Preso Á Sete Chaves
12 Passado a Limpo
Então minha vista ficou escura, meu corpo não me obedecia mais. Então desmaiei, ouvindo barulhos estranhos ao meu redor.
Então tive um sonho, um sonho que clareou todas as informações dessa noite. O porquê de tudo o que aconteceu comigo aqui, nessa maldita cidade.
Vi-me mais novo – eu deveria ter uns treze anos. Brigava com meus pais, eu não queria ir naquele festival chato de musica clássica. Então eles me deixaram em casa e foram somente meus pais e Rosalie – ela tinha uns oito anos de idade.
Então, a imagem mudou e os vi voltando para casa, o carro passava rápido pelas ruas desertas. Minha mãe, disfarçadamente soltou o cinto de segurança de Rosalie – minha irmã dormia como um anjo.
Depois de um tempo minha mãe começou a discutir com meu pari por algum motivo, então virou o volante bruscamente, fazendo o carro bater. Antes de a imagem mudar, vi minha irmã ser arremessada para fora do carro, pelo pára-brisa.
A imagem mudou mais uma vez, eu estava na sala de um hospital, e vi minha mãe conversar com um médico do hospital. Eles negociavam algo, me aproximei para ouvir.
- Pago o quanto for necessário para você me dar o atestado de óbito de Rosalie. – ela dizia.
- E o que eu faço com a garota? – o doutor perguntou – Ela está somente em coma, recuperará rápido.
- Mande-a para um orfanato. – ela dizia – Isso já será problema seu.
- Sim senhora, vamos negociar o preço... – o doutor respondeu.
A imagem mudou e vi Rosalie no quarto de um orfanato, conversando sozinha e sorrindo. Parecia planejar algo terrível – e eu tinha a impressão de saber o que era.
Então acordei em um quarto de hospital. Minha mãe olhava-me preocupada. Junto com ela Kevin e Jenna – meus melhores amigos e sócios desde que sai da casa da minha mãe. Ao lado deles, dois policiais me olhavam, segurando uma xícara de café.
- Você está bem filho? – minha mãe me perguntou assim que me viu acordar.
- Hei, — um dos policias falou chamou minha mãe – Temos que fazer umas perguntas para ele, saiam do quarto.
- Seremos breves – o outro policial completou.
Reparei mais nos policiais, era um homem alto e forte, o outro um senhor meio gordo – os mesmos que interrogaram Rosalie em uma de minhas visões.
- Alex Nashville, é o seu nome não é? – o gordo perguntou.
- Sim, — respondi – O que mais querem saber?
- O que aconteceu com você na cidade? – ele foi direto ao assunto – Várias pessoas desapareceram ali, você foi o primeiro a ser achado.
Fiquei um tempo calado, pensando. Se eu contasse para eles, eles me considerariam como louco e me prenderiam num manicômio. Eu não podia deixar.
- Não sei – menti – Não me lembro de nada.
- Tem certeza? – o policial alto perguntou.
- Sim. – falei.
Então eles começaram a fazer varias outras perguntas, eu estava tonto e cansado. Respondi-as automaticamente, sem ao menos prestar atenção no que eles diziam.
- Por enquanto é só! – o gordo disse, retirando-se do quarto. O outro policial o seguiu.
Mal eles saíram e minha mãe entrou no quarto desesperada, vindo me abraçar. Olhei-a com cara de desprezo e ela parou, olhando-me com cara de quem não entendia nada.
- Mãe, eu sei de tudo... – eu disse, tentando não ser rude com ela, pois apesar de não concordar com muito do que ela fez comigo e com Rosalie, ela ainda era minha mãe.
- O que? – ela fez de desentendida.
- Rosalie não morreu. – eu disse – O que você fez foi errado.
- Do que você está falando? – ela se mostrou nervosa, eu a atingira de alguma forma.
- Você comprou um... – eu não sabia que palavras usar – Atestado de óbito para minha irmã. Forjou a morte dela.
- Alex, — ela estava nervosa – Não fale isso.
- Eu sei... – eu falei – Não adiante mentir.
- Como você sabe disso? – ela perguntou, entregando-se.
- Esse não é o maior problema... – eu falei – O caso é que se você não mudar e for atrás da minha irmã o mais rápido possível coisas muito ruins vão acontecer.
- Filho... – ela disse, já chorando. Então saiu do quarto correndo.
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