Pretérito Imperfeito
26 Capítulo XXVI - I'm Bringing SexyBack You Ready?
Notas iniciais
Depois de deixar Fernanda, Laiana e Bartholomeu no aeroporto, Juliana pensava que iria voltar para casa, ‘pensava’ porque as outras amigas não permitiriam isso. Elas arrastaram com o carro para o Grill.
Chegando lá, a Salvatore olhava para os lados revistando o lugar com uma expectativa exagerada. Não encontrando “D.” no ambiente ela sentiu dentro de si um paradoxo incrível, ela estava aliviada e decepcionada ao mesmo.
– Quem você está procurando? – Perguntou Caroline com seus olhos cerrados e desconfiados.
Juliana disfarçou.
– Matt, claro!... Até agora ninguém veio anotar nosso pedido...
– Hum... Sei... – Disse Caroline ainda desconfiada.
– Quem mais eu estaria procurando? – Juliana rebateu.
– Nos diga você! – A loira entrelaçou seus dedos sobre a madeira da mesa.
– Urgh! Você está imaginando coisas demais... – Disse a Salvatore-Gilbert recostando-se na cadeira e cruzando os braços de forma birrenta.
– Estou... Estou mesmo! – Caroline ironizou.
Juliana descruzou os braços e suspirou.
– Eu vou sentir falta das meninas... Queria que elas pudessem ficar mais, só consigo pressentir momentos difíceis... – Ela sibilou.
– Ah! Então quer dizer que nós não somos suficientes? – Caroline fechou a cara colérica.
– Não é isso que eu quero dizer, Caroline Ciumenta Forbes! – Juliana deitou-se sobre a mesa e deu um beliscãozinho na bochecha da loira fazendo a rir. – Eu só queria o máximo de amigas possível perto de mim agora...
As três amigas sorriram para Juliana tentando consolá-la, ela sorriu de volta apertando seus lábios.
– Mas onde é que o Matt, se enfiou? – Resmungou Bonnie.
– Deve estar nos fundos do bar se agarrando com a nova garçonete... – Comentou uma Caroline novamente colérica.
– Você não tem direito de ter ciúmes, sabia? – Elena falou olhando para a loira.
– Não é ciúme! — A loira se defendia. – Só acho que depois de mim, ele deveria pelo menos procurar alguém no mínimo do meu nível, para namorar...
– Bem, ficar se agarrando nos fundos de um bar, não é tecnicamente namorar. – Bonnie inferiu.
– Ótima observação... – A loira fuzilou a bruxa com os olhos.
– Okay! Eu mesma vou procurá-lo, afinal essa mesa está na área de atendimento dele... – Juliana se levantou e partiu para o balcão.
Ao atravessar seu percurso, Juliana notou que todos no Grill a fitavam como se ela fosse uma celebridade ou coisa do tipo. Ela ficou constrangida e envergonha de início, mas resolveu ignorar no momento. Chegando ao seu destino, inocentemente escorou no balcão de bebidas ao lado de um homem que ela nem deu atenção.
– Oi Todd... – Disse ela sorrindo gentilmente para o garçom-balconista.
– Oi Juliana! Deseja alguma coisa?... Alguma marguerita? – Disse o cara simpático que preparava drinques.
– Você sabe que eu sou menor e não posso tomar bebida alcoólica... – Ela disse mostrando sua personalidade politicamente correta.
– Isso não te impediu de ‘tomar todas’ na festa das Senhoritas de Mystic Falls... – Todd cantarolou começando a enxugar alguns copos.
– Foi? – Juliana perguntou. – Foi! – Ela se lembrou de Giuliana no corpo dela. – Todos têm o direito de pirar às vezes... – Ela se defendia.
– Claro! – Todd piscou para Juliana — Mas você não pirou, você foi a atração principal!
A menina corou.
– Sim, em que posso te ajudar? – O balconista começava a limpar a madeira do balcão agora.
– Onde está o Matt, estamos na zona dele, e ainda não foi nos atender, e nem vi sinal... – Juliana pegou uma cereja do pote de aperitivos.
– Ah! Ele ligou mais cedo, amanheceu meio constipado... A garota nova está se desdobrando na área dele e na dela, daqui a pouco a mando atender vocês... Em que mesa estão mesmo? – Todd servia agora um pouco de tequila para o homem que estava ao lado de Juliana.
– Na oito. – Ela o informou.
– Pode deixar! – Todd disse e se dirigiu para atender duas meninas que estavam do outro lado do balcão.
Juliana estava prontíssima para voltar a sua mesa, mas foi abordada pelo homem ao seu lado que falava encarando sua bebida, sem se entortar para virar para ela o olhar.
– Você está sofrendo no campo amoroso e está lutando para disfarçar. – Disse a voz masculina um tanto sensual.
– Perdão? – Juliana que já tinha dado um passo a frente, regrediu para escutar aquele estranho.
Ele tomou mais um gole de sua tequila, e só depois de saborear lentamente a bebida entortou-se na cadeira para poder olhar diretamente o rosto de Juliana.
– Deixe-me adivinhar... Hum... Você foi traída. – Disse a voz sensual, que a garota pode ver agora, que condizia com a beleza de seu portador.
– E você está deduzindo isso com base em quê? O tom da minha voz? – Disse a menina em tom de arrogância.
– Ora, ora... Insolência. Isso pode ser bastante atraente na hora adequada... – O homem analisou Juliana dos pés a cabeça.
A garota ficou desconfortável e ruborizou.
– Não vai responder a minha pergunta? O que te faz pensar essas coisas a meu respeito? – Ela tentava manter a arrogância, mas ela falhou por algum motivo.
– Adoraria dizer que eu tenho super poderes, com certeza isso chamaria a sua atenção, mas encontrei outros métodos para observação... – A voz era ludibriante. Ele apontou para frente para o vidro do armário de bebidas.
Juliana forçou um pouco a vista e pode notar que, de certo ângulo, era possível ver a mesa dela e das meninas.
– Suas amigas pareciam querer consolar você, que por sua vez tentava erguer seu corpo numa tentativa tola de demonstrar impessoalidade através de sorrisos amarelos. – Nossa! Como era prazeroso escutar o som daquelas cordas vocais.
– Então você estava me observando. – A menina cerrou os olhos.
Ele riu de uma forma fascinante.
– Estou aqui bebendo sozinho; digamos que não tenho muitas opções para distração... – O homem voltou a olhá-la de cima a baixo.
– Olhar a vida alheia, ótima opção! – Juliana ironizou.
– Não a vida alheia. A vida de uma bela mulher. – Ele retrucou.
A garota corou involuntariamente.
– Mas voltando ao assunto; eu acertei, não acertei? – Ele soltou um sorriso matador enquanto flutuava em expectativa.
– Não responderei a essa pergunta. – Juliana mantinha-se firme. – Você pode muito bem ser um serial killer sedutor que pretende se aproximar de mim para depois me fazer sua vítima...
– Então você me acha “sedutor”? – Ele levantou uma de suas sobrancelhas.
– Não!... Sim... Não! Não foi isso o que eu quis dizer! – A garota se atrapalhava entre as palavras.
Ele tombou a cabeça para traz e gargalhou um pouco. De alguma forma ele sabia o poder que a beleza dele tinha.
– Bem... Uma coisa você acertou, a do “serial killer”. – Ele voltou os olhos para a menina, que arregalou seus olhos, apavorada. – Foi uma piada... – O rapaz precisou esclarecer para tranquilizá-la.

Juliana suspirou aliviada e depois riu na companhia da risada dele.
– Se eu estiver mesmo correto, tenha plena certeza que o homem que te magoou vai se arrepender amargamente, até conseguir se redimir... – Ele voltou a tocar no assunto.
– Não acredito em redenções tão milagrosas. – Juliana já estava se sentindo descontraída perto dele.
– Insolente e cética, hein?!... Você ficaria surpresa com as coisas incríveis que o amor e a paixão conseguem fazer... – Ele olhou intensamente nos olhos da garota. -... Ainda é jovem demais para entender certas coisas... Juliana, não é?
A garota estava pronta para protestar e perguntar como ele sabia o nome dela, mas lembrou quase que instantaneamente que estava conversando com Todd e ele falou o nome dela.
– Você não parece ser tão mais velho que eu assim... E estou em desvantagem, não sei seu nome ainda. – Ela sibilou.
– As duas coisas são verdade, mas você também se surpreenderia com o quanto que as experiências de vida podem nos envelhecer... E quanto ao meu nome, Jo... Jonathan, pode me chamar de Jonathan. – Ele pegou a mão de Juliana e a beijou sem tirar seus olhos dos dela.
– Pois bem, Jonathan. Agora devo deixar sua ilustre companhia e retornar para as minhas admiráveis damas de companhia. – Juliana zombava do jeito dele e de suas boas maneiras impecáveis.
Jonathan riu e entrando no jogo se reverenciou para a saída dela, mas antes que ela pudesse escapar ele fez outro comentário.
– Deveria usar seu cabelo preso às vezes... – Ele falou dando as costas a menina e voltando a sua bebida.
– Como? – A menina que tinha dado um passo a frente regrediu novamente.
– Você tem uma face linda, seu cabelo também é, mas deixá-lo solto sempre pode impedir que as pessoas vejam o contorno das maçãs de seu rosto... – Ele explicou olhando para o copo e não para ela.
– Não, mas obrigada. – Ela recusou a dica.
– É só uma dica para você parecer mais madura e intensa... – Ele disse e voltou a olhá-la com seu olhar sensual.
– Você está tentando flertar comigo? – Juliana não resistiu e perguntou.
– Depende do ponto de vista. – Jonathan disse e sorriu. – Por quê? Você aceitaria um flerte inocente meu?
– Depende do ponto de vista. – Juliana disse roubando outra cereja do balcão e saindo.
Não! Ela não estava flertando com aquele cara novo, mas a tentativa de sedução aumenta o ego de qualquer mulher, por mais magoada e revoltada com a vida que a garota possa estar.
Mas tente explicar essa sensação de exaltação do ego feminino para o Damon que assistia e ouvia toda a cena de um canto bem escondido e reservado do Grill com uma cara bem enigmática. Em seguida, ele se retirou do ressinto.
A menina chegou a sua mesa e foi logo escutando provocações.
– Olha só! Quem já está paquerando novamente, eu pensei que você iria começar a hibernar de tanto que não saía daquele quarto, mas vejamos a saliência da garota... – Caroline provocava.
– Hey! Não é nada disso o que vocês estão pensando... – Juliana sentou-se e encarou os olhos pervertidos das amigas.
– Ah, não?! – Disse Elena — Então me explica o porquê dele continuar olhando para cá.
Juliana olhou disfarçadamente para frente além da cabeça de Bonnie e pode ver que Jonathan a olhava por cima dos ombros.
Notando o olhar dela, ele sorriu também por cima dos ombros. A garota se encolheu para se esconder através de Bonnie.
– Dá pra gente ir embora... – Ela encolhia mais e ficava vermelha. – Acho que ele quer meu corpo nu...
– E você não fez nada por isso? – Bonnie indagou.
– A gente viu você dando corda para ele! – Caroline a acusou.
– Eu não tava dando corda para ele! Tá bom, talvez só um pedacinho de barbante, mas ele tava tentando me seduzir de uma maneira que meu ego estava aumentando... – Juliana confessou já quase embaixo da mesa.
Caroline pegou a amiga pelos braços e a fez sentar corretamente.
– Você vai ter que colher os frutos que ajudou a plantar! – Disse a loira.
Juliana voltava a tentar encolher, mas foi interrompida por Caroline.
– Ele é um gato, para de drama!
– Sim, ele é bonito, mas isso não significa nada. Eu não quero me envolver com ninguém, por causa de Você-Sabe-Quem... – Juliana se livrava dos braços de Caroline que a impediam de escorregar pela cadeira.
– Porque você o ama. – Concluiu Elena, entendendo o motivo da irmã não querer nada com Jonathan.
– Não! – Juliana negou a linha de raciocínio da meia-irmã. – Porque eu o ODEIO.
– Odeia nada! Eu sou expert em odiar Damon; até eu sei que você o ama. – Disse Bonnie.
– Não fale esse nome perto de mim!... E não o amo nada! Pelo menos não mais! Amá-lo é passado. – Disse Juliana se erguendo e virando a cara de Bonnie como uma criança birrenta.
– Ah tá! Não o ama, certo? — Disse Elena. – Então por que o trata como aquele que não deve ser mencionado? Se o odiasse de verdade não teria problema em dizer o nome dele, sabe aquele ditado? Tenha os amigos perto e os inimigos mais ainda...?
– Chega desse assunto, okay? – Disse Juliana e as meninas só cederam porque pensaram ver um brilho de lágrimas surgir nos olhos dela.
– Tudo bem... Mas acabei de perceber que você precisa urgentemente de uma intervenção das amigas, vamos sair daqui agora mesmo e fazer uma festa de pijamas! – Disse Caroline animadíssima.
Juliana não ficou tão animada quanto às outras, ela sabia que as amigas iam obrigá-la a conversar e chorar por Damon, de um jeito ou de outro ela iria dormir com os olhos inchados e não teria escapatória dessa vez.
Então, que venha a festa de pijama.
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