Presságio [Klaus/OC]
37 Please, stay
Notas iniciais
"We could have been so good together. We could have lived this dance forever, but now who's gonna dance with me? Please, stay." Careless Whisper - Seether
O sol já estava se pondo quando Trina retornou a ligação de Klaus pedindo para que ele levasse-a ao lugar planejado.
– Respira. – Rebekah dizia a ela. – Se concentre nisso Samantha.
– Vamos. – Klaus pegou-a no colo. – Já está tudo pronto.
Klaus colocou Samantha no banco traseiro com Rebekah e dirigiu o mais rápido possível.
A breve viagem não demorou, pararam no que deveria ser o limite da cidade.
Rebekah olhou para fora vendo apenas árvores e mais árvores...
– Mais um ritual aqui? – arqueou a sobrancelha.
– É Rebekah. – Klaus desceu do carro pegando Sammy novamente. – Não faço as regras.
*
– Coloque-a nesse circulo. – Trina pediu ao vê-los.
Havia uma humana. Uma médica.
– Já estava preocupada que não tivéssemos uma. – Rebekah murmurou.
– É apenas uma forma de garantir que tudo sairá bem. – Trina disse á ela.
Samantha mantinha os olhos fechados, respirando fundo. A dor parecia insuportável até mesmo para uma meio-vampira que já havia testado – quase – todas as maneiras de sentir dor.
Perguntou-se mentalmente como meros humanos lidavam com isso tão bem.
Ouvia ao longe as vozes de Niklaus e Rebekah sem poder distinguir o que de fato eles falavam.
– Samantha, olhe para mim. – a voz de Trina soou mais perto.
Lutando contra a vontade de mantê-los fechados, os entreabriu focando o rosto dela.
– Agora você precisa respirar fundo e empurrar. – disse com cautela.
Samantha fez o que foi pedido.
Ela jamais saberia como explicar o que sentiu naquele momento.
– Faça de novo, Samantha. – foi a vez da médica dizer. – Já posso vê-lo.
Samantha fechou os olhos repetindo o movimento anterior.
Sentiu uma mão se fechar sobre a sua, olhou para o lado.
– Você consegue. – Niklaus disse. – Apenas respire e continue.
Samantha se concentrou nos sons. Havia tantas pessoas ali. Tentou ver quem era ao longe.
– Por que todos esses híbridos estão aqui? – perguntou a ele.
– Parece que antes mesmo de nascer nosso filho já exala esse Poder incrível. – Klaus disse sorrindo admirado. – Não é fantástico?!
Samantha concordou com um gesto de cabeça.
– Continue Sammy. – Rebekah pediu parando do outro lado dela.
Samantha não sabe quanto tempo aquilo durou. Talvez alguns minutos, talvez horas.
A única coisa que importava era que Henrik nascesse. Foi apenas no que ela se concentrou.
Ao ouvir o som do choro dele Sammy sorriu suspirando aliviada.
Porém algo parecia não estar muito certo. Ela não era capaz de abrir os olhos. Os sons pareciam distantes demais agora e já não sentia dor. Não sentia nada.
Lembrou-se do que Rebekah havia dito a Niklaus ao que parecia muito tempo atrás:
“Todos aqui sabemos que se você tiver que escolher entre a criança e Sammy a quem você escolhera.” (N/A Frase dita no Capítulo 16).
Isso parecia o certo.
E com esse pensamento Samantha foi se entregando a escuridão crescente...
Trina entregou o pequeno a Klaus.
Klaus observou o bebê em suas mãos, tão pequeno, tão frágil, tão indefeso... Tão lindo.
Viu a agitação de seus híbridos ao longe conforme o choro de Henrik se estendia através do silêncio.
– Klaus. – Rebekah chamou.
Ele não desviou o olhar de Henrik.
– Klaus! – Rebekah chamou novamente. – Samantha!
Ele olhou para a garota imóvel.
Olhou dela para Henrik.
– Você disse que faria isso dar certo. – disse á Trina.
– Estou tentando. – ela murmurou voltando para perto do corpo.
– Tem tanto sangue. – Rebekah estava nervosa demais. – Mas que droga Sammy!
Samantha sentiu-se presa entre duas dimensões por um momento.
Olhou ao redor. Não havia Niklaus. Não havia Trina. Não havia ninguém.
Tudo era branco demais. Claro demais.
– Você sobreviveu, afinal.
Virou para encontrar o dono da voz.
– Philipe? – perguntou confusa.
Ele sorriu para ela.
Parecia tão bem, diferentemente da ultima vez em que o virá, cheio de machucados provocados por Klaus.
Bem até ela mesma arrancar seu coração do peito.
– Depois de uma quase morte esperava encontrar qualquer pessoa nesse outro lado, menos você.
– Eu sou o fantasma no seu ombro. – Philipe disse divertido.
– Antes que seja você mesmo. – Sammy deu de ombros.
Philipe se aproximou dela.
– Você não deveria dizer alguma frase impactante que me faria pensar na vida que eu tive ou na vida que teria a partir de agora? – Samantha questionou.
– Não fui mandado por uma entidade maior. – Philipe rolou os olhos. – Não sou seu anjo conselheiro.
Philipe tocou seu rosto avaliando-a rapidamente.
– Punhos com raiva, olhos irritados... – ele disse. — Pensei que você ia pegá-los de surpresa e libertar todos os seus demônios sobre eles.*¹
Samantha nada disse.
– Não faça o que Trina quer. – Philipe disse. – Posso sentir seu coração agora, sei que não é o que você quer de verdade.
– Esse assunto não te dizer respeito. – Samantha afastou a mão dele. – São minhas decisões.
– Deveria levar mais coisas em consideração.
– Como o quê, por exemplo? – Sammy arqueou a sobrancelha.
– Está fazendo isso porque se importa com ele. Mas do que quer admitir! – Philipe disse com obviedade. – Seria mais fácil se você ficasse e ---
– Não precisamos ter essa conversa. – Samantha interrompeu.
– Tudo bem. – Philipe pegou a mão dela beijando-a. – Você se quer lembrara-se dessa conversar.
E de repente tudo havia voltado ao normal.
– Nós temos um acordo certo Samantha? – Trina sussurrou para ela.
Samantha focou seu rosto.
– Diga que ainda o mantemos e eu posso fazer um feitiço para curar-te logo. – Trina insistiu.
Samantha fechou os olhos sorrindo minimamente.
– Eu não preciso dos seus feitiços. – disse ao abrir os olhos novamente. – Eu sinto que já está acontecendo.
Os olhos dela ficaram completamente negros.
As nuvens carregadas acima deles derramavam as primeiras gotas de chuva.
Samantha sentia o Poder se espalhar por entre cada um de seus músculos. Como se corresse em sua pele.
Levantou ignorando o sangue que se espalhava por seu corpo.
– Parece que meu ritual com Aloysia garantiu mesmo o aumento de meu Poder. — disse a Trina.
– Eu não acredito. – Rebekah a abraçou. – Você está bem.
– Nunca me senti tão bem. – sorriu para ela.
Samantha olhou para Niklaus mais afastado com Henrik nos braços.
Foi até eles.
Henrik tinha os cabelos tão loiros.
E ainda chorava muito.
– Ela estava esperando por você. – Klaus entregou-o a ela.
Samantha tocou seu rosto.
Os olhos dele abriram e para a surpresa de ambos eram completamente negros como o de Samantha.
Henrik parou de chorar.
– Seus poderes cresceram, suas correntes foram quebradas.*² – Klaus disse para ela.
Samantha beijou-lhe a testa brevemente e o entregou a Niklaus novamente.
– Antes preciso estar ciente de tudo que posso fazer.
– Agora? – Klaus pareceu confuso. – Samantha você acabou de dar a luz!
– E foi uma experiência inesquecível. – deu de ombros. – Há coisas mais sérias aqui.
– Você deveria leva-lo para o hospital agora. – a médica veio até eles. – Resolverei tudo por vocês.
– Como isso. – Samantha disse á ele.
Samantha olhou Henrik mais uma vez e então se afastou.
– Você já sofreu por tanto tempo... Você nunca vai mudar. *³– Rebekah lançou um olhar decepcionado a ela indo ao encontro de Niklaus.
Samantha sentiu lágrimas encherem seus olhos rapidamente.
Quando se voltou a Trina estava cheia de fúria.
– Isso é tudo sua culpa!
– Não, não é. – Trina disse calmamente. – Estou apenas propondo algo antes que outras bruxas te impliquem há algo sério mais cedo ou mais tarde.
Foi até ela.
– Não pareceu tão difícil entrega-lo á Niklaus.
– Foi. – Samantha suspirou. – Henrik é tão pequeno e indefeso.
– Por agora. – Trina concordou. – Até começar a ter consciência de seus Poderes.
Samantha pensou nisso.
Vendo Henrik nos braços Niklaus quem algum dia poderia imaginar que a criança era destinada a matar seu progenitor?!
– Você está burlando as regras da natureza apenas por continuar viva. – Trina disse. – Aceite que seu “trabalho” aqui acabou. Tudo é sobre o bebê, nunca foi sobre você.
– Então você acha que Niklaus me descartaria assim? – Sammy arqueou a sobrancelha.
– No começo talvez, mas algo mudou. Dias atrás ele me procurou pedindo para que eu fizesse o possível para te manter viva. – confessou.
Samantha sorriu minimamente.
Trina entregou para ela um copo pequeno com um liquido dentro.
– Para purificar seu interior. – ela disse.
Samantha bebeu. Tinha um gosto terrível.
– Niklaus se importa com você, se importe com ele também. – Trina levou-a pela mão por entre as árvores. – Um dia ele agradecerá o que você está fazendo por ele.
– Espero que sim. – murmurou desanimada.
*
Samantha saiu do banho sentindo-se realmente bem.
Usou o Poder para fechar a torneira.
Para abrir as portas.
Para escolher uma roupa.
Usou para todas as simples coisas que podia.
Não havia mais a limitação pela qual ela veio sofrendo por todos esses anos.
Sentia que poderia explodir uma casa e continuar forte para repetir a dose.
– Ao menos está feliz. – Klaus disse da porta.
Seu tom era amargurado.
Samantha suspirou virando para ele em seguida.
– Ele está bem? – Sammy perguntou.
– Perfeitamente bem. – Klaus disse entrando no quarto.
Parou próximo a janela.
– Intrigante a forma como meus híbridos parecem corresponder a Henrik. – disse de repente.
– Mais um mistério que você terá bastante tempo para desvendar. – Samantha sentou na cama. – E não é como se você não soubesse que ele pode criar híbridos através de uma mordida.
– Não é nisso que estou pensando agora. – Klaus foi até ela. – Achei que você seria mais sensível com o bebê.
– Não há absolutamente nada que eu não faria por ele! – Samantha disse pausadamente. – Estou fazendo isso por ele e por você.
Samantha ficou em silêncio. Quase falara demais.
Niklaus pensou nas palavras dela.
– Eu tenho muitas coisas para pensar agora. – Samantha desviou o olhar. – E não é como se eu não me importasse que ele esteja bem. Eu daria minha vida por ele.
Klaus puxou o rosto dela de forma que olhasse em seus olhos.
– E não é como se eu não me importasse que você esteja bem. – disse.
– Tudo está bem quando termina bem.*
Klaus a abraçou. Samantha ficou surpresa.
Era simplesmente um abraço. Nenhuma segunda intenção nisso.
Então ele se afastou beijou seus cabelos e saiu.
*
Samantha foi até o quarto de Henrik.
Ele estava dormindo.
– Me dê um sentido pra viver. – tocou levemente seu rosto. – Por você eu posso ser uma pessoa melhor, filho.
Parecia um anjo...
– Como você pode parecer um anjo quando tem o destino de um demônio?
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