Presumo
20 Eu morro
Notas iniciais
Pov – Piper
Fui me deitar quando o meu turno acabou. Annabeth, Percy, Hazel, Heitor, Calypso e Jason pegaram o segundo turno.
Antes de me deitar, ouço uma batida na porta.
– Pode entrar. – Falo.
Nico abre a porta e entra.
– Ah, Piper... Queria te perguntar alguma coisa. – Ele começa a explicar.
– Senta aqui do meu lado e pergunte. – Falo.
Nico se senta um pouco longe, mas não posso deixar de notar o quanto ele mudou desde a última guerra. Ele parece mais amigável.
– Em, eu sei que você não é a melhor filha de Afrodite quando o assunto é amor. Mas que conselho você daria a um menino que pode estar na linha de perder alguém sem nem ter começado essa linha?
Penso um pouco em que pessoa Nico possa estar falando em especial. Bingo.
– Davina é? – Pergunto.
– O que? Não! – Nico responde assustado. Sim é ela. – Claro que não.
– Ok. Não é então. – finjo acreditar. – Dependendo do que aconteceu acho que deveria começar com um diálogo. Conversar sempre é bom.
– E se essa pessoa não quiser ouvir?
– A faça ouvir. Não a relacionamento sem conversa.
– Ah, ok. Vou falar pro meu amigo tentar isso... – Aham, amigo. – Obrigado Piper.
– Não á de que. E Nico. – Nico se vira antes de sair. – Não tenha medo de se apaixonar. O amor não é a pior batalha da vida.
– Ahamm, claro.
Vejo Nico fechar a porta da minha cabine e durmo.
No meu sonho estou em volta a uma ilha preta e quando digo preta, é tudo preto.
A única luz é de uma fogueira que parece estar cozinhando algo... ME cozinhando.
Ouço a minha voz ao longe, logo não é a minha voz. Ouço a falsa voz imitação barata da minha, chamar o nome de Jason desesperadamente. Ciclopes.
– Jason, me ajude! Ciclopes Jason!
Tento gritar que não sou eu e pedir para Jason não vir, mas minha boca está selada, ou melhor, eu não tenho boca.
Acordo em um grito e vejo pela janela que já estamos no mar.
– Piper, você esta bem? – Jason bate na porta da cabine.
– É estou... – Minto.
– Depois você me conta o que aconteceu Pipes, o pessoal já esta se reunindo no convés. – Jason fala indo embora.
Arrisco dar uma olhada em Katoptris: Uma névoa preta e escura aparece em seu espelho. Resolvo guarda-la, me arrumar e partir para o convés.
Pov – Hazel
O meu animo não estava os melhores como o do resto do pessoal. Dezenas de venti atacaram o Argo II ontem e o que me parece, Leo não tem boas notícias.
– Pessoal. De acordo com Festus demoraremos duas vezes mais para chegarmos ao México pelo mar. Teremos que contornar as ilhas da Flórida e tomar cuidado para não sermos arrastados ao Mar de monstros. – Leo explica.
– Que saudades daquele lugar. – Percy comenta.
– Nem me fale. – Annabeth concorda sarcástica.
– Piper. Você andou vendo alguma coisa na adaga? – Pergunta Frank.
– Ah, não. Nada de importante ou de ajuda. – Piper responde.
– Hum, mais alguém? – Josh pergunta.
– Eu andei sonhando... – Davina começa. – Não entendi como era o sonho bem.
– Conte pra gente. – Calypso pede.
– Ah, hum. Eu vi um menino que não pude ver o físico ou cara, e algo muito ruim aconteceu com ele... Não sei quem é.
Percebo que metade da aura de luz que sentia em Davina — sendo filha do deus do mundo inferior – sumiu e me pergunto o que aconteceu com ela.
– Acho que devemos descer nessa ilha. – Frank observa.
– Não tem nenhuma ilha a um raio de quilômetros daqui Zhang. – Leo fala.
– Tem sim, olhem.
E realmente tinha. Uma ilha gigante estava atrapalhando a nossa passagem.
– Mas essa ilha não estava ai á cinco minutos! – Leo bate o pé.
– Deve ser algum truque da névoa ou coisa do tipo. – Meu irmão Nico aparece me assustando.
– Nico! – Piper pula de susto.
– Desculpa. – Nico diz. – Frank tem razão. Se ela apareceu assim tem algum motivo.
– Vamos mandar um grupo pequeno pra checar. – Frank fala. – Acho que a mulher ali não vai deixar a gente passar sem falarmos com ela.
Olhei na direção que Frank estava olhando e não havia nenhuma mulher.
– Frank, — começo – não tem ninguém ali.
– Tem sim, você não vê? – Frank questiona.
– Eu vejo. – Davina diz. – Frank, temos que ir falar com ela.
– Não! – Piper e Jason gritam ao mesmo tempo.
– Pessoal o que vocês não nos contaram? – Percy pergunta.
Jason e Piper se olham por longos segundos até que finalmente Piper fala.
– Eu vi na Katoptris uma ilha assim, só que na adaga a areia era preta, aliás, tudo era preto...
– Havia Ciclopes. – Jason termina.
– Sim, como você sabe?
– Eu meio que sonhei com isso. – Jason admite.
Piper concorda com a cabeça e continua.
– Também havia uma fogueira...
– Má Gasket? Por favor, diga que não. – Leo pede.
– Não. Era outro Ciclope. Não faço ideia de quem ou qual. – Piper termina.
– Acho que essa não é a ilha. Algo pior, bem pior. – Davina diz.
– Então você quer ir mesmo para a ilha sabendo que pode morrer? – Nico pergunta.
– Davina você não pode ir! – Lira argumenta.
Pergunto-me o que está acontecendo entre esses três porque Davina simplesmente os ignora e sobe as escadas.
– Davina, você tem certeza que quer ir? – Annabeth pergunta.
– Sim. Tenho, eu não sei porque, mas tenho que ir.
– E eu vou junto. – Frank afirma.
O que esta acontecendo? Desde quando Frank se oferece a missões suicidas?
– Frank... – Começo, mas logo sou interrompida.
– Hazel eu vou voltar.
– Espero mesmo Zhang, porque você ainda me deve um skate pela nossa última aposta... – Percy fala.
– Percy! – Annabeth da um tapinha no braço do filho do deus do mar.
– Ai, tudo bem. – Ele passa a mão pelo braço.
Frank solta uma risada e eu não posso deixar de ficar preocupada com ele. Um fardo que ele não poderá carregar.
– Vamos? – Davina pergunta soltando a corda e descendo.
– Vocês não vão fazer nada? – Lira grita. – Nem você Di Ângelo?
– É a decisão dela... – Nico começa.
– Não interessa! Heitor você não vai fazer nada?
– Nico disse bem maninha. É a decisão dela...
– Argh! — Lira sai pisoteando.
– Já vou e volto. – Frank beija minha testa e vai.
Pov – Frank
Quando finalmente chegamos á praia a mulher fez um sinal para que a seguíssemos para dentro da floresta.
Após trinta minutos de caminhada Davina fala.
– Você sabe quem ela é?
– Não, faço mínima ideia. Ela não piscou por nem um segundo ainda.
– Eu percebi isso também. – Davina comenta.
– Chegamos meus queridos! – A mulher se pronuncia pela primeira vez.
Sua voz é estridente e um pouco cansada, atrás dela á uma enorme caverna escura e preta.
– Você quer que a gente entre ai? –Pergunto.
– Mas é claro! Ou seus amigos não passarão daqui. Mesmo que eles tentem contornar a ilha ela nunca vai acabar. E eles não podem voar, que pena. – A mulher faz biquinho sem piscar uma única vez.
– E quem é você? – Davina pergunta.
– Ah minha linda, ouvi falar muito de você. Davina Claire, Apolo não é? Só vou me apresentar depois. Não tema a mim. Agora temos que entrar se querem continuar com a missão.
Olho pra Davina que acena com a cabeça. Entro na caverna e não vejo quase nada, só o brilho nos olhos da mulher.
Davina coloca sua mão sobre meu pulso apertando ele forte.
– Eu detecto seu cheiro meu amor. Eu não vou matar você, só estou a fim de conversar.
Viro-me e onde era a porta, agora é apenas um vazio.
– Por que a porta desapareceu? – Pergunto.
– Privacidade. Ninguém pode saber o que está acontecendo aqui. – A mulher acende uma vela. – Agora eu me apresento a vocês. Meu nome é Lâmia rainha de Líbia, ou como era conhecida.
Estremeço. Annabeth me contou uma história de uma rainha da Líbia que foi amaldiçoada por Hera, a mesma estava com ciúmes de Zeus... Não pode ser.
– Detecto o medo também. Frank Zhang. E você querida já sabe quem eu sou?
– Não... – Responde Davina apertando meu pulso.
– Ora! Sou Lâmia, a que foi amaldiçoada por Hera por injusta causa. Sou conhecida por devorar crianças. Mas não temam a mim. Não esta na hora de você morrer Davina Claire. Contudo você terá que ficar nessa caverna vivendo comigo até o mal passar.
– E porque você acha que eu ficaria aqui com você? – Davina pergunta.
Com um baque Davina desmaia e pela pouca luz que vejo sua cabeça parece sangrar.
– Ela está morta Zhang. Agora ela não irá mais trazer problemas.
– O que? – Grito o mais alto do que esperava.
– Você vai aparecer no navio novamente. – Lâmia explica em quanto me ajoelho ao lado de Davina que esta gelada. – A ilha vai sumir. Davina não trará mais problemas.
Antes que eu possa protestar apareço no navio com sangue nas mãos e a ilha desaparece.
Os onze veem correndo em minha direção e olham fixos em minhas mãos.
– Onde esta Davina? Frank! – Nico cambaleia desesperadamente em minha direção. – Cadê ela?!
– Cadê a Davina Frank Zhang? – Lira e Heitor veem correndo gritando.
– Eu... Eu... – Ainda não acredito no que aconteceu. – Eu não sei.
– Como assim não sabe? – Piper grita.
– Gente calma! Deixa-o falar! – Annabeth pede.
– Conhecemos uma mulher chamada Lâmia. Entramos em uma caverna e Davina apenas caio no chão dura. Davina...
– Não se atreva a falar isso! – Lira começa a chorar.
Vejo que todos me olham com raiva e preocupação. Ao longe vejo Nico e o que parece uma lágrima, ele corre direto a sua cabine.
– Frank, vai se lavar e depois você nos conta mais calmamente essa história. – Hazel diz friamente.
Aceno com a cabeça ouvindo os gritos de Lira e os protestos de Heitor e vou para o chuveiro.
Pov – Nico
Assim que ouvi a noticia que Davina estava morta literalmente chorei. Fiquei pensando na menina que não tive a oportunidade de ter, a menina que só agora percebo que amei.
Percy bate na porta avisando que todos já estão reunidos. Não quero ir, quero ficar aqui para o resto da minha vida. Contudo quero matar Frank Zhang.
– Então, sem brigas, pessoal. Frank o que exatamente aconteceu? – Annabeth pergunta.
– Bom, seguimos a mulher ate uma caverna onde ela disse que se não entrássemos não conseguiríamos passar com o navio para o outro lado. Davina disse para irmos. Quando entramos a mulher se apresentou e Davina só caiu dura no chão... E a mulher... Tirou-me da caverna e me trouxe aqui. A ilha sumiu. Davina morreu.
Ficamos em silencio ouvindo Lira chorar e Heitor a consolar. Vejo que todos estão chorando em silencio. Não consigo. Entro na minha cabine e me tranco.
Pov – Davina
– Ele já foi. Pode acordar. – Escuto a voz de uma mulher triste e me levanto.
Quando olho pro chão onde estava deitada vejo sangue seco.
– O que você fez comigo?
– Ah, eles devem pensar que você esta morta até o momento certo. Eu disse para você não temer. Eu só quero que minha maldição acabe.
– Eles devem estar tristes! Nico...
– O menino que você ama? – Lâmia pergunta. – Ele vai te encontrar.
– Eu não amo Nico! Eu pre-ci-so voltar! — Bato o pé brava.
– Você voltara, mas não agora. – Lâmia fala e toda a caverna acende.
Vejo um sofá de couro preto, uma cama e uma mesa.
– Você morará comigo até o ataque maior passar. Os que atacarão irão pensar que você esta morta e não a levarão.
– Mas me deixa avisar eles! – Falo.
– Você não pode. Agora vem, vou te ensinar a usar seus poderes.
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