Presságio: Bad Blood
1 Bad Blood - Klaus PDV
Notas iniciais
E aos futuros leitores.
Vocês são os melhores!
- Meus assuntos. — Decretei.
Samantha bufou e saiu sem dizer nada.
Como imaginei que ela faria.
Eu estava prestes a por um ponto final numa parte da história.
*
- Confesso que fiquei surpreso com o convite, irmão.
Elijah sentou a minha frente, no bar mais distante da casa.
- Preciso que faça algo por mim
- Se isso envolver decapitar alguns vampiros, esqueça. Estou tentando me livrar de todo esse sangue ruim.
- Será menos sangrento, embora igualmente difícil.
- O que está planejando, Niklaus?
- Preciso fazer uma viagem.
- E o que eu tenho a ver com isso?
- Você... Nada. Mas, preciso também, que Samantha não saiba dos meus planos. Já que Leila está deixando a cidade, ela pode ficar ociosa.
Elijah cruzou as mãos sob a mesa, me encarando minunciosamente.
- Por que não Rebekah?
- Rebekah sabe distrair alguém tão bem quanto fogos de artifícios num céu escuro.
- Certo. Eu posso fazer isso. Mas, diga-me o que pretende fazer.
- Meus assuntos, Elijah.
- Está me colocando na jaula com o leão — leoa, no caso — o mínimo que pode fazer é me dizer o que vai fazer nessa viagem.
Esse hábito terrível de querer saber tudo nos mínimos detalhes quando eu não podia dar tantas informações.
- E então Nik?
- Philipe. — Disse o nome a contragosto.
- Você está indo procurá-lo?
- Vim procurando por informações pelo último mês, enquanto Sammy estava ocupada com sua bruxa particular. E, agora sei onde ele está. Vou resolver de uma vez por todas isso.
- Você vai contar para ela depois que matá-lo?
- Eu não sei.
- Mas, Niklaus...
- Se não pode fazer o que pedi sem maiores delongas, esqueça.
- Está bem, está bem. Farei isso.
*
Por que eu confiava essa tarefa á Elijah depois dele ter liberado-a para ir atrás de Philipe primeiramente? Eu não confiava. Na verdade, estava esperando que ele desse com a língua nos dentes no tempo certo.
Samantha estaria presente.
Ah ela veria...
*
De avião e com a velocidade de vampiro, em pouco tempo eu estava de volta a vila.
Aquela vila que visitei a cada ano para ficar de olho na Samantha.
Aquela vila que quase causou a morte dela. Mais de uma vez.
Aquele lugar maldito.
Philipe era muito tolo. Permanecer naquele lugar era burrice ou ingenuidade?
Fiz meu caminho até o recinto que ele chamava de lar ultimamente. Uma região tão abandonada quanto ele deveria estar.
As folhas mortas sob meus pés faziam um barulho detestável enquanto eu avançava em direção a casa. Eu sabia que ele estava lá, e Philipe não fez menção alguma de sair quando empurrei a porta da frente.
- Você pode entrar.
Levantei o olhar, focalizando sua figura no escuro.
Olhei ao redor, se ele pretendia usar alguma armadilha contra mim em---
- Não há armadilhas, Klaus. Entre.
Assim o fiz.
- Era de um convite que você precisava para entrar, não era?
Ele levantou, caminhando vagarosamente para perto de mim.
- Vai ser tão fácil assim? — inquiri. — Vai se entregar de braços abertos?
Philipe esboçou um sorriso.
- Do que me adiantaria tentar fugir?
- Tem razão.
Eu estava a frente de um moribundo. Ao contrário do Philipe que lutara pela própria vida no nosso último encontro, esse se quer parecia ter uma vida para se lutar por.
Tinha a aparência de alguém que não dormia há muito tempo, ou se alimentava.
- O que esteve fazendo nas últimas semanas, Philipe?
- Eu sabia que você viria, Klaus. — ele passou por mim, indo para o lado de fora. — Só não suje meu tapete. Faça aqui fora onde as raízes poderão se fortalecer com meu sangue.
Semicerrei os olhos.
Philipe circundava a casa, tocando levemente a terra sob seus pés. Fui atrás dele.
- Ela ainda está viva?
- Samantha?
- Sobre quem mais teríamos algum interesse em comum? — Philipe ergueu levemente a cabeça, rolando os olhos. — Sim, Samantha.
- Ela está. Assim como nossa criança.
Ele cuspiu no chão.
- Maldito seja!
Avancei contra ele, apertando sua mandíbula entre os dedos.
- Mais cuidado com as palavras, garoto insolente.
Desatenção. Minha maldita desatenção.
Philipe ergueu o nocivo carvalho branco, enterrando-o no meu braço direito. Não era uma estaca, era um pedaço da tóxica árvore.
Obstinado a retirar a madeira, gritei ao ser atingido no ombro esquerdo.
- Aberração da natureza!
- Essa foi uma péssima escolha.
Todo meu ódio se espalhou rapidamente por entre cada músculo e ossos, meus olhos se tornaram tão amarelos quanto o sol, meus dentes se alongaram.
O lobo em mim estava faminto.
E mesmo sem lua cheia, hoje ele sairia para caçar.
*
Observei o corpo inerte a minha frente.
Por baixo de todo aquele sangue, e ossos em posições inimagináveis, havia Philipe.
O coração batia devagar, estava quase parando.
Droga, pensei.
Voltei a forma humana, rasquei meu pulso e deixei que o sangue pingasse diretamente em sua boca.
Faria efeito.
Então esperei.
*
Philipe inspirou ruidosamente o ar e tossiu em seguida.
- Eu não quero o seu maldito sangue em mim! — gritou, assim que pode.
- E nem eu queria que estivesse, acredite.
- Meu Deus, um lobo. — ele murmurou para si mesmo, assustado, olhando para o próprio corpo. — Mastigando a minha pele como se eu fosse alguma espécie de cordeiro.
- E você nem se quer tem um gosto bom.
- Uma besta vinda diretamente do inferno, é isso que você é!
- Aceito o elogio.
Philipe olhou ao redor, vendo a pequena montanha de cinzas mais ao longe.
- Queimei toda essa árvore danosa que você tinha.
- Por que não me mata de uma vez?!
- Seria muito fácil se acabasse assim pra você.
- Vai me torturar então? Quantas vezes mais?
- Até que a peça principal do quebra-cabeça esteja aqui.
A compreensão veio rápida, refletindo em sua face de horror.
- Eu não quero que Samantha veja isso!
- Já não percebeu que não está em posição de escolher nada por aqui? — Gritei de volta. — Olha bem pra lua no céu, agradeça pela vida miserável que teve, e esteja preparado para sentir dores antes nunca sentidas. Agora, Philipe, você vai saber que nunca deve despertar o ódio de um Original.
*
Philipe estava machucado, mas não o suficiente.
Dessa vez eu não o curaria, sabia que Samantha estava perto agora.
O dia estava bastante claro sobre nossas cabeças, embora eu achasse que um tempo cinza, nublado e chuvoso combinasse mais com essa cena.
- Sabe o que é mais engraçado nisso tudo? — Questionei, vendo o negar com a cabeça. — Se você tivesse continuado longe, e deixado todos acharem que estava morto... Não morreria de verdade agora.
- Foi tudo por ela.
- Samantha não se importa.
- Se importa, sim. E a Sammy me ama! Minha Sammy...
- Ela nunca será sua!
- Você me odeia, porque no fundo sabe que ela ainda me ama e nem você e nem ninguém mudará isso.
- Parece que alguém aqui está delirando.
Girei sob meus calcanhares.
Philipe jogou o corpo pra trás. Olhando fixamente para o céu.
Continuei falando, e ouvindo os passos ao longe. Samantha seguiria o som da minha voz.
– Klaus. – Samantha chamou.
Olhei para trás, Sammy se atentou aos meus olhos amarelos. Ela estava tensa, nervosa.
– Posso ver que Elijah não foi capaz de guardar um segredo. – disse, virando completamente para ela.
Exatamente como eu sabia que ele faria.
– Mas confesso que me agrada que você esteja aqui. — Completei.
– Foi um pouco trabalhoso te achar, mas aqui estou.
– Eu poderia ter ido para qualquer lugar. — Observei.
– Poderia. Mas imaginei que estaria aqui. Se quisesse matá-lo não perderia tempo levando-o para outro lugar longe. Apenas faria.
Concordei, ela estava certa.
Seu olhar estava direcionado e fixo no loiro sangrando no chão.
– Philipe é estúpido demais. Eu sabia que ele não tinha ido embora desse lugar.
– Ele ainda está vivo. – Eu disse.
Embora não soubesse por que ele mesmo não dizia isso á ela.
– Por enquanto. — Acrescentei.
- Por que fazer isso?
Eu mal pude ouvir sua voz, de tão baixa.
– Estou apenas terminando algo.
– Klaus, nós realmente não precisamos passar por isso. – Sammy disse, se aproximando um passo. – Achei que Philipe fizesse parte do passado para você também.
– O passado nunca fica no passado. – peguei Philipe pelo braço, levantando-o. – A não ser que esse passado esteja bem... Morto.
– Não faça isso. – Sammy pediu.
Seu olhar frenético entre ele e eu.
– Você não deveria se importar tanto. Ele não tem mais nada a ver com sua vida. Sua nova vida.
– Exatamente por isso. – Sammy rebateu. – Ele não precisa ser envolvido.
Balancei a cabeça em negativa.
– Você não precisa fazer isso. – Samantha insistiu.
– Quanta ironia!
Ri, de repente, ao lembrar de palavras semelhantes em circunstâncias similares.
– Foi o nosso diálogo quando você matou Caroline lembra?
– Lembro. – Sammy disse a contragosto. – Eram tempos diferentes.
– Não, não eram! Eram exatamente os mesmos termos.
Explodi em raiva, soltando Philipe fazendo-o cair de joelhos. Ele abriu brevemente os olhos, mas não parecia capaz de mantê-los abertos por muito tempo.
– O que você fez com ele?
– Estamos nos divertindo desde ontem. Já o deixei a beira da morte e então o curei com meu sangue. E fiz de novo. Vezes seguidas.
Como lobo.
Como vampiro.
Como homem.
Como o híbrido que eu era.
De todas as formas cruéis que a raiva permitia.
Assisti uma lágrima escorrer por sua bochecha.
Samantha estava chorando por aquele humano detestável!
Parei a sua frente.
– Você é fraca.
Samantha olhou em meus olhos.
– Achou que eu passaria todo esse tempo apenas acatando suas ordens, porque de repente você resolveu que seria má com todo aquele papo de “Sempre farei duas vezes pior”?
Envolvi seu rosto com as mãos, e gritei a plenos pulmões, cego por tamanha raiva.
– Você não pode me atingir!
– Deixe-a!
Olhamos ao mesmo tempo para Philipe.
Tive uma ideia, prendi os cabelos de Samantha com uma mão e a puxei para perto de mim.
– Vamos fazer um jogo. Philipe vai correr pela floresta e quem alcançá-lo primeiro ganha. Parece um bom jogo?
– Isso não é um jogo! – Samantha tentou se soltar, mas mantive o aperto de aço. – Deixe Philipe ir embora!
Não necessariamente me agradava que ela sentisse dor, mas eu gostava do Poder de comandá-la.
Poder de dominação.
Então a soltei em seguida.
– Vamos começar então.
Fui até Philipe, segurei sua cabeça para que pudesse olhar em seus olhos, e compeli-lo.
– Você vai correr por entre essas árvores. Vai correr o mais rápido que você puder.
O soltei, e mesmo cambaleante, ele o fez.
Segurei o braço de Samantha até que Philipe já não pudesse ser visto e seus passos já não pudessem ser claramente ouvidos.
– Vamos iniciar o jogo. – sussurrei em seu ouvido.
No segundo seguinte, eu já havia sumido por entre as árvores também.
*
Todas as frases própria de filmes de terror, se desprenderam de minha boca, ecoando por entre as árvores.
O terror psicológico possivelmente era o pior dos terrores.
Afinal, eu sou o "Quem" quando você pergunta "Quem está aí?"
Samantha o encontrou primeiro, porque assim eu permiti que fosse.
Estava realmente interessado na conversa que eles teriam.
– Sua barriga está enorme. – Philipe olhou para ela. – Vá pela criança, Samantha!
– Vamos ficar bem. – Sammy garantiu.
– Não quero interromper esse belo momento. — Parei atrás dele, quando todo aquele papo já não me interessava. — Mas temos que terminar o jogo.
– Eu o achei primeiro. Deixe-o ir agora.
Sorri de lado. A intenção nunca tinha sido deixá-lo vivo.
– Essas não eram as regras. O primeiro a achá-lo poderia matá-lo. Não é legal?
Sammy pareceu enojada.
– E como eu sei que você não fará isso... Deixe que eu faça.
– Não!
Samantha usou seu Poder.
Minha cabeça parecia estar sendo perfurada por mil abelhas, mas nem por isso desisti.
Ela não me venceria com esse truque. Não hoje.
Mantive-me de pé, mesmo quando sangue já fluía de seu nariz.
E Philipe pareceu preocupado com isso.
– Samantha! Não vale a pena. Só iremos adiar o inevitável!
– Isso não é certo. – Samantha olhou para ele.
– Sinto que já estou morrendo de qualquer forma. – Philipe parou a sua frente. – Poupe suas forças para uma causa que ainda não esteja perdida.
Senti o alivio imediato, de seu Poder deixando de fazer efeito em mim.
– Aceite o que você não pode controlar. – Philipe, disse por fim.
O que eu julguei serem ótimas palavras finais.
– Boa jogada, garoto.
Samantha parecia presa em sua própria mente, de olhos fechados.
– Dê adeus.
Sussurrei em seu ouvido, ela não entraria em transe agora que eu tinha esperado tanto por sua presença.
Ela abriu os olhos e foi até Philipe, tocando seu rosto levemente.
– Não era minha intenção ter te envolvido em nada disso.
– Não se preocupe. – Philipe murmurou. – Não foi sua culpa.
Sammy virou, observou minha expressão por um segundo. Depois tomou a decisão mais inesperada até agora.
Ela arrancou o coração de Philipe bem em frente aos meus olhos.
O sangue se espalhou em todas as direções.
Eu estava surpreso, embora maravilhado.
– O quê?!
– Você não venceu essa.
Sammy jogou o coração em minha direção.
Impressionado, olhei para o órgão ainda pulsante em minhas mãos.
Por essa eu não esperava.
– Acho que você ganhou esse jogo.
*
Não era esse o final que eu esperava.
Não era o final que alguém quisesse.
Não era se quer um final digno.
Samantha estava devastada, chorando copiosamente.
– Eu fiz por você, me perdoa. – sussurrou.
Samantha caiu de joelhos no chão de lama.
Envolvi-a em um abraço, ela não se opôs. Mas eu duvidava que fosse uma predileção agora.
– Foi uma boa escolha. Agora nada pode nos impedir.
– Impedir do que?
Sua voz saiu entrecortada e baixa.
– Agora posso confiar inteiramente em você.
Samantha olhou perplexa para mim.
– Tudo dará certo agora.
Samantha me empurrou com dificuldade e se pôs de pé.
– Você não imagina o que estou sentindo agora. – apontou o próprio peito. – Não diga que vai ficar tudo bem!
– Desligue suas emoções humanas também. É a única forma de fazer essa dor parar.
Eu precisava olhar em seus olhos, mas ela chorava compulsivamente.
– Faça isso Sammy.
– Eu vou superar isso, exatamente como superei cada fato terrível que já tenha acontecido comigo desde... Sempre.
Ela se afastou novamente.
– Não se martirize por ele. — Senti a raiva volta a mim.
- Era do que tudo isso se tratava não era?! – Samantha riu irônica. – Vingar Caroline e fazer com que eu desligue completamente minhas emoções.
Não me importei em negar as acusações.
– Deveria me agradecer. Fiz isso por você.
Samantha negou com a cabeça.
– Eu odeio a mim mesma por ter feito isso.
Era justamente a frase que eu lutara para não ter que ouvir.
– Era pra eu ter feito! Eu poderia lidar com seu ódio por mim! Eu posso aguentar que você me odeie, mas não a si própria...
Tentei abraçá-la, como se isso fosse mudar alguma coisa. Mas, Samantha me impediu.
– Porque aí não há nada que você possa fazer. — Sammy completou por ele.
Suspirei.
Realmente eu não poderia fazer nada.
Eu podia lidar com as ações externas, o que ela expunha á mim. Mas não com o que ela sentia, e não fazer ideia do que se passava na sua mente e coração era torturante.
– Não vou desligar minhas emoções humanas, mesmo que esteja doendo de uma forma devastadora.
Samantha parou a minha frente, encarando-me nos olhos, como eu queria que tivesse feito antes. Ás vezes eu achava que era mais fácil entendê-la assim, através daqueles olhos negros. No entanto, o que ela disse a seguir, cortou minha alma como a espada mais afiada de uma batalha.
*
Voltamos para casa, por toda viagem ela se quer olhava pra mim. Ou ficava perto o suficiente.
Ao pisar na casa, resolvi que tínhamos que conversar ela querendo ou não.
– Espera. — Puxei seu braço, impedindo-a de continuar andando.
Algo, de fato, não estava certo. Ela nem fez menção de soltar, em outras circunstâncias a essa altura ela teria me xingado.
Não havia reações. Não havia palavras. Não havia nada.
Aquela não era Samantha Robertson.
– Diga alguma coisa.
Era quase uma súplica.
– Eu não aguento mais. Eu não consigo mais.
– Ás coisas vão melhorar agora.
– Não elas não vão. – Samantha suspirou. – Será que você não percebe que há coisas que nunca darão certo?
– Não fala assim.
– Tudo isso foi legal por um tempo, mas não é mais assim. Isso tem que acabar antes que um destrua ao outro.
Ela se soltou de mim, mas coloquei seu rosto entre as mãos.
Eu precisava interpretar através dos olhos.
Do olhos negros.
– Não. Você tem que brigar comigo! Tem que reagir! Tem que ser você! É assim que nós funcionamos.
– É desgastante.
– É da forma que tem que ser.
– É da forma que achamos que tem que ser. – Samantha corrigiu. – E eu não quero mais.
Não queria mais? Eu... Eu tinha que fazer algo em relação a isso.
Não era esse o final que eu esperava.
Não era o final que alguém quisesse.
Não era se quer um final digno.
Leila, tinha dito que eu precisa mudar, e se...
– Eu posso mudar---
– Não.
Samantha colocou a mão sobre meus lábios.
- Você não pode mudar, eu não posso. Não vou insistir mais nesse erro.
– Sammy...
– Eu não quero mais insistir nisso.
Ela falou pausadamente. E cada pausa, era um golpe daquela mesma espada.
– Você está desistindo de nós? É o que você está dizendo?
A soltei. Era tão absurdo.
– Tenho receio de dizer que nunca houve um “nós”.
Samantha limpou as lágrimas do próprio rosto. Eu apenas olhava para ela sem acreditar.
– Eu continuarei aqui porque foi o que combinamos, até a gestação. Mas se eu sobreviver após o nascimento eu vou embora.
– Você não pode levar a criança para longe de mim!
– Eu não vou. – Sammy concordou. – Ele ou ela...
Um breve sorriso se apossou de seus lábios e então sumiu.
Talvez ela tivesse imaginado, como eu imaginei.
- Ficará com você. — completou.
–Tudo bem, então você abandonará o seu filho? Você está ouvindo o que está dizendo Samantha? É insano!
Ri desacreditado. Balancei a cabeça em negativa.
– Eu sei que você vai ser um bom pai para ele. – Sammy sorriu melancólica. – Espero que seja.
– Então o que foi aquilo de “não ter intenção de deixar a criança após o nascimento”? Foi tudo mentira?
– Eu já não sei mais.
Ela começou a se afastar.
– Sammy você não pode.
– Sinto muito, mas a minha decisão já está tomada.
Não era esse o final...
*******
1 mês era tempo demais para manter uma relação assim.
Samantha estava distante.
E mesmo nossa calorosa tarde, não pareceu uma reconciliação suficiente.
Quando levantei, ela não estava. Tinha saído com Rebekah. E eu evitaria confrontá-la, perguntando onde estavam.
Era novos tempos e eu me sentia pisando sobre ovos.
Deixei meu copo com whisky na mesinha de centro, ao ouvir o carro estacionar em frente á casa.
– Temos uma novidade. – Rebekah disse ao me ver.
Samantha olhou para ela, e foi o suficiente para calá-la.
– O que seria?
Perguntei, mas com o olhar direcionado para Samantha. Além do mais, ela estava dando as cartas ali.
– Não é nada. – Rebekah disse evasiva. – Preciso ir.
Samantha fez menção de sair, mas pedi para que ela ficasse.
– Espero ter feito você mudar de opinião.
– O que aconteceu mais cedo... – Sammy começou. — Não muda nada.
Droga.
– Você ainda pensa em ir embora.
– Eu preciso de um tempo para mim. Respeite isso.
– Tudo bem. — Fiz gestão de rendição.
Ela procurou por meu olhar.
Aqueles olhos negros...
– Você não vai respeitar isso, vai?
– Claro que não. Em que mundo injusto eu demoraria tanto para te encontrar apenas para deixá-la livre em seguida?!
– Você fala como se eu fosse um objeto. Do tipo que um colecionador procura e em seguida coloca na estante.
Ela fez careta. E nem por um instante deixou de ser a mais bela mulher que eu já vira em milênios.
– Então eu estaria colecionando algo realmente bom.
Sorri pra ela.
Samantha rolou os olhos.
– Aceite isso como um elogio.
– Tudo bem.
Sammy deu as costas, mas puxei seu braço, virando-a de frente para mim.
– Acha mesmo que seria fácil voltar para cá e não ter toda essa sua petulância para bagunçar com o meu dia?
– Você tem sérios problemas se acha que brigas são... Reconfortantes.
Apesar das palavras o tom de Samantha era leve.
– Eu não sentiria falta de brigar com você... Mas da forma como você fala. Você é tão... Intensa, amor.
Meu olhar desceu para seus lábios vermelhos e convidativos, ela percebeu e se afastou.
No fundo, eu sabia que ela não queria se deixar levar pelo momento. Porque seria difícil pra ela parar, tanto quanto seria impossível pra mim.
Eu estava em um dilema: Respeitar sua vontade ou seguir a minha.
Eu queria tê-la de todas as formas. De novo. E por anos afim...
– A propósito, a novidade era que... — ela olhou da barriga pra mim. — É um menino.
E então ela se foi.
O sorriso involuntário que se apossou dos meus lábios me fazia ter uma certeza:
Eu faria Samantha mudar de ideia.
Não importava o quanto demorasse ou o que tivesse que fazer.
Porque Samantha ir embora não era esse o final que eu esperava.
Não era o final que alguém quisesse.
Não era se quer um final digno.
– Ela será para sempre nossa, filho.
E definitivamente não era o final que nosso bebê merecia.
Notas finais
Esse não será o último conto, fiquem ligados, nos vemos em breve!
See you Later :*
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