Pretérito Imperfeito

7 Capítulo VII - I'll Be Your Shelter


Notas iniciais
**Esse capítulo contém link de música camuflado**

Giuliana meio perdida, ainda sem se acostumar completamente com os cômodos da sombria casa, conseguiu chegar à sala de estar, onde curiosa tentava adivinhar o que aquelas senhoritas pretendiam com essa visita surpresa.

– Bom dia! – Cumprimentou a mocinha.

– Olá! – Disseram Laiana e Fernanda.

– Espero que tenha descansado bastante! – Exclamou Caroline quase saltitante com vários planos mirabolantes camuflados com seu sorriso malicioso.

– Descansei sim, mas a que devo essa visita inesperada? – Perguntou Giuliana em total confusão e curiosidade.

– Viemos buscar você para fazer compras! – Disse Caroline quase soltando gritinhos de prazer.

– “Compras”? Comprar o que? Desculpem-me decepcioná-las, mas não preciso de nada... – Confessou Giuliana ainda confusa.

Foi nesse instante que uma Bonnie rabugenta resolveu se pronunciar.

– Não vêem que ela não está entendendo nada?! – Refletiu a bruxa.

– Deveras, não compreendo... – Disse a Salvatore.

– Nós vamos levar você para comprar roupas! – Disse Laiana tentando explicar, mas também com um pouco de animação em sua fala.

– O que há de errado com estas? – Perguntou ela mirando o moletom que vestia.

– O que NÃO há de errado com elas?! – Caroline retrucou avaliando o look de Giuliana de cima a baixo com um olhar de crítica da moda.

– A questão é que você querendo ou não está no corpo de Juliana... – Disse Bonnie.

– E ela tem uma vida social a zelar! – Completou Laiana.

– As outras pessoas podem perceber que há algo de errado com ela,... Você,... Vocês,... Ah! Tanto faz – Dizia Bonnie dando um nó em seu cérebro.

– E você deve evitar isso! – Disse Fernanda.

– Como melhor amiga, tenho... – Dizia Caroline

– “Melhores amigas”! – Confrontou Fernanda.

– Que seja!... Temos a obrigação de te ajudar, além do mais, na próxima semana começa o “Encontro das Senhoritas de Mystic Falls” e todas nós precisamos de vestidos! – Disse a loirinha Forbes com o dobro de animação.

– O Encontro das senhoritas de Mystic Falls?! – Expeliu Giuliana surpresa. – Já estive em um há muito tempo... O primeiro de todos para ser mais exata!

– Agora você vai ter que ir nesse também! Não é animador?! – Disse Caroline.

– Nunca estive em um evento desse tipo... – Suspirou Laiana imaginando o tipo de divertimentos e descontrações que podem ocorrer numa reunião desse tipo.

– Esses tipos de encontros ocorrem geralmente em cidades pequenas que ainda mantém certo tradicionalismo... Eu já estive em movimentos como este, em vários, para falar a verdade! E acredite em mim, com o passar do tempo essas convenções fúteis ficam chatíssimas! – Fernanda desdenhou do encontro.

Caroline bufou um pouco irritada, pois não gostou do tom de desprezo na fala de Nanda, fazia anos que a filha de Lys Forbes sonhava em ser convidada para participar desse encontro social tão cheio de pompa da elite feminina da cidade.

– Claro que você fica entediada nesses eventos, você é uma vampira de mil anos! Já deve ter perdido o gosto pelas coisas boas da vida! – Zombou Laiana também irritada tentando defender a festa.

– Mil anos nada! Quase quinhentos e ainda estou na flor da idade! Vocês é que são novas e mortais demais! – Nanda fingiu-se ofendida, mas depois todos soltaram breves risadas com o jeito cômico da vampira mais velha.

Giuliana estava apenas observando as garotas do século XXI conversar e brincar. Elas pareciam ser tão felizes e cheias de liberdade para falarem o que quiserem sem se preocupar com boas maneiras ou convenções tolas da sociedade, que em devaneios sentia uma pontada de inveja e esquecia-se que estava rodeada de uma bruxa, duas vampiras e apenas uma garota humana.

A garota de 1864 despertou de seus pensamentos quando viu a garota — Katherine se aproximar das outras meninas e lançar um olhar desconfiado e quase acusador para ela. Giuliana em sua inocência não entendeu o motivo daquele olhar então simplesmente o ignorou.

– Então, vamos logo fazer as compras? – Perguntou Elena.

– Tenho motivos fortes para acreditar que será melhor não! – Pronunciou-se Giuliana.

– O que? Por quê? – Perguntou Caroline achando um absurdo alguém se recusar a ir fazer compras.

– Temo não ser uma boa idéia seguirmos com esse plano, nunca serei capaz de usurpar o lugar de minha sósia... – Disse a Salvatore.

– Isso é um fato! – Elena disse com um amargor em sua voz.

– Claro que você consegue! Você está no corpo dela! – Disse Laiana instintivamente. – Okay! O que eu acabei de falar ainda soa muito estranho nos meus ouvidos, não consigo me acostumar com toda essa “sobrenaturalidade” de todos vocês!

– Posso estar no corpo dela, mas nunca dará certo, não consigo me comportar como vocês, ou falar esse dialeto cheio de gírias como vocês falam... Nunca dará certo!- A garota repetia.

– Olha, quanto a maneira de se comportar eu posso te ajudar, afinal já estive nas duas épocas, Lai pode te ajudar com a fala, ela sempre foi boa em desenvoltura... – Dizia Nanda.

Caroline pigarreou.

– E o a loirinha aguada pode te ajudar com as roupas... – Completou Nanda.

– Own! Obrigada vovó! – Disse Caroline.

– E o resto é só questão de força de vontade... – Disse Bonnie.

– Não acho que isso vá dar certo... – Disse Elena.

– Mas todas nós nos esforçaremos, pela Juliana! – Disse Laiana.

Giuliana torceu o nariz pensando.

– Então, topa? – Perguntou Fernanda.

– Perdão, não compreendo... – Disse Giuliana.

– “Aceita”*? – Corrigiu Laiana.

– Aceito! – Exclamou Giuliana convicta de que isso talvez desse certo.

– Agora que está todo mundo feliz vivendo no mundo mágico dos pôneis cor-de-rosa, atrás da colina do algodão doce... Alguém pode me explicar quem irá bancar esse banho de loja na ‘fantasminha camarada’? – Perguntou Damon recostado em uma pilastra como se estivesse ali escutando a conversa delas há muito tempo.

Nanda retirou um cartão de crédito do bolso dela, onde estava escrito: “SALVATORE, DAMON”.

– Quem você acha? – Disse ela com uma piscadinha cínica para ele.

As meninas estavam no shopping da cidade se divertindo e distraindo Giuliana. Enquanto Damon permanecia só, em casa, a espera de notícias sobre a saída repentina que Stefan precisou fazer.

O vampiro de olhos azuis observava o lado de fora da casa pela janela de seu quarto. Em uma mão segurava um porta-retrato cuja fotografia era a imagem de Juliana fazendo uma careta para a câmera enquanto lia “Dorian Gray” num bote na casa do lago da família Gilbert (Feriado de 4 de Julho). Na outra mão, o vampiro mantinha uma flor bem surrada e amassada num tom amarelo envelhecido.

Ele segurava suas alegrias, dores e dúvidas existenciais. A vida com certeza era mais fácil para Damon quando sua única preocupação era manter Elena a salvo e infernizar a vida do irmão mais novo.

Por um momento pousou seu olhar na fotografia e deu um breve riso, mesmo tentando esconder era tão ou talvez mais sentimental que o próprio Stefan. Em quem Damon tinha se transformado?

Balançou sua cabeça como se isto fosse fazer desaparecer estas emoções. Levantou a cabeça e olhando pela janela notou um semblante masculino atravessando o jardim da entrada principal da casa, era seu irmão.

Repleto de curiosidade, Damon desceu as escadas ao passo que Stefan entrava na residência. Sem disfarçar sua impaciência para com todo esse mistério, Damon foi logo interrogando.

– Sem rodeios, Stefan, conte de uma vez o que Elijah queria com você! – Disse Ele.

– Paciência é uma virtude, sabia?! – Satirizou Stefan fechando a porta.

– Eu preciso dizer quantas vezes que você não tem graça nenhuma? Vamos lá! Desembuche! – Disse Damon irritado.

Stefan com toda a sua calma – que era terrivelmente aborrecedora para seu irmão mais velho – sentou-se na poltrona principal da sala de visitas.

– Elijah queria nos alertar... Ele teme que iremos enfrentar uma tempestade de desgraças. – Disse Stefan.

– Como assim? O que ele quis dizer com isso? – Damon interrogou novamente.

– Não sei exatamente, ele foi muito vago... Parecia que queria nos prevenir, mas agia como se também hesitasse. – Concluiu Stefan.

– E você não o pressionou? Não o obrigou a falar mais? – Bronqueava Damon.

– O que você queria que eu fizesse? “Elijah, me conte tudo ou eu te mato!”... Damon, nem se eu estivesse com uma adaga repleta de cinzas do carvalho branco, eu seria ameaçador a um original... Se lembra? Eu bebo sangue de animais... – Explicou-se Stefan.

– Não me esqueço disso nem por um segundo, mas você ao menos deveria ter alterado a voz, peitado um pouco! – Retrucou Damon.

– E isso seria uma ótima maneira de agradecer o aviso amigável de um vampiro indestrutível, cujo meio-irmão nós matamos! – Ironizou Stefan.

Damon apenas bufou, Stefan tinha sempre que ser o racional que pensa sempre nas conseqüências.

– Se acontecer algo realmente ruim e não pudermos evitar, a culpa será exclusivamente sua! – Damon lavou suas mãos.

– Claro irmão, quando é que você não joga a culpa de tudo em mim? – Brincou Stefan de sua poltrona.

Damon bufou novamente, não se dignou a responder a provocação, em seguida saiu porta a fora.

Notas finais
Espero que tenha gostado :D