Presos Por Um Olhar
144 Decisão
Notas iniciais
Voamos para a Itália na segunda de manhã, e quando eu digo, voamos, estou incluindo cada residente dos EUA que fora convidado para a festa.
Apesar de longo, foi um voo bem tranquilo, se se levar em conta a quantidade de gente que estava dentro da aeronave.
Aterrissamos no aeroporto de Trieste, local onde seria realizado o casamento e, mesmo sendo alta madrugada, provando que Pietra sabe como organizar um evento, tinha uma frota de carros para nos levar até o centro da cidade e ao hotel que fora reservado para os convidados.
A cidade não era inédita para mim, então não me vi empolgada como os demais que nunca, sequer, haviam pisado na região Nordeste da Itália e visto as belezas do Mar Adriático, mesmo que a noite.
- Pietra escolheu bem. – Alex comentou quando passamos perto do Castelo onde seria a cerimônia.
- Não ache que ela só olhou para o próprio umbigo ao escolher essa cidade. Durante o dia você vai entender o porquê de Benny ter aceitado que fosse aqui. – Garanti.
Alex me olhou meio incrédulo, e me restou fazer a seguinte pergunta:
- Quer apostar quanto?
- Não vou apostar mais nada. Até porque eu estou te devendo umas três ou quatro apostas.
- Então aguarde o amanhecer e você irá entender. – Pisquei em sua direção e voltei para dentro do quarto, pronta para cair na cama, na vã tentativa de não estar virada no fuso quando acordasse, algo que sabia ser impossível, pois em Los Angeles eram apenas oito da noite.
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Parecia que eu mal havia fechado os olhos quando o despertador tocou.
- Por que você armou um despertador? – Resmunguei com Alex.
- Eu não armei nada! – Ele me respondeu tão mal-humorado quanto eu.
- Esse não é o meu. Então só pode ser o seu!– Falei meio zangada e virei-me para o outro lado.
Escutei Alex se remexer na cama e depois reclamar quando se escorou em mim e atendeu o telefone de cabeceira que estava do meu lado.
- Falei que não era o meu. – Disse presunçoso assim que bateu de leve com o telefone em meu ombro. – Pietra para você.
Destampei minha cabeça e encarando, tanto Alex, quanto o telefone, atendi a chamada.
- Buongiorno Bionda! – Pietra me saudou.
- Quantas horas? – Resmunguei.
- São oito da manhã.
Um tanto devagar fiz as contas. Eu tinha dormido apenas duas horas e meia.
- O que você quer?
- Mas acordou azeda, hein? – Ela me respondeu.
- Dormi muito pouco depois de uma viagem muito longa. Agradeça por ter atendido.
- Preciso da minha madrinha principal para me ajudar hoje.
- E eu sou a sua madrinha principal? – Perguntei, agora me sentando na cama.
- Sempre foi.
- Fiquei sabendo disso agora.
- Bionda, é você, largue o Tatuado, se apronte que um carro já está à sua espera na recepção.
- O que você quer de mim?
- Simples, preciso de você para me ajudar com uns probleminhas que surgiram.
- Pietra... não é o meu casamento.
- Mas como você já organizou um, vai saber me ajudar. Andiamo! – Ela falou e desligou.
Coloquei o fone no gancho com um pouco mais de força do que seria necessário, e joguei minhas pernas para fora da cama, praguejando em finlandês.
- O que a Louca queria? – Alex perguntou sonolento.
- Me dar trabalho. Pode voltar a dormir e aproveite o dia.
- Você não vai me levar para conhecer a cidade?
- Provavelmente estarei ocupada o dia inteiro. Ao que parece sou a Madrinha Principal e ela me quer para ajudá-la. Isso pode demorar. Aliás, vai demorar. – Garanti e fui para o banheiro tomar um banho e me trocar.
Quando saí, Alex já estava de pé, observando a vista do Mar Adriático, enquanto bebericava um autêntico espresso italiano e, assim que me ouviu andando pelo quarto, se virou para me encarar.
- Vai bonita assim? – Perguntou.
- É alto verão, Alex. Não vou torrar no sol da Itália de jeans e camiseta.
- Gostei do vestido. – Ele comentou casualmente.
- Só do vestido? – Apontei para a vista que a sacada do quarto nos dava.
Ele abriu um sorriso.
- Agora eu entendo o que Benny viu aqui.
Foi a minha vez de sorrir.
- Eu te falei que tinha muito mais do que um Castelo que pertenceu à Família Real Austro-húngara. – Dei um beijo nele. – Te vejo a qualquer hora.
- Sua família já chegou aqui?
- Devem estar chegando pela manhã. Pelo menos foi isso que minha mãe me falou ontem, se é que foi ontem... enfim, você vai esbarrar neles por aí. E te garanto que Elena vai querer ir para a praia... assim você tem uma excelente desculpa para dar um mergulho.
Alex deu uma risada.
- Claro, levar a baixinha para a praia... a coisa mais fácil para se fazer.
- Pense pelo lado que a sua sobrinha gosta de água tanto quanto você. E topa qualquer coisa que envolver ficar horas dentro do mar. – Pisquei para ele e roubei um beijo. – Te amo.
- É, eu já sabia disso.
Fiz um biquinho e ele me deu outro beijo.
- O que não significa que eu não goste de ouvir você dizer. – Ele completou.
- Te voglio bene. – Murmurei contra os seus lábios.
- Essa vai para o bloquinho. – Ele comentou feliz.
- Ainda tem espaço lá? – Questionei já da porta.
- Você vai ter que aprender mais umas duzentas línguas para completar todas aquelas folhas. – Ele falou feliz. – Vê se consegue ao menos almoçar comigo.
- Vou tentar, mas não prometo nada. – Assoprei um beijo na sua direção e saí para o corredor.
Na recepção, acabei por encontrar com Tanya, Ian e as meninas, Tuomas tinha se inscrito para um estágio de verão e estava trabalhando nessa semana, assim, se ele animasse de vir, o que eu achava impossível, só apareceria no sábado para a cerimônia.
- Bom dia para vocês! – Falei e fui abraçar um por um!
- Täti! – Minhas sobrinhas vieram correndo até mim. – Eu senti tanta saudade!
- Eu também.
- Vai para onde? – Quis saber Olívia.
- Ajudar Pietra. – Informei.
- Äiti, vou com a tia! – Ela só falou e se grudou no meu braço.
Olhei para Elena, ela fez que não e depois explicou os motivos:
- Isä vai me levar para a praia! – Disse toda feliz.
- Leva o seu tio, ele está lá em cima doido para ir também.
E foi aí que a baixinha se empolgou mais ainda.
- Boa praia para vocês! E até qualquer hora! – Falei ao me despedir e fui em direção à porta, quando foram abertas, vi que tinha uma Ferrari Purosangue com motorista me esperando.
- É tia, nada de carros alemães para você nessa semana. – Liv falou rindo.
- Ossos do ofício. – Murmurei quando me aproximei do carro e o motorista abriu a porta para nós.
- Grazie. – Agradecemos.
E, com poucas palavras, ele nos informou onde nos levaria. Até o outro lado da cidade.
Mal coloquei o pé para fora do carro, vi Pietra toda nervosa dentro do ateliê. Boa coisa não deveria estar acontecendo e quando ela viu que Liv estava comigo, só deu uma gargalhada.
- Então você veio com a sua sombra. – Ela brincou assim que Liv entrou do meu lado.
- Ciao, zia![1] – Minha sobrinha brincou.
- Não comece, fofoquita! – Pietra alertou e depois foi em direção a uma das inúmeras salas do ateliê, falando que tínhamos que ajudá-la com um o último problema que havia surgido.
E de problema em problema, o dia foi passando, fui obrigada a ligar para Alex e falar que não daria para almoçar com ele.
- Não tem problema, estamos todos na praia. – Ele disse sem vergonha alguma. Mel já chegou também e trouxe o namorado alemão dela. Então você pode imaginar a bagunça que está...
- Posso imaginar. Juro que janto com você, ou com vocês, pelo visto.
- Eu só não vi Liv, ela não veio?
- Está comigo.
- Claro, seu carrapato já está te seguindo, fala para minha sobrinha que eu também estou por aqui.
- Vou avisar. E tenho que ir, antes que a Noiva Desesperada jogue meu celular pela janela.
E foi assim o restante do meu dia, sentada em um quarto de hotel, resolvendo tudo o que Pietra não tinha conseguido resolver, ou melhor, se decidir.
Os últimos detalhes da cerimônia e da festa foram fechados, os problemas com os vestidos que a noiva iria usar também foram solucionados, no fim da tarde, Tanya arrastou uma exausta Elena para a prova final do vestido de dama, e ela, que estava um tanto emburrada por ter tido a diversão da praia interrompida, ficou toda eufórica quando viu que usaria uma coroa de flores e um sapato todo brilhante.
Os vestidos das madrinhas foram entregues, e eu teria que distribuí-los entre as meninas, assim como os ternos dos padrinhos.
Eram quase oito da noite quando pisei no lobby do hotel. Um tanto cansada demais e com o fuso horário batendo em mim, tudo o que eu queria era tomar um banho e cair na cama, porém, Vic e Pepper me encontraram e me intimaram para ir para o restaurante da cobertura, onde todos estavam para jantar.
- Meninas, por favor, andei atrás de Pietra o dia inteiro debaixo desse sol e nesse calor horroroso...
- Katerina, você TEM que ir! – Disseram minhas cunhadas.
Achei injusto que eu tivesse que fazer as vontades de todos nesse dia...
- Eu vou tomar um banho primeiro. E não me apressem. – Avisei e depois de entregar os vestidos que elas usariam e o de Mel também, subi para meu quarto.
Demorei o tempo que quis e assim que pisei na cobertura, gritaram “aleluia” tão alto que assustou os pobres garçons.
- Achei que você não viria. – Alex comentou comigo quando me sentei ao seu lado, depois que cumprimentei meus pais e todos os presentes, além de ser formalmente apresentada a Henrich, o namorado de Mel.
- Quase não vim. Foi por um tris que eu não atendi aos chamados da cama. – Comentei.
E, apesar do cansaço, eu aproveitei a noite como há muito não fazia, entrando no clima especial que somente um casamento poderia trazer. E, aos poucos, lá no fundo, uma vontade que querer ser a noiva foi se instalando em mim.
Não era inveja pelo que estava acontecendo, mas sim uma vontade inexplicável de poder fazer tudo isso de novo. De juntar todas essas pessoas em um jantar antes da festa, de jogar conversa fora, de ouvir brincadeiras sem sentido e as risadas leves e alegres de todos enquanto faziam brindes aos noivos, que apareceram um pouco mais tarde.
E vendo a alegria nos rostos de nossos amigos, sentindo o clima agradável que se instalou naquela cobertura, eu só pude olhar em volta e pensar que isso teria que se repetir.
E não poderia demorar muito.
Vi os casais se levantarem de seus assentos e irem dançar, mesmo que não tivesse pista de dança, vi como, a cada momento, alguém comentava sobre a expectativa de ver logo o vestido da noiva e ouvi, com um deleite imenso as apostas bobas que os meninos faziam, se Benny iria chorar, se alguém iria tropeçar, ou até mesmo se o padre iria aparecer bêbado para a cerimônia.
Acompanhei as risadas de todos quando Matt ensaiou o seu discurso de padrinho, quando Vic, conhecendo Pietra, imitou um chilique que ela provavelmente daria se algo desse errado, mesmo sem saber que ela já tinha dado esse mesmo chilique hoje. E, a certa altura, apenas escorei minha cabeça no ombro de Alex e fiquei curtindo as palhaçadas da turma, que agora ao invés de contar quantas adições tinha no line up do surf, começou a contar, quem seria o próximo a escorar de vez a prancha e virar um homem casado.
Quando falaram isso, os olhares recaíram sobre Will, Matt, que vinha enrolando Emilly há uns quatro anos, e, claro, Alex.
- E aí, quem será o próximo a pagar uma festa dessas para nós? – Lilly perguntou zombeteira.
Os três falaram que não eram eles.
- Assim não dá, temos que ter uma dessas por ano. – Grant falou.
- E em oito não terá mais ninguém na praia nos finais de semana. – Benny brincou.
- Pior que é verdade... afinal, depois do casamento vem os bebês. – Emilly comentou e olhou para Seb que dormia tranquilamente no carrinho perto de Kim.
- Melhor ainda... aí vai começar a fase de ensinar os pequenos a surfar. E continuar as aulas das europeias que cada dia que passa, inventam uma desculpa para não entrarem na água.
Fingi-me de desentendida e Pietra fingiu que não escutou a indireta.
E, assim, a noite passou e acabou que fomos expulsos da cobertura, pois o bar fechou. A cada andar que o elevador parava, um se despedia e, assim que parou no 15º, descemos Alex e eu.
- Agora, a pergunta que não quer calar. – Ele murmurou contra meu cabelo, já que praticamente me carregava, tamanho era meu sono e cansaço.
- Qual? – Perguntei e tive que esconder um bocejo.
- Por que ficou tão quietinha de um tempo para cá?
- Só estava aproveitando o clima gostoso e leve que estava lá em cima.
E eu conhecia meu noivo muito bem para saber que ele não tinha acreditado totalmente em mim. Que ele sabia que eu escondia algo. Mas não era hora nem lugar para contar a minha decisão.
Essa semana era de Pietra e Benny.
E nada, nem ninguém estava autorizado a estragar cada uma das memórias que eles construiriam aqui em Prieste.
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A semana passou sem maiores incidentes, a não ser claro, os ataques de desespero de Pietra, mas que no fundo, não tinham nada de importantes, afinal, ela só estava nervosa, muito nervosa, com tudo o que o fim de semana traria.
- Bionda, isso não vai dar certo. – Ela murmurava ao olhar pela milésima vez a disposição das mesas.
- Pietra, pelo amor de Deus, pare com isso! Já está tudo decidido e arrumado. E te aconselho não mexer em mais nada. Seu nervosismo só vai estragar qualquer decisão que tome.
- Mas tem...
- Não tem mais nada! – Tomei o planejamento de sua mão, fechando o livro e guardando na minha bolsa.
- Eu vou precisar...
- Como a Principal Madrinha, agora é a minha responsabilidade. Você só tem que aproveitar o jantar de ensaio e depois o dia da noiva. Nada de mudança de planos de última hora, ou de resolver problemas para você. – Falei séria.
- Eu não fiz isso para você há alguns anos.
- Não precisou, não é?
E A Louca se jogou dramaticamente no sofá, soltando um suspiro alto:
- Estou me sentindo uma inútil.
- Com que? – Vic quis saber, colocando a cabeça dentro do cômodo, era hora das madrinhas se reunirem para fofocar.
E a italiana só gesticulou para o ambiente.
- Vocês trabalharam na organização desse casamento desde antes de anunciarem o noivado. Nada vai dar errado, Pietra. Nada. – Garanti.
Vic fez um som de desdém e depois de se sentar em uma das poltronas, acompanhada por Mel e Pepper, acrescentou:
- Você está fazendo uma tempestade em copo d’água. Também fiquei assim na proximidade do meu casamento, e hoje, sete anos depois, posso dizer, foi por nada. Parando para pensar, me dá até vontade de rir.
Pietra pareceu considerar as palavras de Vic com atenção e acabou por ficar quieta em seu canto, enquanto as quatro madrinhas buscavam de última hora, inspiração para a maquiagem e penteado.
- Sério que estão fazendo isso somente agora? – Claro que a Louca não ficaria calada por muito tempo.
- Só agora tivemos tempo e paz para resolver isso. – Mel falou. – Isso sem contar que só agora que as quatro estão reunidas no mesmo país e sobre o mesmo teto para entrar em um consenso.
Pietra bufou algo e depois enfiou a cabeça entre Vic e Pepper para dar o seu pitaco no que escolhíamos. E assim passamos o restante da tarde, entre escolhas de maquiagem, fofocas e risadas, algo que há muito tempo não fazíamos.
Faltando um par de horas para o jantar de ensaio, voltamos para nossos quartos com o intuito de nos arrumarmos, claro que eu não teria o sossego necessário para isso, afinal, não seria a minha vida se não surgisse um problema, ou vários, para resolver.
- Kat? – Escutei Alex me chamando assim que abri a porta da suíte. – É você?
- Quem mais seria, Alex? O serviço de quarto? – Retruquei ao colocar a minha bolsa em cima da mesa e tirar de lá o cronograma do casamento.
- Não sei, só confirmando. – Ele gritou de dentro do banheiro. – Mas...
- Do que está precisando, Alex?
- Minha roupa.
- Você não dependurou no cabide quando chegamos?
E ele só colocou a cabeça pingando água para fora do banheiro e me encarou com olhos arregalados, que me diziam que ele nem sabia que tinha que fazer isso.
- Alex, por favor...
E meu noivo me soltou um sorrisinho de quem se desculpa e eu tive que correr para ver se conseguia salvar a roupa que ele usaria nessa noite.
- Como você me esquece de tirar os dois ternos que trouxe de dentro dos sacos de transporte? COMO? – Comentei ao invadir o banheiro e aproveitar o vapor do chuveiro para me ajudar a umedecer a camisa para passar.
- Achei que...
- Por favor, não complete com “você iria fazer”.
- Achei que não precisava. – Ele se corrigiu e eu estreitei o olhar em sua direção.
- Mas mente mal...
Alex sabiamente ficou quieto, voltando a fazer a barba, mas ao mesmo tempo me observava ir e vir, tentando salvar a sua pele, ou melhor, sua vestimenta para a noite.
Com muito esforço e boa vontade, desamassei a camisa, o paletó e a calça foram mais fáceis, não estavam tão amassados assim, mas fingi uma dificuldade que não tive, só para que Alex se sentisse culpado, depois dependurei tudo no cabideiro e quando o encarei, somente soltei de forma ameaçadora:
- Espero que você não amasse tudo na hora de se vestir. E, você tem cinco minutos para desocupar o banheiro.
- Cinco minutos?
- Tenho que me arrumar, e, ao contrário de você, não tenho ninguém para me ajudar. Anda, tchau!
Alex me encarou, me desafiando a tirá-lo de lá quando o tempo se acabasse.
- Vai achando que eu não te despejo daqui, porque eu faço isso.
E cinco minutos depois eu estava ocupando a bancada do banheiro, mesmo que Alex ainda estivesse por lá, espalhando por todo o lugar minhas coisas.
- Ei, ei, ei... – Ele começou quando tirei o seu barbeador do lugar onde ele havia colocado para espalhar minha maleta de maquiagem, devidamente atualizada por Chelsea e Margot com os melhores produtos do mercado.
- Eu avisei, queridinho. O banheiro agora é meu! – Dei um sorriso na sua direção e depois roubei um beijo.
- E eu?
- Você teve a tarde inteira para fazer isso. – Respondi e comecei a separar o que precisaria para minha maquiagem.
Alex me olhava um tanto perplexo enquanto eu ia e vinha dentro do cômodo, causando um pequeno caos, por fim, ele se cansou de toda a minha andança (e falatório, diga-se), e saiu do banheiro, murmurando que eu o estava deixando até tonto de tanta coisa que tinha para fazer.
- Isso porque amanhã à noite será muito pior!! – Avisei e só para mim: — E eu não avisei que te expulsava daqui?
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O jantar foi impecável, já no Castelo de Miramare, foi uma prévia muito bem organizada e maravilhosa do que nos aguardaria no próximo dia.
Pietra, chocando a todos, não estava com um tradicional vestido branco, mas sim um terninho branco, todo bordado com cristais na lapela, sua roupa combinando perfeitamente com a de Benny, com a exceção dos cristais, é claro.
Os dois chegaram juntos, depois que os convidados já estavam em seus lugares, cumprimentaram um por um e, após terem servido o champanhe, eles agradeceram nossa presença e ajuda.
Daí para o final foi um desfile de boa comida, bom vinho, conversas animadas e, uma pequena festa na pista de dança.
Alguns pontos do castelo já estavam começando a ser decorados, flores das mais diferentes espécies, tamanhos estavam sendo colocadas em vasos. As cores não variavam, somente branco e vermelho vivo, claro que teria que ser vermelho e nada mais.
Tendo o próximo dia uma agenda apertada, o jantar de ensaio era a única pré-festa que tinha horário para acabar e, antes das onze da noite, estávamos todos de volta ao hotel. Dessa vez, tendo Benny como companhia, uma vez que, pelo menos na máxima de que o “noivo não deve ver a noiva antes do altar” seria seguida.
Um tanto cabisbaixo, Benny seguiu os meninos para o bar do hotel, eles prometendo que fariam valer a última noite de solteiro do primeiro da turma que estava para se casar.
- Só não deixem o noivo de ressaca para amanhã! – Mel avisou, quando vimos nossos parceiros e amigos irem conversando alto na direção do bar principal.
- Isso não vai prestar. – Vic predisse.
- Olha, eu conheço aquele pessoal há muito tempo, e ninguém ali é muito forte para bebida... espero que eles não exagerem, ou teremos um problema bem grande para resolver. – Pepper falou ao ver os homens indo alegres para o outro lado do hotel.
- Correção, eles irão resolver os próprios problemas, nós temos os nossos. – Mel disse se virando na direção oposta e indo para os elevadores.
- Eu estou com Mel. Eles sabem da importância do dia de amanhã, se fizerem besteira, que se virem para resolver. – Segui minha amiga para o elevador.
- Sério?! – Vic perguntou perplexa.
- Sim. – Dissemos.
As demais mulheres se olharam céticas, ainda não muito certas se deixar os homens se divertirem era uma boa ideia.
Uma boa ideia, não era, mas era problema deles. E eu bem que estava precisando de uma boa noite de sono de beleza, assim, lavei minhas mãos e fui para o quarto.
- Boa noite para vocês, meninas. Até amanhã de tarde. – Sim, o combinado foi que cada uma descansaria até a hora que quisesse, uma vez que Pietra estaria nas mãos dos melhores profissionais italianos e para nós fora reservado o spa do hotel, onde cada uma seria devidamente arrumada, após o almoço.
Eu nem vi que horas Alex entrou no quarto, dormi como uma pedra, finalmente agradecendo ao fato de que eu teria uma noite completa de sono para descansar.
Finalmente depois de seis dias sendo acordada com o nascer do sol, consegui dormir até tarde. Tudo bem que não acordei sozinha na cama, e não era da companhia de meu noivo que eu falava, era de minha sobrinha mais nova.
- Elena?! – Perguntei um tanto surpresa ao ver a garotinha um tanto amassada e descabelada de tanto ter dormido.
- Hei täti! – Ela me respondeu com um bocejo e se sentou na cama.
- Pelo visto dormiu bem.
Lena só balançou positivamente a cabeça.
- E como você veio parar aqui?
- Isso é engraçado. Mamãe pegou o cartão do setä e me mandou entrar. Como a senhora estava dormindo como uma pedra, não consegui te acordar, aí acabei por dormir de novo.
- Fez bem. Mas porque sua mãe te colocou aqui dentro? – Por mais que minha sobrinha tenha sido clara nas suas palavras, a explicação não foi lá muito completa.
E Elena mordeu os lábios e deu de ombros.
- Não sei... na verdade eu não entendi muito bem... mas tinha a ver com o tio Benny. Acho que ele estava passando mal. Será que foi a comida de ontem à noite, täti?
Então os meninos tinham exagerado no bar.
- Não creio. Deve ser nervosismo. – Garanti a ela.
- Mas a tia Mel falou que a Tia Pietra iria assassinar todos os rapazes. Eu sei que a Tia Pietra é meio lelé das ideias, mas porque ela iria assassinar todo mundo? E por que hoje? Hoje não é o casamento dela? Eu não acho que ela vai ter tempo para fazer isso. Na verdade, nem certo é... mas aí eu fui falar isso para a Tia Mel, e ela me olhou torto, Tia Vic começou a rir e foi a tia Pepper junto com a mamãe que me trouxeram para cá.
- Ah. – Foi tudo o que eu consegui responder. – E o seu tio?
- Qual dos dois? – Lena me perguntou pulando da cama, já que eu havia me levantado e começava a estender a cama.
- Os dois. – Confirmei.
- Também comeram algo estragado. Aí a tia Vic falou para o tio Kim que ele não chegaria perto do Seb, deve ser para ele não ficar doente também, né?
- Sim, com certeza.
- E o tio Alex saiu com o tio Benny. Mas ele não estava muito bem não. Estava com dor de cabeça, e veio aqui no quarto e acabou saindo com os seus óculos escuros, täti.
- Meus óculos?
- Sim, ficou estranho nele, a Liv viu e começou a rir, achei feio, ela tinha que ter falado para ele que não eram os dele.
- Aposto que ela tentou, ele que não escutou.
- Não sei. Só sei que tava todo muito meio esquisito lá embaixo.
- Imagino que sim. – Respondi.
- E agora? O que a gente faz? – Ela me perguntou toda preocupada.
- Nós vamos nos arrumar para o casamento. Você é a dama de honra e tem que estar muito bem apresentável. E eu sou a madrinha. Vamos começar lavando o seu cabelo, o que acha?
Elena, vaidosa como só, concordou comigo, e logo eu estava conduzindo a falante e fofoqueira garotinha para o banho, não sem antes ter mandado uma mensagem para meu noivo desaparecido
Fiquei sabendo que exagerou ontem, pelo amor de tudo o que há de mais sagrado, não me apareça na cerimônia com cara de ressaca.
Ele me respondeu não muito tempo depois.
Eu estou bem, quem está morto é o Kim e o Benny.
O BENNY?
Sim.
Vocês são muito irresponsáveis.
Relaxa, Kat, nós temos a cura perfeita para uma ressaca.
Têm?
Sim. Nada que um bom surfe, ou no caso do Benny hoje, um bom caldo, para colocar as coisas no lugar.
Por favor, não matem o noivo afogado, porque eu não vou ficar entre você e a fúria da Pietra, se ela ficar viúva antes do casamento.
Achei que você me protegeria.
Amo você, mas não arriscaria minha vida te protegendo, Deus sabe que quando a Pietra está furiosa, não tem coisa ou pessoa que a pare. Assim, tratem de trazer o noivo inteiro e sem ressaca para o hotel, ou vocês não verão outro nascer do sol.
Alex ainda estava digitando a resposta, mas como Elena começou a me chamar insistentemente, fui socorrer minha sobrinha.
Quando Elena já estava com os cabelos limpos e escovados, minha outra sobrinha, e igualmente desesperada, bateu na minha porta.
- TÄTI!! EU PRECISO DE AJUDA!
Mal abri a porta e Olivia, carregando uma mala imensa, entrou correndo dentro do quarto, clamando que somente eu poderia ajudá-la a ficar apresentável para o casamento, porque ela tinha um vulcão no meio da testa e ela não queria nem pensar em aparecer deformada na festa.
Segurei Liv pelos ombros e olhei bem para a testa dela. Realmente tinha uma espinha ali, mas uma espinha mínima, que com um creme secativo sumiria em questão de horas.
- Vê!? Não é imensa? Por que isso tinha que acontecer justo hoje e justo comigo? – Ela perguntou desesperada.
- Vamos dar um jeito, Liv. Mas primeiro...
- O QUE?
- Acalme-se, por favor.
- Será que foi o chocolate que eu comi ontem que me deu essa espinha?
- Ele ainda não fez efeito, Olivia. Não foi o chocolate.
- Mas como eu vou me livrar disso? – Ela tinha os olhos arregalados. – Perguntei para mamãe, mas ela falou que eu estava exagerando.
Realmente Liv estava exagerando no assunto, mas eu levei em consideração que ela era uma adolescente cheia de hormônios e com um humor meio flutuante, então parti para a resposta mais sensata.
- Vamos conseguir. Primeiro você vai tomar um banho, depois eu vou olhar isso. Pode ser?
E Liv balançou a cabeça de uma só vez e saiu correndo para o banheiro, arrastando a mala.
Elena, que tinha visto a cena, só me olhou com a carinha mais espantada que ela poderia fazer.
- Vai ficar tudo bem. – Garanti a ela. – Vamos arrumar seu cabelo?
E eu passei metade da tarde arrumando minhas sobrinhas. Elena foi até fácil de arrumar, ficou quietinha enquanto eu tentava cachear um pouco seu cabelo e depois quando fiz o penteado. Olivia foi um pouco mais difícil, tudo por conta da bendita da espinha, mas depois de passar umas três horas com um curativo em cima do seu terror, percebeu que estava funcionando e se acalmou um pouco.
Era meio da tarde, quando Tanya apareceu no meu quarto, querendo saber onde estava a filha a mais velha.
- Estou aqui, mamãe.
- Você deu conta das duas?
- Dei.
- Como?
- Você também já foi uma adolescente desesperada por uma espinha, Tanya. Tenha um pouco de paciência com ela. – Apontei para Liv que agora remexia nas minhas maquiagens.
- Hoje não deu. Ian foi para a festinha dos meninos e está daquele jeito.
- Não levaram ele para o surfe?
- Foi isso que me apavorou. Ian não surfa, e no estado em que estava só iria achar o que não perdeu.
Tive que rir.
- Álcool faz coisas com as pessoas. – Foi o que falei.
- E como. Mas trocando de assunto... Você é a madrinha principal, e ainda está de pijama?
Dei uma olhada para minha roupa.
- Tenho hora marcada no spa do hotel. Até lá, posso tomar conta das duas.
- Pelo que vejo, Elena está pronta...
- Sim, e Liv está quase. Vou terminar de ajudá-la e já libero para você.
- Não vai atrás de Alex?
- Conversei com ele por mensagem há algumas horas. Acho que ele está bem.
E Tanya deu uma risada.
- Queria ter a sua calma.
- Não é calma. É simplesmente foco. Eu vou me arrumar, não a ele. Se chegar atrasado, Pietra vai voar é no pescoço dele, não no meu. Simples assim.
- Bem, você conhece a Italiana Louca melhor do que eu. Posso levar minha caçula?
Nem precisei responder, Lena veio dando pulinhos até a mãe, já falando mil e uma palavras por segundo.
- É toda sua. – Ri quando Elena descrevia com detalhes tudo o que fizemos durante a manhã, até como a irmã apareceu meio desesperada no quarto.
Tanya saiu rindo da falação de Lena, e eu fui ajudar Liv a se livrar de seu monstro pessoal.
- E está pronta. – Avisei para Liv.
- Nem acredito que a senhora conseguiu disfarçar meu vulcão pessoal. Muito obrigada, täti! Salvou a minha vida!! – Ela me deu um abraço apertado. – Tem alguma coisa que eu possa fazer para te ajudar?
- Não, tem, Liv. Mas obrigada por perguntar.
- A senhora vai se maquiar sozinha?
- Vou para o spa. Lá deve ter alguém para fazer isso. Mas se não tiver, vou ter que fazer a maquiagem por mim mesma. – Falei.
Liv foi comigo até o elevador, de lá, voltou para o andar onde estava e eu fui para meu destino.
E, três horas depois eu entrava dentro do meu quarto, para encontrar o desaparecido do meu noivo, tentando se arrumar.
- Problemas com a roupa? – Perguntei assim que vi ele duelando com a gravata.
- Eu não gosto de gravatas.
Dei uma risada.
- Já notei. – Comentei e fui dar o nó da gravata borboleta.
- Obrigado. E eu te daria um beijo de agradecimento, mas não quero estragar a sua produção.
- Ainda não estou pronta, falta o vestido e os sapatos. – Informei e fui buscar a minha roupa.
E, depois de colocar o vestido mais vermelho que poderia existir e de me equilibrar no salto igualmente vermelho, estava pronta para casar mais uma amiga.
Quando sai do banheiro, depois de retocar o batom, Alex, que já estava perto da porta, parou e ficou me encarando por quase um minuto completo sem falar uma única palavra.
Encarei-o de volta com uma sobrancelha levantada e foi quando ele saiu do transe.
- Você pode não gostar, mas vermelho combina com você. – Ele desconversou ainda me olhando.
- Era realmente isso que você queria dizer? – Perguntei seriamente, chegando perto dele.
Os olhos de Alex desviaram do meu rosto e ele olhou para o teto, tentando respirar fundo.
- Você sabe que não.
- Vou facilitar para você e não vou te pressionar pela resposta correta. – Disse simplesmente. – Agora... – Olhei sugestivamente para a porta.
Alex abriu a porta e foi me guiando pelo corredor, sempre com uma mão em minha lombar.
- Será que não vai sentir frio? – Ele perguntou, fazendo alusão ao fato de que o vestido não tinha mangas.
- É o meio do verão, Alex. E, de nós dois, eu acho que consigo lidar com o frio melhor do que você! – Brinquei.
Na recepção do hotel, o carro que nos levaria para o Castelo, já nos esperava e, estranhamente, não tropeçamos em ninguém, mesmo que todos estivessem hospedados ali.
Chegamos ao castelo, e quando nos identificamos, fomos levados até uma sala separada, onde nos deram as últimas instruções para a cerimônia. E nos avisaram que seríamos o casal que abriria o cortejo de padrinhos.
Quando a organizadora saiu para receber o outro casal, só brinquei com Alex.
- Acho muito bom você não me deixar cair no corredor.
- Como se você precisasse de ajuda para andar com estes saltos.
- Mas é o seu dever impedir que eu caia, vai que tem uma dobra no tapete? Ou que eu tropece na barra do vestido?
- Eu não vou te deixar cair, Kat. – Alex falou solenemente que eu até pensei que ele não tinha entendido a minha brincadeira. – Nem hoje, nem nunca. – Garantiu e me abraçou por trás.
- Estamos entrando, por favor, quem quer que esteja aí dentro, que esteja apresentável. – Matt falou da porta.
E, pouco a pouco, todos os casais de padrinhos chegaram. Faltava muito pouco para a cerimônia começar.
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Como era de se esperar, o casamento foi perfeito, nem sei o motivo de Pietra ter ficado tão nervosa durante toda a semana, não houve nem um mísero erro. Tudo correu tão tranquilamente que todos puderam se encantar com os pequenos e belos detalhes dos arranjos, das leituras, do vestido da noiva, da forma carinhosa que Benny olhou para Pietra quando proferiu os votos, tiveram que segurar as lágrimas quando Pietra se engasgou para recitar os seus votos e Benny, vendo a emoção no rosto dela, deu um beijo em sua testa, confirmando de forma tenra as palavras que ele havia dito pouco antes. O sim dito de forma alta, clara e segura pelos dois e o beijo apaixonado encerrou um dos casamentos mais lindos que eu já vira.
A noite clara e com temperatura agradável foi o ponto alto da festa que foi em um dos jardins do castelo. As luzes indiretas permitiram aos convidados a observarem as estrelas e, depois que os brindes foram feitos, que discursos foram proferidos, alguns emocionantes, outros tão sinceros que era impossível de não sorrir, e, claro, os que nos fizeram rir alto.
No fim, tanto a cerimônia, quanto a festa em si, foram somente a confirmação de que, por mais diferentes que Pietra e Benny pudessem ser, eles eram mais do que almas gêmeas que se encontraram para se completarem.
E, tendo a lua cheia e um céu estrelado como testemunhas, encerramos a noite na pista de dança. Primeiro com músicas animadas que fizeram todos irem dançar, não importa se com seu par ou não e, depois foi dado espaço para a valsa dos noivos. E quem diria que Pietra conseguiria não tropeçar nos próprios pés enquanto dançava uma valsa.
Após um verdadeiro show de dança dos noivos, a pista foi liberada para os convidados.
Dancei com muita gente, até porque alguém teve a ideia de trocarem os pares, foi divertido poder conversar, rir e às vezes não dançar com um dos meninos, tudo porque, ou um não sabia dançar, ou porque eu era alta demais para o meu par temporário.
Dancei com meus irmãos, com Will, que fez questão de pisar no meu pé, com o pai da noiva e do noivo também, além de alguns dos rapazes da turma do surfe, claro que depois de vários rodopios desajeitados, alguns de propósito, outros não, voltei para os braços de Alex, onde fiquei pelo resto da noite.
Em uma certa música, não sei qual, porque não prestava atenção, pois estava mais atenta ao bater do coração de meu noivo do que ao ambiente ao redor, Alex me deu um beijo na testa e sussurrou somente para que eu ouvisse:
- O que tem nessa sua cabeça? Pisaram com tanta força no seu pé enquanto dançava com outros que até desaminou de dançar comigo? – Brincou.
Levantei minha cabeça e o encarei.
- Apesar de que Will realmente pisou no meu pé, e que talvez Matt seja um excelente surfista, porque dançarino ele nunca será, não estou pensando nas danças desastrosas que dancei hoje.
- Então está pensando se eu dancei com alguém que dançasse melhor do que você? – Provocou.
Encarei seus olhos azuis divertidos.
- Dançou? – Questionei.
Ele levantou a cabeça e escaneou o ambiente.
- Bem. Acho que sim. – Disse brincalhão.
- Diga-me quem é que vou jogá-la no fosso do castelo. – Segui seu tom de brincadeira.
- Bem, ela tem um metro e meio de altura e, infelizmente, já descarregou. Mas foi a minha melhor parceira de dança hoje. – Alex olhou na direção onde Elena dormia em uma cama meio improvisada de cadeiras e paletós.
- Posso garantir que ela não pisou no seu pé! – Respondi rindo.
- Não ela não pisou. Mas quase que me mata de dor nas costas quando tentou me ensinar a coreografia de uma música.
- Essa é a Elena. – Falei.
- Sim. E pena que já apagou, porque ela me disse que queria seu irmão dançando Dancing Queen com ela.
- Ian agradece profundamente ela já ter dormido, porque a Pequena não desistiria disso de jeito nenhum.
- Mas, voltando a você, em que tanto pensa desde que voltou aos meus braços?
- Que, talvez, tenha chegado a nossa hora. – Falei solenemente olhando em seus olhos.
- Hora de? – Ele questionou curioso. – Kat, já falamos de casamento, de filhos, de não nos casarmos e ficarmos como estamos, de nos casarmos só no cartório sem ninguém por perto.
- Hora de dar uma festa de casamento. De deixar meu pai me levar até um altar, ter Elena de Dama de honra, Seb como nosso pajem. Ter todos nossos amigos reunidos para mais uma festa. Hora de celebrarmos o nosso amor.
Alex parou de dançar na mesma hora e olhou para mim. Um tanto surpreso e ao mesmo tempo incrédulo pelas minhas palavras.
- Eu não estou brincando, Alex. Eu estou pronta para colocar um vestido branco, e dizer o sim definitivo a você, na frente de todas as pessoas que são importantes para nós.
- Onde e quando? – Vi as emoções passarem por seus olhos, ansiedade e felicidade sendo as mais fortes.
- Podemos conversar uma data que nos agrade, ou podemos sortear a data e o lugar. – Falei simplesmente. – Eu não tenho preferência, até porque não pensei em nada disso, porque até esta semana, eu não pensava em me casar efetivamente com você. Estava feliz com que temos, e ainda estou, mas percebi que falta algo. Que falta oficializar.
- Sortear? Quer sortear a data e o lugar?
- Sim. Nós podemos escrever quatro lugares para o casamento, com a respectiva data. Assim como o destino de lua de mel... acho mais justo do que escolhermos um, só porque um de nós gosta. Até porque, nossos gostos são bem opostos.
- Acho que pode dar certo. Vamos sortear hoje à noite? – Perguntou animado.
- Melhor não... tem coisas mais interessantes para se fazer depois de um casamento... – Brinquei com ele.
- Não é o nosso casamento. – Alex me respondeu, mas eu vi que ele já cogitava a minha ideia.
- Já podemos ir treinando, o que acha? – Dei um beijo em sua boca.
- Você está brincando com fogo, Katerina.
- Não. Estou simplesmente aproveitando o fato de que poderemos ficar às sós por algumas horas, sem nos preocuparmos com nada.
Passamos a maior parte da noite na pista de dança, depois do que eu disse, o humor de Alex, que já era exultante de felicidade pelos amigos, ficou ainda melhor, ele não conseguia esconder o sorriso de felicidade. Afinal, se com um mês de namoro ele me pediu em casamento, era mais do certo de que ele queria oficializar o que tínhamos com a mesma pressa com a qual havia me feito o pedido, e eu, nos últimos dois anos, vim protelando a resposta, vim protelando os preparativos, porque não me sentia pronta para isso.
Porém, nessa semana, percebi que agora sim eu estava pronta. Uma cerimônia de casamento não era somente um meio de dizer que eu estava casada para nossas famílias e amigos, mas era confirmar o tamanho do meu amor por Alex.
Amor que eu sempre declarei, e agora iria provar ao dizer o sim mais importante da minha vida para a pessoa que eu não poderia viver sem.
[1] Oi, tia!
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