Estou olhando para o papel com a caneta entre os dedos, nada vem em mente, continuo olhando. Penso na vida como ela é. Leio um pouco dos contos da Clarice Lispector, volto a observar o papel com a caneta entre os dedos, diferente, muito diferente. A criatividade que corria a solta deve estar presa. Ou deve estar dormindo, descansando, trabalhou demais. Vejo meus textos antigos, um se encaixa no outro, choro, dou risada, olho as nuvens cinzentas, e continuo a observar o papel com a caneta entre os dedos, nada vem.

Passa o tempo, corro contra ele, minha mente não ecoa nada, é diferente, impossível, cansado, corante. Mas ainda continuo a observar o papel com a caneta entre os dedos. Me digam se eu tenho problemas mentais?

Eu acho que não, é só uma fase, nem sempre a caneta vai estar do meu lado, ás vezes a gente quer algo mas não está na hora, queremos apenas uma pequena palavra para dar inicio, mas nada, nada e nada acontece. Ficamos com pensamentos frios, tudo parece igual, as horas começam a passar mais devagar. Não posso mais lutar contra o tempo, ele já está em meu favor. Fiquei em silencio, e percebi que a vida é mais do que escrever, é observar...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.