Pretérito Imperfeito
23 Capítulo XXIII - Suit & Tie
Notas iniciais
Amanhecia na cidade de Mystic Falls, o céu estava trocando seu azul escuro pelo alaranjado e o anil.
Damon estava deitado numa ripa de madeira do telhado de sua casa apenas assistindo o dia chegar. Uma de suas pernas estava flexionada, deixando um pé perto do joelho da perna abaixada e o joelho da perna levantada alto, suas duas mãos pousavam cruzadas em sua barriga.
Ele estava distraído com seus pensamentos e nem notou uma figura masculina se aproximando.
– Damon. – Disse ele.
Damon olhou para o lado e notou a presença do irmão.
– Ah, Meu pai! É vem sermão... – Resmungou o vampiro de olhos azuis sentando-se corretamente na ripa do telhado.
Stefan se sentou ao lado do irmão mais velho e disse.
– Não, Damon, não tem sermão nenhum... – Disse ele.
– O quê? Já sei... Então é uma tentativa de surra! Vou logo avisando, você terá que ser criativo, porque o sangue de coelhinho que bebe não garantirá muita dor em mim... Vamos me jogue do telhado! – Damon esperava agressividade.
– Ninguém vai te bater... – Respondeu Stefan.
– O que você quer então? – Damon perguntou confuso.
– Te ajudar a passar por isso, você só pode ter ficado muito descontrolado para fazer o que fez, mas sinto uma ponta de orgulho de você não ter matado ninguém, apesar de você ter sido um canalha, cafajeste, traidor... – Dizia Stefan quando foi interrompido.
– Nossa! Você está fazendo eu me sentir MUITO melhor... – Ironizou o vampiro.
– Desculpe... Mas foi o que você fez. – Retrucou Stefan. – Olha, Damon... Somos irmãos, eu gosto de você e sei que você gosta de mim apesar de negar... E eu me importo com o que você está sentindo, e se eu te conheço bem, você está se amaldiçoando por dentro em várias línguas diferentes...
– Quem vê assim, pensa que somos os irmãos unidos de uma família feliz... – Damon satirizou.
– Nós já fomos... Não finja que não se lembra. – Disse o irmão mais novo.
– Ih!... Isso foi na época que Judas perdeu a sandália de couro de tiranossauro. – Damon continuava zombando.
– Se não fosse por Katherine, nós ainda seriamos muito ligados... – Justificou Stefan.
– Passado é passado, irmãozinho. – Damon disse parando com as brincadeiras por um momento.
– Ainda podemos recuperar o tempo perdido. – Sugeriu Stefan. – Você pode começar desabafando comigo...
– Ah, sim! Você trouxe as agulhas? Enquanto eu te conto, você tricota um suéter para a Elena, e eu posso fazer umas luvas para combinarem ... – Disse Damon se levantando. –... Francamente, Stefan... Se você não se alimentasse de animais peludos poderia se tornar uma vampira velha rodeada de gatos... – Ele bateu nas costas do irmão e saiu do telhado dando um pulo no jardim.
Stefan revirou os olhos, não dava para manter uma conversa séria com Damon, e muito menos se o assunto principal fosse os sentimentos deste.
[...]
Alaric estava no alfaiate provando alguns smokings, e gravatas. Damon, seu padrinho de casamento, o acompanhava, mas não na intenção de cumprir com seus deveres de apadrinhamento, o vampiro estava ali porque queria conversar com alguém, e ele faria isso com seu melhor amigo, não com Stefan.
– Sério Ric, você acha que algum dia ela seria capaz de me perdoar? – Damon dizia colocando uma gravata nele em frente a um espelho, enquanto o alfaiate tirava algumas medidas do Sr. Saltzman.
– Sinceramente, Damon... Depende de muitos fatores. – Disse Ric desconfortavelmente parado enquanto uma fita métrica media sua cintura.
– Que seriam...? – Disse Damon desfazendo o nó da gravata que tinha acabado de colocar e não tinha se agradado.
– Ah, são muitos mesmo! O quão magoada ela ficou... A maneira que ela ficou sabendo da sua situação, e por falar nisso, gostei de você ter tido coragem para falar o mais rápido possível... – Alaric disse.
Damon revirou os olhos, de repente todo mundo estava ficando orgulhoso dele. O motivo ele ainda não captou realmente.
– Sim! Volte aos fatores... – O vampiro bronqueou o amigo.
– Ah sei lá... O tempo, as garotas precisam de tempo e espaço tanto quanto nós homens... Suas tentativas de se desculpar também contam muito... – Alaric fez uma pausa para reclamar com o alfaiate que o tinha espetado com uma agulha. – Ai!
– Espera aí! Eu tenho que dar tempo a ela ou me rastejar pedindo perdão? – Damon disse parando de colocar um blazer Armani que estava quase vestindo.
– Os dois. – Disse Ric.
– Nossa! Você está sendo tão cristalino quanto uma poça de petróleo... — O vampiro terminou de vestir o blazer.
– Aff, bofes! Vocês não sabem nada sobre garotas... – Disse o alfaiate medindo a largura dos ombros de Alaric.
Damon e o Sr. Saltzman pararam de conversar e prestaram atenção no alfaiate pela primeira vez.
– E você sabe? – O vampiro indagou.
– Claro! Eu sou uma garota... Nas horas vagas. – O alfaiate deu uma risada espalhafatosa enquanto os “bofes” o encaravam.
– Então o que eu devo fazer? – Damon perguntou inseguro quando o alfaiate, que media agora o tamanho das pernas de Alaric, parou de rir.
– Uma coisa o bofe tangerina aqui acertou... Depois de uma briga ou rompimento elas ou nós... – Ele deu uma piscadinha para Damon, que ignorou interessado no conselho. -... Precisamos de tempo para odiar vocês, ver os filmes da Bridget Jones e tomar sorvete, TALVEZ a ferida comece a cicatrizar, e aí você só precisa provar que a ama de verdade e que se arrepende infinitamente, então você lança seu olhar azul nela de novo, entendeu bofe graviola?... – O alfaiate disse lançando a fita métrica na direção de Damon, fingindo ser um chicote.
– Acho que entendi... Obrigada, er... Qual é o seu nome, mesmo? – O vampiro agradeceu ignorando a purpurina do vendedor.
– Joshua... Mas pode me chamar de Pâmela! – O alfaiate se apresentou com um sorrisinho e levantou um de seus pezinhos para trás.
Naquele instante, uma ideia nada convencional passou pela mente de Damon.
[...]
À noite, Fernanda havia levado Laiana para espairecer um pouco no Mystic Grill, mas a loirinha apaixonada acidentalmente abandonou a amiga numa mesa quando viu seu Bartholomeu no balcão pedindo bebidas com Tyler.
A triste Laiana — que agora não estava mais tão triste porque sabia que o acontecido entre ela e Damon não havia abalado a amizade de anos dela e de Juliana — olhava para o nada ainda se martirizando pela amiga.
– Quem ousou botar essa ruguinha na sua testa? – Disse uma voz um pouco tímida, de alguém que acabara de sentar-se à mesa da menina.
Laiana sorriu ao reconhecer a face que estava diante dela.
– Chad! – Ela exclamou de alegria.

– Quanto tempo, não é? – Ele disse intimidado pela felicidade que ele não esperava ver nela por causa de sua presença.
– Pois é! Por que você andou sumido? – Ela questionou esquecendo-se completamente do turbilhão dos últimos acontecimentos de sua vida.
– Ah... Você sabe. Todo esse negócio de Katherine, minhas irmãs Amber e Mira, Juliana, e tal... Isso tudo fez com que eu e minha família ficássemos muito reclusos dentro de casa, houve muitas reuniões de família, muitas conversas, algumas decisões foram tomadas... – Ele disse virando seus olhos tristes para o chão. – Ficou decido que nós todos vamos embora de Mystic Falls para um lugar onde ninguém nos conheça...
– Poxa, que situação chata... É uma pena... – Laiana sentou-se na cadeira ao lado da dele e apoiou os ombros dele que estavam cabisbaixos.
– Nossos pais nos deram só alguns dias para nos acostumarmos com a ideia e nos despedirmos de nossos amigos... – Chad disse ainda um pouco tristonho.
– Hey! Eu sei exatamente o que pode te animar... – Disse Laiana tentando colocá-lo para cima.
– O que? – Os olhos humildes dele se encontraram com os olhos acalentadores dela.
– Um bom filme de comédia... Soube que tem uns filmes legais em cartaz, “Os Smurfs”, “Quero Matar Meu Chefe”... – Laiana foi interrompida.
– Smurfei... – Disse ele.
– O que? Você fala a língua dos Smurfs? – Ela perguntou incrédula.
– Sim, eu smurfo muito... Você também smurfa? – Ele questionou Laiana.
– Não, eu não smurfo coisa nenhuma e está decidido... O filme será “Quero Matar Meu Chefe”! – A garota disse soltando uma de suas gargalhadas contagiantes.
Chad riu maravilhado e ficando em pé, ofereceu seu braço.
– Smurfamos então? – O garoto perguntou. Laiana aceitando o braço riu novamente da infantilidade divertida, e eles foram ao cinema.
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