Pretérito Imperfeito
10 Capitulo Dez
Notas iniciais
Capitulo Dez.
“Amor e perdão não são sentimentos que compramos com palavras bonitas”. – Pain (Naruto).
~♥~♥~♥~
Tirei tudo de dentro da caixa. Hana me olhava apreensiva e eu fui revirando todas as fotografias que tinha ali.
Todas as fotografias de Sasuke com Mikoto.
Uma delas me chamou a atenção.
Na foto, estavam Itachi, que segurava a mão de Mikoto e a mesma observava Sasuke e Fugaku. Sasuke deveria ter uns três anos e era segurado por Fugaku que o mantinha longe e com cara de nojo.
Porém, o que fez meus olhos marejarem, foi a expressão de Sasuke.
Ele estava... Sorrindo.
Um enorme sorriso enquanto esticava os pequenos bracinhos para tocar no rosto de Fugaku.
Guardei tudo de volta na caixa, pegando outra fotografia que tinha nela. Fechei e a amarrei novamente, a entregando para Hana.
– Por favor, guarde isso dentro da minha mala de roupas e depois coloque em baixo da cama. Sasuke não pode ver essas fotografias. – Ela assentiu. – E Hana, você tem outra chave do quarto do Sasuke?
– Tenho sim, lhe trago depois de guardar a caixa.
Assenti e ela saiu.
Olhei para a fotografia que estava em minhas mãos.
Eu e Sasuke na porta da faculdade, dentro do carro, no exato momento que ele me deu um beijo na bochecha. Virei à foto e suspirei, lendo o que estava escrito.
“Realmente, vocês formam um belo casal. Tenho certeza que Mikoto ficaria orgulhosa se estivesse viva.
Mas você tinha que estragar tudo, não é Sasuke-chan? Você, cuja existência é desnecessária. Mas agora, eu vou tirar de você o seu bem mais precioso: a rosada.
Espero que goste do meu presente.
Com amor,
Uchiha Fugaku”
Suspirei e Hana apareceu, me entregando a chave.
– Obrigada, Hana.
Ela sorriu e eu subi a escada. Parei na porta de Sasuke e a destranquei, entrando logo em seguida.
Sasuke abriu a boca para reclamar, mas mostrei nossa foto.
– Sinceramente, ficou uma boa foto. Fugaku conhece bons fotógrafos. – Falei.
Sasuke se sentou na cama, suspirando.
– Qual a legenda da vez? – Perguntou.
– “Realmente, vocês formam um belo casal. Com amor, Uchiha Fugaku”. – Falei apenas o inicio da frase e guardei a foto.
– Ótimo, agora sai. – Falou se deitando novamente.
Cruzei os braços e sorri.
– Sasuke, quero ir na Starbucks.
– Então vai. – Falou indiferente.
Contive o riso.
– Vai mesmo me deixar sair sozinha?
Ele se sentou.
– Você não quer ir à merda nenhuma, só está falando isso para me pirraçar e forçar a sair, mas já lhe digo: eu não vou cair nessa, Sakura. – Falou friamente e se deitou de novo.
*********
– Uma torta de morango, por favor. – Pedi a garçonete e olhei para Sasuke. – E você, Sasuke?
Ele me olhou mortalmente.
– Sua cabeça em uma bandeja. – Sussurrou.
– Um café sem açúcar para ele, por favor. Ele está muito doce hoje. – Falei para a garçonete que olhava assustada.
A garçonete saiu com nossos pedidos e eu sorri para Sasuke.
– Melhora essa cara, Sasuke. Está parecendo que estou te carregando para a forca.
O bico que ele fazia aumentou.
– Chantagista. – Sussurrou.
Eu ri me lembrando de quando falei que ia sozinha a Starbucks e esperava que Fugaku estivesse a espreita, apenas esperando a melhor chance para me pegar e me torturar.
Sasuke veio atrás de mim em exatos vinte e sete segundos.
A garçonete trouxe nossos pedidos e sorriu. Quando eu ia irritar Sasuke mais um pouquinho, a TV chamou a nossa atenção.
– E hoje ficamos sabendo que o cobiçado Uchiha Sasuke foi laçado. – Falou o apresentador e a mesma foto que Fugaku mandou, apareceu na tela. – Sua suposta namorada seria Haruno Sakura, uma estudante de Medicina. Desejamos felicidades ao novo casal.
Virei-me lentamente para Sasuke, que estava sério.
De repente, viramos o centro das atenções na Starbucks.
– Sorria, amor. – Ouvi Sasuke falar quando percebeu os olhares.
– O que acha de irmos para casa, querido? – Perguntei sem graça.
– Acho que nem devíamos ter saído de lá, docinho. – Sasuke falou irônico.
E então, sem nem tocar na comida, fomos embora.
~♥~♥~♥~
Voltamos e Sasuke se enfurnou novamente no quarto.
Eu já tinha recebido uma ligação de uma Ino furiosa, brigando comigo por não ter contado sobre o namoro com Sasuke. Claro que ela fez um escândalo maior ainda quando eu disse que era fingimento e que ia fazer isso com o Gaara porque ele é muito gostoso.
Naruto e Hinata passaram aqui. Hinata para consolar Sasuke e Naruto para ameaça-lo, caso ele me magoe. Expliquei que era mentira para ele e Hinata e ele se acalmou. Eles foram embora há pouco tempo.
Levei um susto quando vi Sasuke descer todo arrumando.
– Vai sair? – Perguntei surpresa.
Ele abaixou a cabeça.
– Vou ao cemitério.
Assenti.
É melhor ele ir, falar com a mãe, desabafar e para isso, ele precisava ir sozinho, já que é muito fechado.
– Vamos comigo?
O olhei surpresa e ele ainda olhava para baixo.
– Não se importa? Quero dizer...
– Não, — me interrompeu – eu não me importo.
Respirei fundo e levantei, o seguindo para o carro.
Seguimos o caminho todo em silencio, apenas uma musica calma e baixa era ouvida.
Chegamos ao cemitério e Sasuke estacionou. Começamos a andar pelas lapides, até que Sasuke parou em uma.
Olhei para lápide e vi “Uchiha Mikoto” escrito. Tinha uma foto dela lá.
Sasuke se agachou e ficou olhando para a foto dela.
– Né Okaa-san, me desculpe por não estar vindo aqui. Sabe como é, ainda dói.
Desviei o olhar, lhe dando um pouquinho de privacidade.
– E essa daqui é a Sakura. – O olhei e ele apontava para mim. – Okaa-san, a senhora não faz ideia do quanto ela é irritante.
Senti uma veia pulsar na minha testa, mas deixei passar.
– Olá, senhora Mikoto. – Falei. – Faz ideia do quanto seu filho é teimoso?
Sasuke sorriu com isso.
– Então depois de sete anos, você finalmente resolveu voltar a visitar a nossa mãe? – Ouvi alguém perguntar.
Olhei para trás e vi Itachi, Aki, Naruto e Hinata.
Sasuke se levantou.
– Sakura me obrigou a vim, e já estamos indo. – Sasuke falou.
Ele pegou minha mão e saiu me puxando, não dando chance para alguém falar alguma coisa.
Eu ia retrucar, mas deixei passar ao lembrar as palavras de Itachi.
“Depois de sete anos”.
Se essa era a primeira vez depois de sete anos, e para me trazer junto, era porque ele precisava de apoio e confiava em mim, então, deixei passar.
Entramos no carro e ele suspirou, fechando os olhos e encostando a cabeça no banco. Passei a mão no cabelo dele, que deixou a cabeça cair para o meu lado, aproveitando o carinho.
– Você está bem? – Perguntei.
Ele assentiu e se virou para frente, ligando o carro.
– Sasuke, pode chorar se quiser. Eu não vou te julgar por isso e nem vou sair falando que você chorou na minha frente.
“Até porque isso já aconteceu”. – Completei mentalmente.
Sasuke desligou o carro e voltou a ficar como estava antes, de olhos fechados.
Alguns segundos depois, duas lágrimas desceram pelo seu rosto. Voltei a passar a mão pelo cabelo dele, enquanto o abraçava da maneira que o carro permitia.
Depois de alguns minutos, ele se endireitou e ligou o carro, dando partida.
Ficamos em silencio o caminho todo.
Logo chegamos em casa. Sasuke se trancou novamente e eu fiquei atoa o resto do dia.
Eu estava terminando de me arrumar para a faculdade quando meu celular tocou. Numero desconhecido.
– Alo?
– Sakura? Sou eu, Ino.
– Trocou de numero, porquinha?
Um pouco de silencio.
– Não, estou ligando do celular do Gaara, perdi o meu no meio da confusão.
Sentei-me na beirada da cama.
– Que confusão? – Perguntei preocupada.
Já me vinha Fugaku na cabeça.
Ela suspirou.
– Sakura, explodiram a faculdade.
– É o que?
Sasuke entrou no quarto – mal educado, e se eu não estivesse vestida? – e eu fiz sinal para ele sentar do meu lado e coloquei o celular no auto-falante.
– Faz pouco tempo, deu a hora de ir embora e eu encontrei com Gaara na porta da faculdade, quando começamos a andar, a faculdade foi literalmente pelos ares. Como estávamos muito perto, fomos acertados por alguns escombros, eu estou bem, mas como Gaara me protegeu, ele se machucou um pouco. Estamos saindo do hospital.
– Ino, me deixe falar com Gaara. – Sasuke pediu.
– Claro.
Ela passou para o Gaara e Sasuke pegou o celular da minha mão, tirando do auto-falante.
– Gaara, como está? – Fez silencio. – Ah sim, pode passar aqui? – Mais silencio. — Ok, te espero.
Ele me entregou o celular depois de desligar.
– Parece que você vai ficar um tempo sem faculdade. – Falou. – Gaara está vindo para cá com sua amiga.
Assenti e Sasuke saiu.
Suspirei.
Logo agora que estava quase acabando o período.
~♥~♥~♥~
Ino pov’s.
Gaara guardou o celular e me olhou.
– Vamos passar na casa do Sasuke.
Assenti.
Eu liguei o carro e dei partida. Achamos melhor ele não dirigir.
Ele estava sem camisa, mas eu não tinha a menor animação para babar por ele. Estava me sentindo culpada.
Ele teve um enorme ferimento nas costas por ter se jogado em cima de mim para me proteger, os braços estavam cheios de cortes e arranhões das pedras que foram lançadas contra nós pela explosão, enquanto eu, tinha apenas a coxa enfaixada.
Ele teve que tirar a camisa porque ela se encharcou de sangue.
– Pare de fazer essa cara. – Ele disse, me olhando.
Evitei olhar para ele.
– Que cara?
– Essa ai, cara de quem está sentindo culpa.
Suspirei.
– Se for para ficar se machucando desse jeito, giga ao Sasuke que não vai mais me proteger, eu não quero sua proteção. – Falei magoada.
– Ino, isso não foi nada.
– Nada, Gaara? – Quase gritei. – Sua camisa era branca e ficou da cor do seu cabelo, isso não é nada?
– Está preocupada com a cor da minha camisa? – Perguntou com um ar de diversão.
– Estou preocupada com você, idiota. Isso não é engraçado. – Falei o olhando com lágrimas nos olhos. – Droga.
Olhei para a pista novamente e tirei uma mão do volante, secando os olhos.
Ele riu e, pela primeira vez na minha vida, eu quis dar um soco no lindo rosto de Gaara.
– Qual é a graça? – Perguntei irritada.
Paramos em um semáforo e ele virou meu rosto para ele.
– Obrigado!
O olhei confusa. Obrigado? Ele se machuca todo por minha causa e agradece?
– É a primeira vez que alguém se preocupa comigo.
Ele deu o sorriso mais perfeito do mundo e eu senti o meu rosto corar enquanto me perdia olhando para ele.
Ele me soltou e apontou para o semáforo, com um sorriso convencido. Certamente por ter me feito corar;
– O semáforo está verde.
Me virei para frente e voltei a dirigir. Eu não sabia o que falar. Ele me pegou de surpresa com aquela frase.
– E isso daqui realmente não é nada, já me feri bem mais do que isso perseguindo bandidos.
Assenti e parei na porta da casa do Sasuke.
– Obrigada por me proteger. – Agradeci.
Ele bagunçou meu cabelo com a mão.
– Não precisa agradecer.
Saímos do carro e fomos para a entrada da casa, sendo recebidos por Sasuke. Sakura logo apareceu e me abraçou, agradeceu Gaara pela proteção e disse que se ele precisasse, depois dava uma olhada nos machucados dele. Depois, pegou minha mão, me puxando escada acima.
– Vem comigo, porquinha. Preciso que me faça um favor.
Continua...
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