Notas iniciais
E finalmente temos o tão esperado Tapete Vermelho e a estreia do filme! Boa leitura!

Não posso dizer que tive a melhor das noites, não tive. Sonhei o tempo todo. Se é que posso chamar de sonhos...

Foram pesadelos.

Daqueles que só aparecem quando você tem uma preocupação bem específica na cabeça.

No meu caso, o tapete vermelho.

Pois bem, sonhei que estava com a roupa errada, que todos ficavam apontando para mim e quando fui ver o que tanto os demais riam na minha roupa, notei que meu vestido não estava mais ali e tudo o que eu queria fazer era sair correndo e me esconder no primeiro buraco que eu encontrasse.

Acordei no meio da madrugada suando frio e, depois de respirar fundo e dizer que era besteira, consegui voltar a dormir, só para meu sonho mudar o foco. Dessa vez eu não estava com a roupa inapropriada ou sem a roupa, não, dessa vez eu caí estatelada no chão, para me levantar e tropeçar na escada e me machucar toda.

O final do sonho? Eu na emergência do hospital com a testa costurada.

O final da minha noite? Olheiras, cansaço, dor de cabeça e, claro, a ansiedade, que agora tinha destravado outro medo, o de cair.

Levantei-me antes de todos, bem cedo mesmo, e, sabendo que não adiantaria ficar andando pela casa como um fantasma agoniado, resolvi sair para correr.

Voltei, fiz o café da manhã, tomei meu banho e só aí parti para acordar os demais. Olivia já tinha acordado e fazia hora na cama, Lena foi outra história, depois de muita luta, consegui tirá-la da cama para se arrumar. E, enquanto ela tentava se vestir, eu ajeitei o quarto.

— Täti, faz um penteado bonito no meu cabelo? – Ela me pediu quando notou que eu já estava terminando de arrumar a cama.

— Que tipo de penteado?

— Não sei... um bem bonito, como se eu fosse desfilar no tapete vermelho como a senhora fez ontem à noite!

Por alguns segundos eu congelei no lugar, reação automática de hoje quando eu me lembrava do meu compromisso de mais tarde, para logo em seguida colocar Elena sentada na cama e tentar inventar um penteado que ficasse bonito em seu cabelo comprido.

Sem inspiração para inventar algo, e, também quase sem tempo, procurei ajuda na internet e depois da devida aprovação de minha sobrinha, comecei a montar. Levou um tempinho e umas duas tentativas, mas no final, ficou igual ao da foto.

— Era isso? – Perguntei ao mostrar o resultado pelo espelho.

— SIM! – Ela deu um pulo e me abraçou. – Kiitos, täti! Ficou muito lindo!!

— De nada, Pequena. Agora desça e vá tomar o seu café. – Falei e ela saiu saltitando pelo corredor, fazendo questão de balançar o cabelo e perguntar tanto para a irmã, quanto para o tio, se ela estava bonita.

Desci logo atrás só para chegar na cozinha e ver que Lena estava desfilando pelo cômodo para mostrar o penteado.

Um pouco antes de sair, Tanya ligou para me agradecer por ter tomado conta das duas e ainda levá-las à escola.

— Não há de que. E posso te garantir, a presença delas me fez muito bem.

Tanya riu do outro lado da linha.

— Nada melhor do que uma adolescente e uma criança que nunca desliga para te distrair das coisas.

— Exatamente isso. Quer conversar com suas filhas?

— Por favor, ontem não tive como ligar nem para um boa noite.

Passei o telefone para as irmãs que atualizaram a mãe enquanto eu tomava o meu café.

Com pouco elas desligaram e foram acabar de se arrumar. Fiquei na cozinha, ajudando Alex a lavar a louça.

— Foi correr cedo, hein?

Como ele não podia me ver, fiz uma careta.

— Pois é.... – Dei uma resposta vaga demais enquanto guardava os pratos.

— Poderia ter me chamado.

— Não hoje. Um adulto tinha que ficar em casa para tomar conta da dupla. – Dei essa desculpa de última hora.

— E então, deu para dar uma aliviada na ansiedade?

— Em certo ponto, sim. Até que Elena me pediu “um penteado bem bonito, como se eu fosse desfilar no tapete vermelho”. — Fiz aspas com a mão. – E tudo voltou de uma vez.

— Ela não teve culpa.

— Eu sei que não. E, também, não fez de propósito, ela só queria ir bonita para a escola. Não é culpa da Pequena se eu estou uma pilha de nervos.

Alex me abraçou tentando me dar um pouco de conforto, porque do jeito que eu estava, era o máximo que ele poderia fazer. Assim, tentei drenar dele um pouco de calma, porque ele sim, estava calmo.

— Quer que eu leve as meninas? – Ele me perguntou quando escutamos Lena e Liv descendo as escadas e discutindo algo.

— Não precisa. A falação das duas vai me acalmar, por mais estranho que isso soe. – Confirmei diante do olhar incrédulo que ele me lançou.

— Vai no escritório hoje?

— Não. Trabalho de casa. Milena, Wendy e Amanda me passaram bastante coisa durante a noite. Vou ter divertimento por um bom tempo. – Confirmei. – Assim, daqui a pouco estou em casa.

Levei as meninas para escola e, infelizmente, para mim, o assunto entre elas era o meu vestido.

E, assim que deixei Lena na escola, Liv soltou uma pérola:

— Tia, posso voltar na sua casa hoje para te ver se arrumando? Estou curiosa para te ver pronta. E não quero ter que esperar até que a live do tapete vermelho comece.

— Live do tapete vermelho!? – Questionei um tanto surpresa.

— Sim. Eles vão transmitir no Youtube. Assim como a Marvel faz com os filmes dela.

A minha sorte era que eu estava focada no trânsito e Liv não pode ler a surpresa estampada em meus olhos.

— E então, täti? Vou poder ir lá?

— Eu... não sei. – Dessa vez olhei para ela. – Eu não sei que horas vamos sair, ou os horários da programação.

— Simples, o pessoal deve ir cedo para a sua casa, né? Assim a senhora pergunta para eles e manda uma mensagem. Eu posso ir de UBER, de metrô ou até mesmo a pé, se não estiver chovendo. – Ela me deu um leque de possibilidades.

— Tudo bem. Mas você só vai olhar o celular na hora do seu almoço. Não te quero se distraindo por coisa boba. Estamos combinadas?

— SIM! – Ela me olhou toda feliz.

— Então boa aula! – Comentei assim que parei o carro.

— E um bom dia para a senhora! – Liv me abraçou e desceu do carro, indo se encontrar com as amigas que estavam no portão principal.

Eu voltei devagar para casa, pensando na notícia da tal de live do tapete vermelho e que eu nem tinha me dado o trabalho de saber que horas eu deveria me arrumar para ir a esse lugar.

A cada segundo que passava eu me arrependia mais e mais de ter cedido ao pedido de Alex e confirmado a minha presença.

Guardei o carro e depois de ajeitar os quartos onde Liv e Lena passaram a noite, coloquei as roupas para lavar, arrumei a casa, com a devida ajuda de Alex, apesar de que eu estava fazendo tudo isso para me distrair, e, depois, fui trabalhar.

— Ah! Só uma pergunta. – Falei com Alex que estava indo ler o texto do próximo episódios da série. – Que horas temos que sair?

Ele conferiu algo no celular e depois me respondeu.

— O tapete vermelho começa às 20:00. Vamos sair às 20:30.

— Chegaremos atrasados?

— Não. Eu tenho que ser um dos últimos.

— Ah! Tudo bem. E será na Leicester Square?

E foi a vez dele de me olhar estranho.

— Entendi, você não sabe o local. Mas deve ser, toda première é lá. Lembro-me de como trânsito ficava impossível quando eram filmes da Marvel ou algum 007. – Comentei e depois de mandar um beijo para ele, entrei no escritório e fui trabalhar. Não fiquei muito tempo sozinha, logo Alex entrou e se fez confortável em uma das poltronas, onde ficou lendo o texto.

Com os dois concentrados, não vimos a hora passar, e acabei por me assustar quando meu celular tocou. Olhei para o visor, era meio-dia e Liv me mandava uma mensagem.

Täti, como a senhora não mandou mensagem nenhuma, estou perguntando se posso ir para a sua casa.... a senhora já sabe o horário, né?

Se seus pais deixarem, pode. Vamos sair às 20:30. E alguém vai precisar vir pegar você, não te quero aqui sozinha.

Vou perguntar para a mãe. Espero que ela deixe. Hoje é quinta e não tenho muita coisa para fazer.

E dez minutos depois, ela me mandou outra mensagem, dizendo que Tanya iria deixá-la aqui às 17:00 e depois pegá-la às 20:15.

Não vai atrapalhar ninguém, né?

Por aqui, não. — Respondi.

Ótimo! Vou ver a senhora pronta antes de todo mundo!!

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Já entendi, Liv. Pode parar com essa enxurrada de emojis.

E ela mandou um monte de gifs.

Suspirei e abaixei o aparelho com a tela virada para baixo, deixando Liv falando sozinha.

— Quem era para você fazer essa cara? – Alex me perguntou, se divertindo com minhas expressões.

— A sua sobrinha.

— O que Liv queria agora?

— Estar aqui para me ver arrumando ou qualquer coisa desse tipo. Ela disse que quer me ver antes da live do tapete vermelho.

— Ah.

— Só isso?

— Eu não comentei da live com você, né?

— Não. Descobri pela Liv. Mas acho que eu deveria esperar por isso, não? Afinal, quase todos os filmes fazem.

— É o normal agora.

— E que horas a equipe vai aportar por aqui?

— 16:00.

Balancei a cabeça e arrumei minha mesa, Alex estranhou o movimento e eu tive que responder à pergunta que estava em seus olhos.

— Você pode não estar com fome, mas está na hora do almoço, e eu pretendo comer algo agora porque sei que mais tarde eu não vou conseguir.

— Sua agenda estará cheia? – Ele brincou.

— Não, por conta do nervosismo mesmo. – Confirmei e me levantei da cadeira. – Pode ficar por aí, te chamo quando terminar. – Garanti e fui para a cozinha.

Consegui ficar em paz por um bom tempo, era bom saber que manter minhas mãos ocupadas ainda me distraía o suficiente, e mesmo com Alex tendo insistido em lavar a louça, foi bom estender a calmaria pelo máximo de tempo possível.

Ainda consegui trabalhar mais um pouco, colocando tudo em dia. Estava para começar a arrumar tudo o que eu precisaria, quando recebi uma mensagem, achando ser Liv, já ia xingá-la por não estar prestando atenção na aula, mas não era.

Era do Bando de Loucas

E elas estavam impossíveis.

Pietra e Mel estavam apostando no meu vestido, Vic jurava que eu ia manter a discrição e Pepper fez o favor de espalhar o link da live do YouTube.

Por favor, não tropece no tapete!— Mel me pedia.

Não, por favor, tropece! Eu quero rir da sua cara!— Pietra mandou rindo e eu tive que revirar os meus olhos.

Credo, Pietra! Você sabe que a Kat deve até ter tido pesadelo com isso e fica brincando. – Vic veio me defender.

Você bem riu do tombo dela no surf.

No surf, não quero que ela caia no tapete vermelho e ainda derrube o Alex. Isso é maldade demais.

E as duas continuavam a trocar ideias e mais ideias de como eu terminaria a noite estatelada no chão.

Pepper foi a única que me mandou um boa sorte.

Não ligue para elas. É impossível de você cair no tapete vermelho, e se isso acontecer, alguém será demitido. No mais, é só se concentrar em olhar para frente, e esquecer onde está. Te juro, passa rápido. E, em Los Angeles, na semana que vem, sofreremos juntas!

Não respondi a ninguém, só coloquei o celular no silencioso e depois coloquei para carregar.

Como não tinha que me preocupar com a roupa de Alex, ele tinha gente que faria isso para ele, foquei só em mim. Separei vestido, sapato, a clutch e depois quais produtos iria usar na maquiagem. Nesse meio tempo, ia preparando o cabelo para a lavagem e fazendo um pequeno spa facial.

Alex deu azar de entrar no quarto quando eu estava com uma máscara prateada no rosto, um esfoliante nos lábios e uma máscara roxa no cabelo e, um tanto assustado, deu um pulo, mas não falou nada.

— Eu sei que estou estranha, mas é necessário. – Foi meu comentário.

— Eles não vão passar isso aí no meu rosto, não, né?

Como minhas expressões estavam um tanto congeladas por conta da máscara que já tinha quase secado totalmente, minha risada, ao imaginar Alex com uma máscara facial prateada, saiu mais como um uivo de dor do que uma risada, e, só depois que eu consegui controlar minha risada estrangulada, que eu o respondi.

— Não. Não vão. Mas deveriam! – Comentei e dei outro ataque de riso.

— E qual é a graça? – Ele me perguntou um tanto desconfiado.

— Estou tentando te imaginar com tudo isso aqui.

— Eu não estou rindo da sua aparência de extraterrestre...

— E eu estou rindo da imagem mental que eu tive. Não de você. É completamente diferente. — No fundo eu sabia que não era e coloquei como uma meta pessoal, um dia passar todas essas coisas em Alex, só para poder ver como ele ficaria.

Ele, por sua vez, murmurou qualquer coisa ininteligível se jogou na cama, encarando o teto, e eu achei o movimento um tanto forçado demais, e, tentei conter a outra onda de risada, porque eu sabia que ele estava evitando olhar para mim.

Ficamos em silêncio por um tempo, até que eu comecei a rir de novo e, para minha surpresa, ele me acompanhou.

— Seja sincero... eu não estou tão atraente assim, hein? – Brinquei e arremessei um batom nele.

Ele gargalhou alto e teve que se sentar na cama ou iria se engasgar de tanto rir. Ele ria tanto, que até chorava.

— Não. – Respondeu quando conseguiu respirar um pouco. – Achei que tinham substituído a minha noiva.

— Olha o que você está pedindo! – Alertei.

— Não tem como ficar pior! – Ele me encarou e outra onda de riso apareceu. E eu ri junto quando me encarei no espelho.

— Pior que tem. Eu tenho uma que me deixa azul!

— Por favor, quando for passar, coloque um aviso na porta do quarto, porque eu não quero nem ver!

— Como não? Vai perder o meu momento de cosplay do BlueMan Group?

— Vou.

— Só porque eu ia colocar uma máscara vermelha no cabelo... fiquei chateada. – Tentei fazer um biquinho só que não saiu nada.

— Seu rosto está congelado. – Ele riu. – Parece aquelas mulheres que fazem harmonização facial e exageram no botox.

— Olha! Não me dê ideia! Eu posso ser a descontrolada do botox daqui a vinte anos!

— Eu não vou deixar você virar uma caricatura de si mesma, Kat. Já basta isso aí. – Ele olhou para meu rosto.

— Você nunca ouviu a máxima que primeiro a gente fica feia para depois ficar bonita?

— Já, mas acho que tudo tem limite. Você mal está abrindo a boca!

— A sua sorte, é que o tempo de pausa disso aqui já está acabando, e quando você me vir novamente, eu já estarei quase parecendo uma princesa. – Avisei e me levantei do divã.

— Eu deveria tirar uma foto sua assim e colocar de contato no meu celular. – Ele comentou.

— Faça isso. E cada vez que eu te ligar é um infarto que você vai ter, então, garanta que o seu testamento esteja pronto e com todos os seus bens destinados a mim! – Informei.

— Melhor não, ainda quero encher a sua paciência por muito tempo! – Ele me disse.

— Que pena. Achei que seria a viúva milionária antes dos 33 anos. – Fingi chorar e fui tirar toda essa maquiagem de extraterrestre do rosto e tomar meu banho.

Quando sai para o quarto, Liv já estava balançando os pés de ansiedade sentada na minha cama e a falação estava alta no andar de baixo.

— Oi, täti! – Ela falou feliz. – Ué, achei que a senhora já ia sair toda produzida do banheiro! – Ela pulou e veio mexer no meu cabelo. – Que isso?

— Achei na internet... prometem ondular o cabelo.

— Mas é feio que dói! – Ela disse ao pegar uma das mechas que estava enrolada no ondulador de cetim. – E a senhora está parecendo aquelas mulheres da Era Tudor!

— É segunda vez, em menos de duas horas, que alguém me chama de feia!

— E quem foi a outra pessoa?

— Seu tio!

— Duvido! – Ela rebateu. – A menos que a senhora estivesse usando isso...

— Não, estava com uma máscara facial.

— Aquela que te deixa azul? – Liv começou a rir.

— Não, a prateada.

— Vou defender o tio... a senhora fica estranha com aquilo. Mas mudando de assunto. O que vem agora?

Eu ia responder que iria começar a me maquiar, era cedo, mas eu queria fazer tudo devagar para não errar nada, só que invadiram o quarto.

— FINLÂNDIA!

— Que isso, Vicenzo! Quer me matar de susto? – Reclamei e ajudei Liv que tinha até caído no chão de tanto susto que levou.

Mas o personal stylist de Alex nem se importou e veio para perto de mim, gesticulando sobre o meu estado.

— E o que é isso no seu cabelo?

— Estou tentando ondular o pobre. Não julgue!

— Tem um secador que faz isso.

— Estou tentando me manter longe de qualquer motivo para minha enxaqueca atacar, então esse é o método mais silencioso. De barulho já basta o que vem lá baixo.

— Tudo bem. E como estamos aqui?

— Tudo em ordem.

— O vestido?

— Ali. – Apontei para o cabide onde o saco branco estava dependurado.

— E vamos com qual? O preto ou o dourado?

— O preto. Ele tem mangas, achei que combina mais com Londres.

— Certo. Precisa que eu chame Chelsea e Margot para te ajudarem com a maquiagem?

Eu ia responder que não, mas as duas apareceram com o rosto na porta.

— Podemos entrar? – Perguntaram juntas. Quem olhava para a dupla achava que eram gêmeas, pois sempre falavam como se fossem uma entidade única, mas elas não eram, com muito custo descobri que uma é quatro anos mais velha que a outra e que as duas são órfãs, sendo que Margot acabou por criar Chelsea por um tempo e hoje as duas compartilham a mesma profissão.

— Podem. Mas já aviso, não sei onde Alex está.

— Ele não precisa da nossa ajuda agora. Então viemos te ajudar. – Chelsea entrou e já foi bisbilhotando nas minhas maquiagens. – Você escolheu isso?

Estava pronta para a crítica quando disse sim.

— Simples, mas sem erro. Gostei. Mas tem certeza de que não quer nada mais estravagante? Ousado? – Perguntou Margot.

— Prefiro o básico mesmo.

E as duas fizeram um bico.

— Nada contra o básico, mas poderíamos mudar uma coisinha nisso tudo aqui. – Começaram a falar.

Liv estava parada atrás de mim, só observando.

— E o que seria? – Perguntei desconfiada da boa vontade das irmãs.

— Vamos trocar o tom nude do batom, por um vermelho? Ou o vestido é vermelho.

— O vestido é preto. De renda! – Liv passou na minha frente e deu a informação.

— Definitivamente podemos por um pouco de cor nessa produção!

— Gente, por favor! Eu não quero chamar a atenção. – Pedi.

— E por que não? – Chegou Miguel, o cabelereiro, questionando e olhando feio para a minha cabeça.

E foi nesse momento, que desisti de tudo e me joguei na cama.

— Por que você não deixa com gente? – O quarteto perguntou.

— Por que eu sei me maquiar? – Joguei a pergunta de volta.

— Nós já te vimos maquiada, para o trabalho, Katerina. Você não sabe se maquiar para ficar na frente de um monte de câmeras e luzes fortes.

— Eu já fiz isso!

— Se saiu bem, mas hoje é um pouco diferente. São mais luzes, mais flashs, mais câmeras... mais tudo. – Chelsea comentou.

— E muito vento! Leicester Square venta que é uma beleza! – Miguel falou e me puxou da cama, me colocando de pé. – E isso aqui não vai segurar o seu cabelo ondulado.

— Ou seja, você tem do seu lado profissionais! Que vão te colocar impecável e à prova de qualquer imprevisto! – Margot falou e me ofereceu a cadeira.

— Que querem brincar de boneca comigo! – Murmurei.

— Kat, entenda, hoje somos nós. E você, Loirinha, fique e aprenda, porque um dia será você! – Vicenzo brincou e puxou a ponta do cabelo de Liv.

— Eu só estou curiosa para ver como a tia vai ficar! – Ela disse ficando vermelha.

— Deveria ir junto com ela, isso sim! – Margot falou. – Assim ela parava de reclamar que não vai ter com quem conversar.

— Agora, Katerina, você se senta aqui, que vamos transformar você!

— Vão me tornar impermeável ao clima de Londres, Miguel?

— Quase isso.

— Só não se esqueçam que eu preciso me desmontar depois... e vocês não vão estar aqui para me ajudar!

— Isso é de menos. – Eles garantiram e começaram a trabalhar em mim. E quando eu digo trabalhar, era exatamente isso.

Miguel logo soltou meu cabelo, reclamando que eu nem deveria pensar em colocar aquilo na cabeça porque tenho ele por perto e ele tem os melhores secadores, produtos e técnicas para qualquer ocasião.

Margot e Chelsea ainda foram sensatas e tiveram a educação de me perguntar o que eu tinha imaginado em fazer. Expliquei por alto e disse que queria uma pele mais limpa possível, sem exageros, ou com muito reboco.

Claro que quando usei a expressão “reboco”, eles riram.

Uma hora se passou e eu sabia exatamente o que estavam fazendo em mim, primeiro, porque eles sempre perguntavam se eu gostava da ideia, e, segundo, eles explicavam passo a passo, não para mim, mas para Liv que observava tudo com um interesse ímpar.

Eram 19:00 horas quando a maquiagem ficou pronta. O cabelo ainda faltava prender, mas por conta do apoio da cabeça na cadeira, foi impossível que Miguel terminasse antes que as meninas. E, por todo o tempo, Liv ia e vinha comendo algo, bebendo algo, dando o seu pitaco na maquiagem e no cabelo e eu, bem, eu fiquei com fome mesmo.

E foi só quando faltava um pouco mais de uma hora para sairmos que Alex apareceu para começar a se arrumar.

— Por que a vida dos homens é tão mais fácil? – Perguntei até ofendida.

— E sem graça. Dificilmente eles impressionam tanto no tapete vermelho. – Chelsea garantiu.

Miguel bateu nela com o cabo da escova que ele usava para finalizar a minha franja.

— Com a exceção de Miguel que sempre é O evento.

Tive que rir das palhaçadas que eles faziam.

Finalmente eu fiquei pronta, agora só faltava o vestido, que eu colocaria só no minuto final, para evitar amassados ou um acidente pior.

— E pensar que eu estou com fome e não posso comer nada! – Falei com Liv que me seguia até a cozinha, já que agora era Alex quem passaria pela tortura de ser arrumado.

— Mas tia! A senhora está tão bonita! – Ela comentou.

— Fala mais alto, preciso de mais gente elogiando o meu trabalho! — Margot brincou quando veio pegar uma garrafa de água.

— Vocês fizeram um trabalho incrível! A tia está irreconhecível.

— Irreconhecível ela não está não, Liv. Nós só destacamos o que ela tem de bonito. Ninguém é feio, tem gente que só não sabe destacar as qualidades que tem! E, a sua tia sabe fazer uma boa maquiagem, ela só não tem os produtos certos para o que vai encarar hoje. Com o tempo, nós vamos atualizando a necessaire e vai chegar um dia que ela não precisará de nós. – Brincou e para mim soltou: — Isso é só um exemplo, você vai sim precisar de nós!

— Com certeza. Como poderei viver sem o momento, “deixe o trio brincar de Barbie com você”?

— É assim que se fala! Agora eu vou voltar para ajudar Alexander... é tão difícil trabalhar com aquele lá... uma base e pronto, acabou! Sem graça...

— Quando eu puder me trocar, avise, por favor. – Pedi.

— Pode ter certeza de que Vicenzo vem te chamar.

— Por favor, chamar, não me matar de susto.

— Se ele te assustar e estragar a sua maquiagem, eu arranco os olhos dele com um curvex. – Ela ameaçou. – Você escutou, não escutou, Vicenzo?

— Alto e claro!

Meia hora depois, Alex apareceu na cozinha, já pronto. E eu estava jogando adedanha com Liv.

— Vicenzo pediu para você subir! – Ele comentou depois que Liv reclamou que perdeu mais uma rodada para mim.

— Mandaram um emissário mais calmo agora? – Brinquei.

— Acho que tem a ver com o fato de que Vicenzo quer manter os dois olhos no rosto. Mas posso ter entendido errado.

— Não, setä, o senhor não entendeu errado não... – Liv garantiu e subiu correndo.

— Quer me explicar?

— Só Margot ameaçando arrancar os olhos do seu personal stylist com um curvex, caso ele me assustasse e eu acabasse estragando a maquiagem por isso.

— Ah... – Ele falou um tanto assustado.

— E, por favor, Tanya deve estar para chegar para buscar Liv, peça para esperar um pouco, porque tenho quase certeza absoluta de que a Loira Aguada não sai daqui antes de me ver pronta.

— Até eu estou curioso, Kat. Não me deixaram ver o seu vestido.

— Não tem nada demais. – Garanti e subi, porque Liv já se esgoelava no segundo andar, me chamando e clamando que a mãe já estava vindo e ela teria que ir embora.

— Com coisa que colocar um vestido demora! – Falei para ela que saiu correndo chamando por Vicenzo.

Cheguei no quarto e foi questão de segundos para entrar no vestido e fecharem o zíper. Arrumei o que precisaria na clutch, Miguel deu uma última retocada no meu cabelo, Chelsea me emprestou o batom para o caso de necessitar de um retoque e, os sapatos eu só calçaria quando fosse efetivamente sair.

Liv, claro, foi a primeira a me elogiar, e jurou de pé junto que nunca tinha me imaginado em um vestido tão bonito.

— Não é para tanto. – Eu falei.

— Ah, é sim! A senhora tá muito linda! – Ela saiu falando corredor a fora. Vicenzo, Miguel e Chelsea iam fazendo coro.

Quando desci a escada, Tanya estava na sala, segurando Lena, que quando me viu, ao invés de vir correndo, ficou parada no meio do caminho e me olhava assustada.

— Täti? É você mesmo?

— Sim, Pequena, sou eu.

— Nossa! A senhora tá tão bonita! – Ela disse com os olhinhos brilhando.

— Kiitos Pikkuinen! – Agradeci.

Tanya me olhava até abismada.

— Quando a Lena me disse que o vestido era bonito, eu achei que ela estava exagerando. Mas dessa vez não estava não. Você está realmente deslumbrante, Kat. – Ela disse.

Fiz as devidas apresentações de Tanya com a equipe de Alex e dei todo o crédito a eles.

— Bem, eu não vou atrasar vocês, só vim mesmo pegar a curiosa aqui. – Ela abraçou a filha mais velha. — Agora, vou para casa porque fiquei curiosa com a live.

Liv se despediu de todos e desejou a Alex boa sorte não só no tapete vermelho, como nas bilheterias.

— Ou como se diz no seu mundo, setä, “quebre a perna”!

Elas se foram e era a nossa hora de ir para Leicester Square.

Russell, Bradley e Sara estavam passando as últimas instruções à Alex e coordenavam tudo com Maggie e Hillary que já estavam no local, uma coordenando a nossa chegada e a outra preparando os melhores locais para que tirássemos as fotos e parássemos para a mídia.

Tinha chegado a hora e tudo o que eu sentia era um frio imenso na barriga.

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A ida até Leicester Square foi barulhenta e tumultuada. Por um tempo eu tentei compreender o que todos estavam falando, por fim, sem entender muito e tentando me acalmar o máximo, decidi só olhar para as luzes de Londres.

Alex, agarrou a minha mão quando as luzes do tapete vermelho ficaram mais próximas, achei que ele tentava me dar conforto, mas quando olhei em seus olhos para agradecer, ele buscava conforto e forças em mim.

Eu estava ansiosa por conta do desconhecido. Toda essa situação era inédita para mim. Porém, ele, estava nervoso com outra coisa.

Com o rumo que a própria carreira iria tomar depois de hoje.

E, foi nessa troca de olhares que eu me decidi em parar de ser a coitada da história e virei o apoio que ele precisava. Porque nada disso dizia respeito a mim. Mas sim a ele.

Era a noite dele.

Era o retorno dele.

E eu estava aqui por ele.

Não me importava mais se iriam tirar fotos minhas, se o mundo estaria me vendo ao vivo.

Eu era uma mera coadjuvante a partir de agora. Pelo menos para o restante do mundo.

Assim, encostei minha testa na dele e só sussurrei:

— Vai dar tudo certo, Surfista. Vai dar tudo certo! – Apertei mais forte sua mão. – E não se esqueça, eu estou aqui por você!

Ele me agradeceu com um beijo em minha testa e, pouco depois senti o carro parando.

— Ok, pessoal! É agora! Alex, tem alguns fãs já no começo do tapete. Não dá tempo de atender a todos, mas faça seu melhor. Eu te aviso quando o tempo ficar escasso. Katerina, é só seguir o Alex. Quando for o momento, precisaremos que você se afaste para que ele tire fotos com o elenco. Mas, a essa altura, nós já estaremos na escadaria que dá acesso ao cinema, e você poderá esperar por Alex lá dentro. Hillary e Maggie já estarão lá.

— Certo. – Assenti.

— E, qualquer coisa, eu estou a alguns passos de vocês, assim como Bradley.

— Muito obrigada.

— E quanto a você, hora de brilhar, garoto! – Ele deu um tapinha no ombro de Alex e abriu a porta do carro, descendo logo em seguida.

Alex olhou para mim e apertou a minha a mão.

— Vamos lá, Surfista. Vamos fingir que sabemos o que temos que fazer no meio daquelas luzes! – Eu tentei brincar.

— É, fingir é uma boa palavra. – Ele me respondeu e desceu do carro, estendendo a mão para me ajudar.

Logo que colocamos os pés na beirada do tapete, Miguel apareceu para dar os últimos retoques em nossas roupas e depois saiu correndo até um canto, ele era outro que ficaria ao alcance de nossos olhares junto com Vicenzo se algo desse errado.

Sarah, que é a responsável pelas redes sociais de Alex, veio e pediu que Alex desse um oi para os seguidores, era uma live também nas páginas dele. Pois o cronômetro que tinha sido ativado na semana passada, tinha acabado de zerar.

— O tapete é de vocês! – Bradley informou.

Alex segurou minha mão, fechou o blazer e nos guiou para onde as luzes brilhavam mais forte. Atrás de nós, Russell, Bradley e Sarah, iam nos guiando e filmando tudo.

Ainda não era possível ver toda a extensão do tapete, mas assim que pisamos efetivamente no início, começaram a gritar o nome de Alex. Ele acenou para os que estavam mais distante e se aproximou da grade de proteção, para tirar algumas fotos e assinar algumas fotos. Eu fiquei um pouco mais atrás, junto de Bradley que coordenava tudo e ia gentilmente me explicando o passo a passo de todo o tapete vermelho.

— Pode não parecer, Katerina, mas aqui é a parte mais tranquila.

Logo câmeras apareceram, assim como pessoas com celulares que iam gravando a chegada de Alex.

Ele, já sabendo como isso funcionava, ia avançando devagar, tentando dar atenção a maior parte dos fãs que estavam em ambos os lados do tapete.

Uns dez minutos depois de nossa chegada, Bradley precisou pedir que Alex se apressasse um pouco, pois já estavam quase terminando a entrevista com Ashley, já aos pés da escadaria.

Alex agradeceu aos fãs e pediu desculpas por não poder atender a todos, voltando ao centro do tapete e pegando a minha mão.

— Agora são as fotos oficiais, é só me seguir, Hillary escolheu os lugares onde temos que parar.

Andamos alguns metros e, quando o tapete se afunilou entre o cartaz imenso do filme e as centenas de fotógrafos, paramos.

Flashs disparavam da direita, da esquerda, do centro. Alguns gritavam pedindo que sorríssemos, pedindo que virássemos ou fazendo alguma graça para nos desconsertar por alguns segundos.

Pelo canto do olho vi Maggie orientando os passos de Alex, ela estava agachada atrás da grade, invisível para os fotógrafos e com uma careta, só me indicou que era para que eu relaxasse a postura.

Respirei fundo e fiz o que ela falou, olhando para o centro. Lembrei neste momento de tudo o que Hillary e Vicenzo falaram na minha cabeça na terça durante o dia, eles, entre as trocas de vestidos, me ensinaram como me portar na frente dos fotógrafos, como sorrir, relaxar a musculatura do rosto. Em resumo, eles falaram que, quanto mais eu fizesse as vontades deles, mais rápido eu sairia dali. E foi o que fiz.

Acompanhei os movimentos de Alex, que agora me abraçava pela cintura e, assim, nós nos viramos nas três direções que pediam. Depois avançamos mais alguns passos e paramos, fazendo o mesmo. Parecia sempre a mesma coisa, mas não era.

Em um determinado momento, vendo o aceno de Bradley, me afastei de Alex para que ele pudesse ser o centro das fotos, pudesse mostrar o terno, o relógio e sei lá mais o que ele deveria “vender” neste momento.

E, para meu assombro, me peguei mais calma do que teria imaginado que ficaria.

Olhei para Maggie que me sinalizou para continuar andando e parar perto de um nicho mais à frente. Esperei que Alex desse um passo à frente e passei por trás dele, seguindo Maggie, que agora tinha se levantado e andava do meu lado.

— Você foi muito bem!

— Obrigada!

— Estou falando sério, Kat. Muitos travam completamente nesse mar de flashs, você ficou calma e parecia que sabia exatamente o que fazer, mesmo nunca tendo feito isso.

— Vocês me prepararam a semana inteira para isso. – Comentei.

— Nem sempre preparação é suficiente. Acredite em mim. – Ela me garantiu. – Agora pode ficar aqui, Alex vai parar naquela escada para dar algumas entrevistas. Coisa rápida.

— Tudo bem.

E, do meu cantinho, observei os flashs finais, vi vir à tona o lado modelo de Alex, e, entendi muito bem o porquê de tantas empresas insistiram em tê-lo como garoto propaganda mesmo ele estando afastado.

Ele era, além de charmoso, fotogênico de um jeito que não havia como explicar, a câmara gostava dele e ele tinha uma presença gigante, ele atraía todos os olhares.

Com um gesto de cabeça ele agradeceu aos fotógrafos e pediu licença, indo em direção à jornalista. Antes de subir os três degraus, ele olhou para mim e fez um gesto de que seria rápido. Eu só confirmei com um sorriso, e essa pequena interação chamou a atenção de algumas pessoas.

Maggie foi para o lado dele, assim como Sarah, que agora parecia que fazia uma filmagem geral do evento.

Quem apareceu do meu lado foi Russell, que terminou de me explicar o que aconteceria agora. Indicando o restante do elenco que terminava as suas entrevistas.

E era a primeira vez que eu via o elenco do filme pessoalmente. Assim como o diretor e produtores.

Produtores passaram por Russell e o cumprimentaram, e, eu era apresentada a cada pessoa, trocando breves palavras sobre a noite.

Quando ficou mais calmo onde eu estava, prestei um pouco de atenção na entrevista que Alex dava, lógico que eu não conseguia escutar o que era falado ali, mas foi até engraçado, porque logo que comecei a olhá-lo, ele se virou na minha direção, e acenou, dando ao dar um passo para o lado esquerdo, pareceu deixar que a câmera focasse em mim. Respondi ao cumprimento olhando para ele, porém não perdi o olhar da repórter que parecia falar de mim.

Essa cena foi rápida, e ele logo se voltou às perguntas, contudo, fiquei imaginando o que ele falara.

Alguns minutos depois, Bradley me avisou que era só mais algumas fotos e eu poderia entrar no cinema, mas que Alex ficaria no tapete vermelho para as fotos com o elenco e produção.

E lá fui eu para mais uma sessão de fotos. Porém, ainda estava curiosa com o que tinha acontecido na entrevista, e acabei por perguntar à Alex, como estávamos caminhando para a próxima marcação do tapete, onde deveríamos parar, ele me olhou e, sorrindo, respondeu:

— Eu só estava agradecendo às pessoas que me apoiaram a voltar. E, você representa todas elas nessa noite. – Terminou de falar e me deu um beijo na testa.

Eu senti meu rosto corar na hora e, também, notei a quantidade de flashs que estouraram antes da hora. Quando ele se afastou, sorria ainda mais, e ainda falou:

— Obrigado por estar aqui nessa noite, Kat.

E depois disso, as próximas fotos foram um borrão. Lembro-me de ter parado nas marcações, mas não me lembro de ter posado.

Por fim, ele seguiu para cumprimentar alguns dos atores que já haviam passado por mim e eu segui Maggie para dentro do cinema, passando por trás de todo o elenco, para não sair nas fotos.

Lá dentro encontrei com os outros acompanhantes dos atores e da produção. Era muita gente e a grande maioria não sabia o que fazer. Fiquei aliviada ao constatar isso.

Sem ter conhecidos em comum, pelo menos não naquele momento, acabamos por nos apresentar. E, as conversas começaram simples, falando do tempo, depois alguém comentou sobre ser a primeira vez em Londres, e outro comentou:

— Depois de hoje você não vai nem querer voltar aqui! Porque ô cidade para chover! Choveu o dia inteiro!

Eu até ia defender a chuva, mas depois que ouvi que a pessoa era brasileira, decidi ficar quieta, afinal, não tem como competir com o clima do Brasil.

E a conversa foi girando, fomos comentando coisas aleatórias e até mesmo contando de nossos países, quando nos avisaram que poderíamos ir para a sala destinada à estreia.

Estava conversando com a esposa do diretor, e me dirigindo para o fundo da sala, que é o meu lugar favorito para assistir a um filme, quando fui avisada que tinha lugar marcado e me mostraram onde era.

Um tanto sem graça, agradeci o aviso e me sentei no meio da sala, notei que o lugar de Alex estava marcado do meu lado. E, ao virar a cabeça como que observando o lugar, vi Hillary, Maggie e Miguel no fundo, bem no lugar onde eu gosto de me sentar. Miguel me acenou e me mandou virar para ver o filme. tive vontade de responder com um balançar de mãos, mas fiquei com medo de ser ofensivo para alguém, então apenas revirei meus olhos diante da sua brincadeira e voltei meus olhos para a tela.

Só para sentir meu celular vibrando na minha clutch.

Como as luzes ainda estavam altas, peguei o aparelho só para ver quem estava me mandando mensagem.

O Bando de Loucas estava em polvorosa, Liv tinha me enchido de mensagens e até mesmo minha mãe e minha sogra tinham se lembrado de mim. E, claro, a mensagem que chamou minha atenção era de Miguel e ele falava:

Na melhor hora que é o filme, você fica olhando para trás?

Não resisti e tive que responder:

Só estava procurando pela personificação do Evento!! Afinal, não é você que sempre é O cara?

Escutei a gargalhada dele sem nem precisar olhar para trás.

Guardei o celular e me preparei para ver o filme, curiosa com tudo, porque apesar de que há quase um ano eu estava lendo esse script, eu não me lembrava de muita coisa... assim, tudo ali seria inédito.

Os créditos iniciais começaram e, antes da primeira cena, Alex se esgueirou para se sentar do meu lado.

— Perdi alguma coisa? – Ele perguntou e me assustou.

Dei um tapa nele, para descontar o susto.

— Não me atrapalhe, estou vendo um filme. – Sussurrei.

— Que bom, me conte se gostar. – Comentou e se ajeitou na cadeira. Quando olhei na sua direção, vi que ele estava de olhos fechados.

— Alex!

— Não me obrigue a ver.

E ele ficou assim o filme inteiro, ou foi o que eu pensei, porque quando as luzes aumentaram e os aplausos foram muitos por um longo tempo, ele sussurrou no meu ouvido:

— Eu não deveria reclamar do fato de que você fechou os olhos em algumas cenas, mas eu vou reclamar sim. É falta de consideração com toda a produção fazer isso.

As cenas em questão eram as poucos e esparsas cenas românticas do filme, e, por mais que eu tenha tentado desassociar o personagem do ator, eu não consegui, assim, como não consegui ver as duas cenas de beijo que teve.

Eu não respondi ao seu comentário, e isso o deixou ainda mais feliz.

— Em casa a gente conversa, tudo bem? – Ele brincou comigo e depois de me dar um selinho, saiu do seu lugar, pois tinha acabado de ser chamado ao palco em frente à tela para falar um pouco sobre o filme à audiência.

Sobre o filme eu tenho que admitir que adorei. Mas também, como não gostar de um filme que é ação e suspense puros? Impossível.

E eu tinha a estranha sensação que seria a estreia do ano.

As perguntas para os atores e produção acabaram e, poderíamos dizer que o dia também.

Já era quase meia-noite de um dia que tinha sido cansativo de uma forma completamente diferente para mim. Mas que acabou de uma maneira inesperada. Pois quando estávamos deixando o cinema, logo depois que eu fui devidamente apresentada a cada um da produção e do elenco, e que pude agradecer pessoalmente à Ashley por sua fala quando o escândalo que envolveu Lee, Mia e Suzanna estourou, Alex saiu até cantarolando do lugar, segurando a minha mão. Depois de ter passado vários dias nervoso e tenso por conta dessa noite, ele estava aliviado e feliz.

— Alguém vai dormir bem melhor nessa noite! – Comentei com ele, depois de nos despedirmos de sua equipe que ia para o hotel, afinal amanhã eles iriam começar a turnê pela Europa.

— Você não faz ideia, Kat. Parece que um peso saiu de meus ombros. – Ele me respondeu assim que entramos no carro. Dessa vez voltávamos sozinhos para casa. – E eu tenho que te agradecer por tudo o que você fez não só nessa semana, mas nessa noite. Não são muitas pessoas que enfrentam um tapete vermelho como você fez.

Iria responder que não fiz nada que ele não faria. Aliás, ele já fez...

— E, por ter sido a minha âncora nessa noite. Se você não estivesse do meu lado quando descemos desse carro, quatro horas atrás, eu não sei se teria cruzado aquele tapete, atendido à impressa ou se tivesse conseguido ficar naquela sala enquanto o filme passava. Se eu sobrevivi a essa noite, é graças a você.

Eu agora estava muito sem graça.

— Alex... – Tentei começar, mas ele não me deixou continuar.

— Só aceite, Katerina, que hoje você foi a peça mais importante dessa estreia, mesmo que ninguém, além de mim, saiba disso. Obrigado. – Ele me puxou de encontro ao seu corpo e beijou a minha testa.

Ficamos em silêncio pelo resto do caminho, ele me abraçando e eu ainda procurando palavras para contradizer o que ele havia dito, todavia não encontrei nenhuma.

Ao chegarmos em casa, agradecemos ao motorista, e, antes mesmo de entrar, Alex ainda comentou.

— E, claro, eu tirei a sorte grande, pois cheguei e sai desse tapete vermelho, ao lado da mulher mais bonita do mundo.

— Alex... – Adverti.

— Você se olhou no espelho depois de pronta? – Ele me perguntou.

A resposta era, não. Eu não tinha olhado, porque eu não tenho rompantes de narcisismo.

— Imaginei que não. – Ele falou e, antes que eu tirasse meus saltos, me puxou mais para dentro do hall, nos colocando de frente para o espelho que tinha na parede oposta. E eu observei a beldade que estava parada ao lado de Alex, até espantada com quem ela era. Mas, ao ver com atenção, notei que eu estava ali, um tanto produzida demais, é verdade, mas era eu. – Não disse. – Ele respondeu ao meu olhar de espanto para meu próprio reflexo. – Liv, Lena e Tanya não mentiram, nem cada um daqueles fotógrafos que te elogiaram, mas acho que isso você também não ouviu, não é mesmo?

Balancei negativamente a cabeça. E ele riu.

— Vem aqui. – Chamou-me e esperou que eu tirasse os sapatos e os colocasse na sapateira, assim como ele já tinha feito, me levou pela sala, eu novamente parei em frente ao espelho, vendo todo o trabalho de Miguel, Chelsea e Margot, que sobreviveu ao vento, ao chuvisco que estava caindo e, agora mais à noite, ao frio. Na minha mente, eles mereciam todo o crédito. Não eu.

Alex esperou que eu me achasse naquela mulher com uma produção sofisticada e, quando notou que eu realmente me reconhecia ali, me puxou para o quarto, era hora de deixar essa desconhecida elegante para trás e virar a Katerina de sempre.

— Uma pena que aquele mulherão perfeito foi embora junto com toda aquela água micelar e espuma de banho, hein? – Brinquei com ele assim que sai do banheiro vestindo meu pijama, com o rosto totalmente limpo e o cabelo lavado e seco e sem graça.

— Não vou negar, você estava deslumbrante nessa noite, mas prefiro você assim. – Ele, que ainda estava com a camisa e a calça social falou e eu levantei uma sobrancelha na sua direção, duvidando de suas palavras. – Quer saber por quê?

— Mas é claro. – Sentei- me na cama para ouvir a sua explicação.

— Porque essa é a Katerina que passou correndo na minha frente naquele sábado de manhã. Foi por essa Katerina que eu me apaixonei. Aquela Katerina pode ser bonita, mas ela esconde você. Como você me disse no lançamento da campanha da Porsche, se eu tenho um sorriso para as câmaras e outro para você, é a mesma coisa, entre você – e ele deu um peteleco no meu nariz – e aquela Katerina ali. – Apontou para o vestido que estava dependurado e que eu mandaria lavar no dia seguinte. – Ela camufla você. E eu não gosto disso. Mas até posso aceitar, porque assim, o mundo nunca vai te conhecer como eu conheço. – Ele me deu um beijo e foi para o banho, me deixando pensando no que ele havia dito. – Será que você me espera acordada? – Perguntou já dentro do banheiro.

— Vou tentar.

E, quando ele finalmente veio se deitar, depois de confirmar a agenda do dia seguinte – ele partiria ao meio-dia para a Itália e eu um pouco mais tarde, rumo à Califórnia, — ele murmurou algo como:

— Eu agradeço todos os dias àquela manhã de sábado em que você passou voando por mim no calçadão de Venice Beach, se você não tivesse aparecido, eu teria abandonado essa carreira de vez. Obrigado por me trazer de volta ao que eu gosto de fazer.

Mas como eu já estava mais dormindo do que acordada, não tive certeza de suas palavras e de todas as implicâncias que elas traziam.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Muito obrigada a cada um que está lendo essa história! Até o próximo capítulo!