Pretérito Imperfeito
39 Capítulo XXXIX - Sweet Sacrifice
Notas iniciais
Damon foi guiado pelas escadas do casebre, mantendo sua guarda sempre alta, mantinha Kevin na sua frente, onde pudesse ter uma boa visão de onde ele estava e não pudesse haver nenhuma “surpresinha”.
O lugar era uma pocilga, tudo era escuro no interior da casa, graças às janelas vedadas com lascas de madeira para evitar intrusos na casa abandonada.
No topo da escada, o vampiro pode ver uma clareira. Kevin chegou até a porta de onde saia a luz que estava aberta antes de Damon e fez a introdução.
– Pegue seu prêmio, se conseguir. – Kevin sorria, como sempre.
O Salvatore foi caminhando vagarosamente, com bastante cuidado e se aproximou da porta, conseguiu ver parte de seu interior. A luz vinha do teto, na verdade da ausência dele, algumas telhas estavam despencadas no chão e lá no centro, no meio da luz, Damon pode ver ela.
Juliana estava com um vestido rosa bebê, rodado e de época, igual ao estilo que Giuliana costumava vestir em 1864. Ela estava com as mãos amarradas nas costas e o doente mental do James estava com um braço agarrando-a, prendendo-a de frente para Damon e Kevin, e mantendo-a de costas para ele. James estava sustentando um punhal no pescoço dela.
– Juliana. – Damon disse aliviado por ela estar viva.
– Damon... – A garota disse com dificuldade graças à lâmina em seu pescoço. -... Fuja!
Quando ela terminou de falar isso era tarde demais, Damon havia baixado a guarda pela emoção de reencontrar a amada, o que deu a oportunidade a Kevin, que estava atrás de Damon, de injetar com uma seringa, uma solução concentrada de verbena no vampiro Salvatore.
Damon tentou lutar, mas desmaiou assim que todo o líquido estava em sua corrente sanguínea.
...
Seus olhos embaçados começaram a se abrir, revelando a sua situação atual: estava amarrado como Juliana, com as mãos nas costas, e claro que suas cordas estavam ensopadas de verbena.
Uma corrente de metal, também banhada em verbena, enrolava sua cintura e o mantinha preso ao chão. Quando tentou se levantar notou que a corrente apenas permitia que ele ficasse ajoelhado.
– Ora, ora... Bela Adormecida acordou! – James provocava.
Damon olhou ao redor, ainda estava naquele cômodo no segundo andar daquela casa. Juliana agora estava do outro lado do quarto, presa da mesma forma que Damon, mas suas amarras não tinham verbena, James estava em pé ao lado da garota ajoelhada.
– Vai ficar tudo bem, meu amor... – Damon tentava acalmar a aflição que Juliana expressava em seu rosto ao ver o namorado sempre altivo e invencível, naquela situação submissa e vulnerável.
– Não! Vai ficar tudo bem, MEU amor... – James berrou irritado. Ele completou passando a mão na cabeça de Juliana, a garota por sua vez se inclinou bruscamente para se afastar, ela não o suportava mais.
James ficou surpreso e aborrecido com isso.
– Veja... Não está há meia hora perto dele e já me rejeita, vê como ele te faz mal? – Ele argumentou.
– Não é ele quem está me acorrentando. – Juliana retrucou.
James se calou e ficou encarando-a, ela fez questão de desviar seus olhos dele e voltar a olhar para Damon do outro lado, tragicamente preso.
– Damon... Qual é a COR dos MEUS olhos? – Juliana perguntou enquanto ofegava com um pouco de expectativa.
Damon sorriu ao escutar a pergunta, ele não tinha dúvida de que aquele sonho que tiveram há pouco não era um sonho simplesmente, mas ouvir aquela pergunta o dava cem por cento de certeza.
– Azul. – Ele respondeu.
Juliana sorriu, mas a felicidade de saber que aquele encontro deles fora real a assustava também, agora significava para ela que todos aqueles sonhos e alucinações da outra dimensão com os dois sóis era real.
– Azul?... Depois eu que sou o louco... É claro que são castanhos, os castanhos mais lindos que já vi... E esse é o cara que você me trocou por 147 anos, nem te olha direito... – James interferiu no momento revelação de Juliana.
– Eu trocaria você por ele um milhão de vezes multiplicado pelo infinito. – Juliana o encarou com repulsa, ela não conseguiria atuar para James na frente de Damon.
James arregalou os olhos, depois olhou para o rival e começou a caminhar até ele.
– Vamos ver se trocará depois que eu arrancar membro por membro dele. – O Forbes mantinha seu olhar fixo em Damon. O Salvatore por sua vez, não desviava o olhar mostrando não se intimidar.
– Não! Não faça isso! – Juliana começou a berrar, suplicando por piedade, enquanto o maníaco continuava seu caminho até que chegou a Damon e despejou um soco na face dele.
James estava realmente mais forte graças ao feitiço de Kevin, e se divertia fazendo seu rival expelir sangue através de chutes e socos.
– Pare de “amaciar” nosso convidado! E vá vigiar lá embaixo os que estão lá fora enquanto eu passo um tempinho com eles... – Kevin ordenou ao vampiro que foi retirado de seu frenesi prazeroso. Fazia anos que ele queria dar uma surra em Damon Salvatore, mas obedeceu porque sabia muito bem que o bruxo poderia lhe causar dor ou até matá-lo caso o contrariasse. -... Eu te chamo para se divertir um pouco mais depois, caro amigo.
James deixou Damon em paz e saiu não muito contente.
– Ele é um pé no saco! – Kevin parou com a atuação de “amiguinho” de James.
– Eu que o diga... – Damon disse com as feridas na face começando a cicatrizar.
O bruxo andou até Juliana, soltou a corrente da parede, e a puxou até chegar do outro lado do cômodo, fazendo a “bondade” de acorrentá-la ao lado de Damon.
Eles estavam próximos, mas não conseguiam se tocar, não era bem uma bondade de Kevin, era uma de suas torturas, estando tão perto e não conseguindo sentir o calor um do outro.
– Que tal abrir o jogo e contar o que quer? É me matar?... Se vingar pelo seu papaizinho? – Damon não aguentou mais o teatro de seqüestro e emboscada.
– Eu tentei fazer ele me responder isso várias vezes... Não vai conseguir nada dele. – Juliana anunciou.
– Para falar a verdade hoje eu acordei caridoso, estou totalmente apto a responder perguntas... – Kevin deu mais um de seus sorrisos insuportáveis.
A aura negra de Klaus estava ali, olhava para Juliana com angústia e aflição, e para Kevin com reprovação e desgosto, mas não podia fazer nada por enquanto se não observar.
– Então comece sua historinha! – Damon não sabia se comportar como alguém submisso.
– Tudo bem... – Kevin assentiu. – Para início de conversa, esse seqüestro não se trata de vingança a Salvatore algum... Confesso que assim que bolei o plano eu tinha como uma das missões, exterminar você, seu irmão e todos os que ajudaram a matar Klaus, meu pai... Mas depois que Tio Elijah me contou que fora ele quem acabou realmente com o meu pai, mudei a direção e foquei apenas no principal... – Ele começava a se explicar.
– Que seria...? – Juliana questionou.
– EU ter você, e não o James. – Kevin expeliu.
– Ah não! Mais outro que me quer... – A garota bufou exausta.
– Não, querida, não é para o que você está pensando que eu te quero. – Kevin riu.
– Chegue logo ao ponto! – Damon estava sem paciência.
O bruxo voltou a contar sua história.
–... Primeiramente, qual é a ligação que Juliana tem com Giuliana? – O Mikaelson indagou.
– Doppelgangers. – Damon realmente não tinha paciência. Juliana revirou os olhos, não aguentava mais ouvir esse nome em toda sua vida.
Kevin deu uma gargalhada que demorou alguns minutos, se divertiu com a ignorância geral.
– Aí é que vocês já começam a se enganar... As duas não são Cópias. – Ele disse parando de rir.
– Como não? – Damon disse irritado.
– Seus imbecis... A regra é CLARA, Uma doppelganger é descendente direta da sua anterior... A famigerada Elena existe porque Katerina teve um filho antes de ser transformada em vampira, continuando sua linhagem... Podemos dizer o mesmo de Giuliana? – Kevin falou e voltou a zombar deles.
– Isso é bobagem! – Juliana dizia confusa. – Damon não teve filhos, e tem um parente doppelganger assim como eu!
– Como você sabe que não é apenas um simples parente muito parecido?... E outra, Damon com certeza se deitava com uma quantidade de mulheres antes de virar um vampiro, quem garante que de suas vadiagens não surgiu um bebê que ele não tem conhecimento?... Você garante Damon? Tem plena certeza de que de suas idas aos bordeis da cidade, na sua época de farras, nenhuma prostituta saiu grávida...? – Kevin o pressionava.
– Não tenho. – O Salvatore respondeu frio e calculista tentando entender onde o bruxo queria chegar.
–... Agora, com Giuliana, aposto que a conversa é bastante diferente... Ela já havia dormido com alguém? – Ele indagou novamente ao vampiro.
– Giuliana morreu sem nem ter sido beijada. – Damon respondeu ainda com frieza.
– Então diga logo, o que eu sou dela? – Juliana questionava em total confusão.
– Vamos à história da nossa vida... – Kevin sorriu malicioso. -... Era uma vez, uma bruxa de uma família de bruxos muito poderosos, considerados nobreza pelos humanos da antiga Itália do século XIX... Seu nome era Lilyan Giardini Marcone Santinelli Cesarin, sua família era muito ligada às tradições, então a ofereceu como tributo ao poderoso vampiro original Klaus Mikaelson. Este usava dos poderes de jovens bruxas para tentar encontrar uma forma de fazer um ritual para libertar seu lado lobisomem, pois era um híbrido, com seu lado lobo desativado por sua mãe bruxa, Esther... Convivendo com a linda jovem doce de cabelos ruivos, o gelado coração de Klaus foi derretido e ele se apaixonou pela bruxinha poderosa, ao ponto dele a presentear como uma serva bruxa de menos poderes, Carmela... – Kevin explicava, mas foi interrompido.
– Ainda não vi ligação nenhuma comigo... – Juliana disse impaciente.
Damon sussurrou para a namorada.
– Lilyan era a mãe de Giuliana, e Carmela sua ama... – O Salvatore explicou, enquanto o Mikaelson riu um pouco e voltou a contar a história.
–... A pura Lilyan também se apaixonou pelo cruel Klaus, mesmo sendo contra o seu estilo de vida sombrio. Ela sonhava que podia mudá-lo, mas as ambições do Híbrido eram muito mais fortes... Da relação sobrenatural dos dois, surgiu uma gestação. Uma gestação que gerou três crianças... Como isso é possível? Bem... Vampiros não podem ter filhos, mas Klaus não era um vampiro comum, ele era um híbrido, e pelo que todos sabem, Lobisomens podem ter filhos, até porque é assim que se passa a maldição para seus descentes... Lilyan fugiu dele quando soube de sua gravidez com a ajuda de sua criada Carmela, ela conseguiu o apoio de sua família, que as pressas arranjou um casamento com um humano qualquer antes que sua barriga crescesse, seu nome era Alonzo “Salvatore”... Mas parece até que o idiota se apaixonou por ela; como não, né? Disseram-me que ela parecia, em vida, com um anjo de cabelos de fogo... Mas não adiantou a fuga e o casamento... Klaus a encontrou, ele queria os filhos, e a ela, mas mesmo grávida Lilyan lutou com ele com a ajuda de Carmela, a então senhora Salvatore, era muito poderosa, e ainda por cima tinha em seu poder o grimório mais poderoso de todos: o Grimório dos Grimórios; era uma herança de sua família... Ela não teve coragem de matá-lo, então fez um acordo que partiu seu coração... Lilyan entregaria a Klaus o bebê ou bebês que fossem sobrenaturais... Ela tinha esperança de nascer humano, mas se não acontecesse, Lilyan não teria como explicar para sua nova família, a natureza de seu filho, se esta fosse algo incapaz dos humanos entenderem, e ela queria passar o resto da vida ao lado de Alonzo e ter uma vida normal... – Kevin foi interrompido novamente por Juliana.
– Continua sem ligação alguma comigo... – Ela disse entedia da longa história. Nem percebeu nada sobre “anjos de cabelo vermelho”.
– Deixe-o continuar. – Damon disse, ele estava entendendo as coisas, diferente de Juliana.
–... Klaus infiltrou uma de suas vampiras de confiança na família Salvatore, para garantir que a promessa de Lilyan fosse cumprida... Klaus fez Morgana se casar com o viúvo Giuseppe Salvatore... Quando o parto aconteceu, a vampira auxiliou, nasceu então trigêmeos, Carmela fez um teste assim que cada um nascia, usando o grimório de Lilyan... Esse teste fazia uma leve auréola surgir momentaneamente na cabeça dos bebês avisando suas naturezas, as instruções eram bem claras: auréola verde – bebê bruxo, auréola azul – bebê vampiro, auréola vermelha – bebê lobisomem, auréola amarela – bebê humano... O primeiro bebê era uma menina, sua auréola era azul, uma vampira que Klaus nomeou Kaila... O segundo bebê fui eu, minha auréola era verde... O terceiro e último bebê foi uma menina, sua auréola era vermelha, ou seja, uma lobisomem... Klaus tinha o direito de levar todos os seus filhos, mas apenas Carmela entendia a linguagem do grimório, Lilyan também entendia, mas estava ocupada demais em seu trabalho de parto que não viu nenhum dos testes nos seus bebês; a criada teve pena de sua senhora que ficaria sem nenhum de seus filhos, então ela fez o golpe que alterou TODA a história, ela enganou a todos dizendo que a aura da última criança era a de um humano, ninguém nunca descobriria, pois garantiria que a criança quando crescesse nunca chegaria a matar alguém para ativar sua maldição lobisomem... Morgana entregou a Klaus seus dois filhos e ele sumiu pelo mundo, mas a vampira pretendia ficar mais com a família Salvatore, até ter certeza que a bruxa Carmela não havia os enganado, ela não acreditava em bruxas... Alonzo e Lilyan nomearam a criança que ficou com eles de Giuliana, mas a delicada bruxa de cabelos vermelhos faleceu em seu leito do parto, seu corpo não suportou a quantidade de poder exigida para trazer à vida criaturas tão sobrenaturais... – Kevin foi interrompido por Damon agora.
– Não pode ser... – O vampiro sibilou. – Como você sabe todas essas coisas?
– A sua bruxa Bennett consulta os espíritos dela e eu consulto os meus... Vão me deixar terminar ou não? – O bruxo indagou irritado de tanto ser interrompido.
Damon e Juliana que estavam boquiabertos deixaram-no continuar, afinal o pior ainda estava por vir, a ligação de Giuliana e Juliana.
–... Eu e Kaila tivemos uma vida infeliz ao lado de Klaus, ele não era muito de demonstrar seu amor, e ainda vivia obsessivo com sua fixação de criar híbridos iguais a ele, não se contentava em ter a nós; ainda assim éramos diferentes dele, não tínhamos o gene lobisomem com a gente... E diferente do que vocês devem pensar graças aos filmes dos cinemas atuais, um bebê vampiro não pode viver para sempre, Kaila morreu com 15 anos com a aparência de uma velha de 105, não havia no mundo sangue suficiente que conseguisse mantê-la viva... Então depois disso fui apenas eu e Klaus... Enquanto minha vida se tornou um inferno depois da morte da minha irmã gêmea que amava... Alonzo o padrasto de Giuliana a fazia ficar mais tempo na América do que na Itália para garantir sua segurança... Ela viveu com uma família humana, feliz, cheia de mimos, ao lado de Carmela, que agora era a guardiã do Grimório dos Grimórios, deixado pela nossa mãe... Carmela era uma bruxa fraca comparada a mim e a minha mãe, mas ela tinha um ponto forte, sua clarividência era acentuada, então ela previu que a relação de Giuliana e um dos seus supostos primos seria muito forte num futuro, então tratou de fazer uma ligação de sangue entre eles, para isso se acentuar... – Enquanto Kevin falava, Damon teve uma breve lembrança de um ritual com Carmela e uma Giuliana bebê, mas até agora tinha acreditado que não passava de um pesadelo de infância–... E quando Giuliana viajou para a Geórgia para a casa de sua “amiga” Katherine, Carmela teve a visão de que a morte a aguarda e que ela não poderia evitar, então ela tratou de fazer outro feitiço, que na verdade era um complemento para o que ela havia feito anos atrás com sua protegida e o pequeno Damon. Carmela enfeitiçou Giuliana ligando-a mais ainda ao sangue da família Salvatore, para quando ela tivesse que morrer, não morresse de verdade... Quando Giuliana começou a ser queimada pelo fogo, seu corpo se desmaterializou, ela literalmente desapareceu!... E quando chegasse a hora certa, na época certa, através de uma Salvatore com mais reforço do sangue de Damon ela ressurgiria, minha cara irmãzinha... – Kevin sorriu para Juliana.
– Eu não acredito em você! – A garota berrou em negação, aquilo fazia tanto sentido, mas ela não queria acreditar.
– Ah não?!... Posso provar... Por um acaso você sofre de alguma doença considerada pelos humanos ignorantes, que nãos sabem de nada, como raríssima e terminal...? – Kevin sugeriu.
– Como você sabe? – Ela pulou assustada, sem conseguir negar.
– Meu espíritos camaradas, já disse... – Kevin repetiu entediado. -... Sabe o que é isso? Pois não é doença nenhuma!... É apenas a natureza fazendo pressão para que você volte... Seu lugar não é aqui! A natureza tenta te expulsar do mundo... Essa não é a sua época, você deveria estar morta, mas agradeço por você não estar, só assim posso ter o que quero de você, minha irmãzinha gêmea...
– Não é possível! Você não parece ter 164 anos! – Juliana ainda tentava negar o inegável, não aceitava que ela mesma era Giuliana. Ela tinha ciúmes dessa garota que roubou seu lugar por um mês. – E o seu feitiço? Como justifica ter tentando fazer essa Giuliana dominar meu corpo? Hein?
– Já disse, Você e Giuliana são a mesma pessoa, o feitiço era meu e eu sei para que servia e não era para possessão nenhuma... Não me lembro de ter dito isso... Minhas poções serviam para trazer suas memórias da vida como “Giuliana” de volta para eu te usar... – Kevin explicava e Damon que estava calado e chocado se pronunciou pela primeira vez, depois da revelação do bruxo.
– Não pode ser... Giuliana e Juliana têm personalidades diferentes... – Ele falava quase sibilando.
– Ah, por favor!... Vai me dizer que o Damon de 1864 agia igual ao Damon de agora? Pensei que você teria menos problemas com isso do que os outros... – Kevin disse.
Na verdade, Damon estava num misto de susto com uma pitada de alegria. Ele se sentia culpado por amar as duas, da mesma maneira, mas no final das contas ela era o óbvio, elas eram a mesma pessoa.
– O que você quer de mim? – Juliana berrou ainda abalada pelas revelações. Agora ela se lembrava da mulher de cabelos de fogo e do cara de sotaque, só podiam ser Lilyan e Klaus, a outra mulher, a bruxa, só poderia ser Carmela.
– De você diretamente nada, irmãzinha... – Kevin se aproximou da irmã. – Estranho não é? Seu sobrenome Salvatore-Gilbert e no final das contas não ser nem um, nem um outro, Senhorita Mikaelson... – O bruxo desviou-se um pouco da resposta mais depois esclareceu. -... Eu quero o que é meu por direito, quero o Grimório dos Grimórios, sei que você não sabe onde está, mas eu pretendo te torturar até quase matá-la, aposto que o espírito da sua ama queridinha aparecerá e me dará um sinal de onde posso encontrá-lo... Aposto também que você se encontrou com ela, enquanto dormia... Se eu te fizer entrar em coma, tenho certeza de que a verá outra vez e ela lhe contará, pelo menos... – Kevin explicava seu plano.
– E quanto ao James? Como fará ele concordar com você? – Damon encarou a porta do outro lado do cômodo, Kevin estava de costas para ela.
– Não se preocupe, nunca foi meu plano deixá-lo ficar com você... Daqui a pouco eu desço as escadas e o mato pegando-o desprevenido... Ele não pode nos escutar aqui, sempre escondo um pouco de sálvia nos lugares que não quero que ele escute uma conversa... Considere-o carta fora do baral... – Kevin não conseguiu completar a frase, olhou para o seu tórax e uma mão o havia atravessado e segurava seu coração exposto.
Juliana gritou, de susto e de pavor. A mão saiu do corpo de Kevin e ele caiu morto no chão, revelando o James atrás dele, com sua mão ensangüentada segurando o conglomerado de músculos cardíacos.
– Feche os olhos! – Damon berrou para Juliana.
James soltou o coração de Kevin no chão e disse:
– Eu sempre destruía as sálvias que ele escondia. – Ele disse e Juliana começou a chorar apavorada com os olhos fechados. Kevin havia morrido a centímetros dela.
Damon vira James atrás de Kevin, por isso tinha feito a pergunta sobre o Forbes. Juliana não conseguia porque o bruxo tapava sua visão.
– Não se preocupe, meu amor! Ninguém vai te torturar... – James afastou o corpo de Kevin tirando da frente dela e se ajoelhou no chão, abraçando-a, sujando as costas do vestido de Juliana de sangue. -... Eu não vou permitir isso!
A garota abriu os olhos vagarosamente.
– Eu nunca confiei nele... – James dizia ainda abraçado a garota. -... A ironia de tudo é que todos me chamavam de louco por acreditar que você era a minha Giuliana, e no final das contas era exatamente isso o que você é...
– Ela não é SUA! – Damon rosnou se debatendo nas correntes.
James ignorou o vampiro aprisionado.
– Agora que me livrei desse bruxo que queria empatar nossa vida, chegou a hora. Vamos ficar juntos para sempre! – O Forbes soltou Juliana e tirou duas estacas que estavam presas em seu cinto atrás. — Nós dois vamos morrer juntos, feito Romeu e Julieta!... – Ele mostrava as estacas à Juliana assustada.
– Não! – Damon berrou. – Ela não tem mais sangue de vampiro no corpo, se você matá-la ela realmente vai morrer!
– Já disse! É isso o que eu quero!... – James projetou um chute em Damon. -... Sei que ela morrerá e eu também, não sou um idiota... Nossas almas ficaram juntas para sempre...
James sonhava, mas não fazia ideia que se isso acontecesse não ficariam realmente juntos. Juliana era um ser sobrenatural do bem, ela iria para a dimensão do sol nascente. Já ele era mau, e iria para onde o sol sempre se põe.
– Não! Eu não quero morrer, me transforme em vampira e aí sim ficaremos juntos! – Juliana tentava enrolá-lo.
– NÃO! – James que berrou agora. – Você não faz ideia do quão ruim é ser um vampiro, não quero isso para você... Eu te empalarei primeiro, e você me empalará depois...
– NÃO! NÃO! – Damon se debatia tentando romper as correntes, mesmo que a verbena o ferisse.
– Eu não vou fazer isso! – Juliana falou a verdade, acalmando Damon momentaneamente e irritando James.
– Ah, não?!... Pois é você e eu ou ele! – James se virou para o Salvatore e começou a agredi-lo novamente.
Juliana entrou em agonia e aflição. E quando James estava prestes a cravar a estaca em Damon, ela não resistiu e cedeu resignadamente.
– Eu FAÇO! – Ela berrou antes que fosse tarde demais.
James largou o Salvatore.
– Bem vindo à minha vingança, Damon... Uma vida sem fim onde Giuliana é tirada de você por mim! – O Forbes se levantou.
– Você não vai fazer isso! – Damon ordenou a Juliana. Mas ela estava decidida, ela não permitiria que James o matasse.
– Está tudo bem, Damon... Se eu te amei em duas vidas diferentes, ainda vou amar você em qualquer lugar que estiver... Sempre serei sua em quantas vidas forem necessárias... – Juliana/Giuliana se parafraseou sem saber.
Os olhos azuis do vampiro criaram lágrimas, como se fosse um garotinho.
– Por favor, não! Não faça isso! – Ele suplicava balançando-se bruscamente tentando se soltar, enquanto Juliana era desacorrentada e desamarrada por James.
– Eu te amo, Damon. – Juliana sorriu fracamente para ele.
James posicionou uma estaca em frente ao coração de Juliana e segurava outra entregando-a.
Tudo o que se seguiu foi em fração de segundos. O espírito sombrio de Klaus que havia acumulado certa quantidade de poder de contato esse tempo inteiro, tocou com suas mãos nas amarras de Damon. Uma tocou na corrente e a outra na corda banhada de verbena. As duas coisas que aprisionavam Damon se romperam enquanto o vampiro estava se debatendo tentando se soltar e impedir aquele absurdo. O vampiro pensou que estava livre por seu próprio mérito.
Damon voou em James, afastando-o de Juliana/Giuliana; o Forbes derrubou uma das estacas enquanto ainda segurava outra.
Os dois rolaram e brigavam ferozmente, ao passo que Juliana de uma forma bem suave, conseguiu pegar a estaca que James havia deixado cair no chão.
Ele e Damon trocavam socos. A adrenalina e raiva ajudaram o Salvatore, mas mesmo assim começou a perder, James ainda tinha a força de um vampiro de 300 anos graças a bruxaria de Kevin.
O Forbes conseguiu imprensar Damon contra uma parede, e estava apto para dar o golpe final e matar o rival Salvatore de uma vez por todas, mas uma Juliana desesperada correu até ele na intenção de empalar James pelas costas.
O reflexo do vampiro foi muito mais rápido, os olhos de Damon conseguiram acompanhar cada movimento, mas não conseguiu impedir. James usou a estaca que ia apunhalar Damon em Juliana. Ele enfiou a estaca na barriga dela.
Juliana não viu o que a tinha atingido, apenas sentiu uma dor aguda na sua região torácica e olhando para baixo, viu a madeira que estava penetrada nela.
James ainda imprensava Damon com uma mão, e com a mão livre roubou a estaca que estava não mão de Juliana, antes que ela chegasse a cair no chão.
– Juliana? – Damon desesperado perguntou sem acreditar, seus olhos não piscavam.
– Damon... – Ela disse com dificuldade, deu alguns passos para trás e caiu no chão, ainda viva com os olhos abertos.
– Agora, é a sua vez! – James iria empalar Damon, que estava imobilizado e vulnerável.
Mas no último segundo algo o impediu. Ele havia sido atravessado, no coração, pelas costas com uma lasca de madeira da estrutura da casa.
James se virou para ver quem o tinha atingido antes de finalmente morrer, e ele a viu. Katherine estava em pé, mas nem olhou para ele. A vampira Petrova de 500 anos encarava Damon com pena.
– Por quê? – O Salvatore perguntou, enquanto James caía morto.
– Eu devia uma a você... Sinto muito ter estragado sua vida. – Katherine disse e desapareceu.
Caroline, Stefan e Alaric surgiram na porta.
Damon se ajoelhou no chão, onde Juliana estava deitada.
– Meu amor, não se vá! Não agora, que sabemos de tudo... Por favor, não me deixe outra vez... – Ele suplicava colocando-a em seu colo.
Caroline abraçou Stefan tentando não olhar, Alaric estava boquiaberto.
Juliana tentou levantar uma de suas mãos para tocar o rosto de Damon, mas esta despencou na metade do caminho. Ela, Juliana e Giuliana ao mesmo tempo, havia morrido.
Damon olhou para o céu, através do teto falhado e soltou um grito de dor, que deixaram inquietos todos os pássaros na redondeza da casa.
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