Presságio

1 Capítulo Único


Notas iniciais
♦ Boa noite!! ♦ Gente, essa é minha primeira fanfic da categoria, espero que gostem. ♦ A narração é em primeira pessoa (Sasuke) - só para não ficar confuso, ok ? ♦ Espero que gostem...

Lembro quando a vi passar cabisbaixa, com cabelos amarrados em um coque bagunçado, atendo seus olhos verdes à planilha de algum paciente que, devido ao seu suspiro e inquietação, parecia problemático.

― Preciso que encaminhe este aqui da ala cardiológica para um psiquiatra.

Sua voz soou e... Raios! Dizer que parecia a de um anjo na Terra era um eufemismo.

― Senhor, o quarto é o 404. – ouvi, ignorando a recepcionista por estar imerso na feição da médica que não conseguia esconder nenhum misero sentimento – estava aflita. Flutuei na energia pura que me transmitia, sendo surpreendido quando me encarou e sorriu.

― Conhecido dos Uzumakis? – concordei, tomando nota que o questionamento não parecia algo muito profissional e sabendo a resolução, optei por não prosseguir, acenando com a cabeça e seguindo meu rumo ao quarto.

Não era da sua conta se conhecia Naruto ou não.

― Poucas palavras... Entendo. – sussurrou, percebendo que a tensão do elevador ficava mais e mais carregada até chegarmos ao quarto andar. Nesse meio tempo, de soslaio, notei suas unhas bem feitas batucando persistentemente a prancheta abarrotada de anotações – me incomodando com o barulho – seguindo até seus lábios delicados que eram mordiscados – estava ansiosa.

Era irritante, mas fofa.

― Está me seguindo? – finalmente abri meus lábios, deixando as palavras saírem com naturalidade, parando em frente à porta do leito e virando meu corpo em direção ao seu.

Usava um jaleco tão limpo e branquinho que parecia ser apenas uma peça para desfilar no hospital, além disso, seus olhos eram muito mais chamativos do que deveriam, donos de um verde-água tão profundo que hipnotizavam – sendo inconveniente.

Pareceu surpresa já que seu rosto não permitia que os aspectos lhe escapassem o momento. Mesmo assim sorriu, sendo extremamente polida, exercendo seus anos de faculdade com maestria, afinal, se ela realmente era uma médica teria de saber agir com a estupidez alheia. Sim, digo estupidez porque aquela era minha atitude.

― Me desculpe, mas esse é meu paciente. – concluiu, apontando o nome dele em sua prancheta e sorrindo. Seu sorriso era insuportavelmente agradável, mas o fato de me deixar constrangido em menos de cinco minutos era ainda mais. Estático, refleti por alguns segundos enquanto lhe dava passagem para entrar no quarto, me recompondo ao mesmo tempo. Que burrice! Ela era uma médica em um hospital, entrando em um quarto. O que me faz pensar que esta atrás de mim?

―Sakura-chan! – a voz empolgada de Naruto ao vê-la, era tão perturbadora quanto à situação em si e me deparar com ele daquela forma – tão receptivo como sempre – mesmo que em um momento tão delicado quanto o câncer terminal, me fazia ter o sangue fervendo em minhas veias ao passo que estalava minha língua ao céu da boca, chamando sua atenção ― E Sasuke!? – seus olhos brilharam infantis – Que surpresa agradável!

― São amigos? – indaguei sem rodeios ou expressões, ao perceber a intimidade com que o loiro se referia a sua médica, diferente de Sakura que parecia muito satisfeita, rindo baixinho.

― Então, ele realmente sabe falar... Por um segundo me preocupei... – brincou, anotando os sinais de Uzumaki, enquanto o mesmo mantinha-se calado, atendo-se a cada detalhe mesmo que eu o encarasse sério, não entendendo porque ficara tão silencioso repentinamente e antes que pudesse interrogá-lo, ela concluiu ― Estudamos juntos no colégio...

― Não me lembro dele falando sobre você.

― Digo o mesmo. – e uma vez que a veia saltara bem no meio de sua testa, percebi sua irritação, tão transparente quanto um copo de vidro vazio, diferente de mim, que não me irritava ao saber que Naruto não comentara sobre mim para os outros – nunca fui fácil, então deveria ser um inferno arrumar qualidades para se compartilhar. Dei de ombros, caminhando até o lado de sua cama, percebendo que agora sorria radiante, como de costume.

Um idiota.

― E então Sakura-chan, como estou? – o silencio era apenas interrompido com o batucar em sua prancheta e, novamente, deixava claro estar receosa com algo. Seus olhos rolaram, não devia ser fácil para ela, tanto quanto não era para nenhum de nós, mas como seu trabalho, teria de fazê-lo.

Ela deu uma ultima olhada no papel em suas mãos que tremiam. Merda. Merda. Não queria estar em seu lugar naquele instante. Inspirou o mais profundo que pode, colocando o fio cor de rosa atrás de sua orelha e demonstrou seu melhor sorriso, senti a dor antes mesmo de levar o choque.

― Naruto, seu tratamento não vem mostrando mais resultados positivos... Na verdade, ao que apontam os exames, seu câncer vem progredindo rapidamente – engoliu em seco, chegando perto dele, ficando a minha frente. Tremula, ela já não segurava mais o papel com todos os detalhes, afinal, não valia a pena compartilhar tudo aquilo para alguém que já havia sido sentenciado e eu entendia seu ponto. ― Em estágios como este não daria ao paciente mais que uma semana de vida, mas eu te conheço, sabe? – mostrou um sorriso piedoso e amável, enquanto seus olhos se enchiam de lagrimas e mesmo assim não os desviou nem por um instante dos azuis dele ― Eu sinto muito – apertou forte a mão do amigo, não contendo as lagrimas que não paravam escorrer, provavelmente com raiva pelo que estava por falar ― Não há nada que eu posso fazer a partir daqui...

Inconcebível. Impossível. Inexplicável. Inadmissível.

Essas eram as palavras que vinham a minha mente no mesmo instante em que Sakura terminara sua noticia.

Mudo e sem qualquer tipo de consolo digno para ofertar a qualquer um naquele leito, nem mesmo para mim, apenas pensava como minha vida poderia ser irônica e a de Naruto injusta.

Nada preencheria o buraco que estava se formando em meu peito, perfurando minha pele, músculos, ossos, até meus órgãos – se não minha alma – gerando uma dor ardente e inconsolável que havia sentido uma única vez, quando meu irmão havia morrido... Naquela época, conheci Uzumaki. Um retardado mental que falava qualquer coisa para me alegrar e não parava até me ver sorrindo.

Apareceu na minha vida como bom pressagio, e tão rápido quanto havia se tornado meu irmão de coração, agora se despedia.

― Oe Oe, vocês dois... – disparou, chamando nossa atenção após um minuto da tormenta silenciosa, aparentando uma calmaria surreal, sem nem ao menos deslizar por um instante no choro compreensível. Vidrei meus olhos negros e profundamente perdidos em seus, assim como aquela médica que por um instante parara com o choro sofrido ― Eu estou feliz em tê-los como amigos, sempre me deixaram muito feliz mesmo... Mesmo assim, sinto vocês se perdendo em seus mundinhos e isso me preocupa, sabe? Até mais do que esse meu finalzinho trágico. Por isso, tenho um ultimo pedido.

A surpresa era tão intensa para mim quanto para Sakura que estava estática, arregalando seus grandes olhos na direção dos dele. Naruto estava a beira da morte, com os dias contados, e mesmo assim prevalecia com a teimosia em pensar nos outros mais do que em si mesmo. Suspirei, acenando positivamente ao perceber que ele aguardava uma resposta da minha parte... com a promessa de que realizaria seu desejo independente de qual fosse, e logo sorriu levado, fechando os olhos alegres, finalmente sibilando com euforia a cada sílaba.

― Sakura-chan quero te apresentar meu amigo da faculdade, Sasuke. – franzi o cenho imediatamente, até porque aquelas apresentações eram desnecessárias, mas a surpresa vinha na sequencia, o que me fez ficar perdido por exatos trinta segundos, assim como ela pelo visto ― Ele é difícil, mas por favor, aceite sair com este bonitão. Sei que não vai se arrepender.

― Naruto! — a retalhação viera em uníssono e mesmo assim ele apenas riu, dando de ombros. Seu pedido desbocado parecia lhe trazer paz em seus olhos intensos como o céu limpo, desenhando um sorriso satisfeito com nossas caras petrificadas.

Fitei a garota novamente e ela fazia o mesmo, já sem nenhuma lagrima em seus olhos, mordiscando seus lábios molhados e piscando repetidas vezes enquanto parecia fazer uma analise geral do produto que estava lhe sendo oferecido. Virei os olhos, era era muito transparente ― estava receosa. Mas dessa vez tive de concordar, até porque, eu também estava.

Notas finais
♦ Então, o que acharam? Não me matem e não se esqueça de comentar, por favor! Gostaria de saber como me sai nessa categoria... sem contar que comentários inspiram (e muito) !! ♦ Muito obrigada por lerem ! Até uma próxima...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!