Tracey. Ela parece surpresa por eu fazer isso, mas acho que já se tornou um hábito, Georgina gostava que eu fizesse. Quando me sento no banco do motorista e olho para Tracey sentada ao meu lado, não consigo deixar de reparar em suas pernas a mostra. Me pergunto como nunca reparei em seu corpo antes, e me pergunto outras coisas também, mas acho melhor tirar esses pensamentos da minha cabeça, antes que eu coloque todos os nossos planos a perder só porque Tracey resolveu sair bem vestida hoje. De repente, o click de seus dedos estalando me chama a atenção.

– Está nervosa?

– Dá pra perceber?

– Com certeza.

– Ok, eu estou super nervosa.

– Por quê?

– E você ainda pergunta? Sabe qual a probabilidade disso tudo dar errado? Sabe quantas chances tem de eu estragar tudo? Muitas.

– Hey, Tracey, se acalma. Eu vou estar lá com você. Nada vai dar errado.

– Nossa, agora me sinto bem melhor. – A Tracey irônica começa a aparecer.

– Você não confia em mim?

– Sinceramente? É claro que não. Há menos de uma semana nós estávamos gritando um com outro por causa de aulas particulares, agora você está me obrigando a passar por isso, porque embora pareça que eu vá lucrar com essa situação, não esqueci que você está me chantageando. Como posso confiar em você?

– Não sei. Mas a partir de agora você vai ter que confiar, porque estamos juntos nessa.

Seguro firme uma das mãos de Tracey, fazendo com que ela pare de estalar seus dedos compulsivamente. Aperto seus dedos nos meus rapidamente, tentando passar confiança a ela, que finalmente relaxa, encostando-se ao banco do passageiro.

– Promete que não vai me deixar sozinha nem por um minuto? Nem pra ir ao banheiro?

– Prometo. Você pode ir ao banheiro comigo.

Tracey sorri e eu solto sua mão para dar partida no carro.

POV Tracey

A casa de Georgina é incrível. Uma mansão de dois andares que fica a poucos metros da praia, separada da areia por uma passarela de madeira. Quando chegamos à festa, ela já estava a todo o vapor. A música alta ecoava por todos os cantos da casa. Havia engradados de cerveja e garrafas de vodca para todos os lados. As pessoas dançavam na sala, na varanda que rodeia a maior parte do primeiro andar, e também na areia, onde uma enorme fogueira estava acesa.

Todas as pessoas que são minimamente conhecidas no colégio vieram. Líderes de torcida, jogadores de lacrosse, basquete e futebol. Assim que chegamos, encontramos Georgina encostada na mureta da varanda, pendurada nos ombros do tal Henry. Ele é bonito, mas eu jamais ousaria dizer isso a Luke. Ela fez questão de vir nos cumprimentar, e sorriu como se estivesse tudo perfeitamente bem entre nós três, mas pelo jeito como Georgina me olhou de cima a abaixo, medindo cada centímetro meu, sei que não está. Sei que a partir de agora terei de ficar com meus olhos bem abertos.

Os amigos de Luke logo apareceram, e para minha surpresa, como ele tinha dito ontem, foi divertido estar com eles, mas logo todos ficaram bêbados demais para manter uma conversa e, embora Luke tenha insistido para que eu provasse pelo menos um pouco de cerveja, eu recusei, a não ser quando ouvi uma menina magrela comentar com a amiga que não sabia o que Luke Crawford tinha visto em uma garota tão sem graça como Tracey Morgan, no caso eu. Nessa hora, me senti obrigada a tomar um longo gole de sua bebida.

Agora, estamos aqui fora, na passarela entre a casa de Georgina e a praia, sozinhos, porque Luke insiste que, se não ficarmos a sós, as pessoas vão acabar desconfiando.

– Tem certeza de que não quer ver a fogueira? – Luke pergunta e eu encosto-me à cerca de madeira que acompanha o comprimento da passarela. Ele para bem em frente a mim.

– Tenho. – na verdade eu até gostaria de ir, mas quando olho naquela direção, vejo Lily, uma das amigas de Georgina, se esfregando em um dos caras do time de maneira tão obcena que me sinto constrangida. – Depois a gente vai.

Ficamos em silêncio por um momento, até que algo chama a atenção de Luke, e consequentemente, a minha também. Georgina está na varanda, com Henry. Ele a abraça pelas costas, mas do mesmo jeito que a estamos observando, ela nos observa de volta. De repente, Luke se aproxima de mim, coloca uma mexa de meu cabelo para trás da orelha, e seu rosto vai ficando cada vez mais próximo, mais próximo, até que eu entendo sua intenção.

– Hey, o que você está fazendo? – pergunto, segurando em seus ombros, com os lábios muito próximos aos dele, mas sem deixar que ele chegue mais perto.

– Te beijando. Você é minha namorada. Tecnicamente.

– Tecnicamente, não na prática.

– Qual é, Tracey? Se não nos beijarmos nunca... – ele começa a tentar argumentar, mas eu não deixo que ele continue, e finalmente o empurro para longe.

– Se nós nos beijarmos, o namoro deixa de ser fingimento e passa a ser de verdade, e o combinado não era esse, Luke.

Espero Luke ficar nervoso ou discutir comigo, mas ele ri de lado e olha pra mim, e é impossível não reparar em como ele fica bonito assim, e em como meu coração ainda está batendo rápido pela proximidade inesperada com ele.

– Do que está rindo?

– Nada. Deixa pra lá.

– Fala logo.

– Você já beijou outros caras né?

Arregalo meus olhos e sinto minhas bochechas corando, de vergonha e de raiva. Como ele ousa perguntar algo assim? Cruzo os braços e faço a pior expressão possível pra ele.

– Mas é claro que já! – não que eu tenha beijado muitos garotos, foram quatro no total, mas também não é como se eu nunca tivesse beijado ninguém.

– Calma, Tracey. – Luke está gargalhando agora. – Não precisa ficar nervosa, tá bom?

– Não tem graça nenhuma.

– É porque você não pode ver seu rosto agora. – ele continua rindo e se aproxima lentamente de mim – me conta quem você beijou.

– Nunca.

– Vamos lá, Tracey, não custa nada. Conta.

Ele se aproxima mais, e começa a fazer cócegas na minha barriga. Acontece que sou muito sensível a cócegas, e um segundo depois estou me debatendo para que Luke me solte, e morrendo de rir junto com ele.

Sei que Luke só está agindo assim porque bebeu algumas cervejas a mais e está feliz sem motivo. Provavelmente, se estivesse completamente sóbreo, ainda estaria brigando comigo porque não deixei que me beijasse, e me acusando de colocar todo seu plano a perder. Mas tento não pensar em nada disso, e só aproveitar esse pequeno momento de diversão.

Porém, ele passa bem rápido. No meio de minhas gargalhadas e das de Luke, notamos uma silueta vindo da varanda. É Georgina.

– Ela está vindo.

– Eu sei. – Luke diz, e se aproxima de mim novamente. Dessa vez eu me assusto, e dou um pulo sem mal sair do lugar. – Calma, eu não vou te beijar. Mas não se afaste.

Então, Luke fica bem perto de mim, tão perto que nossos corpos estão quase se encostando. Ele toca em cada lado do meu rosto com as mãos, e joga meus cabelos para trás. Seus dedos passeiam por meu pescoço e vão descendo, fazendo um carinho gostoso em meus braços. Nesse momento eu crio coragem para olhar seu rosto, e noto como o azul dos seus olhos fica diferente à noite. Finalmente suas mãos chegam a minha cintura, e Luke me puxa mais para si, dizendo com o olhar para eu não me assustar, e então me abraça, rodeando minha cintura com seus braços, e eu não faço ideia de como agir agora. Vejo Georgina se aproximar e fecho meus olhos com força, dizendo a mim mesma para agir naturalmente. Subo lentamente minhas mãos até os ombros de Luke, e então até sua nuca, fazendo um carinho tímido em seus cabelos. Sei que acertei quando, no mesmo instante, Luke inspira em meu pescoço, e eu sinto meus poros se arrepiando devagar. Posso ouvir os passos de Georgina por perto, sinto quando ela passa por nós e depois se afasta, porém, mesmo assim, Luke não me solta.

POV Luke

Por algum motivo que não sei explicar, não consigo me afastar de Tracey imediatamente, mesmo depois de saber que Georgina já está longe de nós. Digo a mim mesmo que é porque quero mesmo que esse plano dê certo, mas sei que não é só isso. Algo em seu abraço faz com que eu me sinta tranquilo, como não me sentia desde que Georgina me deu o fora. É como se eu precisasse de um momento como esse desde então, e os braços de Tracey parecem ser o lugar perfeito que preciso para relaxar. Além do mais, ela tem um cheiro gostoso que faz com que eu queira permanecer assim, inspirando o perfume que vem de seus cabelos.

Porém, alguns instantes depois, percebo o quanto isso está ficando estranho, e antes que Tracey me questione porque ainda estou abraçando-a, eu a solto, me afastando dela devagar, mas não sem antes olhar bem em seus olhos castanhos, agora tão escuros, e percebê-los tão cheios de dúvidas, provavelmente iguais as minhas.

– Tracey, eu... preciso ir ao banheiro. – me sinto tão idiota por dizer isso, mas é a única coisa que consigo dizer pra quebrar o clima tão intenso.

– O que? Agora?

– É, eu to apertado.

– Você disse que não ia me deixar sozinha, nem pra ir ao banheiro.

– Eu disse que você poderia vir ao banheiro comigo. Você quer vir?

Tracey então fecha a cara pra mim, e as coisas começam a ficar normais novamente. Sorrio para ela, porque me sinto aliviado, é bem melhor assim. Apesar de estarmos sempre nos alfinetando, não ter de me preocupar sempre com o que terei que falar, ou como terei de agir, é bem mais fácil. As vezes, estar com Tracey me faz sentir mais leve.

– Eu bebi cerveja, Tracey, se você bebesse iria entender que não dá pra segurar.

– Tá bom, vai logo. Vou ficar esperando aqui.

– Prometo que não demoro.

Então saio de perto dela e vou direto para o banheiro, sorrindo ao imaginar que Tracey deve ser a única garota que fica mal humorada porque seu namorado precisa ir ao banheiro.

POV Tracey

Enquanto Luke parece demorar uma hora no banheiro, permaneço no mesmo lugar de antes, torcendo para que ele volte logo, e para que nenhuma pessoa desagradável venha falar comigo enquanto ele não volta. Embora a probabilidade de alguém realmente vir seja bem pequena, já que quase ninguém que está aqui tem o costume de falar comigo. Mas é sempre melhor prevenir que remediar.

Estou distraída, ou fingindo estar distraída, quando Lily volta da fogueira, ainda agarrada ao cara do time com quem estava tentando acasalar. Quando passam por mim, Lily me encara, me medindo de cima abaixo e cochichando com o tal garoto. Sinto meu rosto esquentar quando ela solta uma risadinha, e imagino que ela tenha dito a ele o mesmo que a menina magrela disse a sua amiga. Que Luke é areia demais para o meu caminhãozinho, e provavelmente acrescentou que sua amiga Georgina é bem melhor que eu. Gostaria de não me importar, mas minha maior vontade é ir embora dali, e penso em pedir a Luke para irmos assim que ele voltar, afinal, já demos nosso show por hoje, mas então, vejo Jake caminhando em minha direção, com as mãos nos bolsos de sua calça jeans clara e sua camisa branca de botões, que contrasta com seus cabelos negros, e esqueço quase completamente da existência de Lily.

Conforme se aproxima, Jake abre um sorriso para mim, e eu não consigo não sorrir de volta. Pela primeira vez, me permito acreditar de verdade que esse maldito plano de Luke possa dar certo.

– Tracey, não esperava te encontrar aqui. – Jake diz, e se aproxima para me cumprimentar. – Você nunca aparece nas festas do colégio.

Estou morrendo de medo de dizer algo errado, de gaguejar ou algo assim, mas digo a mim mesma que preciso responder logo ao invés de ficar olhando para ele que nem uma idiota.

– Pois é, eu não costumo vir. Mas achei melhor aproveitar o último ano. – tai uma bela mentira, mas é melhor dizer isso do que “Luke me obrigou a vir, mas só aceitei porque sabia que você estaria aqui”.

– Você está certa. Só passamos por isso uma vez.

Então um enorme silêncio se instala entre nós, não tenho mais coragem de olhar para ele, porque estou constrangida e não sei o que dizer. Surpreendentemente, me pego desejando que Luke volte para me ajudar porque não estou conseguindo lidar com a situação.

– Você está muito bonita, Tracey. – Jake fala isso assim, de repente. Eu levo um susto tão grande que demoro um tempo para conseguir agradecer. Meu coração dispara e eu fico com medo de que ele ouça, mas estou tão feliz que se ele ouvir nem vou me importar tanto assim.

Porém, minha felicidade acaba num piscar de olhos. Estava tão distraída com as palavras de Jake que mal percebi a caloura que estava com ele na segunda-feira chegar. Dessa vez ela está de shorts, mas ainda tenho a impressão de que, dependendo do ângulo, conseguirei ver seu útero.

– E então, Jake – ela fala com uma voz um pouco enrolada, indicando que já bebeu, e finge nem notar minha presença – porque não vamos logo pra outro lugar?

Fico chocada com o atrevimento dela, mas Jake parece gostar, porque ele sorri pra ela e eu sinto a atmosfera que nos cercava se dissolver.

– Claro, gata. – ele olha para mim, como se tudo fosse perfeitamente normal. – A gente se vê depois Tracey. Aproveite o resto da festa.

Jake então vai embora com a garota, mas eu mal tenho tempo de digerir o que aconteceu, porque logo Luke está de volta, se apoiando na cerca ao meu lado.

– E ai, vocês conversaram?

– Por que demorou tanto? Você disse que seria rápido.

– Tinha fila para o banheiro, não foi minha culpa. Por que está nervosa? A conversa não foi legal? – Luke espera que eu fale alguma coisa, mas quando eu não respondo, ele segura em minha mão e começa a me puxar. – Vem, vamos ver a fogueira, Lily não está mais lá. – me pergunto como ele sabe que não queria ir por causa dela.

Nos sentamos bem perto da fogueira, e eu fico observando as chamas subirem em direção ao céu até se tornarem apenas fumaça. Luke brinca com algumas pedrinhas de areia, provavelmente esperando que eu comece a falar. Estava indo tudo muito bem para ser verdade, é claro que algo teria de dar errado para mim.

– O que Jake fez pra você ficar com essa cara?

– Qual é o problema com a minha cara?

– Olha só Tracey, você precisa parar, tá legal? Sei que não somos grandes amigos, e sei que não sou a pessoa com quem você gostaria de dividir isso, mas se vamos nos ajudar, você precisa conversar comigo. Peço desculpas por ser um babaca com você as vezes, mas a partir de agora, você precisa relaxar e confiar.

Penso em tudo que Luke acabou de dizer, e depois penso que não poderei contar tudo o que aconteceu hoje para Mollie sem revelar tudo a ela. Chego à conclusão de que o único jeito é confiar em Luke.

– Jake disse que eu estou bonita.

– E você está. – Luke fala tão naturalmente que me faz sorrir. – Isso não é bom?

– Sim. Mas logo depois ele saiu com uma piranha do primeiro ano.

– Tá, entendi. Olha, Jake é homem, e essas garotas dão em cima mesmo, mas ele não as leva a sério, vai por mim. – me pergunto se Luke está dizendo isso por experiência própria. Provavelmente sim. – E o que importa é que começamos a colocar tudo em prática hoje. Você não pode desistir no primeiro obstáculo que encontrar. Pensa que foi fácil ver Georgina se esfregando nesse imbecil?

Só então percebo que estou sendo egoísta, porque a situação de Luke é bem pior que a minha. O que sinto por Jake é nada mais que um amor platônico. Já Luke e Georgina tiveram um relacionamento de dois anos, e ela simplesmente o traiu, terminou com ele e já está com outro. Luke deve estar se sentindo péssimo, e eu mal me preocupei em ajudar.

– Como está se sentindo com isso?

– Não foi muito fácil quando chegamos. Mas eu tô legal agora. Você me ajudou bastante. – não sei como posso ter feito isso, mas se ele está dizendo. – Nós até que formamos uma bela dupla hoje.

– É, acho que formamos sim.

POV Luke

Quando estaciono meu carro em frente à casa de Tracey, ela está dormindo pesado no banco do carona. Sinto pena de acordá-la, mas não tenho outra opção.

– Tracey, acorda, nós chegamos. – encosto em seu ombro e falo baixo para não assustá-la.

Ela se remexe no banco e então acorda, se espreguiçando como um gato.

– Nossa, eu estou exausta, finalmente chegamos.

Tracey se prepara para descer do carro, mas eu a impeço.

– Segunda-feira eu passo para te buscar, a partir de agora nós vamos chegar juntos na escola.

– Por quê? – ela pergunta, sonolenta.

– Por que você demora pra entender essas coisas? – Tracey não dá a mínima para o meu comentário e continua esperando minha resposta – Porque namorados costumam ir juntos, eu sempre buscava Georgina em casa. E agora que todos já nos viram como um casal, podemos oficializar.

Tracey engole em seco, e eu seguro para não rir.

– Mas eu e Mollie sempre vamos juntas para o colégio.

– Bom, agora você vai comigo, mas ela pode vir também se quiser. Mas tem que esperar aqui com você, não vou buscar mais ninguém em casa.

– Tudo bem. Até segunda então. Boa noite, Luke.

– Boa noite, Tracey.

Observo-a caminhar até a porta de sua casa e entrar, para só então dar a partida no carro. Saio dali surpreso com o fato de uma noite com Tracey Morgan ter sido realmente boa.

POV Tracey

Me deito em minha cama sentindo o alívio percorrer cada pedacinho do meu corpo. Como é bom finalmente estar em casa, e principalmente, em segurança. No fim das contas minha noite não foi tão ruim assim. A não ser pela decepção com Jake, mas tento não me concentrar nisso, e antes de dormir recapitular apenas os momentos divertidos e, por incrível que pareça, Luke está em todos eles.

Notas finais
Então, galera, o que acharam? Comentem, por favor! É muito importante pra mim saber a opinião de vocês! Beijos, e até o próximo. Xx