Presumo
13 Grover aparece morto
Notas iniciais
Pov – Lira
Fazia quatro dias desde que eu cheguei aqui e conheci o filho de Hermes... — Não, Mercúrio, ele é romano. – E ele não para de me encher o saco.
A concha do acampamento sopra chamando para o jantar e Josh senta do meu lado.
De acordo com Annabeth, é proibido se sentar com outros campistas que não seja do seu chalé, mas essa regra é uma exceção para os romanos que veem nos visitar. Então Josh escolhe sentar bem do meu lado, sendo que há no mínimo quinhentos campistas pelo refeitório.
Ele não para de me cutucar, acho que ele quer me contar alguma coisa. Mas não vou olhar pra ele, ainda estou brava do comentário que ele fez assim que eu “cai do céu” no Acampamento Júpiter.
Pratos com todas as comidas, e copos com todo tipo de bebida – menos álcool – se enche pelas mesas espalhadas. Josh não para nenhum momento de me cutucar, e eu acabo falando parando meu sanduiche no caminho da boca.
– Ai ai tá bom, não sou Touchscreen. O que você quer? – Pergunto brava já.
– Só queria conversar com você.
– Então converse.
– Ainda ta brava? – Ele pergunta.
– Pelo que?
– Por eu ter feito a piadinha do anjo quando você chegou.
– Não, eu nem liguei pra aquilo. – O que é mentira.
– E você também é uma péssima mentirosa. Qualquer dia desses te ensino a mentir melhor, se você quiser é claro.
– Ah, vaza daqui! – Fui grossa? Nem um pouco, ele é irritante, um bonito irritante.
Saio da mesa e vou me deitar antes da fogueira começar.
Pov – Annabeth
Dirijo-me com Percy até a fogueira, o chalé de Apolo já começa a cantar. Os ataques acabaram ontem, mas não deixamos de patrulhar as barreiras do acampamento. Mesmo assim os campistas estão felizes de alguma forma.
Procuro por Rachel que senta ao meu lado.
– Oi, o que ta rolando? – Pergunto a Rachel.
– Oi Annie, oi Percy. – Rachel diz. – Nada, por em quanto.
Não gostei do por em quanto de Rachel, mas decido prestar atenção na fogueira. As chamas crepitam em tons diferentes de amarelo e laranja.
Do outro lado, vejo Piper dando espaço pra Davina sentar, a mesma da um sorriso. Fico feliz, a menina é muito sozinha na maioria das vezes e uma amizade boa como a de Piper não vai fazer mal.
Will Solace de Apolo chama Davina para cantar uma música típica de acampamento. Ela diz que não, que não é boa nisso, mas acaba indo. E ela é boa, logo ela se solta e começa a cantar por conta própria, quando uma nota musical queima em cima da sua cabeça.
Óbvio. Nico a encontrou numa sala de música. Jason disse que ela matou monstros com um tipo de rock pesado na cabeça deles. Grover disse que ela consegue adivinhar várias coisas que ele vai falar. Ela é filha de Apolo, o deus do sol e da poesia.
Os campistas que murmuravam a dias que Lira era a tal filha do sol da profecia agora olham abismados para a cabeça de Davina.
Davina olha pra cima e solta um grito. Piper tentar acalmar ela e falar que ela finalmente foi reclamada, jogando um pouco de charme. A menina suspira um pouco vendo sua nota musical desaparecer.
– Salve Davina Claire, filha do deus dos médicos, da poesia e do sol. – Quíron ajoelha suas quatro patas em uma reverencia. Fazemos o mesmo. – Acho que você deve estar muito cansada criança. Piper leve ela ao chalé de Apolo.
Piper assente e gruda em Davina.
– Vamos continuar com a canção. Uma caixa de leite na parede!
Pov – Nico
– Não é assim que se comanda o Elísio Nico! – As três fúrias sussurram bravas em meu ouvido.
– Me desculpem se eu não morri ainda e não sei como o Elísio funciona! – Repondo bravo.
Já estou aqui á uma semana, meu pai vai e deve voltar a qualquer momento.
– Você tem que fechar os portões toda vez que alguém entra. – Explica Megera.
– E como eu faço isso? – Pergunto.
– Mandando a gente fazer! – Fala a fúria do meio, Alecto.
– Vocês querem que eu mande em vocês? – Pergunto.
– Mas é claro, você esta no lugar do seu pai menino! Quando você vai aprender isso? – Diz Tisífone.
– Tudo bem, então fechem os portões e tire as almas que estão de intrusos ali dentro.
– Até que em fim! – As três respondem em uníssono.
Odeio o trabalho do meu pai, agora eu sei porque ele é meio maluco.
Vou até Hazel que passa dias inteiros intocada no jardim de Perséfone, fazendo algum tipo de receita de romãs.
Há diamantes em sua volta, mas agora não são mais amaldiçoados. Meu pai tirou a maldição dela quando ela salvou várias pessoas com diamantes e rubis voadores na guerra de Gaia.
– O pai deve chegar a qualquer momento, conseguiu fazer a cura? – Pergunto.
Hazel pula do banco e me olha brava.
– Não me assusta assim!
– Desculpa. – Acho que ela esta um pouco estressada.
– Tudo bem. – Ela suspira. — Acho que consegui pegar o jeito. Mas só vou descobrir mesmo quando testar em quem seja que queira tomar essa coisa melosa.
– Sim, e hum, seu cabelo ta com um líquido vermelho por toda a parte.
– Eu sei. Algumas de minhas tentativas explodiram. Essa receita é muito difícil, mais complicada que parece. O pai já voltou?
– Também estava com saudades de você minha filha! – Plutão aparece ao meu lado e da um abraço rápido em Hazel. – Aprendeu a fazer a cura?
– Ah, oi, acho que sim.
– Melhor mesmo querida. Você não tem mais tempo, deve voltar com as romãs e esse mesmo pote que você fez agora para o acampamento. — Perséfone aparece, meio emburrada.
– Meu filho! – Plutão agora na forma de meu pai Hades me da um tapa leve nas costas. – Sua madrasta tem razão. Algo ruim aconteceu com um sátiro, vão agora que daqui eu cuido agora. Se divertiu Nico?
– Nem um pouco.
– Sabia que você ia adorar! Vão!
Apareço no acampamento com uma Hazel com um pote na mão, uma mala pequena nos pés e um cabelo cheirando a romã.
Há algum tipo de movimento no meio da arena. Vários campistas estão em um círculo em volto alguma coisa.
– Grover! – Hazel vai correndo para o meio da arena e eu a sigo.
Pov– Davina
Coloco uma camisa laranja com uma calça de barra dobrada, um all star branco e saio do banheiro. Vejo do outro lado do pátio É e sua irmã, Hazel, que parece não estar tão bem. Ela sai correndo no meio de uma multidão com É logo atrás dela. Me aproximo e vejo uma menina com orelhas pontudas e uma trança caindo de um lado, prendida com ramos de galhos e folhas – uma dríade, penso – de joelhos segurando a mão de algum sátiro que não consigo reconhecer. Hazel se senta ao lado dele e pede para todos darem espaço, me aproximo mais pra ver quem é, é Grover.
– Grover! — Saio correndo abrindo espaço entre a multidão, o que não é difícil, levando o fato que todos evitam ficar perto de mim. – Me deixem passar!
Chego á cinco metro de Grover e paro. Ele parece morto.
– Céus! – Corro em direção a ele quando Hazel diz.
– Segurem ela!
Uma mão fria segura meu braço. Agora estou chorando desesperada tentando chegar perto do meu primeiro amigo que não tinha morrido, até agora.
– Me solta seu imbecil! – Viro e dou um tapa na cara pálida de um menino de olhos negros. Acabei de dar um tampa em É que pareceu assustado, mas não me soltou. – Me solta seu idiota!
– Você vem comigo. Clarisse me ajude a levar ela a Casa Grande.
Tento me soltar de tudo que é jeito, mas É me segura firme e quando uma menina grande com mãos de um lutador segura o meu braço direito e me ergue do chão, eu sei que não vou conseguir me soltar, mas continuo debatendo minhas pernas.
Entro na casa grande agora chorando duas vezes mais. Como eles não deixam eu chegar perto do meu amigo?
Clarisse e É me soltam dentro do quarto que eu frequentava. Clarisse pega um copo de água gelada e da á É que acena com a cabeça e encosta a porta. Quando ele se vira pra mim eu já estou sentada na cama, com as cabeça entre as mãos.
– Bebe um pouco de água. – Ele fala.
Não pego o copo nem respondo.
– Você pode me odiar agora, eu não ligo, mas você tem que se acalmar antes de ver Grover.
– Ele tá morto Di Ângelo, morto! – Digo olhando pra ele e chorando, enterro a cara nas mãos de novo.
– Não, não esta.
– Como você sabe? – Pergunto.
– Eu meio que consigo sentir quando alguém morre. E ele não morreu. Hazel pode curar ele se a receita dela estiver dado certo.
– Se?
– Olha, toma um pouco de água.
Pego tremendo o copo e tomo. Estou mais calma já, mas as lágrimas ainda correm pelo meu rosto.
Viro-me para É e vejo que seu rosto está vermelho. Acho que ele percebe porque faz uma careta de dor.
– Você mereceu. – Falo por fim.
– Não, mas vou deixar que sim.
É se senta ao meu lado.
– Grover vai ficar bem. – Ele fala em uma voz tão calma que até eu me surpreendo.
– Não, não vai, você não entende? Todos os meus amigos, TODOS, ou até mesmo aqueles que tentam ficar perto de mim acabam morrendo, se é minha culpa ou não, eu sempre tenho um dedo na história. Agora por favor, se afasta de mim antes que você morra e me deixa sozinha! – Digo a última coisa meio que em um grito e choro. Ele não se move.
– Não, não saio. Acho que eu não vou morrer por ficar perto de você. Já foi reclamada? – Ele me pergunta. O que isso tem haver?
– Já Apolo, e agora você poderia me deixar sozinha?
– Calma, só estou tentando conversar.
– Argh!
Me dirijo até a porta e tento abrir ela.
– Abre essa porta! – Digo.
– Não posso, Clarisse trancou ela por fora.
– E como vamos sair daqui?
– Você eu não sei, mas eu vou pelas sombras. Pedi pra Clarisse chamar Lira e Piper aqui e ficar com você até se acalmar.
– Eu já estou calma. – Falo na voz mais calma que tento fazer.
Não deve ter saído muito bem, porque o filho de Hades apenas nega com a cabeça.
– Não, não esta.
– Você é irritante!
– E você é mimada.
– Sai daqui!
– Eu saio, até porque não aguento mais ficar ouvindo você reclamar.
Tento falar que não ligo, mas nada sai da minha boca. A verdade é que eu ligo. Eu quero que ele fique aqui. Ao invés disso falo.
– Vai. — E ele desaparece em escuridão.
Me deito na cama que eu dormia antes de me mudar pro chalé de Apolo e choro silenciosamente. Sou uma prisioneira agora.
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